História Memórias de Akai - Capítulo 4


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Romance
Visualizações 13
Palavras 1.311
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - Uma viagem para dentro de minha mente


Fanfic / Fanfiction Memórias de Akai - Capítulo 4 - Uma viagem para dentro de minha mente

Saio da maldita sala do conselho com o sangue fervendo, enfio o uniforme de qualquer jeito dentro da mochila e ando rapidamente para a saída da escola. Já era de costume que nenhuma escola gostaria de admitir uma aluna como eu, mas sinceramente eu preferia que não houvessem me aceito do que ficar regulando meu jeito de ser, Quem aquela retardada pensa que é? Garota imbecil, ando pela rua que nessa hora não havia mais ninguém a vista, isso é um alivio pelo menos não teria que me preocupar com pessoas me encarando. Afinal qual era meu problema? Eu sei que sou diferente, mas ser diferente significa que eles têm direito de me julgarem? Eu ser diferente para eles talvez signifique que são superiores a mim, nesse terrível mundo, temos que ser todos iguais, pois se não, somos corrompidos, marginalizados e odiados, talvez se o mundo não fosse do jeito que é, eu poderia ter “amigos”. Em pouco tempo eu já estava na estação, estava mais calma inclusive, ficar alguns minutos sozinha com minha mente, é a única coisa que me deixa sã, irônico não? Me via sentada esperando o metrô chegar, procuro em minha mochila um maço de cigarro e um isqueiro, meu isqueiro é um tesouro para mim, ele é azul turquesa com um unicórnio de chifre colorido, do seu chifre saia um raio de arco-íris que matava marcianos, os marcianos gritavam e morriam na base do isqueiro, direitos autorais Keiko Tsunade, encontro um cigarro amassado no fundo da mochila, o ajeito e acendo-o em minha boca, acho engraçado quando algumas pessoas me dizem “Ei isso te mata! ”, “Você pode largar o vício” “Você pode pegar câncer”, “Você tem que cuidar da sua vida”, mal sabe elas que eu não me importo o suficientemente com minha vida para me preocupar com essas coisas, o meu vício não vêm do cigarro, meu vício vem de querer terminar logo com a minha vida.

 Depois de alguns minutos o metrô chega, pego minhas coisas apago meu cigarro e lá vai eu saindo do inferno para voltar ao submundo que era a minha casa.

Com um longo suspiro entro no metrô, felizmente ele estava completamente vazio, era apenas eu e a paisagem, o metrô passou pela colina mais alta da cidade que ficava afastada de tudo, assim como a escola aliás, me lembro daquele lugar, porém não me lembro de momentos em que passei nele, eu realmente sou esquisita. Passo direto pela estação da colina das flores, e desço na seguinte, assim que desembarco noto uma pessoa me seguindo, olho de relance para aquele individuo, seu rosto não é diferente de todas as outras pessoas que conheço “Entediante”, porém as roupas que aquele individuo estava usando eram o mesmo uniforme da minha escola, aperto o passo até o "ser" me perder completamente de vista, faço uma caminhada de 10 minutos e chego em casa.

Gelada e escura, a única luz que se via era uma luz azul vindo da sala, provavelmente a TV ligada, escutava-se roncos muito altos, meu pai estava dormindo, babando, várias garrafas de vidro espalhadas a sua volta, desligo a TV, contemplo aquele exemplo de pessoa, bêbado desempregado, e agressivo, em seguida subo para meu quarto, meu QG(1), arremesso a mochila ao canto e vou em direção ao espelho, a mesma aparência horrível, tento ajeitar meu cabelo, forço um sorriso e percebo que não sei sorrir, olho para meus braços, do meu ombro direito até a base da minha mão, era coberto por uma longa tatuagem com desenhos mórbidos, e referências a cultura geek (2),  ao olhar meu pulso me recordo de Akai, minha mão direita começa a esquentar, a misteriosa Akai, olho meu pulso procurando o laço vermelho, porém cobrindo ele vejo apenas uma tatuagem de arame farpado que fiz aos 14 anos, meus dedos formigam como se lembrassem do toque de Akai, fazia quantos anos que ninguém pegou em minha mão? No andar de baixo escuto gritos, era novamente minha mãe e o meu pai brigando, nada fora do comum. Tiro minhas roupas e entro na “banheira”, que estava mais para uma piscina de musgo, era provável que se cientistas estudassem essa banheira, descobririam 40 novos tipos de bactérias, eu já estava acostumada com esse tipo de coisa então banhar-me naquela “Bacnheira”, não me faria mal algum. Fico apenas deitada na água quente com cheiro de ferrugem, procurando relaxar, além dos gritos no térreo, ouço também um alarme, esse alarme era meu despertador que me avisava que era hora de tomar meus remédios. Pego dois comprimidos pequenos de Haldol (3) um comprimido pequeno de Sertralina (4) e mais uma de Exodus (5), eu particularmente nunca gostei desses remédios, eles me davam sono, mas eu nunca consegui dormir, meu psiquiatra até me recomendou tomar clonazepam (6) , mas quem disse que funciona? Acho que nenhum desses funcionam, servem somente para gastar meu dinheiro.

