História Melodia - Limantha - Capítulo 20


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Categorias Malhação
Tags Heloisa, Limantha, Malhação, Romance, Samantha
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Palavras 7.024
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Pessoal me tirem uma dúvida por favor. Geralmente posto os capítulos duas vezes ao dia, mas estou achando que estão ficando um trepado no outro. Então quero de saber, o q vcs preferem? Posto uma vez ao dia, continuo postando duas vezes ao dia, uma vez por semana, uma vez por mês? rsrs Como vcs preferem?
Bjs!

Capítulo 20 - Nothing else Matters


 

 

Na sexta Heloísa acordou e deixou Samantha dormindo, foi trabalhar e deixou um bilhete carinhoso no quarto, outro no banheiro e outro na cozinha. Quando a pianista acordou ficou toda boba. Tomou café e por costume sentou no piano para tocar. MB ligou pouco depois e combinou de ir para lá, apenas para conversar.
 

- Agora nas férias música é só curtição.
 

- Sim, fica mais descontraído, até pra estudar.
 

- E ontem? Foram levar Clara, ela não disse nada no caminho?
 

- Não, mas sei que ficou nos observando. Ela ainda vai se acostumar.
 

- Verdade. O que eu puder fazer pra contribuir eu faço e Rafa também.
 

- Obrigada, vocês são excelentes amigos.

 

Coincidência depois, Clara ligou e pediu o endereço de Heloísa, iria fazer uma visita. Assim que ela chegou Samantha a recebeu no hall e ela viu que MB estava lá.

 

- Ô MB! Estão ensaiando?
 

- Que nada, só brincando de tocar. Hoje tem show e eu resolvi só repassar umas coisinhas.
 

- Juca perguntou se iam ensaiar.
 

- Não há necessidade, vim aqui mais pra jogar conversa fora.

 

Da onde estava Clara não podia ver o piano, só quando entrou que o notou na sala.

 

- Meu Deus! Um... Steinway & Sons. – os olhos estavam arregalados.
 

- É. – Samantha estava toda orgulhosa do piano.
 

- Então era aqui que você estudava.
 

- Sim, não tinha dito que vinha para cá, pois ficaria no mínimo estranho.
 

- Da outra vez que estive aqui eu não o vi na sala.
 

- Claro! Porque ele não estava aqui. – MB falou. – Foi um presente para Samantha.
 

- Ela te deu um Steinway & Sons de presente? – Clara levantou a sobrancelha mais perplexa que duvidosa.
 

- No dia que ela comprou eu estava junto. – MB contou empolgado. – Nunca vi alguém fechar um negócio tão rápido. Heloísa queria um piano, mas esse só por encomenda. Haviam outros, mas ela queria Steinway, então olhou no catálogo e escolheu. O vendedor, pra agradar, quis mostrar um que estava no galpão, aguardando entregar para o dono. – ele fez uma pausa.
 

- E? – Clara perguntou.
 

- E que o dono teve de esperar mais três meses para chegar outro piano, porque o dele está aqui nessa sala.
 

Samantha abriu a boca num gesto de incredulidade, mas seu sorriso logo apareceu.
 

- Gente! Um piano desses custa caro. – Clara falou surpresa.
 

- Coisas do amor.
 

Samantha ficou envaidecida, sendo percebido pela amiga, que não falou nada.
 

- O som dele é incrível. – MB olhava para as teclas.
 

Samantha sentou e resolveu tocar um pouco, logo MB a acompanhou. Clara se empolgou e tirou a flauta da mochila e se juntou aos dois. Tocaram clássicos da bossa nova. Heloísa ligou, mas por conta da música, Samantha não ouviu, então resolveu ir até o apartamento. Saindo do carro na garagem um vizinho a abordou:
 

- Heloísa! Que beleza de música. Vou querer apresentação todos os dias.
 

Ela não entendeu nada. Dentro do elevador escutou uma música e ao sair dele ouviu mais nitidamente. Abriu a porta e viu o trio animado. Ficou os observando, tocavam samba de uma nota só. Quando terminaram ela bateu palma.
 

- Meus vizinhos estão morrendo de inveja. Um me parou pra dizer que quer apresentação todo dia. Vamos cobrar cachê e ganhar um extra. – disse andando em direção a eles. – Tudo bem amor? – beijou Samantha nos lábios esquecendo completamente de Clara ali perto.
 

- Tudo bem. – a pianista sorriu.
 

- Te liguei, mas você não atendeu, agora entendi o motivo.
 

- Ah, nós nos empolgamos um pouco. – falou sem jeito.
 

- Adorei!
 

- Já que recebemos elogio, agora só tocamos com cachê. – Clara brincou.
 

- Que isso! Não pode nem dar uma melhorada que já vai cobrando. – Heloísa sorriu.
 

- O lance é valorizar o passe. – riu.
 

- Então, eu vim chamar essa mocinha aqui pra almoçar, mas acho que vou pedir alguma coisa aqui mesmo. Não posso demorar, estou cheia de serviço e se for viajar, preciso adiantar muita coisa. Ligou pra sua mãe, meu anjo?
 

- Ai, eu esqueci. – falou colocando a mão na cabeça. – Acordei, sentei aqui, logo MB chegou, depois Clara e eu me distraí. Ligo depois do almoço, prometo.
 

- Tudo bem então. Vou pedir o almoço. Quer alguma coisa em especial? – Heloísa alisou os cabelos da namorada.
 

- Não.
 

- Sobremesa? – Sorriu.
 

- Hum, podia. – os olhos da pianista brilharam.
 

- Ta bom, já venho. – Beijou o topo de sua cabeça.
 

- Eu quero salmão trufado com molho de pêra francesa. – MB gritou.
 

- Vai sonhando! – Heloísa respondeu lá de dentro da cozinha.
 

- Ah, não funcionou. – ele fingiu se chatear.

