História Melodia - Limantha - Capítulo 37


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Categorias Malhação
Tags Heloisa, Limantha, Malhação, Romance, Samantha
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Palavras 4.922
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá! Vejo aqui uma torcida grande por "Demantha" ( Babyzinha que batizou o casal) kkkkkkk
Desistiram de Limantha?
Outra coisa, me perguntaram como imagino a Débora... sabe que nunca parei pra pensar. Só sei que ela é morena (eu e meu abismo por morenas) kkkkkk Morena e sem sal, sem graça, para mim falta borogôdo em Débora. Aí fiquei aqui pensando uma atriz morena e sem graça, mas não veio nenhuma na cabeça. Aceito sugestão. rsrsrs
Bjs!

Capítulo 37 - É Mágoa


 

Nesse mesmo dia Heloísa decidiu ir procurar Samantha. Chegou em seu novo endereço e viu que a pianista não se encontrava em casa, pois a casa se encontrava toda no escuro. Diferente das outras vezes que esteve ali, dessa vez não desistiria de falar com a morena. Meia hora depois viu um carro preto parar e descer Samantha acompanhada de Débora e as duas entrar. Ficou com tanta raiva que socou por várias vezes o volante do carro. Ligou o carro para ir embora, mas decidiu ficar e esperar. Queria saber o que estava rolando entre as duas.

Heloísa recostou o banco e ligou o rádio tentando tranquilizar milhares de pensamentos agoniantes que sua mente teimava criar.

Dês que Samantha flagrou Heloísa na cama com Camila, já havia passado três longos meses. Noventa dias de agustia e sofrimento. Para a promotora, ficar longe de Samantha era como viver sem perspectiva, sonhos ou planos para o futuro. Era como se sua felicidade dependesse da pianista... dependesse de seus sorrisos, beijos e carinhos.

“Meu Deus como faço para fechar essa ferida se estou longe do remédio? Como faço para diminuir esse amor que só cresce?... Para piorar, essa distância... esse desprezo está acabando comigo. Juro que estou tentando ser paciente, e que com muito custo busquei dar a ela o espaço que precisava para refletir sobre tudo que estamos passando, mas não vou suportar se ela estiver tendo um caso com essa mulher”.

Heloísa estava perdida em seus pensamentos quando uma movimentação chamou sua atenção. Era Samantha com Débora, que parecia estar indo embora. Decidiu que ia esperar a professora ir embora primeiro para depois ir conversar com a pianista. Ficou observando de longe. Verificou seu relógio de pulso e constatou que  passavam das 22hrs. Voltou seus olhos para a cena, e quase engasgou ao vê-la tão próxima de Samantha.

Semicerrou os olhos, seu sangue ferveu e ficou sem ar devido a raiva que expandiu em seu ser. Sentiu o corpo tremer enquanto assistia Samantha ser beijada pela professora em sua frente.

“O que essa mulher pensa que está fazendo”?

Suas mãos se fecharam em punho automaticamente. Estava se corroendo por dentro. Saiu do carro acionou o alarme e foi em direção as duas.

- Fica longe de minha noiva ou quebro sua cara.

Samantha levou um sustou e deu um passo para trás, encarou a promotora  assustada e perplexa, olhou na direção da professora que também parecia ter levado um susto.

- O que faz aqui, Heloísa? – Samantha perguntou se refazendo do susto e ignorando seu comentário.

- Está surpresa? – Heloísa perguntou, se aproximando.

- Eu não... – a pianista pigarreou a garganta, gaguejando. - Só não esperava vê-la aqui.

- Eu pude perceber. – disse friamente. - Você me esqueceu bem rápido, não é mesmo?

Sua expressão se tornou áspera, e ela deu alguns passos para trás afastando-se da promotora.

- Não temos mais nada uma com a outra. – seu tom de voz saiu irritado. - E seja o que for que você veio fazer aqui, terá que esperar outro dia. – falou em um tom sério. - Agora estou com visita.

