História Messed Up Feelings... - Capítulo 1


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Categorias Seventeen
Personagens Boo Seungkwan, Hansol "Vernon" Chwe, Hong Jisoo "Joshua", Jeon Wonwoo, Junghan "Jeonghan", Kim Mingyu, Lee Chan "Dino", Lee Jihun "Woozi", Lee Seokmin "DK", Seungcheol "S.Coups", Soonyoung "Hoshi", Wen Junhui "JUN", Xu Ming Hao "THE8"
Tags Cheolsoo, Jeongcheol, Junhao, Kwangyu, Meanie, Soonhoon, Verkwan
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Palavras 6.761
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Esporte, Famí­lia, Festa, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Não sei pra vocês, mas sempre bate aquele nervosismo na hora de postar uma fanfic. E olha que eu já postei bastante sobre Seventeen nesse site...

Eu não sei se alguns vão reconhecer, mas eu costumo me retratar em outra conta como @HimeTsuki, então sim, sou eu em outra conta, numa compartilhada.

Eu sempre tive vontade de escrever histórias que envolvessem o amor de uma forma mais adulta, talvez? Não sei como descrever, mas eu queria fugir um pouco da minha área de conforto e assim, comecei escrevendo várias fanfics que envolvessem o amor e quando vi o trabalho final, decidi que iria postá-las em algum lugar, então criei essa conta com uma amiga e fiquei com o pseudônimo Eros, o deus greco-romano do amor. Apropriado, não?

De qualquer forma, espero que vocês deem bastante amor à Messed Up Feelings.

Nos vemos lá embaixo?

Capítulo 1 - Prólogo


Ele não precisou tatear a cama para saber que encontraria o frio vazio naquela manhã. E nem as últimas três manhãs nas quais dormiu com aquele alguém e acordou sozinho.

Suspirou, encarando o fio vermelho envolto em seu dedo mindinho. A única prova de que seu destino era ao lado de uma pessoa que não o queria do mesmo jeito.

Com um dedo na borda do calçado, ele forçou o pé contra o tênis, enquanto via o relógio correr impaciente mais rápido do que o previsto.

Se continuasse da mesma forma, estaria atrasado em instantes.

Batendo o pé no chão para ter firmeza, tragou a mochila em mãos, saindo pela porta de casa.

— Pensei que não sairia mais. — Soonyoung cruzou os braços na frente do portão, vendo-o ssair. — Hansol já me ligou duas vezes. Jisoo?

O acinzentado sorriu, ladino.

— Como sempre, foi embora.

— Você sabe que isso não é saudável pra você, não é, hyung? — Questionou. — Devia contar para ele sobre o fio...

— De que adiantaria? Ele não o veria mesmo que eu dissesse. — Seungcheol suspirou. — O fio só pode ser visto se as pessoas predestinadas correspondem ao seu encaixe.

— Ou se uma delas corresponde. — Soonyoung insistiu. — Você vê o seu. Ele pode ver o dele, também.

Seungcheol o encarou.

— Apaixonado daquele jeito pelo Chan? — Riu. — Me nego a acreditar.

O Kwon suspirou.

— Não sei se sinto mais pena de você ou do Seokmin...

Ele maneou a cabeça.

— Não é como se pudéssemos fazer muita coisa. — Foi simplista, cruzou os braços. — Talvez o destino de alguns seja apenas sofrer.

Soonyoung o encarou.

— Isso é cruel.

Seungcheol sorriu.

— Também acho.

O louro se manteve em absoluto silêncio e, então, os dois se puseram a caminhar, cruzando a cidade até que finalmente pudessem chegar até o ônibus a caminho da faculdade.

E aquela multidão avermelhada abateu os olhos de Seungcheol. Por onde andavam os amigos, ele via fios etéreos e bilhantes flutuando pelo ar, conectando diferentes pessoas, de diferentes lugares. Fosse da rua, ou da janela de um prédio.

O fio vermelho sempre estava ali, deslizando pelo ar e cortando o horizonte.

— Me lembre de te matar por quebrar aquele carro justamente perto da semana de prova… — O mais novo adentrou o ônibus. — Acordar duas horas antes do previsto não estava na minha agenda até dois dias atrás. Quando ele fica pronto?

Seungcheol riu, seguindo-lhe por trás.

— Semana que vem. Vai ter de aguentar as pontas um pouco mais. — Soonyoung bufou. — E nem adianta bufar, o mecânico disse que esse era o mais rápido que ele poderia fazer.

Ambos sentaram-se lado a lado no transporte, junto à várias outras pessoas aleatórias, que o Choi com certeza nunca viu na vida. A não ser pela linha vermelha em seus dedos, lhes conectando mesmo que de forma invisível.

Era engraçado como, apesar de tão distantes, muitos estavam sempre muito perto.

E não se davam conta disso.

Os dois homens entraram no ônibus e sentaram-se um ao lado do outro, Seungcheol tendo a visão privilegiada da paisagem mostrada na janela, prendendo-se no mar de fios vermelhos que via pela rua.

— Tem alguém? — O Kwon indagou. Seungcheol o encarou, com uma sobrancelha arqueada. — Casais. Unidos pelo mesmo fio. Tem alguém aqui?

Oh, então era isso. Os fios.

O fio vermelho do destino só era visto por determinadas pessoas. As que se apaixonavam pelas pessoas que deveriam encontrar, as que estavam destinadas a encontrar em vida e com quem deviam ser realmente felizes.

Seungcheol era esse tipo de pessoa. Porém Soonyoung, não. E como o curioso nato que o mesmo era, o moreno não ficaria quieto se ele simplesmente ignorasse sua pergunta.

