História Messed Up American Dream - Capítulo 6


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Categorias EXO
Personagens Do Kyung-soo (D.O), Kim Jong-in (Kai)
Tags Comedia, Exo, Fluffy, Kaisoo, Red Velvet, Shortfic, Slight!chankai, Slight!hunrene, Surf, Theflopclub, Thesportsclub
Visualizações 80
Palavras 6.095
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Esporte, Fluffy, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá! Como estão?? Bem? Espero que sim!
Voltando hoje com esse capítulo como um pedido de desculpas por todas as vezes que eu demorei para responder os comentários ;a; Perdoem a tia <3
Tomara que gostem desse capítulo cheio de açúcar e boa leitura!

Capítulo 6 - O melhor encontro da vida do Kyungsoo


  

  Jongin nunca tinha ouvido falar de Badminton, mas lá estavam Irene e Kyungsoo, com magrelas raquetes e uma pequena peteca, correndo como loucos de um lado para outro para  não deixá-la cair. Jongin nunca tivera muita coordenação para esportes como aquele; tênis, ping pong e essas coisas, então estava estirado na grama ao lado de Seulgi e Wendy.

    Entre eles havia uma toalha xadrez e a comida estava espalhada ali em cima já pela metade. Jongin não sabia o que havia dado no pessoal da Irmandade para querer fazer um piquenique. Aliás, pensara que pessoas como eles achariam coisas desse tipo bregas e desconfortavelmente estranhas, mas estava errado. E não estava exatamente reclamando.

    Também não era como se tivessem feito a comida. A Irmandade contava somente com Kyungsoo como cozinheiro. Jongin mal sabia o que fazer com um ovo. Seulgi sabia fazer algumas variedades de macarrão. Wendy fazia bolos que davam mais ou menos certo. Irene pedia pizza muito bem. Por isso haviam passado numa padaria. Compraram alguns pacotes de biscoitos, massas folhadas e suco de caixinha para o piquenique. 

    O parque onde estavam era arejado e cercado por árvores, então haviam encontrado uma sombra fresca. Jongin observava Kyungsoo ajustar o boné na cabeça pela terceira vez depois de acertar acidentalmente a raquete na aba, e Seulgi aproveitava a luz solar para tirar algumas fotos. O silêncio entre os três era confortável, e durou até que Wendy levantou-se para ir comprar uma vitamina. 

Agora que estavam sozinhos, Amy podia cutucá-lo para saber informações. Até porque, não queria que Jongin soubesse que todo mundo já sabia de tudo, principalmente por saber que seria acusada de ir fofocar.

    — E então... Como foi o encontro-não-oficializado dos dois pombinhos? — Ela perguntou, em tom baixo, assim Kyungsoo não ouviria dos poucos metros que os separavam. Jongin tinha o corpo apoiado nos braços e um bico volumoso e proposital cresceu nos lábios cheios enquanto ele suspirava.

    — Acho que não deu muito certo. — Ele declarou por fim, fechando um pouco os olhos quando o sol apareceu outra vez, por trás das nuvens. — Quer dizer, foi bom. Nós conversamos bastante, foi legal passar o tempo. Mas acho que não teve exatamente um resultado...

    — Como assim? O que você diz por resultado? — Amy questionou, partindo um dos biscoitos de aveia para colocar metade em sua boca, mesmo que Jongin não tivesse pedido por nada. Deu de ombros, ponderando um pouco.

    — Sei lá… Acho que serviu para eu ver que não vai dar certo. — Ele esclareceu, baixando ainda mais o tom agora que Kyungsoo tinha os olhos perdidos em sua direção, esperando Irene buscar a peteca. Volante, aliás. — Acho que ele não tem muito interesse em mim.

    — Mas acho que ainda tá um pouco cedo para pensar isso. O Kyungsoo é realmente lento para essas coisas. — Amy explicou, abraçando as pernas nuas. Seus shorts coloridos sumiam por baixo da blusa larga. — Você tem que insistir um pouco mais. Não quer dizer que ele não está gostando só porque ele é meio tapado. Na verdade, acho que ele tenta se conter porque pensa que você realmente não o vê dessa forma.

    — Mas eu deixo isso tão claro... — Reclamou Jongin, sentando-se, agora que o Sol queimava suas bochechas. Sinceramente, não fazia ideia do que fazer em relação a Kyungsoo. Não sabia mais como mostrá-lo o que sentia. Jongin não era o tipo de cara de sabia ficar jogando indiretas, ou coisa do tipo. Não tinha sido tão difícil com Chanyeol… Bastara olhar e sorrir. 

    — Não deixa, não. — Negou Amy, enfatizando-se com um movimento grosseiro de cabeça. — Eu notei porque você deixou escapar e porque, sei lá, eu tenho sexto sentido. Mas o Kyungsoo é bem o tipo que só vê se for esfregado na cara dele. Você tem que dizer com todas as palavras. 

    — Mas eu não quero dar esse passo ainda! — Choramingou ele outra vez. Amy soprou sua franja, impaciente. — Eu sei que eu estou sendo complicado, mas também sei que você compreende. 

