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História Metrone - Capítulo 11


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Notas do Autor


Primeiro capítulo do segundo Arco! Espero que aproveitem!
Ilustração desse capítulo feita pela Lala! >:DDDD

Capítulo 11 - Estilhaços


Fanfic / Fanfiction Metrone - Capítulo 11 - Estilhaços

--Scott—

Os corredores do Hospital pareciam querer brincar com o pouco senso de realidade que ainda sobrava na consciência de Scott. De um lado, listras azuis e setas vermelhas delineavam o centro das paredes cinzentas e frias, sobrepostas por placas de indicação e um quadro de avisos, abarrotado com papéis e registros hospitalares que o menino pouco se importou em checar. Em suas mãos, o embrulho multicolorido para presente parecia pesar mais e mais com o eco de seus passos pelo corredor vazio. Carregava algo que deveria entregar para uma pessoa importante, mas relutava para encarar o que deveria ser uma tarefa simples. A somatória de culpa que levava sobre os ombros só recebia acréscimos, especialmente quando veio a perceber que estaria presenteando Amy como uma maneira de apaziguar seus próprios conflitos internos, a compensação de um covarde.

À sua direita, diversas portas azuis se estendiam por além do que sua visão periférica alcançava, detentoras de plaquinhas enumeradas com a indicação de cada quarto. Parou frente ao quarto número 616, delineando a batente da porta com os olhos. Scott apertou as extremidades do embrulho, amassando o plástico, quase como uma forma de medir se tinha forças para encarar o que vinha a seguir. Constatou, pelas pernas bambas, o coração disparado e os suspiros irregulares, que não tinha.

Sentou-se sobre um banquinho estofado frente ao quarto de Amy. Numa tentativa de se acalmar e regular a ansiedade, deixou que seus olhos corressem sobre toda extensão do corredor, acompanhado em sua quietude solitária por um vaso de plantas, que parecia encarar Scott de volta com o mesmo descaso e desinteresse. O menino revirou os olhos, pondo-se a crer que até mesmo as plantas inertes caçoavam de sua fraqueza.

Saindo de um dos quartos, uma enfermeira de expressão apática guiava um homem idoso por uma cadeira de rodas, sem aparentar estar consciente, até a direção da cafeteria, desaparecendo no extremo oposto do corredor antes que Scott desviasse o olhar. O menino voltou a suspirar, sem perceber que mexia o joelho de um lado para o outro, farto de sua própria ociosidade. Mentalmente, buscava uma maneira de cumprimentar Amy que escondesse a tempestade de culpa que o afligia por dentro. Precisava forçar uma atitude positiva, algo que deixasse a namorada entusiasmada o suficiente para que ela pudesse lidar com o restante de tempo tedioso que passaria internada.

‘’Namorada’’. Scott não sabia porque essa palavra havia vindo à mente. Não eram namorados, até onde ele sabia, e isso era mais uma das coisas que se classificava como sendo culpa inteiramente dele, de sua falta de ação. Não havia dado uma resposta certa para Amy, ignorara os sentimentos dela sem qualquer consideração, não por não haver uma resposta certa, mas porque Scott não sabia como dizê-la. Palavras falhavam, especialmente depois de tudo que havia acontecido entre os dois.

Se ergueu, decidido a encarar seus medos e fazer o que achava ser certo por Amy. Deu dois passos à frente, segurando a respiração involuntariamente, e empurrou a porta de leve, que ainda assim se deu por ranger de maneira estridente, entregando sua presença antes que Scott pudesse planejar uma entrada mais sutil. Dominado por um ímpeto de coragem injustificado, decidiu consigo mesmo que era mais fácil entregar o jogo de vez e formular uma explicação em seguida, por mais sem sentido que a ideia fosse lhe parecer caso considerasse uma segunda vez:

- Amy... eu... eu gosto de você!

Sua exclamação foi recebida por olhares confusos de um trio de idosos que jogavam uma partida silenciosa de dominó. Sentindo o rosto se tornar rubro e o pânico perfurar seu coração como uma faca de dois gumes, Scott gritou o melhor pedido de desculpas que veio à mente e fechou a porta do quarto 617 com um baque. Nunca mais, ele jurou para si mesmo, ia fazer as coisas sem reconsiderar duas, três ou quatro vezes.

Soltou um suspiro de alívio ao perceber que o corredor permanecia vazio e ninguém mais havia presenciado sua confissão errônea e vergonhosa. Voltou-se para a porta certa: Quarto 616, e deu duas batidas relutantes antes de entrar. Dessa vez, a voz familiar e reconfortante de Amy respondeu do outro lado da porta:

- Pode entrar!

