História Melodia - Limantha - Capítulo 21


Escrita por:

Postado
Categorias Malhação
Tags Heloisa, Limantha, Malhação, Romance, Samantha
Visualizações 639
Palavras 6.505
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Cheguei!
Hj o dia foi bastante corrido por isso não consegui atualizar mais cedo.
Vamos lá então com a visita de Lica aos sogros? rsrs
Bjs!

Capítulo 21 - Dangerously in love


 

 

 

A estrada estava boa e sem trânsito, isso facilitou a ida Pararam num posto na estrada para irem ao banheiro e retomaram a viagem. Por volta de uma hora entravam na cidade. Heloísa não conhecia o trânsito e pediu ajuda a Samantha, que indicou o caminho. Em poucos minutos estavam na porta de sua casa. Era um lugar simples, com um pequeno jardim na frente e uma escada que dava acesso a entrada de casa.
 

- Gente, essa é minha casa. Sejam bem vindos.
 

- Estou doido pra esticar as pernas. – MB falou.
 

- Amor, vou tirar a aliança, senão pode ser que minha mãe desconfie. Tudo bem?
 

- Tudo lindinha. Deixa ela aqui no carro.
 

- Não, vou guardar comigo.

 

Heloísa sorriu da preocupação da garota.
- Me dá um beijinho antes da gente entrar? – a morena pediu.
 

Beijaram-se e saíram do carro.
 

- Beijinho antes de entrar. Que coisa medonha. – Rafael brincou.
 

- Medonha foi a ideia que tive de trazer você! Seu mala. – Heloísa respondeu. – Pare de me amolar.
 

Samantha subiu os poucos degraus e bateu na porta, mas já abrindo com sua chave.
 

- Ô de casa!

 

Ninguém apareceu de imediato, então eles foram entrando. A primeira coisa que Heloísa reparou foi no piano de armário que ficava na sala.
 

- Samantha! Graças a Deus que chegaram bem. – sua mãe veio animada recebê-los. – Fizeram boa viagem?
 

- Fizemos, a estrada está boa. Mãe quero apresentar. Essa é Heloísa, esse é Rafael, primo dela e Michel, meu amigo da faculdade.
 

- Prazer senhora. – Heloísa foi polida.
 

- Ah, nada de senhora. Pode me chamar de Zezé.
 

- Ta certo. – Heloísa sorriu.
 

- Oi, muito prazer. – foi a vez de Rafael.
 

- Prazer dona Zezé. – MB também cumprimentou.
 

De repente um neném aparentando um ano de idade entra na sala.
 

- Titi! Titi! – veio sorrindo. – Aahhh!
 

- Isa! Meu amor que saudade! – Samantha se abaixou para pega-la no colo. Abraçou e deu vários  beijinhos em seu rosto – Saudade dessa menininha! – Deu outro abraço, esse mais apertado que o primeiro. Deitou a menina em seus braços e começou cheirar seu pescoço fazendo a menina rir. – Agora dá um upa gostoso na tia!

 

A menina estendeu os bracinhos e pulou no pescoço de Samantha fazendo todos na sala gargalhar.
 

Heloísa pôde perceber que a sobrinha de Samantha era uma cópia dela. Tinha cabelos castanhos, poucos, mas da mesma cor e os olhos eram mel, idênticos aos dela.
 

- Pessoal, esse é meu xodó, Luisa. Para os íntimos Isa.
 

Todo mundo brincou com a criança, que abriu um sorriso deixando todos encantados.
 

- Ela é a sua cara. – MB falou.
 

- Coitada, não desanima a criança. – Samantha brincou.
 

Heloísa estava parada feito uma boba com um sorriso no rosto. Ver Samantha com aquela criança havia deixado uma sensação de bem estar, de família.
 

- Meninos, o almoço está quase pronto. Não sabia do que gostavam então fiz uma lasanha, molho branco Sam, do jeito que você gosta.
 

- Hum... estou começando a gostar dessas férias. – Rafael falou empolgado.
 

- Eu arrumei o quarto de seu irmão para os garotos e você dorme com a moça no seu quarto Samantha. – Zezé falou.
 

Samantha olhou para Heloísa e sorriu contente.
 

- Então vamos levar as malas e acomodar as coisas, já voltamos.
 

Samantha saiu pela casa e deixou os meninos no quarto do irmão que tinha uma cama de solteiro com bicama. Depois foi ao seu quarto com Heloísa, que sorriu logo que entrou.
 

- Olha que bonitinho, parece o quarto de uma menininha.
 

Se referia ao branco dos móveis e a parede pintada de rosa.
 

- Ah, esses móveis são escolha da minha mãe, tenho eles desde que fiz sete anos. – tentava se justificar.
 

- Uma graça. Adorei sua mãe, muito simpática. A ideia de me deixar aqui foi a melhor coisa que ouvi até agora.
 

- Sem-vergonha. – Samantha lhe deu um beliscão.
 

- Ai! Pelo menos ficarei mais perto de você.
 

- Eu sei amor, também gostei da ideia. – falou baixinho. – Agora vamos, senão minha mãe vem aqui.
 

Saíram do quarto se dirigindo à cozinha. Maria José terminava de tirar a lasanha do forno. E Luisa estava brincando no chão com várias panelas.
 

- Meu amor! Quanta panela! – Samantha se abaixou para brincar com ela.
 

- Ixi! – sorriu para Samantha.
 

- Nossa, já está cheia de dentinhos. – Heloísa também se abaixou. – Você sabe cozinhar neném?

