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História Meu Ahjussi (Namkook) - Capítulo 4


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Notas do Autor


Mil desculpas pela demora, tive probleminhas pessoais. Boa leitura!!!!

Capítulo 4 - Capítulo quatro


Fanfic / Fanfiction Meu Ahjussi (Namkook) - Capítulo 4 - Capítulo quatro

 

Kim Namjoon estava arrependido.

Arrependido de ter quase beijado Jungkook, e ter sido hipócrita consigo mesmo ao pensar que não deveria dá aberturas a outras ideias sobre os dois, mas havia sido exatamente o que tinha feito na sexta feira que passou.

Se sentia um traidor.

Mesmo que não tivesse consolidado suas intenções, ainda as tivera; a ânsia, a vontade de tomar os lábios bonitos e bem delineados nos seus, de abraçá-lo para aquecê-lo com seu próprio corpo, de correr as mãos pelos cabelos castanhos que precisavam de um corte. E isso era o bastante para que ele se sentisse mal ao deitar ao lado da esposa. Era o bastante para fazê-lo baixar o rosto e olhar para os próprios pés todas as vezes que ela lhe dirigia a palavra.

Traição era para ele o que significavam as mentiras que acumulava em sua consciência, sobre o quanto não queria aceitar aquele sentimento crescente em seu íntimo.

Não tinha necessidade de validação, não queria apenas sentir-se desejado por alguém mais jovem. Era o mais puro e doce desígnio de tocá-lo e conhecê-lo em todos os aspectos que lhe fossem disponibilizados. Namjoon queria cuidar do rapaz, no sentido mais definitivo da palavra.

Queria manter o olhar denso e estrelado só para si. Sentir-se esquentar, o coração acelerar todas as vezes que o sorriso de coelho se mostrava. Queria saber onde ele morava, se sua cama era confortável o bastante, se sua casa era propícia para o abrigar preciosamente. Queria saber de onde vinham suas cicatrizes e impedir que ele adquirisse novas.

Na segunda-feira, quando chegou ao trabalho e o viu vestido no casaco de couro que o cobria tão perfeitamente, como se feito sob medida, quase se arrependeu novamente. O cair na consciência de que Jungkook era bonito demais para qualquer padrão foi forte sobre si e suas mentiras, quando a supervisora Hwasa o elogiara abertamente, fazendo o menino baixar a cabeça com um sorriso tímido e bochechas em chamas. Adorável.

Mas a nova semana também trouxe a aproximação de uma data importante, que o fazia lembrar-se do quão errado era o que havia cultivado em sua mente. Trazia seu aniversário de casamento e um jantar agendado, após fazer as pazes amigável e friamente com Moonbyul, no dia seguinte à briga. Data que vinha para acordá-lo para vida real; tinha mais de trinta anos, era casado e pai.

Não podia e nem deveria nutrir qualquer fantasia que tinha com o jovem. Era errado, inadequado e fora de sua conduta. E por essa razão estava-o evitando.

Respondia-o brevemente, desviava de seu olhar com dificuldade, matinha seus blinders abaixados. Também não ia mais ao telhado, o que o tornava irritadiço por não poder ir até lá para tragar um de seus cigarros após um copo de café na hora do almoço.

E perceptivo como era, Jungkook havia silenciosamente acatado o afastamento do homem. Havia parado de deixar bilhetes, havia parado de ir a sua sala e de segui-lo por aí sempre que podia. Obviamente isso o deixava desanimado. Ele ainda ia ao telhado para apreciar o céu por Namjoon, agarrava-se ao casaco que aos poucos ganhava seu perfume misturado ao dele. Não queria forçar sua presença ao advogado, e sentia que de qualquer maneira nunca seria para ele o que queria ser, alguém importante.

Tinha a antecipação costumeira de que hora ou outra o homem cansaria de si, sempre acontecia. Ninguém consegue estar disponível por muito tempo e há razões para a caridade só ser feita excedentemente uma vez por ano, no natal. A manutenção da bondade era cansativa para a maioria das pessoas, preocupadas demais com as próprias vidas e questões para se importar com uma criança ao relento.

Durante sua vida, Jeon se deparara com diversas figuras que o ajudaram por um tempo, que o fizeram sentir esperança de que poderia recorrer a alguém. Mas elas sempre sumiam depois de algumas visitas -onde lhe davam roupas e alimento- e depois de ver o quão problemática sua situação era.

