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História Memories - Betty en NY - Capítulo 8


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Notas do Autor


Galeraaaa, muito obrigada pelo feedback de vocês! Obrigada mesmo, por cada comentário, por favoritar. Mano, vi até uma menina divulgando a minha fic no twiiter (cry). Mana, se você estiver lendo aqui, A SENHORA É UM ANJOOO <3 Quer o mundo? Eu te dou!
Vi que tinha menina que teve mesma ideia do que eu kkkkk eu amei! Estamos conectadas! Eu só não me pronunciei no tt, porque eu sou tymidah kkkk Geralmente eu não interajo pelo twitter, aí fiquei com vergonha de me meter lá nos tweets para falar alguma coisa. Mas eu vi e fiquei muito feliz e grata!

O capítulo ficou enorme! Mas não tive coragem de dividir em dois. Estou tão ansiosa pra saber a reação de vocês com esse capítulo! Eu amei escrevê-lo.
Espero que vocês gostem também.
Boa leitura, meus amores!

Capítulo 8 - Capítulo 7


Hospital Geral de Manhattan. 16:00.

Armando Narrando

 

-Filho, Betty é a sua esposa. – meu pai falou com uma expressão pesarosa em seu rosto.  A frase que eu acabei de escutar parecia ser algum tipo de brincadeira de mal gosto, algum tipo de pegadinha para quebrar o clima de tensão. Mas não dele. Não vindo do meu pai. Meu pai nunca mentiria ou brincaria sobre isso.

Aquilo estava totalmente fora da minha realidade. Esposa? Como assim esposa?  Eu nunca vi aquela mulher na minha vida! E como eu poderia esquecer algo tão importante como um casamento?

- Não, pai. Como assim essa moça é a minha esposa? Eu vou casar com a Marcela! – rebati, sentindo a ansiedade e nervosismo  me atormentarem. Eu podia sentir a pulsação das minhas batidas aceleradas por quase todo o meu corpo.  – Onde está a Marcela? – levantei a voz.

Eu olhei para minha mãe, esperando uma explicação. Os seus olhos estava marejados de lagrimas olhando para mim. Ela caminhou até mim e segurou a minha mão, que soava frio.  Os soluços baixos da Betty eu ainda podia escutar. A sua dor era evidente e por um momento me senti triste pela sua decepção. Eu não queria ser a causa da sua dor, mas eu simplesmente não podia mais conter o caos que estava em minha cabeça desde que acordei. 

- A Marcela não está mais com você, Armando. – meu pai explicou. – Vocês dois se separaram faz bastante tempo. Você já se tornou o presidente da V&M, realizou todos os seus planos. Você agora está casado com a Beatriz e tiveram uma filha juntos. 

Filha?

Como eu poderia ter uma filha!?  

- Vocês estão me assustando. O que está acontecendo? – eu levantei a voz, me sentindo totalmente atordoado. - O que é isso?

- Armando, você sofreu uma amnésia. – o médico explicou. Aparentemente, era o único que ainda estava tranquilo naquele quarto de hospital. – A isquemia que você sofreu, mesmo não muito grave, afetou parte da região da sua memória. Pelo o que eu posso avaliar do seu relato, você só lembra até o momento que planejou um pedido de casamento à uma mulher chamada Marcela e esqueceu todos os outros acontecimentos mais recentes que isso.  – ele se virou para o meu pai. – Senhor Roberto, há quanto tempo isso faz, aproximadamente?

-Mais ou menos dois anos, doutor.  – meu pai respondeu. – Eu sinto muito, filho. 

-Dois anos? – perguntei e ele assentiu com a cabeça.

-Sim, você perdeu lembranças dos últimos dois anos da sua vida.  – o médico confirmou.

 

O mundo tinha caído acima de minha cabeça. Por um momento eu tinha uma vida, meus planos, relacionamento e agora eu acordo e descubro que tudo mudou. Como se por um dia, eu tivesse perdido dois anos da minha vida. E agora ouço o meu pai descrevendo a vida de uma outra pessoa para mim e dizendo que é a minha.  O nervosismo era tamanho que senti a minha cabeça doer  e a tontura  veio novamente com muito mais força.

Eram sentimentos demais de uma vez só para conseguir lidar.

– Eu quero minha vida de volta! – gritei, socando o colchão ao meu lado. - Isso não pode estar acontecendo... – fechei os olhos por alguns segundos, com as mãos sobre a cabeça que latejava. Por mais que eu quisesse, eu não conseguia mais me acalmar. Eram questionamentos demais e um mundo de sentimentos, todos borbulhando de uma vez só em minha mente.

Não pode ser, isso não poderia estar acontecendo comigo!

Abri os olhos e encontrei o olhar triste da tal Betty que sentava em minha frente. Uma sensação de culpa, revolta e dúvida enchia o meu coração. Não queria mais a ouvir chorar por minha causa. Eu também queria chorar, mas nem isso eu conseguia. – Me desculpa. – falei baixo, em direção a ela.  