 

Isa as olhava e sorria batendo uma colher nas panelas, fazendo muito barulho.
 

- Cozinhar eu não sei, mas bater panela com certeza. – Maria José brincou.
 

- Mãe ela cresceu muito.
 

- Está muito espertinha e andando, você viu né?
 

- Vi.

 

Heloísa brincava com a menina com tanta naturalidade que surpreendeu Samantha.
 

- Bom, o almoço ta pronto. Cadê os meninos?
 

- Chegamos. – MB respondeu entrando na cozinha.
 

- Cadê o pai e o Mateus?
 

- Estão na roça e Barbara também. Os dois não vieram porque estão cortando cana essa semana e ela você sabe como é acanhada quanto tem visita.
 

- O pessoal quer conhecer o sítio.
 

- Ih esse povo da cidade grande... será que vai gostar?
 

- Vamos sim, eu adoro a tranquilidade do interior. Minha mãe mora em Mauá, junto com minha tia, mãe de Rafael. Lá também é pequeno e me refugio sempre quando posso.
 

- Samantha me contou que foram para lá passear.
 

- Verdade, minha mãe convidou. Ela gosta muito de Samantha.
 

A pianista sorria satisfeita vendo a mãe entrosar com Heloísa. Enquanto conversavam se serviam e a lasanha foi um sucesso, todo mundo repetiu.
 

- Gente, ainda tem sobremesa. Fiz pudim.
 

- Oba, o pudim da minha mãe é uma delícia.
 

- Dona Zezé, Samantha sempre gostou muito de doce? – Heloísa perguntou já em tom sarcástico.
 

- Desde pequena, é que nem uma formiga.
 

- Imaginei. – levantou uma sobrancelha com um sorriso de canto.
 

- Para. – Samantha falou baixo batendo na perna dela.
 

Rafael revirava os olhos e MB ria. De tarde sentaram para conversar na sala e Samantha atendeu aos pedidos insistentes e tocou piano. MB, que havia levado seu violão, a acompanhou cantando e tocando junto.
 

- Vocês devem fazer sucesso no Rio. – Maria Jose elogiou.
 

- Nós tocamos toda sexta mãe, agora teremos uma folga de duas semanas, mas o contrato é até o fim do ano.
 

- Que maravilha. Toquem mais, estou adorando.
 

Continuaram na apresentação até tarde.
 

À noite, na hora de ir dormir, Heloísa se enfezou por conta da porta aberta em seu quarto.
 

- Você tinha que dormir de porta aberta?
 

- Sempre foi assim, eu tenho medo de escuro.
 

- Lá em casa você não parece ter medo. – levantou uma sobrancelha.
 

- Mas lá eu tenho você ao meu lado. – sorriu docemente alisando os cabelos da namorada que estava no colchonete do seu lado. – E outra, se eu fechar a porta agora minha mãe vai estranhar.
 

- Humpf. – Heloísa fechou a cara.
 

- Brava, que eu amo. Dorme com Deus. Te amo muito. – beijou a palma da mão e passou no rosto da morena.
 

Heloísa sorriu e levantou rapidamente agarrando Samantha e lhe dando um beijo apaixonado.
 

- Também te amo.
 

Samantha ficou tão desnorteada que nem respondeu.
 

No dia seguinte prepararam tudo para ir para o sítio. Heloísa foi dirigindo e Samantha ao seu lado. Maria José foi entre os meninos e Luisa na cadeirinha. O tempo estava meio nublado, mas não chovia, porém o frio era intenso.
 

- Nossa, aqui em São Paulo faz mais frio que no Rio. – MB falou.
 

- Então se prepare porque lá na roça é pior. – Samantha o animou com as palavras.
 

- Fiquei bastante animado agora. – revirou os olhos.
 

- Já está tudo pronto por lá, os meninos no quarto de Mateus e Samantha no seu mesmo com Heloísa.
 

- Ué e Mateus, dorme aonde?
 

- No meu quarto, que é o maior, ele fica lá com Barbara e Luisa.
 

- Papai sabe disso?
 

- Sabe, ele que deu a ideia.
 

- Hum. – Samantha ficou pensativa.
 

- Como seu pai se chama? – Heloísa perguntou baixinho, como que envergonhada.
 

- Roberto. – Samantha sorriu.
 

- Ah sim.
 

Quando saíram do asfalto e pegaram a estrada de chão, Heloísa reparou que tinha barro em alguns lugares.
 

- Choveu por aqui?
 

- Sim, anteontem choveu bem.
 

Heloísa não teve dificuldade em passar no barro.
 

- Viu como o carro caiu bem nessas horas? – olhou para Samantha sorrindo.
 

- É, caso contrário estaríamos naquele buraco lá atrás.
 

- Eu penso em tudo. – pousou a mão na perna de Samantha num gesto instintivo e logo retirou arregalando os olhos, sorte que Maria José não percebeu.

 

Avistaram a primeira porteira e Samantha desceu pra abrir, assim foi com mais quatro porteiras até chegar a casa. Samantha viu o pai com uma enxada na mão e correu ao encontro dele. Heloísa foi com o carro até próximo a casa e parou onde Maria José indicou, desceram e foram na direção da pianista e de Roberto. Heloísa pôde perceber que Samantha era a versão feminina do pai e vendo-a conversar e vir andando com ele, notou que até os trejeitos eram parecidos.
 

- Bom dia minha gente! – ele cumprimentou.
 

- Bom dia. – responderam ao mesmo tempo.
 

- Pessoal, esse é meu pai, seu Roberto. Pai esse é Michel, Rafael e Heloísa.
 