- Vocês estão juntas? – perguntou, apontando para as duas e sentindo a raiva corroer por dentro.

- Isso não é da sua conta. – revidou.

- Saber com quem você anda é da minha conta sim. – gritou, vendo os olhos da pianista se arregalarem.

- Controle as suas palavras, querida. Você não...

- Não sou sua querida, e não estou falando com você. – bravejou, encarando Débora com raiva. -  Então é melhor ficar na sua antes que eu não responda por mim. – ameaçou, aproximando-se da professora se exaltando.

A promotora sentiu quando as mãos de Samantha repousaram em sua barriga, se colocando entre as duas.

- Para com isso Heloísa, o que acha que está fazendo? Vai acabar chamando a atenção dos vizinhos. Saia daqui agora e não piore ainda mais as coisas entre nós. – Suas  palavras feriram enormemente a morena.

Heloísa passa as mãos pelo cabelo tentando se controlar.

- Não quero uma guerra, mas se acha que vou ficar sentada assistindo de camarote você sair da minha vida e se jogar na cama de outra pessoa está muito enganada.  – Suspirou esgotada.

- Cala a boca, olha o que está falando. Não me confunda com você e nem com as vadias que está acostumada levar para a sua cama. E além do mais, acabou! Não devo mais satisfações da minha vida. – Samantha ergueu o queixo. - Com quem eu durmo ou deixo de dormir não é mais problema seu.

- Não é problema meu? Você é minha noiva.

- Quando você vai entender que não existe mais noivado e não fui eu que acabei com ele foi você? Agora por favor, saia da minha casa.

- Você deu pra ela? – Samantha  se indignou com a pergunta. - Fala? – Heloísa pegou o braço da pianista a olhando com raiva. - Ela tocou seu corpo? Fez sexo com ela, Samantha?  

- Me solta. – gritou Samantha. - Está me machucando.

- Está havendo um mal entendido por aqui. – Débora interveio na discussão. - Não dormi com Samantha. Nós nunca tivemos nada. – falou tentando apaziguar as duas.

- Não diga nada, Débora. Não devemos satisfações a ninguém. Heloísa tem a mente suja, acredita que todo mundo é igual a ela e coleciona amantes. Agora me solta que está me machucando! – Samantha puxou o braço.

Heloísa se afastou e olhou para a pianista.

- Viu o que fez? Acabei te machucando... Desculpa!

- Estou bem! Agora por favor, quero que vá embora.

- Não Samantha... Só saio com você. Quero que volte para nossa casa.

- Não tem mais nossa casa, não tem mais noivado, não tem mais eu e você. Quer que eu desenhe? Faça mímica? Para de tentar se enganar. Não sou mais sua mulher, não pertenço a você, não sou um objeto de sua coleção. – Samantha fazia força para não chorar. - Fui traída por você várias vezes... Por um ano! Acha pouco? Provavelmente achou que a idiota aqui nunca descobriria. Você não sabe o que é fidelidade. – Heloísa ouvia tudo em silêncio, estava desconcertada, com vergonha. - Você é infiel, não tem sentimentos, respeito por ninguém. – Samantha fez uma pausa, sua garganta queimava, sua voz falhava e uma lágrimma teimosa escorreu por seu rosto. - Já falei... não tem mais volta. Não volto mais pra você. Será que é tão difícil assim você entender que acabou?

- Vai discutir sobre nosso relacionamento  na frente da sua professora?

- Débora sabe de tudo que aconteceu.

- Imagino que sim. – Respondeu entre os dentes. - Pode me dar um tempo com minha noiva? – Pediu a morena olhando feio para a professora que logo pediu licença e se retirou. 

- Ficou louca? Aonde você quer chegar?

- Sou! Sou louca por você Samantha. – falou se aproximando e segurando o rosto da pianista com as duas mãos. - Manda essa mulher ir embora, quero conversar com vc. Só nós duas.

