História Mentiras Sangrentas - Capítulo 20


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Casal, Lesbicas, Orangeisthenewblack, Yuri
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Palavras 1.293
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), FemmeSlash, Lemon, LGBT, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Aqui voltamos ao prólogo. Eu dividi a fic em 3 partes e esse é o último capítulo da primeira parte, onde as coisas ainda estavam bem, meio que a "introdução" de todos os problemas
Agradeço muito às pessoas que estão comentando e favoritando a fic <3

Até lá embaixo!

Capítulo 20 - No Que Os Sonhos Se Transformaram


O sangue nas minhas mãos.

O corpo estirado no chão.

Eu não posso acreditar que tive coragem de matar uma pessoa.

O que eu fiz para as coisas chegarem à esse ponto?

Em que momento eu parei de ter controle sobre mim mesma?

A minha insanidade estava bem à minha frente; Samantha, uma mulher inacreditavelmente bonita e igualmente misteriosa, me tirou dos eixos, me transformou. Ela, que acabara de estar na mira de uma arma, arruma a postura e se aproxima de mim.

-Temos que dar um jeito de esconder o corpo- afirma, a expressão dura, sem um pingo de compaixão, ou de pena. Parecia já ter feito isso várias vezes antes. E talvez tenha.

-Como vamos fazer?!- perguntei, exasperada. O desespero tomando conta de mim- vão acabar descobrindo tudo!

-Não podem descobrir! Calma, tem uma horta ali, certo? A terra de jardinagem não deixa digitais. Vamos “plantar” o corpo- ela diz enquanto anda de um lado para o outro na sala. O cadáver no meio de nós duas.

-Ficou maluca?!- exclamei- plantar como?!

-Me ajuda- ela diz e segura nas mãos do morto. Eu a encaro por um momento e logo entendo o que tenho que fazer. Peguei nos tornozelos do indivíduo e o carregamos pela janela estilhaçada, a qual entramos.

Pusemos o corpo sobre a terra, ao lado das plantações, e Samantha procurou algo no meio dos utensílios de jardinagem. Voltou com uma grande e afiada tesoura.

-Ai. Meu. Deus! O que pensa em fazer com isso?!- lagrimas escorriam dos meus olhos.

-Vamos esquartejar, adubar e plantar- ela explica, a voz firme- vamos Lorena, não temos escolha. Nós não matamos ninguém essa noite, entendeu? Não sobrará nenhum vestígio.

A falta de escolha nos obriga a fazer coisas inimagináveis. Roubar, assassinar. Cortar os pedaços de alguém à sangue frio. Sempre fui uma garota bonita, com família, dinheiro...

Uma pessoa boa, não tão boa agora.

Eu respirei fundo e me ajoelhei ao lado do cadáver, junto à ela.

Até onde deve-se ir para sustentar uma mentira?

 

Cortamos o corpo em todas as articulações, pusemos em sacos com adubo e plantamos na terra, embaixo de cenouras e hortaliças.

Agora entendi o que Sam quis dizer no labirinto aquela noite, isso faz você se sentir vazio. Como se a alma da pessoa morta levasse um pedaço de você junto; sua inocência, sua compaixão, sua bondade.

Me sinto mais fria do que jamais estive e isso não tem nada a ver com o vento gelado que nos atingia; é um frio que vem de dentro, que não há agasalho no mundo capaz de conter.

Depois de feito, limpamos as provas de dentro da casa, eliminando todo vestígio de que alguém esteve ali, exceto pela janela quebrada. Samantha, experiente, limpou nossas pegadas e nossas digitais. Foi como se apagássemos a história que aconteceu ali.

Reativamos o alarme e saímos da casa. Montamos na BMW com o saco de dinheiro no banco de trás. O caminho estava silencioso, eu não conseguia pensar em nada, falar nada, sentir nada.

Em vez de irmos direto para casa, Sam parou numa lanchonete 24hrs e me obrigou a descer. Fui à contragosto, entrando no local simples e vazio, exceto por um homem de meia idade limpando o balcão.

-Vai querer café?- a morena pergunta.

-Vodca- falei, jogando-me numa cadeira no canto do estabelecimento.

-Uma dose de vodca e um café, por favor- Sam deixa o dinheiro sobre a mesa e o homem assente, entregando-lhe as bebidas. Ela se senta à minha frente.

