História Meraki - Capítulo 49


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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camren, Fifth Harmony, Forward5h, Laurmila, Norminah
Visualizações 462
Palavras 4.117
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, FemmeSlash, Ficção Adolescente, Hentai, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hey babes! Tudo okay?

Músicas do cap.: ChetFaker - Gold e Friction - Imagine Dragons

Eu não poderia deixar de agradecer a *jacknicols* pelas "aulas sobre violões" rsrsrs.
Obrigada meu anjo! <3

Não esqueçam de comentar.

Boa leitura!

Capítulo 49 - Irradiations


Fanfic / Fanfiction Meraki - Capítulo 49 - Irradiations

Camila's POV

Em determinada ocasião, recebi um conselho que ignorei totalmente e por vezes ainda o faço: "viva um dia de cada vez". O conceito de planejamento faz parte da minha vida extensivamente, aprendi a antecipar momentos, o que acentuou a ansiedade adquirida. Entretanto, durante esses dias em Miami dispus-me a exercitar a sugestão predita, estou aproveitando um dia por vez, o que me surpreende e agrada em demasia.

Ontem – sexta-feira –, realizaram uma festa na praia organizada por colegas da Lauren e Caleb, portanto, juntamente com Dinah e Taylor me aventurei a participar. Ainda não me opus a ir aos lugares que minha namorada convidou-me; visitamos diversos pontos turísticos da cidade e alguns locais mais tranquilos, longe de olhares e possíveis bisbilhoteiros, para aproveitar a companhia uma da outra.

Extraordinariamente, estou me divertindo.

Como decidido, a comemoração do aniversário de Lauren e Dinah ocorrerá hoje – sábado, dia vinte e três de junho –, visto que o da minha amiga foi ontem e o da minha garota será dia vinte e sete, utilizamos o final de semana entre as datas.

– Oi Mila! – Disse Taylor vindo de encontro a mim, após estacionar em frente a sua casa.

– Olá Tay! Todos bem?

– A mamãe está correndo feito louca, ademais, está tudo certo. – A garota sorriu e me ajudou a carregar as compras para o churrasco.

– Então vamos ajuda-la. – Sorri, pegando o restante das sacolas.

Enquanto caminhávamos em direção à porta de entrada da casa, percebi que Taylor olhou para uma garota adentrando a casa vizinha e um vinco formou-se em sua testa.

– Algum problema? – Perguntei indicando discretamente com o queixo, já que minhas mãos estavam ocupadas.

– Huh... Por que as pessoas mudam tanto?

– Explique melhor. – Pedi ao notar sua pergunta um tanto vaga e hesitante.

– Aquela garota, Grace, era minha melhor amiga desde... sempre, mas isso mudou esse ano. – Ela balançou a cabeça, fitando o chão. – Ela foi se afastando e me ignorando, hoje não nos falamos mais. Seus amigos são apenas os mais populares da escola. – Seus ombros caíram. – Grace era diferente, gentil e sincera, mas agora ela está totalmente mudada, não é a mesma que eu conhecia.

Coloquei algumas sacolas no chão e girei a maçaneta, permitindo a sua entrada antes de mim. Ao fechar a porta, pedi que deixássemos as compras por algum momento para conversarmos, ela me fitou com os olhos tristonhos.

– Minha querida... – Fiz um afago em sua bochecha. – O ser humano é bastante complicado, aprenda isso desde cedo para evitar magoar-se mais do que o necessário, mesmo sendo inevitável. Não sei dizer um motivo exato, mas o que me disse fez-me lembrar de algo que li há algum tempo.

– Me conta? – Sua curiosidade me instigou a prosseguir.

– Eu li sobre a Teoria da Personalidade criada por Freud. – Taylor ergueu as sobrancelhas e assentiu com interesse. – Bom... É como se nossa mente fosse dividida em três "partes": o idego e o superego. Esses conceitos são usados para explicar o funcionamento da mente humana mediante as dimensões da consciência e inconsciência. O id é relativo às ações primitivas, referente aos impulsos, a partir daí cria-se os outros dois. O ego é a parte racional, é o responsável por equilibrar o id; a adequação acontece a partir da interação com o meio em que vive. O superego é como se representasse o antônimo do id, pois está relacionado aos valores morais e sociais; é inflexível, posta-se contra a impulsividade.

