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História Melizabeth - Betty. - Capítulo 32


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Notas do Autor


Desculpem pela demora...
Quarentena dia 4 e terminei de escrever o final da fic hihihi

Boa Leitura!

Capítulo 32 - .Ban e Elizabeth.


Elizabeth Liones

...

Assim que eu e Elaine ocupamos nossos devidos lugares na mesa do refeitório, Diane se apressou na fila da lanchonete para pegar seu café da manhã. Eu e Elaine nunca fomos muito próximas, acredito que uma barreira e ambos preconceitos nos impedem disso, portanto quando Diane não está, um clima estranho e silencioso recaí sobre nós duas. Puxo o laptop da mochila, colocando-o em cima da mesa para enfim terminar um trabalho que tem sua data de entrega prevista para semana que vem.

- Não vai comer, Betty? – Ela pergunta, olhando-me acima das extremidades do notebook.

- Não estou com fome. – Respondo, já mexendo os dedos rapidamente pelo arquivo aberto do Word. – E você? Não vai comer?

- Diane disse que iria pegar algo para mim na lanchonete.

Logo, a morena aparece, jogando sua bandeja sobre a superfície da mesa e se sentando rapidamente.

- Peguei uma maçã para você. Vamos, conte-me logo! – Ela exige ligeira em direção à Elaine, que suspira alto e começa seu falatório sobre o Ban.

- Não consigo viver assim, Diane! Ele sequer olha nos meus olhos quando fala comigo.

- Elaine, você sabe que este é um momento difícil para todos nós. O Ban não se lembra de nada, é uma nova pessoa. Por que não tenta o que eu falei? Tentar se reaproximar dele, conquistar seu coração... – Diane segue consolando-a e não consigo evitar o ato de revirar os olhos. Costumo viver em meio delas, e todas as conversas eram voltadas à Ban de alguma maneira.

- Se antes minhas chances eram 0, agora são de -1!

- Não seja tão pessimista. – A morena se vira para mim como um último feito de misericórdia. – Diga alguma coisa, Ellie.

Respiro fundo e encaro as duas, pensando se era sério a ideia de ter uma opinião minha na situação de Ban com Elaine.

- Acho que você deveria se dar mais valor. – Falo, para rapidamente voltar à tela do laptop.

- Cala a boca, Elizabeth! – A loira esbraveja. – Falou a garota que está namorando o babaca que a apostou!

Como hoje o dia está bonito e meus problemas são outros para resolver, apenas dou de ombros e volto à digitalização no teclado.

- Os babacas são sempre os melhores na cama. – Solto atrevidamente e vejo-a semicerrar os olhos e abrir a boca para retrucar continuando a discussão, porém, ela não fala nada e sua face suaviza. Em seguida recebo um beijo molhado em minha bochecha e ao olhar para cima, vejo Meliodas ali.

- Quem que é bom na cama? – Ele provoca com um sorriso ladino repuxando os lábios.

- Estava escutando a conversa alheia? – Cruzo os braços, fazendo-o gargalhar baixo e logo, levar seus dedos ao meu queixo, deixando um selar rápido em meus lábios.

- Senhoras... – Ele brinca com um cumprimento cordial, para logo se sentar ao meu lado.

- Vocês vão à festa da Alpha Meraki? – King pergunta e enfim percebo sua presença ali ao lado de Diane. Ban também apareceu e sentava ao lado de Elaine, provavelmente vieram juntos de Meliodas.

- O que é isso? – Perguntei e os olhares da mesa foram direcionados a mim como se eu tivesse acabado de dizer uma palavra muito, muito, muito feia.

- Uma fraternidade. – O loiro me responde e em um piscar de olhos estende a mão até a bandeja de Diane, pegando dali o seu suco.

- Você só pode estar de brincadeira! – Ela esbraveja, tentando tirar a garrafinha das mãos ágeis de Meliodas. – Sabe o quanto eu odeio que peguem meu lanche, Capitão!

- O seu é sempre mais saboroso. – Ele revida, sugando o canudinho.

- Me devolva, bastardo!

- Fraternidades ainda existem? – Resolvo perguntar para impedir que aquela discussão se alastrasse mais.

