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História Memórias do Jardim Secreto - Capítulo 7


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Capítulo 7 - Cortes Irregulares


 

 

Em passos lentos e sonolentos, Kihyun caminhou em direção a sala tentando colocar em ordem seus próprios pensamentos.

O dia anterior havia sido um pouco intenso para suas emoções, principalmente na parte da manhã. Por sorte, durante o período da tarde e da noite, Changkyun pareceu se acalmar consideravelmente e eles voltaram para casa, ficaram vendo filmes até que o cansaço os fizessem ceder. Na verdade, o bombeiro adormeceu primeiro e nada que Kihyun fizesse o acordava, por isso, o mais velho entre eles se certificou de cobrir o corpo alheio e depois ir para cama.

Anteriormente, Kihyun estranhou um pouco aquele cansaço repentino do outro, mas não havia se preocupado. Contudo, ao chegar na sala e encontrar o corpo de Changkyun da mesma forma que a noite anterior, foi impossível não ficar alarmado. Changkyun raramente acordava tarde, ainda mais considerando o quão cedo ele havia adormecido.

Kihyun andou um pouco mais rápido e se agachou ao lado do sofá. Retirou os cobertores do corpo do outro e o virou, podendo observar claramente a face de Changkyun. Seus fios estavam mais desgrenhados que o normal, pois estavam úmidos pelo próprio suor do bombeiro, e sua pele estava avermelhada demonstrando a alta temperatura da mesma.

A mão de Kihyun foi em direção a testa de seu companheiro, confirmando o que já era esperado. Changkyun queimava em febre.

- Chang! – Kihyun chamou, mas somente recebeu um resmungo em réplica. O outro parecia estar tão abatido ao ponto de não conseguir o responder. – Merda... o que eu faço?

Kihyun tentou não deixar que o desespero o tomasse. Respirou fundo e se relembrou do que sua própria mãe fazia consigo quando era criança. Para lidar com a febre, ela não o deixava ficar com cobertores excessivos e o vestia com roupas leves. Quando sua febre estava muito alta, sua mãe lhe dava um banho morno e alguns remédios. Kihyun teria que ligar para a mesma para a perguntar quais eram os tais remédios, mas antes de fazer isso precisava tomar ações imediatas para abaixar a febre.

- Chang, eu preciso que você me ajude. – Comentou baixo afastando os cobertores. – Eu preciso te dar um banho, mas você precisa de fazer um pouquinho de força porque eu não conseguirei sozinho.

Kihyun recebeu como respostas mais alguns resmungos. O editor passou um de seus braços ao redor das costas de Changkyun e o outro atrás de seu joelho. Com um pouco de esforço, Kihyun carregou o corpo fraco do bombeiro e andou com cuidado em direção ao banheiro.

Estando próximos daquela forma, Kihyun pode sentir como o corpo de Changkyun estava quente. Imaginou por alguns segundos o que aconteceria se tivesse ficado mais alguns minutos na cama, será que Changkyun começaria a ter convulsões? Talvez não fosse momento de pensar sobre aquilo, o importante agora era cuidar do outro o mais rápido possível.

Ao entrar no banheiro, Kihyun ficou com dúvida de onde deixaria Changkyun. No final, acabou o colocando dentro da banheira ainda de roupa. Usou uma toalha para usar de travesseiro e impedir que o bombeiro machucasse sua cabeça. Em seguida, abriu a torneira e conferiu a temperatura. Morno.

- Agora eu preciso tirar suas roupas. – Falou mais para si mesmo do que para Changkyun. – Me desculpe.

Kihyun tentou retirar a camisa de Changkyun, mas na posição que estava era quase impossível. Por isso, retirou sua própria camisa, e ficando apenas com seu short de pijama, entrou na banheira permitindo que fosse mais fácil de manipular o corpo do outro. Com cuidado, retirou a camisa e calça de Changkyun, acabando por se molhar todo no processo.

Tentou ser muito delicado ao passar o sabonete no corpo do outro, retirando os requisitos de suor. Passeando os dedos pela tez, Kihyun sentiu a temperatura se atenuando aos poucos. Changkyun ainda parecia mais inconsciente do que consciente. E por isso o editor pensou se deveria retirar a cueca preta que o mesmo usava, se sentindo mal por ver a nudez de Changkyun enquanto este estava indefeso.

