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História Metido de Terno e Gravata - Sprousehart - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


amas olha quem ta aqui
perdoem se tiver algum erro, não revisei

Capítulo 2 - Capítulo 2


Lili

Eu tinha planejado devolver o celular naquela manhã.

Não, é sério. Eu tinha.

Por outro lado, também planejei terminar a faculdade. E viajar pelo mundo. Infelizmente, o máximo que eu me afastei da cidade no último ano, foi quando, sem querer, dormi no trem Path e fui parar em Hoboken. Com o telefone em segurança no compartimento lateral da bolsa, sentei no vagão sete, uma fileira para trás e no bloco ao lado, na diagonal do Sr. Grande Babaca, olhando de soslaio enquanto ele lia o Wall Street Journal. Eu precisava de mais tempo para estudar o leão. Criaturas no zoológico sempre me fascinaram, principalmente o jeito como interagiam com os humanos.

Uma mulher embarcou na estação seguinte e sentou-se na frente de Cole. Era jovem, e o comprimento da sua saia beirava o impróprio. As pernas bronzeadas eram firmes, nuas e sexy, e até eu olhei para elas por um tempo. Mas o leão não atacou. Não parecia nem ter notado a jovem enquanto alternava a leitura do jornal e o tique de mexer distraído na pulseira daquele relógio grande. Eu imaginava que ele fosse mais galinha.

Quando o trem chegou na estação em que ele descia, decidi que devolveria o celular. Amanhã. Mais um dia não faria diferença. Passei o restante da viajem olhando as fotos do aparelho. Dessa vez as estudei, prestei atenção aos detalhes do fundo, em vez de olhar só para o objeto focal. A foto dele com a senhora foi tirada na frente de uma lareira. Eu não havia notado isso antes. O console era coberto por uma dezena de porta-retratos. Dei zoom no retrato que ficou menos distorcido. Era de um menino e uma mulher. O menino parecia ter uns oito ou nove anos e vestia uma espécie de uniforme. A mulher, pelo menos eu pensava que era uma mulher, tinha um corte de cabelo quase militar. O menino podia ser Cole, mas eu não tinha certeza.

Quase perdi minha estação dando zoom no que descobri ser um carteiro no fundo de outra fotografia. Que porcaria eu estava fazendo? Parei no vendedor de café de sempre e pedi:

— Quero um latte de baunilha grande, gelado, sem açúcar, com leite de soja.

Anil balançou a cabeça e riu. Às vezes, quando havia uma fila de mulheres que pareciam ter se perdido procurando um Starbucks, eu pedia alguma coisa ridícula. Em voz alta. Pelo menos uma delas sempre acreditava que o Anil’s Halal Meet servia bebidas cheias de frescura. Basicamente, havia quatro opções: café preto, com leite, com açúcar, ou ir a outro lugar. Ele encheu um copo de café puro, como eu pedia sempre, e me entregou. Eu me afastei rindo ao ouvir uma mulher perguntar se ele fazia Frappuccinos.

Quando cheguei ao escritório, Ida estava particularmente azeda. Que maravilha. O mundo todo pensava que “Pergunte a Ida” era uma amada instituição americana. Só alguns poucos sabiam a verdade. A mulher que distribuía doses generosas de conselhos açucarados se divertia transando e baixando o nível.

— Encontre o número do telefone do Celestine Hotel — disse ela ao me cumprimentar.

Liguei o velho computador em que ela me fazia trabalhar.

A internet do meu celular era muito mais rápida, mas eu não ia  usar o meu pacote de dados porque ela se recusava a entrar no século XXI. Cinco minutos mais tarde, levei o número ao escritório dela.

— Aí está. Quer que eu faça uma reserva para você?
— Pega a pasta de viajem no arquivo. Entreguei a pasta e esperei, porque ela não havia respondido à minha pergunta. Ida procurou até encontrar um cartão dobrado, do tipo que o hotel oferece com o nome da camareira. Ela leu o cartão, e depois me deu.

— Ligue para o hotel. Diga a eles que Margaritte não sabe limpar um quarto. Que, na última vez que me hospedei no Celestine, o carpete não foi aspirado e havia fios de cabelo preto na parede do box.

— Tudo bem...

— Mencione Margaritte especificamente, depois diga que quero outra pessoa limpando o quarto. E peça um desconto.

— E se eles não derem um desconto?

— Faça a reserva assim mesmo. Meu quarto estava perfeitamente limpo da última vez.

— O carpete e box não estavam sujos?

Ela suspirou irritada, como se eu testasse sua paciência.

— A diária que eles cobram é um roubo. Não vou pagar quatrocentos dólares por uma noite.

— E por isso quer que eu provoque a demissão de alguém?

Ela levantou uma sombrancelha grossa e delineada.

— Prefere que seja você?

É. Essa vadia deveria dar conselhos sobre moralidade.

💌💌💌

Para minha sorte, era quarta-feira, o dia em que Ida, semanalmente, se reunia com seu editor. Então, pelo menos, só precisei aguenta-lá metade do dia, antes de ela sair e me deixar com uma lista de tarefas de uma página: Encomendar cartões comercias novos (menos coloridos, dessa vez; eu tenho uma empresa, não um circo).
Atualizar o blog. (A pasta amarela tem cartas e respostas diárias. Não improvise quando digitar. O “Pergunte a Ida” NÃO sugira fazer de quatro para animar seu namorado que acabou de perder o adorado Jack Russell Terrier.)
Passar as contas da pasta azul para o QuickBooks.
(Use todos os descontos, mesmo os vencidos.) Mandar contratos para o Lawrence revisar.