No fundo, o mais velho sabia que o moreno somente queria saber como era.

— Hyung. — Ouviu o moreno ressoar novamente.

O acinzentado riu, assentindo levemente. Sim, haviam. Olhou os arredores, confirmando suas suspeitas.

Eram quatro pessoas. Dois casais.

— Dois. — Contou. — Pelo menos, ao que pude perceber.

— Quem?

Choi cruzou os braços.

— O baixinho de cabelo laranja e o moreno com dentes de coelho, sentados um do lado do outro ali. — Apontou os dois, que compartilhavam os fones de ouvido. O moreno atentamente observava o alaranjado, que dormia sobre seu ombro. Estava claramente apaixonado, Soonyoung também notou isso.

O mais alto cruzou as pernas.

— Qual é o segundo? — Encarou os dois apontados.

Seungcheol olhou atentamente, procurando o casal que viu anteriormente. E achou.

— O garoto de cabelo rosa do fundo, tá conectado com o cara alto com a blusa do mestre Yoda em pé ali no canto. — Crispou os lábios. — Mas o fio deles é diferente...

Kwon piscou.

— Diferente? — O mais velho assentiu. — Como assim diferente?

O cinzento lambeu os lábios.

— O lado do mais alto está desgastando. — Contou. — Isso significa que ele está desistindo...

O menor o encarou, surpreso.

— Existem coisas assim?

Seungcheol riu.

— Infelizmente. — Suspirou. — Isso costuma acontecer com pessoas que amam a outra há muito tempo e passam a desistir do amor que sentem. Pelo incrível que pareça, isso acontece bastante.

O garoto de olhos de gato encarou seu hyung.

— Assim como você e Jisoo? — Questionou. Seungcheol, então, negou. — Não?

Ele negou mais uma vez. E seu olhar foi parar no casal do fundo. O garoto de cabelos róseos encarava o mais alto, quase que de maneira ansiosa. Como se catalogasse cada movimento alheio na mente.

Aquilo era amor, não dava para negar.

— Eu não desisti do Jisoo, Soonyoung. — Negou num suspiro. — Sou covarde demais para isso.

O citado arqueou uma sobrancelha

— Por quê? O que acontece quando o fio desgasta completamente?

— A pessoa deixa de amar. Para sempre.

O mais velho tornou seu olhar para o castanho alto no fundo do ônibus e suas feições quase inexpressivas, que sentia o vento da janela bagunçar sua franja.

Seu fio desgastado era o mais capturava a atenção.

"A pessoa deixa de amar. Para sempre."

Aquela resposta afetou ambos de maneira singular. Soonyoung sabia que, de certa forma, foi uma resposta à pergunta que lhe fizera no portão de casa.

E aquilo, de certa forma, era um tanto quanto injusto.

Se você é destinado a pessoa certa, então por quê diabos deveria sofrer tanto por ela? Era o que os céus consideravam justo?

Amar naquele mundo era tão complicado...

— É esse tipo de coisa que me faz não querer me apaixonar. — O mais novo murmurou.

O mais velho negou com a cabeça.

— O amor é lindo, Hoshi. — Seungcheol sorriu. — O problema, é que muitas pessoas não valorizam.

O ônibus fez uma parada. Nisto, o segundo casal que Seungcheol apontou, levantou-se. O cara alto e castanho de orelhas grandes simplesmente pegou o skate e saiu, sob o olhar atento do rosado, que saiu logo depois, silenciosamente segindo o mais alto para onde quer que ele estivesse indo, como um fantasma.

O castanho parecia saber que o rosado estava atrás de si, mas… Não parecia ligar, não mais.

E aquilo revirou o estômago do garoto.

— O de cabelo rosa não valorizou, mas isso não quer dizer que isso seja tarde pra ele. — Seungcheol confortou-o, encarando sua expressão consternada com graça. — Olha para eles dois ali.

Com a cabeça, ele indicou os garotos sentados um ao lado do outro. O moreno tentava acordar o garoto de cabelos alaranjados, que abriu os olhos num susto.

Ambos observaram o garoto de dentes de coelho sorrir pro mais baixo assim que ele corou ao perceber na posição em que dormiu. Eles se levantaram e, no lado de fora, o alaranjado timidamente entrelaçou as mãos dos dois.

O alaranjado se assustou com isso, mas o afastou.

— Os fios não são, realmente, complexos. — Completou. — As pessoas quem são.

O Kwon assentiu e o ônibus voltou a andar. Seungcheol percebeu que o pensamento do amigo voou, pois ele não olhava para um ponto fixo.

Não podia culpá-lo por ser tão complicado de entender não só a sua situação, como a do próprio Seungcheol. Porque seus casos eram diferentes.

O Choi tinha treze anos quando passou a ver os fios. Os fios vermelhos do destino. Linhas brilhantes e etéreas, que entrelaçavam os mindinhos das pessoas.

Que entrelaçava o seu mindinho, ao de Jisoo. A pessoa que ele amava.

Agora, com vinte e quatro, sentia que nada havia mudado desde então.

De acordo com os livros de história, não se tinha uma base exata para quando os fios começaram a existir ou a partir de que momento as pessoas passaram a vê-los.

Mas, tudo o que sabiam, era que isso sempre existiu. O fio vermelho que te conectava à pessoa amada. À pessoa que você você, de alguma forma, estava determinado a encontrar e com a qual deveria ser feliz pelo resto da vida.