– Acho que entendi. – Afirmou a garota. – O id é a parte legal, o ego é a racional e o superego é a chatinha. – Gargalhei com sua conclusão.

– Segue esse caminho, mas tais adjetivos dependeram do enfoque. Se direcionado a nós, um diálogo amplamente sincero, sem filtros pode magoar, não acha? – Ponderei. – Impulso, racionalidade e moral, respectivamente são mais adequados.

– Você é muito inteligente, Mila. – Agradeci, sorrindo timidamente. – Então quer dizer que a Grace está presa ao seu ego, e que antes quando pequena, ela agia de acordo com o id, e mesmo sabendo que algumas atitudes estão erradas, sendo avisada pelo superego, ela o ignora e continua a ser babaca por causa de sua interação com a galera popular.

– Depois eu que sou inteligente... – Cutuquei seu ombro e sorri satisfeita por seu entendimento rápido. As irmãs Jauregui têm mentes incríveis. – Lembre-se de nunca se esconder atrás de máscaras, por experiência, digo que é uma maneira terrível de se viver. O encanto de cada ser humano está na verdade em que transmite. – Taylor me enlaçou em seus braços, um gesto inesperado e imensamente agradável. – Vamos levar essas coisas para sua mãe. – A garota assentiu e seguimos em direção à cozinha, percebi que seus olhos e sorriso voltaram a brilhar.

– Camila! – Fui espremida em um abraço afetuoso. Mike – como o homem insistiu que eu o chamasse – estava ajudando a esposa com o preparo dos alimentos, mas quando me viu não hesitou em me cumprimentar. Percebi que ele e Clara tinham por mim um carinho semelhante para com as suas filhas, e isso me deixa emocionada.

– Querida! – Clara estava afoita, mas me abraçou rapidamente. – Você comprou mais coisas do que deveria. – Arregalou os olhos e colocou as mãos na cintura.

– Sou precavida. – Cocei a nunca sem jeito e sorri de lado.

A mulher negou com a cabeça e começou a guardar algumas coisas e a utilizar outras. Ainda era de manhã, mas logo chegaria o horário do almoço e os convidados, então me ofereci para ajudar e agradeci mentalmente por não ser impedida, pois eles costumam não me deixar fazer nada.

[...]

– Elas estão demorando. – Comentei, me referindo a ida de Lauren e Dinah ao cabeleireiro, já que minha amiga queria "passar uma boa impressão", então arrastou Lauren com ela.

– Laur disse que vai raspar um lado e ficar loira. – Taylor falou, não contendo a risada.

– Quanto a isso você não me engana, sei como Lauren ama seu cabelo como está. – Não consegui imaginar minha garota com um novo visual tão radical, apesar de que sua beleza é incapaz de ser ofuscada.

– Estou empolgada para conhecer as garotas.

– Elas também estão eufóricas, queriam vir comigo imediatamente. – Comentei, estávamos apenas Taylor e eu organizando as mesas no quintal situado na parte traseira da casa.

Normani, Allyson, Keana e Lucy chegaram a Miami durante a noite de ontem, logo reservei seus quartos em um hotel próximo ao que eu estava hospedada para que Dinah não descobrisse nada.

– Quero ver a reação do Caleb quando conhecer a Ally. – Taylor estava se divertindo com toda a situação. – Ele costuma ser descarado, mas quando está diante alguma garota que gosta fica todo atrapalhado, imagina com a Ally?! Será divertidíssimo de se presenciar.

– Presenciar o quê? – Nos sobressaltamos ao ouvir uma voz rouca próxima a nós.

– Er... Estava contando a Camila como o tio Jaime fica atrapalhado quando bebe. – Taylor contornou a situação e se afastou rapidamente, e eu crispei os lábios para não gargalhar, sentindo o calor do corpo da minha garota colando-se ao meu.

– Bom dia, amor! – Lauren beijou meus lábios demoradamente, fazendo meu coração saltar.