Scott seguiu o convite, entrando timidamente pela porta e mantendo-se certo de que seu olhar não cruzaria com o de Amy. Ao invés disso, focou-se em qualquer outra coisa: A janela aberta por onde a brisa e a luz do dia se uniam para recobrir o quarto num brilho vívido e fresco, a televisão de tubo fixa próxima ao teto e frente à cama, o chão límpido e as paredes desprovidas de cor, tudo tão higienizado e desinteressante como se seria esperado de um cômodo para abrigar pessoas doentes.

Por fim, forçou-se a reconhecer a presença de Amy, deitada sobre uma cama hospitalar recostada contra a parede. Recobria-se até a cintura com cobertas limpas e bem dobradas, e até mesmo suas roupas hospitalares, que em outras pessoas poderiam parecer sem graça, recaiam bem sobre Amy, e os raios de sol acentuavam o contorno de seu sorriso.

- O que foi, bobo? Vai ficar parado aí? – A menina exclamou, indicando uma cadeira ao seu lado.

- Ah, sim, foi mal! – Respondeu Scott sentando-se próximo ao leito da cama. – Eu trouxe... isso aqui, pra você.

- Presente? Então eu tenho direito a esse tipo de coisa agora também? – Ela riu, desfazendo a embalagem com delicadeza.

Amy estendeu o moletom azul e estrelado diante da cama, não contendo a reação de surpresa e puro deleite. Seus olhos pareceram se perder diante das pequenas estrelas douradas que enfeitavam o céu noturno na estampa, e um sorriso singelo se formou sobre seu rosto.

- É lindo, Scott! – Amy exclamou, abraçando o moletom e sentindo a maciez do tecido contra a pele.

- Minha mãe achou que fosse uma boa ideia. – O garoto coçou a nuca, incerto. – Te dar um presente, digo. Eu escolhi esse, não tinha certeza se era o seu tamanho, mas...

- É perfeito! – A menina respondeu, alisando o presente entre as mãos.

- Fico feliz que tenha gostado. – Sorriu. – Mas então, a coisa da mordida de cachorro colou mesmo com os médicos?

- Um deles disse que parecia mais uma mordida de tigre, mas acho que foi só pra me zoar. Mas é eu tô ótima, eles trataram com cuidado, e tudo que eu quero agora é sair daqui. A enfermeira disse que eu deveria esperar mais alguns dias para a ferida sarar completamente e pelos resultados do exame de sangue, mas... e você?

- Ah, isso não foi... não foi nada. – Scott respondeu, encarando as pequenas cicatrizes vermelhas e cortes sobre as costas do punho fechado. – Disse pra minha mãe que cai de bicicleta e acabei ralando as mãos. Levei um sermão, mas ela ficou mais preocupada com você quando eu falei sobre a coisa da mordida. Mas, ei... como tá o seu irmão? Não ouvi falar nada dele nos últimos dias.

Amy desviou o olhar, fitando as cortinas azuladas que se desdobravam com o vento. Sua expressão, que Scott reconheceu como um misto de placidez e ansiedade, pareciam querer esconder sua relutância em responder à pergunta.

- Eu não sei. – Amy confirmou, franzindo o cenho ao encarar o chão. – Ele não fala muito desde que me trouxe pra cá. Me visitou uma vez só, e agora só fala por mensagem de texto, perguntando o básico.

- E ele não diz mais nada? Como ele tá?

- Não desde que a gente escapou daquele bicho. – Amy assentiu com a cabeça. – Eu achei que iríamos nos aproximar mais, só que... com a morte de...

- Samantha... – Scott completou, escondendo sua expressão derreada por mirar os olhos sobre o chão.

- Eu não... eu não esperava encontrar ela lá. Quer dizer, eu nem lembrava dela. Foi... foi a coisa mais horrível que já aconteceu comigo. Eu me senti tão mal... e ela morreu, e eu estava lá com ela, nos seus últimos momentos e eu não consegui fazer nada. Se eu tivesse me lembrado, se eu tivesse sido como Jason... acreditado em vocês, as coisas teriam sido diferentes. Samantha ainda poderia estar viva. – Amy confessou.

- A culpa é toda minha, Amy. Aquela coisa... fui eu que criei. O Dara’era. Isso veio tudo da minha cabeça, da minha imaginação, e agora... agora incontáveis pessoas morreram por algo que eu desenhei. Samantha sendo uma delas. E você foi ferida, e o Jason foi ferido, e a namorada dele morreu por minha culpa. Como ele pode me olhar nos olhos depois disso? Eu fiz tanta gente sofrer...