Pra isso, existiam três tipos de fios: Os incompletos,

— normalmente, achados em crianças que não têm, em geral, idade para descobrir a quem pertencem —, os desgastados, — como Seungcheol explicou anteriormente — e por último, mas não menos importante, o fio invisível. Aquele que os céus escondem dos olhos apaixonados.

O acinzentado não sabia muito sobre os fios invisíveis. Mas sabia que o estágio inicial para ele, era o desgaste.

Primeiro, ele se desgastava, assim como o amor. E depois, morto pela angústia, o fio se apagava por completo. E a pessoa cujo lado se desgastou jamais voltava a amar novamente.

Porém o Choi não sabia mais que isso desde que viu pela primeira vez. A explicação nos livros, era bastante vaga, também.

A regra era clara: Ele podia emaranhar-se, mas nunca se partiria... Ele não sabia se isso se aplicava aos fios os quais não podia ver.

Mas, nesse caso, para onde iam os fios que desapareciam de seus olhos?

— Nossa parada, Seungcheol. — Soonyoung lhe chamou, bloqueando seus pensamentos mais galáticos.

O acinzentado piscou, assentindo levemente.

— Okay. — Eles levantaram.

Foi quando o mais velho o percebeu.

Deitado com a cabeça apoiada na janela, estava um garoto de cabelos que desciam soltos pelo rosto, lhe tapando a bela visão da face. Os óculos redondos escorregavam pela ponte do nariz.

Em suas mãos, alguma coisa com o selo da mesma faculdade que frequentavam ele e Soonyoung.

Alguém iria se atrasar se ele não fizesse algo.

— Hoshi, desce na frente. — Pediu. — Eu vou logo depois de você.

O mais novo fez uma careta, mas saiu pela porta, o esperando no ponto.

Então, Seungcheol foi até o seu destino. Três assentos à sua esquerda, onde o moreno dormia.

Colocou uma mão no ombro do mesmo, dando um leve chaqualhar.

Ele acordou em um susto, reposicionando seu óculos no rosto. Adorável.

— Pois, não? — A voz estava fanha e rouca, mas não parecia ser somente por sono. O rosto do mesmo também estava molhado por lágrimas.

O mais velho sorriu torto.

— Prazer, sou Seungcheol. — Cumprimentou.

O moreno fungou.

— O que quer?

Ele assentiu.

— Certo. Não que seja da minha conta, mas se você quiser chegar antes das provas começarem, você deve descer aqui. — Explicou. — Eu e você estudamos na mesma faculdade ao que parece e-

— Faculdade?

Os olhos do moreno se arregalaram de súbito e então, ele correu sem nem mesmo agradecer.

Seungcheol foi deixado para trás, em choque.

Atordoado, o Choi desceu do ônibus, tendo a mochila no ombro e o olhar inquisitivo do amigo ao seu lado, com o qual se pôs a andar até a faculdade.

— Você queria acordar o garoto, então? — Viu o amigo assentir.

— Ele era da mesma faculdade. — Revelou. — Eu só quis ajudar.

— E ele nem te agradeceu…

Seungcheol assentiu e apenas se manteve em silêncio.

— Aconteceu alguma coisa, hyung? — Indagou. — Você parece estranho…

O mais velho se encarregou de negar, apenas. Omitindo uma verdade que não sabia ser cômoda para dizer.

Soonyoung não demorou para desatar a falar sobre a coisas aleatórias nas quais, mesmo que quisesse, Seungcheol não conseguira prestar atenção.

Querendo ou não, seus pensamentos só fixavam-se em apenas uma pessoa. Ou melhor aquele garoto dormindo no ônibus.

Aquela pessoa...

Seu fio estava tão desgastado, que era questão de tempo até começar a sumir.

Em breve, aquele garoto iria deixar de amar para sempre.

Ele colocou as mãos no casaco e suspirou. Não podia deixar de ter pena do rapaz. Sabia que ele estava sofrendo, de alguma forma. E se identificava com ele.

Não era como se não estivesse quase na mesma situação.

— Você não concorda? — O garoto questionou. Mais uma vez, Seungcheol somente assentiu com a cabeça. Até que o mais alto subitamente parou. — Hansol e Seokmin estão vindo aí.

O mais velho encarou a posição a qual o amigo apontava.

O moreno vinha do outro lado da rua, como se uma nuvem negra estivesse-lhe sob a cabeça.

Provavelmente, pelo mesmo motivo de sempre.

— Saiam da frente que o Seokmin tá soltando fogo pelas ventas.

— Vai tomar no cu, Hansol.

O americano simplesmente negou com a cabeça.

— Mesmo motivo de sempre? — Seungcheol questionou.

O americano assentiu.

— Amor o nome.

Seokmin fechou ainda mais a cara.

— Essa merda devia vir com uma bula. — O trio riu do comentário ácido. — Espero que a sua manhã esteja melhor, porque a minha tá um lixo.

O cinzento maneou a cabeça, compassivo.

— Mesmo barco. — Confessou. Seus olhos foram sugestivamente até as mãos alheias. — Jisoo foi embora hoje de manhã.

— Eis que estamos os dois na merda novamente. — Concluiu o Lee, fazendo o amigo rir. Virou-se para o mais novo dos três. — Soonyoung, você é o único que salva a gente. Por favor, não se apaixone. Se apaixonar é igual a tomar no cu e isso doi. Então, seja o ativo e saia fodendo todo mundo.

Soonyoung engasgou com a própria gargalhada após a analogia.

Coups revirou os olhos, com um sorriso ladino brincando em seus lábios rubros e avantajados.

Era engraçado como as aparências podiam enganar.