O conflito moral de Kihyun não fazia muito sentido quando se tratava do bem da saúde de Changkyun. Então Kihyun retirou aquela última peça quase de olhos fechados, tentando não ver mais do que o necessário.

Quando a temperatura de Changkyun pareceu se normalizar consideravelmente, Kihyun decidiu que era melhor encerrar aquele banho. Novamente carregou o corpo nu do bombeiro, fazendo com que se molhasse ainda mais. Caminhou com um cuidado redobrado para o quarto, sabendo que se caísse naquele momento traria muitos problemas.

Posou Changkyun na cama bagunçada e tentou o secar rapidamente. Em seguida, buscou no guarda roupa algumas peças de tecido fino, achando uma camiseta qualquer. Resolveu deixar o outro apenas com a peça que achou e cueca, evitando demorar ainda mais escolhendo qualquer outra roupa. Vestiu Changkyun e posicionou seu corpo de forma confortável no meio da cama com um cobertor fino o cobrindo.

- Eu tenho que ir na cozinha, mas eu volto rápido. – Kihyun falou sem saber se o bombeiro era capaz de o ouvir.

Pegou seu celular e saiu do quarto com receio. Ao mesmo tempo que caminhava, buscava o número de sua mãe na agenda, que não foi muito difícil, pois havia apenas o contato de Changkyun e o dela no celular novo. No terceiro toque, a mulher atendeu.

- Alô? Quem é? – Sua voz soou suave.

- Oi, mãe. Aqui é o Kihyun. – O editor falava enquanto enchia um copo de água. – Desculpa por te ligar cedo, mas eu preciso de ajuda.

- O que aconteceu, amor? – A mulher repentinamente se tornou mais preocupada. – Você está bem? Está sentindo alguma dor?

- Não é isso. Changkyun acordou com uma febre muita alta e eu não sei muito bem o que fazer. Já dei banho nele e coloquei roupas mais leves, mas não sei o que vou fazer se a febre voltar a aumentar.

- Calma, meu amor. Primeiramente, você fez certo. Agora, deve dar remédios para evitar que a febre volte. Eu vou te passar o nome e você terá que ir os comprar o mais rápido possível, deixar ele sozinho não é uma opção muito boa. – A mulher ditou cuidadosa. – Eu irei para sua casa mais tarde e vou te ajudar. Fique tranquilo, não precisa chorar.

Ao escutar aquilo, Kihyun pode finalmente notar sua voz esganiçada e sua mão trêmula. Ele estava tão nervoso com a possibilidade de Changkyun estar em uma situação ruim que não conseguia controlar seus próprios sentimentos. Não era comum que perdesse a calma com tanta facilidade. Kihyun não estava se reconhecendo.

- Eu vou fazer o que você falou. – Kihyun tentou se recompor. – Me mande o nome dos remédios, por favor. Tenho que me trocar. Obrigado, mãe.

A mulher se despediu com a promessa de que iria para o apartamento deles o mais rápido possível. Após encerrar a chamada, Kihyun voltou para o quarto e tentou fazer com que Changkyun tomasse um pouco da agua. Sem muito sucesso.

Kihyun se secou e colocou as primeiras peças de roupa que achou, vestindo logo seus sapatos e pegando a carteira. Antes de sair do quarto, se aproximou de Changkyun e conferiu sua temperatura fazendo um carinho suave na testa.

- Eu vou logo, prometo.

 

 

 

Quando Kihyun voltou, Changkyun estava da mesma forma que havia lhe deixado. Sua temperatura ainda permanecia alta, contudo, não como pela manhã.

O editor tentou acordar o outro para que conseguisse tomar os remédios, mas Changkyun ainda parecia estar muito fraco. Kihyun tentou fazer com que tomasse o remédio e um pouco de água, tendo sucesso após algumas tentativas fracassadas. Em seguida, posou uma toalha úmida sob a testa de Changkyun e arrumou os lençóis, deixando que ele repousasse da forma mais confortável possível.

