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História Memories - L.H. - Capítulo 30


Escrita por: WENDYs-World

Capítulo 30 - Capítulo 30


Fanfic / Fanfiction Memories - L.H. - Capítulo 30 - Capítulo 30

Luke pov.

Bato na porta do quarto do Andrew, ansioso para ver meu amigo e também sair um pouco do estresse que estava sendo os últimos dias. Escuto os passos apressados e já me preparo para pular em cima dele, como a criança de 5 anos que sou.

Faz apenas dois dias que chegamos em Paris, dando início as duas últimas semanas da divulgação do álbum. Eu mal podia esperar para essa viagem acabar e eu poder finalmente voltar para LA e ficar com as minhas garotas em paz.

Eu estou conseguindo suportar toda a situação com John, mas nem sempre é tão fácil, mesmo tendo os meninos comigo, tem momentos que ninguém mais aguenta. Então quando Andrew postou uma foto do Arco do Triunfo, foi inevitável eu não querer encontrar meu amigo.

Mando uma mensagem para Calum, informando-o que já estou no hotel, para ele se apressar na loja e vir nos encontrar.

Guardo o celular ao ouvir a porta destrancar, abrindo um enorme sorriso para meu amigo. A porta se abre e eu travo, não sendo capaz nem de respirar.

— Você está atrasado!

Marnie se encosta contra a porta, com os braços cruzados e um sorriso divertido no rosto. Pisco algumas vezes, forçando minha mente e meu corpo a entender o que estava acontecendo.

Puxo o ar ao sentir meu coração disparando. Ela tá aqui? O que ela tá fazendo aqui? Eu vi o story do Andrew. Falei com ele no celular. Marcamos de nos encontrar aqui. Como então ela está aqui?

— O-o quê?

— Tá sendo realmente bem difícil não tirar uma foto da sua cara agora, sabia? — Ela comenta, mordendo os lábios, ainda sorrindo.

Antes que eu possa perguntar de novo, M&Ms me puxa para o quarto, trancando a porta. Passo meus olhos, procurando qualquer vestígio do Andrew, mas não encontrando nada, além de uma pequena mala dela.

Que merda tá acontecendo?

— O que você tá fazendo aqui? — Começo. — Eu vi o story do Andrew. Eu liguei e marquei com ele aqui no hotel. Ele me disse que estava nesse quarto. Eu falei com ele.

— Eu sei! — Ela responde rindo um pouco. — Eu pedi que ele fizesse isso. Eu sabia que se ele estivesse na mesma cidade que você, você daria um jeito de ver ele. John não se oporia, afinal não seria eu. E de quebra eu te surpreenderia. 

Marnie finaliza, apoiando seus braços ao redor do meu pescoço. Ainda com um certo receio de ela ser uma alucinação da minha mente, já que faz dias que não durmo direito e estou vivendo à base de café, lentamente, passo meus braços por sua cintura, me certificando da sua presença.

— E surpreendeu. — Admito em um sussurro, ainda estupefato.

— Eu sei! — Ela diz dando uma risadinha.

Minha postura tensa se dissolve quando sua mão toca minha nuca, a massageando. Aperto sua pele, confirmando mais uma vez a veracidade da sua presença e que eu não estou sonhando no carro a caminho daqui.

Tenho mais um milhão de perguntas para fazer para ela, mas minha curiosidade não é mais forte que a saudades. Esqueço todos os questionamentos que flutuam em minha mente no segundo que ela se coloca na ponta dos pés e sua boca toca a minha, iniciando um beijo lento.

É como uma faísca em meio a escuridão, mesmo com meu corpo ainda tenso, consigo o sentir ganhando vida. Aquelas teias de estresse e raiva que me rondavam, desaparecem com o ar, como se nunca houvessem existido. É como o Sol se abrindo após uma horrível tempestade, me aquecendo e me dando esperança de algo melhor.

— Espera, eu preciso avisar o Calum, ele tá vindo pra cá.

— Ninguém tá vindo pra cá. Eles sabem que eu estou aqui.

— Sabem? — Marnie afirma. — Por isso ninguém queria vir comigo? — Ela afirma novamente, sorrindo.

— Hoje é só você e eu. 