Scott sentia como se o silêncio gélido lacerasse sua alma. Não esperava nenhuma reação de Amy, e pelo pouco que havia dito, já havia quebrado o acordo que fizera internamente consigo mesmo para não entrar no assunto, não mencionar o horror pelo qual os dois haviam passado. Não queria deixa-la para baixo, não deveria permitir que Amy se recordasse dos eventos dolorosos que ocorreram meros dias atrás, quando estiveram à dois passos em direção ao inferno, mas até nisso havia falhado.

 Amy acariciou as mãos frias de Scott, entrelaçando seus dedos com os dele. Permaneceram absortos em um silêncio contemplativo, sem encarar um ao outro, incertos do que o futuro guardava e de como deveriam lidar com tudo que sofreram.

- Essa semana, ocorreu um aumento no valor das ações da subsidiária de pesquisa e desenvolvimento nas Corporações Metrone... – A repórter anunciou, por entre a estática e o chiado da televisão de tubo. – Acredita-se que isso tenha relação com o anúncio recente do CEO Henry Deville...

- Se ligou... sozinha? – Scott arqueou a sobrancelha.

- Ah, acontece isso as vezes. Esse lugar é bizarro, espera só até você ver as opções deles na cafeteria.

- E olha que eu tava pensando em pegar um iogurte lá ou coisa assim.

- É sério, nem tente, eu já vi aquela coisa grudar no teto e não saiu até hoje.

- Seu cabelo tá bonito. Vai deixar crescer agora?

- Ah, sim, acho que sim. – Amy respondeu, alisando a mecha que escorria pelo ombro. – Nem deu tempo de lavar. Você prefere assim?

- Uhum. – Scott recostou a cabeça sobre a parede. – Falta pouco pras aulas acabarem. Espero que eles não registrem suas faltas extras injustamente, ou pode acabar reprovando.

- Isso seria uma completa injustiça, eu sou uma ótima aluna! – Amy franziu o cenho.

- Você faltou quase um bimestre inteiro ano passado.

- Mas não esse ano!

- E também tem a coisa da festa de aniversário do Mark. O dia tá se aproximando, ele não para de me falar sobre.

- A gente tem mesmo que ir...? – Afundou o rosto sobre o travesseiro.

- Sim, Amy. É importante pra ele, e ele é nosso amigo. Isso vai ser bom pra gente, precisamos nos distrair de... de tudo que aconteceu.

- Certo, vou convidar o Jason também.

- Haha, eu adoraria ver isso. Imagina a reação do Mark!

- Mas ei, Scott... você sabe que tudo que aconteceu... você precisa entender que nada foi culpa sua, tá bom? Nós mesmos não entendemos essa coisa, é tudo... é tudo estranho demais.

- É eu vou... eu vou tentar viver com isso. – Scott assentiu, incerto. – Mas até agora, tudo que sabemos é que um monstro que eu criei se tornou real, e matou pessoas. Eu preciso achar uma forma de compensar por... tudo.

- O que aconteceu com os falecidos, por sinal? – Amy questionou. – As famílias deles... se lembram agora?

- Não, eu... eu acho que não. Ou a gente veria nas notícias, os policiais buscando pelos desaparecidos... não seria como eu escrevi. A memória deles morreu junto com o Dara’era, quando saímos de lá. Os traços físicos ainda devem existir, e talvez as pessoas percebam eles agora, mas ninguém realmente se lembra.

- Eu entendo... – Assentiu Amy, entristecida. – Mas... ei, você sabe de algo? Eu te devo muito.

Scott franziu o cenho, sem entender. O que ele poderia dever à Amy? Havia sido inteiramente responsável por colocar sua vida em perigo, junto com a de seu irmão. Algo que ele criou poderia ter despedaçado a menina, e ele não teria como intervir. Pessoas morreram por sua causa, e a cada segundo, sua consciência o forçava a se lembrar disso.

- Você salvou minha vida! – Amy sorriu. – E a de Jason também. Não estaríamos aqui se não fosse por você, Scott.

- Foi você que matou o Dara’era, eu só estava lá. – O rapaz forçou um sorriso.

- É, talvez parte dos créditos sejam meus! – Amy respondeu, sorrindo num misto de pretensão e sarcasmo. – Mas quem diria né? Por causa daquela coisa, talvez eu precise usar óculos agora. Mas acho que vai ser legal, você me disse uma vez que me acha atraente de óculos.