- “Fraternidades ainda existem?” – Diane debocha de minha cara, imitando-me e arrastando um sotaque britânico pesado por sua voz. Reviro os olhos, enquanto as pessoas na mesa riem. – Óbvio, né, Elizabeth?

- Vou processar você por xenofobia.

- O campus está cheio de fraternidades, mas os calouros só começam a convocar os novatos no final do ano letivo. – King explica. – É meio que uma tática para ver o desempenho e status que o estudante consegue ao longo do ano.

- Alpha Meraki vai fazer a primeira festa esta noite. – Meliodas diz.

- E vocês vão? – Pergunto.

- Nós todos vamos. – Ban ressalta e me dou conta de que terei que ir também.

- Podem ir. – Declaro. – Não sou muito de festas. Mandem fotos. – Guardo o computador em minha bolsa apressadamente, já levantando-me da mesa. Com certeza insistiriam para que eu fosse, então tratei logo de sair dali.

Pelo canto do olho, percebi Diane gesticular alguma coisa e Meliodas se levantar em seguida, dizendo:

- Deixa que eu domo a fera. – E em uma fração de segundas, ele pega em minha mão, passando a andar ao meu lado.

- Pode começar a tentar me convencer. – Digo assim que saímos do refeitório, cruzando os braços em frente ao meu armário no corredor.

- Não vou obrigar você a fazer nada que não queira, amor. – Me sinto tão patética ao sempre deixar transparecer o que realmente sinto ao ouvi-lo me chamar assim, pois sempre soava tão bem saindo de sua boca. Sinto minha face queimando levemente e escuto sua risada gostosa rente ao meu rosto. Quando caio por mim, já estamos muito próximos um do outro e assim, ele me encurrala, prensando-me contra o armário fechado.

- Sei o que está fazendo, safado. – Digo, sentindo seus beijos quentes em meu pescoço. – Não vou à festa. – O empurro para longe de leve, voltando a andar pela extensão do corredor.

- Ellie! – Ele exclama, para logo correr atrás de mim. – Vamos, Elizabeth! Será legal.

- Eu sei, Meliodas... você pode ir.

- Só vou se você for.

- Não vai conseguir o que quer com chantagem emocional.

- E como vou conseguir? – Sua mão vem ao meu braço, puxando-me próximo ao seu torso. Sinto seus braços em minha cintura, prendendo-me em tal posição.

- Não sei... seja criativo. – Deixo um selinho em seus lábios. – Agora deixe-me ir, daqui a pouco o sinal bate e minha aula começa.

- Só vou solta-la quando disser que vai à festa com os nossos amigos.

- Seus amigos, Meliodas.

- Nossos.

- São meus porque sou sua namorada.

- Isso não é verdade. – Ele diz e então me solta. – Promete pensar em ir hoje à noite?

- Prometo. – Reviro os olhos, seguindo caminho.

 

*

- Parece que o dia hoje será cheio. – Wandle, meu colega de trabalho, comenta irônico ao olhar para as mesas vazias da biblioteca. Ele carregava uma pilha de livros, que acabara por colocar na bancada. – Qual é o problema desse pessoal em pegar o livro e colocá-lo de volta no lugar? Vamos ter que organizar tudo de novo.

- Não reclame tanto. – Digo risonha. Há 1 mês atrás consegui um emprego na biblioteca da faculdade. Segunda, quarta e sexta das 14:00 às 17:00. Um salário razoável e perto de onde moro, no próprio campus. – Provavelmente poucas pessoas aparecerão hoje. Ficou sabendo da festa da tal Alpha Meraki?

- A festa dos calouros da AM? Fiquei sim, só souberam falar disso durante a semana.

- Você está no terceiro semestre de medicina, não? – Pego um dos livros, para pesquisar no sistema em qual prateleira ele deve ficar. – Faz parte de alguma fraternidade?

- Kappa Sigma. O sobrado de tijolos que fica na parte mais afastada do campus.

- Com a bandeira verde e vermelha?

- Essa mesmo. E você? Pretende fazer parte de alguma sororidade?