-Eu sei como se sente- começa- você não queria ter matado ele... Mas se ele nos dedurasse para a polícia, iríamos presas eu, você e todos da facção. C ia descobrir e nos matar. Nos matar, Lorena- eu olhava pela janela do local, a mente vazia de qualquer pensamento- você jurou.

Ela jogou isso na minha cara e eu a encarei.

-Jurei e não sou mulher de quebrar promessas- afirmei- mas aquele homem vai apodrecer lá, sem seus filhos terem ideia de onde ele está ou do que realmente aconteceu. Ele simplesmente sumiu- falei, as lágrimas voltando aos olhos- como pensei que tinha acontecido com Álex! Mas ele está atrás de mim, pra se vingar! E por mais que isso seja cruel, eu preferiria que ele estivesse morto!- exclamei, sem conseguir segurar o choro.

Samantha segurou na minha mão, olhou nos meus olhos e eu vi compreensão. O primeiro sentimento fora o medo que a vi demonstrar desde que saímos de sua casa.

-Nós temos que fingir que nada aconteceu. Não vou deixar nada de ruim acontecer com você, mas precisamos guardar segredo de tudo o que fizemos. Nem para Toby, nem para Markus. Só entre eu e você, entendeu?- ela diz, a expressão dura de novo.

Pensei um instante. O que fiz com o velho foi muito parecido com o que fizeram com meu pai. E mesmo sabendo o sofrimento que isso causa, eu fiz. Matei, enterrei. A polícia vai dar como desaparecido e depois de alguns anos como morto. Ninguém vai consolar a menininha de 10 anos que se isola no quarto.

-Não sei do que você está falando- viro a dose à minha frente- fui à sua casa e viemos beber alguma coisa aqui- fiz a maior voz de cínica que consegui, como se realmente acreditasse no que estava dizendo- há algo de errado nisso?

E também, se eu não acreditar na minha própria mentira, ninguém vai.

Samantha segurou minha mão, e assistimos o sol nascer pela janela da lanchonete. Foi bonito, o céu alaranjado, as nuvens em tons de rosa antes de atingirem o branco, as cores se transformando e o sol se erguendo. Carros passavam pela grande São Paulo indo e vindo, pedestres apressados, todo mundo vivendo sua vida rotineira, sem fazer ideia do que acabara de acontecer próximo à eles.

Saímos abraçadas do estabelecimento e entramos na BMW novamente. Sam dirigiu com mais calma dessa vez, até chegarmos ao apartamento dela.

As taças ainda sobre a mesinha de centro, junto aos pratos e a garrafa inacabada de vinho tinto. O jantar romântico de um casal unido por algo mais do que amor; por segredos.

Deitamos no tapete, para tentar dormir, mas cada vez que eu fechava os olhos eu via o rosto do homem morto na minha cabeça; via seus familiares chorando e a menininha de 10 anos trancada no quarto por perder o pai injustamente.

Samantha percebeu minha inquietação e se virou para mim. Nossos rostos ficaram há milímetros e ela acariciou minhas bochechas, os olhos verdes intensos fixos ao meus.

-Vai ficar tudo bem- ela garante, com uma certeza que eu não tinha.

Acabei por dormir em seus braços, não sei por quanto tempo, só sei que acordei com um barulho estrondoso na porta. Sam se levantou sonolenta e atendeu.

-Samantha Alencar?- pergunta um homem alto, jovem e fardado. Tinha algemas nas mãos. Me levantei também.

-Sim...- Sam diz, insegura.

-Temos provas em vídeo de que a senhora invadiu a casa e roubou o cofre de Gertúlio Mendes, enviado por uma testemunha anônima- explica o policial.

-Mas o quê... – ela tenta argumentar, mas é interrompida.

-Você está presa- constata ele.

Sam se vira para mim e vejo desespero em sua expressão, a minha não estava diferente; ela acabou de me prometer que tudo ficaria bem...

A morena é algemada e levada pelo policial.

Fico em choque, sem ter a mínima ideia do que fazer. Se fico, se vou atrás dela. Meu cérebro mal conseguia processar as informações. Testemunha anônima, quem?

Me joguei no sofá, completamente desolada. Meu celular apita com uma mensagem, número anônimo.

 

Acha que pode matar e sair impune? A polícia não te pegou porque quem vai cuidar de você sou eu. Estou na sua cola, se prepara vadia.

-A

 


Notas Finais


AAAAAAA é isto
Me digam o que acharam e e=o que esperam dessa nova etapa da fic

Paz!


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