Não que esperasse que alguém tomasse responsabilidade por si ou algo do tipo, ninguém tem obrigação de cuidar de ninguém. Mas era bom se sentir cuidado e querido. E ao se tratar do Kim havia a vontade de ser visto, da forma que apenas o homem parecia vê-lo. Alguém que era mais que o pobre menino de Busan, com a avó acamada e uma dívida crescente.

Não conseguiu evitar segui-lo quando, após três dias, ele subira ao telhado com o diretor, mesmo que mantivesse sua presença nos auriculares, precisava vê-lo mais. A vista de sua mesa não era mais tão privilegiada quando impedida.

Havia discutido com Jimin sobre aquilo naquela semana, sobre estar se tornando um tanto obsessivo, quando o rosado dissera que iria encerrar o programa já que haviam mudado de alvo. Jungkook reagira muito mal a ideia.

O problema de não se ter recebido amor de forma livre é que não se aprende sobre como dar e receber de forma saudável. Quando se carece de algo por muito tempo e finalmente põe as mãos no que é almejado, o descontrole e a fome por tal coisa é perigosa, prejudicial.

Essa linha existia e Jeon não a conhecia bem.

Estava habituado a fazer qualquer coisa por quem amava, esteve sempre à beira de medidas desesperadas, enganado demais sobre o que, ou como algo que faz bem deveria ser.

Dietas restritivas nunca funcionam, sempre levam a compulsão; o não aguentar mais ficar sem um bolo de chocolate durante a semana e ter que comer apenas alface para depois vacilar e empanturrar-se do doce, a dependência não podendo ser evitada. O desejo se tornando doença.

Talvez Kim Namjoon fosse o bolo de chocolate de Jungkook, e ele não aguentava mais nenhuma porcaria verde em seu prato.

— Gosto de como pensa. — Foi o que ouviu o diretor dizer quando subiu ao telhado, esgueirando-se por trás da construção que continha os dutos de ventilação. Sentindo-se irritado por não ter ouvido o início da conversa, abriu seu aplicativo e viu que funcionava, talvez estivesse com defeito.

— Já mandei um email a Yong Sun, ela virá no final da outra semana. — O tom de Namjoon era preocupado, ele olhou para trás fazendo com que Jungkook se escondesse atrapalhadamente.

— Essa é a melhor notícia que recebi hoje, sinceramente. A delegada é sempre uma presença maravilhosa. — Jung In Ha deu um suspiro satisfeito e jogou sua bituca de cigarro no chão, apagando-o com o sapato caro. Namjoon pareceu incomodado com aquele ato e apagou o seu com os dedos, mantendo-o na mão fechada.

— Pode confiar nessa coisa? — Apontou para algo na outra mão do advogado, uma sobrancelha arqueada e as mãos nos bolsos da calça de alfaiataria.

O loiro apenas assentiu levemente, e folgou o nó de sua gravata vermelha como se a peça o estivesse sufocando.

— Acho que é hora de ir, diretor. O horário do almoço acabou. — O Kim disse checando no relógio de pulso. O outro homem sorriu e assentiu, olhando ao redor para então se despedir e começar a caminhar para a porta, o que fez com que o Jeon tivesse que contornar onde estava escondido. Agachado e se afastando de costas, grudado na superfície de cimento.

— Ninguém te ensinou que é feio ouvir conversa dos outros? — A voz enrouquecida ecoou por seus fones e também atrás de si, fazendo-o pular com a mão no coração.

— Ahjussi! Que susto! — Ralhou nervosamente após se virar para o advogado que o fitava sério mas com uma sombra de humor nos olhos pequenos.

— O que está aprontando? — Perguntou cruzando os braços fazendo com que o tecido do blazer chumbo se esticasse nos braços fortes. Não estava realmente irritado, apesar de aquela ser uma conversa a qual ele desejava manter privada, não conseguia não sentir-se bem ao colocar os olhos na figura à sua frente.

— Eu só vim fazer companhia. — Disse olhando ao redor enquanto coçava a nuca, sem jeito por, pela primeira vez, ser pego fazendo algo errado naquela empresa, e logo por Namjoon.