    — Queria não compreender. — Ela silabou, com um tom impaciente. Depois de um breve e pensativo silêncio, ela foi quem resolveu finalizar o assunto. Wendy estava se aproximando de novo e Irene havia anunciado que ganharia se fizesse mais um ponto. — Leve-o para outro encontro. Um mais romântico. Um que não dê brecha para pensar que não é um encontro. E dessa vez, não deixe a Kim atrapalhar!

*** 

    Jongin achou meio rude a forma como Amy falava sobre Kim. Qual é, ela era uma garota legal e, definitivamente, não tinha aquela intenção de atrapalhar as coisas. Muito provável que nem soubesse que Jongin era gay, ou que gostava de Kyungsoo... E isso era por culpa total e unicamente de Jongin. Mas, sim, por um lado, ela atrapalhava um pouco, porque Kyungsoo ainda pensava que ela e Jongin tinham alguma coisa e isso se reafirmava sempre que estava por perto.

    Foi pensando nisso que Jongin decidiu que precisava dar um jeito de esclarecer logo que ele e Kim não tinham nada além de uma amizade. Desceu ao LaVista, fingiu que não estava tremendo de medo de Kim ser uma barraqueira indomável quando muito brava, pediu um daqueles drinks coloridos e cheios de enfeites e contou tudo.

    Kim sorria como sempre, meio alegre por ter sua visita. Ela secava os copos recém lavados e colocava-os numa bandeja à sua frente, assim poderia ficar por perto e conversar. Jongin não sabia dizer se ela notara seu desconforto. Jongin engasgava só de pensar que ia contar pela primeira vez para alguém, em toda a sua vida, que era gay.

    Pensou nas consequências. Quando uma pessoa descobria sem precisar que contasse, geralmente era porque estava no meio LGBT+, ou porque não se importava com isso. Era o caso de Amy. Mas quando contava, as reações eram diversas. Por mais que gostasse de Kim, jamais saberia com tão pouco tempo se ela era uma garota homofóbica. Talvez ela reagisse bem naquela hora, e uma semana depois ninguém mais quisesse conversar com Jongin. Talvez reagisse mal e o mandasse sair dali. 

    Não era como se Jongin quisesse ficar famoso em La Jolla. Isso envolvia todas as formas de ficar famoso. 

    — Por que eu tenho a sensação de que você quer dizer algo? — Jongin arregalou os olhos quando ela finalmente o abordou. Kim sorria pequeno, curiosa. Na verdade, parecia estar com um brilho de esperança nos olhos. Jongin sentia-se um grande idiota. Era melhor dizer logo. Não podia mesmo continuar deixando que ela pensasse que havia chances. 

    — Kim... eu sou gay. Desculpa não ter te dito antes. Não queria parecer convencido. — Jogou ele, tudo de uma vez. Queria de verdade ter conseguido falar de uma forma mais tranquila, mas quando viu estava botando tudo para fora. Era melhor assim. 

    Não ficou muito surpreso quando a garota olhou longamente para seu rosto, as bochechas ficando cada vez mais vermelhas de vergonha. Depois disso ela respirou meio sem jeito, na verdade, completamente desajeitada, e, sim, Jongin havia notado que ela parara de respirar por segundos inteiros.

    E no fim, apesar de estar surpresa, Kim não fez o estardalhaço. Só foi atender seus outros clientes e, sendo sincero, Jongin entendia que ela não quisesse mais muita conversa. Pelo menos não por hora. Deu-a espaço para engolir a informação e, pronto. Não mais haveria Kim dando em cima de si e confundindo o Kyungsoo de quem Jongin realmente era afim. 

    Voilá.

*** 

 

    A semana passou correndo. Havia tanta coisa para fazer que Jongin só se via na Irmandade Coreana à noite, às vezes quando todo mundo já estava dormindo. As aulas começavam a apertar sua rotina e Jongin passava agora metade do dia na biblioteca, fazendo suas tarefas. Vez ou outra Wendy sentava-se ao seu lado, visto que também precisava estudar. Jongin também tinha um trabalho sobre Shakespeare e ia vez ou outra para casa do colega de turma, Nate, para fazê-lo. 

Para apertar ainda mais, uma das competições mais famosas de San Diego abriram as inscrições e, bem, se havia um motivo para Jongin estar ali, com certeza não era por causa do curso de Literatura. Jongin inscreveu-se e agora tinha também que pegar o ônibus ou o Smart de Wendy para ir treinar em Oceanside, ou em Windansea, essa outra praia que teve de descobrir sozinho, visto que nem sempre Kyungsoo podia ser seu guia turístico.

Windansea ficava no fim de La Jolla, mas era muito mais perto e mais acessível que Oceanside. Jongin não teria muito problema para participar da competição de surf, sendo ali. Não era sempre que a maré estava a seu favor, encaixando-se em sua agenda cheia, mas o pouco tempo que tinha era suficiente para acostumar-se às ondas e ao vento e até divertir-se um pouco na água.

Surfar era para Jongin uma libertação. Podia deixar sua mente vagar pela pura técnica e esquecer suas preocupações. Deixava seu coração tão leve quanto se estivesse flutuando. Não via uma vida onde não pudesse tirar um tempo para si e para o mar, para jogar-se de cabeça na água salgada e dar seu jeito de pegar todas as ondas que desse na telha.

