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História Memórias - Capítulo 3


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Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 3 - I want to remember.


 

 

 

 

   Chapter II

                       - I want to remember.

 

 

Após um tempo, o homem chamado Meliodas Saltzman olhava para mim com um olhar apreensivo, havia um brilho estranho em seu olhar tão lindo.Receosa, encolhi os ombros sem saber o que dizer.

 

 

- Será que eu... Eu poderia me sentar próximo a você? - Pediu apontando para uma poltrona ao meu lado.

Ele pareceu cuidadoso ao me pedir. Mas ao mesmo tempo ele pareceu ansioso para estar ao meu lado.

 

 

- Ah, claro. - Dei um sorriso, O fez Meliodas olhar para mim surpreso.

Com muita cautela ele sentou-se na poltrona, a arrastou minimamente para ficar de frente para mim. E então foi isso. Por alguns minutos ficamos apenas olhando para o outro. Eu me senti compelida a puxar papo.

 

- Obrigada pelas flores. São suas, não são? - Disse e Meliodas sorriu olhando para mim.

 

- Sim. Fico feliz que tenha gostado. - Disse simpático, mas notei que seu sorriso era falso. Talvez estivesse sendo difícil para ele estar diante de sua esposa e ter que tratá-la como uma desconhecida.

 

- É estranho, não é? Eu não me lembrar de você e tudo mais. Sinto muito, deve estar sendo difícil para você como está sendo para mim. - Disse sorrindo tristemente. Ele olhou minimamente para mim, fitava agora o chão e passou a mão pelos fios loiros desengrenhados.

 

- Talvez esteja sendo mais fácil agora. - Murmurou, mas foi tão baixo que não tive a certeza se realmente ele havia falado isso. Novamente alguns minutos sem comunicação.

 

- Você receberá alta logo, ficará convalescendo em casa. Sei que pode ser... Pode ser estranho para você estar dividindo um lar com alguém, por isso você deveria ir morar com a sua mãe e, caso queira, voltar para a nossa casa.

 

Pensei na proposta de Meliodas, eu deveria aceita-la. Morar com minha mãe, mas havia algo nos semblante daquele estranho de atitudes gentis que me desmoronou. 

Uma profunda tristeza.

Soube intuitivamente que se eu aceitasse sua proposta ele iria sofrer.

 

 

- Não. Eu não quero incomodar minha mãe.

 

- Não seria incomodo para ela recebê-la, Elizabeth. - Algo ocorreu, seus olhos com algum brilho como se quisesse que eu desse uma justificativa para ficar ao seu lado.

 

- Mesmo assim o médico disse que devo voltar a minha antiga vida para poder me lembrar rapidamente. Eu concordo com ele. Acho que devo retomar a minha vida como era e... Bom... Eu vou precisar muito da sua ajuda, Meliodas. Você me ajudar? - O olhei intensamente. Meliodas olhou-me e um meio sorriso brotou em seus lábios. Olhar para seu rosto era algo perturbador, ele era tão lindo!

 

- Tudo bem. O médico me disse anteriormente que seu estado é bom, você receberá alta amanhã à tarde. Eu venho após o meu trabalho para buscar você. Muitas pessoas querem vê-la então eu dei o alvará para sua mãe preparar uma festa para você. Você concorda com isso?

 

- E-eu não sei... Quero dizer, não sei se estou preparada para ver tantos rostos conhecidos de uma vez. Será que poderia, sei lá, adiar isso. - Falei nervosamente. Meliodas pareceu compreender.

 

- Claro. Pedirei a sua mãe que mude para o fim de semana. Você fará uma bateria nova de exames agora e, se permanecer bem, sairá amanhã.

 

- Quer dizer que se me acontecer algo até amanhã eu posso passar mais tempo aqui no hospital? - Perguntei tentando mostrar tristeza, mas no fundo eu sentia alivio. Eu não sabia como seria ficar em uma casa cheia de desconhecidos, não ia ser algo bom. Era preferível ficar no hospital com os poucos rostos conhecidos com quem convivi.

 

- Sim, mas não precisa se preocupar eu tenho certeza que nada acontecerá a você. - Aqueles olhos de cor esmeraldinas, tão belos e intensos, se fixaram em mim e me senti presa aquela olhar.

 

 

- Hum... Elizabeth, não se lembra de nada mesmo? Não sente nada quando olha para mim? - Ele perguntou.

 

- Bem eu... Não fique triste, mas para mim você é só um desconhecido. - Murmurei sem graça. Eu não ousei olhá-lo mais, fitei minhas mãos cruzadas sobre meu colo.

 

- Elizabeth? - Ele me chamou, movi meu olhar para a persiana do outro lado do quarto.

 

- O que foi? - Virei-me para vê-lo e vi que Meliodas se levantar da poltrona. Pensei que ele iria embora ou coisa parecida e verdadeiramente me surpreendi quando o vi sentar diante de mim na cama. 

 

Ele parecia ansioso e ao mesmo tempo temeroso por algo. Podia ver claramente em seus olhos que Meliodas desejava muito fazer algo, mas, embasbacada como estava, eu não soube o que era. Ele ergueu a mão direita e colocou uma mecha de meu cabelo, bem lentamente.

