História Melodia Harmônica - Capítulo 12


Escrita por:

Postado
Categorias Gravity Falls
Personagens Bill Cipher, Candy Chiu, Dipper Pines, Gideon Gleeful, Grenda, Mabel Pines, Pacifica Northwest, Personagens Originais, Stanford "Ford" Pines, Stanley "Stan" Pines, Waddles, Wendy Corduroy
Tags Billdip, Gravity Falls, Mabcifica, Yaoi, Yuri
Visualizações 109
Palavras 3.564
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Ficção Adolescente, Lemon, LGBT, Musical (Songfic), Orange, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo-Ai, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Pansexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Seguinte:
o flop da fic tá grande asghdjo

Talvez seja meio culpa minha ;v

~Boa leitura!

Capítulo 12 - Doze


Capítulo 12

"Acho que você é gay", meu cérebro disse ao Dipper Pines do oitavo ano, que encarava Wirt no meio de uma aula de Química e que subitamente levantou-se da cadeira e soltou um berro ao perceber que tinha uma ereção formada na calça porque, obviamente, se você é um adolescente pré-descobridor da maldita puberdade, você não tem o controle do seu próprio pau. E também porque, em parte, os interesses do Dipper Pines não eram em química, e sim em física. Literalmente.

E quando o Dipper Pines achou que aquilo tinha sido apenas um momento que havia passado, Mabel, Beatrice e Wirt vieram me dizer: "uau cara, que bela cagada", para que eu não me esquecesse disso. Exceto Finn. Porque Finn era a pessoa mais legal dentro daquela escola, não contando com a minha irmã. Ele era a única pessoa que sabia que eu não me sentia atraído por garotas e olhava para a bunda de Wirt na aula de Educação Física. Nós dois estávamos no quarto dele, deitados na cama com os pés apoiados na parede num ângulo exato de 90 graus, ele de meias e eu descalço. Jake, seu cachorro de estimação, também estava lá. Aí eu me sentei e ele sentou também, e eu falei: "Meu cérebro teve uma epifania esses dias. Ele me falou que ficar olhando para a bunda de Wirt é melhor do que beijar meninas". 

Finn não ficou surpreso e eu fiquei surpreso por ele não ter ficado. Jake subiu na cama e deitou no colo de Finn.  Então ele sorriu e disse: "você é gay, acho". Eu fiquei horrorizado. Não estava pronto para rótulos. Me lembro de ter gaguejado antes de dizer que não, não sou gay, e ele pediu argumentos que pudessem convencê-lo de que eu não era gay. Eu disse que aquilo provavelmente era só uma fase e que futuramente eu estaria namorando uma garota bonita. Provavelmente. 

Ele se ajeitou melhor na cama e disse: "tudo bem. Boa sorte na sua jornada, garoto meio-gay, meio-hétero". Se o meu eu de atualmente tivesse ouvido isso, teria surtado com o apelido, mas o Dipper Pines do oitavo ano apenas riu e Finn riu também, e eu fiquei feliz por nossa amizade não ter ficado esquisita depois disso.

Bill está meio que sendo o que Finn seria se ele estivesse aqui comigo.

Finn foi o grandioso fundador da lei-da-boca-fechada, e agora estou seriamente pensando em construir um templo para pedir desculpas à ele todas as vezes que eu a infringisse.

O grande problema que estou enfrentando aqui é que além de eu ter cometido um erro terrível não calando a boca, eu também estou jogando bosta no ventilador como sempre faço, e acabo me sujando com isso. E claro, Gideon está assistindo tudo isso acontecer em cima de um palanque decorado com bandeirinhas dizendo que ele é um escroto e não dá a mínima para isso. Uma legítima prova do universo que estou pagando pelos meus pecados. Agora, estando sujo de merda depois de Bill ter me dito que hoje mataria a aula com o grupo de música só para me ensinar a tocar violão, o universo diz que isso não é o suficiente e manda Pacífica Northwest aparecer ao lado de Mabel jogando terra na minha cabeça. 