Nossa conversa sofre uma pausa de alguns segundos quando um aluno se aproxima com o intuito de devolver um livro e Wandle o atende. Assim que o garoto se afasta, volto a responde-lo.

- Não sei... – Digo, nunca pensei que passaria por isso. Quando assistia sobre fraternidades e sororidades em filmes americanos, nunca imaginei que era realmente daquele jeito. – Se eu for chamada, posso até pensar a respeito.

O barulho da porta pesada de madeira sendo aberta nos toma a atenção e sinto meu estômago revirar ao vê-lo vindo em direção a bancada. Tento depressa pedir para Wandle atende-lo, mas quando olho para o lado, percebo meu colega no outro canto da biblioteca, organizando alguns livros na estante. Respiro fundo e encaro-o em minha frente.

- Bom dia, posso ajudá-lo?

- Oi, Elizabeth. – Ele ri sem-graça e coça a nuca. – Será que podemos conversar? – Ele pergunta timidamente, como se quase se intimidasse com minha presença e temo por vê-lo assim. Mordo o lábio inferior, tentando pensar em algo que me faça fugir de uma conversa com Ban.

- Acho melhor não, Ban... eu estou trabalhando.

- Será rápido. – Ele insiste. Concordo com a cabeça e sigo-o até o corredor e já fora da biblioteca, ele começa. – Eu venho percebendo isso faz algum tempo...

- Isso o quê?

- Você se sente incomodada quando estou por perto ou é só... impressão minha?

- Impressão sua, imagino. – Como sou uma péssima mentirosa, meu olhar vai direto ao chão, buscando ignora-lo de alguma maneira.

- Olha, Ellie...

- Elizabeth. – Corrijo-o. Não o dei tamanha intimidade.

- Desculpe. – Ele sorri envergonhado. – Elizabeth. Eu não lembro de absolutamente nada. São poucas as coisas que realmente me lembro e a maioria são apenas flashes sem sentido. Praticamente andamos juntos no mesmo grupo e você é a namorada do meu melhor amigo... então, é por isso que venho lhe perguntar: eu fiz algo a você no passado?

Sinto a boca seca e tudo que eu preciso é de um copo de água. Respiro fundo, voltando a manter a postura ereta, mas ainda não consigo sustentar o contato visual. Tento também meu melhor sorriso gentil.

- Não. Não, se preocupe com isso.

- Elizabeth, se eu fiz, pode me contar... por mais ruim que tenha sido. – Ele suplica. – Eu quero mudar isso, quero ser seu amigo.

- Você não fez nada. Eu... eu preciso trabalhar. – Recuo até encostar minhas mãos na maçaneta da porta. – Conversamos depois.

Por fim posso soltar o ar de meus pulmões quando entro de novo na biblioteca. Recosto a cabeça apoiada na porta, pensando no que acabou de acontecer. Wandle pergunta onde eu estava, acabo por dizer que apenas fui ao banheiro e rapidamente volto ao trabalho.

 

*

Abro a porta do quarto e a primeira coisa que escuto são os gritos de Diane.  

- Ellie, vá se arrumar!

- Espere, estou chegando agora. – Tento argumentar, enquanto ela dá leves tapinhas em minhas costas até o banheiro. – Deixe-me pegar minha toalha pelo menos!

- Já coloquei aí dentro. – Ela fecha a porta de uma vez, causando um estrondo mínimo. Olho para o box, realmente vendo a toalha rosa estendida ali. Pego meu celular e coloco a bolsa encostada no chão. Digito o número de Meliodas com precisão e aperto no chamador. Caixa postal. Tento novamente e caixa postal uma outra vez, então, resolvo mandar uma mensagem.

“Saiba que eu estou indo à essa festa porque eu quero, não porque você está pedindo. Abusado.”

Envio, porém a mensagem nem mesmo chega ao destinatário. Mesmo estranhando, posiciono o celular na pia e me preparo para entrar debaixo do chuveiro.

...

...

- Sonhe, Diane. – Repreendo-a ao me olhar no espelho e ver ali como o vestido escolhido pela morena ficara em mim.

- Você não me deixou fazer uma maquiagem, deixe-me pelo menos escolher a roupa! – Ela bateu o pé no chão e um biquinho adornou seus lábios, feito criança. Passei as mãos pelo busto, tentando encaixar o vestido justo ali. Era muito apertado.