 

Clara estava calada, parecia tensa, observava o tratamento de Heloísa com Samantha, realmente eram um casal como os outros. Não tinha nada preconcebido, mas pensava ser diferente do que se julgava habitual. Heloísa era extremamente atenciosa e carinhosa com Samantha, que também correspondia a altura. Talvez estivesse exagerando e seus conceitos estivessem ultrapassados. Reparou que as duas tinham mais cumplicidade que ela e Juca ou muitos casais héteros.
 

- Vem gente, vamos pra sala. – Samantha chamou.

 

Sentaram pra conversar até o almoço chegar e o papo rendeu. Almoçaram na cozinha mesmo e logo Heloísa teve de ir embora.
 

- Vai ficar o dia todo aqui? – perguntou abraçando Samantha pela cintura já na porta do apartamento.
 

- Acho que vou. – Samantha enlaçou o pescoço de Heloísa com os braços. – Você demora a chegar?
 

- Não sei amor, pode ser que sim. Se eu não chegar a tempo, vou direto para o show e nos encontramos lá.
 

- Então bom trabalho, se cuida viu. Não esquece que te amo. – a beijou.
 

- Também te amo. – Heloísa lhe deu um beijo todo apaixonado. – Até mais tarde. – lhe deu mais um selinho rápido.
 

- Até.
 

Clara olhava de canto de olho de onde estava, mas não passou despercebido por MB.
 

- Me pergunto se você está admirando ou recriminado.
 

- Oi? Ah não... eu... só estou observando.
 

- Com boas ou más expectativas?
 

- Não sei, é tudo muito novo. Não sou uma pessoa retrógada, acho que é falta de costume.
 

- Aos poucos você vai entender; se gosta realmente de Samantha, vai aceitar.
 

- Certas mudanças não são tão fáceis. – falou ainda olhando pra elas.

 

 

Heloísa foi direto do apartamento para o fórum, encontrou com Rafael lá. Ao entrar numa sala viu Camila passando pelo corredor e mais que depressa fechou a porta.
 

- Você está se escondendo dela? – Rafael perguntou incrédulo.
 

- Estou, quero evitar confusão. Toda vez que essa mulher aparece vem junto com encrenca. Quero distância e sossego.
 

- Isso aí, agora você é uma mulher compromissada.
 

- E enlaçada. – apontou para a aliança.
 

Por intermédio de outras pessoas, Camila soube que Heloísa estava em audiência e entrou na hora do julgamento. Admirava a performance da promotora e quando estavam saindo ela a abordou.
 

- Meus parabéns. Está cada dia melhor.
 

- Obrigada. Tchau!
 

- Calma lindinha. Só estou fazendo um elogio.
 

- Eu agradeci, agora preciso ir. Estou com pressa.
 

- Heloísa, o carro já está lá fora. – Rafael avisou.
- Vamos então.
 

Saiu apressada.
 

- Calma Camila, tudo é questão de tempo. – a juíza falou para si mesma.

 

 

Samantha aproveitou a tarde livre e ligou para a mãe. Falou com mais detalhe da apresentação no dia anterior e depois perguntou sobre levar alguns amigos.
 

- Não tem problema Samantha, desde que eles não liguem de dormir no chão. Eu arrumo mais colchonetes. Quem são?
 

- MB, que toca comigo, Rafael, nosso amigo e a prima dele, Heloísa.
 

- De repente eles querem ficar no sítio também.
 

- Sim, vou falar com eles então.
 

Estava feliz, sua mãe aceitara numa boa e só faltava acertar tudo com Heloísa. Estava ansiosa para contar a novidade. Arrumou-se para o show e esperou MB para irem juntos. Encontraram-se todos no bar, mas Heloísa e Rafael só chegaram para a segunda parte do show. Samantha a achou linda e quando seus olhos se cruzaram sorriram simultaneamente. No final do show, Samantha se sentou entre Clara e Heloísa e dessa vez a amiga pareceu mais relaxada. Não demoraram muito, apenas o tempo de comerem alguma coisa e irem embora.
 

- Clara, amanhã passo lá no apartamento. Estará em casa?
 

- Provavelmente. Preciso ir a faculdade entregar um trabalho novamente, acredita que perderam?
 

- Nossa senhora! Aquele pessoal é muito desorganizado.
 

- Pois é, ainda bem que tinha salvado.
 

 

 

Deitadas na cama e totalmente nuas, Heloísa sobre o corpo de Samantha, encaixada entre as pernas dela, namoravam com beijos e mordidas.
 

- Adorei o show. – Heloísa falou.
 

- A banda está entrosada, daí quando precisamos improvisar fica fácil nos entender.
 

- Verdade. – mordia seu queixo.
 

- Ah amor, liguei pra minha mãe.
 

- E aí?
 

- Quando vamos? – sorriu.
 

- Sério? Posso ir?
 

- Pode! – sorriu e acariciou o rosto dela. - É só não reparar na casa, pois terão que dormir em colchonetes.
 

- Nem me importo. Quero ficar perto de você. Vou avisar os meninos e ver as passagens. A gente desce em São Paulo, aluga um carro e vai pra Jaú. Dá quanto tempo de viagem?
 

- Umas quatro horas. Por que não vamos de ônibus de São Paulo para Jaú?
 

- Porque de carro a gente pode passear por lá. Vou conhecer a sogra! – Falou animada. – E o sogro!
 

- É né. Fica esperta que eles não são fáceis.
 

- Dou um jeito. Conquistei a filha, agora conquisto os sogros.
 

- Me conquistou é? – Samantha passou o indicador contornando o rosto da namorada.
 

- E não foi? Insisti, rodeei, agradei e depois peguei.
 

- Pegou Heloísa? – deu um tapa nela. – Cafajeste!
 

- Ô lindinha, peguei pra mim, um peixinho lindo.
 

- Se falar sereia vai ficar brega. – riu.
 

- É, pensei nisso. – Heloísa achou graça também. – Acho que no fim das contas você quem me pegou.
 

- É dizem isso mesmo. – Samantha olhava para cima como que distraída.
 