- Débora é minha convidada, quem tem que ir embora é vc

- Samantha não faz assim, eu te amo. – encostou sua testa na da pianista ficando as bocas bem próxima uma da outra. - Só em pensar ficar longe de você fico desesperada. Não consigo mais ficar longe de você. Não vou desistir de nós duas. – Heloísa tenta beijá-la, mas Samantha vira o rosto. - Por favor, não faz isso! – falou em seu ouvido enquanto a abraçava. - Por favor! – cheirava e beijava o pescoço da pianista. - Por favor! Tentou beijá-la e mais uma vez a pianista se esquivou.

- Por favor digo eu... Vai embora. – falou Samantha friamente.

Heloísa engoliu em seco ao olhar para o rosto de seu grande amor e enxergar as mesmas emoções que a perseguiam dia e noite. Era muito doloroso ver dor, decepção  e mágoa estampada nos olhos de quem tanto amava, e o pior era saber que foi ela a causadora de tudo isso. Se afastou e foi embora.

Samantha ficou parada no mesmo lugar vendo a promotora entrar no carro dar partida e ir embora. Cobriu o rosto com as mãos e começou a chorar.  Lembrou-se do primeiro mês que passou sem a promotora. De como ele foi complicado, pois se via lutando constantemente com suas emoções contraditórias. Uma hora a queria desesperadamente, ansiava sua presença com toda sua força, mas bastava lembrar-se do que ela fez para querer matá-la com as próprias mãos, ou pior, matar-se por cogitar a hipótese de perdoá-la.

Samantha chorou praticamente todos os dias. Lembrava das juras de amor e não conseguia acreditar que Heloísa foi capaz de fazer isso com ela. Não conseguia aceitar que todo aquele absurdo a estava afastando de seu grande amor, pois mesmo ela não merecendo, ainda a amava e provavelmente a amaria para o resto da vida.

Débora saiu de dentro da casa e a abraçou carinhosamente tirando Samantha de seus devaneios.

- Ela não vai desistir, mas quero que saiba que estou aqui, entendeu? Quero que permita-me lutar por você também.

Mais tarde, Samantha mais calma foi levar Débora até o portão:

- Mais uma vez eu peço desculpas, Débora. Você não tem culpa dos meus problemas com a Heloísa. – suspirou cansada.

- Sem problema, sei que não teve culpa. Agora tente dormir e descansar um pouco.

Samantha beijou sua bochecha com carinho. Débora era linda por dentro e por fora.

Queria  nutrir outro tipo de sentimentos por ela, mas não conseguia. Era só amizade mesmo. Entrou, estava se sentindo derrotada, cansada, naquele momento só queria deitar e ficar quieta chorando.

 

 

Heloísa ao sair da casa de Samantha praticamente rodou a noite toda com o carro. Ela precisava desse momento para descarregar a adrenalina e tentar ao menos colocar seus pensamentos no lugar. Eram exatamente 05:40h quando estacionou próximo ao prédio onde morava e foi andando até a praia. Precisava esticar o corpo, seus músculos estavam tensos e doloridos, sua cabeça latejava. Sentou-se na areia e ficou olhando as ondas que morriam na areia. Tudo o que ela queria era dormir e esquecer-se da sua vida de merda. Fechou os olhos e sentiu o vento assoprar em seus ouvidos, sentiu o cheiro da maresia. Estava completamente exausta, física e psicologicamente. Sua mente não parava de trabalhar em soluções ou em algo que  pudesse fazer para resolver as diferenças entre elas de uma vez por todas... mas não conseguia encontrar mais ânimo em lutar por

alguém que em três meses esqueceu-se do amor que dizia sentir?  

“Onde foi que perdi as rédeas da situação? O que ela viu nessa professora?  Samantha era tão dócil, calada, nunca levantava a voz, chegava as vezes ser irritante de tão permissiva. De onde veio esse furacão sedutor? Tudo que eu quero é ela e Samantha se nega a ser minha”.