Jongin gostava de sentir as canelas salpicadas pela água, a boca seca de tanto engolir sal e o sol queimando a pele. Gostava até da cumplicidade que arranjava com outros surfistas enquanto estava na água. Fazia valer a pena o tanto de vezes que batera o queixo, a testa ou as canelas na prancha. E os caldos. 

Estava ainda nessa sensação de flutuar como uma bóia quando terminou seu banho, de volta à Irmandade. A casa estava vazia naquele sábado, não sendo pelo Kyungsoo que não se decidia entre precisar muito estudar ou não querer estudar. Jongin o pegou rolando pelo Facebook eternamente outra vez quando abriu a porta de seu quarto. A bagunça de livros, olheiras, batatas chips e cobertores ainda estava por todo lado.

— O-oi, Jongin! — Ele gaguejou, soltando imediatamente o celular, como uma criança que sabia que estava fazendo coisa errada. — Você foi treinar em Oceanside? Como foi?

— Fui para Windansea. — Corrigiu ele, com a cabeça longe. Olhava para as bochechas de Kyungsoo enquanto ele mastigava e sentia o coração bater num compasso acelerado. Pensava em Amy e em seu ultimato. Tinha que fazer algo que não deixasse dúvidas. Sem Kim. Sem mais ninguém para atrapalhar. Impressão de Jongin ou aquela era a chance perfeita? — Você vai… ahm... sair?

Kyungsoo olhou com interesse, perguntando-se o porquê daquilo tão de repente. Até porque, podia parecer que não, mas tinha tanta matéria acumulada... principalmente em cima de sua mesa. Kyungsoo desesperava-se só de olhar para o fichário que nem sequer parecia utilizado. Negou. 

— E as meninas? — Tornou a questionar Jongin, parecendo realmente muito misterioso. Estava com a pretensão real de fazer aquilo ser uma surpresa. Kyungsoo negou outra vez, mesmo sem entender o questionário repentino. Talvez ele quisesse... pedir pizza?

— Vão voltar de madrugada, estão na festa da Kate Benson. — Jongin só tinha a agradecer a Kate por fazer tantas festas. Entrou por completo no quarto, sendo seguido pelos olhos curiosos de um Kyungsoo que ainda não fazia ideia do que Jongin estava planejando.

— Okay. Volto em uma hora. — Jongin avisou, usando o elemento surpresa para pescar o celular de Kyungsoo de cima da mesa e correr para fora do quarto. — E estou confiscando isso, pelo seu bem. Estude enquanto eu não volto! 

Foi então que Jongin tomou o banho, tirou toda a areia e o sal dos lugares estranhos e roubou outra vez o Smart de Wendy para ir para o meio de La Jolla, onde ficava o centro comercial. Algumas lojas já estavam fechadas, mas outra parte estava lindamente iluminada. Jongin estacionou perto de um mercado vinte e quatro horas. Devia servir por agora.

Vagou pelos corredores quietos em busca de ideias e pegou tudo o que pensou que fosse combinar. Seria o encontro mais improvisado da história dos encontros, mas ao menos tinha grandes chances de ser bonitinho. E romântico. É. 

Terminou as compras e depois vagou mais um pouco pela rua iluminada. Entrou numa loja de CD’s, numa outra de eletrodomésticos, numa loja de presentes e numa loja de chocolates. Kyungsoo valia o estouro do cartão de crédito. Jogou tudo no banco do passageiro sem notar que era a única e estranha pessoa a fazer compras naquele horário e dirigiu para casa.

Analisou com cuidado os dois andares antes de buscar as coisas no carro. Tinha que ter certeza de que Kyungsoo ainda estaria em seu quarto. Depois de confirmar pela luz acesa sob sua porta, carregou tudo de só uma vez para o terraço na ponta dos pés.

A Irmandade Coreana tinha um lindo terraço cercado por cercas de madeira e semi-coberto por treliças cheias de videiras. Contudo, a única a ir ali era Irene quando estava em discussões com seu namorado, ou quando estava com saudades. Amy também subia vez ou outra para tirar fotos. No geral, Jongin teve de varrer a poeira para um cantinho e soltar o pó das almofadas. 

Pendurou as luzes douradas nas duas pilastras principais, agradecendo a quem tinha enfiado aqueles pregos inúteis ali. Puxou as poltronas macias de madeira para mais perto da luz, assim como a mesinha baixa. Equilibrou a panela de fondue no centro, jogou ali as barras de chocolate e os morangos e uvas. Botou as velas acesas ladeando as cadeiras, distantes o suficiente para evitar acidentes. Por fim, buscou o som e em poucos segundos, Colbie Caillat soava tranquilamente por todo o terraço. Pronto. Encontro romântico armado!

    — Kyungsoo! — Jongin chamou, ao pé das escadas para o terraço. Como não houve respostas, chamou outra vez, mais alto. — Do Kyungsoo! 

