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História Melodrama - Muke - Capítulo 6


Escrita por: V0YAGER

Capítulo 6 - (R)ay


 Ray e o incidente não é comentado por eles.

Michael sabe que, no tempo relativamente curto que ele conhece Luke, ele usou muitas das suas segundas chances.

Ele não as contou, e ele não sabe se há um número definido de chances que Luke está disposto a dá-lo, mas ele acha que deve ter acabado. Durante seus momentos mais chatos de melancolia e do vício, ele sente que esta será a ultima vez.

 Luke nem sempre quer conversar e Mike nem sempre consegue fazer Luke querer falar. Em vez disso, eles fazem a única coisa que eles realmente sabem fazer. Eles fecharam as fendas entre eles com a música, se sufocando com melodias e letras impregnadas de autojustiça passiva-agressiva, amarguradas e mal-entendidas relegados a explosões de três minutos e meio ou menos que isso.

 Esta noite Mike conseguiu convencer Luke a começar a escrever algumas músicas novamente. Eles foram escrevendo minuciosamente toda a noite através de semanas de notas rabiscadas em pedaços de papel para fora, encadernados em cadernos e dobrados em seus estojos do violão.

 Luke não disse nada sobre o incidente. Os olhares murchos, cheios de repugnância, que ele lança em Michael, diz bem o que Luke sente, mas ele não permitirá que Michael fale sobre o assunto, nem se defenda, nem se desculpe. Empurrando os pés em vez de um obstáculo para o impasse.

 A música que eles estão tentando escrever é espiada, cheia de bordas quebradas, como uma garrafa de cerveja quebrada em uma briga de bar, e Mike sente que ela corta sua pele, porque ele sabe que é sobre ele. A beligerância nos olhares de Luke e o amargo de suas palavras murmuradas são suficientes para causar sérios danos.

 Luke coloca um cigarro entre seus lábios, não comunicativo, mudo, e Mike encontra seus dedos pruridos por algo para lidar com o que está acontecendo entre eles. Um cigarro, uma música, uma briga, ele não sabe muito bem. Ele quer continuar escrevendo. Ele precisa de mais para beber ou para se drogar. Ele quer que Luke pare de ser um bastardo mal-humorado e faça algo que não esteja envolto em ressentimento insensível. Fale com ele. Grite com ele. Bata nele. Qualquer coisa.

— Me da um pouco. — diz Mike, no silêncio tenso.

— O que?

— Cigarro. — Mike segura a mão e flexiona os dedos com expectativa sinalizando o cigarro nos dedos de Luke. 

— Vai pegar um para você.  — diz Luke. Ele cavou no bolso, procurando por seu isqueiro.

— Ah, foda-se então. — Michael ergue-se. O sangue corre para sua cabeça, fazendo seus olhos nadarem por um segundo. Ele tropeça em direção a Luke, os músculos trêmulos e formigando depois de ter as pernas cruzadas nos lençóis por tanto tempo.

— O que você está fazendo? — Luke perguntou, zombando de riso em sua voz enquanto ele observa Mike virar para o sofá onde Luke está sentado, como um caminhante de corda bamba. Seu riso para abruptamente quando, parado na frente dele, Mike puxa o cigarro diretamente de seus lábios. — Ei! Devolva! Você é um merda! 

— Venha pegar. — diz Mike, de forma infantil, segurando o cigarro fora do alcance. Ele e todos os membros longos, a cabeça e os ombros acima da altura compacta de Luke, e até mesmo instável em seus pés bêbados, ele mantém o braço erguido e provocador, é muito alto para Luke.

Idiota. —  murmura, mas ele não faz a si mesmo a indignidade de saltar por isso, caindo mais no sofá.

— Vai. — Mike acenando o cigarro diante do rosto cada vez mais enfurecido de Luke. — Você não quer isso?

— Michael... — diz Luke, sua voz é um aviso.

— Luke. — Mike repete, zombando. E então, segurando o cigarro vagamente entre um polegar e indicador, ele bate o cigarro no rosto de Luke.

 Com uma súbita e furiosa onda de movimento, Luke avança para frente, atacando Mike na cintura, o jogando para trás e sem fôlego no outro velho sofá.

— Certo, seu merda. — diz Mike com um suspiro, enquanto Luke torcia seus braços para ficar no controle. Eles beberam quase tudo o que ficou no chão durante a festa passada, as garrafas de vinho tinto quente, restos esquecidos de whisky, gin polvoroso e ele sente que agora isso está espalhando no estômago em um estímulo nervoso. — Luke! Luke, que merda, pare com isso! Pare com isso!

 Luke para, os joelhos inclinam-se sobre a cintura de Mike, um olhar de triunfo sombrio sobre ele. Ele puxa Mike com dificuldade para pegar o cigarro de volta e coloca-lo na boca, mas, chato e desgastante da bebida, Michael balança e cai no chão junto com Luke.