- Eu... disse isso?

- Não, mas vai dizer. – Amy riu.

Scott sorriu, e pela primeira vez em muitos dias, reconheceu que se sentia genuinamente feliz. Estava na companhia de Amy, e o conflito havia acabado. Ele ainda teria que lidar para todo sempre com a culpa e a dor causadas pelo que tiveram de enfrentar, mas desde que permanecessem juntos, Scott sabia que tudo terminaria bem. Nunca mais ele deixaria que algo ferisse sua querida Amy novamente, e faria todo possível para estar ao lado dela. Ao parar para contemplar seu próprio comprometimento, percebeu que quase perde-la havia imposto nova luz sobre seus próprios sentimentos em relação à amiga. Estariam sempre juntos, de agora em diante.

Como uma forma de simbolizar sua nova visão, Scott pegou uma folha de papel branca e uma caneta, deixadas sobre a cômoda ao lado. Antes que Amy pudesse perguntar, ele concluiu o esboço rápido de um pato usando uma roupa de marinheiro, com os dizeres: ‘’Este é o patarinheiro. Grande felicidade virá para você, mas apenas se melhorar logo’’ e deixou nas mãos da amiga.

- Até depois, Amy. – Ele concluiu, se erguendo e atravessando a porta.

- Scott? – A menina chamou, com um sorriso.

- Sim?

- Eu gostei do seu corte de cabelo. Fica bonito assim.

- Obrigado. – Respondeu Scott, ajeitando o cachecol para recobrir as maçãs do rosto e voltando pelo corredor.

--

Uma camada rasa de neve descorada recobria todo distrito residencial como um manto branco e fino, cintilando pela escuridão da noite com um brilho argênteo. A luz áurea dos postes de luz solitários formavam elipses douradas sobre o chão, separados por alguns poucos metros de profunda obscuridade. Ladeada por casas pequenas e carros estacionados, a rua se estendia muito à frente, dividindo-se numa encruzilhada que seguia até a vizinhança de Scott, no extremo mais distante do complexo.

Seus passos ecoavam solitários pela neblina límpida e gélida que envolvia todo distrito residencial. Scott se xingava mentalmente por ter pego o ônibus ao invés de pedalar de bicicleta até o Hospital, perdendo o ponto quando ia realizar o retorno. Ao invés de esperar por mais uma hora, decidira andar sozinho até sua casa, mesmo que o frio álgido e a escuridão o forçassem a reconsiderar suas decisões de vida. Ainda assim, já era tarde demais, e mesmo que não houvesse sequer outra pessoa ou sinal de presença humana além do brilho tênue e distante emanando através das janelas de casas próximas, o menino estava decidido a continuar seu caminho. Só precisava chegar em casa.

A neve descoloria o mundo, dividindo o horizonte entre branco e preto, e o céu quase parecia querer cravar suas raízes na superfície através dos troncos de árvores tortas e enegrecidas pela noite. Há pouco havia parado de nevar, e agora, o mundo entrara em completo silêncio.

Acompanhado apenas pelos sons dos próprios passos, Scott afundou as mãos sobre os bolsos do casaco, distraindo-se por tentar distinguir as diferentes formas que cada floco de neve tomava ao decair lentamente pelo céu. Talvez, o menino ponderou, fosse até impossível distingui-lo em meio à neve, seus cabelos brancos que esvoaçavam com a brisa e o casaco cinza claro que vestia. Ainda assim, a súbita reação de pânico que se suscitou sobre Scott quando ele percebeu que estava sendo observado não passou injustificada.

O menino olhou para trás, encarando o desconhecido através da neve. À primeira vista, não havia nada além de alguns poucos carros estacionados próximos à calçada, parcialmente encobertos pelo mesmo manto pálido e gélido. Foi então que viu, agachada por detrás de um dos veículos, a silhueta de uma mulher, o encarando de volta.

Scott esfregou os olhos, incerto de que o que via era real. A imagem se reformou numa presença mais clara, mesmo que ainda distante, de uma figura estranha: Uma mulher de cabelos louros e curtos, vestindo pouco mais do que um vestido rosa claro que contrastava diretamente com o branco da neve. Seus olhos exorbitantes fitavam Scott com intensidade, e ela sorria um sorriso torto que mais parecia ser produto de um espasmo muscular. Scott sentiu seu coração pular uma batida, e quebrando contato visual com a figura, olhou em volta da rua para se certificar de que não havia mais ninguém além dos dois.