    — Onde você está? — Kyungsoo questionou lá de baixo, abrindo a porta do quarto. Seus olhos investigavam o corredor, mas todos os cômodos estavam escuros. Com um reboliço hesitante no estômago, notou que luzes desconhecidas desciam pelas escadas do andar de cima.

    — Suba para o terraço. Eu estou aqui. 

    — Para quê?

    — Só suba.

    Se seu coração batesse um pouquinho mais rápido, pularia para fora do corpo. Jongin nem sequer conseguiu esconder o sorriso, mesmo que tentasse muito, enquanto assistia Kyungsoo subir as escadas estreitas para o terraço com cara de quem não confiava nem um pouco na ideia. Sequer sabia o que esperar.

    — O que você aprontou? — Ele perguntou, como se realmente acreditasse que Jongin tivesse armado fogos ou coisa parecida no teto da Irmandade. Jongin deu de ombros em desafio.

    — Venha ver. 

    Kyungsoo pulou os degraus de dois em dois de tanto que estava ansioso para saber logo o que era. Até esbarrou em Jongin enquanto corria porta à fora, mas estancou no caminho tão de repente e tão surpreso que quase não notou o trombão que Jongin dera consigo. Ele o segurara pela cintura para que não caísse enquanto olhava embasbacado para tudo.

    Estava tão lindo... Kyungsoo sentiu-se meio enciumado, de repente. Jongin devia ter tido muito trabalho para montar aquilo tudo. As luzes, o chocolate derretendo na maquininha de fondue... Era lindo. 

    — E então...? — Jongin perguntou, incerto. Suas mãos tremiam um pouco, então tirou-as dos antebraços de Kyungsoo para que ele não soubesse. Colocou-as nas costas, sentindo as orelhas queimando. 

    — Nossa... — Foi tudo o que Kyungsoo conseguiu responder. Agora já tinha se recomposto do choque, afinal, era a primeira vez que seu terraço parecia um lugar bacana e social. Jongin tinha feito um bom trabalho. Olhou-o pelo canto do olho, mas não teve coragem para continuar olhando.

    — Vamos. — Jongin surpreendeu-se com um rompante de coragem quando pegou a mão de Kyungsoo para levá-lo até as poltronas. Viu que teria que carregá-lo até lá, porque Kyungsoo nem se movera desde que vira o que tinha feito. Na verdade, parecia meio para baixo, então pensou que talvez ele não tivesse gostado tanto assim. Talvez não fosse esse o romântico que Amy falava, ou talvez Kyungsoo nem gostasse mesmo de coisas românticas. Mas agora não tinha outro jeito, era o que havia preparado e daria seu melhor para que ele gostasse.

    Puxou-o para sentar-se em uma das cadeiras confortáveis e então sentou-se na outra. Sentia-se meio enferrujado, como se não soubesse mais como mover seus membros. Fora até um pouco difícil espetar os morangos e uvas num palito para mergulhar no chocolate e então entregar para o Kyungsoo que, todo pequeno, encolhia-se na poltrona, puxando as pernas para cima do acolchoado. 

    Olhou-o enquanto pegava, meio tímido, o espetinho de suas mãos. Kyungsoo sempre parecia incrível quando Jongin parava para olhá-lo. Sentia que devia fazê-lo mais vezes, mas sabia que nunca tinha coragem. Jongin costumava evitar olhá-lo demais, se não literalmente olharia demais e perderia o controle da situação. Queria manter as coisas equilibradas, porque se Kyungsoo não quisesse ser seu namorado, Jongin ainda quereria tê-lo como amigo.

    Ele era alguém especial que o fazia bem. Isso não era algo que gostaria de sacrificar.

    Kyungsoo fizera muito por si quando chegou a San Diego, e Jongin pensava que talvez não tivesse gostado tanto assim dali se ele não o mostrasse como era tudo. Jongin ficaria pelas praias e todo o resto seria sem graça, mas lá estava Kyungsoo, dando graça a coisas como assistir televisão.

    O que sentia por Kyungsoo... era real. Jongin notava agora, enquanto o olhava, quieto, mordendo seu fondue, que o que sentia não era uma brincadeira. Estava mesmo meio se apaixonando. A forma como seu coração batia, implorando a Jongin que mostrasse logo tudo o que sentia por ele, e como reagia as coisas mais simples de Kyungsoo... Vê-lo sorrir era motivo suficiente para fazer Jongin sentir o mundo dar uma volta de 360°. 

    Estava brigando consigo mesmo por maturidade, mas, sinceramente, se admitir para si mesmo o tanto que Kyungsoo mexia consigo era imaturo, então Jongin tinha exatamente vinte e quatro anos, obrigado. 

    — Você fez tudo isso? — Jongin via a luz amarelada tocar o rosto branco de Kyungsoo enquanto ele olhava para os enfeites, fugindo outra vez do seu olhar. Jongin não sabia porque ele fazia isso. De vez em quando o preocupava, até porque, o “não” ainda era uma possibilidade. Suas mãos esfregavam os joelhos nervosamente quando o respondeu.

    — Sim. Na última uma hora, aliás. — Kyungsoo pareceu muito surpreso quando o respondeu. Sua boca abriu-se num “o” perfeito. 