— Eu vi o que tem dentro do seu armário. — Ela diz.

Então eu dou uma última olhada na porta do meu armário, onde tem uma foto de Finn, Wirt e Beatrice me olhando em uma praia de Piedmont, antes de fechá-la com uma força razoável. Suspiro, como se não me importasse. 

— Legal.

— Você é um merda, cara. — Solta. Por incrível que pareça, Mabel não está nem um pouco afetada com isso.

Pacífica está rodeada de garotas que, tenho certeza, são pagas para ficarem ao lado dela. Essas garotas servem para serem muralhas e para idolatrá-la com milhares de elogios todos os dias, deixando-a convencida de que elas tiraram a terra que outras pessoas — provavelmente seus pais — jogaram na cabeça dela. Então ela pode se sentir limpa de novo, purificada.

Eu olho para uma das garotas, que está me dizendo apenas com o olhar que minha existência é um grande erro na humanidade, e eu a perdoo por isso.

— Minha gratidão nesse momento é incomensurável. Você deveria me dizer isso todos os dias, então eu jamais me esqueceria. — Retruco.

— Pacífica só está brincando. — Mabel sorri. — Ela gosta muito de você.

— Nossa, obrigado. Dá pra ver muito bem.

A muralha envolve Pacífica novamente, porque elas vêem Marvin Cooper passar pelos corredores, e quando Marvin Cooper passa pelos corredores elas têm a santa obrigação de implicar com o pobre garoto. E isso, infelizmente, é algo em que eu não posso interferir. Não posso simplesmente chegar enquanto elas fazem piada do sotaque eslováquio dele e dizer: "deixem Marvin em paz.", porque eu estaria infringindo a lei-da-boca-fechada e isso daria merda para nós dois. Mabel e eu damos as costas e vamos numa direção oposta da muralha de Pacífica, que agora se transformou numa espécie de alcateia de lobos cercando Marvin, a vítima.

Estamos no horário reservado para a prática de atividades extracurriculares. Depois de deixar Mabel no auditório, eu espero quinze minutos para poder, de fato, ir até a sala do grupo de música. Apenas assim eu teria certeza de que todos já entraram, e quando digo todos, me refiro à Gideon. Quando chego lá, Bill está sentado no chão e dedilhando as cordas do seu violão. Os olhos estão fechados, sua expressão é neutra e posso ver a maneira como os seus ombros ficam relaxados enquanto ele cantarola baixinho. Meu peito parece ter sido apertado por um espartilho quando eu o vejo abrir os olhos e sorrir. 

— Você está aqui. — Bill se levanta e tenho vontade de abraçá-lo.

— Estou aqui. — Dou um sorriso amarelo. — Sinto muito por fazer você matar a aula agora. Você não precisava fazer isso.

— Eu poderia até considerar isso, mas se eu entrasse nessa sala e desse uma desculpa genérica do tipo: "ah, não! Tive um surto de diarréia e precisei usar o banheiro nessas últimas duas horas, então isso explica meu atraso", com certeza arruinaria minha reputação e minhas chances com as damas.

Sorrio.

— Não acredito que você acabou de chamar as garotas de damas em pleno século 21.

— Isso não se aplica somente às garotas.

Faço uma careta.

.— Tudo bem, agora eu não acredito que você chamou os garotos de damas.

Bill apenas levanta e dá de ombros. Sou guiado por ele até o andar de baixo. Mais precisamente, para baixo das escadas, onde é um lugar estranhamente aconchegante. Me lembro que depois das aulas Mabel, Finn e eu costumávamos nos sentar em baixo das escadas, íamos para o lugar mais escuro e brincávamos de "eu vejo com os meus olhinhos". Eram sempre aranhas ou a cueca de Finn, o que víamos com os "nossos olhinhos". Sinto uma pontada de tristeza por ter percebido que nunca mais faríamos isso, o que é uma merda. Começo a sentir como se tivesse engolido pedras e, droga, elas estão pesando no meu estômago agora mesmo. Estou sentindo as malditas pedras.

