História Metade de Mim - Capítulo 2


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Categorias Naruto
Personagens Itachi Uchiha, Kakashi Hatake, Kizashi Haruno, Mebuki Haruno, Naruto Uzumaki, Personagens Originais, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Naruto, Romance, Sasusaku
Visualizações 85
Palavras 2.604
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Hentai, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Atrasei, eu sei!!! Perdones, mas aqui está o segundo capítulo bb 👏👏👏👏

Capítulo 2 - Capítulo Dois


Fanfic / Fanfiction Metade de Mim - Capítulo 2 - Capítulo Dois

CAPÍTULO DOIS

Pra começar

Cada coisa em seu lugar

E nada como um dia após o outro

Pra que apressar?

Se nem sabe onde chegar

Correr em vão se o caminho é longo

Tiago Iorc – um dia após o outro


Morte.

Morte.

Morte.

Morte.


Dizem que se pronunciarmos muitas vezes uma palavra ela fica sem sentido ou até mesmo engraçada. Mas essa palavra, para mim, continua com bastante sentido e nada engraçada. Já a pronunciei 1.243 vezes. Mil, duzentos e quarenta e três. Acho que ela nunca perderá o sentido pra mim.


Há diversos formas de morrer. Mas sem dúvida a melhor delas é morrer em paz, sem alarde e principalmente fazendo o que sempre amou.


Ao contrário do que eu - e todos - imaginava eu não chorei quando soube que meu pai morreu. Não entrei em depressão como minha mãe temia. Eu simplesmente fiquei em inércia. Não recordo como cheguei a funerária pra o velório – quando corpo do meu pai voltou para minha cidade -, não recordo como eu me vesti, ou quem me vestiu, para o enterro, não recordo como cheguei ao escritório do advogado para a leitura do testamento – sim, meu pai fez um testamento do qual ninguém sabia -, onde ele deixou a casa do lago para mim e a que nós moramos para Sayka. Não recordo, também, de ter derramado alguma lágrima. Nenhuma lágrima rolou.


Às vezes acho que ainda não caiu a ficha. Meu pai está morto. Ou talvez eu esteja procurando alguém para culpar, pois meu pai não iria me deixar sem ao menos se despedir, não meu herói. Mas... meu pai está morto. Está morto há três meses e eu ainda não derramei nenhuma lágrima.


Estou fazendo tudo no modo automático, tomando banho, me vestindo, comendo, trabalhando... No trabalho, quiseram me dar um tempo de folga, para me recuperar - Mas eu nunca vou me recuperar -, portanto, não aceitei. Assim que voltei do enterro, fui em casa trocar o vestido preto por uma blusa de banda e jeans e fui pra loja. Trabalhar me distraiu.


Estamos em final de maio. Hoje fazem, exatamente, 3 meses que meu pai morreu. Não mudei minha rotina. Mesmo que faça a maiorias das coisas em modo automático.


Levanto, vou direto pro meu banheiro escovar os dentes e tomar banho. Saio e vou direto ao guarda roupa pegar o jeans e a camisa do dia. Minha mãe diz que é esse meu uniforme de trabalho. Mas, antes mesmo que eu abra as portas do guarda roupa, ouço o som do toque de chamada do meu celular. Pego-o em cima do criado mudo e vejo o nome Hatake Kakashi, meu chefe, no visor. Atendo-o antes que a ligação caia.


- Ohayo Kakashi! – Cumprimento. – O que deseja?


- Ohayo flor de cerejeira. – Kakashi sempre me chama assim desde que comecei a trabalhar lá. Ele conhecia meu pai, foram colegas na faculdade. – Já está indo pra loja?


- Não, ainda não deu meu horário. – estranhei, ele nunca me cobrou pra chegar mais cedo. – Por que?


- Não se preocupe. É que hoje e amanhã não irei abrir a loja. Preciso fazer uma viagem rápida, volto amanhã a noite e só vou abrir a loja na quinta. Liguei pra avisar, pra você não dar viagem perdida lá na loja.


- Ah! – fiquei surpresa. Era bem difícil Kakashi ficar uma dia sequer sem abrir a loja – Nossa! Tá bom então. Obrigada por avisar.


- Por nada. Aproveita esses dois dias pra descansar, ir ao cinema ou qualquer coisa que você faça pra se distrair.