    — Você devia abrir uma agência de eventos. — Ele brincou, rindo quando Jongin caiu numa gargalhada gostosa de ouvir. Seu coração aqueceu, repuxando seus lábios em um sorriso involuntário e mexido. O chocolate respingou em suas pernas quando tentou molhar outra vez o morango e Kyungsoo sambou antes de conseguir tirá-lo com o dedo. Uma marquinha vermelha ficou ali em sua coxa.

    — Você gostou? — Insistiu Jongin, mas seu olhar estava hesitante. Kyungsoo pode ler por suas expressões que tinha alguma insegurança ali que Jongin não sabia esconder muito bem. Talvez nem quisesse, mas assentiu com veemência mesmo assim.

    Kyungsoo não mudaria nada. Bem, na verdade, não sabia se estava tão arrepiado por causa da brisa noturna ou por causa da presença quente e demasiadamente distante de Jongin, e também não sabia se o rebuliço no estômago era a pura vontade de atacar o fondue como uma criança ou a vontade de aninhar-se à ele. Kyungsoo realmente queria muito fazer como na noite em que estavam na casa de Kate e simplesmente estar bêbado o suficiente para deitar no ombro de Jongin e aspirar aquele cheiro estupidamente maravilhoso direto de seu pescoço. Era uma pena que só houvesse duas poltronas muito individuais no terraço.

    — Bem, você podia ter trazido vinho também... Só uma sugestão. — Brincou Kyungsoo, mascarando o fundinho de verdade por trás daquilo tudo. E Jongin concordou porque, sim, ele realmente devia ter trazido o vinho. Tinha esquecido completamente do item mais clichê dos encontros românticos.

    Mas, ainda assim... Kyungsoo não podia anular o quanto achava aquilo tudo perfeito. As luzes parcas e as estrelas, o silêncio da noite e a velha e boa Colbie Caillat fazendo-o relembrar as várias vezes que foi à praia na infância, chocolate com morangos e uvas somando milhões de pontos positivos em um só. 

    — Então é um A-? — Jongin continuou, só pela brincadeira, afinal Kyungsoo já tinha dado uma resposta positiva, mas ele negou.

    — Não! É um A+! — Afirmou Kyungsoo, mostrando-o o polegar. Seu sorriso era leve e Jongin sentia-se aquecido só de saber que era para si. Céus, não tinha palavras para botar para fora o quanto estava aliviado. Talvez agora, finalmente, Kyungsoo entendesse que gostava dele de outra forma. Talvez fosse o momento perfeito para dizer algo... — Eu iria adorar se um dia alguém fizesse isso por mim... Jongin, quem quer que você queira conquistar... acho que vai conseguir.

    ...ou não.

    Jongin não conseguiu decidir se deixava o sorriso cair ou só complementava com um franzir nada discreto de sobrancelhas. Impressão sua ou Do Kyungsoo estava achando que Jongin só estava mostrando aquilo tudo para ganhar sua avaliação e então chamar a pessoa por quem ele realmente tinha interesse? 

    Será que passava realmente essa imagem de babaca?

    Ou será que Kyungsoo não estava mesmo afim de Jongin e por isso fingia que não estava entendendo nada?

    Mas Kyungsoo interpretou aquele olhar de confusão de outro jeito, e seus infinitos pigarros deixaram isso bem claro. Seus olhos foram parar num amontoado de madeira molhada e teias de aranha e as mãos agarravam a cadeira de vime. 

    Só tinha uma explicação para aquele visível deboche na cara de Jongin e era: Kyungsoo, sendo um iludido, pensou que algo como aquilo tinha a possibilidade de ser para si. Era claro que não era. Jongin devia estar achando que era o tipo atirado de gay que incomoda e Kyungsoo nem queria ruminar o quanto achava isso chato em Jongin.

    O clima para romance se esvaiu quando Kyungsoo levantou-se com mais raiva do que Jongin esperava ver nele. Não entendeu o porquê do Do estar tão bravo quando não fez nada de errado. Sequer tinha dado uma resposta! Mas Kyungsoo estava certo de que Jongin era um hetero ignorante e imbecil que o levava a mal e se sentia muito mais humilhado do que pensou que seria, então... fim de papo.

    — Eu preciso estudar, Jongin. — Ele avisou, como se fosse um ultimato. Queria sair dali o mais rápido possível e perder-se na pilha de roupas sujas em seu quarto. Só sairia dali para ir para a faculdade na manhã de segunda-feira. Mas Jongin sequer deixou que passasse pelas cadeiras, segurando seu pulso com medida força.

    — Não, espera aí! — Parou-o de imediato, levantando-se também para que não tivesse que ficar naquela estranha posição neutra. Não era bem por aí. Jongin estava meio cansado de tudo ser um grande mal entendido. Disse que se declararia e o faria mesmo que não entendesse a raiva de Kyungsoo. Precisavam botar as coisas claras, entender o que se passava na cabeça um do outro, ou surtaria!