- Fiquem à vontade, aqui é roça viu, num tem muito que fazer, tem cana pra cortar. – sorriu fazendo os outros rirem.
 

- O ar puro já me satisfaz e a paisagem é maravilhosa. – Heloísa logo se manifestou.
 

- Vamos entrando gente, Mateus deve estar lá dentro.
 

- Ta não, foi no vizinho pegar uns materiais que estavam emprestados. – Roberto falou.
 

O lugar da casa não era grande, perto dela havia um açude e na beirada dele um monjolo que funcionava por conta da queda d’água de uma pequena cachoeira. O curral ficava mais ao fundo próximo a um galinheiro. A plantação de cana se estendia por todo o terreno atrás da casa e perdia-se de vista.
 

Todos entraram e se acomodaram. Barbara saiu de um dos quartos e cumprimentou o pessoal ao mesmo tempo em que pegava a filha.
 

- Ei filhinha! Mamãe tava com saudade.
 

- Barbara só deixou Luisa comigo porque Samantha ia chegar, normalmente ela não desgruda da menina. – Maria José falou baixo para a nora não escutar. – Bom, eu vou cuidar dos afazeres e vocês fiquem à vontade.
 

Samantha acomodou os garotos e depois levou Heloísa para seu quarto. A promotora bem que tentou roubar um beijo, mas a pianista foi incisiva.
 

- Agora não Lica, quer que meu pai nos veja?
 

- Vou ficar na vontade as férias inteiras?
 

- Se isso for preciso para que tudo fique tranquilo, vai sim.
 

Saíram do quarto e foram para a cozinha, Samantha ajudou a mãe e Heloísa ficou na varanda com os garotos e Barbara.
 

- Mãe, estava pensando. Pode juntar todo mundo no meu quarto e Mateus e Barbara voltam para o quarto deles, assim não os deslocam.
 

- Que isso, eles não ligam.
 

- Mais por conta de Luisa. E outra, colocando os colchonetes todos juntos, os três se esquentam.
 

- Você quem sabe, se achar melhor assim.
 

Mateus veio de charrete do sítio vizinho e a deixou perto da casa, desatrelou o cavalo e levou umas ferramentas para o pai, só depois que cumprimentou os que estavam na varanda.
 

- Bom dia!
 

Samantha chegou na hora.
 

- Opa, bom dia. Mateus, esses são meus amigos.
 

Apresentou todos e ele somente acenou com a cabeça. Mateus era mais sério a primeira vista, mas depois se socializava melhor.
 

O pessoal só se juntou mesmo na hora do almoço. Havia uma mesa grande que cabiam todos e assim almoçaram conversando.
 

- E aí Samantha, já ta falando carioca? – o irmão perguntou.
 

- Ah, acho que não, mas estou aprendendo um monte de gírias.
 

- Ela deu foi sorte, porque as pessoas com quem convive mais tempo não têm o sotaque carregado. – MB falou.
 

- É verdade, eu pouco tenho sotaque, MB também e Heloísa que teria mais, também não tem graças a anos de fonoaudióloga. – Rafael riu.
 

- Ué, não sabia que tinha feito fono? – Samantha se surpreendeu.
 

- Fiz pra poder encarar melhor um tribunal, juiz nenhum me daria uma causa com o sotaque que eu tinha.
 

- Tipo carioca malandro. – Rafael debochou levando um chute por debaixo da mesa. – Ai. – Reclamou.
 

- Você é advogada? – foi Roberto quem perguntou.
 

- Sou formada em direito, mas atualmente sou promotora.
 

- Também minha chefinha. – Rafael bateu no ombro da prima.
 

- E você é o puxa-saco. – Roberto brincou com o rapaz tirando boas risadas do pessoal.
 

- Viu, reconheceram seu disfarce. – Heloísa falava ainda rindo.
 

- MB toca comigo pai.
 

- Ah, então é dele que sua mãe falou.
 

- Estou famoso por aqui? – o rapaz brincou.
 

- É que Samantha disse que você é um grande amigo.
 

- Verdade, pessoas como MB são como anjos da guarda. – disse olhando carinhosamente para o rapaz.

– Mas não posso reclamar, fiz boas amizades no Rio e me sinto feliz com isso. Rafael é uma mão na roda, sempre ajuda a banda, dá conselhos, briga também, os outros garotos também são ótimos. Sem contar Monica que é doida, mas é minha parceira de aventuras, passamos poucas e boas naquela faculdade.
 

- Contar com os amigos é muito bom. – disse Maria José.
 

- Esqueceu de ninguém não? – Heloísa fingia desolação.
 

- Você? – Samantha sorriu afetuosamente. – Bom, você é quem mais me motiva a querer melhorar, lutar pelos meus sonhos, é a maior incentivadora que poderia ter ao meu lado. – Samantha falou sem disfarçar o brilho nos olhos que não desgrudavam dos de Heloísa.
 

Rafael que notou o momento romântico, cortou logo querendo também justificar essas palavras.
 

- Heloísa nos deu um teclado de presente e deixou Samantha estudar no piano da casa dela! – falou sem respirar.
 

- Calma, uma coisa de cada vez. – Roberto quem falou. – Como é que é isso?
 

- Quando nosso tecladista saiu, carregou o teclado dele e Samantha não tinha um. Até comprou um usado, mas era a treva aquilo. Heloísa comprou um novo e deu pra banda.
 