Mergulho em seus olhos verdes minutos antes de voltar a beijar novamente, sentindo o toque quente e macio da sua boca. Torço para que isso não seja mais um sonho, onde daqui alguns segundos eu acorde sozinho. 

Com o sangue correndo mais rápido em minhas veias e aquecendo meu interior, puxo seu corpo mais ao meu. Meu coração começa a bombear mais, se tornando alucinado. Busco seus lábios desesperado, quando ela se afasta por meros segundos. 

Um arrepio me corta assim que suas mãos entram por dentro do meu moletom. Mesmo por cima da camiseta, minha pele fica eletrizada. Hipnotizado, deixo ela me guiar até o sofá, sentando no meu colo. Por mais que eu a queira, sinto que ainda não consigo retribuir toda essa excitação.

— Senti sua falta! — Marnie confessa em um suspiro.

— Eu sei! — Provoco, usando o mesmo tom que ela.

— Idiota!

Ela desfere um tapa em meu peito, me arrancando uma risada. Enrosco minha mão em sua nuca, a puxando para outro beijo. Seu quadril se encaixa ao meu, produzindo uma fricção que rouba um gemido de nós dois.

Minha mente se torna tão enevoada, que eu não consigo raciocinar meu próprio nome. Tantas noites pensando e sonhando com ela. Imaginando seu toque e agora ela está aqui, em meus braços. Aperto seu quadril, conduzindo-o a rebolar de novo, tornando o movimento frequente, esperando que isso prenda minha mente neste quarto e não no mundo lá fora.

Tombo minha cabeça para trás, incapaz de a manter sustentada, quando seus lábios raspam em meu pescoço. Suas unhas causam mais arrepios à minha pele, assim que ela tira meu moletom, já infiltrando suas mãos por debaixo da minha camiseta.

Finalmente começo a sentir o sangue correndo para o lado certo. A euforia começa a se expandir dentro de mim, quando escutamos batidas na porta do quarto. Estou disposto a ignorar quem quer que seja, mas Marnie se senta ereta, olhando em direção a porta.

— Não! — Peço, não querendo sair do clima, ao qual não sei se vou conseguir voltar.

— Eu tenho que atender. — Ela responde, achando graça do meu desespero. — Eu pedi algumas coisas.

Marnie tenta explicar, enquanto puxo seu corpo de volta ao meu, beijando seu pescoço. Entro minhas mãos por dentro do shorts do seu pijama, apertando sua bunda. Seu quadril se esfrega de novo contra o meu, arrancando outro suspiro das nossas gargantas. Assisto admirado, seus olhos se fecharem e sua cabeça se apoiar em meu ombro. Novamente, ela está rebolando em um ritmo lento e provocante, permitindo que aquela sensação tome conta dela e de mim. Arrasto meus lábios, por sua pele, notando a mesma se arrepiar. 

Infelizmente a pessoa do outro lado, torna a bater na porta, atraindo com mais foco, a atenção da minha namorada. Marnie, encara a porta um pouco confusa e dividida, comigo ainda movimentando seu quadril.

— Não! Eu realmente preciso atender. — Ela decreta, já se levantando.

Tento segurar sua mão, dizendo que eles deixariam o que quer que fosse na porta, mas ela não me dá ouvidos, arrumando os cabelos que eu baguncei, antes de abrir a porta, toda gentil e doce.

Tombo minha cabeça para trás, frustrado, sentindo toda a excitação desaparecer como mágica. O cansaço volta a me consumir com rapidez e, sinto que não vou conseguir voltar ao clima, pelo menos não agora. Sigo até o banheiro, para lavar meu rosto e não permitir que a pessoa me veja junto com Marnie.

Ainda não sei o que ela faz aqui e nem como chegou sem chamar a atenção de ninguém. Instantaneamente fico receoso de John estar ciente disso e do que pode resultar nela. Escuto a porta fechar e volto à sala, encontrando uma mesa com frutas, pães, doces e suco.

Marnie já está comendo algumas coisas, enquanto olha o que mais pediu. Seus olhos encontram os meus e ela pressiona os lábios, dando um sorriso fechado em seguida.

