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História Memento mori - Capítulo 3


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Notas do Autor


Prazer, eu sou a Kit!

Capítulo 3 - Chapter III


Fanfic / Fanfiction Memento mori - Capítulo 3 - Chapter III

Vi um cavalo preto. O que estava montado nele tinha uma balança na mão. Ouvi o que parecia ser uma voz no meio das quatro criaturas viventes, dizendo: ‘Um litro de trigo por um denário e três litros de cevada por um denário. E não faça dano ao azeite e ao vinho.” — Apocalipse 6:5, 6.


 

Alguns dias depois 

 

“Eu me chamo Gong Yong-Nam, estou gravando esse vídeo para dizer que pequei. Eu sou culpado, matei e violei pessoas de maneiras inimagináveis. Não há dúvidas de que eu sou um monstro e mereço ser punido. Eu mereço sofrer”. 

 

Jeongguk já assistiu aquele vídeo uma centenas de vezes. Não havia somente a confissão de Gong Yong-Nam, os outros três que foram encontrados mortos também haviam confessado todos os seus crimes, admitiram ter feitos coisas horríveis e nem sequer sabiam os nomes das pessoas que tiraram a vida. O policial acaba perdendo a noção do tempo e nem por um momento conseguiu interromper o seu raciocínio para observar pela janela e só assim notar que já está escuro lá fora.

 

No dia em que descobriu outros três corpos, entrou em contato com o delegado Kim que mandou a equipe que havia disponibilizado para o detetive Jeon até a residência de Gong Yong-Nam. Passaram horas naquele local, recolheram todas as pistas e neste momento todas elas se encontram sobre a mesa do mestiço. Ele que, por sua vez, já designou tarefas para toda a equipe. Jeongguk não é o único que está trabalhando naquela delegacia. 

 

Os Arquivos que foram encontrados naquele porão continham informações valiosas. Gong Yong-Nam e os outros três sujeitos estavam envolvidos em assassinatos absurdos e faziam questão de fotografar suas vítimas, provavelmente para se recordar mais tarde do que haviam feito com cada uma delas. Essas fotos horripilantes estão sobre a mesa do policial, que está quase memorizando cada uma delas de tanto que as observa para absorver todos os detalhes possíveis, provavelmente isso traria pesadelos para qualquer um, no entanto Jeongguk está acostumado a se deparar com bizarrices. Além disso, sobre a sua enorme mesa de madeira também há o arquivo sobre o caso que o detetive Kim não foi capaz de solucionar. Bom, agora ele está solucionado e todos os culpados estão mortos. 

 

O detetive Jeon levanta de sua cadeira de couro, caminha até um enorme quadro que foi providenciado durante aquela tarde quando havia voltado da casa de Gong Yong-Nam, para que ele colocasse todos suas ideias, suspeitas e provas. Deste modo, consegue organizar melhor seus pensamentos e, também, é dessa maneira que ele prefere pensar. Jeongguk gosta de visualizar toda a informação, porque assim tudo fica mais claro e não deixa nenhum detalhe escapar. 

 

Pega seu maço de cigarros que está em cima de uma pasta em um canto da mesa, saca o isqueiro do bolso, retira apenas um cigarro e acende, jogando ambos de qualquer jeito sobre a mesa. Dá uma longa tragada para aliviar todo o estresse. Suas têmporas estão começando a latejar, provavelmente por excesso de leitura. 

 

Existem quatro nomes nesse quadro, e ambos se conheciam tão bem que cometiam crimes macabros juntos. Jeongguk já havia interrogado os familiares das vítimas, a maioria alegaram que não tinham conhecimentos sobre os atos de seus parentes mortos e ofereceram à polícia alguns nomes de possíveis suspeitos, pessoas que têm motivos para querer a morte dos sujeitos. O pensamento do investigador, para ser bem sincero, é de que qualquer pessoa com conhecimento sobre o que aqueles homens faziam, iriam desejar que eles estivessem mortos e isso complica um pouco a situação do investigador, pois qualquer um pode ter o nome na lista de suspeitos. 

 

Os olhos do mestiço são semicerrados assim que lê a frase que encontra-se no meio do quadro. Seja quem for que explodiu Gong Yong-Nam e assassinou os outros três indivíduos, deixou esse recado na parede. Essa foi a única mensagem que ele mandou até agora e não demorou para que Jeongguk descobrisse sobre o que se tratava. Dá mais uma longa tragada em seu cigarro, liberando a fumaça devagar, e permite fechar os olhos por alguns segundos.

 

Fazem alguns dias que o moreno não tem uma verdadeira noite de sono. Não que antes ele tivesse, mas conseguia dormir pelo menos por poucas horas; entretanto, agora, nem isso ele consegue mais. 