- Ah é?
 

- Sou boa laçadora. Morei na roça to acostumada com bichos indomáveis. – ria.
 

- E enlaçou direitinho. Aqui a prova. – mostrou a aliança.
 

- Às vezes não acredito que namoramos.
 

- Por quê?
 

- Sei lá, era algo fora da minha realidade namorar aqui no Rio, ainda mais alguém como você.
 

- Que tem eu? Sou como a maioria, tenho duas pernas, dois braços, dois olhos. – piscou os olhos num gesto brincalhão e Samantha riu. – Uma boca. – beijou a namorada. – Um nariz. – cheirou seu pescoço fazendo-a rir novamente.
 

- Não é isso sua boba. Achava que uma pessoa já com a vida feita, não iria se apaixonar por uma menina como eu, que está apenas começando.
 

- Me chamou de velha? – Heloísa levantou uma sobrancelha.
 

Samantha deu uma gargalhada.
 

- Não, você entendeu o que eu disse.
 

- Vou te mostrar um dos motivos pelo qual me apaixonei por você...
 

Heloísa começou a rebolar, roçando seus sexos.
 

- Ah... isso... é... muito bom... – Samantha abria mais as pernas.
 

- Não viu nada.
 

Fizeram amor noite a fora e foram dormir quase amanhecendo.


 

 

 

Clara entrou na faculdade com o trabalho nas mãos e encontrou com Frederico, o rapaz que tinha tocado com Samantha.

 

- E aí Clara? Folga até agosto agora hein.
 

- Graças a Deus.
 

- Ta perdida aqui?
 

- Vim entregar um trabalho, perderam o meu.
 

- Normal. - riu. - E Samantha?
 

- Está... em casa. Por quê?
 

- Por nada. Queria agradecer por tocar comigo, não deu tempo na quinta. Muita gente ao mesmo tempo e quando a vi já estava saindo com a namorada.
 

Clara ouviu o comentário e nada falou.
 

- Me fala uma coisa... – se aproximou da menina. – Você convive numa boa com isso?
 

Ela não soube o que responder, olhou para os lados tentando ganhar tempo.
 

- Sou uma pessoa de mente aberta. E se ela está feliz, qual o problema? – falou e saiu dando a deixa para o rapaz concluir que o boato era verdade.
 

À tarde estava vendo TV com Juca, quando a porta se abriu, era Samantha.
 

- Hei gente. Tudo bem?
 

- Tudo. – os dois responderam ao mesmo tempo.
 

- Vim pegar umas coisinhas. Clara quer que leve alguma coisa pra você ou quer que traga quando for a Jaú?
 

- Ah eu quero hein. Vou ligar para minha mãe e pedir pra separar umas roupas que estão lá.
 

- E pelo visto você não vai né?
 

- Vou. – Clara enfatizou a palavra. – Mas quero passar o final das minhas férias lá.
 

- Já eu pretendo ficar uns vinte dias. Aproveitar bem a família.
 

- Vai todo mundo? – Clara perguntou desconfiada.
 

- Rafa, MB, Lica e eu. Já conversei com minha mãe.
 

- E ela levou na boa?
 

- Sim, são meus amigos.
 

- Amigos, sei...
 

- Clara, queria que eu dissesse o que?
 

- É, ta certa.

 

 

Samantha terminou de pegar suas coisas e saiu. Pegou um ônibus e voltou para o apartamento. Heloísa havia ficado em casa para terminar de ler uns documentos e adiantar tudo no trabalho para poder viajar. Ligou para Rafael e falou sobre a viagem dizendo que daria folga a ele se topasse ir junto, ele nem pestanejou, aceitou de cara.  Samantha guardou suas coisas e ajeitou a mala que estava meio revirada. Depois foi procurar a namorada, devia estar no escritório. Quando ia entrando ouviu o telefone de Heloísa tocar e esperou um pouco, não queria invadir seu espaço. Ia saindo quando escutou a namorada falar com raiva.
 

- O que você quer? Já disse para não me encher a paciência Camila. Não quero e não vou. Me deixa em paz.
 

Desligou o telefone. Samantha imaginou que seria a tal mulher do show da Urca e que provavelmente queria alguma coisa com Heloísa. Esperou um pouco e bateu na porta para entrar.

 

- Oi amor. – o rosto da morena mudou ao vê-la. - Já pegou tudo?
 

- Sim, estava arrumando ali no quarto, mas mala não tem jeito, sempre fica revirada.
 

- Coloque no closet, tem espaço lá.
 

- Daqui a pouco estou tomando conta da casa.
 

- Não é por falta de convite. Esse apartamento é grande e você bem que poderia vir morar comigo. – fez bico.
 

- Ah, que bico bonitinho. – se sentou no colo da morena. – Mas ainda é cedo, vamos esperar. Já tenho a chave daqui, um piano e boa parte das minhas roupas.
 

- Falta o mais importante, você. – Heloísa beijou seus lábios.
 

- Vamos esperar.
 

- Ai, esperar, esperar... – Heloísa amarrou o cenho.
 

- Eu já fico aqui tanto tempo amor, passo os finais de semana com você e agora passarei até mais tempo, já que Clara sabe da gente.
 

- De fato melhorou bem ela saber.
 

- Então, vamos devagar. – acariciou seu rosto.
 

- Que tal irmos a Mauá amanhã? Pra dormir hein, voltamos na segunda cedo.
 

- Oba, estou com saudade de dona Marta.
 

- Então preparamos as coisas e vamos assim que acordarmos.
 

Samantha olhou a mesa da namorada, cheia de papéis.
 

- Quanto papel! Ir pra Mauá não vai te atrapalhar?
 

- Vou levá-los, de repente consigo ler alguma coisa lá.
 

- Tudo bem, então já vou arrumar minhas coisas e deixar pronto, porque depois que chegar do show ficará em cima da hora. Quer que arrume as suas?
 

- Eu quero.
 

- Alguma roupa em especial?
 