Apesar de não estar como antes, Kihyun ainda sentia uma certa agonia ao ver o outro naquele estado. Não sabia se estava tomando as atitudes certas, mas estava o fazendo com todo o carinho e cuidado do mundo. O que ele mais desejava no momento era que Changkyun ficasse bem e que sua mãe passasse logo por aquela porta para o socorrer.

E ela o fez, depois de que Kihyun ficou por longos minutos ao lado da cama observando toda e qualquer reação de Changkyun. Quando a mulher tocou a campainha, o editor correu para atende-la e a guiou pela casa rapidamente.

- Respire. – Sua mãe o acalmou sentindo a temperatura de Changkyun. – Ele vai ficar melhor em breve. Sua temperatura já está abaixando.

- Tem certeza? – Kihyun perguntou mesmo sabendo que sua mãe fosse a simpática e eficiente enfermeira Yoo Hyeon há mais de vinte anos. Por isso, a mulher deu um sorriso simples quando questionada.

- Sim, eu tenho. – Respondeu. – Você cuidou muito bem dele.

Kihyun respirou fundo, aliviado. Apesar de ainda não gostar do fato de que Changkyun estar praticamente inconsciente e com a pele tão pálida, Kihyun sabia que se havia alguém no mundo em que podia confiar cegamente era a sua própria mãe. Por isso, o editor se sentiu convencido.

Mãe e filho decidiram que era melhor irem preparar o almoço e deixar com que o outro descansasse em paz. Changkyun em breve acordaria e precisaria se alimentar adequadamente, ao mesmo tempo que Kihyun não podia pular refeições por ainda estar em recuperação.

Na cozinha, a mulher caminhou em direção a geladeira e avaliou os ingredientes ali. Chegou à conclusão que felizmente tinha o necessário para fazer uma sopa. Todos seus movimentos eram observados por seu filho e pelo gato de cor cinza.

- É igual o dono, com certeza. – Comentou rindo. – Fico até na dúvida de quem é meu filho.

- Está falando igual o Changkyun. – Kihyun respondeu indignado. E para sua sorte, o gato também miou em recusa. – Assim você não me ajuda, Sailor.

- Acho que nós estamos certos mesmo.

- Se você não tivesse chegado, agora eu não saberia mesmo o que fazer. – Kihyun comentou enquanto tentava cortar em pequenos pedaços uma cenoura. Segurava a faca de forma desengonçada e sabia que os seus cortes estavam completamente irregulares.

Hyeon riu. – Não teria coragem de pedir pizza para vocês almoçarem, não é?

- Acho que não. - Kihyun pensou brevemente. – Eu pediria comida chinesa.

- Fico feliz de Changkyun morar com você. Um dos meus maiores pecados em sua criação foi não ter te ensinado a cozinhar de forma decente para conseguir sobreviver.

- Não foi sua culpa. Até que você tentou, mas fastfood sempre foi uma opção muito mais vantajosa para mim. – Kihyun deixou que sua mãe pegasse sua posição. A mulher conseguia executar cortes muito melhores que os seus. – Será que eu deveria ligar para os pais do Changkyun? Não acho que eles têm muito contato, mas talvez fosse bom avisar.

Kihyun sempre pensou sobre isso. Changkyun parecia ser muito próximo de sua mãe, além de que o casal também compartilhava diversas amizades, entretanto, Kihyun não conhecia nada da família do outro. Ou melhor, não se lembrava. Nunca teve espaço para perguntar sobre os pais do bombeiro.

- Ele não te contou? – A mulher perguntou enquanto jogava o vegetal na panela, recebendo rapidamente um aceno negativo por parte de seu filho. Sua expressão se tornou mais triste, não gostava muito de falar sobre algo que causava dor ao seu genro. – Changkyun perdeu os pais há um bom tempo. Você nunca os conheceu.

Kihyun sentiu seus próprios lábios se secarem ao ouvir aquilo. – Ele não tem nenhum parente próximo? Alguém que cuidou dele?

- Pelo o que eu sei, não. Você mesmo me contou que Changkyun os perdeu quando era adolescente, e acabou por ter que lidar com tudo sozinho. Não acho que ele tenha alguém.