 

Batidas sutis foram ouvidas e Jeongguk abre seus olhos e vira seu rosto na direção da porta. 

 

— Pode entrar — disse Jeon, brincando com o cigarro entre os seus dedos. 

 

Jimin adentra em seu escritório segurando três pastas, que no momento é tudo que o policial menos deseja, mais relatórios para ler. 

 

— Detetive, eu trouxe os relatórios das autópsias que eu realizei — profere o doutor com um pequeno sorriso nos lábios. 

 

Faz tempo que ambos não se encontram, já que Jeongguk praticamente não abandona seu escritório e quando sai está na sala de interrogatório. Jimin, por sua vez, ficou responsável por três autópsias e depois ainda teve que realizar três relatórios, pontuando cada detalhe do que havia feito e descoberto. 

 

— Quer encontrar um espaço na minha mesa para deixá-los? — questiona o detetive, levando o cigarro até os lábios mais uma vez, puxou a fumaça tóxica para os seus pulmões e depois de um breve instante, liberto-às pelos lábios levemente semicerrados. — Fale comigo, doutor. 

 

É a segunda vez que Jeongguk prefere escutar Jimin e ignorar seus relatórios. Entretanto, isso não incomoda o americano, ele gosta de falar com o policial. 

 

— Como queira, vamos conversar, mas antes sua sala precisa de um pouco de oxigênio. 

 

Jimin caminha até a janela e a abre, dando passagem para um vento gélido que invade o local, o cheiro do cigarro o incomoda bastante e está impregnado por todo o ambiente, isso é desagradável. Faz o caminho de volta e se senta em uma das cadeiras de frente para a mesa marrom do investigador, coloca sobre o assento ao seu lado seus relatórios. 

 

— O que você tem para mim? — pergunta o mestiço sem tirar os olhos do quadro. 

 

— Vou passar as informações de formas resumidas, se você quiser maiores detalhes terá que ler meus relatórios. — Jimin cruza os braços na frente do peito, observando Jeongguk. 

 

— Parece que não terei como fugir dos seus relatórios — disse Jeongguk, voltando seu olhar para o loiro. 

 

— Infelizmente. — Jimin arqueia uma de suas sobrancelhas, ele quer que o detetive leia seus relatórios, precisa saber se está fazendo tudo certo, afinal está nesse estágio para aprender. — Os quatros homens contando com Gong Yong-Nam, estavam de maneiras semelhantes, os exames apontaram para uma desidratação e desnutrição severas, tirando Gong que morreu por conta dos ferimentos causados pela bomba, os outros três morreram de inanição. 

 

— É claro, está maldita frase faz sentido agora — pronuncia o policial e volta a fitar o quadro. 

 

Jimin leva seu olhar na mesma direção que o do detetive foi lançado e reconhece de imediato a frase, ela estava escrita na parede da resistência de Gong Yong-Nam, inclusive foi o Park quem leu primeiro. Jeongguk apaga o cigarro em seu enorme cinzeiro de vidro, pega sobre a mesa um bloco de post it, junto a uma caneta e escreveu a palavra fome, caminha até o quadro e coloca em cima da fotografia dos corpos encontrado no porão. 

 

— A frase que você encontrou no porão é uma passagem bíblica, o livro do Apocalipse, para ser mais exato. — Jeongguk se vira para o doutor, caminha em sua direção e encosta na mesa de frente para a poltrona que o americano está. — Nessa passagem são citados os cavalheiros do Apocalipse. 

 

Jimin está prestando total atenção no homem que agora está na sua frente, inconscientemente o doutor Park morde seu lábio inferior e franziu seu cenho quando percebe que não tem conhecimento sobre esse assunto, o loiro odeia se sentir leigo sobre qualquer tópico, mas quando se trata de assuntos religiosos, Jimin sem dúvida é um leigo. 

 

— Quem são esses cavalheiros? — O médico não consegue esconder seu tom curioso, então se ele não quer realmente parecer com um ignorante, falhou miseravelmente.  

 

— Os quatro cavaleiros do Apocalipse são Peste, Guerra, Fome e Morte. — Jeon umedece seus lábios com a língua. — Esse foi o primeiro. — O detetive aponta para o quadro. — A fome, mas depois que eu li com atenção a passagem bíblica, notei que não estão seguindo uma ordem cronológica. 

 

— Quais são os intuitos dos cavalheiros? — Jimin nem por um momento para de fitar as orbes escuras do investigador e assim consegue ver o quanto ele parece cansado. —  Bom, acredito que eles devam ter um objetivo. 