- Diane, consigo nem me mexer.

- Mas, você está uma delícia! – Ela brinca e então deixa um tapa descarado em minha bunda.

- Diane! – Reprovo-a, o que apenas alavanca em uma gargalhada vinda da mesma.

- Ellie pegadora... deste jeito vai passar a noite toda pegando o Capitão.

- Poupe-me... – Reviro os olhos, cruzando os braços. - Até de pijama eu consigo pegar o Meliodas.

- Ui, olha ela. – Diane se afasta até o guarda-roupa. – Agora, é a minha vez, deixe-me ver com que roupa eu vou.

 

*

Literalmente conseguia sentir meus tímpanos tremendo. A pouca luz do local me impedia de reconhecer os rostos ali presentes, mas eu conseguia identificar Diane e King nos completos amassos ao meu lado. Estávamos sentados em um sofá mais ao canto, de frente à pista de dança. Elaine insistia em puxar assunto com Ban, mesmo que não desse para escutar nada por conta da música alta. Deixei o celular em casa, não consigo ligar para Meliodas e perguntar aonde ele está.

- Ban! – Elevo a voz em sua direção. Ele volta sua atenção para mim e aproveito para aproximar minha boca de seu ouvido. - Você sabe aonde Meliodas está?

- Para ser sincero, eu não faço ideia. – Ele repete o ato comigo para que deste modo eu posso o escutar também. – Estávamos jogando quando ele recebeu uma ligação e depois disso ele ficou meio... estranho.

- Estranho? Como assim?

- Ficou sombrio. Ele se arrumou todo e saiu, sem falar nada ou responder às minhas perguntas.

Observo todas aquelas pessoas dançando, coladas umas nas outras. O que será que aconteceu?

- Você quer beber alguma coisa? – Ele pergunta.

- Não, não... eu não bebo.

- Eu também não. Provavelmente ali no freezer deve ter algum suco ou refrigerante. – Ele se levanta e então, estende sua mão em minha direção. – Quer vir comigo pegar algo?

Elaine analisa Ban dos pés à cabeça, provavelmente pensando o porquê de ele não ter a chamado. Encaro sua mão, mas ignoro a ajuda, levantando-me e cortando caminho através da multidão até chegar ao freezer. Agradeço aos céus por ali estar um pouco mais vazio.

- Nova na universidade, uh? – Ouço uma voz atrás de mim e ao olhar para trás, me deparo com um garoto vestindo um moletom com a mesma logo da bandeira na entrada do sobrado. Ignoro-o e volto a buscar por algo sem álcool.

- É... – Respondo sem muita importância. – Quase isso.

- Uma beleza dessas não iria fugir dos meus olhos. – Disse, enlaçando minha cintura.

- Oh! Me solta! – O empurrei para longe com força. – Babaca!

- Se acalma! – Ele coloca os braços para cima, como que se rendendo. – Não precisa ficar tão na defensiva. – Ele se aproxima mais. – Quer que eu te beije aqui ou prefere que eu te leve pro banheiro?

- Me larga! – Tentei me desvencilhar do mesmo, mas logo sinto meu corpo sendo prensado contra o freezer. – Eu vou gritar!

- Você vai ser uma boa garota e vai ficar caladinha.

- Solta ela. – Sinto meu coração falhar uma batida ao mesmo tempo tremer em puro alívio ao ver Ban parado atrás do garoto.

 

*

Meliodas Demon

...

Olhos insistentes correm até o relógio grudado no topo da parede, percebendo o ponteiro chegando em mais uma casa e nenhum sinal do homem de terno preto aparecer. Homem de terno preto, contraditoriamente desvio o olhar para minhas próprias vestes: blusa social preta, terno preto e calça preta. Deveria usar mais colorido. Por que até mesmo na maneira de me vestir eu tenho que ser parecido com ele?

Como se fosse automático, meu corpo se atenta à sua presença. Porém, me surpreendo ao constatar que não é meu pai ali, e sim Chandler. Ele vasculha os olhos acima do salão do restaurante até topar com os meus e vejo um brilho mínimo cintilar ali.