- Aquele casaco que levei da última vez e minhas botas pretas.
 

- Onde vai vestida assim? – Samantha fingiu desconfiar.
 

- Vou levar minha namor... noiva. – corrigiu. – Para jantar fora.
 

- Moça de sorte essa. – Samantha sorriu e a beijou.
 

 

 

Subiu para o quarto para ajeitar as malas. Heloísa ligou para a operadora de celular e pediu que trocassem seu número. Acertaram e ficaram de mandar um novo chip para ela na segunda. Depois olhou na internet passagens para São Paulo e viu que só teriam na terça-feira a noite. Marcou assim mesmo e depois iria conversar com Samantha. Heloísa passou a tarde no escritório e Samantha não quis incomodar. Quando deu a hora de ir para o bar, as duas se arrumaram e desceram.
 

No final do show MB chamou o dono do bar para conversar, pois como iriam viajar não poderiam tocar nos dois próximos finais de semana. A princípio ele reclamou, mas o rapaz o convenceu a chamar um grupo de amigos deles que tocava jazz e ele aceitou. Felipe pareceu não gostar muito da ideia, mas foi voto vencido na banda. Afinal estavam tocando direto toda semana e mereciam um descanso. Clara aproveitou para entregar algumas coisas para Samantha levar para São Paulo e se despediu dela.
 

- Juízo aí viu? – a pianista recomendou.
 

- Você também, muito juízo. Agora posso falar. – sorriu.
 

Samantha e Heloísa acordaram cedo e foram para Mauá, no caminho Heloísa falou do horário da viagem a São Paulo.
 

- Amor, só consegui passagem para terça quase a noite. Sairemos daqui umas seis da tarde.
 

- Quanto tempo até São Paulo?
 

- Não dá uma hora, uns quarenta minutos talvez, mas chegaremos lá e até que alugamos um carro acho que não vai dar pra ir direto para Jaú. A gente dorme num hotel e sai na quarta cedinho.
 

- Tudo bem. Assim não pegamos estrada à noite.
 

Samantha não reclamava de nada e Heloísa ficava impressionada com isso, pra pianista não tinha tempo ruim.
 

Quando chegaram em Mauá, Marta as recebeu cheia de sorrisos.
 

- Samantha! Meus parabéns, fiquei sabendo que arrasou na audição.
 

- Obrigada, fiz o melhor que pude.
 

- E estava linda! – Heloísa completou. – Tudo bem mãe?
 

- Tudo ótimo, vamos entrando.
 

Marta sentou com elas na sala e colocou o papo em dia, falaram das aulas, das férias e a viagem que fariam para ver a família de Samantha. Depois Heloísa pediu licença e se recolheu no quarto para ler os documentos que havia levado.
 

- Nossa, ela tem trabalhado muito. – Samantha falou.
 

- A viagem vai ser bem vinda, assim ela descansa também. Lica não sabe parar de trabalhar, às vezes.
 

- Se concentra lendo e revisando inquéritos, laudos, processos, que às vezes perde a noção da hora.
 

- E como estão as coisas no Rio?
 

- Tudo bem, agora estou mais tranquila, por estar de férias. Vou cuidar melhor de Heloísa. – falou com carinho.
 

- Está empolgada. Espero que corra tudo bem. – Marta falou com certa preocupação.
 

- Vai correr, minha mãe é super tranquila, meu pai é mais sério, mas é boa pessoa também.
 

- Disso eu não tenho dúvida, só tenho medo de desconfiarem.
 

- Bom, estamos meio que combinados com MB e Rafael para disfarçar melhor.
 

- Mesmo assim, a gente pensa que pai e mãe não vêem, mas se enganam. Nós sabemos de tudo.
 

- Vai dar tudo certo.
 

- Se Deus quiser.
 

- Falei com Clara.
 

- Sobre você e Lica?
 

- Sim, contei no dia da apresentação.
 

- Menina, e ela não ficou desconcentrada? Essas coisas não se falam assim.
 

Samantha riu da preocupação de Marta.
 

- Falei depois da apresentação, quando fomos jantar pra comemorar.
 

- E ela?
 

- Ah, estranhou um pouco, mas aceitou e acho que agora é questão de se acostumar. Realmente acho que ela desconfiava, mas não queria enxergar. Clara é minha amiga e vai entender.
 

- Os amigos não nos julgam, eles nos entendem e respeitam.
 

 

Estava anoitecendo e as duas continuaram o papo até que Marta olhou no relógio.
 

- Heloísa deve ter afogado naqueles papéis. Disse que íamos jantar, mas acho que esqueceu.
 

- Vou lá ver.
 

Samantha foi para o quarto e encontrou a namorada fazendo algumas anotações.
 

- Meu amor, está tarde, sua mãe quer saber se ainda vamos jantar.
 

- Quantas horas?
 

- São quase nove horas.
 

- Meu Deus! Nem me dei conta, desculpe.
 

- Não tem problema. – Beijou sua testa. – Se quiser continuar aí, a gente come alguma coisa por aqui mesmo.
 

-De jeito nenhum, vou tomar um banho.
 

- Então vou avisar sua mãe para se arrumar também.
 

Quando Samantha voltou para o quarto Heloísa ainda estava no banho, então trancou a porta e tirou a roupa. O banheiro estava todo enfumaçado, por conta do banho quente e Heloísa estava com a cabeça enfiada debaixo do chuveiro. Samantha abriu o box e a abraçou por trás.
 

- Que foi amor? Está quietinha aí.
 

- Descansando a cabeça. – Heloísa apenas virou o rosto.
 

- Tem trabalhado muito não é?
 

- Um pouco. – respirou fundo.
 

Na verdade Heloísa não estava trabalhando além do normal, já era acostumada com sua rotina. O que a incomodava era Camila no seu pé e o que aquilo poderia prejudicar sua relação com Samantha. Girou o corpo e abraçou a namorada repousando o queixo em seu ombro.
 

- Você confia em mim?
 

- Confio amor. Por que isso agora?
 