Suspirou alto, frustrada pelas infinitas interrogações em sua mente. Rangiu os dentes ao lembrar-se do corpo da pianista colado ao corpo “daquela... daquela... argh”! Balançou a cabeça e retirou os tênis. Com toda a certeza, esse não era o desfecho que ela esperava. O seu desejo era estar acordando ao lado de Samantha nesse momento, depois de uma noite intensa de amor. Fechou os olhos com a imagem do seu último olhar...  

- Noite difícil? – perguntou uma garota ao sentar-se ao seu lado.

Fazia aproximadamente uma hora que a promotora estava sentada na areia olhando o mar buscando alguma luz para solucionar seus problemas.

- O mais correto a dizer é: meses difíceis. – confessou, olhando para a morena que acabara de sentar.

- Brigou com o namorado?

- Noiva. – Falou Heloísa buscando qualquer tipo de reprovação nos olhos da morena, o que não encontrou.

- Servida? Trouxe para você.  – falou oferecendo a água de coco. - Faz mais de meia hora que estou te observando.

- Obrigada!

Heloísa tomou um gole e olhou ao redor, fixando os olhos no mar, e sem querer começou a fantasiar ela e Samantha ali... a pianista completamente nua enquanto a devorava... minha... minha. Fechou os olhos e sacudiu a cabeça.

- Escutou o que eu falei? – Voltou à realidade assim que ouviu a voz feminina ao seu lado.

- Como? – questionou,  confusa.  - Perdoe-me, estava com meus pensamentos longe.

A morena sorriu ao se ajeitar melhor na areia. Sua canga subiu um pouco chamando a atenção dos olhos da promotora.

- Eu me chamo Keyla Maria. – Estende-lhe a mão.

Heloísa aceitou seu cumprimento educadamente.

- Muito prazer Keyla Maria, me chamo Heloísa.

- Nossa que legal! Sabia que Heloísa significa guerreira, combatente gloriosa, guerreira famosa ou famosa na guerra e é de origem francesa. – comentou.

Heloísa balançou a cabeça negativamente.

- O que você faz, Keyla Maria? — perguntou agoniada pra conversar novos assuntos, e arrancar Samantha da mente pelo menos por alguns minutos. Viu que ela baixou a cabeça e soltou um suspiro desanimado.

- Sou recém-formada em direito, mas no momento estou desempregada. – Parou  de falar para tomar um gole da sua água de coco. - Essa noite quando cheguei ao apartamento do meu namorado, eu o peguei aos beijos com uma amiga...

Heloísa nada falou, apenas levantou a sobrancelha e lembrou de sua situação com Samantha .

- A sua situação é quase parecida com a  minha.

- Isso eu não posso dizer, pois não conheço os seus problemas. – comentou mexendo no coco com o canudinho. Seu celular tocou no momento em que abriu a boca para falar. Heloísa viu quando ela fez uma careta ao olhar para o visor do celular. - É o safado do meu ex, acredita? – falou, erguendo os olhos para a promotora. - Filho da mãe!-rosnou contra o celular.

- Mulher indignada é fogo. – segurou o riso. - Muito provavelmente deve estar arrependido. – comentou, encarando-a.

- Nem que ele rasteje! – respondeu sem pestanejar. - Jamais o perdoarei.

- Nós, mulheres, somos muito ressentidas. –falou sem deixar de se lembrar de Samantha.

- Aí que você se engana, Heloísa. – disse  em tom firme, chamando a atenção da promotora. - Nós somos frágeis e fortes ao mesmo tempo. Nós amamos com intensidade, e odiamos com o mesmo fervor também se for preciso. – Heloísa deu uma risada ao ouvir a morena, porque ela não poderia estar mais certa. - Em uma relação damos tudo de nós, entende? E muitas vezes o cara não dá a mínima para isso, aí só enxerga quando perde.

A promotora mordeu os lábios evitando soltar uns palavrões por enxergar- se na realidade de suas palavras.

- Merda, você tem toda a razão. Estava tão convencida que teria Samantha para sempre ao meu lado. Acabei estragando tudo.