— Eu não sabia o que você gostaria, então pedi um pouco de tudo.

Observo ela se aproximar, rodeando minha cintura. Beijo seus lábios rapidamente, com mais carinho, ainda apreciando sua presença.

— Obrigado! Mas estou sem fome. — Dou um sorriso sem graça.

Marnie percebe que estou exausto, também não era muito difícil, qualquer um percebia minha cara de cansaço de longe. Me sinto péssimo por isso, afinal, ela veio de LA até a França para me ver e eu estou um trapo.

— Desculpa. — Solto após um suspiro.

— Por? — Marnie arqueia uma sobrancelha, visivelmente perdida.

— Você veio até aqui me ver e eu estou nesse estado. — Passo gentilmente minhas mãos por sua bochechas, jogando seu cabelo para trás, acariciando sua pele.

— Nossa! Isso é inadmissível! Você que tem trabalhado tanto, não tem dormido e nem se alimentado direito, não está animado? Não acredito! Isso é inaceitável! Vou ter que ir embora por causa disso. 

Olho entediado para ela. Estou tentando ser sério aqui. Tenho consciência que ela deve ter tido trabalho para conseguir vir até aqui me ver e, mesmo feliz com a surpresa, estou cansado demais, o que resulta em uma falta de empolgação que normalmente eu teria.

— Eu sei que você está feliz por me ver e sei que está cansado. Eu não espero fogos de artifício e confete, Luke. Só quero ficar com você. Seja conversando, jogando, transando, dormindo, comendo, sei lá. Eu não me importo. Só quero saber que você realmente está do meu lado e não atrás de uma tela. — Marnie termina sussurrando, antes de colar seus lábios aos meus em um delicado beijo.

— Eu te amo. — Confesso, achando essas três palavras tão fracas para expressar meu amor e gratidão por ela nesse momento.

— Eu sei! — Novamente, aquele sorriso divertido e travesso corta seus lábios.

— Ah, sabe? — Ela assenti, prendendo o riso. — Que bom! Fico feliz por você, mocinha. — Começo a cutucar suas costelas, a fazendo gargalhar.

O som da sua risada me aquece e me faz rir também, continuo fazendo cócegas, prometendo só para quando ela dizer que me ama.

— Ok! Ok! — Ela grita. Paro momentaneamente, deixando-a respirar. — Eu acho que te amo também.

Cruzo meus braços, me esforçando muito para não sorrir perante suas provocações. Marnie dá passos para trás, com a mão erguida, já começando a soltar risadas. Dou apenas três passos e alcanço sua mão, a puxando com facilidade para meus braços. A jogo em meus ombros, me permitindo sorrir nesse momento, pois ela não está vendo meu rosto. A jogo na cama com delicadeza, me colocando por cima.

— Então você acha? — Questiono, falsamente ofendido. Seguro suas mãos acima da sua cabeça.

— É! Tenho uma leve impressão de que sim. — Marnie responde entre gargalhadas.

Não a deixo continuar, a calando com um beijo, ao qual ela corresponde prontamente. Não tem todo aquele clima sexual; é carinhoso e suave. Solto suas mãos, que rapidamente se colocam em meu rosto, o acariciando.

— É! Eu te amo. — M&Ms confessa contra meus lábios.

— Eu sei. — Abrimos um sorriso antes do último beijo. — Vem, toda essa brincadeira me deu fome.

Na verdade, continuo sem fome, porém, eu sei que se eu não comer algo, Marnie vai ficar preocupada e não quero a deixar assim.

Saio de cima, a puxando para fora da cama. Seguimos de volta a sala, onde me sento no sofá com o braço aberto, esperando que Marnie se aconchegue em meu corpo. Com um prato cheio de morangos, ela se acomoda comigo, me oferecendo um morango.

— O que foi? — A morena pergunta, comendo a outra parte do morango.

— Como você veio parar aqui? — Questiono, observando suas bochechas ruborizadas.

— Eu disse que queria te ver em um mês, não importava como, nem onde. Já que você não conseguia dar uma fugidinha pra me encontrar, então eu fugi pra te ver. Ash me passou a agenda de vocês e Leah me emprestou o jatinho da família, eu consegui chegar bem cedinho, sem chamar atenção. Infelizmente não vou conseguir ficar mais que amanhã, pela hora do almoço, mas já dá pra aproveitar um pouco. — Ela dá de ombros.