- Meliodas. – Ele se pronuncia e percebo sua voz grave. Ah, bem, é perceptível que o velhote andou fumando muito nos últimos anos. Levanto-me da cadeira, sutilmente fechando o botão do meio de meu paletó, pondo-me em sua frente.

- Pensei que...

- Seu pai não pôde vir. – Ele tenta um sorriso simpático, mas seu rosto não está acostumado com isso e acaba por dar errado. – Sente-se, garoto.

Faço o que me foi pedido e por mais alguns instantes permanecemos calados, olhando um para o outro. O contato visual é cortado quando um garçom aproxima-se, perguntando o que pediremos.

- Não estou com fome. – Respondo, enquanto que pelo canto do olho posso vê-lo examinar o cardápio. – Uma taça de vinho está de bom tamanho.

- Não seja modesto, sei que quer algumas gotas de uísque. – O mais velho diz da ponta da mesa e encaro o garçom por alguns segundos. Ele parecia nervoso. Pareço tão amedrontador assim ou será que é apenas Chandler?

- Pensando melhor, vou querer apenas uma água.

- Não irá beber?

- Estou dirigindo.

- Não vejo problema. – Se voltou ao garoto apenas esperando para anotar os pedidos e sair dali. – Traga-me um Romanée Grand Cru... não importa a safra, apenas traga-o.

Desvio o olhar rapidamente para qualquer outro ponto, tentando ignorar a vontade de simplesmente ir embora. Claro, o vinho mais caro. Restaurante mais caro. Mordomia. O que será que eles querem com isso tudo? Frase no plural pois tenho total certeza de que meu pai está por trás disto. Pensei que me livraria de sua sombra me encurralando depois daquele soco em um dia tão... importante para o mesmo.

- Não tomo vinho. – Falo assim que o garçom se afasta de nossa mesa.

- Algum motivo exato?

Fito um casal conversando na mesa atrás do mesmo, sempre tentando não olha-lo diretamente e dou de ombros.

- Quando tomo, não gosto do sabor.

- Anda muito exigente ultimamente.

- Por que não pula a parte da conversinha inútil e me conta logo o que vocês querem?

- Não compreendo. Por que acha que queremos alguma coisa além de uma reaproximação familiar? – Cerro os punhos debaixo da mesa e respiro fundo ao ver o sorriso sórdido em seu rosto, entregando suas segundas intenções.

- Porque Zeldris e Estarossa não estão aqui, e até onde eu me lembro, não sou o único sobrinho ou filho.

- Mas é o mais velho. – Depressa, houve um estalo em minha mente e o motivo daquilo tudo me pareceu evidente.

- Eu não vou assumir a empresa, Chandler. Desista. Procure outro candidato... sei lá, não temos tantos familiares na Pensilvânia? Pois bem, arrume um fantoche por lá!

Sua risada eloquente atinge certeiro minha irritabilidade sensível e penso em Elizabeth falando “seus problemas não se resolverão se você sair batendo em todo mundo”. Mordo o lábio inferior, vendo seu olhar perverso recair sobre mim.

- Nunca o entendi, meu sobrinho. Desde os 14 anos você tem essa rejeição com a ideia de herdar tudo o que o seu pai trabalhou tanto para construir.

-  Fale o que quiser, não mudarei de ideia. – O vinho chega. Chandler é servido e antes que aconteça o mesmo comigo, levo minha mão à boca da taça, impedindo que o garoto colocasse ali a bebida.

- São milhões em jogo, Meliodas. – Ele continua argumentando. – Seu pai está muito doente. – Finalmente admite e mais uma vez entendo o motivo repentino pelo qual meu pai se casou e buscou contato comigo e com meus irmãos depois de anos. Apoio o corpo para trás, mantendo-me em uma postura despojada, com um sorriso repuxando os lábios.

- Então quer dizer que o velho está prestes à bater as botas?

- É só isso que você sabe fazer?! – Chegamos na parte em que ele começa a se alterar. – Debochar e desdenhar de tudo?

- Isso incomoda o senhor?

Ele puxa o ar para os pulmões fortemente e passa a mão pelos poucos cabelos grisalhos que sobram.