- É mesmo, isso foi um gesto muito carinhoso. – Samantha sorria. – O piano é por que... ela tem um na casa dela e me deixou estudar lá quando eu precisasse, pois os da faculdade são muito concorridos e os veteranos têm mais preferência.
 

- Que beleza! Viu minha filha, você achava que seria muito difícil no Rio e que talvez nem ficasse por lá. Deus lhe mandou verdadeiros anjos e tudo deu certo. – Maria José falou.
 

- E eu agradeço todos os dias.
 

- E Monica, como ela está se comportando por lá? – Zezé perguntou.
 

- Ah mãe, Monica sempre foi doidinha, mas ela no fundo tem juízo. Está namorando Juca, o baixista da banda, ele é um bom rapaz. Ela só é empolgada. Por pouco não prejudica sua nota na faculdade. Isso porque deu mais prioridade ao namoro que aos estudos, mas passou tanto aperto que acho que aprendeu.
 

- O pai dela morreria se ela não se formasse.
 

- Eu sei.
 

- E quando ela vem?
 

- Aí já não sei. Ela disse que viria antes de acabarem as férias.
 

- É, vem quando estiver faltando uma semana. – MB riu.
 

- Eu não duvido MB.
 

- Não sou ninguém para julgar, mas acho que ela deveria dar mais valor a família, afinal os pais dão um duro danado para vê-la estudando fora. – Heloísa falou.
 

- É, pais não são pra vida toda. – MB falou.
 

Almoçaram sob conversa animada e a tarde passou que nem viram. Andaram pelos arredores do sítio e puderam conhecer sobre a produção de cana ouvindo Roberto falar animado.
 

À noite, já no quarto, os quatro se ajeitavam pra dormir.
 

- Vocês dois dormem mais desse lado que eu vou ficar nesse canto aqui. – Heloísa apontava para o colchonete.
 

- E pra que tudo isso? – Rafael perguntava.
- Não discuta comigo.

 

Samantha apenas olhava a arrumação dos três. Pouco depois que se deitou e estava quase cochilando, sentiu um abraço envolver seu corpo.

 

- Lica, ficou maluca? – Samantha falou baixo.
 

- Fiquei, estou com saudade de abraçar você. – Heloísa falou baixo também.
 

- Só de abraçar? – Samantha se virou perguntando com voz inocente.
 

- Não, de beijar também. – beijou-lhe os lábios. – De morder. - mordeu o lábio inferior. – E de fazer amor... – colocou uma das mãos entre as pernas da pianista e apertou seu sexo.
 

Samantha gemeu afastando a mão da morena.
 

- Aqui não amor, meus pais podem acordar e tem os meninos ainda...
 

- Sim, e os meninos querem dormir. – Rafael logo se manifestou.
 

- Quer calar a boca? – Heloísa falou entre dentes.
 

- Não! Quero dormir.
 

Cala a boca inferno. – Heloísa voltou a avançar o sinal e Samantha a interrompeu novamente.
 

- Lica, por favor, aqui não. – quase implorava.
 

Heloísa parou, ponderou pensando na outra vez que havia tomado Samantha a força.
 

- Tudo bem, desculpe incomodar. – falou sério e se desvencilhando da namorada.
 

- Fica aqui comigo, a gente dorme juntas, mas se ouvir algum barulho você corre pro colchonete, tudo bem? – falou delicadamente.
 

- Tudo bem. – ainda estava séria.
 

Samantha se aconchegou ao corpo de Heloísa, que a abraçou, mas ficou preocupada, sabia que quando aquela promotora queria alguma coisa e não conseguia, ficava irritada. Dormiu e acabou tendo pesadelos em função de seus pensamentos.
 

Maria José sempre acordava cedo, acompanhava o marido que se levantava praticamente com as galinhas. Foi para a cozinha preparar o café da manhã e passou pelos quartos para ver se estava tudo em ordem. Estava distraída passando o café quando Samantha chegou.
 

- Bom dia mãe.
 

- Bom dia minha filha.
 

- Quer ajuda?
 

- Prepare a mesa somente. Seu pai está tirando leite das vacas, quer ir lá?
 

- Ah eu quero.
 

- Sua vaquinha está prenha, deve nascer bezerrinho no fim do ano.
 

- Que beleza.
 

Samantha foi em direção ao curral ajudar o pai. Voltaram com a leiteira cheia.
 

- Leite pronto pra ferver. – Roberto falou.
 

MB e Heloísa estavam chegando na cozinha.
 

- Bom dia minha gente. – o rapaz falou.
 

- Bom dia. – todos na cozinha responderam.
 

- Passaram muito frio? – Roberto brincou.
 

- Que nada. – MB respondeu. – Dormir neste silêncio é uma benção. Fazia muito tempo que não dormia ouvindo barulho de grilos, água corrente e da natureza mesmo.
 

- Quando a avó de Samantha era viva reclamava do monjolo, dizia que incomodava pra dormir. Falava assim: Aquele diacho fica a noite toda... pó... pó... pó...
 

Todos acharam graça de Roberto contando.
 

- Minha avó era uma figura, tenho saudade dela. – Samantha falou pensativa.
 

- Está calada Heloísa, não dormiu bem? – Maria José perguntou.
 

- Dormi sim, é que de manhã eu fico quieta mesmo.
 

Samantha a olhou de soslaio e nada falou.
 

- O outro rapaz está dormindo ainda? – Roberto perguntou.
 

- Está, depois eu vou chamá-lo.
 