- Isso não é possível...

A mãe de Kihyun se virou para pegar alguns temperos no armário, deixando que seu filho absorvesse as novas informações sozinho. Ela não queria que aquele assunto tivesse vindo à tona daquela forma, ainda mais sendo ela que o contasse algo que não era de sua conta. Esperava que Changkyun não ficasse chateado consigo.

- Changkyun pode parecer um homem simples demais, mas ele carrega algumas coisas que não gosta de falar. – Hyeon continuou. – Você sabe que eu o considero como um filho, e isso aconteceu porque sei que ele é a segunda pessoa no mundo que mais te ama. Mas eu também o compreendo e o aceito porque sei que ele já passou por coisas demais e que não quer estar sozinho. O coração dele é grande demais ainda que tenha passado por tantas dificuldades.

Kihyun acenou positivamente, ainda processando as novas informações.

- Antigamente, você era a única pessoa no mundo que Changkyun conseguia se abrir sobre qualquer coisa. Agora, ele deve estar inseguro para te contar sobre algumas coisas e acabar te pressionando. – A mulher suspirou. – Não sei como está a relação de vocês, mas imagino que você deve o achar muito protetor e intenso contigo.

- Ele sempre está orbitando ao redor. – Kihyun sussurrou baixo. Em sua mente, fleches dos momentos ao lado de Changkyun passavam, o mais novo sempre esteve ali.

- Imagino que você deve o achar um pouco pegajoso. Mas, como mãe, imagino que ele esteja dessa forma por medo de perder mais uma pessoa em sua vida.

Kihyun batucou seus dedos na bancada, entretido com seus pensamentos. – Ele é certamente pegajoso. Porém, em todo momento eu noto que ele tem medo de se aproximar e acabar forçando alguma coisa em mim. Changkyun sempre deixou claro que quer que eu faça a escolha por mim mesmo.

- E é por isso que eu o aceito. – Sorriu terna. – Ele sempre pensa em sua felicidade em primeiro lugar, assim como eu.

 

 

 

Durante a tarde, Kihyun e sua mãe conversaram sobre muitas coisas. Eles precisavam ter aquela conversa, pôr as coisas em ordem. Kihyun percebeu que não precisava ser tão atualizado, pois se recordava – ainda que de forma vaga – da maioria das novidades que sua mãe havia o contado sobre a família, vida e mundo.

Vez ou outra, um dos dois iam ao quarto conferir o estado de Changkyun. Felizmente, a temperatura do bombeiro já estava normalizada, apesar de seu corpo ainda repousar profundamente.

Quando o sol já estava se pondo, a mãe de Kihyun se despediu com um beijo na bochecha do filho e o fez prometer enviar notícias assim que Changkyun acordasse. O apartamento novamente ficou silencioso e isso deu espaço para Kihyun começar a pensar mais do que gostaria sobre diversas coisas.

 O editor tentou se distrair deitando no sofá e colocando em um filme qualquer. Contudo, nem mesmo aquele drama de qualidade duvidosa conseguia o fazer fugir das dúvidas que o rondava.

- Por que as coisas têm que ser assim? – Kihyun questionou a bola de pelos que dormia em seu colo. – Por que eu tinha que me envolver em um acidente e acabar ferrando com tudo, Sailor?

Infelizmente, o gato não tinha a resposta assim como ele próprio. A única forma de Kihyun fugir daquelas duvidas era se entregar ao mundo dos sonhos, então assim o fez.

E Kihyun não sabia quanto tempo havia corrido desde então, mas não pode evitar seu despertar ao sentir o felino se mexer em seu colo. Abriu os olhos devagar, mas rápido o suficiente para ver Sailor correr em direção a uma figura que ia em direção a cozinha.

O editor se levantou e caminhou para o mesmo sentido enquanto coçava seus olhos. Na cozinha, ele já estava acordado o suficiente para ver com perfeição a imagem de Changkyun sentado na bancada com um prato de sopa em mãos.