- Por nada.
 

Olhou para Samantha e se perdeu naqueles olhos cor de mel, sorriu timidamente parecendo uma adolescente. Seus lábios se encontraram beijando devagar, com carinho até que os beijos se tornaram mais quentes. Samantha se desvencilhou de Heloísa deixando escapar um gemido.
 

- Amor, temos que sair.
 

- Só mais um minutinho. – Sua boca descia para encontrar um seio.
 

- Sua mãe está esperando... ah... amor... – Samantha sentia a língua de Heloísa passar no bico do seio. – Ah...não faz isso...
 

Heloísa levou a mão até o clitóris dela e esfregou sem tirar a boca de onde estava. Samantha não resistiu e se entregou.
 

Uns bons minutos depois, as duas saíram do quarto e desceram para a sala.
 

- Nossa, se a demora foi porque estavam se aprontando, valeu a pena. Estão lindas! – Marta as esperava na sala.
 

- Também está linda mãe.

 

 

Procuraram um lugar mais aconchegante possível. Foram a pousada de um amigo de Heloísa e jantaram em seu restaurante. Estava muito frio, então ficaram perto de uma lareira.
 

- Leandro, obrigada por conseguir um lugar perto da lareira. A mocinha aqui está congelando. – Heloísa se referiu a Samantha.
 

- Imagina, você é cliente especial.
 

- Nossa! E olha que estou acostumada ao frio de São Paulo.
 

- Hoje está frio mesmo, até eu que estou acostumada com o clima, estou congelando.
 

Heloísa passou o braço atrás de cada uma e as abraçou.
 

- Eu esquento vocês.
 

- Vou chamar o garçom, sejam bem vindas. – Leandro saiu.
 

- Eu reclamo, mas eu adoro frio. Por isso moro aqui. – Marta falou.
 

- Também gosto, no sítio nessa época do ano faz um frio danado, gosto de ficar lá pra ver a cerração de manhã.
 

- Ih, quero ver essa cerração aí, será que tem jeito? – Heloísa brincou.
 

- Claro, é só acordar cedo.
 

- Ah, então ela não vai ver, Heloísa gosta de dormir até tarde.
 

- Eu faço um esforço mãe.
 

- Depois me conta Samantha. – riu.
 

Quando a bebida chegou, Heloísa pegou a mão direita de Samantha, assim como ela havia feito no restaurante no dia da apresentação.
 

- Mãe, quis trazê-las para jantar porque quero comemorar uma coisa. – colocou a mão dela e de Samantha sobre a mesa. – Ficamos noivas. – sorriu.
 

- Meu Deus! Que maravilha! Como eu não vi essa aliança?! Que por sinal, é enorme.
 

- Ela é exagerada. – Samantha riu.
 

- Quando foi?
 

- No dia da apresentação dela. No carro, não foi num lugar romântico, mas...
 

- Mas foi o pedido mais lindo do mundo. – Samantha falou interrompendo a namorada.
 

- Então vamos brindar. – Marta levantou a taça de vinho. – Que sejam felizes, Deus as abençoe.
 

- Que assim seja. – as duas falaram juntas.
 

Jantaram conversando depois resolveram pedir sobremesa.
 

- Aqui a sobremesa mais gostosa é a cheesecake. Já comeu? – Heloísa perguntou.
 

- Não, é de que?
 

- É uma torta de queijo, vou pedir, você vai gostar.
 

- Hum, deve ser boa.
 

- Qual doce que você não gosta? – Heloísa brincou.
 

- Ah, é que doce é gostoso. – Samantha falou sem graça.
 

- Deixa a menina Heloísa.
 

- Estou brincando com ela mãe. Sei que Samantha adora doce. É minha formiguinha. – brincou.
 

O garçom veio trazendo três pedaços de torta, só que a de Marta era de limão.
 

- Hum, a sua ta com uma cara boa também. – Samantha falou olhando.
 

- Quer parar de ser gulosa que a sua está aí na frente. – Heloísa implicou.
 

- Eu sei amor, só falei que ta com a cara boa.
 

- Eu te dou um pedaço. – Marta estendeu um pedaço para ela, que comeu satisfeita.
 

- Nossa, que delícia!
 

- Aí... – Heloísa revirou os olhos.
 

Samantha tirou um pedaço da sua e quando colocou na boca sorriu como se estivesse comendo algo dos deuses.
 

- Gostou?
 

- Muito! É minha preferida.
 

- Ah ta. – Heloísa achou graça. – A última sobremesa que comemos lá em casa foi a sua preferida também.
 

- Eu mudei de ideia, agora é essa aqui. Qual é mesmo o nome?
 

- Cheesecake.
 

- Isso. Adorei! – falava como uma criança.
 

Já em casa, Samantha e Heloísa não demoraram a dormir, pois sairiam cedo no dia seguinte. Despediram-se de Marta e prometeram voltar logo que voltassem de São Paulo. Na estrada Heloísa vinha atenta ao trânsito e pouco falava.
 

- Está preocupada amor?
 

- Não.
 

- Está calada.
 

- Estou pensando aqui numa coisa... você não tem habilitação não é?
 

- Não, acabei de fazer dezoito.
 

- Então vamos providenciar uma.
 

- Pra que?
 

- Pra dirigir? – Heloísa foi sarcástica.
 

- Eu entendi sua boba. – deu um tapa no braço dela. – Mas eu não preciso de carteira agora.
 

- Já sei, não é prioridade.
 

- Exatamente.
 

- Certas coisas são apenas úteis, não custa ter a mão, vai que uma hora precisa. Vou ver quanto fica pra fazer as aulas e combinamos um horário.
 

- Não podemos esperar?
 

- Pra que? E outra, é uma vantagem pra nós, assim poderá voltar dirigindo e me descansar.
 

- Tem sempre um argumento, não é Heloísa?
 

- Tenho Samantha. – falou debochando.
 