- Filho, vai ficar tudo bem... – ouvi minha mãe falar ao meu lado, tentando me acalmar. -Nós vamos explicar tudo para você sobre o que aconteceu e você pode recuperar a sua memória aos poucos... – eu a interrompi, dessa vez mais controlado.

-Eu quero ficar sozinho.  – falei, olhando para baixo. Uma atmosfera densa de questionamentos me rodeava. – Por favor, preciso ficar sozinho para pensar, refletir sobre tudo isso.

Todos ficaram em silêncio.

- Por favor. – insisti. 

Então todos que estavam no quarto se caminharam para fora dali, quase que em total silêncio. Finalmente eu estava só.

 

Horas depois.

Ricardo Narrando

              

               Adentrei no Hospital Geral de Manhattan movido por uma curiosidade inquietante. Perguntei informação sobre Armando Mendonza no balcão de atendimento e prontamente recebi os direcionamentos para o seu quarto.  No final do corredor pude avistar Beatriz, Nicolás e os pais de Armando perto do quarto. Não era um bom momento para eu me aproximar, pois o circo estava reunido. Achei melhor disfarçar a distância e observar se eles iriam embora.

Pelo que eu pude observar, Beatriz estava com o rosto abatido, como se estivesse chorando... Hum, será que a minha teoria da briga ainda está de pé? Eu acho que sim. Mas do jeito que Armando é bunda mole, pode ter feito as pazes depois de umas míseras lágrimas derramadas de Beatriz. Independente da minha teoria, eu vou fazer essa visita. Eu prometi que o veria e vou cumprir o que eu prometi. 

Nicolás abraçou a sua amiga de lado e conversou algo com os Mendonza. Os quatros trocaram mais umas palavras e pude avistar Margarita caminhando para uma direção do corredor e Beatriz, Roberto e Nicolás  vindo à direção onde eu estava. Rapidamente entrei num banheiro masculino dali, antes que eles pudessem perceber minha presença no corredor. Eu não queria embates. Se eles me vissem, com certeza fariam de tudo para que eu não fizesse aquela visita.

Pela porta entreaberta do banheiro, pude ver os três caminhando até à entrada do hospital. Eles devem estar indo embora. Depois de dois minutos, voltei ao corredor e me certifiquei que não havia mais ninguém conhecido. E realmente não tinha. Então eu caminhei até o quarto que pertencia ao Armando. Bati três vezes na porta e ouvi a voz do Armando dar permissão para entrar. 

               - Armando Mendonza...  Quem diria que você me ligaria desesperado para que eu viesse te ver aqui... – falei cruzando os braços, o observando.  – Afinal de contas, o que aconteceu com você?

               Armando também tinha um semblante abatido e extremamente aborrecido.

               -Por que você demorou tanto? – ele perguntou impaciente.  Arqueei a sobrancelhas, surpreso com o seu abuso.

               - Os míseros mortais, príncipe Mendonza, precisam trabalhar, sabia? Tomei um banho depois do meu expediente e vim para cá.

               - O seu expediente terminou agora? – ele franziu a testa. – Mas os funcionários da V&M não foram liberados mais cedo hoje?  - esse cara está drogado, só pode.

               - Armando! Você está se ouvindo?  Eu não trabalho mais na V&M já faz um bom tempo!

               -O que? Você não trabalha mais na V&M!? – ele exclamou, como se eu tivesse o pego de surpresa.

– Fale logo o que deu em você, Armando! – rebati, já assustado com o seu comportamento estranho. - O que está rolando? Por que você me ligou daquela forma?

Respirou fundo e bufou, trocando a sua expressão de surpresa pelo semblante aborrecido de antes. 

- O médico disse que eu sofri uma amnésia. De acordo com ele, eu perdi a memória dos meus dois últimos anos. Eu não pude acreditar, bro. –  o encarava estático com o que acabei de ouvir. - De repente eu que estava cheio de planos, já tinha comprado o anel de noivado da Marcela, me preparando para reunião eletiva para presidência...  Agora eu descubro que estou casado com uma mulher que eu nunca vi na minha vida, tenho uma filha com ela e que o meu melhor amigo saiu da minha própria empresa... 

Agora tudo fez sentido!  Eu não posso acreditar. Ele esqueceu da gárgula, ele esqueceu da nossa briga, esqueceu de todos os dramas envolvendo a empresa... Ele fala da Beatriz como se fosse uma desconhecida.

Que mundo pequeno, não é? Carma não falha.

Pensei rápido sobre como me portar com toda essa situação. E quer saber? Vou dar continuidade a essa palhaçada. O universo está me dando uma oportunidade de dar a minha doce vingança, dar uma lição para aquele ingrato e para aquela sonsa manipuladora. Por todo desprezo e humilhação.  Ou talvez quem sabe eu não poderia ter o meu amigo de volta? Aquele Armando que nunca deveria ter mudado... O verdadeiro Armando.

- Bro... Eu não sei nem o que te dizer. -falei em tom de preocupação. -  Cara, independentemente de qualquer coisa, você sabe que pode contar comigo, não sabe? Para tudo. – eu disse apoiando a minha mão sobre o seu ombro. Ele puxou os lábios num sorriso discreto.

