História Mess of Mistakes - Capítulo 2


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor, Hot, Newadult, Romance, Sexo
Visualizações 7
Palavras 1.673
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Um


Fanfic / Fanfiction Mess of Mistakes - Capítulo 2 - Um


1.    
− O que vão pedir?
Perguntei com um sorriso forçado nos lábios, enquanto um casal adolescente sentava com um ar arrogante no café da livraria Triunfo em que eu trabalhava, no Centro do Rio de Janeiro.
− Um cappuccino sem canela e um café expresso grande. – O rapaz respondeu por ela, e eu tive vontade de perguntar de novo. Ela podia responder.
− Ainda bem que você sabe! – a garota sorriu e beijou-o na bochecha, deixando o rosto no vão entre o pescoço e o ombro dele. 
Voltei ao balcão pedindo a Rosa que fizesse os pedidos. Respirei fundo. Tirei o celular do bolso, embora Bruno, o gerente, sempre ameaçasse me demitir por causa disso. Chequei as mensagens, as chamadas, os e-mails, apenas o de sempre: minha mãe, Léa e algumas besteiras.
− Karen não vem trabalhar, pode ficar? – Bruno tomou o celular da minha mão jogando no bolso do meu avental.
− Posso sim. – tirei o meu celular do bolso frontal do avental verde horroroso e coloquei no meu bolso da calça.
− Quantas aulas você já perdeu essa semana, Diê?
− Quatro.
− Fez hora extra todos os dias? – ele se espantou.
− Não, um dia eu faltei mesmo.
Abriu a boca para falar algo, mas a Rosa colocou as duas canecas fumegantes no balcão e me apressei em servir.
Bruno me chamou com um gesto de cabeça até a sala dele. Terminei de servir o casal, com mais um sorriso falso e entrei na sala do gerente, fechando a porta atrás de mim. A sala era minúscula, contrastando ridiculamente com o dono dela, grande e um pouco acima do peso de uma maneira legal, mas tinha um ar condicionado forte e mantinha o cheiro do perfume do Bruno aqui dentro.
− Diga. – Sentei na cadeira, bem a vontade.
Bruno era quase um amigo, ele era apenas três anos mais velho que eu, com vinte e quatro. Eu sempre achei que ele quisesse dar em cima de mim, mas esperava uma brecha. Só que ele nunca fez nada.
Não que eu estivesse disponível, de qualquer forma.
− Você tem que aprender a me dizer não. Assim eu posso demitir a Karen e você faz o que deve fazer. 
− Eu estou pensando em trancar a faculdade, não tem problema se eu reprovar esse período. – por mais que eu adorasse Educação Física, não me via trabalhando em uma academia. Não mais.
− Mas você está no quinto período! – ele sentou na cadeira dele com um copo de café nas mãos.
Eu não conseguia tomar café aqui, o cheiro era demais.
− Eu sei, é o que a minha mãe diz toda vez... – Mais uma vez os olhos verde-mel dele me observaram cuidadosamente. Estiquei os dedos e peguei uma caneta rabiscando o papel que estava sobre a mesa dele. – eu tenho que voltar para lá, chefe.
Ele assentiu murmurando um “é”.
Talvez Bruno só sentisse pena de mim. 
− Amanhã você está de folga, e tenho dito. A Karen vai ter que te cobrir ou irei demiti-la. Pode mandar mensagem para ela avisando isso. – Fechei a porta, sem responder.
Obedeci, enviei a mensagem.
Karen não gostava de mim. Eu não fazia questão, mas ela pelo menos podia agradecer o esforço que eu fazia para conservar o emprego dela.
***
− Ainda bem que você já está em casa. Eu esqueci de colocar a comida do Junior, e eu sei que ele não é seu cachorro, antes que você reclame, mas me salva, por favor. – Léa no telefone.
− Ele não é meu cachorro! Eu não vou limpar as porcarias que ele faz... Mas eu já coloquei a comida dele. Ele não me deixaria em paz se eu não o fizesse.
− Obrigada! Você é um anjo. – Riu sarcástica.
Eu não odiava o cão, que era um lindo Boston Terrier, típico cão de apartamento. Eu odiava a obrigação que Léa tinha me forçado. Ela é enfermeira, trabalha numa escala 24h por 48h, mas sempre pega plantão antes para fazer mais grana e no final eu cuido mais do cachorro do que ela.
− Eu sei, eu sei...
− Como foi o seu dia? – agora ela já estava começando a cumprir o roteiro da forma mais rápida possível. O que era um benefício para nós duas, já que eu odiava falar pelo telefone.
− Vai lá, você tá ocupada, eu te mando uma mensagem depois.
− Love you! Beijo! – Ela riu.
Nem respondi, ela nunca esperava mesmo.
Andei pelo apartamento de dois quartos que alugávamos, enquanto o Junior passava na minha frente querendo brincar.
Ele não precisava de muita atenção, mas mesmo assim.
Eu tinha adquirido uma insônia crônica depois que me mudei para esse apartamento. Minha mãe achou que depois do João eu voltaria a morar com ela. Ficou um pouco enciumada quando trouxe as minhas poucas coisas para casa de Léa invés de voltar para ela. Às vezes eu me arrependia de não morar com a minha mãe, principalmente nas noites de insônia quando eu não podia ir dormir ao lado da Léa como eu faria com a minha mãe, entretanto os meus momentos de solidão necessários eu só tinha aqui. Minha mãe era um tanto carente no quesito conversa. Ela precisava de diálogo, mesmo quando eu preferia o silêncio.
