História Memória - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Haikyuu!!
Personagens Kei Tsukishima, Tadashi Yamaguchi
Tags Amnésia!au, Angst, Tsukishima, Tsukkiyama, Tsukkiyama Day, Yamaguchi
Visualizações 35
Palavras 1.070
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu juro que tem só um pouquinho de angst. Tem um tempo que estava louca pra escrever uma TsukkiYama angst assim, e aproveitei o dia mais lindo do ano (conhecido como TsukkiYama Day) para postar. Espero que gostem!

Capítulo 1 - Memória - Capítulo Único


memória — capítulo único

 

Tudo o que eu não posso ser

É tudo o que você deveria ser

E é por isso que eu preciso de você aqui

Então escute isso, agora

 

Volte para casa

 

Come Home – One Republic

 

 Tsukishima não se lembrava de muita coisa. Apenas luzes, barulhos e uma dor muito forte na lateral da cabeça. Nada além e nada antes. Havia acordado em um lugar muito claro que fez sua cabeça doer ainda mais, com barulhos irritantes e contínuos. Viu seus pais ao seu lado e os olhos inchados e denunciavam tudo. Podia ver seu irmão chorando perto da porta. Pensou em fingir que dormia, mas foi tarde demais.

 — Kei...? — a voz da mãe era rouca e trêmula. Não respondeu e se sentiu ser abraçado enquanto tentava descobrir o que acontecera. Apertou os olhos com pela dor de cabeça e só conseguiu falar para pedir que chamassem a enfermeira.

___

 

 Aquela era a pior reunião da Karasuno e Yamaguchi podia contar nos dedos as reuniões que achava tolerável.

 Tentava para de chorar enquanto ouvia as ligações de Ukai ou enquanto não ouvia a voz irônica e zombeteira de Tsukki implicando com o silêncio atordoante de Hinata ou com os soluços dos terceiranistas. Suga passava a mão em suas costas e era rodeado por todos os jogadores. Era a primeira vez que se incomodava com a falta de barulho.

 — Sim, eu entendo. Mas, mesmo assim, já podemos vê-lo? Sim, sim, certo, vou falar com eles. Muito obrigado.

 Yamaguchi levantou os olhos, esperançoso. Havia horas que não recebiam notícia alguma, apenas aquela que os levava ao estado de nervos e tristeza no qual se encontravam.

 Era uma das únicas vezes que Tsukishima não andava da escola até em casa — um dia de chuva forte e de estradas escorregadias. Foi fácil para o carro escorregar na estrada. Ele havia sido o único a se machucar (aquela mania estúpida de não ajustar o cinto de segurança para que não embolasse no fone).

 Yamaguchi havia estranhado a falta de mensagens usuais, mas pensou que fosse um daqueles dias em que Tsukishima se isolava e seus olhos escureciam e nem mesmo Yamaguchi poderia tirá-lo de lá. Não imaginava precisar sentar no chão da quadra enquanto esperava o treinador Ukai ligar para o hospital e perguntar sobre a estabilidade do paciente e sobre uma possível visita.

 — A família de Tsukishima prefere que esperemos mais um tempo antes de que possamos vê-lo. Mas Akiteru insistiu em te buscar, Yamaguchi. — O garoto se levantou com um pulo, automaticamente pronto. — No entanto, tenho que te avisar algo.

 A seriedade caía de forma estranha em Ukai. Tudo parecia estranho sem Tsukki por perto.

 — De acordo com Akiteru, Tsukishima sofreu um dano permanente no lobo temporal medial, o que... — respirou fundo, desviando os olhos de Yamaguchi, mesmo que pudesse sentir todos os outros olhos da Karasuno sobre ele.  — O que, segundo os médicos, significa uma amnésia retrograda.

 — Pelo amor de Deus, fale português! — exclamou Tanaka.

 Mas Yamaguchi já sabia.