O mais novo tinha seus fios completamente bagunçados e ainda vestia a roupa que havia sido colocada por Kihyun mais cedo. Seu rosto carregava vestígios de cansaço, mas estava bem mais corado do que o editor lembrava de ter visto mais cedo.

- Boa noite. – A voz rouca de Changkyun soou e Kihyun sentiu um alivio correr em seu corpo de forma nunca vista. Ele não sabia que estava com tanta saudade da voz do outro. – Essa sopa está muito boa. Foi sua mãe quem fez?

Kihyun cruzou em passos largos a cozinha, se colocando a poucos centímetros do corpo do mais novo. A mão foi diretamente a testa, e o suspiro do editor foi uma consequência da calmaria que o tomou ao ver que a temperatura de Changkyun havia voltado ao normal.

- Sim. – Respondeu baixo. – Você está bem? Sente alguma coisa?

Changkyun sorriu, não conseguindo evitar ao ter Kihyun próximo. – Meu corpo dói um pouco, mas nada para se prestar atenção. Me desculpa por ter feito você se preocupar tanto.

- Deveria mesmo se desculpar. – Kihyun bufou. – Você não tem noção do que fez comigo durante o dia todo.

- O que eu posso fazer para você me perdoar? – Changkyun perguntou divertido. Deu mais uma colherada e se deliciou com o sabor da comida. – Isso está muito bom.

- Eu ainda vou pensar. – Kihyun foi em direção ao armário e buscou os remédios que havia comprado mais cedo. – Você deveria tomar outra dose, para que não tenha dificuldades durante a madrugada.

Changkyun aceitou e ligeiramente engoliu as pílulas. Logo, voltou a desfrutar de sua refeição sendo observado por Kihyun.

- Sua mãe quem trouxe esses remédios? – Changkyun questionou curioso. Sabia que seu estoque de medicamentos para aquele tipo de situação estava bem escasso desde antes do acidente de seu marido.

- Eu comprei.

- Conseguiu andar por aí sem nenhum problema?

Kihyun deixou uma expressão de insatisfação tomar seu rosto. – Não sou um incapaz, sabia? Eu consigo ir a qualquer lugar que eu quiser sozinho, só não o faço porque prefiro ter sua companhia.

- Eu não quis te ofender. Eu só fiquei surpreso por você ainda se lembrar da geografia do centro. Esse caos é complicado até para mim que fico o dia inteiro andando para lá e para cá.

Kihyun pegou a colher da mão do outro e colocou em sua boca, roubando um pouco da sopa posta ali. Changkyun o olhou descrente, sua boca aberta e olhos saltados fez com que Kihyun risse alto.

- Não faça isso! – Changkyun reclamou. – Você vai acabar ficando doente também!

- Foi só uma colherada, fique calmo. – Kihyun respondeu fazendo pouco caso. – Tenho uma saúde de ferro.

- Ainda bem que a tem. – Changkyun resmungou irônico.

O silêncio novamente tomou a cozinha. Kihyun permaneceu na bancada observando o faminto bombeiro, percebendo que Changkyun as vezes parecia uma criança. A forma como comia com rapidez e deixava sua boca completamente suja era quase fofo na concepção de Kihyun. Quase.

O editor percebeu que provavelmente seria estranho continuar a encarar Changkyun daquela forma, por isso, buscou seu celular no bolso e enviou uma mensagem para sua mãe, avisando que o outro estava bem. Em seguida, perdeu tempo em algumas redes sociais.

Kihyun teve a oportunidade de rever seu instagram após comprar seu novo celular. Em seu perfil, ele compartilhava muitas resenhas de livros e momentos de lazer. Em diversas fotos poderia ser observado ele e Changkyun em alguma paisagem, aparentemente, o casal gostava muito de viajar. Era bonito, Kihyun assumia, e o fazia ter vontade de se lembrar ainda mais de quem era o seu marido.

A primeira foto que surgiu na rede social foi a de Hyungwon com Hoseok. O seu chefe estava fazendo uma expressão séria, completamente contraposto de Hoseok, que fazia uma careta engraçada. Na legenda, Hyungwon comentava sobre como Hoseok conseguia ser um idiota.

- Eu queria realmente te agradecer.