-Obrigado, Ricardo.  Nesse momento eu vou precisar muito de você, cara. Eu estou muito confuso... É uma loucura pra mim!

- Precisamos conversar sobre o que aconteceu durante esses dois anos, não acha? – sugeri.

-Concordo. Preciso que você me conte tudo o que aconteceu...  Agora me diz. Onde está Marcela?  - ele perguntou.

- Marcela... Ela foi embora de Nova York. E sim, isso tem a ver com a Beatriz. – seria um boa oportunidade de desfazer essa imagem de santa imaculada dela. – Mas... para te explicar em detalhes, seria preciso muitas horas disponíveis para te explicar tudo e num lugar reservado, porque aqui qualquer um pode entrar. – eu apontei para a porta do quarto e Armando balançou a cabeça totalmente atento ao que eu dizia.  – Acho que seria muito estressante você lidar com toda a verdade agora, ainda mais depois desse choque que você teve. 

- Tudo bem, a gente pode marcar uma conversa sem hora para acabar quando eu receber alta, mas eu preciso que você me conte tudo. Tudo mesmo!

- Mas tem uma coisa importantíssima que eu preciso te contar agora. – frisei. – Ninguém pode saber que eu vim aqui, me ouviu? Pelo menos não por agora.

- Por que, Ricardo?

- Digamos que eu sempre bati de frente com a Beatriz. E isso estava rendendo muita confusão, principalmente para você... Antipatia dela por mim acabou influenciando algumas pessoas a nossa volta também. Eu me aborreci tanto na época que até saí da V&M. Então eu e você decidimos fingir que tivemos uma briga feia, para que todos acreditassem que a gente não se fala mais. Mas continuamos a nossa amizade normalmente, mas agora sem aborrecimentos e confusões.  

- Por que Beatriz não gosta de você? 

 -Ela nunca me convenceu com todo aquele jeito de boazinha, santa e perfeita...  E ela percebeu isso e começou a se meter na nossa amizade.  E é capaz dela falar para você horrores sobre mim, como se eu fosse um vilão...  Estou te avisando só para te deixar preparado.

- Nossa... – ele comentou um pouco decepcionado. – Mas se ela não é uma pessoa legal, por que eu casaria com ela? Será que não tem uma certa bronca da sua parte, não? 

-Armando, você confia em mim?

-Claro que confio!

-Você confia mais no seu melhor amigo, no seu bro da vida toda ou numa mulher desconhecida? – perguntei para ele, o olhando nos seus olhos de uma maneira séria.

- Em você, obvio. Você é meu irmão, meu melhor amigo!

- Beatriz pode parecer uma pessoa muito doce, agradável e bondosa...  Mas ela não é bem o que parece. É meio complicado te dizer isso, mas...  Você sabia com quem você estava se metendo. Agora que você perdeu a memória, você não tem ideia de quem ela seja e é provável que talvez ela pinte uma situação para você um pouco mais conveniente para ela, entendeu?  - ele balançou a cabeça. – Eu não estou dizendo que você deve brigar com ela nem nada... Ela é tua esposa e respeito a sua escolha, mas estou te dizendo para que você fique atento e que você não deve acreditar em tudo que ela fale para você. Vocês são casados, mas você vai precisar conservar eu seu próprio senso crítico, entende? Estar desconfiado e astuto quando as pessoas em geral forem contar para você sobre as memórias que você perdeu.

-  Ok... Anotado, ficar atento. -  ele dizia com um olhar confuso. – Mas eu não entendo o porque me envolveria em tanto drama... 

- Armando, eu te disse que vou te explicar tudo em detalhes depois. Não precisa se preocupar demais com isso agora. Agora você precisa se preocupar em descansar, fazer o que médico está mandando e ficar bom.  – dei um leve tapinha em seu ombro. – Eu quero que o meu melhor amigo fique completamente recuperado. Além do mais, com essa cara de mal humor, você está precisando de um noite bem agitada, se é que me entende! 

Ele abriu um sorriso e parece que ele se lembrou das noites de diversão que nós tínhamos. – Nossa, eu daria tudo para estar numa festa agora e encher a cara como se o mundo fosse acabar hoje! 

-Esse é o meu Armando! – eu falei sorrindo para ele e Armando riu. 

Voltar no tempo e resolver as coisas do meu jeito? Isso vai ser muito interessante. 

 

Autor Narrando

              

               Após alguns minutos de conversa com Armando, Ricardo decide ir embora. Logo chegaria alguém ali e notaria a sua presença, então achou mais prudente ir embora para casa e voltar a falar com Armando no dia seguinte. Guardou o celular do seu amigo no bolso da calça. Ele sorriu satisfeito. Finalmente algo estava sob o seu controle novamente.