Após alguns minutos na água fedida, saio dela e procuro por roupas limpas (o que não é nada fácil), encontro a última troca limpa que me restara e ao ouvir meu estômago roncar desço em direção a cozinha. Chegando na cozinha era lá que ambos patetas, que chamo de “pais” se encontravam, pego sobras de dois dias atrás dentro da geladeira e o esquento no micro-ondas, enquanto ambos ainda brigavam, sento-me e começo a comer, berros atrás de mim e eu apenas pensando o quão faminta estava. Em certo momento o som forte de um tapa veio atrás de mim, me viro calmamente e olho a cena, meu pai estava batendo na minha mãe, novidade! Viro-me novamente para meu prato e termino de comer.

Quando acabo meu pai já havia se retirado e minha mãe com o olho roxo lavava os pratos. Deixo meu prato sobre a pia.

- Está doendo? – Pergunto

- Não, estou acostumada – disse com um tom de sofrimento na voz.

- Sabe que isso é sua culpa, não é mesmo? – Digo.

Minha mãe me encara com o olhar que dizia “Cale a boca e cuide da sua vida”, resolvo aceitar o conselho daquele olhar.

Vou novamente a geladeira pego uma maçã quase apodrecendo (sem desperdícios!) , ando até a sala de jantar onde meu pai estava assistindo Tv, sento-me no sofá e assisto junto com ele.

- Pegou pesado com a mãe -digo mordendo a maçã.

- Ela mereceu.

- Realmente – concordo com indiferença – Poderia em vez de tentar bater, conversar, sabe... é o que o homo sapiens faz, não que você seja, mas seria legal seguir o exemplo.

Meu pai me encara com um olhar parecido com o de minha mãe, porém aquele olhar de meu pai transmitia algo mais como “Eu não entendi poha nenhuma”

- Cala a boca sua pirralha de merda – Disse irritado.

Dou um longo suspiro.

- Obrigada pela conversa produtiva – mordo mais uma vez esticando os pés sobre a mesa central,  que estava sem um pe – Você é mesmo um babaca, não tanto quanto ela, mas os dois se merecem no fim das contas.

Meu pai se erguera com fúria em seus olhos, andando com passos firmes em minha direção, saboreio a maçã calmamente, ele estende sua mão agarrando minha garganta, ele começa a apertar fortemente me fazendo engasgar, meu rosto começa a formigar e sinto-o começar a ficar gelado sem a circulação do sangue.

- Sua imbecil! Quem pensa que é para falar assim comigo?!

- Al...gu..e-em me...me...lhor que você.

Ele aperta mais e mais, começo a não sentir mais meu corpo, minha visão estava ficando turva, reúno minhas ultimas forças para cuspir o pedaço da maçã que estava na minha boca na cara do meu pai, ele me solta na mesma hora, caio no sofá tentando recuperar meu ar, meu pai sai até o banheiro provavelmente para se limpar.

- Obri...gada pel...a ótim...a conversa -digo recuperando o ar e esfregando meu pescoço dolorido.


Notas Finais


1 - [Q.G.] significa Quartel general
2 - [Cultura Geek] refere-se a pessoas peculiares geralmente fãs de tecnologia, eletrônica, jogos eletrônicos ou de tabuleiro HQs, livros, filmes, animes e series.
3 -[Haldol] remédio indicado para pessoas com psicose crônica, delírios, desconfiança, alucinações, agitacoes, temperamento agressivo e bipolaridade.
4 - [Sertralina] remédio indicado para o tratamento de depressão acompanhada de ansiedade, transtorno obsessivo compulsivo, transtorno do pânico, transtorno do estresse pós traumático, e fobia social.
5 - [Exodus] remédio indicado para prevenção de recaídas da depressão, tratamentos de transtorno do pânico, com ou sem agorafobia(medo de sair de casa), tratamento de transtorno de ansiedade genralizada e social.
6 - [Clonazepam] remédio para crises epiléticas, ansiedade de humor, sindrome psicótica... Basicamente um calmante.
7- (OBS : NÃO É PORQUE keiko toma esses remédios que ela tenha todos os sistomas, para ser prescrito um remédio basta que o paciente tenha alguns dos sintomas, não necessariamente todos eles)


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