    — Eu realmente preciso estudar. — Kyungsoo repetiu, de maneira ainda mais firme, mas não puxou seu braço. Sabia que Jongin o soltaria se tentasse, mas não tentou. Quis dar à ele uma chance de pedir desculpas, mas não olhava em seus olhos. Não queria que ele visse que ainda tinha esperanças.

    — E eu realmente preciso tirar tudo isso à limpo! — Jongin rebateu, respirando fundo para organizar o que passava em um trânsito caótico de pensamentos em sua mente. — Qual o problema? O que eu fiz para te deixar assim?

    — Nada disso é para mim! O que diabos eu vou ficar fazendo aqui se está tudo destinado à outra pessoa? — Kyungsoo desafiou, finalmente virando-se para olhá-lo. Não porque queria de verdade ver aquela expressão perdida de Jongin, mas porque seus olhos simplesmente o puxaram como ímãs.

    — O que você está falando? É claro que é para você. — Jongin não notou que estava fazendo bico, mas Kyungsoo teve que virar o rosto para o outro lado. Era difícil brigar com alguém que tinha um rosto tão fofo. Era ainda mais difícil ganhar uma briga com os olhos marejados. — Eu quero passar o tempo com você, por isso ajeitei tudo. Eu fui buscar isso na última hora! Você realmente acha que eu ia trazer outra pessoa aqui?

    — É o que parece... — Resmungou Kyungsoo, sentindo-se sem graça. 

    — Mas não é a verdade. A única pessoa que eu planejava trazer aqui está aqui, e é você. 

    Fez-se um silêncio estranho. Jongin não soltou o pulso de Kyungsoo, temendo que ele sentisse que podia fugir, então. Mas também não se olhavam. Kyungsoo estava sem graça demais pelo engano, então Jongin tinha que dizer alguma coisa. Mesmo que o custasse seu peso em coragem.

    — Só fique aqui um pouquinho comigo? Me faça companhia? Eu gosto de conversar com você. Eu gosto de você. — Jongin tremia tanto que suas pernas estavam prestes a ceder, mas usou todo o talento herdado de Jaein para puxar Kyungsoo num meio abraço de volta para o clima de encontro, ainda que não fosse mais um encontro. Tentou fazer as coisas ficarem calmas outra vez. — Fica aqui comigo, hm? Toma outro.

    Ele sentou-o na poltrona e deu em suas mãos um novo espetinho. Kyungsoo não soube mais recusar quando Jongin se esforçava tanto para fazê-lo gostar de si... Mal sabia ele que não precisava de tanto esforço. Era só ser um pouquinho mais homo e Kyungsoo com toda a certeza pularia de cabeça... 

    — Então, sobre a Kim... — Kyungsoo respirou fundo, nervoso. Pensava que aquela pergunta poderia estragar tudo, mas tinha que se arriscar. — Você falou sério sobre não gostar dela, então?

    — Sim. Nada de Kim no meu coração. — Jongin respondeu, fazendo questão de ser bem claro. Acabou por não se sentar também, tinha uma ideia melhor. — Pensando bem, acho que eu vou assaltar aquela garrafa de vinho pela metade da geladeira.

    — Mas é da Wendy! — Kyungsoo apelou, seguindo com os olhos o Jongin que, muito decidido, ia buscar a garrafa.

    — É por isso que é um assalto! — Ele insistiu. Jongin tinha sumido pela porta, àquela altura, mas voltou para pontuar mais uma coisa. — E é por uma boa causa.

    Tudo bem, Kyungsoo concordava. Ele mesmo compraria outra igual para Wendy quando ela descobrisse e surtasse. E suspirou, meio admirado, meio lisonjeado. Seu coração parecia uma pedrinha de carvão pegando fogo dentro do peito, aquecendo as bochechas, as orelhas e fazendo-o se sentir a pessoa mais apaixonada do mundo…

    Usou o tempo em que Jongin passara lá embaixo para dar alguns tapinhas nas bochechas, se recompondo. Tinha que ser forte até entender perfeitamente o que estava acontecendo ali. Seu coração acelerava só de imaginar que talvez fosse mesmo um encontro, mas algo dentro de si insistia que aquilo era impossível… 

    Jongin era um garoto incrível e fofo, e havia dito que gostava de si. Isso já era o suficiente para deixá-lo tão feliz que mal conseguia disfarçar o sorrisinho do rosto. Ele havia feito tudo aquilo… Mas Kyungsoo ainda sentia que não estava entendendo bem o que ele pensava quando planejou aquilo. Talvez ele apenas estivesse sendo amigável. 

    Kyungsoo olhava para a máquina de fondue e dividia-se entre dois sentimentos muito opostos. A vontade insana de beijar Jongin assim que chegasse e tirar aquela dúvida de dentro de seu peito, e o medo gélido de que fosse como Kris havia o dito. Tremia em nervosismo, pensando se era mesmo como o ex-namorado jogara em seu rosto. Se ele era insuportável e difícil de amar.

    Com um suspiro irritado, deu em si um beliscão e, negando fortemente com a cabeça, prometeu-se que não deixaria aquilo invadir seu momento. Jongin fizera aquilo para si. Correra até University City para conseguir até uma fodida máquina de fondue. Talvez aquilo quisesse mesmo dizer que ele estava gostando de si também, e Kyungsoo odiou a ideia de fingir que isso não estava acontecendo consigo também.