 

— Aí está o problema, doutor. — Jeongguk balança a cabeça de um lado para o outro e assim estala seu pescoço, numa tentativa de aliviar sua tensão. — Não existe uma única interpretação, são várias. A religião ainda não conseguiu se decidir sobre eles. 

 

— Quem eram esses homens? — questiona o médico, seus lábios estão avermelhados de tanto que Jimin está os maltratando com os dentes. 

 

— Assassinos, eles mataram muita gente, eram cruéis. — Jeon liberta um suspiro pesado, ele leva uma de suas mãos até sua têmpora esquerda e começa a massagear. — Estavam desaparecidos, haviam emitido mandados para que eles fossem interrogados e devidamente investigados, entretanto quando a polícia estava perto, eles simplesmente desapareceram. 

 

— Você está fazendo isso errado, deixe-me te ajudar — disse o loiro.

 

Jimin se levanta caminha até ficar de frente para o policial. Jeongguk não compreende do que o médico está falando então continua apoiando o seu quadril em sua mesa, apenas o observa com curiosidade, porém não diz nada, deixa com que o menor ali presente, se aproxime e faça o que quiser. 

 

Jimin segura na mão fria que o detetive Jeon elevou até a sua própria têmpora e abaixa, Jeongguk apoia ambas as mãos na mesa, dando liberdade para que o loiro a sua frente faça o que ele deseja, não é do feitio de Jeongguk permitir que façam dele o que quiserem, mas sua curiosidade está falando mais alto, ele quer saber o que o estrangeiro quer contigo. Jimin encosta a ponta dos seus dedos nas laterais da cabeça do Jeongguk e começa a massagear com pressão os seus músculos temporais, a sensação que as mãos quentes do médico está lhe transmitindo é tão boa que ele se permite por um breve momento fechar os olhos. 

 

— Você só precisa fazer pressão no ponto certo, detetive. — Inclina levemente a cabeça para o lado, fitando a expressão do maior à sua frente, que agora está relaxada. 

 

Jeongguk está aproveitando a massagem que está recebendo, não é que sua dor tenha desaparecido, pelo contrário, ela ainda está bem ali, porém o médico sabe o que está fazendo, essa tal pressão no ponto certo é bom, seu corpo relaxa automaticamente, inconscientemente ele inclina seu corpo um pouco para trás, porém assim que sente um corpo encostar no seu, abre seus olhos. Devido ao último movimento do Jeon, Jimin teve que se inclinar para frente para continuar massageando o detetive, mesmo que tenha sido por pouco, isso faz com que os corpos se encontrem, ao levantar seu olhar, encontra os olhos, agora estão bem redondos, que pertencem ao detetive Jeon lhe fitando de uma maneira intensa, o que não é atípico, o policial sempre o encara dessa forma. 

 

Isso está sendo muito estranho para o médico, essa proximidade com um outro homem e maneira como estão se olhando no momento, com esse misto de sensações excêntricas, Jimin não pode evitar de corar e ele sabe que está assim porque suas bochechas esquentaram e suas orelhas provavelmente também estão avermelhadas, isso sempre acontece quando ele está tímido, que inferno, não conseguia nem disfarçar.

 

 Antes que o incômodo no interior do doutor Park aumentasse, ele se afastou do investigador. 

 

— Você está frio, é bem provável que esteja com a pressão baixa, aconselho que você coma alguma coisa saudável. — Jimin caminha de volta para cadeira que estava e se senta novamente. 

 

— Certo, eu faria o possível para seguir o seu conselho. — Jeon endireita o seu corpo, voltando a sua postura ereta. 

 

— Para manter uma mente brilhante, deve se ter um corpo saudável. — O doutor Park retira o seu iPhone do bolso e olha que horas são. — Acabei me perdendo no tempo no meio de tantos relatórios. 

 

— Já está na hora de ir, doutor. — Jeongguk olha a hora em seu relógio de pulso, vai até a sua mesa e começa organizá-la. — Parece que ambos nos perdemos no tempo. 

 

— Vou deixá-lo se organizar para ir para casa, você precisa descansar, detetive — disse o americano, levanta da cadeira e começa caminhar em direção à porta. 

 

— Hey, doutor — chama Jeongguk. — Eu te dou uma carona para casa. 

 

Para Jeongguk ter companhia será ótimo, passará menos tempo pensando no que não sai da sua mente durante todo o dia, agora para Jimin, já não se sabe se será tão agradável assim, já que Jeongguk está fazendo com que o loiro sinta coisas que ele julga ser desagradáveis, por isso o doutor Park pondera se deve realmente aceitar a carona para casa. 