- Sim, e não devia ser assim. – comentou. Seu celular tocou novamente.

- É o seu ex? – pergunto, vendo-a confirmar. - Posso? – ela entregou o celular com certa desconfiança. - Olha aqui seu otário, vou te avisar somente uma vez... Pare de perturbar a minha gata, entendeu? Você não sabe do que eu sou capaz. – desligou e cairam na gargalhada.

- Ele deve estar sem entender nada até agora. – ela falou entre risos. - Isso foi incrível.

- Posso te fazer uma proposta? – Keyla  parou de rir e olhou para Heloísa.

- Depende! – falou séria. - Se for para me levar para a cama, esquece.

Heloísa achou graça e sorriu.

- Sou tão ruim assim? – perguntou fingindo-se ofendida. Fez um biquinho com os lábios para depois abrir um sorriso lindo.

- Você até que é legal, bonita, mas não faz o meu tipo. – gargalhou.

Heloísa fez uma careta e gargalhou também, afinal de contas a mulher que lhe  interessava era a Samantha.

- Minha proposta é: Tenho um escritório de advocacia, portanto, Keyla Maria, gostaria de se juntar a nós.

- Por que faria isso se nem ao menos me conhece direito?

- Não sei. Acho que fui com a sua cara de marrenta. – sorriu. - E também sinto que posso confiar em você. Então, aceita ou não aceita?

- É claro que aceito! Não sei nem como te agradecer! – Falou dando um abraço na promotora que achou graça da maneira efusiva da morena.

- Então, já que confia em mim... vai me contar o que aconteceu? Estava ali te observando e você estava aqui toda triste.

Heloísa contou toda sua história com Samantha, dês do dia que a conheceu até a noite anterior que praticamente foi expulsa da casa da pianista.  

- Posso ser sincera? – Perguntou fazendo uma careta. A promotora fez que sim com a cabeça. – Como sua noiva aguentou te namorar por quase dois anos?

- Como assim? – Heloísa parecia não ter entendido a pergunta.

- Ah sei lá... não convivi com vocês para saber, mas olhando assim de fora, pelas coisas que me contou, vocês mantinham um relacionamento meio abusivo.

- Abusivo! – Heloísa levou um susto e parecia  um pouco contrariada. – Como assim abusivo? Da minha parte ou da dela?

- Da sua, claro!

- Nunca fui abusiva com Samantha. Posso até ter exagerado alguma vez por causa de alguma coisa, mas nunca fui abusiva com ela.

- Heloísa, faça uma auto-análise do seu relacionamento, do seu comportamento e depois me diga se era abusivo ou não. – ao perceber a promotora pensativa prosseguiu. - Você é mandona, ciumenta, possessiva,  passou comprar as roupas dela mudando praticamente o gurda roupa da menina, adorava exibí-la por aí como um trofeu , você que determinava passeios, viagens... – falava e ia enumerando nos dedos. - Mentiu, traiu, fez sexo sem o consentimento dela. Ufa! Olha que nem falei tudo hem.

- Até concordo com você que errei em fazer sexo sem o consentimento dela, me arrependo até hoje por essa atitude, mas é que achei que ela fosse gostar.

- E qual é a mulher que gosta de ser pega a força?

- Ah sei lá, tem mulher que gosta. – Falou sem graça. Tipo fetiche.

- Sim! Mas aí é uma coisa conversada, onde as duas partes envolvidas aceitam passar ou fazer determinadas coisas e não assim da maneira que você fez. Se é comigo, tinha te largado no mesmo dia.

- É, acho que você está certa. – falou pensativa.

- Sabe o que não entendo?

- Não.

- Por que a traiu se a ama tanto?

Heloísa parou, ficou pensativa, para depois responder.

- Não sei!

- Como assim não sabe? Isso não é resposta.

- Simplesmente não sei. Me faço essa pergunta todos os dias e não sei. Talvez por fraqueza, inconsequência, leviandade, imaturidade, não pensei nas consequências.