- Saiba que esse sorrisinho perverso e este olhar arrogante só prova que você é igualzinho ao seu pai. Não negue suas raízes, meu sobrinho.

Sua frase faz minha credibilidade sumir e meu sorriso murchar. De repente ele me fez parecer patético e me odiei por isso: por de certo modo concordar com ele.

- Não irei assumir a empresa, Chandler. Avise-o. Não importa o que digam.

Ele permaneceu calado, bebericando o vinho em sua taça. Mantinha o olhar distante, como se pensasse no próximo passo. Não adianta, não quero isso para mim. Acreditando que nossa conversa havia terminado, levanto-me prestes a sair logo dali.

- É por causa da garota? – Sua voz me para. E me faz recuar de volta até a mesa.

- Que garota? – Por favor que ele não esteja falando de Elizabeth.

- Elizabeth. – Sua voz vibra em um riso nasalado. – Elizabeth Caroline Liones. – Ele se cala, esperando uma possível resposta e ao ver que eu não diria nada, ele continua. – 19 anos. Nasceu em Londres, Inglaterra, mas com 14, por conta de um trágico acidente envolvendo a morte dos pais, foi obrigada a se mudar com as outras duas irmãs para a casa de seu tio em Edimburgo, Escócia. Quer que eu continue? – Silêncio. Ele havia tomado todas as palavras para ele e agora eu não conseguia dizer mais nada. Que meu pai fizesse qualquer coisa comigo, mas que não metesse Elizabeth no meio. – Quando fez 16, voltou para Londres para terminar o ensino médio. Acredito que seja lá aonde vocês tenham se conhecido.

Tenho que manter a calma, ele não pode ter a convicção de que estou preocupado.

- Ou melhor, se reencontrado, afinal já haviam estudado juntos antes. – Suas frases são insistentes e continuam a jorrar de sua boca ressecada. – Mas, creio que fora no ensino médio que tenham começado a olhar um ao outro de uma maneira... diferente. Mas, vamos falar sobre outra coisa, Jovem Mestre. Sério mesmo? Uma aposta?

Jovem Mestre. O apelido de infância havia voltado em cheio. Tenho que manter a calma.

- Esse é o plano? Puxar a fixa de uma ex-namorada para eu não ter outra escolha a não ser fazer o que vocês querem? – Posso finalmente sorrir ao ver que as palavras estão surtindo efeito e meu plano de última hora está dando certo. – Ah! Eu não avisei? Pois é, terminamos faz algum tempo.

- Terminaram?

- Sim. Desculpe estregar com a sua estratégia de “reaproximação familiar”. – Faço aspas com os dedos só para soar ainda mais irônico e desdenhoso. Minhas esperanças parecem acabar quando vejo um sorriso brotando em seu rosto uma maldita outra vez.

- Sendo assim, como explica terem passado a noite juntos ontem?

- Não passamos a noite juntos ontem. Não há vejo faz um bom tempo. – Minto.

- Então, quem era a mulher de cabelos prateados nua em sua cama ontem tarde da noite?

Minha falta de resposta parece conforta-lo. Mas, logo, outra coisa batuca em minha cabeça.

- Está me seguindo? Ou melhor, colocou alguém para me seguir?

- Não seja bobo, eu amo você, nunca teria coragem de fazer isso. – Sua feição demonstra outra coisa. Ele nem tenta disfarçar.

- Chandler... – Levanto-me da cadeira, ele não me seguraria ali por mais nenhum minuto. – Como sobrinho, estou lhe pedindo... estou lhe implorando como o seu sobrinho, por favor... – Me atrevi a pegar em sua mão. – Não coloque Elizabeth nisso. Isso é entre mim e meu pai.

- Ora, meu querido, não fique na defensiva. Não quero o seu mal, muito menos o daquela garota. – Sua falsidade me causa calafrio e só consigo pensar em um jeito de tirar Ellie disso. – Proponho que converse diretamente com seu pai.