— Já dá pra aproveitar muito. Claro que por mim você ficava o resto da viagem. — Abro um sorriso bobo, vendo M&Ms sorrindo. — Mas só essas horas com você já me fazem feliz. Como estão as coisas em LA?

Passo os minutos seguintes, apenas ouvindo Marnie falar e comendo os morangos e outras coisas que ela me oferece, garantindo que eu estou alimentado. Fico calado, apreciando a sua animação em me contar tudo sobre o curso de artes, os preparativos do casamento da minha sogra, o progresso dela com a terapia, o relacionamento dos nossos amigos e mais um monte de coisas.

Me sinto mal por não prestar atenção em algumas coisas que M&Ms me conta, mas estou muito focado na forma que ela mexe suas mãos empolgada. Como seus olhos verdes se abrem e fecham, enquanto ela faz caretas, contando tudo. Toco gentilmente seu rosto, acariciando sua bochecha, apenas contemplando-a.

— E como vão as coisas por aqui? — M&Ms pergunta.

Jogo minha cabeça para trás, suspirando de exaustão. Tem muitas coisas que venho escondendo da minha namorada. Coisas que vem tirando cada vez mais minha paciência e me deixando com uma culpa enorme por não contar para ela. Entretanto, não quero preocupar a garota ao meu lado com isso, não quero que ela pense que precisa fazer algo, pois é o que vai acontecer.

Talvez seja sobre isso o que ela queira dizer de vez em quando, o fato de eu achar que sempre preciso fazer algo sobre o que ela me conta. Nesse ponto somos muito parecidos.

Massageio minha testa antes de apertar meus olhos, planejando uma forma de dar a volta por todos os problemas.

— O que você não quer me contar? — Sua voz suave me atinge. Marnie deita sua cabeça em meu braço, ganhando minha atenção.

— Não é nada! Só estresse do dia a dia. Entrevistas, programas, fotos, almoços, jantares e tudo mais. Você sabe como é. — Dou de ombros.

— Eu sei, mas antes não tínhamos esse problema com o Letterman.

— Sim! Mas ele não está tão insuportável. Quero dizer, sim ele está! Mas dá pra tolerar.

M&Ms arqueia uma sobrancelha e cruza os braços, com a cara fechada. Encaro ela por alguns segundos, percebendo que ela não vai ceder.

— Sério que não vamos falar sobre o elefante na sala? — Ela se senta mais ereta. Reviro meus olhos, uma risada me escapa pela expressão que ela usa.

— Não tem elefante, Marnie.

— Jura? Porque eu sinto que ele está sentado entre a gente. — Outra risada, mas ela continua séria.

— Olha, tá tudo bem. Eu juro! — Mesma cara, ainda não acreditando. — Honey, tem um mês que a gente não se vê. Você veio de LA até aqui e só temos essa noite. Eu realmente não quero tratar de assuntos estressantes e desnecessários agora. Eu só quero aproveitar esse tempinho com você e esquecer tudo de ruim.

— Tudo de ruim? — Ela arregala os olhos.

— Escolhi mal minhas palavras. — Me adianto. — Mas é sério, não quero falar do John ou da minha agenda, ou de qualquer coisa relacionada a trabalho.

Marnie fecha os olhos, suspirando. Sei que ela não quer deixar o assunto pra lá, eu também não deixaria se fosse com ela, mas não vou estragar o clima com isso.

— Tudo bem. Você tá certo, não vale a pena gastar nosso tempo com isso.

— Pode repetir a parte do “você está certo”? — Brinco, mudando o foco.

— Não força! — Seus olhos já ganharam um brilho divertido. Aumento meu sorriso.

— Não, é sério! Vou até gravar e por de toque do meu celular. — Tiro o mesmo do bolso. — Sabe, esses são momentos importantes em uma relação.

— Por que eu gosto de você, hein? — Ela respira fundo. Solto uma risada.

— Você sabe, eu sou bonito, canto bem, sei tocar instrumentos. Posso ser um péssimo cozinheiro, mas eu faço o melhor cafuné do mundo. — Pisco pra ela.