Assim que chegaram em casa Heloísa deixou Samantha no apartamento e foi trabalhar. Estava sentada em sua mesa quando Rafael chegou com uma caixa.
 

- Heloísa, chegou um chip de telefone. Foi você quem pediu?
 

- Foi, estou trocando meu número. Peça a Érica para providenciar que todos saibam que troquei meu telefone.
 

- Pra que isso?
 

- Camila.
 

- Aff. – ele revirou os olhos, deixou o chip na mesa e saiu.
 

Heloísa pegou e o colocou no celular, ligou para o apartamento, Samantha atendeu.
 

- Alô.
 

- Gostaria de falar com a senhorita Samantha. – Heloísa mudou a voz.
 

- Sou eu, quem deseja?
 

- Bom dia senhorita. Te vi em um show nesse final de semana e te achei muito bonita. Tem algum compromisso para hoje à noite?
 

Samantha ficou corada até a raiz dos cabelos.
 

- Olha, não sei quem está falando, mas isso não tem graça.
 

- Que isso! Não estou pedindo nada demais, só um jantar romântico. Te achei tão linda, nunca vi uma mulher mais gata que você.
 

- O que? – Samantha estava indignada. – Procure outra pessoa, pois eu sou compromissada. – desligou o telefone.
 

Ficou olhando para o aparelho ainda com raiva. Ele tocou novamente, era o mesmo número.
 

- O que foi? – falou ríspido.
 

- Nem comigo você quer sair? – Heloísa falou com voz normal.
 

- Ah? Lica! Era você?
 

A morena morreu de rir do outro lado da linha.
 

- Que telefone é esse?
 

- Meu número novo, anote-o.
 

- Por que trocou?
 

- Precisei.
 

Samantha não discutiu o motivo, mas imaginava pelo que era.
 

- Amor, na verdade ligo pra dizer que não vou almoçar em casa. Só chego bem à noite, vou adiantar o máximo que puder aqui pra viajar amanhã tranquila.
 

- Tudo bem, acho que não vou sair, te espero a noite.
 

- Ok. Te amo.
 

- Também te amo.
 

Como falou, Heloísa ficou até tarde da noite no escritório e Rafael a acompanhando, pois também viajaria. Quando chegou em casa já passava das onze e Samantha estava dormindo. Foi a cozinha e viu um bilhete dizendo que tinha jantar no forno. Achou bonitinho a pianista se preocupar com ela. Jantou e subiu para o quarto, Samantha dormia profundamente. Entrou no banho e saiu rápido, se enfiou debaixo das cobertas. A pianista sentiu o corpo de Heloísa e virou para se aconchegar nela.
 

- Demorou linda. – falou com os olhos fechados.
 

- Mas graças a Deus só ficou pouca coisa pra amanhã. – beijou sua testa.
 

- Que bom. – cheirou o pescoço da morena. – Está cheirosa...
 

- Tomei banho querida. E você também está cheirosa...
 

Dormiram profundamente.
 

 

 

A terça foi corrida, Samantha arrumou sua mala e a de Heloísa, que havia deixado uma lista de coisas dela que era pra colocar em sua mala. Às quatro da tarde, Heloísa chegou em casa correndo, tomou um banho rápido enquanto Samantha combinava com o táxi para buscá-las. Desceram e o táxi já as esperava, passaram para pegar Rafael e MB e foram para o Santos Dumont. Fizeram o check-in e ficaram esperando. Samantha estava visivelmente nervosa.
 

- Meu amor, fica tranquila, o avião não vai cair.
 

- Pra tudo tem uma primeira vez.
 

- Que isso! Eu não quero morrer num desastre de avião. – Rafael falou.
 

- Calma viu, eu estou aqui. - Heloísa a abraçou.
 

O vôo foi anunciado e eles seguiram para embarcar. Sentaram-se e Heloísa falou para Samantha ir na janela para ver a vista. Quando o avião taxiou a pianista apertou a mão da morena e Heloísa riu da expressão dela. Quando pegou a pista e aumentou a velocidade, Samantha arregalou os olhos quando viu o chão se afastando. O dia estava meio chuvoso e o avião, quando subia, entrou em uma nuvem ficando tudo branco em volta.
 

- Uia! Ficou tudo branco! Não to vendo nada.
 

- É assim mesmo amor.
 

- Se eu não to vendo o piloto também não está. – falou apavorada.
 

Heloísa achou graça.
 

- Ele tem piloto automático.
 

Quando saiu da nuvem Samantha pôde ver o céu cheio de estrelas e a visão foi maravilhosa.
 

- Olha que lindo! – tirou uma foto rapidamente.
 

- Chega mais perto do vidro pra foto ficar melhor. – Heloísa a ajudou.
 

- O povo ta pensando que sou da roça, tirando foto daqui de dentro.
 

- O povo eu não sei, mas eu to. – Rafael implicou do banco de trás.
 

- Chato! – ela riu.
 

Quando tudo se acalmou a pianista relaxou no banco.
 

- Agora acho que posso respirar. – suspirou.
 

- Linda! Parecia um bichinho fofo com medo do novo. Linda, linda... Dá vontade de encher de beijinho. – Heloísa falou puxando-a para mais perto.
 

- Ah, é que eu nunca... – Samantha ficou envergonhada.
 

- Ô meu amor, eu sei, a primeira vez que viajei de avião também tive pânico. Só que não tinha ninguém para segurar minha mão. – Heloísa fez biquinho.
 

- Tadinha. Eu seguro agora. – Samantha segurou a mão direita dela e Heloísa deitou a cabeça no ombro da pianista.
 

- Daqui a pouco estamos chegando, vamos deixar as coisas no hotel e de lá mesmo procuro a locadora. Qual carro devemos pegar?
 

- Um que tenha quatro rodas e ande. – Samantha brincou fazendo Rafael rir no banco de trás.
 

- Rafael faz que nem MB, durma! – se referiu ao outro rapaz que ressonava no banco de trás.
 

- Ele está dormindo porque tomou remédio, tem horror a avião.
 