Bill senta-se no chão empoeirado e eu faço o mesmo. Ele junta as mãos e as esfrega uma na outra. 

— Bem-vindo a primeira aula de violão com o professor mais gostoso de toda a Califórnia. — Ele diz.

É impossível discordar.

— Estou muito feliz de estar aqui.

Ele comprime os lábios, como se pensasse no que poderia dizer, mas apenas pega com cuidado o corpo e o braço do seu violão preto com as duas mãos.

— Vou começar lhe mostrando a diferença entre acordes e notas isoladas.

Engulo em seco.

— Está bem.

— Os acordes acontecem quando você toca duas ou mais notas em cordas diferentes. Isso feito ao mesmo tempo, deixando o som sair de forma simultânea. Notas isoladas existem quando você toca uma nota por vez.

Então ele dedilha o instrumento e dá exemplos de acordes e notas isoladas. Não parece ser tão terrivelmente difícil. Bill continua me explicando, mostrando como deve ser feita a execução de acordes abertos e o posicionamento correto dos dedos, além de mais uma sequência de acordes. Em seguida, ele me mostra uma sequência de tablaturas e explica que fazer o uso delas é mais simples do que ler partituras; coisa que, com certeza, eu jamais conseguiria fazer. Lidas da esquerda para a direita, tablaturas possuem seis linhas que representam as cordas, juntamente aos números que denominam onde os dedos devem ser colocados.

Quando Bill me entrega o seu violão para que eu pudesse tentar, fico com medo de estragar tudo. Tudo bem, aqui vamos nós. A possibilidade de que Bill perceba que sou uma piada é de 99,9% no momento, e provavelmente o pico será atingido quando ele suspirar e desistir de me ajudar.

É apenas uma teoria.

Seguro o instrumento cuidadosamente, e tento copiar os seus movimentos iniciais. O resultado são um bando de notas desafinadas, como era de se esperar. Mas Bill não diz que sou um desastre. Ele sorri, toca meu ombro e, finalmente, me dá um beijo. Sinto as pedras no meu estômago se transformarem em borboletas. Elas estão se alastrando pelo meu corpo e trazendo um formigamento em meu peito.

— Agora, tente de novo. — Ele fala, separando a boca da minha.

Meus dedos passam novamente pelas cordas. Chego à conclusão de que o grupo de música está muito, muito fodido se eu estiver lá, o que significa dizer que estou muito, muito fodido também. Isso é ruim.

— Isto está péssimo. — Resmungo — Como isso vai se transformar na nona sinfonia de Beethoven em três meses?

— Não precisa se sentir pressionado. — Bill diz calmamente. — E isso pode se transformar na nona sinfonia de Beethoven em algumas semanas. Você não parece ter muita dificuldade em dedilhar as cordas. Em nenhum momento o som saiu abafado ou se tornou em um zunido.

— Sorte de principiante. — Retruco. Devolvo o seu violão e escutamos o sinal tocar. 

Antes que eu possa me levantar sinto seus dedos contornarem minha cintura e sou empurrado contra a parede. A superfície é fria, mas tudo dentro de mim está em chamas. Preciso dele. Envolvo seu pescoço com os meus braços e sinto sua língua adentrar minha boca, tocar a minha, e explorar minha cavidade, enquanto faço os mesmos movimentos. Sinto seu peito encostar no meu, a respiração falhando e as mãos passeando pelo meu corpo como se aquilo fosse uma enorme necessidade. Seu joelho me toca entre as pernas e solto um gemido dentro da sua boca. Imediatamente me afasto e coloco os dedos por cima dos meus lábios. Controle-se, porra.

Droga.

— Você... — Procuro as palavras certas, mas tudo o que consigo encontrar é uma enorme bagunça em meu cérebro. — Não podemos ser pegos aqui dentro.