— Por que eu gosto de você, hein? — Dessa vez, Marnie carrega um sorriso bobo. — Meu Deus, eu te odeio. — Ela diz antes de se aninhar no meu peito, me abraçando. — Faz o cafuné.

Obedeço sua ordem, ainda rindo. Por fim, consigo mudar o foco da conversa e fazer ela esquecer tudo. Ligamos a TV, procurando algum filme ou programa que possa servir de pano de fundo, enquanto ainda conversamos algumas coisas mais leves.

Aos poucos, meu corpo começa a ficar mais relaxado, minha mente mais tranquila e o peso que venho sentindo nos últimos dias se dissolve do meu peito, com isso, meus olhos começam a pesar de sono, devido às noites mal dormidas também. Confiro meu relógio vendo que não passa de 19:30 ainda.

— O que acha de pedirmos o jantar? — Sussurro, querendo espantar essa moleza.

— O que quer comer? — Ela questiona, pegando o cardápio da mesa.

Enquanto escolhemos o prato, meu celular vibra indicando uma mensagem do Michael.

Se prepare! John está perguntando de você, ele vai te ligar.”

Mal termino de ler a mensagem e o nome do John brilha na tela. Reviro meus olhos, já sentindo o estresse borbulhar pelo meu sangue. Me levanto seguindo até o quarto, deixando Marnie confusa na sala.

Onde você está? Espero que não tenha se enfiado em um avião e sumido pelo mundo de novo. — O tom contido e irritado, me deixa mais estressado.

— Não se preocupe, ainda estou em Paris.

E onde caralhos você está? Você e a banda tem que estar em uma jornal na hora do almoço amanhã e-

— Eu sei da minha agenda, John, não precisa repassar. Sei dos meus compromissos e vou cumpri-los. Eu estou com alguns amigos compondo algumas músicas e se não se importa, você está atrapalhando o processo.

Pelo canto do olho, enxergo minha namorada na porta, me olhando tensa.

Espero que não esteja me enganando, Luke.

— O que você acha que eu estou fazendo? Acha que estou armando um complô contra você? Bem que eu gostaria.

Nesse momento Marnie arregala os olhos apavorada.

— Pra piorar só falta achar que eu estou com a Marnie.

Agora, ela se desequilibra um pouco, se segurando no batente.

Não, Luke, não acho nada disso, porque sei que ela está no lugar de onde ela nunca devia ter saído e, também sei que você vem seguindo sua vida com todas aquelas garotas.

Prendo o ar, sentindo meu estômago revirar.

— Então pronto, não tem porque ficar me enchendo. Eu tô em Paris e é só isso o que você precisa saber. Amanhã de manhã eu estarei no hotel na hora exata. Boa noite!

Desligo o celular antes dele ter a chance de responder. Controlo o ímpeto de jogar o aparelho contra a parede, o guardando em meu bolso. Normalizo minha respiração, lembrando que M&Ms está a poucos passos de mim. Olho para a porta, não encontrando seu corpo ali, em passos largos volto para a sala, vendo ela sentada no sofá, com os cotovelos apoiado nos joelhos. Um pouco sem jeito, me sento ao seu lado, sem saber o que falar.

— Isso é o “tudo de ruim”? — O sussurro quebra o clima tenso.

— Basicamente. — Respondo devagar.

Sei que ela quer falar sobre isso. Consigo ouvir sua voz na minha mente perguntando o que está acontecendo, consigo ver ela insistindo no assunto. Mas também sei que ela não quer estragar a noite, como eu.

— A gente pode falar do elefante amanhã? — Ela olha para mim.

Compreendo que amanhã eu não vou conseguir escapar desse assunto e, fico dividido entre achar isso bom, pois com ela sabendo de tudo, me livro dessa culpa. E ruim, pois ela vai saber de tudo e talvez vai me matar.

Não quero magoar ela. Só quero dar a paz que ela não vem tendo desde o acidente. A paz que ela sempre diz que eu trazia para ela. Não quero que ela me veja como algo que só está dando dor de cabeça e problemas. Não quero a perder novamente.