Sentaram para tomar café praticamente em silêncio. Samantha estava um pouco desconfiada do comportamento de Heloísa e Maria José percebeu que tinha algo errado, mas apenas observou. Roberto conversava com MB, mas pouco também. O ambiente só melhorou quando Luisa chegou andando e carregando uma boneca. Seguida por Barbara e Mateus que cumprimentaram a todos.
 

- Titi!
 

- Oi amor! Que boneca bonita! 
 

Samantha pegou a menina no colo e ficou brincando com ela. Quando terminaram de comer alguns foram para a varanda. Heloísa voltou para o quarto com MB e Rafael. Samantha continuava com Luisa no colo até que Barbara chegou para levar a criança para mamar. Então resolveu sair para fazer uma caminhada.
 

No quarto, Heloísa era repreendida por MB, que achou estranha a cara dela.
 

- E porque você não dormiu com sua namorada, vai ficar com essa cara de cão o dia todo?
 

- Ela é minha noiva e eu só queria estar mais perto. – falava enfezada.
 

- Ah sim e o título de noiva lhe dá mais direito sobre ela. Heloísa, deixa de criancice. Samantha veio pra cá pra poder curtir a família. Vocês duas ficam grudadas praticamente o tempo todo no Rio. Será que você não pode ter um pouco de compreensão? É a casa dos pais dela, quer que alguma coisa dê errado e estrague as férias dela?
 

- A vida dela né? Porque se os pais dela descobrem sobre vocês, é bem capaz dela nunca mais botar os pés aqui. – Rafael completou. – Estou admirado com seu comportamento infantil.
 

- Vocês têm privacidade suficiente no Rio, então pra que tudo isso aqui? Respeite-a sendo mais flexível com as coisas.
 

Heloísa continuou emburrada, mas sabia que os meninos estavam certos. Quando saíram do quarto ela foi procurar por Samantha.
 

- Ela estava na varanda, mas acho que saiu. – falou Mateus. - Gente, alguém quer pescar? Estou indo pro açude.
 

- Pescar? Com vara ou molinete?
 

- Olha, não sei como vocês pescam na cidade grande, mas aqui no interior a gente usa é isso aí mesmo. – riu.
 

- Eu quero! – MB se animou.
 

- Eu fico aqui descansando e tirando foto. – Rafael falou já se sentando numa cadeira na varanda.
 

- Então vamos ver se você é bom de pesca. – Mateus brincou com MB.
 

Depois que os dois saíram Rafael pegou a máquina e ficou tirando fotos da onde estava mesmo. Nem reparou que Barbara se aproximou.
 

- Está gostando das férias?
 

- Bastante. Aqui é uma tranquilidade só, bem diferente do Rio. Muito trânsito, carros buzinando, gente estressada.
 

- Imagino. Não sei como Samantha aguenta.
 

- Ela se adaptou bem.
 

- Também, arrumou amigos muito legais.
 

- Nós gostamos muito dela também.
 

Os dois ficaram de conversa e Rafael pôde perceber que Barbara era mais atenta do que se imaginava e poderia saber facilmente sobre a relação de Samantha com Heloísa.

 

 

- Oi! – Heloísa falou chegando por trás de Samantha.
 

- Oi. Não ouvi você se aproximando. – continuou andando.
 

- Posso caminhar com você?
 

- Claro.
 

As duas andavam pelo caminho contrário que levava ao sítio. Samantha sempre que ia lá, fazia esse percurso, pois havia muitas sombras e era muito calmo. Gostava de caminhar e pensar na vida. E era o que estava fazendo até Heloísa chegar.
 

- Ficaremos quanto tempo aqui? – Heloísa perguntou.
 

- Uma semana, talvez menos. Por quê?
 

- Por nada, mas daqui voltamos pra sua casa em Jaú, não é?
 

- Sim. Pensei em ficar até perto do dia do próximo show, mas vejo que será um problema isso.
 

- Qual o problema?
 

- Você.
 

- Eu?!
 

- É, sei que está fazendo um esforço muito grande vindo pra cá. Não tem muito que fazer e o que se tem são coisas simples. Assim como o lugar é muito simples.
 

- Que isso, eu...
 

- Sem contar a falta de privacidade. – interrompeu.
 

Heloísa ficou quieta.
 

- Então provavelmente ficaremos até o meio da semana que vem.
 

- Não amor. Vamos ficar até a data que você quiser. – Heloísa parou no meio do caminho segurando o braço de Samantha.
 

- Acha que fico feliz, estando aqui e vendo a sua cara como a de hoje de manhã?
 

- Eu estava com sono amor, não era cara feia pra você.
 

- Ahan. – continuou andando.
 

- Sammy. – Heloísa a pegou pelo braço e andou até uma árvore próxima. – Escute uma coisa. – encostou a pianista na árvore. – O fato de querer estar próxima, querer ter mais privacidade é porque me acostumei a isso. Sinto falta de ter você mais perto, mas não significa que eu não esteja gostando. Eu te amo Samantha e isso é o suficiente pra querer ficar ao seu lado simplesmente. Perdoa se pareço impaciente.
 

- Você nem disfarça.
 

- É falta de costume, vou tentar corrigir.
 

- Se quiser ir embora, eu fico e volto depois, pode ser assim também. – baixou a cabeça.
 

- Eu vim, estou aqui, conheci sua família e só volto com você. Adorei todos eles e estou gostando de passar as férias aqui, penso em mamãe que também iria gostar.
 

- Iria mesmo. – Samantha sorriu.
 

- Vamos aproveitar.
 

Pegou Samantha pela mão e continuaram o passeio.