O mais velho apenas suspirou, desconfortável na própria pele, sem conseguir lidar com o garoto, sem conseguir mais ignorá-lo. Naqueles dias, repensou toda dinâmica de sua vivência. Desde seu primeiro amor, até o presente. Onde sua vida parecia ter saído dos trilhos.

Ele achava que estava no controle de tudo, trabalhava muito para estar a par de toda a bagunça envolvida ao seu redor -mas Jungkook nunca esteve nos planos- ele se fez presente da pior e melhor maneira possível. Era refrescante, preocupante, inconveniente, bom, tudo ao mesmo tempo. Excitante de maneiras opostas.

— Talvez amanhã. O horário de almoço acabou. — Foi o que disse antes de se direcionar para a porta, ignorando o olhar decepcionado que o rapaz lhe direcionou antes de segui-lo.
 

A luz do sol estava forte para um dia como aquele, onde na televisão alta de um comércio pequeno a moça do tempo dava esperanças sobre a primeira neve do ano. Claro que aquilo só era animador para quem era capaz de proteger-se do frio e aproveitar para brincar com o gelo.

Precisaria de mantas novas e casacos mais espessos, fez essa nota mental.

Saindo da pequena venda com uma sacola cheia, rapaz esgueirou-se pelos becos, pensativo enquanto também carregava consigo a cadeira de rodas dobrável que havia pechinchado em uma feira de trocas, onde obviamente 90% dos artigos eram roubados. Tal fato não fazia muita diferença para ele, estava feliz em levar aquilo para casa.

Entretanto, seu estado de espírito não durou muito tempo quando foi puxado bruscamente pela gola da jaqueta jeans, fazendo com que ele soltasse o que carregava, por reflexo.

O som da cadeira despencando no calçamento foi alto, antecipando o pior.

— Onde ele 'tá?! — A voz de In Yeop fez o coração do rosado acelerar significativamente, não sentia medo dele, mas temia pelo o que o outro faria se encontrasse Jungkook.

— Se ele quisesse que soubesse ele mesmo teria dito. — Disse se soltando bruscamente e virando-se para olhá-lo. Não pode evitar a expressão de pena que tomou seu rosto angelical ao ver o grande corte que cruzava a bochecha magra do outro. — O que aconteceu?— Ergueu a mão fofa para tocá-lo, mas foi impedido sendo segurado pelo pulso.

— Agora se importa comigo, 'saeng? — Sorriu de lado puxando o mais baixo para mais perto, fitando com raiva os olhos gentis.

— Você ainda é meu irmão apesar de tudo, gostaria de não me sentir um idiota por ainda me importar com você. — Jimin disse afastando-se, a testa franzida pela forma que arqueava as sobrancelhas descontentes.

Sentia falta de In Yeop, nunca negaria. Apesar de terem seguido cada um com sua própria vida desde o que acontecera há cinco anos atrás, ele ainda tinha a lembrança fresca do companheirismo e das brincadeiras infantis que mantinha o laço dos irmãos Park com Jungkook.

— E demonstra isso escondendo aquele merda que chama de amigo? Depois do que ele fez? — A boca do mais jovem amargou, e ele desviou o olhar, respirando profundamente.

— Depois do que eu fiz, você quer dizer. — Disse de maneira fria, In Yeop riu, alto e falso.

— Acha que eu sou idiota pra cair nessa historinha de vocês como a polícia caiu? Você vai mesmo insistir em se ferrar pra continuar protegendo aquele a- — O escárnio do tom do mais alto era palpável.

— Não fala assim dele. — Cortou rapidamente, apenas a menção da palavra o machucando.

— É o que ele é! — Gritou.

— Não! Ele não é! O nosso pai que era um monstro, hyung! Um maldito monstro! E você está se tornando exatamente o que ele era. — Jimin tinha a voz afetada, os olhos pequenos se encheram de lágrimas que não cairiam. — Deixe o Jungkook em paz, por favor. Você o amava.

— Não. — O mais velho disse em um tom baixo, o olhar se tornando escuro, doentio, Jimin precisou desviar suas orbes para os próprios pés enquanto balançava a cabeça. Um papel foi jogado em seu rosto e ele o apanhou assustado antes que caísse no chão, voltando a face para In Yeop, interrogativo.

— Eu paguei a droga da casa de repouso, agora ele me deve mais 4 milhões.