- Isso ele não me contou. – Samantha falou rindo.
 

- Pois é, ele fica mais apavorado que você.
 

Momentos depois o avião desceu no aeroporto de Congonhas. Pegaram um táxi para o hotel e assim que se acomodaram no quarto, Heloísa ligou apara a recepção para providenciar o carro.
 

- Enquanto não chega, vamos tomar um banho pra sair?
 

- E nós vamos aonde?
 

- Pensei em dar uma volta aqui perto, tem um restaurante muito legal, é italiano, acho que vai gostar.
 

- Os meninos vão?
 

- Vou ligar pra saber.
 

Heloísa ligou, mas Rafael disse que não ia, pois estava cansado e como viajariam cedo no dia seguinte, ele preferia dormir cedo.
 

Depois de saírem do banho, Heloísa ligou para a recepção novamente para se certificar do carro. O atendente informou que ele já estava aguardando. As duas desceram e enquanto ela assinava o contrato da locação, Samantha observava o hotel e as pessoas entrando e saindo. Todo mundo muito bem arrumado, os funcionários uniformizados. Pensou que nunca tinha estado num lugar daqueles. Havia um piano perto do bar, mas estava vazio.
 

- Quer tocar? – Heloísa chegou por trás passando o braço em sua cintura.
 

- Não! Só se for pra pagar a conta do hotel. – brincou. – Muito chique isso aqui.
 

- É um hotel executivo, existem outros mais chiques.
 

- Mais que esse?
 

- Sim.
 

- Nossa! Aí neste caso teria que tocar vinte e quatro horas pra pagar a conta.
 

- Boba! Você, por hora, é minha pianista particular. Gosto de exclusividade.
 

- Exclusividade só na pianista?
 

- Em tudo. Você é toda minha e não abro mão disso.
 

Samantha se sentia lisonjeada com aquelas declarações e realmente se sentia de Heloísa, como se mais ninguém fosse lhe tocar. Saindo do hotel, Samantha avistou o carro e se assustou.

 

- O carro é esse?
 

- É. – Heloísa não esboçou nenhuma reação.
 

- Pra que um carro desse tamanho? – Se referia a um modelo da Hyundai.
 

- Porque ele tem mais lugares, na verdade dois a mais. E tem tração nas quatro rodas, é mais confortável e vai nos ajudar para ir ao sítio.
 

- Vai colocar ele na estrada de chão. – Não era nem uma pergunta, mais uma constatação.
 

- Claro.
 

- Meu Deus!
 

O restaurante era muito bonito, tiveram que esperar um pouco do lado de fora, pois como não tinham feito reserva, aguardaram por uma mesa. Ficaram conversando até que o garçom as chamou. Havia um lado só de queijos e outros tipos de frios que os clientes poderiam se servir. Primeiro passaram por lá apreciaram as iguarias.
 

- Nossa esse queijo é bom! – Samantha colocava um pedaço na boca.
 

- Eu adoro também. Quando venho aqui, sempre passo ali primeiro. Muitas vezes nem janto, só como os queijos. – sorriu.
 

- Já veio muitas vezes aqui? – o tom de voz da pianista era desconfiado.
 

- Algumas.
 

- Ah... – Olhou para os lados.
 

- Quer saber se vim acompanhada, é isso? – Heloísa a olhava nos olhos.
 

- É.
 

- Sim, uma única vez.
 

Samantha abaixou a cabeça um pouco chateada. Na verdade sabia da resposta, mas esperava outra.
 

- Se soubesse que ficaria com essa cara, eu teria mentido.

 

- Não! Não quero que minta para mim. Prefiro a verdade. Eu também não tinha nada que ter perguntado. Curiosidade besta.
 

- Então vamos mudar de assunto?
 

- Vamos.
 

Depois de provarem dos queijos, pediram um nhoque. Jantaram em clima romântico e depois foram para o hotel. Assim que entraram no quarto Samantha foi pegar água no frigobar.
 

- Amor, posso tomar água?
 

Heloísa olhou para ela incrédula.
 

- Como assim, “posso tomar água”? Claro que pode, você nunca me perguntou isso.
 

- Não é que essas coisas em hotel são muito caras. Uma vez eu viajei com minha família para o litoral, ficamos num hotel. Meu pai proibiu terminantemente de pegar qualquer coisa na geladeira, isso incluía água. Comprávamos na rua e levávamos para o quarto, pra economizar.
 

Heloísa achou graça da história, mas ficou com pena também. A família de Samantha era uma das muitas nesse país que lutava para viver e ter o mínimo de conforto.
 

- Aqui nesse frigobar você pode pegar o que quiser, ok? – Passou por ela com uma toalha na mão, beijou seus lábios e foi para o banheiro.
 

- Vai tomar banho?
 

- Um rápido, só pra descansar pra dormir. Quer vir?
 

Samantha nem pensou duas vezes. Entraram para o banho e de rápido não teve nada. Quando saíram a pianista lembrou-se dos garotos.
 

- Será que MB e Rafael estão dormindo?
 

- Vai saber, esses dois tão naquela fase morna do relacionamento, mas passa.
 

- Será que o nosso vai ter isso, como eles falaram? – a pianista perguntou fazendo drama.
 

- Acho muito difícil.
 

- E por quê?
 

- Porque nós duas inovamos, reinventamos, mudamos e saímos da rotina. – Heloísa abraçou e beijou seus lábios.
 

Samantha olhou para ela e teve uma ideia.
 

- Amor, posso pegar aquele sorvete que ta no frigobar? – sorriu inocente.
 

- Pode linda. Mas você quer tomar sorvete essa hora?
 

- É que quando eu como algo salgado, eu quero comer algo doce depois.
 

A pianista se desvencilhou dos braços de Heloísa e foi até a geladeira, pegou um pequeno pote de sorvete e voltou olhando para ela maliciosamente.
 