Ricardo teve a ideia de fingir que esbarrou no celular de Armando para cair o no chão e logo depois desliga-lo pela bateria. Com isso, pediu desculpas ao Armando de forma dissimulada por ter “quebrado” o seu celular. Como pedido de desculpas, levaria o aparelho ao conserto e traria de volta a ele no dia seguinte. Na verdade era só uma desculpa para poder fazer reset no aparelho e apagar todas as conversas e arquivos naquele celular. Se Ricardo está planejando um boa história para contar ao Armando desmemoriado, ele precisava ter os fatos ao seu favor. Ficaria difícil Armando acreditar em sua versão, se visse os registros de todas as conversas com e ele e com Betty ao logo desses dois anos. Então, ele trará o celular de volta no dia seguinte com a memória totalmente limpa.  “É... eu sou bom nisso.”, pensou Ricardo.

O seu plano vai dar certo. Várias ideias começaram a surgir em sua mente e ele esteve consciente que tinha que agir rápido. Logo, Armando vai voltar para vida normal e Beatriz vai começar a tentar recuperar suas lembranças. Era um desafio que Ricardo estava totalmente disposto a encarar. 

               Uma presença o surpreendeu e fez parar seus passos no corredor. Margarita o avistou com uma expressão de surpresa. Uma péssima surpresa, por sinal, pensou ela. Definitivamente Ricardo não era bem-vindo ali. Margarita não podia acreditar que aquele traidor tinha acabado de sair do quarto de seu filho. Apesar dela não saber sobre o seu envolvimento com Marcela, Margarita sabia muito bem que depois daquele escândalo horroroso com Ricardo sobre as ações da V&M e o plano de sedução da Beatriz, ele não era uma amizade saudável para Armando.

               -Ricardo? O que você faz aqui? – ela cruzou os braços, o olhando altiva. – O que você quer com o meu filho?

               -Margarita... – Ricardo disfarçou bem o seu susto, dando lugar a uma expressão dissimulada. – Está muito elegante, como sempre. Estou bem, obrigado por perguntar.  – ele disse sarcástico. Já houveram tempos que Margarita se divertia com humor ácido de Ricardo. Hoje ela o achava detestável.  – Soube o que aconteceu com Armando e vim visita-lo. Queria saber como ele estava e ficou feliz que está fora de perigo. Pode parecer muito difícil de acreditar, mas eu me importo com o seu filho. Fomos amigos por muitos anos.

               Margarita abaixou a guarda, mas alguma coisa dizia a ela que havia algo a mais ali. Sua intuição gritava para a desconfiança.

               -E como ele reagiu ao te ver? – perguntou ela curiosa. 

               -Bem... Desabafou sobre a situação da amnésia e como estava se sentindo, mas eu não quis força-lo a pensar muito sobre as memórias perdidas. Tentei distraí-lo um pouco. Ele estava muito tenso!

               - Foi terrível vê-lo reagindo a notícia. Coitado do meu filho. Já não basta o acidente horrível que sofreu por...  Impulso e paixão exagerada. E agora isso... – ela comentou.

               Ricardo notou um certo incômodo na voz de Margarita ao falar “impulso e paixão exagerada”. Pelo visto a paixão de Armando por Beatriz ainda era uma questão mal resolvida para ela.

               - Fiquei surpreso que ele esqueceu completamente da Beatriz. – disse de forma despretensiosa. - Interessante... Uma pessoa que aparentemente tinha uma importância emocional tão grande para ele, mas agora ele a vê como uma desconhecida... Achei que a memória afetiva teria alguma influência nessas situações, mas eu vejo que não é bem assim. Curioso, não? – Ricardo sabia muito bem que com as palavras certas ele podia influenciar quem ele quisesse.

               - Beatriz tem uma participação muito breve na vida de Armando.  – ela deu de ombros. – E ele esqueceu de tudo que viveu nos últimos dois anos. Então...

               -Diferente de Marcela, que esteve presente na maior parte da vida dele, por exemplo. Foi mais do que uma figura familiar, né. Foi uma paixão desde os tempos da adolescência. – ele sabia muito bem o ponto fraco de Margarita. – Você acredita que ele esteve me perguntando sobre ela? Estava tão ansioso para vê-la! Me perguntou onde Marcela estava. Ficou arrasado quando eu disse que ela saiu de Nova York. 

               - É sério? – a atenção de Margarita duplicou. Ela tentava conter o sentimento de esperança.

               - Sério. Acho que essa amnésia fez despertar novamente a paixão e todo aquele amor antigo que tinha pela Marcela. Não sei não... Acho que vai ser difícil convencê-lo a aceitar a sua nova vida. Na cabeça dele a mulher da vida dele é outra. – ele comentou. 

               - As coisas estão bem complicadas, não é?  - disse Margarita pensativa. 

               -Talvez não tão complicadas como imaginamos. – disse ele. – Quem sabe essa não pode ser uma oportunidade de mudanças positivas para o Armando? Talvez recuperar coisas que tinha deixado para trás, começar outras do zero. Não sei... Só estou tentando ser otimista. – ele sorriu de lado, satisfeito em perceber Margarita pensativa e levada pelas suas palavras. Ele sabe muito bem que ela por um momento ponderou a volta de Armando para Marcela. – Bom, eu tenho que ir. Preciso resolver uma coisas ainda hoje de noite e ainda vou acordar cedo amanhã...  E sou te peço uma coisa, Margarita. 