— Tudo bem! — Digo após um suspiro. Não é como se eu falasse “não” e ela fosse aceitar.

— Obrigada! Bom, eu pensei da gente pedir um macarrão, o que acha? — Noto o esforço que ela está fazendo para mudar o clima e me esforço em ajudar.

— Posso pedir sobremesa?

Marnie ri, confirmando com a cabeça, antes de seguir para o telefone e fazer o pedido. Mesmo concentrada na ligação, consigo perceber que sua mente ainda paira sobre a ligação e tudo o que vem acontecendo.


 

— Eu acho que podíamos fazer uma festa surpresa. O Michael adora surpresas. — M&Ms fala do banheiro.

— Você sabe que seu aniversário vem antes, não é? — Questiono, revirando os canais da TV do quarto.

— Eu sei! Mas eu confio no meu namorado lindo e maravilhoso e nos meus amigos incríveis e sei que vocês vão preparar algo incrível para mim. — Ela se joga na cama ao meu lado.

— Péssima decisão. — Comento, segurando a vontade de rir e contar tudo. — Eu definitivamente não confiaria na gente.

Eu tenho o aniversário da Marnie planejado desde o ano passado. Claro que por conta da situação atual, eu tive que remanejá-lo para um lugar mais privado, mas eu tenho tudo pronto. Já encomendei o bolo, os doces, a decoração, o lugar, vai ser um fim de semana ótimo e espero que ela nem desconfie de nada.

— Em dezessete dias você vai ficar mais velha, como se sente?

— Estranha. Com essa idade minha mãe já estava casada e grávida de mim e, eu ainda nem sei usar a enceradeira.

Uma gargalha me escapa. Me recordo da limpeza de primavera, onde Marnie ligou a enceradeira e não segurou o cabo com força, soltando a máquina ligada pela sala. Consigo ouvir seus gritos me chamando com medo da enceradeira atacar ela.

— Cala a boca, você nem sabe fritar um ovo e é mais velho que eu.

— Por três meses. — Me defendo.

— Mais velho! — Ela reforça, enquanto se levanta voltando para o banheiro.

Antes que eu possa me defender novamente, seu telefone vibra na cama, indicando uma ligação. Passo meus olhos vendo o nome Hayden brilhando. Quem é Hayden?

— Seu celular. — Aviso, voltando meu olhar para a TV.

— Oi Hayden! Não! Magina, você nunca atrapalha. — Escuto ela falando enquanto caminha até o frigobar pegando uma garrafa de água. — Jura? Droga!

Fico mais atento ao escutar seu tom chateada.

— É! Eu sei. Eu também adorei aquele quarto e tem aquele banheiro incrível que você me mostrou.

Que quarto? Que banheiro? E quando ele mostrou tudo isso?

— Tudo bem! Eu estou voltando para LA amanhã, eu te ligo assim que chegar e a gente faz isso. É claro que eu confio em você. Não faria isso com mais ninguém.

Nesse ponto não consigo evitar de arregalar meus olhos e prender minha respiração. Marnie continua andando pela sala, sorrindo abertamente.

— Muito obrigada, Hayden. Você é incrível. Não sei o que faria sem você. Tchau!

Ainda na mesma posição, pelo canto do olho, observo ela voltar para o quarto e se sentar ao meu lado, encarando a TV.

— Nós vamos assistir o reino dos leões? — M&Ms tomba a cabeça para o lado, confusa.

— Não! Eu me distraí. Quem é Hayden? — A pergunta colada na resposta sai antes que eu pense melhor.

Eu não sou do tipo que sente ciúmes só de ver a namorada conversando com alguém. Eu preciso de muitos motivos para sentir muito ciúmes ao ponto de uma briga. Eu confio na minha namorada. Mas nesse momento, eu não posso negar que estou bem curioso para saber quem é esse Hayden e o que ele anda mostrando para ela.

Meus pensamentos só pioram quando vejo ela arregalar os olhos e pressionar os lábios fortemente.