Deitei na cama já com a madrugada alta, estava quase amanhecendo, ainda bem que o Bruno tinha me obrigado a ter uma folga.
Eu dormia do lado oposto agora, o lado que pertencia ao João naqueles dois anos em que moramos juntos. Um lembrete de que ele não estava ali.
Nunca mais tínhamos nos falado ou esbarrado por ai. Não mantive contato com nenhum dos meus amigos antigos, tentando evitar exatamente isso.
Sonhava com ele constantemente e me irritava toda vez que isso acontecia.
Escutei um barulho de moto do lado de fora, levantei da cama me esgueirando pela janela. Afastei as cortinas apenas o suficiente para poder ver o que acontecia. Eu morava em um bairro muito residencial, qualquer barulho na madrugada era estranho.
No andar de baixo um homem parou e pegou o celular, ergueu o capacete só um pouco, digitou algo e voltou ao seu caminho original. 
Alguém mais viciado em mensagens do que eu. Incrível.
Mandei uma mensagem para Léa sobre isso. Ela respondeu quase que imediatamente rindo e começou a me contar estranhezas do seu plantão também. Morávamos juntas, mas conversávamos mais assim que pessoalmente, nossos horários eram incompatíveis.
Acordei com o telefone tocando. Pensei que tivesse desligado o despertador, merda!
Mas não era o despertador, era uma ligação do Bruno. Merda.
− A Karen pediu demissão, pelo amor de Deus, eu tô todo enrolado.
− Eu já estou indo.
Onze horas da manhã. Eu tinha conseguido dormir mais de quatro horas. Provavelmente bateria o meu recorde em quase um ano e chegaria a seis horas de sono.
Vesti a calça por cima do meu short de dormir, peguei uma camiseta do uniforme limpa dentro da gaveta e a vesti sobre a camiseta de dormir mesmo.
Junior estava me esperando na porta do quarto quando sai. Deixei a porta do banheiro aberta para que ele pudesse me ver um pouco antes de ficar em casa sozinho por mais um dia inteiro. Provavelmente Léa emendaria o plantão em um de 36 horas. Escovei os dentes com o cachorrinho me olhando sentado à porta. Ele inclinou a cabeça com o focinho quase inexistente, sorri com a boca cheia de pasta.
− Eu sei, também achei que fosse ficar.
Eu estava falando com o cachorro que não era meu. Penteei o cabelo correndo, não havia muito que eu pudesse fazer a respeito dele. Era liso, mas cheio. Prendi em um coque frouxo no alto. Eu tinha que cortá-lo, assim que arrumasse tempo. Nunca gostei de cabelo grande, o meu estava chegando ao meio das costas, uma cortina castanho escura. 
Peguei Junior no colo, no tempo em que juntava as minhas coisas na mochila: carregador do celular, o mesmo livro que eu tirava e colocava lá havia duas semanas sem conseguir passar da página cem. Conferi as coisas que precisava: nécessaire com absorventes, remédios, pasta de dentes. Sim, tudo lá.
Larguei-o em frente a sua tigelinha na pequena área de serviço, enchendo a água e a ração. A partir dai ele me ignorou e eu pude sair sem culpa.
Abri a porta e dei de cara com o senhorio do apartamento, Seu Arnaldo, logo atrás dele estava um cara. Ele me olhou por um segundo e fez sinal me dando a passagem no corredor estreito do prédio. 
− Essa é a Desirée, sua futura vizinha. – ele apresentou. – esse é Igor, ele está alugando o apartamento ao lado do seu. 
Assenti com a cabeça e avaliei o cara que seria meu vizinho.
Vestia jeans surrados e uma camiseta que parecia um dia ter tido uma estampa de banda. O cabelo estava raspado, mas não inexistente. Ele tinha a pele levemente morena e olhos castanhos.
Tranquei a porta, e pude ouvir as unhas do Junior arranhando a porta por dentro.
− Bom, eu aceito animais de estimação desde que eles me deixem dormir. – Seu Arnaldo balançou o pesado molho de chaves abrindo o apartamento que estava vago desde que eu me mudei para cá, havia oito meses.
Apressei-me em descer, já tinha perdido muito tempo ali. Bruno já estava me ligando novamente enquanto eu descia as escadas, mas não atendi. O Celular vibrou e recebi uma mensagem dele me dizendo para pegar um táxi. Agradeci pelo menos essa mordomia.
 Fiz sinal para um táxi que misteriosamente estava passando pela minha rua, que era residencial. Por algum motivo inexplicável a cena me remeteu a outra cena, aquela onde eu estava deixando a vida que eu conhecia por uma nova. Onde eu largava o duvidoso que eu julguei certo por anos e me atirava em uma vida duvidosa muito mais certa.
Olhei para cima, o meu novo vizinho estava me encarando pela janela fechada do seu novo apartamento.
Engoli em seco e entrei no táxi.

 


Notas Finais


E então, quem estiver por ai lendo, me diz o que achou?
Tenho que contar pra vocês que o Igor é um lindo! Então vem comigo, ok?
Beijinhos para quem ler,
Aguy


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...