               -O que?

               -Que não conte que eu estive aqui para ninguém. Principalmente para Beatriz. Mais do que ninguém, ela me odeia! Não quero arrumar confusão com ninguém. Vim em paz, pelo bem de Armando. 

               Mesmo desconfiada das intenções de Ricardo, Margarita concordou. – Tudo bem, eu não conto. Eu não quero mais estresse por aqui. 

               -Tchau, Margarita. Tenha uma boa noite. – ele disse antes de andar confiante para saída do hospital.

               -Boa noite.

 

Dia seguinte.

Hospital Geral de Manhattan. 10:00.

 

               Ricardo já sabia bem o caminho até o quarto de Armando. Já tinha o seu celular pronto em mãos. Pronto, em seu ponto de vista, significava totalmente resetado. Havia conseguido resolver o problema logo cedo e já estava pronto para entregar de volta às mãos de Armando. Abriu a porta do quarto e não viu ninguém nele. Ricardo estranhou. Armando deveria estar ali... Ele ainda não tinha recebido alta, ou pelo menos a alta não estava prevista para agora.

               Ricardo decidiu ir atrás de algum médico ou enfermeiro para procurar informações sobre o paradeiro de Armando. Viu um profissional de jaleco andando no final do corredor e decidiu ir atrás. Quando quase alcançou, pôde avistar pelo outro corredor a cantina. E lá estava ele. Armando sentado em uma das mesas da cantina, com uma roupa casual e conversando normalmente com um grupo de enfermeiros que estavam por perto tomando um café.

               -Armando? O que você está fazendo aqui?  - perguntou Ricardo em estranhamento. – Não era para você estar no quarto?

               -Shiiiu. – Armando se levantou, para se aproximar do amigo. – A maioria daqui não sabe que eu sou paciente! – falou baixo. – Eu consegui convencer Rose e Jane, enfermeiras do turno de agora, a fazer um acordo para me liberarem um pouquinho antes de voltar pro horário da coleta de sangue e da medicação. Sabe como é, né.  Queria andar um pouquinho, tomar um café-da-manhã decente, ver gente...

               -Armando, você é doido? Você ainda não recebeu alta.  – Armando rolou os olhos.

               - Ah, eu sei, eu sei...  É só uma escapadinha! Não estava aguentando mais ficar preso naquele quarto e as pessoas entrarem ali para ficar fazendo pergunta sobre as minhas lembranças. Aqui pelo menos, eu estou batendo um papo legal, tomando um café tranquilo...

               -Você é doido, mesmo. – disse Ricardo, balançando a cabeça.  -Toma. – entregou o celular para ele. – Consegui levar pro conserto. Infelizmente, não deu para recuperar os arquivos e a memória anterior. Mas de resto está funcionando normalmente.

               -Nossa, até meu celular está desmemoriado. – reclamou Armando, fazendo um careta.

               -Desculpa pelo tombo do seu celular, bro...  - disse fazendo uma cara de arrependido. – Sou meio desajeitado, mesmo... Assim que der, eu te dou um celular novo para compensar.

               -Não, não se preocupe! O importante é que está funcionando. – Armando respondeu. – Quer ficar para tomar um café? Aproveito e te apresento umas meninas para você. Aqui tem umas médicas e enfermeiras super gatas. – Ricardo riu com a mudança de assunto de Armando.  

               -Vamos lá. Mulheres bonitas e inteligentes... Isso é muito interessante! – comentou animado, antes de ir sentar à mesinha onde Armando estava.

 

Horas depois.

Armando Narrando

              

O meu sono aos poucos foi se esvaindo quando senti o toque delicado de uma mão em minha cabeça. Era um carinho bom no topo da minha cabeça, um cafuné que simplesmente não dava vontade de abrir os olhos.  Senti a presença de alguém bem próximo a mim, na ponta da minha cama. Queria ficar ali apreciando aquele cafuné relaxante a noite toda, mas a minha curiosidade não permitiu que eu mantivesse os olhos fechados por muito tempo.

 Abri os olhos avistei Beatriz ali, bem perto. Ela parecia mais tranquila do que na tarde de ontem. Estava tão próxima que eu podia sentir o seu cheiro, um perfume floral muito gostoso por sinal. Ela percebeu que eu acordei e afastou a sua mão de mim.  Droga, era para eu fingir estar dormindo mais um pouquinho.

- Desculpa, eu... – ela tentou explicar. – Eu não queria atrapalhar o seu sono.

- Estava bom. Uma pena que você parou. – eu sorri, ainda um pouco sonolento. Ela sorriu com a minha resposta.  -Só vou te desculpar se você fizer isso de novo para eu voltar a dormir.

- Combinado. – ela abriu mais o seu sorriso. Ela tinha um sorriso encantador.

Ela fica tão bem sorrindo... Era um refrigério vê-la sorrindo dessa forma depois de conhecê-la no meio daquele drama de ontem.  Eu lembrei o quanto Beatriz chorou com a minha reação. Me senti um insensível por não ter tido o mínimo de tato com ela naquele momento. Foi horrível para mim, mas deve ter sido para ela também.