Nenhuma orientação específica. Logo depois entendi por quê. Ela havia escrito em cada página do documento com um marcador cor de laranja. Ridículo. Inaceitável. Pegar a roupa na lavanderia. (Recibo na minha mesa. Não pague se a mancha na manga esquerda da minha jaqueta mohair não tiver saído.) Que diabo é mohair? Entrega da Speedy Printing hoje à tarde. (Sem gorjeta. Ele atrasou dez minutos semana passada.)

A lista continuava. Tive que me segurar para não escanear a página e postar no blog depois da última resposta que ela deu a uma mulher que tinha problemas com o chefe. Em vez disso, aumentei o volume (Ida não permitia música no local de trabalho), dei vinte dólares de gorjeta para o entregador, (dinheiro da caixinha de trocados) e tirei uma hora de almoço com os pés em cima da mesa, tempo que usei para xeretar mais no telefone do Sr. Grande Babaca.

Olhei para os meus pés e admirei o trabalho do Tig, duas penas tatuadas no peito do meu pé direito, pendendo de uma tornozeleira de couro. Muito Pocahontas. Eu precisava passar no estúdio para ele fotografar o trabalho e pendurar na parede, agora que o inchaço havia desaparecido. Estava quase no limite do meu pacote de dados do mês, por isso usei o telefone dele para pesquisar Cole Sprouse no Google. Fiquei surpresa ao ver mais de mil resultados.

O primeiro era o site da empresa dele — Sprouse Financial Holdings. Cliquei no link. Era um site corporativo típico, tudo muito estéril e empresarial. A relação de empresas do grupo ocupava uma página e tinha de tudo, de construtoras a empresas de investimentos. O site cheirava a dinheiro antigo.

Eu podia apostar que papai ainda tinha um escritório enorme e visitava a sede todas as sextas-feiras depois do golfe. O tema comum no site também parecia resumir o empreendimento — administração de riqueza. O rico fica mais rico. Quem estava administrando meus bens? Ah, espera. É verdade. Eu não tinha nenhum. A menos que a gente contasse meu grande rack. E eu também não tinha ninguém para administrá-lo. Cliquei na aba “Sobre Nós”, e meu quixo caiu. A primeira foto era do próprio Adônis, Cole M. Sprouse.

O cara era lindo, sério. Nariz cheio de personalidade, queixo esculpido e olhos cor azul. Algo me dizia que ele podia ser descendente de gregos.

Lambi os lábios. Droga.

Li a biografia que acompanhava a foto. Vinte e nove anos, formado com honra máxima em Wharton, solteiro, blá-blá-blá. A última frase me surpreendeu: o sr. Sprouse fundou a Sprouse Financial Holdings há apenas oito anos, mas seu diversificado portifólio de clientes concorre com as mais antigas e prestigiadas empresas de investimento da cidade de Nova York.

Acho que errei sobre o papai. Limpei a saliva do teclado e passei para a aba “Equipe”.  Havia uma relação de trinta diretores e gerentes. E ali também existia um tema comum. Formação primorosa e cara fechada. A exceção era um renegado que se atreveu a sorrir para a foto corporativa. Ben Schilling, gerente de marketing.

Entediada com a vida corporativa, mas ainda adiando a volta à minha lista de tarefas, fui de novo aos contatos no celular de Cole. Passei pelo nome Avery e me perguntei se o sr. Grande Babacas só irritava as mulheres. Alguns nomes abaixo de Avery, encontrei o primeiro homem: Ben. Hummm. Sem pensar muito, mandei uma mensagem de texto:

Cole: E aí?

Fiquei animada quando vi os três pontinhos pulando, indicando que ele digitava uma resposta.

Ben: Trabalhando naquela apresentação. Vai estar pronta amanhã de manhã, como planejado.

Cole: Ótimo. Vou pedir para Linda encaixar você na minha agenda.

Pelo menos eu acertava o nome dela. Vi os três pontinhos começarem a pular, depois pararem. E voltarem a pular.

Ben: Pensei que Linda não voltaria mais. Depois do que aconteceu na reunião ontem.

Agora ele estava progredindo. Eu me endireitei na cadeira.

Cole: Aconteceu muita coisa na reunião ontem. A que está se referindo especificamente?

Ben: Hummm... ao momento em que você gritou está demitida, saia do meu escritório.

O cara era um completo babaca. Alguém tinha que dar um jeito nele. Abri o Safari e recuperei a última página que tinha visitado. No meio da tela, encontrei o que estava procurando: Meredith Kline, Gerente de Recursos Humanos.

Cole: Talvez eu tenha sido um pouco ríspido. Passei a tarde inteira em reuniões. Pode passar pelo RH e pedir para Meredith pagar um mês de rescisão a Linda?

Ben: É claro. Tenho certeza de que ela vai ficar muito agradecida.

Se eu fosse gentil demais, ele ia acabar desconfiando de alguma coisa.

Cole: Eu fico agradecido por não ser processado. A gratidão dela não me interessa.

Achei que tinha ido longe demais, e joguei o celular na bolsa antes de fazer um estrago ainda maior. Amanhã devolveria o aparelho. E estava ansiosa para encontrar o cretino pessoalmente.


Notas Finais


desculpem a demora pra postar aaa


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