Seokmin não era nem de longe, a pessoa mais inocente e alegre do mundo que ele mostrava pra todos. Na realidade, Seokmin era uma pessoa um tanto quanto depressiva e ácida na maior parte do tempo, o que gerava uma boa parte das risadas diárias dos amigos por seus comentários nada educados e por muitas vezes… Deste tipo.

— Hey, mas e eu? — Hansol indagou.

Seokmin o encarou.

— Você nasceu pra tomar no cu mesmo. — Afirmou. — Nunca vi alguém ter um dedo tão podre pra namorado na minha vida. E olha que nem pra se apaixonar pela pessoa certa!

Hansol fez uma careta quando Soonyoung caiu na gargalhada.

— Para de arrasar o garoto, Seokmin. — Seungcheol riu. — Ignora ele, Hansol. Você sabe que o Seokmin não sabe o que diz. Você vai achar a pessoa certa.

O americano suspirou.

— Já tô acostumado. — Encarou o amigo alto de maneira feia. — Esse poço de vacilo só diz besteira o tempo todo.

Seokmin o encarou.

— Que calúnia. — Se defendeu. — Eu não falo besteira quando eu tô dormindo, por exemplo.

— Cala a boca, DK.

O moreno revirou os olhos, adentrando no instituto.

— Vão na festa que o Minghao vai dar em nome da irmandade? — Questionou ele. — Vocês sabem, aquelas festas lendárias...

— Claro que-

— Nem fodendo. — Seungcheol cortou os dois. — Falem por vocês, mas eu não vou em uma festa de faculdade em plena semana de prova.

Seokmin arqueou uma sobrancelha.

— Não estou te reconhecendo. — Fitou-o. — Desde quando você é nerd?

Seungcheol revirou os olhos.

— Não sou, mas preciso de nota. — Estalou a língua no céu da boca. — E da última vez que eu fui na sua, bati o meu carro. Então não, sem chance.

Ambos pensaram automaticamente no mês anterior. Ambos bêbados e uma pista escorregadia pela chuva.

Tudo o que lembravam era de o carro batendo no poste da esquina do Choi mais velho, os três rindo feito loucos, Seungcheol prestes a cometer um assassinato e… As carteiras vazias no final do mês.

O Choi sabia castigar quando queria.

— É, aquilo não foi legal. — Soonyoung negou. — Talvez eu também deva ficar em casa e estudar...

— Verdade. — Hansol concordou. — E eu também preciso de nota.

Seokmin revirou os olhos.

— Não vai na dele, Young. — Dokyeom pediu. — Coups só está sendo chato.

— Se ser chato é não querer bombar nas provas, então eu sou a prima dos quatro cachorros.

Hansol engasgou uma risada e Soonyoung riu na cara dura.

— Ei, olha a afronta! — Os amigos riram. — É sério! Os cachorros são mesmo da minha prima... Bando de filhos da puta, todos os três!

Aquela era uma amizade que eles podiam considerar tudo, menos normal. Até porque, não começara do modo mais normal do mundo.

Se encontraram numa festa. Mesmas afinidades, mesmo problema com os fios e muitos copos espalhados.

Daí, surgiram dois apelidos ridículos e uma amizade extremamente irreal entre um cara cínico com tendência, um romântico incorrigível, um azarado de plantão e um cara sem limite entre a boca e o cérebro.

— Não me importa se os cachorros são da sua prima ou da sua avó. — Seungcheol pegou na alça da mochila. — Eu não vou nessa festa.

Seokmin sorriu.

— Até hoje a noite, dá tempo de mudar de ideia. — Pontuou.

Seungcheol sorriu, irônico.

— Não vai me meter em roubada dessa vez, Duckeyeom.

A expressão do mesmo fechou.

— Eu te odeio.

Seungcheol riu quando finalmente entraram no prédio.

— Vou nessa, até o intervalo. — O Lee adiantou-se. — Passo na sua casa mais tarde pra ouvir sua resposta.

Seungcheol revirou os olhos ao ver o moreno tomar uma direção diferente da deles com uma das mãos no pulso.

Suspirou quando o viu sumir.

— Ele não vai desistir. — O moreno comentou. — Parece que, dessa vez, a coisa foi seria...

— Sim, foi. — Seungcheol confirmou. — Alguma coisa aconteceu.

— Como você sabe?

Seungcheol encarou o amigo, com uma cara nada boa.

— Estou começando a ter dificuldades para ver o fio dele.


(…)


O moreno andou até a sala de música em passos vacilantes. Sabia que ele havia visto aquilo.

O fio desgastado. Sua desistência exposta ao dedo mindinho.

E, no momento, a única coisa que lhe unia a pessoa que amava. A dor lhe consumia o ser de dentro para fora. Queria simplesmente arrancar aquele órgão pulsante do peito e morrer. Talvez, desse jeito, não fosse sentir tamanho desconforto.

Ser a segunda opção sempre ia doer, não importando o quanto tentasse negar.

Mas, dessa vez, ele realmente não aguentava mais.

Seu desespero era tão palpável quanto a superfície estável da parede.

Então, aconteceu.

Tudo ficou turvo de repente. E o ar lhe faltava.

Algo estava falhando ali.

A visão embaçava de pouco a pouco, como se algo estivesse sendo perdido dentro de si. Suas unhas cravaram na parede, então.

A respiração era fraca. O ar faltava. E aquilo doía.

Ele não sabia explicar o que estava acontecendo.

Sentia vagamente celular tremer no vibracall. Não atendeu. Por momentos, era como se estivesse anestesiado.

Não queria ser enganado. Não queria ser enganado nunca mais.

De repente, as fotos não contavam mais. Seu número fora apagado da mente. Suas memórias estavam todas no lixo do subconsciente.