-Me desculpa pela reação de ontem. – eu disse, me ajeitando na cama para me sentar e ficar de frente para ela.  

- Tudo bem, imagino que deve ter sido muito difícil para você receber uma notícia tão chocante. – ela disse.

- Eu não soube lidar...  Era estranho saber que tudo na minha vida tinha mudado e que eu era tão íntimo de uma desconhecida. -  falei sem pensar e vi que Beatriz ficou um pouco chateada quando eu disse isso sobre ela.

Droga, Armando!

– Mas isso pode ser resolvido. – eu tentei contornar rapidamente e estendi a minha mão para ela.  – Prazer, meu nome é Armando Mendonza.  – o seu rosto se iluminou novamente. – E a senhorita...?

-Senhora Mendonza. – ela apertou a minha mão.

- Ah é mesmo... Eu tinha esquecido desse detalhe. - Eu fiz uma cara de surpresa e ela riu baixo. – Vou ter que me adaptar a isso.

- Meu nome é Beatriz Aurora Rincón Mendonza. Mas pode me chamar de Betty.

-Prazer em te conhecer, Betty. – seus olhos fitavam os meus com intensidade.  – Fica a vontade. – eu me ajeitei para que tivesse mais espaço para ela sentar em minha cama. – Eu quero conversar um pouco.   

Um pouco tímida, ela se aproximou e se sentou melhor na minha cama. Pelas suas roupas, eu acho que ela tinha acabado de sair do trabalho. Observei Betty por alguns segundos. Ela não era uma pessoa dentro dos padrões clássicos de beleza que eu estava acostumado a sair, o que era bem curioso para mim, mas era uma mulher bastante atraente. Algumas perguntas estavam me inquietando naquele momento.

- Como nos conhecemos? – perguntei.

- Nos conhecemos a trabalho, na V&M. – ela respondeu. 

- Ah, pelo modo que você se veste bem, imagino que você trabalha na área da moda. Estou errado? 

Ela riu como se ela trabalhar na área de moda fosse uma ideia absurda. – Obrigada pelo elogio, mas com certeza não!  Não se deixe enganar. Quando nos conhecemos, eu não me vestia tão bem assim.  E eu trabalho com finanças! Sou boa com números. A parte da moda, deixa para o Hugo que faz isso bem melhor do que eu.

Me surpreendi. Eu com uma mulher dos números? Hum... Diferente. Ok, isso está ficando mais interessante.

- Então você foi Vice-presidente de finanças da V&M?

- Não, primeiro eu fui sua secretária. Em pouco tempo você me promoveu a assistente pessoal e depois me tornei a VP de finanças... E fui sua assistente ao mesmo tempo!  Depois de um tempo você me promoveu a esposa. Aaah. – ela fez um barulho engraçado e riu. Eu ri junto. Ela tinha um jeito engraçado.  – Brincadeira. Aconteceu bastante coisa no meio disso, não foi tão simples assim.

- Hum... Então foi algo como um romance entre secretária e chefe?

- Foi um pouco mais dramático do que isso... – ela franziu o nariz. 

- Eu... estava com a Marcela na época que te conheci? – perguntei  receoso. Ela fez uma expressão de incômodo com a pergunta. 

- Não acho que a gente deve entrar em detalhes sobre isso agora. – ela disse. – Se eu te explicar tudo agora, vai ser um pouco chocante para você. Como disse, foi algo um pouco dramático. Acho que melhor a gente conversar sobre isso com mais calma depois que você receber alta. Tudo bem?

-Tudo bem... – respondi um pouco contrariado.

Achei estranho o fato de tanto Betty, quanto Ricardo, fazerem tanto mistério sobre o que aconteceu nesse meio tempo. Muita coisa complicada deve ter acontecido nesse período. Tentei conter a minha curiosidade que me tentava a querer saber mais sobre o que ela não queria contar e tentei mudar o foco da conversa.

- Então tivemos um filha, não é? Qual é nome dela? – perguntei e os olhos de Betty brilharam e ela abriu um sorriso.

- A nossa Bettyinha! Ela vai completar 7 meses essa semana e é a coisa mais linda desse mundo inteiro! – confesso que senti um pouco de medo quando soube tão de repente que já era pai, mas ouvir ela falar desse jeito da bebê aquecia o meu coração.  – O nome dela também é Beatriz Aurora. Você costuma dizer que vocês dois fazem uma excelente dupla. E fazem mesmo. Vocês são um grude.  –  foi impossível não sorrir imaginando isso.

- O nome é bonito, mas não foi muito original, né? – comentei descontraído.

- Pois é, mas foi você mesmo que escolheu.

- Sério? – surpreendi.

- É sério. – ela riu.

- Ou estava sem nenhuma inspiração, ou eu realmente estava muito apaixonado pela primeira dona do nome.  – comentei e a observei suspirar ainda sem tirar os olhos de mim.  

- Eu acho, só acho que foi a segunda opção. – ela respondeu baixo. Betty estava mais próxima de mim há essa altura. 

