História Memórias Negligenciadas - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 1.849
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ficção, Mistério, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Confesiynau'r Meddwl


Fanfic / Fanfiction Memórias Negligenciadas - Capítulo 2 - Confesiynau'r Meddwl

A Ilha de Bardsey (Ynys Enlli em língua galesa) é uma ilha que fica à entrada da baía de Cardigan, em Gwynedd, País de Gales, ao largo da Península de Lleyn. Ao nordeste da capital de Ynys Enlli, ainda na ilha, há uma grande cidade, curiosamente grande, levando  conta o fato de mais de noventa e oito por cento do mundo não saber de sua existência: Hosbis, apesar de populosa, era bem povoada. É ao norte desta cidade, no alto de uma montanha, de onde lhes conto esta história.

Vagava pelos corredores, com sua camisola branca, cujas barras se arrastavam pelo chão, e sua mente concentrada muito além da realidade. Passava em frente a quartos e mais quartos de pacientes, cada qual com seus respectivos problemas mentais. Sem explicações para em uma porta aberta e observa uma paciente, identificada como de origem brasileira, que em algum dia deve ter sido um bela mulher, pensou, mas não nos dias atuais. Tinha cabelos negros e desidratados, pele bronzeada, era ossuda e baixa - mesmo deitada era possível perceber. Ela gritava ao ver os médicos e enfermeiros, dizendo que eram monstros e jurando vingança por eles a terem traído.

Gwen a ignora e continua caminhada pelo corredor, até finalmente achar a porta pela qual vagava à procura. Antes de entrar, ela solta seus longos e ondulados cabelos ruivos, os quais ela não cortava há quase dois anos.

Gwen cruza a enorme porta branca e o encontra sentado na cama, olhando o jardim de Dim Chwaer, o centro de saúde mental, onde moravam há mais de dois anos.

_ Você voltou.

_ Você também. - Brendon a responde e ri logo em seguida.

_ Não tem graça. Nós quase morremos.

_ Estamos vivos agora, oras. - Diz ele, sem desviar os olhos do jardim. Depois de um tempo, pergunta: - Afinal, o que diabos era aquilo?

_ Não faço a menor ideia, mas ainda tenho pesadelos com aquilo. - Gwen olha pela janela, reparando nas pessoas andando pelo jardim, todas de branco. Há duas semanas atrás era a mesma coisa. Eles estavam ali e Kellen, Morgan e Dylan também estavam naquele mesmo quart, observando as mesmas pessoas vagando pelo mesmo jardim com as mesmas roupas e as mesmas expressões vagas nos rostos.

_ Odeio morar neste hospício, odeio quando falam que somos loucos, deficientes mentais, ou qualquer coisa do tipo, odeio tudo isso! - Diz Kellen, transbordando fúria.

_ E que culpa nós temos? Que culpa eles têm? Será que alguém é realmente culpado? Quem garante que não vivemos em uma bolha ilusória, na qual tudo e todos que conhecemos não passam de delírios? - Diz Morgan, num tom excepcionalmente filosófico. Kellen apenas revira os olhos, fazendo o oposto de Dylan, que admira Morgan.  

_ Ah, talvez não sejamos loucos. Mas talvez sejamos. Só acho que isso é uma questão de perspectiva. - Gwen comenta em seu costumeiro tom aluado.

Kellen nunca teve muita paciência com a irmã mais nova, mas desde que foram internadas naquele raio de lugar,  Gwen ficou de fato insuportável. Dylan e Morgan eram outros que a garota mal conseguia olhar. Eles eram loucos, sim, loucos de amor um pelo outro. Brendon era o mais suportável deles. Ou mais que isso, era o dono de tudo o que Kellen reuniu de sentimentalismo durante seus vinte e cinco anos. Só havia um empecilho entre Kellen e Brendon, um empecilho que a fez ficar semanas sem dormir, pensando num modo para eliminá-lo de vez. Gwen. Até mesmo o mais catatônico dos pacientes do lugar achavam Brendon e Gwen o casal perfeito, e era explícito a paixonite presente entre os dois. Além disso, Dylan e Morgan eram tão incrivelmente irritantes, que Kellen só conseguia pensar em livrar se deles juntamente com a irmã para poder desfrutar de seu amor.