— Desculpe. — Ele encosta a testa na minha e suspira. Eu lhe dou um selinho.

— Preciso encontrar Mabel.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Bastou Mabel seguir o caminho da Monterey Boulevard e virar na San Jose Avenue para que eu percebesse que não estávamos indo para casa. Outros quinze minutos se passaram para que eu também percebesse estávamos no bairro Castro; quando pude ver a bandeira do orgulho gay hasteada para o alto, movimentando-se com o vento. O que diabos viemos fazer no bairro mais gay do mundo?

— Para onde estamos indo? — Indago.

Coloco a cabeça para fora da janela e vejo um grupo de pessoas atravessando a rua por cima da faixa de pedestres, que é colorida com as cores do arco-íris. Todos usam roupas extravagantes e falam extremamente alto, como se o mundo inteiro quisesse saber que "Greg Petterson fez um boquete em Luke Tucker". Um dos garotos do grupo me vê e dá uma piscadela. Repuxo o nariz e me viro novamente para Mabel, que não me deu uma resposta. Belisco o seu pulso, mas isso não surte efeito algum. Não é como se eu deixasse as minhas unhas crescerem pontudas como as da Lady Gaga ou qualquer outra merda. Ao menos, valeu a tentativa.

— Para onde estamos indo? — Questiono novamente, dessa vez um pouco mais alto.

— Achei que fosse o cara inteligente. Estamos no bairro Castro. Não sabe mesmo para onde estamos indo?

— Não me diga que é num bar gay.

Eu me lembro de ter visto como é um bar gay em um filme. Mabel e Wirt estavam comigo, e Finn estava doente. Mesmo assim, fiz questão de contar à ele todos os mínimos detalhes. Que haviam muitos homens se beijando, do karaokê em que a maioria dos caras cantavam semi-nus, dos caras que apareciam do seu lado e davam um sorriso misterioso e convidativo. Finn fez um comentário sábio sobre, se eu fosse para um desses algum dia, nunca observar o traseiro de um dos caras que cantam semi-nus no karaokê. Eu concordei.

— Hã..não. — Mabel me olha e sorri. 

Deixo uma interrogação estampada no rosto, que desaparece cerca de cinco minutos depois, quando ela estaciona em frente à uma loja cuja placa com luzes de neon a intitula como Cliff's Variety. Minha irmã não demorou muito para que saísse do carro e começasse a me puxar com sua incessante insistência. Nós entramos na loja e o frio do climatizador atinge meu rosto. Mabel passa para uma sessão de camisetas e camisolas com frases do tipo: "Antes de amar os outros, ame à si mesmo"; "Amo meu filho gay"; "Minha filha beija meninas e eu não me importo"; "Amor é amor", e por aí vai. Ela pega uma das blusas e, em suas mãos, me transformo em um manequim. Ela vai as segurando pelo cabide e estendendo sobre meu peito, coisa que mamãe fazia comigo sempre que íamos ao shopping.

— Essa é perfeita! — Mabel diz, depois de estender uma blusa branca com a bandeira do orgulho gay no centro. Há uma frase abaixo da imagem: "Orgulho". — Vou levar para você.

— Legal. Obrigado.

— Vou procurar alguma coisa para mim. 

Eu a vejo se distanciar com a blusa em mãos, e eu faço o mesmo. Dou a volta pela loja e vejo a imagem mais espantosa do ano: Uma mesa dedicada à mini-esculturas de pênis que possuem um rosto estampado. Ao fundo, há uma imagem fotografada do céu e existem outras genitálias masculinas presas por um fio de náilon transparente, como se eles estivessem flutuando como se fossem pênis divinos. Existe uma prateleira que pouco a pouco vai ficando mais alta e, no topo dela, existem quatro genitálias formando um círculo que envolve uma pequena bandeira do orgulho gay. Fico imaginando qual seria a reação dos meus amigos de Piedmont à esse tipo de coisa.