Eu não podia me imaginar tão cheio de paixão por uma mulher  a ponto de arriscar tantos planos, um relacionamento longo como tive com a Marcela e ainda botar o nome dessa mulher na minha filha. Era meio louco saber que vivi algo com tamanha intensidade por alguma mulher, numa intensidade que eu nunca imaginei que fosse possível para alguém como eu.  Eu podia ver a proporção desses sentimentos na maneira que ela me olhava. Será que algum dia eu sentiria isso de novo?

No meio dos meus devaneios eu não tinha notado que tinha dado espaço para alguns segundos de silêncio entre nós dois, mas ela não parecia se importar. A sua atenção estava em alternar o seu olhar para o fundo dos meus olhos e a minha boca. O seu rosto estava próximo do meu e eu simplesmente não me importava com o pouco espaço entre nós. O seu perfume delicioso estava cada vez mais presente. Quando tentei abri a boca para falar algo que quebrasse o silêncio entre nós, foi surpreendido pelos lábios da Betty nos meus.

               Seus lábios se moveram contra os meus por alguns momentos. Permaneci parado, surpreso pelo seu gesto. A maciez da sua boca me fazia querer estar ali por mais tempo, sentindo o seu beijo. Quando senti que ela iria parar, talvez repensando no seu impulso, eu a mantive perto de mim colocando uma mão em sua nuca e decidi retribuir o beijo. O toque suave das nossas línguas, o mover lento dos nosso lábios era algo delicioso. A minha outra mão se afundou nos cabelos macios de Betty enquanto ainda nos beijávamos. Eu não sabia muito bem o porque estava retribuindo aquele beijo. Talvez aquele clima de aconchego criou um ambiente propício, talvez porque seja difícil demais para recusar um beijo de uma mulher atraente que se apresente com o meu próprio sobrenome, talvez porque a sua boca seja gostosa demais para não querer experimentar mais um pouco. Era um beijo lento, cada um degustando o gosto do outro e o toque suave dos lábios.

               Deslizei a minha mão pela pele de sua nuca e a senti se arrepiar debaixo da palma da minha mão. Eu sentia Betty me beijar com vontade, como se precisasse demais daquilo. Talvez ela esteja sentindo falta do marido dela. Eu podia perceber o quanto ela parecia descontar a tensão que ela sentia desde que me viu na minha boca. Os meus lábios se deslizaram pelos seus por mais alguns segundos e os senti separar na mesma lentidão.  

               Abri os olhos, esperando primeiro a sua reação para pensar no que falar. O rosto de Betty estava corado, com um olhar surpreso.  Ela se afastou alguns centímetros.  

               - Me desculpa eu... Eu não deveria ter feito isso. Eu prometi para mim mesma que eu respeitaria o seu espaço. – ela disse um pouco ofegante. – Mas... foi muito difícil de resistir. Sinto a sua falta, Armando.

               - Tudo bem, eu... – fiquei sem graça de falar sobre algo que estava confuso. Eu talvez eu não deveria ter retribuído, enquanto não fosse sincero. -  É... eu também retribui, então... – eu não sabia muito bem o que estava dizendo. Na verdade, eu não sabia o que dizer.

               - Acho melhor a gente mudar de assunto, né? – ela sugeriu, tentando manter uma distância segura entre nós.

               -É, eu acho uma boa ideia. – balancei a cabeça, tentando não olhar tanto para os lábios da Betty, avermelhados pelo beijo.

               -Falando em espaço para você, eu e seus pais conversamos e entramos num acordo. Combinamos que vai ser melhor para você ficar uns três dias na casa dos seus pais depois que você receber alta amanhã. O médico disse que é importante ter bastante atenção nesses dias e os seus pais não acharam bom eu estar sozinha com você e a bebê, caso aconteça alguma emergência. Eu concordei, também porque imagino que vai ser um pouco difícil de se adaptar por agora e queria te dar um espaço pra respirar...

               - Por mim, tudo bem. Obrigado por respeitar esse espaço. Acho que eu vou precisar. – respondi. 

               Às vezes o seu olhar pra mim se desviava para outro lugar, levada uma timidez momentânea. O ambiente de tensão ainda estava ali, então achei melhor dar continuidade à conversa.

- Teve cabeça para trabalhar hoje? – perguntei, mudando o assunto.

- Foi bom para distrair a mente. – ela respondeu, dando de ombros. – E como foi o seu dia aqui?    

- Ah foi tranquilo... Consegui convencer as enfermeiras do turno da manhã e me deixarem dar uma escapadinha par cantina para tomar um café-da-manhã mais reforçado e bater um papo com os funcionários do hospital.  – ela soltou uma risadinha quando eu disse.  – Foi ótimo, não estava mais aguentando ficar deitado nessa cama.

- Você não tem jeito, Armando... – ela balançou a cabeça.  – O que mais? O que você fez nos seus momentos de “liberdade” pelos corredores do hospital?

- Eu fiz algumas amizades por aí,  joguei papo fora... E encontrei Ricardo e...  – eu vi os olhos da Betty se abrirem em choque quando eu falei o nome do Ricardo. Ah, não! Eu e a minha língua grande!