- Você não disse que eu adoro doce? – falou empurrando ela para a cama e fazendo-a se deitar. – Então vou comer doce da melhor forma que tem, saboreando junto com a morena mais gostosa desse mundo. – abriu a toalha de Heloísa e deixou seu corpo nu todo a mostra. – Vou começar a inovar. E para que esse relacionamento não fique morno, nada melhor que... sorvete.
 

Samantha pegou a colher e tirou um pouco do pote, passou pela barriga da morena, deixando um rastro até os seios. Desceu com a boca e foi lambendo, fazendo Heloísa se arrepiar inteira.
 

- Assim você vai me matar... ahh... – a voz de Heloísa saiu rouca.
 

- Ninguém morre disso.
 

Samantha pegou mais um tanto e derramou no ventre e lambeu novamente, depois lambeu a colher tirando o que restava e abocanhou o clitóris da morena. Heloísa gemeu alto e arqueou o corpo. Samantha se entreteve ali por um bom tempo, não tinha pressa e estava adorando degustar a morena com sorvete. Heloísa segurava seus cabelos, ora se agarrava nos lençóis se contorcendo.

 

- Amor... por favor... não pára... mais... ah... ahh...
 

Samantha sabia que ela estava em seu limite, então aumentou os movimentos e pressionou a língua no ponto onde sabia que a morena delirava de prazer. A respiração de Heloísa ficou acelerada e seu corpo tremeu sinalizando o gozo, Samantha então, segurou suas pernas e sugou todo seu líquido. Deixou o pote de sorvete do lado da cama e subiu pelo corpo da morena, ficando em cima dela.
 

- Adorei isso. – Heloísa ainda ofegava.
 

- Shii... - Samantha beijou seu queixo e mordeu. – É pra inovar, sair da rotina...
 

A promotora soltou uma gargalhada.
 

- Boba!
 

- Que te ama!
 

- Também amo você. – Heloísa virou de repente ficando por cima dela. – Estou completamente apaixonada, largada, abandonada e de quatro.
 

- Ui, de quatro é? – Samantha sorriu com malícia.
 

Heloísa levantou uma sobrancelha. Levantou ficando de joelhos e puxou a pianista fazendo-a ficar de costas. Foi tão rápido que Samantha não teve como pensar, de repente estava de quatro.
 

- Essa calcinha está me atrapalhando. – Heloísa a rasgou numa puxada só. Depois puxou novamente o corpo de Samantha para tirar sua blusa. Ela esticou os braços para cima, facilitando e Heloísa puxou a peça já descendo as mãos e parando nos seios. Pegou os dois biquinhos e apertou entre os dedos. Samantha levou a mão na nuca da morena e virou o rosto para beijá-la. Esfregavam-se de forma sensual, Heloísa mordia a nuca e o ombro de Samantha e suas mãos passeavam por seu corpo. Posicionou o corpo dela de quatro novamente e a penetrou por trás bem devagar, sentiu a vagina molhada.
 

- Que delícia, é tudo pra mim? – falou excitada.
 

- Devagar... ah....
 

Heloísa massageava o clitóris e a penetrava ao mesmo tempo. Manipulava um seio junto com os movimentos da outra mão. Samantha rebolava e gemia como uma gata, não demorou muito a estremecer e antes que gozasse Heloísa parou o que fazia e se enfiou debaixo das pernas dela. Samantha ficou de joelhos e a morena entre eles, fez com que ela se abaixasse um pouco e lambeu, sugou, mordeu de leve, sentindo o gosto e a maciez daquela carne, subiu as mãos e chegou aos dois seios e enquanto os acariciava, pressionou a língua no clitóris fazendo Samantha gozar e cair sobre seu corpo.
 

Fizeram amor até de madrugada em várias posições e maneiras diferentes. E do pote de sorvete não sobrou nada. Acordaram com as batidas de Rafael na porta do quarto. Heloísa se levantou, colocou um roupão e foi andando meio sonolenta. Abriu a porta e estava bocejando.
 

- Que você quer uma hora dessas?
 

- São nove horas da manhã, que horas nós vamos?
 

- Calma, ta cedo ainda.
 

- Cedo nada, vamos chegar lá de tarde. Você não dormiu direito? Está com uma cara.
 

- Dormi otimamente bem.
 

- Ahan – ele levantou uma sobrancelha.
 

- Preciso tomar café, você já tomou o seu?
 

- Estou descendo com MB.
 

- Então quando terminar me chame de novo. Vou pedir meu café aqui no quarto.
 

- Folgada meu Deus! 
 

Heloísa fechou a porta e ligou para o serviço de quarto, pediu um café reforçado. Separou uma roupa para viajar e deixou a mala pronta e depois foi ao banheiro e lavou o rosto. Samantha se espreguiçou na cama e chamou por Heloísa.
 

- Amor!
 

Ela saiu do banheiro.
 

- Oi?
 

- Nada, achei que tinha saído. Quantas horas?
 

- Nove horas.
 

- O que? – Samantha deu um pulo da cama. – Nossa, vamos chegar tarde.
 

- Calma, chegaremos para o almoço. Pedi café pra gente.
 

- Vou correr tomar um banho e colocar uma roupa. – Samantha saiu andando pelo quarto completamente nua.
 

Heloísa adorou a visão e foi se aproximando com olhos famintos.
 

- Delícia de mulher andando nua desse jeito. – agarrou a pianista por trás.
 

- Amor, preciso arrumar as coisas.
 

- Calma, não vou demorar. – encostou Samantha na parede e tirou o próprio roupão, colando seu corpo no dela. Samantha apoiou os braços na altura da cabeça e Heloísa aproveitou aquela posição para percorrer seu corpo com as mãos. Lambia e mordia, enquanto Samantha gemia baixinho. Fizeram amor novamente e depois tomaram um banho rápido para esperar o café da manhã

 

Depois que comeram pegaram a estrada rumo a Jaú. Antes de sair, Samantha ligou para a mãe e informou o horário que deveriam chegar e ela combinou que os aguardava para o almoço.

 


Notas Finais




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