— Hyung ... inferno! Não faz isso ... — O menor pediu, sentindo seu peito afundar ao encarar o comprovante de pagamento.

— Eu não sou mais seu irmão, escolheu seu lado naquela noite. Não tem mais o direito de me chamar assim. — Cuspiu antes de virar as costas e ir embora, deixando um Park choroso para trás, a face voltada para o céu enquanto tinha mãos na cabeça, sem saber mais como ajudaria o amigo e o tiraria daquela situação.

Aquela era uma quantia alta até mesmo para alguém que trabalhava tanto como ele. Afinal, a maior parte ia pro seu chefe e a droga da organização criminosa em que havia se metido.

Além de tudo, o Jeon nunca aceitava muito de si, tinha vergonha e sempre fazia questão de devolver qualquer mínima quantia emprestada. Dizia que Jimin já havia feito demais por ele; e de fato havia, e não se arrependeria nunca de tal ato. O moreno era seu melhor amigo, seu irmãozinho, seu Jungkookie e não merecia tanta coisa ruim acontecendo em sua curta existência.

Era desesperador ver no que suas vidas haviam se tornado, lembrava-se da versão mais jovem dos três, deitados na calçada enquanto sonhavam sobre o que queriam ser quando crescessem. Lembrava-se de si dizendo que se tornaria um delegado, mas havia acabado como alguém de ficha suja e que os que ele admirava conheciam o nome, mas pela má fama.
 

O resto da semana se passou lentamente para o advogado, e sua preocupação se tornava cada vez mais latente. Todas as manhãs que se seguiram, levava sua atenção para a pequena mesa do canto, que encontrava-se desocupada novamente.

Jungkook não aparecera mais depois do dia no telhado, e aquilo estava o deixando inquieto. Imagens do garoto com o olho inchado foram trazidas à tona por sua memória, algo como aquilo havia ocorrido de novo? Poderia ter sido pior que da última vez e por isso ele não aparecia?

Pensou em ligá-lo, mas ao encarar os números na tela de seu celular desistiu, achando inapropriado que ele simplesmente procurasse contatá-lo apenas por não o estar vendo, apenas porque sentia falta.

Havia perguntando por aí, tentando não parecer muito interessado quando teve que fazer suas próprias cópias, e aparentemente ele estava doente. O que não amenizou o atormentamento sobre a ausência do mais novo. Se ele ao menos soubesse onde ele morava poderia fazer uma visita? Levar-lhe um pouco de sopa para ajudá-lo a melhorar? Havia alguém cuidando dele? Quão grave era sua suposta enfermidade?

Negou-se a continuar pensando sobre, procurando não sentir-se um completo idiota por tê-lo povoando seus pensamentos, calando qualquer outro assunto sobre o qual Namjoon deveria dedicar-se a pensar.

Caminhou em direção a seu apartamento como se aquele fosse o caminho para a forca e não se deu conta da luz da iluminação baixa e do silêncio atípico ao deixar os sapatos na área de entrada.

— Finalmente chegou! Achei que teria que reaquecer a lasanha. — A voz de sua esposa o despertou do torpor causado pelo cansaço e olhos escuros em sua cabeça.

— Eu não sabia que estava esperando por mim, porque não avisou? — Disse enquanto adentrava mais a sala, vendo que a mesa de jantar estava posta com nova louça e margaridas no centro, assim como uma garrafa de vinho caro junto de duas taças vazias. A iluminação era por conta de velas aromáticas dispostas pela sala. Engoliu seco.

— Eu queria fazer uma surpresa. Óbvio! — A loira se aproximou sorridente, os cabelos longos soltos, emoldurando o rosto com pouca maquiagem, exatamente como ela sabia que o marido gostava. Assim como o vestido preto curto e de tecido leve, meio transparente e estampado por flores azuis pastel, contrastando com o tom de sua pele clara.

— As crianças? — Perguntou baixo, ainda atordoado pelo ato inesperado. Faziam anos que não tinham algo daquela maneira, íntimo e romântico, e vindo da mulher que o afastara por todo ano, era ... desconfortável.

— No cinema com Taehyung, ele é uma ótima babá, você sabe. — Dizia retirando da mão do homem a pasta de couro e por trás seu sobretudo, fazendo-o saltar levemente ao sentir as mãos delicadas em seus ombros.

