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História Mesmo sem estar - Capítulo 16


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Capítulo 16 - Nós


Acordei no dia seguinte sentindo ele alisar o meu rosto. Sorri inevitavelmente antes de abrir os olhos.
- acordou a bela adormecida. – ele riu.
- que horas são? Eu dormi muito?
- ta cedo ainda, relaxa.
- e a Alice?
- ta com minha mãe lá embaixo.
- você contou tudo pra ela, né?
- ela falou contigo? – eu assenti. – não acredito. Eu falei pra ela não se intrometer. – eu ri.
- ela não falou nada demais. Só que depois do que você me disse, eu fiquei muito abalada. E ela me deu apoio, só isso.
- agora você acredita em mim?
- é, eu ainda to trabalhando isso. – falei rindo.
- ta bom, já é alguma coisa... – ele disse e me encheu de beijos pelo rosto.

Os próximos dias foram um verdadeiro mix de emoções. Eu e Luan estávamos nos dando tão bem e nos divertindo tanto. Mesmo não podendo demonstrar muito carinho durante o dia, nós demonstrávamos de forma disfarçada.  Um olhar, segurar as mãos, um abraço de amigos.

Mas com o passar dos dias, mesmo com nossa discrição, notei que Seu Amarildo tinha reparado tudo aquilo que estava rolando. E tive certeza que ele notou quando o ouvi brigar com Luan por isso durante a madrugada.

Na noite de sábado, vi Luan sair da cama. Imaginei que fosse beber água ou algo do tipo. Quando percebi sua demora, resolvi ir atrás. Sem querer, acabei escutando a discussão entre ele e o pai na sala de estar.
- pai, você sabe muito bem o porquê de eu ter casado com a Bianca.
- não me interessa o porquê. Me interessa que você honre a sua palavra e seja fiel a sua mulher. Luan eu não quero nem saber de bafafá com teu nome por aí. Pouco me importa se você não gosta dela. Pensasse isso antes de ir lá e fazer filho.

Eu, com medo de que alguém notasse minha presença, voltei pro quarto apressada. Fechei a porta com cuidado e me sentei na cama. Estava aterrorizada com aquilo. Seu Amarildo além de saber de tudo, não apoiava as práticas de Luan. Óbvio, quem em sã consciência apoiaria o filho a trair a esposa?

Deite-me e tentei dormir. Mas aquilo não saía da minha cabeça. Minutos depois, Luan voltou. Me abraçou por trás e eu permaneci quietinha. Logo ele dormiu e eu continuei pensando no quanto aquilo que estávamos fazendo era errado.

Na noite seguinte eu não quis dormir no seu quarto. Ele estranhou, afinal tínhamos dormido juntos todos os dias que se passaram. Nós só dormíamos. Tínhamos concordado em não mais ter relações enquanto Luan ainda estivesse casado. Na primeira noite foi impossível controlar a saudade e o desejo. Mas eu precisava saber se ele me queria apenas pra sexo ou se realmente me amava como dizia.

No dia seguinte, eu mal abri os olhos e Luan já entrava no meu quarto.
- senti sua falta na minha cama. – ele disse se deitando ao meu lado. Eu ri e acariciei seu rosto. – você ta diferente comigo.
- não to não! – falei na defensiva. – eu só acho que enquanto você ainda é casado, a gente tem que ir com calma.
- a gente já tinha conversado isso.
- eu sei, mas acho que temos que ir ainda com mais calma.
- mais calma? – perguntou olhando para meus lábios. – e eu posso tentar te convencer do contrário? – eu comecei a rir conforme ele foi se aproximando de mim.
- não, não pode! – saí correndo pelo quarto e ele atrás de mim. Eu ria descontroladamente tentando fugir dele, até ele me alcançar e me agarrar por atrás. Com um abraço, me tirou do chão. Mas me colocou de volta as pressas quando abriram a porta abruptamente. Era Amarildo. Nossos risos se desfizeram no mesmo instante.
- o café ta na mesa. – ele falou sério. Eu ajeitei a roupa e Luan apenas concordou.

Por sorte, passamos apenas mais uma noite lá. Luan notou que eu estava bem menos segura quanto a nós. Mas eu fugi dessa conversa. O máximo que respondi era que estava me sentindo culpada por estarmos ambos enganando duas pessoas.

Quanto mais nos aproximávamos de casa, mais triste eu ficava. Tinha que lidar com a nossa realidade agora. Eu tinha evitado falar muito com Gab todos esses dias, mas não tinha mais como fugir. Eu tinha que encará-lo e terminar com ele.

Do começo da rua pude ver o carro vermelho de Bianca estacionado na frente. Ela estava lá. Isso fez meu coração palpitar forte. Eu sentia mais medo dela agora do que em qualquer outro momento. Sentia que ela iria olhar pra mim e descobrir o que fizemos. Eu era péssima com mentiras. Não ia saber esconder.

Quando Luan parou o carro, ela abriu a porta com um enorme sorriso e veio correndo até ele.

- meu amor, que bom que voltou! – disse o abraçando. – você não sabe o quanto eu senti sua falta. – eu desci do carro e dei a volta para pegar Alice pela outra porta. Ela tinha dormido durante o caminho. Eu ia passando direto para dentro de casa, quando Bianca me parou. – oi Eduarda, posso dar um beijinho na Alice? – olhei estranho para Luan. O que estava acontecendo com ela?
- claro…  – sorri fraco. Ela o fez.
- que coisinha fofa dormindo. Já pode ir. – eu entrei às pressas. Coloquei Alice no berço e sentei-me na poltrona ao lado. O que tinha sido aquilo? Por que ela estava sendo tão boa do nada?

Eu me senti muito mal com aquilo. A Bianca tinha mesmo mudado da água pro vinho? Luan mudaria de ideia caso isso tivesse acontecido? Ela iria finalmente querer ser mãe de Alice? Meus olhos marejaram.

Fui direto pro meu quarto e coloquei Alice bem no meio da minha cama. Em volta dela, coloquei vários travesseiros e fui direto pro banheiro. Olhei pra mim mesma no espelho e comecei a chorar. Eu tinha sido muito burra. Era fácil terminar com Gab. Mas o Luan iria se divorciar de Bianca? Ainda mais com sua mudança repentina de comportamento?

Minutos depois, ouvi alguém entrar no meu quarto e fechou a porta atrás de si. Supus que fosse Luan então não me movi. Logo ele apareceu na porta do banheiro. Eu, que tinha os olhos cheios de lágrimas, apenas o olhei cabisbaixa.
- ei, o que foi? – levou a mão ao meu rosto e levantou-o.
- a gente... a gente não deveria ter feito nada daquilo! – as lágrimas correram e a voz embargou. – você é casado!
- Duda, não faz isso...
- e eu estava com o Gabriel, a gente traiu eles!
- achei que a gente já tivesse conversado isso. – desviou o olhar. – eu vou pedir o divorcio...
- você chegou e ela já pulou em cima de você! Te tratou como nunca antes e ainda quis ver a Alice... Você acha que ela vai aceitar divorcio? – ele riu se afastando. – o que foi Luan?
- isso tudo é... ciúmes? – fechei a cara e ele riu mais ainda.
- não, Luan! Estou falando sério. – ele se aproximou ainda rindo e me abraçou.
- deixa eu te falar uma coisa... Pouco me importa se ela vai aceitar ou não. Eu vou me divorciar dela e vou ficar com a mulher que eu amo. – beijou minha testa.
- e se ela estiver melhorando? – perguntei tristonha o abraçando forte.
- isso não muda o fato de eu não amar ela. 



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