 — Ele perdeu a memória de tudo o que aconteceu antes do acidente, Tanaka. — Explicou Suga, a voz mais baixa que o usual. — Se esqueceu até da Karasuno?

 — Basicamente, Tsukishima se lembra de seus pais, sua idade e informações básicas. O resto parece ser um branco em sua memória.

 — Tsukki não se lembra de mim? — sentia que estava chorando novamente. Um ginásio de vôlei nunca presenciou tamanho silêncio.

 — Não — sussurrou como resposta.

Yamaguchi tentou fingir não sentir seu mundo se quebrando de dentro para fora.

 

____

 

 O hospital tinha cheiro de hospital. Poucas vezes Yamaguchi havia ido a um hospital para visitar alguém e, por isso, a sensação de desolamento lhe era totalmente nova.

 Akiteru o guiou até o quarto e Tadashi não conseguiu se impedir de voltar a chorar.

 Mesmo com quase 1.90, Tsukishima parecia tão pequeno na cama de hospital. Deslocado com o entra e sai de enfermeiras para checarem detalhes e complicações. Parecia tão... não Tsukishima.

 — Tsukki? — chamou, ainda parado na porta. O garoto loiro demorou a se virar.

 — Não me chame assim. Quem é você?

 O que restava de Yamaguchi foi despedaçado na hora. Akiteru soltou uma respiração nervosa.

 — Você não se lembra de mim?

 Não recebeu resposta, e pareceu melhor assim.

 Yamaguchi era visto como fraco. Tinha plena certeza de que era motivo de risos quando se esforçava para fazer um saque ou quando chorava por pequenas coisas. Se sentia fraco emocionalmente e fisicamente.

 Mas Tsukishima discordava. Sempre havia discordado e trazido um pouco de autoestima para o namorado. O defendia e o protegia tanto que, em certo ponto, Yamaguchi começou a misturar sobre quem defendia quem.

 O amava. Por Deus, o amava de todas as maneiras que era possível amar alguém. Havia se apaixonado por Tsukishima e havia sido retribuído. Faria com que Tsukishima se apaixonasse por ele novamente quantas vezes fosse necessário.

 — Eu sou Tadashi Yamaguchi. Nós nos conhecemos no jardim de infância — disse, engolindo o choro. Por algum motivo estranho, Tsukishima conseguia acreditar em tudo que o adolescente sardento em sua frente dizia.

 

seis meses depois

 

 Tsukishima ouvia com admiração Yamaguchi o contando sobre como haviam discutido algum tempo antes e sobre a frase que gravou na memória mais uma vez: O que você precisa mais do que orgulho?

  — E o que eu fiz? — perguntou.

 — Tsukki, você se transformou automaticamente em um jogador incrível com o bloqueio assustador que todos conhecem! Claro, uma parte disso é graças a Kuroo e Bokuto, mas, mesmo assim, uau, todos nós ficamos tão impressionados!

 Estava completamente apaixonado. Algo em seu coração deixava claro que o sentimento não era novo.

 

dois anos depois

 

 Tsukishima observava de longe Yamaguchi se preparar para o saque. Era o último jogo da Karasuno com aqueles terceiranistas. Podia ouvir com clareza os gritos de Tanaka e Nishinoya na multidão. Sabia que aqueles dois o irritariam quantas vezes fosse necessário para que os odiasse em qualquer situação.

 Ponto para Karasuno. Saque perfeito do capitão.

 Yamaguchi se virou para Tsukishima com aquele sorriso claro que costumava exibir, o rabo de cavalo se soltando e deixando pequenos fios espalhados pelo rosto. Kei sorriu de volta.

 Sabia também que se apaixonaria por Yamaguchi quantas vezes fosse necessário. Havia coisas que nem mesmo o acaso poderia apagar — coisas como o corpo cheio de estrelas e o sorriso sol da pessoa que mais amava.

 Tadashi tentou não chorar muito ao ver o primeiro grande sorriso de Tsukki em sua direção. 



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