 

— Não quero incomodar, eu posso pegar um táxi até a minha casa —  disse o americano sem se virar para o moreno. 

 

— Jimin, não existe incômodo. — Pelo menos não para o detetive Jeon. 

 

Ao ouvir as palavras do detetive, Jimin morde seu lábio inferior, se vira para o policial, ele observa o semblante sereno que está na face de Jeongguk enquanto organiza os diversos papéis que estão sobre sua mesa. Ao se sentir observado, Jeon dirige seu olhar para o maior. 

 

— Até amanhã, Jeon. — Foi tudo que Jimin disse, antes de abandonar a sala do policial.

 

Jeongguk não consegue entender algumas atitudes vindas de Jimin, entretanto isso não o incomoda, pelo contrário, tudo que o detetive não consegue compreender o fascina, além dos assassinatos estarem assombrando seus pensamentos, será que doutor Park também está? O japonês não sabe responder.   
 

박지민

 

O vento frio balança os cabelos loiros de Jimin, ele está com seu iPhone em mãos, procurando no safari um numero para pedir um táxi para levá-lo para casa, tudo que o americano deseja é ir para sua residência e finalmente ter o seu merecido descanso. O som da porta da entrada da delegacia sendo aberta, fez com que Jimin elevasse o seu olhar em direção a mesma, o detetive Jeon sai apressadamente em direção ao estacionamento, como costumeiro está com um cigarro entre seus dedos, seu sobretudo negro se movimenta como uma capa, já que o mesmo não está fechado, não demora para Jeongguk desaparecer na escuridão da noite. 

 

Olhos curiosos observam o doutor Park, ao se virar Jimin nota a presença do doutor Kim, e não é só isso que ele observa no maior ao seu lado, ele tem um sorriso nos lábios, porém esse é  diferente dos outros sorrisos que Namjoon tem o costume de lhe dar, esse tem um toque de malícia. 

 

— Doutor Kim, não havia percebido a sua presença —  indaga Jimin, coça a nuca para disfarçar seu constrangimento por não ter dado atenção ao seu superior. 

 

—  Não mesmo, eu te fiz uma pergunta, mas a sua atenção pertencia ao detetive Jeon. —  Namjoon deu de ombros. —  Eu entendo, ele é um homem muito atraente. 

 

—  O quê? —  questiona Jimin quase aos berros por ter sido surpreendido com as palavras do homem com cabelos negros. 

 

—  Interpretei algo de maneira errada, doutor? —  O semblante confuso do mais velho ao questioná-lo chega a ser fofo. 

 

— Sim, eu não acho o detetive Jeon atraente. — Se justifica, sentindo seu corpo ferver. — Ele não me atrai, eu não curto caras. 

 

— Ah… — A expressão de Namjoon continua a mesma, o que deu a entender para o americano é que ele não está nenhum pouco convencido disso. — Eu fiquei sabendo que você e o detetive Jeon encontraram mais três corpos. 

 

A mudança de assunto deixa o loiro um tanto quanto aliviado, não consegue acreditar que por um momento o doutor Kim cogitou a possibilidade do Jimin ter interesse por alguém do mesmo sexo, e o pior é a falsa acusação de ter uma atração por Jeongguk. 

 

— Sim, aquele lugar era bizarro — disse Jimin, tentando não soar como um medroso. — Esse caso está parecendo um quebra cabeças, não sei sobre muitos detalhes, porém estou fazendo tudo que está ao meu alcance para ajudar o detetive Jeon. 

 

— Normalmente nós não sabemos e eu acredito que esteja, você sabe que o que precisar pode contar comigo, não se preocupe, sobre minha hierarquia não existe esse lance de superior, eu gosto de ajudar. — Namjoon coloca  mão no ombro do Jimin e aperta de leve, tentando demonstrar solidariedade. 

 

— Grato, doutor Kim. 

 

— Enfim, eu estou indo para casa, posso lhe oferecer uma carona? — pergunta Namjoon. 

 

— Não se preocupe, eu já pedi um táxi — Jimin menti, não quer dar trabalho a ninguém e deseja ficar sozinho. — Tenha um bom descanso. 

 

— Obrigado, doutor. — Namjoon faz uma reverência e por um momento Jimin franze o cenho por não estar acostumado com esse tipo de comportamento, entretanto foi rápido ao retribuí-lo, o americano tem fé de que logo irá se acostumar com o hábitos coreanos. 

 

Kim Namjoon segue em direção ao estacionamento e Jimin volta a dar atenção para o seu iPhone, todavia seus pensamentos ainda estão na conversa que teve com o seu colega de trabalho, então Namjoon acha Jeongguk um homem atraente. 