– Bom dia! – Respondi em um suspirar. – Não descoloriu o cabelo, mas está diferente... – Embrenhei meus dedos em suas madeixas sedosas.

– TayTay falou. – Constatou em meio a uma gargalhada. – Gostou?

Seus cabelos não estavam mais castanhos, mas sim negros, fazendo com que o verde dos seus olhos fosse realçado. É inegável como a morena e a cor preta enquadra-se com perfeição, como acontecia neste exato momento.

– Sua beleza é hipnotizante, meu amor. – Lauren me encarou atônita.

– Repete? – Sussurrou, deslizando o indicador por minha testa, afastando minha franja, engoli em seco.

– Repetir sobre a minha admiração por sua beleza ou que é o meu amor? – Pergunto em um murmúrio, e um sorriso lindo toma conta de seus lábios.

– Diz que sou seu amor só mais uma vez, por favor.

– Meu amor. Você é o amor da minha vida. – Uni nossas bocas rapidamente e afastei-me dando-lhe uma piscadela, deixando-a com um sorriso bobo estampado nos lábios.
 

Lauren's POV

A casa estava cheia, eu amava esse clima festivo, com muita conversa, risadas, música e comida. Meus familiares e amigos próximos já haviam chegado e adoraram conhecer a outra aniversariante, que conquistou de imediato os convidados.

Apresentei-lhes Camila como amiga, pois concordamos que mesmo dentre pessoas próximas à notícia poderia espalhar-se, e isso é o que queremos evitar no momento com Alejandro a espreita. Em um futuro próximo tornaremos a reunirmos sem segredos, nosso amor desimpedido e minha latina livre de suas amarras.

– Sua família é ótima, diferente da minha que briga toda vez que se reuni, não conseguem evitar questionar e apontar o dedo para terceiros ao invés de se divertir. – Dinah falou abraçando-me pelo pescoço e segurando um copo com cerveja. Sorri surpresa por ela falar sobre seus familiares, pois evita diálogos sobre os mesmos.

– Todos adoraram você. – Garanti.

– Jesus, Maria, José! – Franzi o cenho, pois a loira falou muito alto em meu ouvido.

Quando segui a direção de seus olhos, fiquei boquiaberta ao ver as quatro garotas paradas próximas à porta. Dinah correu em direção a Normani, abraçando a namorada demoradamente. Despertando da inércia que me envolveu, a passos largos fui de encontro aos sorrisos e braços esticados a minha espera.

– Vocês vieram! – Dinah falou, juntando-se ao nosso abraço em grupo.

– Não dispensaríamos o convite. – Escutei a voz de Lucy.

Ao nos separarmos, meus olhos foram em direção aos meus pais e Camila, que sorriam cumplices.

– Foram vocês. – Acusei-os, minha voz esbanjando felicidade.

– Ideia da Camila. – Minha mãe indicou a morena, abraçando-a de lado.

Quando meus olhos se conectaram aos castanhos, senti o frenesi costumeiro atingir-me. Acredito que nunca irei me acostumar em contemplar essa mulher. Camila Cabello é minha eterna miragem.

A latina caminhou em nossa direção, juntando-se àquela fusão de garotas exultantes. Ela sente-se tímida em realizar surpresas, mas quando o faz, sabe como me deixar cada vez mais apaixonada, se isso for possível.

[...]

A noite aproximava-se sorrateira, e a animação apenas progredia juntamente às garrafas de bebidas descartadas. Bebi pouco, mas esse detalhe não impediu minha diversão, eu estava aproveitando a companhia de tantas pessoas queridas, e matando a saudade das garotas, não nos víamos há quase um mês.

A reação de Caleb ao ver Ally foi cômica. Ele ficou estático, com os olhos grudados na baixinha, como se estivesse avistado um fantasma, já minha amiga corou quando seus olhos pousaram no garoto, sorrindo timidamente.

Apresentei-os e desde então não se desgrudaram, estão envoltos em uma conversa sem fim. Os olhos brilhantes, igualmente os sorrisos, os toques envergonhados e gestos contidos agraciavam a cena. Fico contente que dois amigos queridos possam a vir formar laços em dias vindouros.

