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História MEOWGIC (yeonbin) - Capítulo 6


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Capítulo 6 - Sexto


Fanfic / Fanfiction MEOWGIC (yeonbin) - Capítulo 6 - Sexto

Depois de se alongar devidamente, o gatinho cinzento começou a puxar a manga da minha blusa com os dentinhos e seu rabo se enrolava de um lado para o outro, daquele jeito que indica que ele quer brincar. Apesar de sua preguiça para se levantar, ele sempre fica um pouco hiperativo quando acorda.

— Você tem razão, pequeno Mo. Eu devia fazer isso… — sorri, fazendo carinho em seu queixo — Acordar querendo morder os outros, só de brincadeira.

Respirei fundo, passando a fazer carinho na pancinha dele e coloquei as mãos fechadas em punho na minha cintura, esticando bem as costas, pronto para dar o meu veredito.

— Tudo bem, eu, Choi Soobin, 17 anos, aluno do 2º ano do Ensino Médio, novamente — coloquei minha mão direita no lado esquerdo do meu peito, junto ao coração, e a outra ergui à minha frente —, juro solenemente que me tornarei um ser humano melhor e serei mais… Otimista… A partir de agora… — completei, sem saber como terminar um juramento solene — Pronto. Eu prometo.

Monet ficou olhando o tempo todo e esperou eu terminar de falar para vir até mim e lamber a mão que ainda repousava em meu peito.

— Agora vamos comer que estou quase desfalecendo.

— Bom dia, Bin! Animado para o primeiro dia? — tivô perguntou ao me ver chegando leve como uma pluma até a cozinha, onde ele estava molhando uma plantinha na pia.

— Eufórico! — sorri, morrendo por dentro.

Monet olhou para mim assustado e parou de lamber a patinha com a língua ainda para fora, o que me fez pensar alto — E-eu exagerei?!

Já ficava nervoso quando voltava as aulas ao lado dos meus amigos, imagine tendo que encarar isso sozinho.

Busquei a minha caneca preferida no armário, uma azul com dois lírios brancos desenhados e outra verde menta ilustrada com flores silvestres que ele costumava usar. Deixei as duas ao lado da pia e distribui um sachê de camomila para cada uma, vendo que a chaleira já estava no fogo, sentei no que já se tornou o meu lugar na mesa, aquele com a melhor visão da cozinha, na minha opinião. De frente para a pia e a grande janela em cima dela, com vista para o jardim.

Desde minha primeira vez em Napul Napul ele já cuidava desse jardim, muitas coisas mudaram desde então, conforme os anos foram passando, mas não sua paixão pelas flores e plantas que ainda cultiva com tanto carinho.

E tudo que ele sabe tenta me ensinar até hoje, numa semana com ele, aprendi mais do que minha vida toda ao lado do meu pai. Ele é a pessoa mais paciente que eu já conheci, devia ser o melhor professor de todos e melhor ainda, lecionava minha matéria favorita, educação artística.

— Tivô, como vai ser? Eu não sei onde fica a escola, a menos que tenha algum tipo de carroça escolar aqui, eu vou precisar de um mapa, sei lá — falei em tom de brincadeira, meu humor fica estranho quando estou nervoso, então não ficaria surpreso se começasse a fazer piadas horríveis.

— Não se preocupe, filho, só vai precisar de uma carona.

Só de imaginar a cena, eu chegando na escola de carroça com o tivô, quase pude ouvir as risadas dos veteranos e dos calouros que foram sozinhos e senti meu rosto queimando de vergonha. Chegar na escola acompanhado de um responsável, ser deixado na porta da sala, eu sempre ria dos calouros nessa situação na minha antiga escola, nunca imaginei que um dia poderia acontecer comigo.

De jeito nenhum eu vou chegar tachado de mané da turma no primeiro dia de aula!