 

임재범

 

O detetive Kim é um homem muito impaciente, odeia que o deixe esperando, está na sala do seu pai a alguns minutos e não sabe onde ele está, muito menos o que o delegado está fazendo, não que isso seja de sua conta, obviamente o único que deve explicações é o próprio policial, se não fosse algo de extrema importância para o investigador, é provável já teria desistido e voltado para sua sala. Sentado na cadeira de uma forma desleixada, com os últimos relatórios em mãos que foi enviado para ele analisar, Taehyung, deixa escapar um suspiro alto, até que finalmente a porta é aberta e o delegado entra em sua própria sala, observa o filho de cenho franzido, possivelmente está pensando o motivo para que ele esteja ali, caminha até a sua mesa e senta em sua cadeira de couro. 

 

— Vamos logo com isso, não temos o dia todo — disse o mais velho. 

 

— Até quando o senhor, vai me deixar com esses relatórios ridículos enquanto o Jeon ganha um caso de verdade? — questiona Taehyung, jogando em cima da mesa do pai, um monte de arquivos que estão em suas mãos. 

 

— Eu entendo que isso esteja lhe assombrando, afinal, Jeon acabou encontrando os suspeitos do caso que lhe foi dado, não é mesmo? — O delegado apoia os cotovelos na mesa, fitando atentamente o filho. 

 

— Eu não tive culpa daqueles filhos da puta terem desaparecidos, o senhor sabe muito bem o quanto eu estava me dedicando naquele caso — o policial disse entredentes. 

 

— No entanto não foi o suficiente, você quer mesmo trabalhar nesse caso? — indaga o delegado. 

 

— É óbvio que eu quero, delegado — confessa Taehyung, o policial endireita a sua postura. 

 

— Está certo, você trabalhará nesse caso com uma única condição — declara o longevo, o semblante confuso de Taehyung, não passa despercebido pelo seu pai que o lança um sorriso carregado de malícia.  — Você fará parte da equipe do detetive Jeon, então terá que seguir suas ordens. 

 

O detetive Kim pode sentir o gosto de seu nervosismo em sua língua, o que será que o seu pai quer lhe ensinar colocando sobre as ordens de alguém como Jeongguk? Taehyung tem a mania de trincar sua mandíbula quando encontra-se estressado, e foi exatamente isso que acaba de fazer, neste ato pode ouvir o som dos seus dentes. 

 

민윤기

 

Min Yoongi acaba de adentrar no prédio da emissora em que trabalha, ele passou a noite inteira trabalhando em uma reportagem inédita sobre um arquivo que foi enviado para si ontem a noite.

Encontrou um pequeno embrulho dentro da sua caixa de correios que contém informações sobre um grupo de assassinos que foram identificados como mortos, nenhuma outra emissora havia transmitido alguma informação sobre o caso, no entanto o jornalista, Min Yoongi, tem essas informações em mãos e está tudo pronto para transmitir para o mundo.  

 

Dá algumas batidas na porta do escritório do seu superior, espera que o mesmo lhe de autorização e assim que foi concedida, abre a porta e entra, antes de começar a dizer qualquer coisa faz uma breve reverência. 

 

— Bom dia, o que devo a honra de sua visita, Min? —  questiona Choi Min-ho, levanta o olhar do seu MacBook onde estava concentrado em seu trabalho e agora foca com curiosidade Yoongi, em sua frente, que nunca o procura a menos que precise de algo verdadeiramente importante.  

 

— Bom dia, senhor — disse Min, ajeitando seus óculos pela lateral, começou a caminhar até estar próximo de Min-ho, tudo que os separa é a sua enorme mesa. — Eu vou direto ao assunto para não tomar muito do seu tempo, ontem, quando eu cheguei em minha casa, eu havia recebido um embrulho sem remetente que continha um pendrive. — Coloca o pendrive sobre a mesa do seu chefe, que de imediato arqueia uma sobrancelha, está claramente confuso com tudo que está ouvindo. 

 

— O que contém nesse pendrive? —  pergunta Choi, pegando o dispositivo e, conectá em seu MacBook, abrindo o arquivo assim que a opção aparece em sua área de trabalho. 

 

No pendrive existem dois arquivos de vídeo, Min-ho dá clics com impaciência no primeiro vídeo, quando ele começa a ver o conteudo, seus olhos se arregalam, sua boca se abre diversas vezes, entretanto ele nada diz, não existem palavras para o que ele acaba de ver em sua tela. 