Somos meros peões no tabuleiro do destino.

Toquei o colar que Taylor presenteou-me, enquanto observava algumas pessoas dançando – incluindo Camila e tio Jaime, que insistiu até a morena aceitar. Suas palavras me tocaram quando rasguei o embrulho e deparei-me com o pingente pouco conhecido: "Quando fui comprar seu presente fiquei em dúvida, ao pedir a moça conselhos ela apontou algumas opções, mas quando me falou que essa é a Cruz de Anu, e simboliza o céu do deus Anu e indica a irradiação de sua poderosa energia em todas as direções... eu não pude deixar de pensar em você e o quanto sua energia contagia todos a sua volta. Você tem uma luz poderosa, e trás vida aos que vivem em meio à escuridão." Não contive de abraçar-lhe forte com os olhos marejados.

Percebi que Camila conseguiu livrar-se do meu tio, trocou algumas palavras com meu pai e adentrou a casa, segui-a em silêncio. Seus passos eram apressados quando subiu as escadas, quando atingiu o topo corri e a enlacei pela cintura, fazendo-a gritar e alarmar-se, quase nos fazendo rolar escada abaixo.

– Caramba! Quer me matar de susto? – Inqueriu com a voz estridente, o que me fez sorrir ainda mais.
 

*[Play Music : Chet Faker - Gold]*

 

– O que a senhorita veio fazer aqui? – Continuei com as mãos apoiadas em sua cintura enquanto a empurrava pelo corredor.

– Pegar a chave do carro... minha bolsa está em seu quarto. – Seu hálito doce e quente atingiu meu rosto cada vez mais próximo.

– Uhum... – Minha atenção estava em seus lábios carnudos, movimentando-se com vigor, e quando sua língua percorreu pela extensão dos mesmos, pressionei-a contra a parede, beijando-a instintivamente.

Meus braços rodearam sua cintura fina, o que possibilitou minhas mãos deslizar por sua lombar e descer por suas nádegas, pressionando-as com afinco. Meu lábio foi preso entre seus dentes, sua mordida equiparou-se com meu aperto, seu sorriso lascivo provocando-me. Seus dedos apertaram a parte posterior da minha camiseta quando meus lábios iniciaram um percurso a partir do seu queixo, seguindo em direção ao pescoço esguio, sugando seu ponto de pulso e arrastando minha língua pelo local.

– Vamos para o meu quarto? – Sussurrei em seu ouvido.

– Você... Esqueceu-se das regras dos seus pais? – Rebateu com a voz entrecortada, os olhos ainda fechados.

– Estão todos distraídos lá embaixo... – Voltamos a nos beijar com avidez. Senti as mãos de Camila fechar em meus ombros e seu corpo impulsionar-se contra o meu, no instante seguinte nossas posições foram trocadas.

– Não me provoca... – Cerrei os olhos e mordi meu lábio inferior notando seu descontrole. As chamas crepitavam e a latina esforçava-se para contê-las, essa é uma batalha que pretendo ganhar. Levei minhas mãos aos seus seios, vendo-a engolir em seco, mas novamente em um movimento rápido a latina prendeu minhas mãos contra a parede, sobre minha cabeça. – Para... com... isso. – Murmurou com dificuldade.

– Então explica o porquê de seus olhos me dizerem o contrário, amor. – Sorri com malicia, já saboreando o sabor da vitória.

– Irei entrar em seu quarto para pegar minhas chaves, e você vai me esperar aqui. – Sua voz autoritária soou baixa e rouca, sem conseguir parar de entreolhar meus olhos e boca; soltou minhas mãos e deu um passo atrás.

Neguei com a cabeça e agarrei-a novamente, o movimento súbito nos fez desequilibrar e esbarrar na mesinha do corredor, derrubando um dos adornos que estava sobre a mesma. Camila arregalou os olhos devido ao ruído alto que emitiu de encontro ao chão de madeira; olhei em direção a escada e apurei os ouvidos, mas não captei nenhum movimento indicando que alguém estava subindo.