Simplesmente não se recordava. Ele era somente uma mancha em sua mente perturbada.

Uma lágrima desceu por sua face clara. A última lágrima que derramaria... Queria que fosse para sempre.

Seus sentidos se perderam em seguida.


(…)


Seungcheol sentou-se de forma inusual na carteira de trás da sala. Quando o professor Park lhes entregou a prova, ele simplesmente não conseguiu prestar atenção nas folhas por mais que quisesse.

Não que para ele estivesse tão difícil, por mais que a gramática não fosse muito seu forte.

Era porque, ao invés de regras gramaticais, em sua cabeça estava Seokmin.

Era mais do que óbvio o que estava acontecendo com o amigo. Seu fio estava se desgastando, e muito mais rápido que o comum.

Ele passou as mãos pelos fios descoloridos, em um grunhido baixo de descontentamento.

Encarou o fio em seu mindinho do lado esquerdo. O que havia acontecido a ponto de Seokmin desistir desse jeito?

No final, o cinzento fora o último a terminar aquela prova. E agradecia por ter sido capaz de terminar.

Levantou-se, indo letargicamente até a mesa do professor, onde depositou sua prova.

Despediu-se vagamente dele antes de sair.

Seus pensamentos ainda estavam no fio do amigo, quando esbarrou naquele garoto novamente.

— Desculpe. Você está b- — O cinzento murmurou ao olhar para frente. — … Oi?

E o garoto teceu sua vista pelo moreno de óculos redondos. As lágrimas não mais corriam por sua face pálida. Porém, o mesmo estava tão abatido, que poderia doer somente de observá-lo.

A esperança parecia sumir com ele por perto.

Seus cabelos castanhos e brilhantes eram uma bagunça de nós e o mesmo tremia. Seu fio estava ainda mais desgastado que no momento em que o viu. Era como se um toque, pudesse quebrar aquele belo ser humano em pedaços.

Ele não estava bem, e qualquer um poderia ver isso.

— O fio... — Murmurou, assustado.

O garoto não esboçou qualquer reação. Ele sabia que Seungcheol encarava a linha desbotada que flutuava em seu dedo.

Seu olhar perdia o brilho de pouco a pouco.

— Eu estou bem. — Sussurou. — Não se preocupe.

E recolhendo suas coisas, ele andou na direção oposta, como se não nada tivesse lhe interrompido o trajeto.

Então, esse era o efeito da desistência?

Seu estômago embrulhou. De repente, percebeu o motivo de estar tão incomodado com aquilo.

Ele não queria passar por essa situação. E, naquele momento, notou que não queria ver ninguém próximo passar por isso, igualmente.

Nem mesmo Seokmin.


(…)


Os dois pararam num café nas proximidades da escola, como sempre faziam depois das aulas.

Depois do acontecimento de mais cedo, o mar de fios vermelhos que cruzavam o ar quase que invisíveis para a maior parte das pessoas, se tornou um tanto quanto opaco para ele.

Não ia negar que se sentia perdido.

Ele rodeou a extremidade da caneca de café com um dos dedos, num suspiro inconstante. Apesar de estar olhando para o moreno à sua frente, seus pensamentos iam além dele.

— Hyung, você tem certeza de que está bem? — Soonyoung indagou. — Eu tô falando com você sobre coisas aleatórias há cinco minutos e você não diz nada!

Seungcheol suspirou.

— Desculpe...

O Kwon maneou a cabeça.

— É o Seokmin, não é? — Questionou. — Está pensando no fio dele?

O mais velho crispou os lábios.

— Mais que só no fio dele. — Confessou. — Hoje cedo, eu esbarrei com o garoto do ônibus.

— O que estava dormindo? — Ele assentiu. — E o que isso tem a ver?

Seungcheol suspirou.

— Quando olhei para o fio dele no ônibus, o fio estava desgastado. — Confessou. — Mas quando a gente esbarrou, o fio dele estava ainda mais desgastado que antes, quase sumindo na verdade.

— Você não me contou nada disso… — Soonyoung lhe encarou de maneira acusatória. Seungcheol concordou. — Mas, mesmo assim, eu ainda não entendo o que isso tem a ver...

O Choi suspirou.

— O olhar daquele garoto era extremamente mórbido, Soon e me deixou perturbado. Era como se ele tivesse perdido as esperanças em tudo, só de olhar para ele doía. — Confessou. — Seokmin parece estar indo pelo mesmo caminho e… Eu tô com medo do que pode acontecer a partir de agora.

O Kwon assentiu, acompanhando a linha de raciocínio do amigo. Era lógica a preocupação de Seungcheol. Ver uma pessoa com a qual você se preocupa perder o brilho no olhar e as esperanças dia após dia, é algo preocupante.

Principalmente, se for um caso como o de Seokmin, onde você não pode fazer absolutamente nada.

— E aí, gente? — Hansol chegou jogando a mochila em um dos lugares vazios. — Foi mal a demora, a prova estava um porre…

— Administração sempre vai ser um porre.

O americano de cabelos castanhos claros parecia animado de uma forma um tanto quanto incomum, o que não parecia combinar com a usual falta de ânimo que beira à burrice de Hansol Vernon Chwe.

Seungcheol encarou o amigo com uma sobrancelha arqueada.

— Aconteceu alguma coisa?

Vernon se sentou, pondo seu café na mesa.

— Na verdade, sim. — Comentou. — Querem a boa ou a má notícia?

Soonyoung bebericou seu moccha caramel.

— Atropelou o gato da vizinha de novo?

Seungcheol engasgou com o café que bebia, rindo da face consternada de Hansol.