- O que!? Ricardo esteve aqui?  - o seu humor mudou da água para o vinho. Bati a palma da minha mão na própria testa. Ele pediu para não contar pra ela...  Armando, você fala demais. – Armando, me diz. Ricardo esteve aqui com você?

- Ele esteve.  Veio me visitar, ver como eu estava.  – falei.

Betty cruzou os braços, ainda não convencida com a minha tranquilidade.

- Armando... Não acho que seja bom que ele continue a te ver. Você deve evitar esse cara. – ela disse. O que?

- Me desculpa, Betty, mas eu não vou deixar de ver o meu amigo. Ele esteve aqui porque se importava comigo. Além do mais, desde quando você vai me dizer quem é bom ou não para eu ver? Ele é meu amigo da vida toda.  – rebati incomodado com a sua fala.

-Amigo da vida toda que te apunhalou pelas costas! – ela respondeu igualmente irritada. – Armando, você esqueceu de uma boa parte da sua vida. Vai por mim, Ricardo não é uma boa pessoa. É muito estranho saber que ele veio te visitar agora quando você está sem memória e achar que de repente está cheio de boas intenções.

- É difícil acreditar que um amigo que um dia eu briguei veio até mim, por se preocupar com a minha saúde?  Você acha tão impossível assim?

-Não acho impossível, mas... Ricardo não tem uma boa índole. Pode perguntar para qualquer pessoa da sua vida.  Ele é interesseiro e pode ser vingativo. – ouvir Betty falar tão mal do meu melhor amigo aumentou ainda mais a minha revolta.  

Então as palavras de Ricardo vieram à minha mente.

“Ela nunca me convenceu com todo aquele jeito de boazinha, santa e perfeita...  E ela percebeu isso e começou a se meter na nossa amizade.  E é capaz dela falar para você horrores sobre mim, como se eu fosse um vilão...  Estou te avisando só para te deixar preparado.”

Ele bem que avisou que Betty se levantaria contra a amizade dos dois.

- Armando, fica longe do Ricardo, por favor. – ela insistiu. – Ele vai querer se aproveitar da sua falta de memória para te usar ou se vingar. Ele me odeia, sempre me odiou.  Ele não aceitou quando você estava apaixonado por mim. Fez coisas horríveis e não é de confiança.  Tudo bem, talvez ele realmente tenha ficado preocupado quando você foi internado, mas não acho que você deve se aproximar dele de novo.

“Beatriz pode parecer uma pessoa muito doce, agradável e bondosa...  Mas ela não é bem o que parece. É meio complicado te dizer isso, mas...  Você sabia com quem você estava se metendo. Agora que você perdeu a memória, você não tem ideia de quem ela seja e é provável que talvez ela pinte uma situação para você um pouco mais conveniente para ela, entendeu?”

  “mas estou te dizendo para que você fique atento e que você não deve acreditar em tudo que ela fale para você. Vocês são casados, mas você vai precisar conservar eu seu próprio senso crítico, entende? Estar desconfiado e astuto quando as pessoas em geral forem contar para você sobre as memórias que você perdeu.”

Talvez Ricardo esteja certo. Talvez ela não seja que ela parece ser... Quer saber? Não quero mais discutir sobre isso.  

- Ok, entendi... – falei contrariado. Suspirei mau humorado. – Acho que essa conversa está me dando dor de cabeça. Acho melhor eu voltar a dormir. – eu falei seco.

- Armando... Eu estou falando para eu seu bem. – ela tocou na minha mão. Ela parecia preocupada.  – Mas se você não quer mais conversar agora, tudo bem... Só toma cuidado com ele, por favor.  

- Eu já entendi, Beatriz. – respondi. – A gente termina de conversar outro momento, ok?

Vi o seu rosto ainda tenso. Ela tentou relutar para ficar, mas desistiu com um suspiro cansado. Tirou a sua mão delicada de cima da minha e saiu da cama, ficando em pé a minha frente.  

- Ok, eu não vou forçar a nada. – ela disse, desanimada com a ideia de ir embora. Ela pegou a sua bolsa na poltrona do quarto. E se virou para mim antes de sair. – Boa noite, Armando. Eu te amo. – e fechou a porta atrás de si.

Cruzei os braços. Uma parte de mim ainda queria que ela ficasse ali, mas o meu instinto de alerta me lembrava constantemente do aviso de Ricardo. Aquilo me deixou extremamente irritado. Eu ainda estava confuso, com as ideias muito bagunçadas. E pra completar, eu ainda teria que encarar esse conflito entre Betty e Ricardo...  

Passei a língua entre os lábios e os apertei entre si. Ainda podia sentir aquele beijo. Como se toda a amnésia por si só não fosse o suficiente para bagunçar a minha mente. Um beijo delicioso que uma parte de mim pedia para experimentar mais uma vez. Eu não deveria ter retribuído. Mas eu queria. E eu queria mais.  


Notas Finais


É gente, Ricardo apareceu e não vai facilitar, viu.


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