– Como eu disse, estão bêbados ou entretidos para notarem nossa ausência. – Tranquilizei-a, abaixando para recolher o objeto impertinente.

Tentadoramente deslumbrante... Não me contendo esqueci-me da tarefa inicial e apertei as coxas da latina, escorregando meus dedos agilmente por baixo do se vestido, e...

– O que estão fazendo? – Aquela vozinha nos fez sobressaltar. Caí sentada e Camila cruzou as mãos em frente ao corpo.

Meu primo estava parado no início do corredor, nos entreolhando com um vinco entre as sobrancelhas. O que direi a uma criança de cinco anos para encobrir o que realmente estávamos fazendo? Encarei Camila, mas sua palidez e os olhos arregalados presos ao garoto demonstrava que eu não teria sua ajuda.

– Er... o que está fazendo aqui, Jimmy? – Perguntei ainda sentada no chão.

– Porque estava com as mãos embaixo do vestido da Mila? – Fiquei atônita por ele ter ignorado totalmente minha pergunta.

– Eu... huh... um bicho entrou embaixo do vestido da Camila e eu estava tentando pegá-lo. – Jimmy arregalou os olhos diante meu relato. – Vê como a Mila está assustada? – Indiquei o rosto da latina e o garoto concordou, o que me fez morder o interior da bochecha para não gargalhar.

– Você pegou o bicho? – Inqueriu dando alguns passos em nossa direção.

– Sim! Está aqui. – Ergui meu punho fechado.

– Posso ver?

– Não é uma boa ideia, ele pode fugir. Você quer que ele escape? – Ele negou enfaticamente com a cabeça.

– O bicho machucou você, Mila?

– Não... – Camila pigarreou e piscou algumas vezes, tentando recobrar a postura. – Não se preocupe Jimmy, estou bem. A Lauren me salvou. – Seus olhos semicerrados focaram-se em mim, a vontade de gargalhar apenas aumentou.

– Que bom que a Laur estava aqui, não é mesmo? – Meu primo falou com uma pitada de orgulho ao me encarar novamente.

– Com certeza! Não sei o que seria de mim se ela não estivesse aqui. – O sorriso escondia seu tom vexado. – Já que estou salva vou buscar minhas chaves. Faça companhia a nossa heroína, Jimmy. – Adentou o quarto rapidamente.

– Aguarde um momento, vou jogá-lo fora. – Ergui a mão ainda fechada e corri até o banheiro, fingindo ir descartar o bichinho atrevido.

Voltei no momento em que Camila saia do meu quarto. Ela sugeriu que descêssemos, e foi o que fizemos, mas ainda tinha uma questão a ser respondida...

– Jimmy, o que foi fazer lá em cima? – Voltei a perguntar, após descermos o último degrau.

– Ah é! O tio Mike está procurando você. – Segurou minha mão e puxou-me em direção a cozinha. – Encontrei ela. – O garoto falou assim que avistou meu pai.

– Valeu Jimmy! – Meu pai bagunçou seu cabelo escuro.

– Sabia que a Laur matou o bicho que entrou embaixo do vestido da Mila? – O pequeno anunciou orgulhoso, fazendo Camila – que estava à porta – engasgar-se com a própria saliva e deixar a cozinha imediatamente.

– Huh... Jimmy? – O garoto me olhou, abaixei para fitar seus olhos. – Vamos fazer um acordo... A minha luta com o bichinho deve ficar somente entre você, Camila e eu, tudo bem?

– Por quê?

– Porque é mais legal quando mantemos nossos atos heroicos em segredo. – Sua cabeça pendeu, e uma expressão concentrada surgiu em seu rosto, ele estava pensando sobre a proposta.

– Se você diz... Tudo bem! – Ele sorriu cúmplice e apertou minha mão estendida.

– Vou fingir que não escutei isso. – Meu pai falou com as sobrancelhas erguidas em aviso, o que me fez corar com mais intensidade.

– Sim, senhor! – Sussurrei, desviando o olhar.

– Seu tio diz que nossa cantoria não é a mesma sem você. Vamos lá!