- Está aí outra questão que talvez precise ser resolvida dentro de você. – falou piscando para a promotora. – Bem, agora preciso ir. Acho que depois das coisas que te falei você não queira mais me contratar. – Falou levantando e passando as mãos na bunda tentando tirar a areia.

- Não! Aí que você se engana... Te aguardo segunda em meu escritório. Vamos até meu carro que vou te dar um cartãozinho com o endereço e o telefone.

Foram em silêncio até o carro, Heloísa pensava em todas as coisas que a morena  havia lhe falado.

- Aqui está. – estendeu-lhe o cartãozinho. – Te aguardo seguanda às 08:00hrs em meu escritório.

Keyla olhou para o cartãozinho e soltou um grito.

- Ah, não acredito! Você é a famosa promotora Heloísa Gutierrez!

- Eu famosa? – sorriu sem graça a promotora.

- Sim! Muito famosa e respeitada entre os alunos de direito e no mundo da advocacia.

Conversaram mais um tempo sobre um caso famoso que a promotora esteve à frente, depois se despediram e foi cada uma para o seu lado.

 

 

Amanheceu o dia e Samantha se viu sentada na cama. Passou a noite praticamente em claro, sem conseguir desligar os seus pensamentos... simplesmente não foi capaz de fechar os olhos. Seu rosto estava inchado devido às longas horas de choro intenso enquanto se deixava levar por milhares de lembranças que a sufocavam.

“Por que ela tem que tornar as coisas mais difíceis do que já estão”?

Seu peito encontrava-se pesado pela angustia. Sentia-se ainda mais quebrada pelas diversas emoções que se assolavam, e ela não sabia como agir diante de tudo isso. Nesses três meses que se passaram, ela vinha lutando bravamente para esquecê-la e recomeçar sua  vida, ansiando por conquistar o seu espaço e sua felicidade.

“Será que não tenho o direito de ser feliz”?

De repente ouve algumas batidas na porta, e por um breve momento quis que fosse ela.

Levantou-se passando as mãos no rosto e foi abrir a porta.

- Bom dia Samanthinha, vim tomar café junto com a senhorita. – Era MB com um sorriso enorme trazendo consigo um saco de pão.

- Oi, bom dia! Entre. – falou dando passagem para ele.

- Dormiu bem? – aproximou-se dando-lhe um beijo na testa.

- Mais ou menos. – respondeu fazendo uma careta.

- O que houve, Sam? Que carinha é essa? – perguntou, tocando-lhe o queixo e a forçando  olhar para ele.

Era incrível como em tão pouco tempo MB a conhecia tão bem. Suspirou baixo mordendo os lábios, depois de tudo o que aconteceu MB tem sido seu porto seguro, um irmão.

- Lica esteve aqui ontem. – falou de uma vez, sem rodeios. Viu quando ele arregalou os olhos em surpresa.

- Vocês conversaram? – perguntou  curioso.

 - Ontem. — respondeu fechando os olhos lembrando-se de sua expressão zangada e sua boca tão próxima a dela. - Ela veio aqui. – sua  voz saiu embargada.

MB segurou suas mãos com força em um ato claro de conforto. Ele, mais do que ninguém, sabia o tanto que Samantha havia sofrido e ainda sofre por causa de Heloísa. Ele era testemunha do quanto foi difícil segurar a vontade de atender as infinitas ligações que ela lhe fazia... o quanto seu coração sangrava a cada mensagem lida e a cada chamada recusada.

- Seria muita inocência sua pensar que ela não viria atrás de você.

Samantha deixou escapar algumas lágrimas intrometidas que deslizaram pelo seu rosto, e mordeu os lábios,  tentando evitar os soluços.

- Estou tão confusa, MB. – queixou-se. -Débora me beijou ontem.

A pianista assistiu seu rosto se contorcer em uma expressão claramente desgostosa.

- E o que você sentiu? - perguntou enquanto acariciava suas mãos.