A maneira como essas mini-esculturas sorriem é estranhamente engraçada. É como se estivessem comunicando umas às outras: "eu sou o pau mais sorridente dessa cidade". Todas elas possuem uma cor diferente da outra. Com minha visão periférica, consigo ver Mabel pegar uma das mini-esculturas de genitálias. Ela gira o objeto nas mãos e sorri.

— Acho que a de Bill é dessa cor.

O ar fica preso em meus pulmões. Engasgo com minha própria respiração, se é que isso é possível.

O sangue está fluindo para meu rosto.

— Não diga essas merdas. — Desvio o olhar para o chão. — Já conseguiu achar alguma coisa interessante?

Ela levanta duas sacolas com as mãos. Óculos, canecas e uma coroa de flores falsas.

— Várias coisas interessantes, cara.

Nós fomos ao caixa e pagamos pelas várias coisas interessantes, então voltamos para o carro. Mabel senta no banco de motorista e eu, no banco de trás. Ela joga a sacola com minha blusa nova em meu rosto e murmuro um "obrigado". Troco de blusa enquanto ela dá a partida e pisa fundo na Castro Street, ligando o rádio que transmite "Love me do", dos Beatles. Nós batemos no teto do carro e eu mostro o dedo do meio pela janela, enquanto Mabel canta, grita e ri comigo.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Mamãe e papai nos ligam pelo Skype depois do jantar, interessados no bem-estar dos filhos que, para eles, acham que a raça humana é incrível. Stan e Ford como de costume, estão sentados no sofá atrás de nós e ficamos parecendo aquelas fotos de família do Google Imagens. Mabel está puxando o elástico de uma meia suja e eu estou apertando meus joelhos. Não deixo de reparar no olhar penetrante de Stan recair sobre mim, como se ele estivesse tentando evitar que eu fizesse alguma merda usando o poder da mente, ou coisa assim. Francamente, se esse truque funcionasse meu sobrenome não seria Dipper "fodido" Pines; seria apenas Dipper Pines.

— Estamos considerando a possibilidade de irmos para São Francisco nas férias de verão. — Mamãe diz.

Ela está usando um suéter vermelho dessa vez, como se a cidade de Topeka fosse fria o dia inteiro. Os cabelos estão soltos em cachos ondulados e papai está segurando uma caneca de café ao seu lado. Eles parecem felizes. Eles sempre parecem felizes.

— Legal. — Mabel leva uma batata Pringles à boca e dá uma golada em sua latinha de Pitt Cola. — Seria divertido se vocês viessem.

— É.

Não tenho muito o que falar com eles. Não é como se eles se importassem muito com isso também, afinal, eu sempre fui a pior pessoa com diálogos; mesmo que fossem com os meus próprios pais. Então eu apenas respondo "é" e fica tudo bem.

Mabel começa um falatório sobre o grupo de teatro e nossos pais perguntam sobre Pacífica, e Mabel e eu ficamos assustados. Achei que eles nem lembrassem desse tipo de coisa, mas na nossa última conversa que tivemos com os dois Mabel parecia tão feliz em falar sobre Northwest que eles devem tê-la associado como uma melhor amiga, não sei. Eu a vejo começar a falar sobre a patricinha-atiradora-de-terra em meio a sorrisos constrangidos e mamãe discretamente vai desviando o olhar para mim. Ela parece estática agora.

— Dipper, eu.. — Começa, atraindo a atenção de papai para mim, que agora está franzindo a testa. — ...sua blusa.

Minha blusa.

Como pude me esquecer?

A blusa malditamente gay que vesti no carro e que estupidamente esqueci de trocar quando chegamos em casa.

Isso é ruim de tantas formas...

Preciso soltar um palavrão. 

— Legal, não é? — Mabel aparece na minha frente, escondendo a estampa da minha blusa com os próprios cabelos longos. — Compramos em uma loja no bairro Castro. É para uma parada gay que vai haver aqui daqui a cinco meses!