- Não tenho porra nenhuma para conversar com aquele cara. Isso já passou dos limites! Se querem fazer eu assumir aquela merda de empresa, não coloquem Elizabeth nisso. Ou... – Puxo seu colarinho agilmente, fazendo-o perder o pouco equilíbrio que a idade não o tomou. Chandler arregala os olhos com meu ato inusitado. – Eu juro, titio, se você ou meu pai encostarem em um fio de cabelo da Elizabeth... eu mato vocês.

 

*

Elizabeth Liones

...

- Obrigada. – Agradeço ao pegar a garrafinha de água que Ban estende em minha direção. Fora da casa, aquela música alta era só uma bagunça abafada e distante. Eu estava sentada no gramado, de frente para a rua, ele se aproxima para se sentar ao meu lado.

- Não precisa agradecer, tinha outro freezer na cozinha, repleto de água. – Ele diz e apoia seu rosto em seus joelhos.

- Não por isso. Por ter me defendido.

Um silêncio confortável se instalou entre nós. Quer dizer, quase silêncio, o abafado tocando Ariana Grande ainda estava ali. Levantei a cabeça, olhando a noite estrelada.

- Realmente, não precisa me agradecer, Elizabeth. Aquele cara era um babaca!

Balancei a cabeça, concordando. A verdade era que eu não sabia o que dizer, ele tinha acabado de bater em um cara qualquer por mim. Ban estava ali ao meu lado e não estava me xingando ou me ameaçando. Será que eu deveria o agradecer mais?

- Eu menti. – Enfim admito em voz alta. Já passou, remediar ou o odiar para sempre não irá adiantar de nada. Reconheço isso. – Menti para você sobre nós dois.

A falta de ar me atinge em cheio e é como se eu voltasse a ser criança de novo. Uma criança oprimida e disléxica. Respiro fundo, contando até 10, sentindo seu olhar curioso queimando em mim.

- Nos conhecemos na quinta série. Você tinha 13 anos e eu tinha 10, nós estudávamos na mesma classe, junto de Meliodas e Diane... - Dou uma breve pausa. - Como eu posso dizer isso? Você era uma criança bastante... cruel.

- Está falando de bullying? – Ele pergunta e aceno positivamente com a cabeça. – Eu fazia bullying com você?

- Moral e físico.

- Físico? Eu batia em você?! – Outra vez, com as palavras me escapando, eu aceno com a cabeça em afirmação.

- Quando meus pais morreram em 2014, foi só mais um motivo para eu deixar a cidade. Me mudei para a casa do meu tio, na Escócia.

- Meus pêsames. – Odeio o jeito como me olha, como quem tivesse pena. Apenas ignoro essa vozinha na minha cabeça e continuo.

- Em 2016 eu voltei à Londres, para terminar o ensino médio. Você estava pior, só que... eu também estava. Comecei a retrucar.

- Nos odiávamos, imagino. – Ele tenta descontrair.

- Nossa relação piorou ainda mais quando você descobriu que Meliodas estava saindo comigo, já que vocês eram melhores amigos. – Resolvi parar por aqui, já era suficiente.

Esperei uma resposta, mas passamos mais de 5 minutos calados.

- Me perdoe. – Ele diz enfim.

- Já passou. – Desvio o olhar, com um sorriso ladino repuxando os lábios. Querendo ou não, uma parte minha sempre sonhou com Ban dizendo tais palavras com tamanha sinceridade.

- Me perdoe, Elizabeth. – Ele pega em minha mão.

- Perdoo. – Ele sorri e beija o torso de minha mão.

- Amigos?

- O começo disso. Sim.

Ele sorri ainda mais, solta minha mão e pergunta se eu quero que ele me deixe em casa. Respondo que não é necessário e ele diz que voltará para a festa para ficar com Elaine.

Assim que ele sai, olho para o céu só mais uma vez. Sinto como se um capítulo de minha vida tivesse sido encerrado e resolvido. Mas, não conseguia evitar a preocupação crescendo dentro de mim a respeito de Meliodas.

...

 

 


Notas Finais


Então, gente, esse capítulo foi bem fraquinho mesmo... mas, escrevi ele mais para resolver essa questão Ban e Elizabeth, já que a fic está em sua reta final.

Obrigada pelos comentários e pelos favoritos!
Até o próximo capítulo!


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