— N-não é necessário, eu posso encontrar sozinho, você já tem muitas coisas para fazer... — recusei, rindo de nervoso para conter o pânico na minha voz — Na verdade, nem precisa de mapa, é só apontar a direção que eu vou.

A chaleira começou a apitar quase simultaneamente à risada do tivô.

Pelo menos alguém está se divertindo com isso — respirei fundo, tomando uma nova postura e sentindo um pequeno sorriso se formar ao que me levantei para buscar a chaleira e prontamente queimei as duas mãos — Caramba! — bradei, ao que devolvi essa porcaria para o fogão e balancei as mãos, correndo instintivamente para a pia interditada pela planta enorme que estava sendo regada, forçando-me a encontrar outra torneira — droga, mas que merda de vida, eu não tenho um segundo de paz nesse-

— Bin! Você está bem? — o tivô perguntou assim que gritei, vendo por um instante as palmas das minhas mãos, que apesar de estarem muito vermelhas e doerem como o inferno, não sofreram uma queimadura grave — Eu disse para usar um pano, você precisa tomar mais cuidado.

Interrompido pela campainha, levantei a mão com raiva, como quem diz "deixe tocar, pro inferno tudo isso!" e andei à passos largos até meu banheiro, onde finalmente pude abrir a torneira e deixar a água fria escorrer nas palmas de minhas mãos vermelhas, causando uma ardência no primeiro toque e o bendito alívio em seguida.

— Se pensa que isso vai estragar o meu dia, está muito enganado! — avisei para ninguém em específico, em outras palavras, estava falando sozinho no banheiro. Quando voltei a abrir a porta com força, me deparei com um garoto esperando no corredor, que me fez pular de susto e esquecer a raiva que estava sentindo, as mãos queimadas e o nervosismo do primeiro dia de aula numa escola nova.

— Ah! Você… Que susto... O que está… — Com a mão no coração, impedindo que o próprio saísse pela minha boca aberta e os olhos esbugalhados, comecei a ter uma impressão esquisita. E eu nem estou falando sobre o estranho em minha casa no café-da-manhã, mas sobre esse garoto, de repente, parecer familiar — Oh… Olá?

— Desculpa, não queria te assustar... — ele sorriu, claramente querendo rir de mim — O tio disse que eu podia lavar as mãos, mas tem uma samambaia enorme na pia da cozinha, então…

— Ah, okey... — concordei simplesmente, saindo do seu caminho, como se tivesse entendido tudo e me apressei em chegar à cozinha e perguntar o que raios esse garoto estava fazendo ali, quem era ele e de onde ele saiu — Tivô...

— Sim? — ele perguntou, tomando chá e fazendo carinho na barriga do Monet em seu colo, que por sua vez comia alguns biscoitinhos de leite.

— Tem um garoto no banheiro — cochichei, antes que o assunto voltasse a aparecer.

— É o seu mapa para a escola — ele sorriu, sentindo o aroma da camomila —, agora tome logo o seu chá antes que vocês se atrasem — completou, olhando o garoto que voltou para a cozinha, sentou-se ao meu lado e encarou as duas canecas restantes sobre a mesa. Antes que ele escolhesse a minha, empurrei um pouco a laranja para o seu lado e peguei a azul.

Bebemos nossos chás num silêncio constrangedor, pelo menos para mim, até que o mais velho levantou, deixando sua caneca vazia na pia e tirando a samambaia para devolvê-la ao seu lugar, pendendo sobre a lateral da mesa. Bebi mais rápido que o costume, para não fazer o outro esperar e não sabia o que dizer, então apenas lavei minha caneca e me encostei na pia, enquanto o moreno terminou de beber logo em seguida e com despreza lavou a que usara, deixando-a limpa ao lado das outras no escorredor, antes de virar para mim, secando as mãos com o pano de prato — Podemos ir? Ah, a propósito, — ele devolveu o pano para o gancho na parede da cozinha e esticou a mão para mim — eu sou Huening Kai, qual é o seu nome?



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