 

Os dias que se seguiram transcorreram muito bem. A noite sempre se juntavam para conversar e contar histórias. Roberto falava do sítio, da colheita e sempre com brilho nos olhos. Maria José se concentrava em agradar a todos. E Samantha aproveitava o tempo para matar a saudade da família e principalmente da sobrinha. Estava brincando com ela no chão da sala quando Heloísa se aproximou.
 

- Posso brincar?
 

Como resposta Luisa pegou uma panelinha e entregou a ela.
 

- Acho que ela quer te ensinar a cozinhar. – Samantha riu.
 

- Ih, até você já sabe dos meus dons culinários? – Heloísa fez cócegas na menina que começou a rir.

 

Luisa pegou uma boneca e deu para Heloísa segurar. – Nene.

 

- É, neném. Olha que neném bonita. – Heloísa passava a mão pela cabeça da boneca. – Qual é o nome da sua neném?

 

- Fala Isa, Luluzinha. – Respondeu Samantha.

 

- Ah mas que nome lindo... Ela está chorando. – Heloísa começou fazer som de choro e começou ninar a boneca como se estivesse ninando um neném de verdade. – Não chora Luluzinha, não chora. Isa acho que Luluzinha está com fome, vamos dar papa pra ela?! – Heloísa pegou uma colherzinha e um pratinho e fingiu que dava comida na boca da boneca.

 

Luisa levantou do chão e foi correndo em direção aos quartos.

 

- Bubu... bubu... – Voltou com uma mamadeirinha de brinquedo e entregou a Heloísa. – Bubu.

 

Heloísa pegou a mamadeira e colocou na boca da boneca. Isa abriu um sorriso e sentou nas pernas da promotora.

 

Heloísa colocou a boneca de lado e aconchegou Luisa em seu colo fazendo a menina ficar de frente pra ela. Encheu a boca de ar e pegou as mãozinhas da menina levando até sua bochecha e apertou pra sair o ar fazendo um som engraçado com a boca. Luisa ria achando graça da morena.

 

Samantha observava tudo com um sorriso bobo no rosto.

 

- Você leva jeito com criança.
 

- Que nada, é costume. Rafael é um pouco mais novo que eu e quando éramos crianças eu ajudava tia Bete a cuidar dele. Acho que até perdi o jeito.
 

- Perdeu nada.
 

- Será que se eu convidar o pessoal para jantar amanhã quando voltarmos para Jaú, eles aceitam? – Falou Heloísa enquanto Luisa tentava enfiar o dedinho em seus olhos.
 

- Papai talvez resista, mas eu te ajudo.
 

- Então à noite a gente fala sobre isso. – Heloísa tirou a mãozinha da menina que estava em seu olho e mordeu de leve a pontinha do dedo. Arregalou os olhos e sorriu para Luisa que devolveu o sorriso.

 

- Isa dá um upa na tia Lica.

Heloísa estendeu-lhe os braços para Lauisa e a chamou. – Vem?

 

Luisa levantou aproximando-se de Heloísa e lhe deu um abraço apertado.

 

- Hum mas que delícia de abraço. Agora um beijo. – Heloísa virou o rosto para receber dois beijos da menina.

 

-Você pensa um dia ter filhos?

 

- Não sei. Sabe que nunca parei pra pensar nisso. Acho que não levo muito jeito. – Sorriu Heloísa – E você?

 

- Meu sonho! Não agora é claro, mas daqui uns anos quero muito. – Samantha parou um pouco como se estivesse pensando. – Quero ter dois ou três.

 

- Isso tudo?

 

- Sim. Primeiro um menino, espero dois anos e aí tenho uma menina.

 

- E o terceiro?

 

- O terceiro não me importo se for menino ou menina, mas o primeiro tem que ser menino que é pra proteger a irmã na escolinha igual Mateus me protegia. - 

 

- Já pensou em tudo hem. – Heloísa falou tentando disfarçar o sorriso.

 

- Sim. Acho que dês dos dez anos. Só faltava encontrar alguém para compartilhar esse sonho comigo.

- E já encontrou esse alguém?

 

- Acho que sim.

 

Ficaram se olhando com caras sapecas. Dona Maria José chegou interrompendo o momento chamando todos para jantar.
 

 

 

 

No jantar Heloísa cutucou Samantha, que falou sobre saírem para jantar.
 

- Estou convidando, é uma forma de retribuir a estadia, que tem sido muito agradável.
 

- Difícil é sair da roça moça, essa semana tem muito trabalho. – Roberto pareceu sem graça.
 

- Ah pai, um dia só não faz mal.
 

- Vamos deixar pra ver isso na próxima semana. – Maria José falou.
 

- Mas eu vou cobrar hein. – Heloísa brincou.
 

 

 

Na semana seguinte voltaram para a cidade, só ficando no sítio Roberto e Mateus. Os dois haviam prometido ir durante a semana. Assim que chegaram em casa Heloísa quis sair com Samantha para andar pela cidade.
 

- Amor, pensei direitinho, caso eles não queiram jantar fora, a gente faz o jantar pra eles. Que acha?
 

- A gente? – Samantha riu. – Nós duas sabemos que quem cozinha nesse relacionamento sou eu.
 

- Então, você cozinha e eu ajudo, serei sua assistente.
 

- Hum, gostei disso. Mas acho que eles vão aceitar, minha mãe é mais maleável e ela gosta de sair, meu pai que é mais bronco pra essas coisas.
 

Heloísa parou o carro numa vaga e antes de descer olhou para Samantha parecendo uma criança e falou:
 

- Quando a gente chegar no Rio você pode cozinhar pra mim? Estou com saudade da sua comida.
 