— Ah... — Meu pai olha para minha mãe e os dois comprimem os lábios. 

— Isso pode ser um problema. — Mamãe diz, olhando para Mabel. Mas sei que ela está falando comigo.

A nuvem de constrangimento pairando sobre nós é palpável, assim como o meu desespero e minha vontade de desaparecer. Por favor, por favor, faça com que uma chuva de meteoros atravesse a atmosfera da terra e que um dos meteoros atinja o laptop para que possamos respirar ar fresco novamente. Vamos, vamos. Por favor. Meteoros, meteoros, meteoros. Agora, agora.Vamos.  

Stan levanta do sofá. Ele não está mais sorrindo como um manequim. 

— Sabem como Mabel gosta dessas coisas. — Ele diz, fungando e limpando o nariz com as costas da mão.

— Eu meio que vou ser arrastado para isso. — Minto. Olho para Stan e vejo os cantos dos seus lábios ressecados tremularem. Ele estava mesmo achando isso engraçado? — Mas preciso estar de acordo com as circunstâncias.

Nossos pais se entreolham mais uma vez e suspiram aliviados. Eles estão aliviados por eu não ter me assumido gay. Por que isso está acontecendo? É como se a realidade tivesse acabado de me dar um beliscão. Estou aqui, estou acordado. E o maldito beliscão dói e formiga, e está se espalhando pela minha pele como se fosse fogo se alastrando sobre gasolina.

— Nós gostaríamos de ficar um pouco mais...

— Mas temos que resolver alguns problemas pendentes. — Papai completa. 

— Tudo bem. — Mabel e eu falamos em uníssono.

— Não se esqueçam de escovar os dentes. — Mamãe diz. — Amamos vocês.

A tela fica preta e sequer temos a chance de nos despedirmos deles. Tenho certeza de que, nesse momento, eles devem estar discutindo sobre o quão preocupante a minha situação deve ser agora, como se beijar garotos fosse a mesma coisa que beijar o diabo. Saio da sala pisando forte, sem dar uma palavra. Mabel vem no meu encalço segurando um tubo de Pringles. Entro no quarto e afundo o rosto no travesseiro, sentindo uma ardência tomar conta dos meus olhos. Tudo está tão assustador agora. Ver minha mãe com aquela expressão fez meu peito doer. 

— Dipper? — Mabel está sentada ao meu lado agora. Sua mão repousa sobre meu ombro. É um toque firme, como se ela mostrasse que realmente se importa.

— Mas que bosta, Mabel. — Murmuro, minha voz sai abafada por causa do travesseiro. — Merda. Eu sou um idiota por ter feito a  mamãe se sentir daquele jeito.

Ela se deita ao meu lado. 

— Fale com Bill amanhã. Ele sempre sabe o que fazer, não sabe? 

A resposta sai ríspida e seca. Não gosto disso. 

Mesmo assim, aceno de leve com a cabeça e ela diz "ótimo" bem baixinho, perto do meu ouvido. 

— Pare de se culpar.

Eu dou de ombros.

— Pare de se culpar.  — Mabel insiste, emanando preocupação com o olhar.

— Certo.

— Maravilha. — Ela se levanta e beija minha testa. — Agora descanse e tenha sonhos eróticos com Bill ou com a bunda de Wirt.

Eu prefiro a primeira opção.

Quando Mabel sai, as minhas lágrimas também saem. Tudo sai. E é doloroso.

Queria estar em Piedmont.

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


END! :D
Eu sinceramente não sei o que falar aqui. Apenas espero de coração que tenham gostado desse capítulo.
Ah, e sobre os pênis na cliff's variety, eles existem mesmo. Sério :v

Link da imagem:
https://sanfrancisco.gaycities.com/shops/100003-cliffs-variety/photos/26

Desculpem qualquer erro. Estou sempre aberta à críticas!
Até o próximo capítulo, beijão!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...