— Si-, o que?! Não! — O americano exclamou. — Aquilo foi um acidente, eu já disse!

— Então, o que foi? Porque na sua vida só acontece desgraça...

— Dessa vez, não foi uma desgraça. — Ele sorriu. — Eu conheci a pessoa que está do outro lado do meu fio. E ele é lindo...

O mais velho sorriu.

— De verdade? — Ele assentiu. — Parabéns. Quer dizer que agora também vê os fios, certo?

O americano assentiu.

— Como foi pra você?

Hansol sorriu.

— É tão lindo quanto você descreveu. Estão por toda parte. — Afirmou. — É uma visão realmente diferente do mundo. Eu descobri que o meu professor e um aluno se completam, que louco.

O cinzento assentiu.

— Tô esperando você dizer que atropelou ele com a moto, também. — O mais novo comentou.

— Vai tomar no cu, Soonyoung.

— Você não nos contou qual era a má notícia... — Seungcheol pontuou.

— Ah. — O americano suspirou. — A má notícia, é que ele tem namorado. Tipo, um namorado do tamanho de um armário. E ele dá medo.

Soonyoung riu.

— Como diria o Seokmin: Você nasceu pra tomar no cu mesmo...

Hansol teria respondido da pior forma possível, se não fosse por o mais novo ter mencionado um dos hyungs na conversa.

— Por falar no Seokmin, ele está estranho… — Comentou. — Eu até o chamei pra vir como sempre, mas ele recusou. E o fio dele…

— Desbotado.

Um suspiro.

— … Sim. — Admitiu. — O que está havendo com ele, hyung?

Seungcheol tomou um gole de seu café expresso.

— Eu também queria saber. — Confessou. — O mais óbvio, seria o Seokmin ter desistido do Chan. Mas ele jamais faria isso sem uma boa razão. Não ele sabendo do que pode acontecer.

O americano cruzou os braços.

— Me pergunto o motivo de Seokmin ter terminado atado a ele. — Tomou sua xícara em mãos, sorvendo um gole da bebida quente. — Todos sabemos que um relacionamento entre ambos jamais faria bem à ele. Não faz agora e não faria futuramente.

Com a cabeça, o mais velho concordou.

— Isso é verdade. — Encarou a paisagem de fora. — Mas a gente não pode subjugar o que os céus fazem aqui, de toda forma...

Hansol assentiu.

— Concordo. Mas, ainda assim, a gente não sabe o que aconteceu com o Seokmin. — Apontou. — E pode ter sido algo sério.

Seungcheol suspirou.

— Sim. — Concordou. — É por isso que eu decidi ir nessa festa. É o único jeito de pressionar o Seokmin, já que Chan provavelmente também estará lá.

Hansol e Soonyoung se encararam. O cinzento levantou uma sobrancelha.

— O que?

— Você acha que será uma boa ideia? — Questionou o americano. — Quer dizer, se o Chan estiver,  Jisoo também vai estar lá.

Seungcheol mordeu o lábio inferior.

— Eu sei. — Sorriu. — Mas o Seokmin ainda é meu amigo. Nosso amigo. Não podemos deixá-lo assim... E, se ele decidir simplesmente desistir do Chan, devemos estar do lado dele.

Soonyoung e Hansol se mantiveram em silêncio, absorvendo as palavras do mais velho. Ambos sabiam que a lei dos fios não era nem um pouco justa.

O mundo não era muito justo, para ser exata. E ver seu amigo sofrer assim parecia somente confirmar a teoria que Seungcheol havia compartilhado mais cedo.

Talvez o destino de algumas pessoas fosse apenas sofrer.

De repente, o clima entre os três tornou-se pesado e palpável.

— Me sinto tão excluído. — Soonyoung comentou. — Eu não vejo os fios, mas vocês três vêem. Será isso castigo porque eu tiro com a cara do Hansol?

O citado sorriu.

— Quem é o azarado agora?

— Vai se foder, Choi.

— Ei.

— Desculpa, hyung. Sobrenomes iguais. — Soonyoung desculpou-se. — Mas, Hansol, é sério... Tem certeza de que você não fez nada com ele?

Seungcheol maneou a cabeça, sorrindo de canto. Aquela havia sido a saída de Soonyoung para toda situação. O respeitava de certa forma.

— Tá, eu confesso! — O americano exclamou. — Eu bati a porra da porta na cara dele, tá feliz agora?!

Soonyoung arregalou os olhos. Mais uma vez, o mais velho engasgou com o café, pondo a mão fechada a frente dos lábios enquanto engasgava pela garganta irritada.

— Eu sabia! — Apontou para o americano. — Mais azarado que você, não tem!

— Acha que eu já não tô me sentindo culpado o suficiente?! — Hansol reclamou. — Não consegui nem olhar na cara dele depois…

O Choi riu auditivelmente da face de indignação do mais novo, observando a discussão que os dois jovens com certeza levariam para fora dali.

Levou a xícara aos lábios. Ele realmente gostava do latte daquele lugar.


(…)


Era nove e alguma coisa quando ele finalmente lhe bateu a porta.

Seu cabelo cinza fora dividido em um topete bem arrumado. A blusa de três botões abertos preta estava bem colocada nos cotovelos. A corrente prata descia pelo pescoço e dorso parcialmente exposto. A calça justa e escura fazia jus ao estilo da noite.

Para firmar os converses no pé, pisou com eles uma ou duas vezes no chão, suspirando fundo.

Pensava se tinha sido uma boa ideia aceitar a festa àquela altura do campeonato.

Mas o Audi escuro já estava estacionado na porta de sua casa.