 

—  Eu trabalhei nessa matéria a noite inteira, é claro que precisamos direcioná-las para o editor antes de coloca-lá no ar, mas está tudo praticamente pronto —  diz Yoongi, está se sentindo confiante, aquele arquivo não foi parar em suas mãos por nada, isso será perfeito para sua carreira. —  Temos informações exclusivas e aposto que nem a polícia as possuem. 

 

—  Eu acredito em você, mas assim que essa matéria for para o ar, eles viram bater em nossa porta. —  Min-ho coça e alisa o queixo, seu semblante está carregado e pensativo. 

 

—  Não vejo problemas em ter que falar com os policiais sobre a procedência dessas informações, não podemos perder essa oportunidade. —  Um sorriso brincou nos lábios finos de Yoongi, ele não está preocupado. 

 

— Sendo assim, você tem a minha autorização para colocar essa matéria no ar, lembrando que se trata uma exceção já que não sabemos sobre a procedência dessas informações, o que eu estou querendo dizer, é que eu confio em seu trabalho.  — disse Choi, tirando o pendrive do seu MacBook e devolvendo para o Yoongi. — Você sabe o que fazer. 

 

Não existem dúvidas de que Min Yoongi sabe o que fazer, antes de sair da sala de seu superior, fez outra breve reverência e fecha a porta ao sair.  


 

정국

 

Fazem algumas horas que Jeongguk está no enorme refeitório da delegacia de Seul, já havia terminado seu almoço a alguns minutos, no momento encontra-se totalmente concentrado nas palavras que está lendo na bíblia aberta em suas mãos, o que o fez ganhar alguns olhares, Jeongguk não parece ser um homem religioso. 

 

Jimin e Namjoon entram no local segurando suas bandejas que contém o almoço de ambos, o refeitório está cheio por conta do horário então não será uma tarefa fácil encontrar uma mesa disponível, apenas cadeiras estão vagas, o que faria com que eles se sentassem com outras pessoas, Namjoon não pensa duas vezes e segue em direção ao detetive Jeon, que está tão concentrado em sua leitura que acaba se desligando das pessoas ao seu redor. Jimin pensa em protestar, pois existem outros lugares disponíveis, entretanto é tarde, Namjoon coloca sua bandeja sobre a mesa, as bochechas de Jimin inflam e então ele o segue, repetindo as ações do doutor Kim. 

 

— Estamos atrapalhando? — pergunta Namjoon, com um sorriso gentil nos lábios. 

 

— Imagina, doutores. — Jeongguk coloca o marca página para não se perder em sua leitura e ajeita seus óculos que antes estavam na ponta do seu nariz. —  É um prazer ter a companhia de vocês. 

 

Jimin morde a parte interna de suas bochechas ao reparar que o detetive está usando óculos arredondados e não foi só isso que o médico observa no mestiço, seus cabelos estão perfeitamente penteados, porém suas vestimentas não estão tão casuais como de costume, ele está vestindo uma jaqueta de couro preta com uma fivela na parte de baixo, a camiseta é preta e não possui nenhum tipo de estampa, descendo um pouco mais o seu olhar, se depara com as coxas bem torneadas de Jeongguk, que estão marcadas pela calça que também é da cor preta e apertada, Jeon sem dúvida é dono de um físico de dar inveja em qualquer um, deve passar bastante tempo dentro de uma academia, será que é isso que o americano está sentindo olhando para as coxas do mestiço, inveja? Talvez. 

 

Jeongguk tem o costume de contemplar o que acontece ao seu redor, porém não precisa ser nenhum observador para notar o que está acontecendo, Jimin está o encarando e agora está descendo seu olhar para suas coxas, Jeon passa a língua nos próprios lábios, tomba a cabeça para o lado esquerdo, está sentindo uma confusão dentro de si por não conseguir compreender a atitude do loiro ao seu lado, que são tão inconstante quanto o tempo, contudo isso não é novidade para o moreno.  

 

No entanto existe uma terceira pessoa na mesa que também está atento ao ocorrido, Namjoon tem os olhos curiosos e por debaixo da mesa da maneira mais sutil possível, o doutor Kim dá um leve chute na perna do americano, que acorda do seu transe momentâneo. Kim volta sua atenção para sua bandeja, mas os olhos redondos do detetive Jeon ainda estão em Jimin, o americano sente uma quantidade absurda de hemácias se concentrando em seu rosto fazendo que ele fique quente e provavelmente está rubro.  

 

— Você já almoçou, detetive?  — questiona o garoto de cabelos negros, entre os seus dedos estão os seus hashis. 

 

 — Sim, um pouco antes de vocês chegarem. — Da um sorriso ladino para o seu colega de trabalho. — Bom apetite para os dois.  — A resposta de Jeon veio com um balançar de cabeça do doutor Park. 