Durante as reuniões familiares tornou-se hábito reservarmos um momento onde se escutavam apenas violões e vozes vigorosas em harmonia. Meu pai e eu adoramos participar de tais ocasiões. O violão que partilhamos pertencia a meu avô, portanto, temos um carinho especial pelo instrumento, que neste instante estava sendo tocado por um dos meus tios.

– Chegou quem faltava! – Exclamou o homem risonho. – O talento da família...

Com um gesto despretensioso com a mão, declinei tamanho elogio e sentei-me ao seu lado. Um círculo disforme foi formado; a lua decidida a abrilhantar o momento com sua presença. Deixei meus olhos vagarem... meu coração se aqueceu com a visão de tantas pessoas importantes reunidas.

Captando um movimento a minha esquerda, girei o pescoço e deparei-me com Camila caminhando em nossa direção segurando um... violão. Franzi o cenho sem compreender, quando a latina parou em minha lateral, meu pai pediu que interrompessem a canção que estava sendo tocada, então tornei a encará-la.

– Pretendia esperar até o dia vinte e sete, mas fiquei muito ansiosa para entregar-lhe seu presente. – Camila estendeu o case fabricado em madeira revestido em corino marrom. – Acredito que esse é o momento mais adequado. – Fez um gesto indicando a nossa volta.

Abri e fechei a boca, mas não consegui formular nenhuma frase devido ao fluxo rápido de pensamentos. Segurei o que me foi estendido mecanicamente, meu pai aproximou uma mesa onde repousei o case. Toquei as fechaduras cromáticas e as abri com cuidado; a parte externa era revertida com veludo em vinho, e o mais importante, que me deixou boquiaberta... um Taylor K24ce.

– Espero que goste. – Escutei a voz de Camila. – Pedi a opinião da vendedora, e também liguei para Mike, buscando uma afirmação baseada em quem realmente a conhece.

– Se eu gostei? – Ergui meu olhar, deparando-me com os castanhos reluzentes. Ela está tão feliz e à vontade. – Eu amei! Olha para isso... – Retirei o instrumento do compartimento. – É um sonho... – Deslizei meus dedos pelas cordas sentindo a vibração atingir minha alma.

Balancei a cabeça e respirei profundamente antes de estender o violão a meu pai e erguer-me, rodeando Camila com meus braços, apertando com firmeza seu corpo contra o meu.

– Estou sem palavras! É um presente extraordinário. – Pensamentos a respeito das condições financeira da latina mais uma vez tentaram sobressair, mas bloqueei-os, não os quero em minha mente. – Não consigo pensar em uma maneira de agradecer-lhe. – Murmurei contra seu pescoço.

– Posso pensar em algumas coisas... – Falou tão baixo que mesmo com minha orelha colada a sua boca, forcei-me para entender e quando o fiz não contive a risada. Ela repetiu as palavras que utilizei diante seu agradecimento por eu ter aceitado ser modelo para sua exposição.

– Obrigada! – Pressionei meus lábios contra sua bochecha sentindo a maciez da sua pele, e contendo-me para não beijar-lhe a boca.

– Ah! Tem isso aqui... – Estendeu uma pequena sacola. – A moça disse que não poderia faltar. – Inseri minha mão na abertura e retirei de lá um conjunto de palhetas.

– Não deixa passar nenhum detalhe... – Suspirei, minha emoção estava no limite, mordi o lábio com força e a abracei mais uma vez.

– Venha Lauren! Vamos dedicar a próxima música a Camila. – Proferiu meu pai e alguns gritos entusiasmados romperam o silêncio que havia se instaurado, mas sua atenção estava sobre o violão em suas mãos.

– Não saio daqui sem tocá-lo... – Afirmou tio Johnny, que ainda segurava o violão do meu pai distraidamente.

Àqueles que dispunham de algum entendimento, observavam o instrumento com olhos brilhantes e cobiçosos. Voltei rapidamente ao meu lugar com um único pensamento: Preciso escudar meu mais novo protegido. Para mim, sua importância vai além da qualidade, foi atribuído valor afetivo devido a quem me presenteou.
 