- Ô amor, eu cozinho sim. Quer alguma coisa em especial? Mesmo que não saiba fazer, eu aprendo. – sorriu e segurou a mão de Heloísa.
 

- Qualquer coisa, tudo que você fez até hoje tava gostoso. Na verdade acho que estou sentindo falta daqueles momentos só nossos.
 

- Hum. – Samantha se aproximou e viu que a rua não estava muito movimentada e beijou a boca de Heloísa. – Também sinto falta, meu bem. Prometo que chegando em casa eu te paparico, faço almoço, jantar, café da manhã e tudo que você quiser. – segurou seu rosto e beijou seus lábios novamente.
 

- Ô tentação! Vontade louca de pegar você aqui e agora dentro desse carro. – Heloísa a puxou e segurou firme na cintura de Samantha, mordeu seu pescoço e chupou com vontade.
 

- Amor, não faz isso que também está ficando difícil resistir. – Samantha tentava se desvencilhar, mas as mãos de Heloísa já procuravam lugar entre suas pernas. – Amor... amor... – quase implorava.
 

- Tá bom! Parei! Vamos descer, caso contrário não vou me segurar.
 

Samantha a olhou com ternura e deu um selinho.
- Te amo!
 

Heloísa saiu do carro, deu a volta e quando ficou de frente pra ela a abraçou forte.
 

- Também te amo.
 

Segundos após se separarem, Samantha viu o ex namorado passar e as olhar com curiosidade.
 

- Hum, meu ex.
 

Heloísa se virou para vê-lo e o encarou.
 

- É, você realmente merece coisa melhor. Nesse caso, eu.
 

- Modesta. – lhe deu um tapa no braço.
 

- Realista.
 

- Boba, mas eu concordo. Ele não chega a seus pés.
 

Andaram pelas ruas e compraram algumas coisas. Heloísa comprou roupas de inverno para Luisa, tudo escolhido pelas duas.
 

- Preciso comprar um presente para os sogros.
 

- Ah é? Ta querendo agradar?
 

- Sabe como é né. – brincava. – Me dá uma dica.
 

- Meu pai gosta muito de vinho e minha mãe gosta de qualquer coisa.
 

- Sabe onde tem uma boa adega aqui?
 

- Olha, adega não sei, mas tem um mercado aqui que vende queijos, vinhos entre outras iguarias.
 

- Então vamos.
 

Chegando ao mercado Heloísa escolheu um vinho chileno e também comprou alguns queijos.
 

- Podíamos fazer uma coisinha hoje à noite. Que tal?
 

- Tudo bem. – Samantha concordou. – Aqui tem um salame muito bom, ele é temperado com azeite e ervas finas.
 

Compraram tudo que precisavam e saíram. Passaram em frente a uma loja de bolsas e compraram uma para Maria José. E Samantha comprou outra para Marta.
 

- Também tenho que agradar minha sogrinha. Adoro-a!
 

- Ela também te adora amor. Que acha da gente almoçar aqui na rua?
 

- E largar os meninos lá em casa?
 

- Que tem? Eles não vieram porque são preguiçosos e ficaram dormindo.
 

- Vou avisar minha mãe então.
 

Samantha ligou e avisou que iria almoçar na rua.
 

Foram ao shopping e almoçaram por lá. Quase na hora de ir embora, Heloísa viu uma loja que vendia utensílios domésticos, procurou uma forma de waffles e achou.
 

- Linda, vou levar pra sua mãe. Você disse que gostaria que ela aprendesse a fazer.
 

- Amor, já compramos muitas coisas.
 

- Só mais essa.
 

- Ai, ai...
 

Assim que saíram deram de cara novamente com o ex de Samantha e dessa vez ele parou para cumprimentá-la.
 

- Oi Samantha! Quanto tempo.
 

- É, faz tempo mesmo.
 

- Voltou pra Jaú?
 

- Não, estou passando férias com minha família e amigos. – olhou para Heloísa.
 

- E como está no Rio?
 

- Muito bem, graças a Deus. Agora tenho que ir, minha mãe está me esperando.
 

- Calma, vai ficar aqui até quando? Podíamos marcar de sair.
 

- Não dá, estou indo embora por esses dias e quero aproveitar a companhia deles. Tchau.
 

Samantha deu as costas para ele e saiu. Heloísa nada falou até o perder de vista. Quando entraram no carro ela disparou a falar.
 

- Idiota, palhaço, infeliz, abusado e pretensioso. – Heloísa bufava.
 

- Ei! Calma mocinha. Ele não fez nada e já passou.
 

- Imbecil.
 

Samantha olhou para ela e achou graça da cara de brava.

 

- Vem aqui bichinho. – puxou a morena pelo rosto. – Você fica linda quando está com raiva, mas eu gosto mais ainda do seu sorriso. – beijou sua boca. – Que tal me dar um. – esfregou seu nariz na ponta do nariz dela, fazendo Heloísa sorrir. – Agora sim, melhorou.
 

Heloísa ligou o carro e voltaram para casa de Samantha. Chegaram parecendo Papai Noel em fim de ano.
 

- Minha nossa senhora! Compraram a cidade toda?
 

- Ah mãe, Heloísa quando decide ir às compras, ninguém segura.
 

- Óóóó... – Rafael chegou na sala olhando os presentes.
 

- Sem comentários. – MB o interrompeu.
 

- São só umas coisinhas. – Heloísa tentou se justificar. – E presente pra esse neném lindo aqui. – falou olhando para Luisa.
 