— Ah, eu não tinha te contado sobre isso. — Seu tom vago, me faz tapar o rosto. — Desde que nós rompemos e eu fui para Nova York, e voltei, eu não estava me sentindo mais confortável em ficar em casa. Mesmo com a reforma e tudo, não me sinto mais bem ali dentro. Então eu decidi me mudar, foi aí que eu conheci a Hayden e ela tem me ajudado a procurar uma casa nova, mas a ca-

— Ela? Hayden é uma garota?

— Na verdade ela é uma mulher, mas tudo bem.

Meu corpo relaxa e ao mesmo tempo me sinto péssimo. McGonagall nota minha mudança, se virando de frente para mim.

— Espera, você achou que “Hayden” era um homem? — Afirmo, sem graça. — Deixa eu adivinhar, achou que eu estava tendo um caso com “ele”?

— Não um caso. Sei lá. Eu fiquei enciumado. Um cara- uma garota-

— Mulher. — Marnie me corrige baixinho.

— Te liga uma hora dessas e você fica empolgada com a ligação-

— Porque eu achei que tinha conseguido a casa. — Ela completa baixinho ainda.

— Eu fiquei, sei lá. Desculpa. Eu não sou esse tipo de cara. — Tento me explicar, mas me interrompo vendo ela rir. — Do que você tá rindo?

— Desculpa, mas foi engraçado. Luke, eu sei que você não é esse tipo de cara, eu namoro com você há quase três anos. E se eu estivesse te traindo, acho que eu não faria isso na sua cara, né?

— Devo me preocupar por você pensar nisso?

Marnie apenas ri mais, deitando sua cabeça em meu braço. Eu estou sendo patético, como diria Leah.

— Não vou negar que eu acho fofinho que você ainda sinta ciúmes de mim. — M&Ms confessa próxima ao meu rosto.

— É claro que eu ainda sinto ciúmes de você. Você precisa se olhar mais no espelho. Acha que eu não sei que um monte de cara se mataria para estar no meu lugar.

Marnie revira os olhos, sem graça, voltando a prestar atenção nos leões que corriam na tela da TV. Gosto de elogiar ela e ver suas reações, não concordando com a minha opinião. E isso eu não poderia negar, um monte de caras adorariam ter ela como namorada, mas eu tive essa sorte e não vou desperdiçar.

— Por que não contou que estava vendo uma casa? — Questiono curioso.

— Eu queria fazer uma surpresa, sabe?! Tipo, daqui umas duas semanas você voltaria para LA, talvez fosse me encontrar na casa da Leah e, eu diria para darmos uma volta e te levaria para a nova casa, assim eu poderia dizer surpresa e balançar os dedinhos.

— Balançar os dedinhos? — Volto a perguntar, já prendendo a vontade de rir.

— É! Assim.

M&Ms se ajoelha na cama, abrindo as mãos e balançando os dedos, solto uma risada.

— Por que eu gosto de você?

— Porque eu sou demais! Eu te faço feliz e arrumo sua bagunça e, porque eu sou demais!

— Você é!

Aprecio seu sorriso antes de colar meus lábios aos dela. Eu não poderia pedir por nada melhor do que ela; só ela e o seu jeito de ser. Só o fato dela ter todo esse trabalho para vir me ver quase do outro lado do mundo, estar correndo o risco de ser descoberta e, acima de tudo, não ficar chateada por eu não estar exatamente no clima que talvez ela esperava, faz ela ser mais que demais. Faz ela ser tudo. E não importa o quanto eu ainda tenha que esperar, eu ainda vou me casar com ela.


Notas Finais


Um minuto de silêncio, nosso bebê está fazendo 25 anos hoje e eu não estou sabendo lidar.

Sem planejamento algum, calhou de o capítulo de hoje com só o ponto de vista dele, cair bem no dia do aniversário. Nem se eu quisesse teria dado tão certo.

Bom, preciso informar que teremos umas alterações no caminho final de Memories. Eu disse que seriam mais 5 ou 6 capítulos para encerrar tudo, porém a espertona aqui esqueceu SÓ o aniversário da protagonista, que está "próximo" como podemos ver, por conta disso, para a sua "tristeza", terei que adicionar mais alguns capítulo para fechar certinho. Eu que lute!

É isso! Espero que tenha gostado e até o próximo capítulo, que eu rezo para ser semana que vem. Te amo!



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