Camila's POV

Estávamos reunidas em um restaurante em Miami Beach, dedicaríamos o dia de hoje para colocar a conversa em dia, apenas nós, como em New York. As garotas decidiram ficar até o final da semana, queriam aproveitar o sol, as praias e a companhia.

– Ah... – Suspirou Allyson com os olhos perdidos na imensidão do mar. – Miami é linda! Adoraria morar aqui.

Entreolhamo-nos e o som harmônico de nossas gargalhadas atraiu alguns olhares, mas nenhuma delas importou-se com esse detalhe, talvez apenas eu tenha o percebido e assombrosamente não me incomodei, minha postura relaxada e o sorriso fácil perduraram.

Durante minhas leituras e pesquisas avulsas, deparei-me com uma frase autoexplicativa do filósofo e escritor chinês Lao Tzu, que fez-me refletir como sempre acontece diante perspectivas de relevância: "Se estás deprimido, estás a viver o passado. Se estás ansioso, estás a viver o futuro. Se estás em paz, estás a viver o presente".

A trajetória imperfeita que é a minha vida prossegue acumulando ensinamentos.

– Você não engana ninguém Brooke! – Refutou Keana, com o canto dos lábios curvados.

– Seu súbito interesse tem nome e sobrenome... Caleb Parker. – Ironizou Dinah.

– Não é verdade! – Exclamou a loira mais baixa, sobressaltada. – Miami é linda! Vão negar?

– Jamais! – Lucy ergueu as mãos.

– Mas o motivo de todos esses suspiros é o Caleb, não negue. – Pontuou Normani com firmeza, erguendo uma sobrancelha inquisidoramente.

– Suas inconvenientes. – Allyson cobriu o rosto, causando outra onda de euforia.

– A integridade do rapaz é inquestionável... Está em boas mãos, Ally. – Pronunciei-me, fazendo-a me olhar surpresa.

– Camila! Até você... – Prendi a língua entre os dentes, virando-me para observar o rosto afogueado de Lauren devido às gargalhadas; o verde de seus olhos cristalinos.

– Todas aprovaram. – Minha garota deu de ombros e inclinou-se sobre a mesa. – Nosso instinto é bom, já que nenhuma foi com a cara do Ogletree desde o início.

– Ew! – Keana fez um careta ao escutar o nome do ex da amiga. – Lauren tem razão baixinha.

– Vida que segue... Façamos um brinde. – Sugeriu Lucy. Erguemos nossos copos, e os unimos em um tilintar. – Ao amor!

– Ao amor! – Repetimos.

[...]
 

*[Play Music : Friction - Imagine Dragons]*

 

Após acompanhar nossas amigas até o aeroporto, decidimos ir aproveitar a tarde na ilha de Key Biscayne, eu conhecia o lugar e seria ideal para fazer algumas fotos que se enquadrariam no tema da exposição que farei com Marielle. Seria um dos panoramas das confissões relacionadas à minha infância.

Encontraríamos com Caleb que foi antes de nós com alguns amigos, já que seu intuito era o surf. Lauren tentou me convencer a acompanha-los na prática, mas nada relacionado a esportes radicais me cativa, prefiro apenas apreciar. Dinah havia se compromissado com Taylor de irem às compras, portanto, sua iniciação como surfista seria adiada.

– Você é maluca. – Assinalei, negando com a cabeça ao escutar os relatos de Lauren.

– O Caleb é bom com esportes, eu apenas me divirto. – Deu de ombros antes de deixar o carro.

– Caso queira surfar não se prenda por mim. – Informei enquanto caminhávamos lado a lado em direção à praia.

– Me lembrarei disso... Mas, fazer-lhe companhia é mais interessante. – Sorriu de lado, seus olhos cobertos pelo óculos.

– Eu gostaria de ir até...

– Ora, ora! – Aquela voz... Meu coração contraiu-se, enquanto tremores graduais dominava cada parte do meu corpo. – Como se diz? Ah! O bom filho a casa torna. 
 


Notas Finais


Hehehehe! 👀

Até qualquer dia ;)

↪ Twitter: @forward5h #FicMeraki


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