 

- Estou feliz por vê-la bem. Pensei que iria perdê-la. Eu não quero mais sentir o que senti quando te vi naquele estado. Prometa-me Elizabeth, que nunca mais fará alguma bobagem, tudo bem? - Ele pediu aflito. Eu apenas assenti incapaz de lhe perguntar algo, de formular um questionamento para mim mesma.

 

 

- Eu tenho que ir. Amanhã virei aqui. Espero que saia amanhã para irmos para casa. Você quer receber as visitas de seus amigos, sua mãe?

 

- Eu não sei. Sei lá não me leve a mal, não é como se eu não quisesse vê-los, eu só... - Murmurei perguntando-me se Meliodas conseguia entender algo que eu estava dizendo. Ele entendeu.

 

- Tudo bem. Pedirei a todos que a deixem em paz e só a vejam no jantar que faremos no fim de semana. Posso impedir boa parte de seus conhecidos, mas certamente eu não impedirei sua mãe. Ela virá aqui comigo para buscá-la.

 

- Se é assim então eu a verei amanhã. Ah, pode me trazer algumas roupas minhas? Eu só tenho pijamas hospitalares para vestir aqui. - Pedi um pouco sem graça. Eu não queria parecer abusada. Meliodas continuava sorrindo, minhas atitudes pareciam deixá-lo feliz. Era estranho.

 

- Eu trouxe alguns pertences seus. Estão na ante-sala. Quer que eu pegue?

 

- Ah, claro. - E num átimo Meliodas levantou-se da cama e foi para a ante-sala do meu quarto. Voltou rapidamente com uma pequena bolsa de couro que parecia cheia. A deixou em meu colo.

 

- Trouxe roupas, jóias, seu celular e alguns produtos de higiene pessoal.

 

- Obrigada, Meliodas. - Abri a bolsa incapaz de conter minha curiosidade, pude notar que todos os objetos, em minha rápida avaliação, eram de boas marcas. Então eu devia ser rica, no mínimo. Olhei rapidamente para Meliodas e vi que o mesmo trajava roupas de boa marca. Um relógio caro nos pulsos, algo que só notara agora e também...

 

A aliança.

 

Eu não a havia notado até então, a grossa aliança que ele exibia no dedo. Parei de remexer na bolsa trazida por Meliodas e olhei para meu dedo anular.

 

- Meliodas?

 

- O que? - Perguntou, distraído. Estava sentado na poltrona olhando para a janela.

 

- Há quanto tempo estamos casados?

 

- Quer saber disto agora ou prefere deixar os detalhes para quando chegarmos em casa? - Meliodas ainda olhava distraído para a janela.

 

- Acho que não tem problema saber agora. Então? - Insisti e os olhos de Meliodas moveram-se rapidamente para os meus, voltaram a se fixar na janela.

 

- Estamos casados a um ano. - Disse.

 

- E quantos anos eu tenho? Nós temos filhos? - Perguntei apavorada com a idéia de que seria mãe sem nem saber como se procede. Meliodas deve ter visto meu desespero e sorriu.

 

- Não temos filhos e você, ou melhor, nós temos vinte anos.

 

- Nossa, somos tão novos... Devíamos nos amar muito para casarmos tão cedo. - Comentei. Meliodas fixou seus olhos em mim e senti que tentava me passar um recado, tão logo ele desviou o olhar.

 

- Sim. Nós nos amávamos. Na verdade... Eu sempre te amei tanto... - Falou murmurando a última parte. 

 

 

- Olha eu... Eu tenho certeza que com a convivência, sabe, eu vou me lembrar e nós vamos poder ter uma vida normal então... - Falei agoniada. Eu me sentia mal por vê-lo triste e saber que a razão era eu. Ele apressou-se em se levantar da poltrona e colocou uma de suas mãos em minha bochecha e acariciou de modo gentil.

 

- Não se pressione demais, Elizabeth, Eu não me importo que você passe muito tempo sem se lembrar de nada, fico feliz com o fato de tê-la viva aqui e comigo. - Eu podia sentir algo em Meliodas, uma profunda tristeza quando mencionava sobre o acidente. Considerando que ele me ama deve ter sido difícil quase me perder. Senti-me mal por que, mesmo sendo tão bonito, eu não o amava. Ele ainda era um desconhecido.

 

- Preciso ir. Amanhã venho buscá-la. Se precisar de algo basta discar para o número do meu celular. Está na memória do seu celular. - Aproximou-se de mim e beijou-me na testa. Fiquei rubra pelo seu ato.

 

- Obrigada, Meliodas. - Murmurei sem saber se ele havia me ouvido. Tão logo ele saiu. E agora que estava só poderia refletir sobre este primeiro encontro.

Eu descobri algo sobre mim: eu era intuitiva. E na minha intuição foi isso o que Meliodas passou. Ele parecia ser paciente, carinhoso, educado e sabia se vestir maravilhosamente bem, na certa era vaidoso. E nestas pequenas observações eu fui montando um perfil do meu marido.

 

Memórias é tudo que nós somos.

 

Momentos e sentimentos, capturados em âmbar, amarrados em filamentos de razão.

 

Tire a memória de um homem e tomará tudo dele. 

 

Desbaste uma lembrança de cada vez e você o destruirá tão certamente como se martelasse prego após prego em seu crânio.


Notas Finais


Espero que tenham gostado.

Beijos de Luz!


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