Agora, eles estavam prestes a entrar no local cujo barulho você ouvia de longe. Para exemplificar melhor, um prédio enorme. Digno de uma verdadeira festa de arromba.

Quando se é um criança rica e inconsequente cujos pais são cheios da grana, é num destes lugares onde você pode terminar gastando o dinheiro deles.

— Quanto exagero… — Murmurou o cinzento.

— Eu sei. — Seokmin comentou. — É por isso que eu adoro as festas dele.

E riu por fim.

— Os garotos? — Arqueou uma sobrancelha.

— Já estão lá dentro. Só falta a gente. — Afirmou.

O mais velho assentiu.

— E, Coups? — O citado encarou-o. — Obrigado por ter vindo comigo.

Não precisaram trocar mais palavras depois daquilo.

Passaram pela portaria e usaram um dos elevadores para chegar até cobertura, de onde já se podia ouvir a música alta.

Considerando o barulho e nenhuma reclamação, podia apostar que o andar era reservado.

Um mimo dos pais do anfitrião, com certeza.

O mais velho suspirou antes de abrir a porta e adentrar o enorme e espaçoso local. Havia um jogo de luzes enorme espalhado pelo teto. Gelo seco tomava o ar, deixando-o um tanto quanto lúdico. A música alta mesclava-se no ar tomado pelo gelo seco em verde, azul e roxo.

Viu vários fios vermelhos diferentes cruzarem o ar em diferentes pontos, tornando o ambiente ainda mais irreal do já parecia.

Era como estar em outro mundo. O encantador e perigoso mundo da noite.

Coups suspirou. Ali, iam eles.

Do meio de toda a fumaça, a pessoa principal saiu. Xu Minghao, o anfitrião e proprietário, fosse do local, fosse da festa que prometia ser estrondosa.

A calça escura e rasgada marcava suas coxas. A jaqueta preta lhe dava o ar perigoso do qual qualquer um seria tentado a provar. Seus olhos escuros e esfumaçados brilhavam tanto quanto a pele clara em meio às luzes.

Ao avistar os dois, seus lábios tão vermelhos quanto o carmim de seus fios de cabelo abriram-se numa expressão de pura satisfação.

— Coups, eu tenho que confessar que se eu não tivesse um namorado, eu te dava. — Terminou, com um sorriso descarado.

Seungcheol revirou os olhos, com um sorriso de canto.

— Bêbado a uma hora dessas, Minghao?

O ruivo o encarou, risonho.

— Para quê ficar sóbrio, quando o anfitrião pode tudo? — Indagou em retórica. — Mas o elogio ainda vale. Fico feliz de finalmente ter aceitado vir numa das minhas festas.

O cinzento maneou com a cabeça em direção ao amigo.

— Agradeça ao Seokmin, ele fez disso algo possível.

O chinês voltou-se para o mais alto.

— Acha que consegue o mesmo com o Wonwoo?

Seokmin deixou escapar dos lábios bem desenhados, uma risada.

— Eu não faço milagres, Minghao. — E o ruivo compartilhou da risada com o mesmo.

— A esperança é a última que morre. — Deu de ombros. — De qualquer forma, estou feliz de te ver aqui, Seungcheol. Apareça mais vezes.

O cinzento sorriu.

— Quem sabe?

Minghao piscou os olhos, lambendo os lábios.

— Eu realmente teria te agarrado se não tivesse Junhui. — Concluiu. Estava claro para ambos que ele estava bêbado, o que tornava a situação cômica. — Agora, se me permitem, devo cumprimentar os outros convidados e procurar o Junhui. Aproveitem a festa, bebam bastante. Não quero ver ninguém voltando pra casa hoje, estão avisados!

Dito isso, o ruivo saiu.

— Ele deu mesmo em cima de mim na cara dura?

Seokmin riu.

No meio da multidão que se formava, o mais velho foi guiado até alguma parte onde estavam o resto dos amigos.

As luzes quase lhe cegavam e o cheiro do gelo seco lhe deixava tonto. A música estava alta a ponto de, para ouvir alguém do seu lado, precisar gritar.

Quase sentiu falta daquele ambiente na época em que sua presença costumava ser frequente. Quase.

— Coups, eu preciso te contar uma coisa... — A voz de Dokyeom veio alta por conta da música, mas ainda assim, podia ser um tom classificado como vacilante.

— O que?

— É sobre hoje de manhã. — Lambeu os lábios. — E sobre o meu fio, também.

Com toda a agitação do lugar, era difícil ouvir cem porcento do que o mesmo dizia. Mas ao ouvir a palavra fio, Seungcheol se atentou as palavras do amigo.

— O que foi?

O moreno não pôde se pronunciar… Ou talvez a música alta tenha abafado o som de sua voz.

De qualquer forma, nem mesmo o som deu para diminuir o impacto daquela cena.

— Coups! — Soonyoung se aproximou. O cinzento não tinha reação.

Aquelo era ainda mais doloroso do que se simplesmente tivessem lhe contado algo. A verdade que ele sempre quis evitar.

Talvez, estivesse sendo apenas muito dramático ao se sentir triste por estar vendo a pessoa com qual esquentou os lençóis na noite anterior, com outro em seu encalço. Como nos dramas onde o personagem secundário vê a garota que ele ama, beijando e escolhendo o personagem principal ao invés de si. Seungcheol se imaginava em um drama, um drama cujo final é sempre o mesmo predito pelos telespectadores.

Assim como dizia o roteiro, no final, por mais que o secundário faça de tudo para ser o principal, jamais será.

Mesmo que Seungcheol fizesse de tudo para que Jisoo não partisse, ele sempre partiria.