_ Não acham que o dia está lindo? Vamos para o jardim? - Disse, com seu melhor sorriso.

Estava chegando o fim do verão, portanto a definição de “dia lindo” não era realmente uma verdade. Os seis vagueiam pelo jardim, com os pés descalços, sentindo a grama roçar seus pés, passando as mãos pelas folhas das plantas e deixando a barra de suas camisolas - era obrigatório, todos em Dim Chwaer tinham que usar aquelas camisolas brancas gigantes,que sempre ficavam maior que a estatura da pessoa - se prenderem em gravetos de vez enquanto.

Kellen caminhava na frente, com os passos bem calculados, conduzindo o grupo até onde sabia que poderia dar um fim no que tanto queria. Calculando  até a respiração, os conduziu até a parte do hospício em que eram tratados os casos mais graves de doenças mentais, onde a maioria dos pacientes haviam morrido.

_ Onde estamos indo? - Questiona-a Brendon.

_ Vocês verão. É uma surpresa.

_ Podia ter dito que era pra cá que estava nos levando. - Comenta Morgan.

_ Não seria o mesmo. - No fim de um corredor ela para e finge se lembrar de algo que esquecera, e virou-se para Brendon: - Ah, não! Eu esqueci uma coisa super importante no meu quarto, Brendon, você poderia voltar comigo rapidinho?

_ Uh? Porquê? Que preguiça, pra que isso? Vou ficar aqui.

_ Ah, vem, logo!  - Ela desesperou-se ligeiramente - é bem rapidinho!

_ Se é tão rápido assim você pode ir sozinha, além do mais, se eu for vou te atrasar.

_ Ah,  que droga,  Brendon! Vem logo,  se…

A porta atrás dela se abre, revelando um homem alto, de nariz enorme e feições muito sérias. Ele também usava aquela camisola branca, meio transparente, como todas.

_ Venham por aqui.  Sem perguntas. Rápido.

_ Ah,  não. Na verdade ele e eu estávamos indo ali, mas já voltamos… - Disse Kellen.

Mais outros dois homens altos de cara amarradas aparecem por trás e os empurram pela porta. Entraram em um corredor estreito e com uma iluminação precária (havia apenas uma lâmpada a cada mais ou menos três metros). O chão era molhado, havia várias  poças de água, e era possível ouvir ratos e insetos roendo a parede.

As gotas d'água pingavam no chão e ressoavam pelo corredor. Os passos molhados ecoavam ainda mais quando se pisava numa poça d’água suja naquele chão imundo.  O corredor os leva até um salão iluminado por velas, onde as paredes estavam grafitadas com símbolos de cruzes invertidas e um símbolo central, pintado de vermelho, que consistia em um asterisco dentro de um círculo com um dos traços descendo até  o chão, cobrindo toda a parede. O homem que os “recebera” vai até um canto do salão, um outro homem faz o mesmo, indo até o canto oposto, e em uníssono eles entoam uma cantiga em galês, arrepiando os pêlos de Gwen e todos os outros. O outro homem, o que não estava cantando, pega Kellen pelo braço, já que ela estava na frente do grupo, e a arrasta até o centro do salão, de onde, do chão, mãos saem e agarram seus tornozelos, fazendo ela berrar. As mãos a puxam para a dentro da terra e a garota desaparece.  Os homens param de cantar e o que agarrara Kellen pega Gwen e a joga no centro da sala, os outros homens fazem o mesmo com os meninos, que chutam eles, sem sucesso em sua tentativa de fugir.