Riu. Ele sabe que não faço nada diferente. Nem nas folgas normais. Mas talvez eu faça alguma coisa. Talvez uma corrida, um cinema...


Sim! Uma corrida.


- Ok Kakashi. Vou fazer alguma coisa. Tenha uma boa viagem.


- Obrigada. Até a volta.


Bom, já que eu não vou mas trabalhar, opto por dar uma corrida pelo bairro. Estou ficando muito sedentária. Ponho um short-saia, uma top de corrida. Olho o resultado no espelho e acho vulgar, tenho bunda e seios avantajados, não muito a ponto de me incomodar, mas o bastante pra chamar atenção pra eles. Ponho uma camiseta cavada por cima do top e troco o short-saia por uma legging escura. Prendo o cabelo, que estão no meio das costas, em um rabo de cavalo. Pego meu celular e os fones de ouvido e desço pra cozinha. Como uma maçã e tomo um copo de suco e aproveito pra encher uma garrafinha com água.


Quando vou saindo em direção a porta, encontro minha mãe descendo as escadas arrumada pra trabalhar. Depois daquela nossa conversa há quase dois anos, ela ficou mais responsável. Começou a trabalhar em uma clínica de estética, como gerente. Nossa relação melhorou. Conversamos mais, não como melhores amigas, mas bem melhor que antes.


Ela se surpreende quando me ver.


- Nossa! O que aconteceu hoje? Que bicho te mordeu? – perguntou ela com um sorriso iluminado na face.


Até entendo ela. Esses últimos meses não tem sido fácil, nem pra mim nem pra ela. Por mais que eu não demonstre meu sofrimento, por dentro, me sinto despedaçada. E duvido muito que um dia eu me sinta “inteira” novamente.


- Não dona Mebuki. Simplesmente não tenho que ir trabalhar hoje e vou aproveitar pra dar uma corrida. – respondo.


- Hm. Tudo bem que você não precisa, olha só pra você – apontou pra mim de um modo exagerado – esses peitos durinhos – levantou minha blusa –, essa barriga sem uma gordura que você insiste em esconder, sem contar que essa bunda é de dar inveja a qualquer uma – minha mãe as vezes dava uma de louca -. Não sei como você e Sayka são gêmeas, são tão diferente uma da outra. Sayka faz o tipo modelo, e você é toda gostosa desse jeito.


- Mãe, para. – olho pra ela rindo. – Deixa eu ir, pelo jeito vai chover mais tarde. Quero tá em casa antes da chuva pra não ser preciso ir ao hospital tomar soro, não é mesmo dona Mebuki? – ironizo.


- Ah, claro, claro. Vá logo. Não quero que você pegue uma gota de chuva sequer.


Algumas coisas nunca mudam.


Me despeço dela e vou em direção a porta. Abro-a e paro na varanda de casa pra me alongar. Termino o alongamento, ponho-me a correr com Paradise da banda Codplay estourando nos fones de ouvido. O clima está agradável - pra mim -, uma brisa fresca anuncia a chuva que está por vir. Viro a esquerda e disparo em uma corrido lenta. Me aquecendo. Vou acelerando aos poucos. Paro vez ou outra para atravessar a rua. Cumprimento alguns conhecidos que encontro pelo meu caminho. Vou em direção à uma pracinha que fica bem no centro do bairro onde moro.


Chegando na praça, vejo crianças brincando em alguns brinquedos desbotados que tem por ali. Vejo mães com seus filhos no colo trocando experiências com outras mães. Alguns adolescentes matando aula. Imediatamente me lembro de Sayka, à essa hora deve está na faculdade. Gosto de ver ela levando algo a sério, além de suas andanças no shopping. Minha irmã reprovou seu último ano do ensino médio, portanto, esse ano que ela começou a fazer faculdade. Conseguiu uma bolsa de estudos em Suna – que coincidência -, ela virá nos ver nas férias, daqui à, mais ou menos, um mês e meio. Sayka colocou na cabeça que vai ser uma estilista famosa. E quer saber? Estou torcendo por ela. Acho que de uns tempos pra cá ela realmente cresceu.