 

— Por um acaso você é religioso, detetive? — Questiona Namjoon e começa a comer o seu delicioso bibimbap que trouxe para o seu almoço. 

 

Jeongguk endireita a sua postura. 

 

— Depois das coisas que vi, comecei a ter diversos questionamentos sobre Deus. — Coloca o livro sagrado em cima da mesa, deixa suas duas mãos entrelaçadas pousadas sobre o mesmo. 

 

— Eu imagino, nossas profissões conseguem ser cruéis, infelizmente — fala Namjoon, deixando de lado seus hashis para abrir uma latinha de refrigerante. — Eu acredito em Deus, se as coisas estão ruins com ele, imagine sem, o que seria de nós? — fez a pergunta de maneira retórica. 

 

— Fé é um dom, e eu não fui agraciado com ele. — Jeongguk contrai seus lábios em uma linha reta, falar sobre assuntos pessoais, na maioria das vezes, incomoda o detetive. — Mas eu estou bem assim. 

 

Mais uma bandeja é posta sobre a mesa, chamando a atenção dos três que ali estão presentes por conta de todo o barulho que a mesma fez, Taehyung, se senta ao lado do seu amigo, que não demora para sorrir para recepcioná-lo de forma mais calorosa que pode. 

 

— Alguém afim de morrer hoje? Porque eu quero matar um na porrada — Taehyung questiona de maneira calma, pegando os hashis que encontra-se sobre a sua bandeja. 

 

— Para que toda essa agressividade? — pergunta o doutor Kim. 

 

— Meu pai consegue me deixar louco com a quantidade de relatórios que está me mandando todos os dias. — Começa a comer o seu nakji bokkeum. — Eu acredito que ele pensa que eu sou a secretária dele — disse de boca cheia. 

 

— O que seria do seu pai sem você para organizar a papelada para ele? — questiona Namjoon tentando demonstrar para o amigo que ele é fundamental para o delegado, mesmo quando se trata de relatórios que para o Taehyung são entediantes, em resposta recebe um bater de ombros do policial Kim. 

 

— Tenho uma novidade para você — anuncia Taehyung, apontando seus hashis para o detetive Jeon, que apenas arquea uma sobrancelha, espera pacientemente e em silêncio o que seu veterano tem a dizer.  — A partir de hoje, eu faço parte da sua equipe. 

 

É óbvio para Jeongguk que o delegado iria dar uma chance para o filho concertar o “erro” que havia cometido quando não conseguiu solucionar o caso de alguns meses atrás, contudo Jeon não sabe dizer se essa notícia lhe agrada, porque para ser sincero, já teve um pequeno estranhamento com o Taehyung, sem motivo aparente, então de fato outros poderão vir a acontecer e Jeongguk não quer que nada tire o seu foco, muito menos um birra, sem causa para o mestiço, vinda de Taehyung. 

 

— Não sei o que dizer. — Jeongguk cruza seus braços em frente ao peito, ganhando os olhares de Namjoon que aparenta estar animado com o que o amigo acaba de dizer e, Jimin que desde o momento que se sentou, está dando exclusividade para o seu almoço. — O que posso dizer é que toda ajuda é bem vinda. 

 

A intenção do detetive Jeon, não é de ser rude com o seu veterano, demonstrando sua falta de entusiasmo em ter o investigador em sua equipe, entretanto ele costuma ser muito sincero, e desta vez não existem motivos para ser diferente. Taehyung nada diz, apenas encara o Jeon nos olhos com um sorriso sacana em seus lábios e se for para ser verdadeiro de novo, Jeongguk não dá a mínima para os olhares e sorrisos direcionados a ele. 

 

O som do volume da televisão sendo aumentado, chamou atenção dos quatro que estão sentados juntos à mesa, na tela está passando o noticiário local da tarde e o enunciado fez com que o corpo do detetive Jeon enrijece-se.

 

“ Os cavaleiros do Apocalipse, estariam punindo criminosos que os policiais são incapazes de prender?” 

 

O nome do repórter responsável pela matéria é Min Yoongi, ele informa que além do sujeito que explodiu com uma bomba no pescoço, a polícia encontrou mais três corpos, ambos estão envolvidos no assassinatos de diversas pessoas inocentes e que essas informações foram o tempo todo omitida da mídia porque a polícia foi incompetente e não soube colocar os verdadeiros culpados atrás das grades, que se não fossem pelos cavalheiros esses crimes continuariam acontecendo, o que significa que o número de gente inocente morrendo só iria aumentar, também informa que os planos dos cavaleiros ainda chegou ao fim, que ainda existem diversas pessoas para serem punidas e que o maior ênfase dessa história contada por um dos cavalheiros do Apocalipse,apocalipse é que se deve escolher de que lado nós estamos, da verdade ou dos pecadores. 