Do corredor donde vieram, ouvem sons de passos molhados, arrastados, e pequenos guinchos, este último  provavelmente dos ratos. caminha em suas direções uma figura com cabelos loiros-avermelhados, que batem em sua cintura e pingam sangue, sua camisola branca está rasgada e é possível ver a maior parte de seu corpo nu por baixo. Seus olhos, antes negros e tênues, agora expiram fúria e terror, sem falar de suas lágrimas  de sangue. O rosto de Kellen, que antes era liso e macio, agora é marcado por cortes feitos por garras e cicatrizes de queimaduras que antes nem se era possível sonhar com sua existência. Embora ela caminhava mancando, sua velocidade era esplêndida, e demora uma fração de segundo para estar com suas unhas no pescoço da irmã.

Gwen tenta se esquivar, mas sua força se esvai junto com o oxigênio que não chega a seus pulmões. Os meninos agarram o pescoço de Kellen e a afastam da irmã três anos mais nova.  Os homens agora intervieram na luta, batendo nos meninos. A confusão é iminente, porque foi aí que nada mais fez sentido, sendo que não se era mais possível saber quem batia em quem.  No final,  só se sabe que tínhamos uma Gwen traumatizada, chorando ao lado da irmã, morta. Um Brendon deitado, abraçando as pernas em posição fetal, e Dylan e Morgan, a um canto, se beijando, sem se importar com mais nada, um tirando a camisola do outro, e,  como era obrigatório no hospício, não usavam roupas íntimas, ficaram completamente nus, transando naquele canto sem ligar se havia ou não mais alguém na sala.  E os homens desconhecidos, aparentemente, estavam mortos.

_ Vem, vamos sair daqui. Precisamos limpar todo esse sangue. - Gwen coloca sua mão no ombro de Brendon, que ainda estava apavorado.

_ Ah…  É… Deveríamos.

Ai saírem pelo corredor, eles entram num banheiro ao lado da saída, como a placa indicava. Ambos entram embaixo da mesma ducha, pois temiam cair e nunca mais levantar se se desgrudassem. Foi em meio àquela ducha que se beijaram e fizeram tudo o mais pela primeira vez. A primeira de muitas vezes.

Gwen sorri ao se lembrar de que pelo menos algo bom saiu em meio a todo aquele caos. Ela tira seu olhar do jardim e o deposita no garoto com cabelos negros e sedosos ao seu lado, com os olhos castanhos-claro que a fazia ver o infinito no marrom.  

_ Esquece aquilo.  Não vai nos fazer bem lembrar de nada daquilo.  - Ele se levanta e a abraça aconchegantemente.

_ Tem razão. - Ele a beija, deslizando as mãos por seus cabelos, sem perceber que se moviam lentamente até a cama. Queriam mais que um simples beijo, queriam unir-se em um só ser, se tornarem parte um do outro. Mas tiveram que esperar um pouco mais para isso.

_ Ei,  Romeu e Julieta?  Caralho, vocês tem que ver isso! - Diz Dylan,  ofegante, um sinal de que ele provavelmente veio correndo até aqui, com Morgan logo atrás.

_ O que?  O que houve?  - Dizem Gwen e Brendon em uníssono.

_ Vocês têm que ver.

Eles correm até o centro do jardim, onde, na  árvore ao lado daquele prédio onde eram tratados os casos mais graves de doenças mentais, estavam pendurados por cordas ao redor do pescoço os corpos dos três homens e da irmã de Gwen. Na construção branca ao lado, os dizeres:

       O SANGUE QUE EM TUAS VEIAS CORRE,

      OS MÚSCULOS QUE SOBRE TUA PELE SE FLEXIONAM,

      OS PENSAMENTOS QUE EM TUA MENTE FLUEM,

      TUDO, TUDO, TUDO.

      A CONTA CHEGA PARA TODOS E A SUAS NÃO TARDARÁ,

     A MIM SUAS ALMAS PERTENCEM, E JÁ VENHO BUSCÁ-LAS.

       VOCÊS. ESTÃO. MARCADOS.

Os quatro trocam olhares, sabendo então, o porquê daquelas marcas em seus pulsos: aquele x em cima de uma cruz.



Notas Finais


*IDIOMA: GALÊS 
*FIQUEM ATENTOS!: OS NOMES NÃO SÃO ESCOLHIDOS POR ACASO, TUDO TEM UM SIGNIFICADO


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