Depois de respirar por uns quinze minutos sentada em um banco da praça, resolvo voltar pra casa. Assim, volto em uma caminhada pra casa. Nos fones de ouvido Alicia Keys canta que uma garota está em chamas. Olho os estabelecimentos ao redor. Passo em frente onde eu trabalho e é até estranho vê-la fechada. O que será que aconteceu pro Kakashi ter que se deslocar no meio da semana pra outra cidade? Espero que nada grave tenha acontecido. Olho para o lado direito da loja e vejo o escritório de advocacia que estava sendo reformado. Pelo jeito vai reabrir em breve.


Passo em frente à uma sorveteria e rapidamente flashes da minha infância. Quase toda as tardes meu pai trazia Sayka e eu pra tomarmos sorvete escondido da minha mãe. Dona Mebuki sempre enlouquecia quando nós, incluindo meu pai, tomávamos sorvete antes do jantar. Ainda mais quando o clima estava frio. Esse era um dos poucos momentos que Sayka e eu nos divertíamos.


Sayka sempre mostrou preferência pela minha mãe, assim como eu pelo meu pai, mas ela gostava muito do nosso pai. Especialmente nesses momentos a três, ela podia ser ela mesma, só uma criança, não uma Barbie como tinha que ser com nossa mãe. Era apenas a Sayka, a minha Sayka. Quando nosso pai morreu, minha irmã sofreu horrores. Veio de Suna e passou quase uma semana conosco. Não comia direito, não dormia, nem suas maquiagens usava. Mamãe e eu tememos por sua volta à Suna. Ficamos com medo de ela não se cuidar, porém, ela nos prometeu que vai se cuidar direitinho e ligar todos os dias. E assim ela fez e continua fazendo, sempre nos liga pra contar as novidades e perguntar como estamos.


Sacudindo a cabeça pra afastar as lembranças, sigo meu caminho. Mas algumas ruas e já estou na minha. Paro de correr e volto andar devagar. Desligo a música do celular e tiro os fones de ouvido. Sinto a brisa fria bater no rosto, olho pro céu e vejo nuvens e mais nuvens carregadas. Sorrio. Adoro ler enquanto chove.


Olho pra frente e vejo um enorme caminhão de mudanças parado bem na frente da casa de frente a minha. As portas do caminhão está aberta, de onde eu estou consigo ver algumas caixas de papelão lacradas. Uma bicicleta encostada na parede do caminhão. Dois homens altos e fortes – provavelmente funcionários dessa empresa de mudanças, pelo uniforme - carregam um sofá pra dentro da casa que, até a hora que sair, estava fechada mas agora jazia aberta. Olhando pra porta da casa em frente, vejo saindo de lá um rapaz alto, de pele clara e cabelos negros. Não consigo ver a cor dos olhos pois ele está de óculos escuros estilo aviador. E outra coisa que eu percebo é que ele é muito bonito.


Quando me dou conta, estou parada em na calçada da minha casa olhando para o que parece ser meu novo vizinho. Um cachorro peludo – um labrador - e também muito bonito corre no gramado da casa. Suponho que o novo vizinho seja o dono dele pois nunca o vi por aqui. Quando consigo me desligar da visão, vizinho brincando com seu cachorro, alcanço a chave de casa que fica embaixo de um vaso de orquídeas na varanda, coloco-a na fechadura e giro maçaneta. Mas, antes de entrar totalmente em casa, olho novamente em direção a casa em frente e me surpreendo ao ver o novo vizinho olhando pra mim – agora sem os óculos - com a sombra de um sorriso nos lábios. Ergo uma sobrancelha em resposta e entro em casa.


Que cara estranho.


Deixo os pensamentos de lado e vou pra cozinha a procura de algo pra comer. Abro a geladeira, encontro uma vitamina, que me parece ser de banana, ponho em um copo de vidro e começo a toma-la. Sinto as energias que perdi durante a corrida se renovando. Ligo a TV, está passando um programa qualquer de auditório, assisto um pouco enquanto termino o copo de vitamina.