    Então fez a si mesmo uma promessa. Depois de um golinho de vinho, aspiraria toda a coragem em seu corpo e perguntaria a ele o que precisava saber. Jongin realmente gostava dele? Daquele outro jeito? 

    E até que ele voltasse, rezou mentalmente para que a resposta fosse sim.

 

***

    — Mais um pouquinho... — Kyungsoo murmurou, discretamente, enquanto observava Jongin derramar vinho em uma das taças intocadas da cristaleira. Ainda bem que ele tivera o cuidado de lavá-las antes. Deviam estar com poeiras e aranhas, àquela altura. Wendy era do tipo que bebia do gargalo. — ...mais um pouquinho.

    Jongin olhou para si como se discordasse, já recolhendo a garrafa. Cerrou os olhos, desconfiado, mas não conseguiu conter uma risada nervosa e animada quando ele o olhou, insistindo que enchesse mais um pouco. Acabou derramando mesmo mais um pouco em sua taça. 

    — Se você insiste… — Ele brincou, colocando para si uma quantidade igual, para acompanhá-lo. Kyungsoo não hesitou, nem esperou brindes para tomar um gole generoso, fazendo uma careta no primeiro momento. Vinho nunca era bom no primeiro gole. 

    Agora estavam sentado frente à frente. Kyungsoo havia trazido as cadeiras para onde podiam ver o céu. Seria um desperdício não olhá-lo naquela noite. As estrelas estavam brilhantes e Kyungsoo poderia perder-se ali por horas. No entanto, o intuito era poder olhar para Jongin, nos olhos. Dessa vez, queria ter certeza do que estava vendo e ouvindo. Precisava daquela certeza.

    — Jongin… Por que fez isso tudo? — Ele perguntou, pausadamente. A verdade era que quase não conseguira forçar-se a falar. Esperava que Jongin não notasse o quanto tinha medo de ele humilhá-lo, se soubesse o que pensava. Por mais que não quisesse pensar assim dele… Bem, Kyungsoo não conseguia não ser um pouco arisco.

    — Hm… Eu preciso de um motivo? — Jongin questionou, um pouco confuso. Não tinha entendido que tipo de resposta Kyungsoo estava buscando. Talvez ele quisesse saber o porquê de gostar dele? — Você é provavelmente uma das pessoas mais gentis que eu já conheci. Você nunca mediu esforços para cuidar de mim, ou para me fazer sentir em casa… Eu nunca tive amigos muito próximos, e com você, eu sempre me pego querendo aproximar mais e mais… Eu adoro você, Kyungsoo, de verdade. E tenho muito a agradecer por tudo o que fez por mim. Acho que não tem como não… — Jongin parou por um instante, olhando para o rosto em espera de Kyungsoo. Estava prestes a usar a palavra “apaixonado”, mas, de repente, aquilo soava tão precipitado… — …não tem como não gostar muito de você…

    Kyungsoo o olhava atentamente, como se buscasse em si alguma coisa. Já Jongin, olhava para as próprias mãos ao redor da taça, brincando com o reflexo de sua pulseirinha de miçangas. Seu coração palpitava com o fato de estar falando para o Do pela segunda vez na noite o que sentia por ele. Nunca fora o tipo que falava muito sobre seus sentimentos. Talvez nunca nem mesmo tivesse dito à Chanyeol que o amava. 

    Mesmo assim, sentiu-se insatisfeito, como se não tivesse sido totalmente sincero com o Do. Se não tivesse medo de assustá-lo, e de afastá-lo quando tudo o que mais queria era que ele se sentisse confortável e próximo de si, teria dito a verdade. Teria dito que “gostar muito” não era o suficiente, e que Kyungsoo era simplesmente incrível. 

    — Eu também quero poder ser um bom amigo para você, Jongin. 

    Quando Kyungsoo deu essa resposta, o Kim sequer conseguiu olhá-lo. Seu peito apertou enquanto ele xingava-se mentalmente, sentindo-se burro. Sabia que Kyungsoo era tapado e difícil de convencer. Amy o havia dito. Tinha que ser direto e dizer as coisas com clareza, mas agora sentia que não cabia falar mais nada.

    Enquanto Kyungsoo observava Jongin tão desconfortável com a culpa envolvendo seu coração e marejando seus olhos outra vez, Jongin mordia os lábios e procurava um outro assunto para falar. 

    Para Kyungsoo, estava claro que Jongin já havia percebido seus sentimentos, e que não gostava nem um pouco deles. Por isso, estava deixando claro que o que sentia era gratidão e amizade.

    E para Jongin, Kyungsoo não devia sentir o mesmo que si. Só isso explicava o fato de esforçar-se para ignorar toda vez que dava a entender o que sentia. Ele o queria apenas como um amigo.

No fim das contas, Kyungsoo dava um gole no vinho, tentando engolir junto o bolo na garganta e a verdade dolorida. Era uma pena que Jongin não o quisesse mesmo como ele o queria... Aquele teria sido o melhor encontro de sua vida.