 

A seguir a  tela fica escura, a palavra Apocalipse está escrito em vermelho sangue e uma voz pode ser ouvida, e obviamente ela está alterada para que não consigam identificar. 

 

“Eu sou um dos cavaleiros do Apocalipse, tenho certeza de não somos os únicos a estarem cansado dessa sociedade tóxica em que vivemos, coisas horríveis acontecem a todo momento com pessoas boas que só desejam viver a vida da melhor maneira possível, entretanto por culpa de alguns pecadores imundos, vivemos com medo do que podemos encontrar em nosso cotidiano, eu tenho total certeza de que não merecemos viver desta forma. O medo nos torna criaturas insignificantes e nos, cavaleiros estamos cansados de viver com medo, de lamentar a perda de alguém que amamos, seja por estarem no lugar e na hora errada, por conta de toda a violência gratuita, ou até mesmo por pessoas que são tão ruins a ponto de tirar a vida de alguém, de estuprar e sabe se lá o que mais esses vermes são capazes de fazer, porém meus companheiros, existem pessoas que sabem o que acontece atrás das cortinas e não fazem nada, e sim, eu estou falando da polícia, os homens que foram treinados e são pagos para nos proteger, para mim está mais do claro que eles não podem fazer nada, até porque eles só aparecem depois que já aconteceu. Podemos provar tudo que estamos falando, mesmo acreditando que não precisamos provar, porque mais que a metade já sofreu alguma violência de alguma maneira e em algum lugar, enfim… Entregamos para mídia informações sobre nossas primeiras ações para começarmos as transformações e não se preocupe que muito serão punidos. Agora para mostrar que estamos no controle e que a polícia é tão patética que só fica correndo atrás do próprio rabo, nos demos fim a mais alguns seres desprezíveis, bandidos que foram libertos por bom comportamento, o que para ser bem sincero, acho um absurdo, um bom comportamento não irá jamais redimir uma vida de crimes, então meus queridos amigos da delegacia de Seul, por onde vocês iram começar a procurar? Vocês podem esperar as respostas caírem do céu como sempre fazem, mas eu digo, nos cavaleiros somos a resposta. Eu tenho em minhas mãos os meios e em meu coração a vontade, vou purificar o mundo matando as pessoas que o poluem”. 

 

Jeongguk pode sentir os olhares de todas as pessoas que estão presentes no refeitório lhe penetrando até os ossos, todos sabem que ele é o detetive responsável pelo caso, e cada palavra que esse “cavaleiro” proferiu naquele vídeo, parece que foi direcionado para si, entretanto não é isso que está corroendo as entranhas do investigador, ele acabou de ouvir que mais pessoas iram morrer, Jeongguk precisa fazer alguma coisa, não pode ficar para trás e aguardar que eles deem mais alguns passos para que ele tente a sorte de que deixe algo para trás, seja quem for o responsável por tudo que está acontecendo, não está fazendo isso sozinho, o policial já sabia disso, mas agora existe uma prova porque foi feito para todos que quisessem ouvir.

 

O detetive Jeon deslizou seus dedos por seus fios acastanhados, vira seu corpo na direção do seu veterano que também tinha seus olhos conectados em Jeongguk, como se estivesse esperando que ele fizesse alguma coisa, porque é exatamente isso que Taehyung está esperando, o mestiço está sendo testado, e o detetive Kim é um dos mais interessados para saber como ele irá se sair. 

 

— Bom, agora que você faz parte da minha equipe nada mais justo do que eu lhe dar boas vindas — disse Jeongguk Umedece os lábios com a língua, ele não aparenta estar nervoso, seu tom de voz é tranquilo e baixo, como de costume. — Quero que traga Min Yoongi, para que eu possa interrogá-lo e quero uma lista completa dos criminosos que foram soltos por bom comportamento,  que não esteja faltando um único nome, você tem até o final do dia. 

 

Jeongguk se levanta de sua cadeira, faz uma breve reverência para os que permanecem sentados, pega o livro sagrado que está sobre a mesa, começa a andar rapidamente em direção à saída do enorme refeitório, as pessoas que ali se encontram estão em silêncio, acompanhando o mestiço com o olhar, o único som ali presente é o da televisão e as botas de combate de Jeon, que está andando com tanta força que até parece um cavalo marchando. 

 


Notas Finais


Favoritar e comentar em uma fanfic fazem qualquer escritor feliz, sejam fofos e nada de grosseria!

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