Me pego pensando novamente nesse novo morador. Será que vem sozinho? Tem família? É casado? Tem filhos? São muitas perguntas que vão continuar sem respostas pois sei que não vou ter a oportunidade de saber as respostas tão cedo. Até porque não sou uma pessoa muito sociável, ainda mais com estranhos. Isso faz mais o feitio da minha mãe, ela adora saber tudo e mais um pouco sobre a vida das pessoas. E Deus livre quem ousar chamar ela de fofoqueira ou algo do gênero. Dona Mebuki diz que “apenas quer se manter informada sobre as pessoas que nos cerca” ou seja, é fofoqueira.


Ouço um estalido no vidro da janela da varanda. Vejo gotas grossas e espessas de chuva bater contra a janela fechada. Sorrio. Chuva! Corro pro meu quarto pra tomar um banho e tirar o suor do corpo.


Alcanço o banheiro já me despindo. Abro o chuveiro, deixo a água morna escorrer pelo meu corpo, massageando os pontos doloridos pelo estresse do dia-a-dia. Me ensaboo com uma esponja macia e um sabonete líquido com aroma de frutas vermelhas. Lavo também os cabelos, massageando o couro cabeludo, antes úmido pelo suor e agora pela água e pelo shampoo e logo depois o condicionador. Depois de lavados, fecho o registro do chuveiro, me enrolo em uma toalha branca felpuda e enrolo outra em meus cabelos. Não sou muito fã de secadores de cabelo. Vou em direção ao guarda roupa, pego uma blusa regata, umas calça moletom e visto.


Ouço a chuva ficar mais forte. O clima começa a esfriar ainda mais. Pego um cobertor, meu livro que estou lendo atualmente, Senhorita Aurora da escritora brasileira Babi A. Sette, um romance de tirar o fôlego. Vou em direção à uma poltrona – que era do meu pai – que fica de frente pra minha janela. Me acomodo com meu livro e cobertor na poltrona macia. Me recordo das horas em que fiquei sentada no colo do meu pai, aqui mesmo nessa poltrona, enquanto ele lia uma ou várias histórias pra mim.


O meu quarto atual, antes era o escritório do meu pai. Assim que meus pais se separaram, meu pai me deixou transformar seu escritório em quarto e eu, claro, me aproveitei de vários livros dele e mais alguns móveis e objetos. Sayka não se opôs, ela dizia, na época, que aqui tinha muita velharia e que finalmente teria o guarda roupa só pra ela.


Sacudindo a cabeça pra espantar mais essas memórias da minha infância, abro a minha janela pra ver melhor a chuva cair. Graças a uma cobertura por cima da janela do lado de fora, não chove dentro do meu quarto. Muitas vezes durmo com ela aberta. Minha mãe morre se desconfiar disso. Me aproximo no parapeito e olho novamente a casa do vizinho. O que vejo me surpreende grandemente.


Do outro lado da rua, não está mais o caminhão de mudanças que jazia ali alguns instantes atrás, o que me permite ter a visão clara do meu novo vizinho tomando banho de chuva e brincando com seu cachorro no quintal a frente da sua casa. E isso não é a surpresa maior, como se não bastasse ele está correndo de um lado pro outro com seu labrador, muito bonito por sinal, a surpresa maior é o fato de ele está correndo vestindo apenas uma bermuda escura, que olhando daqui cai perfeitamente em sua cintura, despido da cintura pra cima.


Deus, ele é lindo!


Estava tentando “não ver” isso, mas caramba! Ele é lindo e eu não posso negar. Seus cabelos negros caem sobre a testa e eventualmente meu vizinho passa a mão pra afasta-los dos olhos. Ele ri, seus dentes brancos e alinhados refletem sua alegria de tomar um banho desse. Seu cachorro corre e pula pra pegar uma bolinha vermelha que seu dono joga pra lá e pra cá. Será que mais alguém está vendo isso? Ou será que é só eu que estou na “janela indiscreta”?


Depois do que pareceu segundos, mas na verdade são minutos, observando, pela segunda vez, meu mais novo vizinho, ele me olha, não de relance ou reflexo, mas ele olha diretamente pra minha janela e consequentemente pra mim, como se já soubesse que eu estou aqui, observando-o. Será que ele já tinha me visto aqui? Mas como?


Como se me pegar admirando-o não fosse o suficiente, ele sorri, aquele sorriso derreteu meus neurônios, e me acenou a mão direita, como um “olá”, ainda sorrindo.


Notas Finais


Então? O que acharam?

Até o próximo. Bjos


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