Samantha respirou fundo sem saber o que dizer.

- Eu não sei. – franziu a testa. - Fui pega de surpresa. – falou agoniada pelas emoções confusas que a invadiam. - Débora vem sendo uma boa companhia para mim, mas só a vejo como amiga mesmo. – Levantou-se e foi até a cozinha. - O pior de tudo é que pela forma que Lica falou comigo, é provável que tenha visto o beijo, e nesse momento deve estar imaginando milhares de coisas. – mordeu os lábios, totalmente angustiada.

- Nesse caso só cabe a você desfazer esse mal-entendido. — falou. Seu rosto estava com uma expressão sapeca.

Samantha entrou no banheiro resmungando.

- Já deixei bem claro para você que não a quero mais, MB.

- Então continue se enganando. - respondeu, indo até a cozinha.

Samantha fechou a porta do banheiro e recostou-se nela com o coração acelerado.

 

 

Mais tarde nesse mesmo dia Samantha estava na porta agradecendo os entregadores de sua tv que seus pais lhe deram de presente, quando um rapaz moreno saiu de outra quitinete. Ele devia ter quase dois metros de altura.

- Boa tarde! – Seu sorriso era lindo.

- Boa tarde! – Respondeu corando como uma boba.

- Vizinha nova, hein? – Falou ficando em pé com as mãos no bolso.

- Sim, mudei tem poucos dias.

- Seja bem vinda, Gustavo. – seu aperto de mão era firme.

- Samantha, prazer.

- Samantha, bonito nome. – Sorriu novamente. – Nos vemos por aí. – sorriram e se despediram

- O que foi aquilo? – perguntou MB quando a pianista entrou dentro de casa.

- Você viu? Jesus, como vou viver do lado de um homem tão lindo? – falou fazendo graça.

- Muito engraçadinha essa menina. – falou rindo da cara engraçada que ela fez. – Preciso ir embora.

- Ah vai não. Fica mais um pouco.

- Preciso ir, marquei com o Rafa.

- Então tá, já que o Rafael é mais importante do que eu. – fingiu estar magoada. – Vamos? Te levo no ponto e aproveito e passo no mercadinho para comprar algumas coisinhas aqui pra casa.

Enquanto esperavam o ônibus MB aproveitou para dar a notícia que Samantha não queria ouvir.

- Sam, bom... – pensou para falar. – Eu ia te falar mais cedo, não tive oportunidade, mas não dá pra adiar. Estou indo embora daqui duas semanas.

- Já?

- Como já? O carnaval passou, eu disse que seria logo depois.

- Nossa, eu ando tão distraída que nem estou vendo o tempo passar. Minha vida ta muito bagunçada, não sei como fazer voltar tudo ao normal.

- Não vai voltar como antes, mas pode ser melhor que antes. Não desanime Sam, as situações na nossa vida aparecem para que possamos sempre aprimorar nosso conhecimento e melhorar quanto ser humano.

- Sofrer pra crescer, bonito isso, mas só na teoria. Como vai ficar a banda?

- Sinceramente não sei, eu gostaria que continuasse, afinal fazemos shows há dois anos nesta formação, mas não depende de mim.

- Desejo boa sorte a você e não se esqueça de mim viu? – Samantha  sorriu.

- Como esqueceria, você é minha amiga mais querida, minha irmã. – falou abraçando a morena. – MB como sempre um bom amigo. Samantha não aguentou e começou a chorar. Abraçaram-se forte e ficaram assim por alguns minutos. - Minha amiga, sabe que pode contar comigo sempre, não é?

- Sim! Agradeço muito sua amizade.

 

 

Heloísa avistou Samantha se aproximando da quitinete onde morava cheia de sacolas com um rapaz bastante alto que a acompanhava, os dois sorriam como se fosse íntimos. Aquela cena a fez ferver, correu até eles.

- Samntha? – chamou, ela virou.

- Heloísa?

