História Metamorfose - Interativa - Capítulo 3


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Visualizações 6
Palavras 1.431
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Os primeiros sintomas.


"Ah, pobre menina. Vêm tendo tantos problemas, como se os antigos já não bastassem. Desde pequena sua vida foi difícil. Teve que se adequar de diversos modos para ter o espaço, ainda que tão apertado, no meio destas pessoas sujas e fedorentas. O que afinal de contas, elas têm que eu não tenho?"

Suas olheiras mais pareciam marcas de uma briga que tivera no dia anterior com um lutador de boxe. Seus lábios estavam indescritivelmente inchados. Seus olhos lacrimejavam aos poucos para lubrificar as veias avermelhadas de sono. Seu cabelo estava desgrenhado. As roupas todas amassadas. E mesmo completamente acabada, ainda mantinha as forças para ficar em pé e atender os clientes que chegavam no café onde trabalhava.

O salário era bom, e o trabalho não era assim tão exaustante. Mas nos últimos dias seu comportamento havia mudado.

"Os piores venenos vem em pequenas doses", era uma frase que havia lido à um tempo atrás, e no presente momento fazia tanto sentido quando leu. Quem pensaria que alguns pesadelos poderiam fazer tanto estrago?

Passou-se algumas horas desde o momento em que chegou no trabalho. Já estava próximo ao horário de almoço. Os seus colegas não queriam perturbá-la no horário de trabalho, então esperaram até o almoço para que pudessem conversar sobre a sua preocupante situação. Mas Selene mudou o hábito para ir almoçar num parque que havia por perto. Seus colegas, ainda que preocupados não a impediram, mas só serviu para que a dúvida crescesse ainda mais.

O almoço naquele dia era um belo e suculento pastel de vento. Trouxera consigo então algum dinheiro a mais para comprar algo que comer.

O aroma dos salgados e doces que eram vendidos no restaurante em que chegara estava fora de seu cardápio. Nos pratos feitos, tanto as carnes, os vegetais e os demais condimentos faziam-na ter enjôo. Parecia que a qualquer momento seu estômago ia revirar. Então sem mais opções restando, foi embora. Talvez para deitar-se em baixo da sombra de uma árvore, ou para aproveitar a ausência dos pedestres numa ponte que havia a alguns metros e ficar sozinha, recostada na beirada até o mal estar passar.

Enquanto andava calmamente pela rua que ligava a seu destino, uma sensação ainda mais estranha, de súbito apareceu para completar a situação e fazer ela ficar ainda pior.

"Quando nada mais fizer sentido, ou você não entender mais nenhuma palavra do que ninguém fala, e quiser voltar pra mim, eu vou estar bem aqui. Mas eu também quero meu mérito por isso."

- A quanto tempo você ta aí? - sua mente foi invadida pelas palavras doces e despreocupadas de um garoto vindo em sua direção.

- Hã? - pelo menos alguém apareceu, alguém que não a importunaria e que muito provavelmente entenderia seu problema. Selene apenas se soltou da borda da ponte e o abraçou, como se tudo naquele momento dependesse daquilo.

- É... Então, eu... - o mesmo estava surpreso pela repentina ação de Selene, mas não a interromperia. Ambos tinham já alguns anos de convivência. Nada de mais nunca aconteceu entre eles, mas Selene sabia que o garoto tinha um cuidado especial com ela. Algo que nunca teve mesmo das pessoas mais próximas.

- Ta tudo uma bagunça... Só quero descansar.

- Aconteceu alguma coisa? - não era algo que se via todos os dias. Selene era uma moça enérgica, impossível de derrubar.

Selene se afastou do garoto, agora olhando diretamente para os seus olhos, como em súplica para que lhe desse uma solução.

- Posso ficar na sua casa hoje a noite? - ela conhecia o garoto o suficiente para pedir-lhe isso.

- É... sério? Bom, pode mas...

- Eu não quero te incomodar. Mas eu não quero ficar sozinha... - Selene mantinha distância da sua família e dos amigos antigos a um bom tempo. A única proximidade que mantinha suficiente para chamar de família era a de seu pai, um homem um tanto rígido com a educação. Mas mesmo que fosse a família mais próxima que tinha, ainda era bem reservado e falava apenas o necessário com ela, o que a entristecia demais.

- Tudo bem, só foi meio repentino mas você sabe... As coisas acontecem desse jeito. Eu queria falar mais, só que agora to bem atrasado pra faculdade. Então hoje eu venho te pegar... Quer dizer buscar! Buscar!

Selene soltou uma doce risada.