— Merda. — diz Luke. — Você me fez fazer isso.

— Bandeira branca, agora. — responde Mike, e ele ainda não recuperou a respiração.

 Luke está olhando para ele, cabelos caídos e suaves ao redor de seu rosto. Michael olha de volta e ele sente que seu sangue está borbulhando sob o olhar de Luke.

  Ele se inclina sobre os cotovelos e beija Luke nos lábios se atrapalhando com o cigarro no meio deles.

  Luke congela lá e Mike pode ouvi-lo respirar superficialmente na garganta, um barulho esfarrapado que soa atado e incerto. Michael não tem certeza se ele quer que Luke o beije de volta, ou se ele está tentando provocar Luke em uma briga de alguma forma, mas ele sabe que algo ele ira fazer.

  Michael leva a mão para o pescoço de Luke, pegajoso e quente com o suor apesar do frio da sala, esfregando os dedos nos cabelos em sua nuca. Com um movimento suavemente encorajador, ele inclina o rosto de Luke para o lado para que suas bocas se juntem melhor e sem o cigarro atrapalhando, e ele ouve a inalação aguda de Luke quando a língua de Mike toca seus lábios.

  Luke se afasta com um idiota.

— Luke. — Mike ergueu a cabeça para sentar, forçando Luke a recostar-se, sentado nas coxas de Mike.

— O que você está fazendo? — O rosto de Luke está embaçado. Há algum dano em seus olhos, por algum motivo, ou talvez seja a combinação de álcool, dando-lhe essa expressão triste e de cachorro abandonado.

 Mike realmente não sabe como responder a isso, então em vez disso ele diz: 

— Me desculpe por Ray.

  Luke pisca e olha fixamente para o rosto de Mike. Então, seu rosto endurece. 

— Você não está falando isso. — responde desacreditado.

 Mike inclinou-se para a frente, e sua mão serpenteava no colar da camiseta de Luke, agarrando um punhado do material esticado. 

— Estou. — ele diz com sinceridade juntando suas testas, embora ele saiba que ele é mais sorrateiro por Luke estar bravo, do que pelo fato de ele fazer algo de que ele não tem nenhuma lembrança. —  Por favor. Eu estava fora de mim, não estava? Eu usei heroína de novo, me desculpe eu... nem consigo lembrar...

 Luke pega a mão de Mike e tira-a da camisa, mas Mike a recupera recolocando-a em sua cintura. Seu rosto está arruinado, como se ele estivesse realmente chateado por trás da rígida desaprovação. 

— Você não pode simplesmente me dizer que foi ela que fez isso.

— Eu não disse exatamente...

— Você disse exatamente.

— Eu falei que estava arrependido.

Porra nenhuma. — Luke diz com raiva olhando em seus olhos, o azul frio e lacrimejante. — Você não se arrepende. Eu me declarei pra você e você fez isso. — Michael tem flashes rápidos dos dois no banheiro, Luke surrando algo doce em seu ouvindo enquanto depositava beijos em seu pescoço. 

— Luke eu não me lembro. —  Michael se inclina para frente.

— E o que você está... — Luke se afasta enquanto Mike tenta colocar a mão no seu pescoço. — O que... por que você continua fazendo isso?

 Mike não sabe por que ele continua fazendo isso, puxando Luke, querendo-o perto, deixando todos os piores impulsos do ciúme e da possessão emaranhar suas ações. Luke é tudo para ele, e toda vez que ele vê uma rachadura, ele coloca seus dedos desesperados e não vê o dano até que ele se afasta com sangue debaixo das unhas.

 Ele quer beijar Luke como se fosse uma garota, um amante, alguém com quem ele estivesse apaixonado, alguém que estava zangado com ele, acalme-o, desculpe-se, usasse ações quando ele não conseguisse encontrar as palavras.

 Luke é a pessoa que o conhece melhor. Ele deveria entender, mesmo que Mike não entende.

 Mike agarra Luke novamente enquanto Luke se afasta de ele, o impulso leva Luke para a frente com mais força do que Mike quisera, golpeando o nariz um contra o outro, amassando suas bocas juntas em um doloroso choque de dentes e dividindo os lábios.

 Ele só tem um momento para registrar a dor inesperada, antes de Luke de repente se afastar dele sentindo choque agudo quando Luke lhe bate no rosto.

— O que há de errado com você? — Luke diz, furiosamente, arrastando sua mão limpando sua boca, olhando para Michael. — Porra. Eu vou sair. — ele gira o calcanhar e tropeça furiosamente pela porta, deixando-a aberta atrás dele.

 Por sua vez, tudo parece curioso. Os sons da cidade estão abafados e ainda assim, sem passos pesados ​​dos vizinhos ou assoalhos arrumados e janelas chatas ele ainda escuta as palavras de Luke. Michael esfrega o rosto dele, lambendo os lábios e saboreando sangue.


Notas Finais


:)


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