Kihyun não notou que o outro já havia encerrado sua refeição, e muito menos que havia se aproximado de si. Somente notou Changkyun quando este o abraçou por trás e encaixou o queixo em seu ombro.

Desde a ida a cafeteria, Changkyun havia decidido se aproximar de Kihyun cada vez mais. Afinal, o editor havia lhe dado o aval necessário. Por isso, Changkyun tomou a iniciativa de abraça-lo, contudo, não esperava ver que Kihyun observava uma foto de Hyungwon no instagram. Então era isso que o seu marido olhava no celular por tanto tempo? Será que Kihyun tinha ciúmes da aproximação de Hyungwon e Hoseok? Changkyun não queria se fazer essas perguntas, mas era inevitável.

- Você já o fez. – A voz de Kihyun soou trêmula, fazendo Changkyun imaginar que o editor estava dessa forma por ter sido “pego no flagra”.

- Está tudo bem? – Changkyun não conseguiu deixar de questionar. Sua insegurança o fazia quase soltar Kihyun daquele abraço.

- Bom... – Kihyun sussurrou. – Você está só de cueca e está muito perto, entende?

Por hora, Changkyun novamente engoliria suas dúvidas. Mais uma vez, guardaria seus próprios sentimentos. Era melhor desse jeito.

- E? – O bombeiro perguntou risonho.

Kihyun desligou a tela do aparelho e o deixou descansando na bancada para dar total atenção ao outro. – Acho melhor você voltar para a cama. Deve descansar mais para ficar totalmente recuperado.

O mais novo entre eles assentiu, entendendo aquilo como um recado de que talvez tivesse ido longe demais no limite entre eles. Por isso, soltou o corpo de Kihyun e se afastou alguns passos. Fez menção de ir para a sala, mas foi interrompido pela voz do editor.

- Eu dormirei no sofá hoje. E nem tente discutir, pois não irá ganhar. Você está doente e merece dormir da melhor forma possível.

Changkyun assentiu, exausto emocionalmente de continuar naquele ambiente. Sua mente estava começando a caminhar por um local obscuro demais. Se ele tivesse deixado Kihyun desconfortável ou chateado, ele com certeza não se perdoaria.

Em poucos minutos, o bombeiro já estava deitado na cama e quase deixando que o cansaço lhe tomasse. Os remédios o deixava sonolento demais. Contudo, ainda que de olhos fechados, não pode deixar sua consciência escapar ao escutar passos no quarto.

- Me desculpe por não saber como lidar com essas coisas. – A voz doce de Kihyun sussurrou próxima de seu rosto. Changkyun segurou a vontade de abrir os olhos, permanecendo imóvel. – Se recupere logo, por favor.

E quando os lábios quentes de Kihyun entraram em contato com a bochecha de Changkyun, o bombeiro não conseguiu controlar seus batimentos cardíacos assim como o sorriso que tomou seus lábios quando o mais velho já havia saído do cômodo.

Somente aquele simples ato foi o suficiente para acalmar as inseguranças de Changkyun. Pelo menos, por hora.


Notas Finais


Olá! Como vocês estão? Gente, eu to louca para o próximo capitulo já que *** *** *****. Surtos e surtos, quem me segue no twitter sabe que vez ou outra eu solto uns spoilers. A proposito, @lolaflyy
E vocês estão preparados para o comeback que ta cada vez mais perto? Sobreviveram ao aniversário do mx? Estão comendo e vivendo bem? Eu espero que sim.
Estou ansiosa pelo próximo capitulo pra saber logo a opinião de vocês, porque eu pessoalmente amei escrever. Vamos ter que esperar até semana que vem.
Só para deixar avisado: Minha casa vai entrar em reforma a partir de segunda feira, e eu vou evitar ao máximo que isso atrase ou atrapalhe minhas postagens aqui, mas se caso acontecer eu já deixo avisado.
Eu espero que vocês tenham um bom fim de semana e que fiquem em casa! Até pessoal!
obs: vou responder os comentários do capitulo anterior assim que eu puder dar o máximo de atenção. Com esse negocio de reforma, eu to tendo meu tempo muito ocupado então peço desculpas desde já.


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