- Bobo. Tudo bem, te espero então. E obrigada mais uma vez. - depois da breve conversa, o garoto se despediu de Selene e foi embora.

Selene ficou mais algum tempo recostada na ponte olhando para a água esperando o tempo passar. Sabia que apesar de estar cansada e com fome, o melhor seria esperar a noite para se recompor para que os sintomas não afetasse seu trabalho.

Seus colegas de trabalho ainda mencionavam ela em sua ausência.

- Ah, sei lá. Vai que é por causa da tpm - disse um rapaz esguio, de cabelo colorido e voz afinada. Ele dizia aquelas palavras com total despreocupação, erguendo seu nariz, de pernas cruzadas e com as mãos juntas.

- Acho que não. - comentou uma de suas amigas. - Eu conheço a Selene. Ela não é assim.

- Deixem a menina em paz. Cuidem das suas vidas, fofoqueiros. - o cozinheiro, interrompendo a conversa sentou-se ao lado deles. Era um rapaz jovem, de cabelo raspado e frequentemente bem humorado.

Os que estavam falando sobre Selene pararam de falar por algum momento, e alguns minutos depois voltaram aos assuntos ocasionais.

O restante do dia foi bem produtivo para todos. O trabalho foi rentável como sempre. Todos contribuíram com a parte específica de seus afazeres. E no final do dia, os funcionários mais jovens esperaram no ponto do ônibus para enfim irem embora.

Quando um garoto se aproximou, com uma sacola em suas mãos e levando uma mochila nas costas.

- Selene. - o rapaz se aproximou dos jovens e fez um gesto para a garota de cabelos azuis.

O restante que aguardava no ponto ficou curioso. Selene raramente ganhava presentes ou era convidada por qualquer pessoa.

A mesma simplesmente saiu do lugar e foi andando ao lado do garoto, que agora passava para o outro lado da rua.

- Obrigada por vir. - disse.

- Que isso, eu viria nem se perdesse a minha memória.

Nesse momento, um calafrio poderoso se apossou do corpo de Selene. Uma sensação mórbida desceu da cabeça aos seus pés, sumindo logo em seguida.

- O que foi? - perguntou o garoto, vendo sua preocupação.

- Senti um calafrio... Acho que foi por causa do almoço que eu não comi - terminou dizendo com uma singela risada.

- Aqui - o garoto tirou sua mochila e em seguida sua blusa, envolvendo-a com carinho.

- Não precisa, você vai ficar com frio... - ligeiramente envergonhada, tentou dar uma desculpa para não aceitar o gesto do rapaz, mas não conseguiu.

- Por falar nisso, eu aproveitei e trouxe seu almoço barra jantar. Gosta de comida japonesa? - na sacola que ele trazia podia-se ver as embalagens com escritas orientais.

Selene ficou ainda mais envergonhada. Seu rosto pálido e mórbido agora ganhara vida, ficando ligeiramente avermelhado. Seus olhos abriram permitindo que ela visse o que estava a sua volta, e sua boca sorriu. Um sorriso sincero que à muito tempo não dava.

O apartamento onde o rapaz morava ficava em um prédio de 20 andares. Seu andar era o décimo quinto, num espaço considerável para pelo menos três pessoas.

Seu interior não era dos mais limpos, mas visto o pouco tempo que ele tinha fazia sentido a falta de organização.

Ao se acomodar, o garoto jogou as roupas na lavandaria, organizou a loça suja e arrumou sua sala, onde provavelmente passariam a noite.

- É, então... - meio sem jeito, tentou oferecer alguma hospitalidade à Selene, mas tudo que conseguiu foi só alguns momentos perdidos.

- Eu posso tomar um banho? To exausta, e meio grudenta... - disse, com a cabeça baixa.

- Pode, claro, fique a vontade. O banheiro fica do lado da lavandaria - terminou dizendo apontando para a direita.

Selene agradeceu e entrou no banheiro. Tirou suas roupas e ficou em baixo do chuveiro, deixando a água quente levar o cansaço e frustração com ela.

Após o banho, se enrolou numa toalha e saiu, ainda um pouco molhada, pois havia se lembrado que não trouxera roupas.

O garoto cedeu algumas peças de roupas mais casuais, que ficaram um pouco grandes, mas que eram melhores do que nada.

Mais tarde então, após tudo estar organizado, jantaram a comida embalada conversando e assistindo enquanto o tempo passava. Depois de algumas horas, Selene deitou no sofá e se cobriu com algumas cobertas, enquanto o garoto foi para o seu quarto.

Foi a melhor noite que não tivera a, e que não iria se esquecer tão cedo.

Com o sono chegando, Selene fechou seus olhos, e adormeceu...



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...