E lhe deixaria só, voltando para os braços da única pessoa que ele realmente amava. Lee Chan.

Só que, dessa vez, não era somente ele ou Seokmin os que sabiam disso.

Era todo mundo.

— Me desculpe por não ter contado antes... — A voz de Seokmin soou em seus ouvidos. Mas para ele, era como se tudo rodasse em câmera lenta. — Eu… Não tive coragem.

O cinzento vacilou. Seus passos se tornaram erradicos. Ele ia para trás, afastando-se da cena à sua frente.

Era ruim. E doloroso. Ver a pessoa que você ama nos braços de outra...

Agora, tudo fazia sentido para ele. O comportamento espalhafatoso de Seokmin. Sua omissão quanto ao próprio fio e sua vontade de lhe arrastar até ali.

A mão do moreno pairou em seu ombro, assustando-lhe.

— Sinto muito, Seung. — Pediu novamente. — Mas eu não podia passar por isso sozinho…

A expressão de susto metamorfoseou-se rapidamente para a revolta assim que sua face pálida virou-se para o moreno. Um soco foi desferido na face do mesmo, que se não fossem por Soonyoung e Hansol, teria caído para trás.

— Seungcheol…

Seokmin sentiu o arrependimento no momento em que visualizou o ódio nas iríses escuras do mais velho.

Ele arfava, exalando a ira por seus poros.

— Vai pra puta que te pariu.

Assim, Seungcheol sumiu no meio da multidão.


(…)


Ele não sabia quantos copos havia tomado. Mas sabaia que estava quase bêbado pelos vários pontos embaçados que sua vista turva começava a lhe proporcionar. As pessoas passavam por si como um vulto. E ele quase nem as sentia.

Ele estava anestesiado pelo álcool. Mais uma vez. E, pra ele, talvez aquilo fosse bom.

Ele ignorou os avisos do irmão, é claro. Havia desmaiado, mas não estava morto. Não ainda.

E enquanto não estava, iria refugiar-se na única válvula de escape que ainda tinha.

O álcool. O que era irônico, se fosse parar para pensar nos tempos em que não gostava de ver o irmão mais novo tomando.

Um inimigo, que tornou-se seu mais novo amigo enquanto afundava-se na dormência quanto a si mesmo.

O álcool tornava-lhe alheio quanto aos seus próprios e traiçoeiros sentimentos. Estes que lhe traziam a dor.

O moreno levou mais um copo aos lábios e virou sem hesitação. Dor. Dor essa que, dali há poucos dias, ele não sentiria mais.

A desistência lhe deixaria anestesiado o suficiente a ponto de não precisar do álcool para esquecer.

Para que não recordasse mais. Para que não quisesse mais morrer por amar demais.

Riu de sua situação deplorável.

Ao seu lado, um homem também bebia. Parecia igualmente amargurado. Perguntava a si mesmo, se este homem não poderia estar na mesma situação que a sua. Quantas pessoas no mundo não estariam?

Não há romance no amor não correspondido.

— Se me encarar demais, vai abrir um buraco na minha cara. — O homem ao seu lado comentou.

O moreno colocou uma de suas mechas de cabelo atrás da orelha e, num soluço dolorido, riu.

Sua visão, turva, finalmente havia focado no cinzento.

— Coisas bonitas não são para ser observadas?

O homem encarou-o, com a face inexpressiva.

— Eu te conheço de algum lugar? — Ele indagou. Não parecia tão alto quanto o moreno, mas ainda sim estava alterado.

E lhe parecia sim, familiar. Mas, de onde?

— Talvez. — Ele enrolou a resposta na língua. — Mas, se te conheço, não lembro. Minha vida anda tão fodida, que não tenho tempo de pensar em nada.

Sua fala estava bem mais enrolada que o comum, não sabia se o rapaz havia entendido o que disse, até que capturou os olhos brilhantes e até avermelhados do rapaz ao seu lado.

— Fodido por amor eu presumo?

O moreno riu.

— Totalmente.

Um soluço.

— Eu tenho certeza de que já te vi em algum lugar...

Mais uma risada.

— É assim que planeja me cantar?

O cinzento não respondeu.

— Não sei. Talvez eu esteja só delirando mesmo... — Virou o próprio copo sentindo o líquido descer quente pela garganta.

O moreno sorriu ladino, inclinando-se em direção ao rapaz ao seu lado. Obviamente, não sabia o que estava fazendo…

— Sua cantada pode não ter colado, mas você é realmente bonito. — Confessou. — E tem uma bela boca, também.

Ou simplesmente achou os lábios do rapaz ao seu lado, tentadores demais para ficar somente olhando quando, com o álcool correndo no organismo, ele tinha coragem suficiente de dizer.

O cinzento riu.

— Quem está cantando quem agora?

O sorriso voltou a ser desenhado nos lábios finos e tentadores do moreno ao seu lado.

Touché.

O moreno quebrou a distância entre os dois, puxando o cinzento pela nuca e colando seus lábios nos dele.

Mas a surpresa não partiu dessa ação e sim da que a seguiu. Quando o outro não lhe afastou, passando uma de suas mãos sugestivamente pela coxa alheia enquanto a outra se firmava na superfície macia da face alheia. Quando, com a língua, o cinzento invadiu a boca alheia.

E o beijou de volta.


Notas Finais


Festa sem barraco não é festa. E, sinceramente? Eu adoro quando termina assim! Vocês não? rs.

Espero que tenham gostado dessa premissa, porque a continuação dessa fanfic vai depender de vocês. Nos vemos em breve.

~Eros.


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