Tirou das sacolas as roupas e por último uma caixa grande toda colorida e entregou a menina.
 

- Esse, nós duas escolhemos em comum acordo. – falou do presente.
 

Luisa foi andando em direção a caixa e a rasgou de cima a baixo. Era um carrinho para passear, rosa, lilás e verde. Tinha buzina, pisca-pisca e um teto flexível.
 

- Olha Isa, tem musiquinha. – Heloísa apertou o botão fazendo tocar uma música infantil.
 

Luisa ria e levantava as mãozinhas.
 

- Nossa, que lindo filha! – Barbara chegou falando.
 

Luisa virou de repente e abraçou Heloísa num gesto carinhoso e que acabou desconsertando a morena.
 

- Isso, dá “upa” na tia. – Samantha falou achando graça da cara de Heloísa. – Trouxemos mais coisas mãe. O pai já chegou?
 

- Ele está no banho.
 

- Então depois entregamos o dele. Esse aqui é da senhora. – entregou a bolsa. – E esse também, vou te ensinar a usar.
 

- Que é isso?
 

- Faz waffles.
 

- Como?
 

- Waffles mãe, vou fazer amanhã no café da manhã, até compramos os ingredientes.
 

Samantha ainda entregou um presente para a cunhada e deixou um para o irmão.
 

- Eu não ganho nada? – Rafael retrucou.
 

- Você ganhou a viagem.
 

- Ahh... Chefe mais pão dura.
 

Maria José achava graça de Rafael.
 

Como combinou no dia seguinte Samantha fez waffles pra todo mundo e um especial para a noiva.
 

- Esse negócio é muito gostoso. Só não sei se levo jeito pra manusear.
 

- Mamãe não é uma chef de cozinha, mas quando quer faz direito. A mãe de Heloísa cozinha muito bem.
 

- Minha mãe gosta de inventar receita, por isso vocês duas se dão bem. – Heloísa falou.

 

 

Poucos dias antes de irem embora as duas conseguiram levar o pessoal para jantar. Deixaram que Maria José escolhesse o lugar. Já sentados à mesa e após fazerem os pedidos, Roberto falou agradecido.
 

- Eu queria agradecer o convite e o presente. Não precisava disso tudo.
 

- Nós que agradecemos a estadia. Adorei os dias que passamos aqui, me sinto renovada.
 

- Vocês são boas visitas, não dão trabalho e ainda dão presente. – Maria José riu. 
 

- E podem voltar sempre que quiserem. São bem-vindos.
 

As bebidas chegaram e eles brindaram animados. Jantaram em clima de felicidade e despedida ao mesmo tempo.
 

No dia de ir embora Samantha chorava a toa. Na hora mesmo de ir, se despediu do pai e da mãe com um abraço apertado.
 

- Olha, vocês não reparem, mas comprei um presente pra cada um também. Na verdade eu que fiz.

– Maria José falava e entregava a Heloísa e aos garotos um pacote.
 

Eles abriram e era uma toalha bordada com o nome de cada um.
 

- Mãe, você bordou isso quando? – Samantha perguntou curiosa.
 

- À noite, todos os dias e escondido de vocês. – Roberto a dedurou.
 

- Não precisava se incomodar dona Zezé. – MB falou. – Muito obrigado, eu adorei.
 

- Eu também.
 

Samantha ficou comovida com a atenção que a mãe deu aos amigos.
 

Foi para se despedir de Mateus, com ele era algo mais polido, mas com muito choro também. Abraçou a cunhada e quando foi a vez da sobrinha ela não se aguentou, chorou como criança.
 

- Titia vai sentir muita saudade viu.
 

- Titi!
 

- Fica com Deus, bonitinha. Titia ama você.
 

Luisa a abraçou encostando a cabeça no ombro de Samantha. Saíram pouco antes das duas da tarde. Dessa vez Rafael foi dirigindo com MB na frente. Samantha e Heloísa foram no banco de trás. Quando pegaram a estrada Samantha deitou a cabeça no ombro da morena e os olhos estavam cheios de lágrimas. Heloísa estendeu o braço e a abraçou.
 

- Meu amor, não chora. Daqui uns dias vem um feriado e você vai poder vir visitá-los.
 

- Eu sei, mas eu sinto muita falta deles.
 

- Que eu posso fazer para que se sinta melhor? – Heloísa acariciava seus cabelos.
 

- Você já faz. Acho que se não fosse você e os meninos, talvez eu nem estivesse no Rio. Só que família é diferente, tenho saudade deles e quando estou longe me sinto fora de lugar.
 

- Não está, e eles estão felizes que você esteja estudando e indo bem na faculdade. Estão orgulhosos.
 

- É verdade Sam. Sua mãe, quando fala de você, os olhos chegam a brilhar de orgulho. Seu pai também, apesar de parecer mais comedido. – MB também falou.
 

- Adorei sua família, aliás, minha também. Porque se é a família da minha noiva, é a minha também.
 

Samantha pegou a aliança que estava guardada na bolsa e colocou no dedo.
 

- Acho que agora posso colocar.
 

- Ah bom, achei que tinha desistido.
 

- Nunca! Mas não é uma aliança que prova nada, é o que está aqui. – apontou o coração.
 

- E o que está aí? – Heloísa falava baixinho.
 

- Meu amor por você. – Samantha a olhou nos olhos.
 

- Linda! – beijaram-se.

 

Samantha voltou a se aconchegar nos braços de Heloísa e acabou adormecendo.

 


Notas Finais




Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...