*** 

    Chegou um momento em que Kyungsoo realmente teve que ir embora para fazer seus trabalhos. Deixar Jongin e seu biquinho no terraço, principalmente sem poder beijá-lo outra vez como queria tanto fazer, foi a coisa mais difícil que fez na vida. Queria muito simplesmente esquecer que a universidade existia, ou que o universo inteiro existia, mas teria que esquecer também que Jongin não o queria do mesmo jeito que Kyungsoo queria e... bem, Kyungsoo saía perdendo, de qualquer forma.

    Sem beijinho nos lábios carnudos fazendo aquele biquinho fofo. 1 para o diabo, 0 para Kyungsoo.

    Ainda que o pseudo encontro não tivesse terminado em nada, sentia-se flutuando em nuvens macias quando jogou-se na sua cama, por cima da bagunça, afundando o rosto nos cobertores e segurando-se muito para não gritar. Não sabia nem se queria gritar de raiva de si mesmo por estar se apaixonando, ou pela frustração de não ser correspondido, ou ainda por estar se sentindo no topo de uma montanha russa. O frio na barriga não fora embora depois que saiu do terraço, e, pior, se intensificava toda vez que Kyungsoo se lembrava da sensação do toque de Jongin em seu pulso, em seus braços, em seus ombros e os olhares que trocavam. 

    No fim, Jongin havia o puxado para um abraço, à porta do terraço.

    — Me desculpe por ser tão meloso… — Ele havia sussurrado, enquanto o esmagava entre os braços levemente musculosos. Kyungsoo sentia o coração batendo no corpo inteiro enquanto se balançavam de levinho, mas teve o cuidado de esconder o sorriso largo e insistente nos lábios, prensando-os com força. 

    E negou com a cabeça, dizendo que estava tudo bem.

    — Eu gostei do que fez. De verdade. Obrigado por ser meloso, eu acho. 

 

    Choramingou por entre os cobertores, lembrando-se da risadinha leve de Jongin em seu ouvido. Porra, ele era tão bonito... Era uma tortura sem tamanho o tanto que seu sorriso era lindo e o fato de Kyungsoo não poder olhá-lo o tempo inteiro. Se olhá-lo não desse tanto na cara, Jongin seria perseguido vinte e quatro horas por dia, inclusive quando estava dormindo. 

    Kyungsoo sentia vontade de arrancar seus cabelos sempre que se encontrava nessas situações. Jongin o confundia muito! Kyungsoo tinha certeza que ele sonhara consigo na primeira noite! E sonhara de formas não muito inocentes, considerando os morangos e as risadinhas. Se não fosse sua clara preferência por estar na companhia de meninas, Kyungsoo ainda pensaria que ele tinha um mínimo interesse por si, mas, nah. Ele teria dito à Kim que era gay, se fosse o caso. 

Mas e agora? O que fora aquilo no terraço? 

    Por que diabos Kim Jongin havia enfeitado todo o terraço e feito fondue? 

    Se bem que ele havia dito que não sentia nada por Kim… Talvez isso quisesse dizer alguma coisa… Tudo bem, Kyungsoo estava decidido a parar de tirar conclusões sobre a sexualidade de Jongin. Era muito ambíguo para simplesmente encucar que não era gay. Mas isso não mudava muita coisa. Não queria dizer que ele gostava de si ou que tinha uma chance. 

    Não podia iludir-se. Bateu no próprio rosto com as palmas e afastou aquilo da cabeça. Odiou o fato de sua playlist jogar logo Brighter Than The Sun na sua cara quando botou os fones para esquecer Jongin. Céus, o universo estava fazendo fila para sacaneá-lo.

Suspirou fundo, olhando para sua pilha de cuecas dobradas ludicamente por um Jongin entediado, na manhã anterior. Ele dissera que era gentil, mas talvez não notasse o quanto ele mesmo o era também. Trazia-o comida quando saíam, pagava seu jantar, dobrava sua bagunça… Kyungsoo precisava entendê-lo.

    Jongin era novo nos EUA. Era muito provável que quisesse ficar mais próximo de si por amizade. Além do mais, moravam juntos. Poxa, ele queria um amigo... Kyungsoo sabia o quanto devia estar perdido e assustado com todo o choque cultural. Precisava ser um bom colega para ele. Um bom hyung, como ele havia o ensinado a dizer. 

    Então era isso. Nada de dar em cima do garoto novo! Seria o melhor amigo que ele já teve na Califórnia e... bem, teria que arranjar um jeito de desiludir ASAP. 

— Boa sorte com essa, Do Kyungsoo... — Ele murmurou para si mesmo, porque, sinceramente, ele realmente iria precisar.

    Dominic estava certo em odiar pessoas bonitas. Em que merda Kim Jongin havia o enfiado?


Notas Finais


Eu tenho uma queda por esses dois se gostando platonicamente enquanto na verdade é recíproco KKKAKKAKKAK Só tenho a prometer uma coisa: Daqui pra frente, as coisas ficam um pouquinho menos platônicas, então não desistam desse kaisoo mais do que tapado!
Venham me dizer o que acharam! Vou adorar saber <3
Até lá, até mais!


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