- Vim conhecer sua nova casa, já que ontem você não me convidou para entrar. – falou olhando para Gustavo que não tirava os olhos de sua mão no cotovelo da pianista.  – Não me apresenta?

- Gustavo essa é a Heloísa. – falou sem graça

- A noiva dela. – disse olhando para Gustavo.

- Ex-noiva. – Samantha falou entre os dentes.

- Isso é discutível – Retrucou.

- Tudo bem, Samantha, vou andando. Tenho algumas coisas para fazer hoje. – Gustavo falou se afastando.

- Ficou louca? – Samantha entrou e Heloísa a seguiu.  Pegou as chaves e abriu a porta, Heloísa achou aconchegante, mas pequeno.

- Temos tanto espaço no apartamento e você prefere uma caixa de fósforo?

- Não pedi sua opinião!

- Desculpa, não vim aqui procurar briga. – Passou a mão nos cabelos enquanto Samantha ia até a cozinha deixar as sacolas.

- Heloísa, o que você quer? – a pianista estava claramente chateada

- Você ainda não respondeu a pergunta que te fiz ontem. Quero saber o que está rolando entre você e aquela professora de merda que você arrumou? – Perguntou sentando na poltrona.

- Minha vida não é da sua conta.

- Sua amante? É isso Samantha, você arrumou uma amante?

- Quem curte casos extraconjugais aqui é você. – falou Samantha tirando o vestido.

- Se pensa que vou desistir de você está muito enganada. Volte ser minha noiva, volte para mim, para nossa casa.

- Nunca! – abriu o guarda roupa procurando alguma coisa. – Nunca mais você irá me tocar.

O olhar de Heloísa não deixava o corpo de Samantha, estava só de calcinha e sutiã. Só nesta hora a pianista percebeu que tirou sua roupa em frente a promotora, já estava tão acostumada a fazer isso que foi automático.

- Já acabou?.

- Você deu para ela?

- Não vou nem responder.

- Vamos viajar?

- Obrigada Heloísa, mas não quero viajar. – Voltou para o quarto se enrolando numa toalha para criar uma distância.

- Sammy como você quer que eu fique em paz com você morando aqui nesse lugar? Você é uma menina frágil. É meu dever cuidar e proteger você. – falou tentando tocá-la em seu rosto, mas Samantha se afastou.

- Ser fiel também era seu dever. Mas preferiu ser desprezível, me traiu com todas as putas que abriram as pernas pra você. Sinto nojo de mim só em pensar que você estava lá com elas e depois vinha com a cara mais deslavada me beijar e fazer amor comigo.

- Até quando vai jogar isso na minha cara? E não foram várias, foi uma.

- E isso faz alguma diferença?

- Vamos conversar direito...

- Não quero conversar... quero que me deixe sozinha. – Samantha foi até a porta e abriu.

- Tá ok. – Heloísa passou por Samantha sem nem se despedir.

Samantha suspirou, não adiantava chorar mais, agora era tarde, precisava seguir e o passado ficar para trás.

Heloísa suspirou ao estacionar o carro na garagem de seu prédio. Seguiu para o elevador. Abriu a porta e seu celular começou a tocar. Revirou os olhos ao olhar para o visor e constatar que se tratava de uma ligação de sua mãe, pois definitivamente não estava com paciência para conversar naquele momento. Desligou o celular, a fim de não ser incomodada.  Assim que entrou no quarto, foi tirando toda a roupa  ficando só de calcinha, precisava de um banho para refrescar a mente. Sentou-se na cama e ficou olhando para a mão direita, a aliança continuava ali, intacta. Mas até quando? Fechou seus olhos, cerrando os punhos com raiva ao imaginar as mãos Da professora em cima do que era seu, pois Samantha era sua, mesmo ela não querendo acreditar nisso. Sacudiu a cabeça a fim de dispersar os pensamentos, se encaminhou até o banheiro para tomar um banho. Necessitava sair e beber um pouco, ou iria enlouquecer.

 

 


Notas Finais




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