Ao se voltar para fitar o lugar onde a mulher deveria estar, Scott constatou que não havia nada. O menino esfregou os olhos mais uma vez, e dando dois passos para a esquerda, tentou avistar se a figura se escondia por detrás do carro, mas ela não estava lá. Receoso, Scott retomou seu caminho com passos apressados, determinado a chegar em casa assim que fosse possível.

Não demorou muito para que avistasse sua residência nas proximidades, guiado pela velocidade e insegurança de seus próprios passos. Scott pôs-se a correr durante os últimos segmentos do percurso, pulando a pequena cerca que dividia o quintal e subindo pela escadinha que rangia com seu peso. Tirou a chave do bolso e abriu a porta, perscrutando com o olhar pelos arredores por uma última vez antes de trancar a entrada da casa. Suspirou, sentindo-se seguro.

- Não achei que fosse demorar tanto! – Diana se atentou a presença do filho. – Perdeu o ônibus?

- É, desculpa por não avisar, a internet não queria funcionar. – Respondeu Scott, enrolando o cachecol sobre o cabideiro.

- Então, como ela está? Ela gostou do presente?

- Sim, até que bastante. Seria legal se você fosse visita-la também, mãe.

- Eu vou, só preciso... só preciso resolver algumas coisas antes. – Diana respondeu, olhos fixos sobre a luz de LED do Notebook. – O investimento acabou saindo... um pouco errado.

- Tudo bem então. Não vou jantar, tô cansado então já vou pro meu quarto, se não se importar. – Assentiu Scott, subindo pelas escadas.

- Filho, espera. – Diana pôs o Notebook de lado. – Senta aqui, vamos conversar um pouco.

Com um suspiro de resignação, Scott obedeceu, sentando-se no sofá ao lado da mãe. O Notebook ainda ligado sobre a mesinha exibia um gráfico de índices em formato de pequenas torres, verdes e vermelhas, em estado de consolidação. A televisão ligada transmitia uma reportagem sobre as cotações mais recentes na bolsa de valores.

- Tá difícil falar com você hoje em dia. – Diana afirmou, deitando o braço sobre o ombro do filho. – Parece até outra pessoa. Tá tudo bem na escola?

- Sim, tá sim, mãe. – Scott assentiu, encarando o vazio. – Tá tudo normal. Posso ir lá pra cima agora?

Diana se recostou sobre o sofá, apoiando o rosto sobre a mão. Sua expressão inextricável e os olhos fixos sobre o filho pareciam querer desenredar os sentimentos e problemas que afligiam o menino, mas era claro para Scott que ela não sabia por onde começar. E mesmo que soubesse, não haveria efeito. Não com o tanto de culpa que carregava sobre os ombros, um peso que ninguém além de Amy, e talvez Jason, pudessem compreender. Mas eles nunca poderiam partilhar.

- O que aconteceu, filho? – Diana questionou. – Você... sabe que pode falar comigo sobre isso. Sobre qualquer coisa. Eu entendo se não quiser, mas se for algo sério, se precisar de ajuda... eu estou aqui por você, eu sou sua mãe e eu te amo.

- Eu também te amo. Mas é sério, eu tô bem, só cansado... por causa das aulas. Mas vai passar, tá bom? Não precisa se preocupar.

Diana assentiu com a cabeça, visivelmente preocupada.

- Eu tive que fazer o retorno caminhando, então eu tô meio cansado... posso ir dormir agora, mãe?

- Sim, querido. – Diana respondeu, afagando os cabelos do filho. – Durma bem.

Scott se ergueu, retornando pela escada até seu quarto. Antes que subisse o último degrau, ouviu sua mãe dizer:

- Ah, mais uma coisa. Era pra ser uma surpresa, mas... a Lana tá vindo nos visitar. Ela vai chegar amanhã, pra te fazer companhia!

- Certo... – Scott assentiu, fechando a porta do quarto.

Deitando sobre a cama, o rapaz afundou o rosto no travesseiro, abraçando as cobertas e colchas estreladas para escapar do frio. Sentiu uma vibração no bolso e tirou o celular, verificando a mensagem que havia recebido de Mark: Rumores recentemente vazados na Internet sobre a existência de monstros criados por radiação nuclear na cidade vizinha. Scott deixou o aparelho sobre a cômoda ao lado, permitindo que seu corpo rígido relaxasse conforme suas pálpebras vacilavam e se fechavam, os olhos atentos ainda fitando o quadro negro parado pouco menos de um metro à frente, no centro de seu quarto.

‘’E agora?’’ – Questionavam os dizeres escritos em giz de cera.

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Believe me darling, the stars were made for falling.


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