— Por ... pra que isso tudo? — Não conseguiu conter a língua, teve vontade de bater com a cabeça na parede ao notar que fizera a pergunta em voz alta.

Moonbyul suspirou, dobrando o sobretudo e o guardando no armário do hall. Havia feito aquilo porque sentira falta do marido, de como costumavam ser. Havia feito aquilo porque sentia que talvez fosse exatamente o que precisavam. Porque carecia de certezas sobre o que estava fazendo, ainda mais depois da discussão que tivera com Hoseok, que continuava se estendendo pois ela não suportava a ideia de Namjoon sendo machucado, mesmo que parte da responsabilidade fosse sua.

Não lembrava-se do momento em que se deu conta que amava o namorado e por conseguinte, o marido. Na verdade, pareceu certo que ela devolvesse o afeto que lhe era oferecido.

Ele sempre foi tão gentil, fazia-a sentir querida, desejada, bonita, interessante, inteligente. Tudo o que ela nunca acreditou que fosse. Ele fazia com que ela sentisse vontade de se olhar no espelho e se arrumar para vê-lo.

Amava os presentes, os mimos que ele lhe ofertava de maneira tão livre e ingênua. Nunca foi o tipo de amor avassalador que cegava para o resto do mundo, sempre foi morno e confortável. Uma escolha óbvia.

E por essa razão, com o passar dos anos, com as responsabilidades, com os filhos e com a tendência cuidadora de Namjoon ela foi perdendo toda a atenção. Sentiu-se colocada de canto, egoisticamente, imaturamente tal mudança afetou seus sentimentos, afetou sua autoestima, a forma como ela costumava se enxergar pelos olhos cativantes dele.

— Achei que esse ano deveríamos fazer algo mais confortável, mais intimista? — Riu por constrangimento. — Um jantar em um restaurante só me pareceu demais ... e igual o de sempre.

Continuou enquanto o pegava pela mão, o levando até a mesa e o fazendo sentar-se. O contato que deveria parecer certo fazia Namjoon querer encerra-lo imediatamente, flashes de outra mão sobre a sua o fizeram cerrar as pálpebras fortemente antes de encarar a entusiasmada mulher que agora o servia, parecendo muito satisfeita com sua preparação.

Ela começou a conversa falando sobre seu dia, e como a surpresa quase deu errado, e que Lisa havia lembrando-a de que margaridas foram as flores que o homem usara quando se declarara a Moonbyul.

O jantar seguiu sem muitas falas vindas do advogado, que sentia sua garganta fechar todas as vezes que tentava engolir a lasanha que teria um sabor melhor se ele não estivesse se sentindo tão mal com aquela demonstração de carinho.

Sua esposa ainda se importava consigo, enquanto ele fantasiava sobre um garoto de dezenove anos ao deitar-se ao seu lado para dormir. Sentiu suas orbes se tornarem mais molhadas à medida que seu prato se tornava mais vazio. Queria pedir desculpas a ela, mas teria que explicar pelo o que, seria vergonhoso.

Levantou-se para abrir a garrafa de vinho tinto, focando a atenção no líquido de aroma doce e alcoólico que preenchia as taças de cristal até o meio, as nuances de vermelho e roxo escuro nas sombras da luz das velas. Desejou que a noite acabasse mais rápido, mas como nos outros dias, o ponteiro no relógio parecia preguiçoso.

Sentou-se ao lado de sua linda esposa no sofá, admirando a forma com a qual ela deitava a bochecha no encosto, juntando as pernas esguias em cima do estofado, de lado. Ofereceu a ela uma das taças e sorveu rapidamente o conteúdo da sua, mais uma vez não dando grandes graças ao seu paladar, a pungência em sua língua sendo o único indicador da matéria aquosa que passava por ali.

— Joonie ... — Moonbyul tocou-lhe a face, o polegar recolhendo a solitária gota lacrimal que descera sem sua permissão ou consciência. — Tudo bem?

— Sim, eu ... — Não conseguiu continuar, nem se afastou, deixando-se relaxar nas mãos quentes que agora acolhiam suas bochechas.

— Tudo bem, não precisa contar se não quiser, eu sei que tem sido difícil. Eu sinto muito por tudo isso. — Disse com mais significados do que gostaria de externar, deixando-se aproximar-se e encostar a testa e logo depois a ponta do nariz no dele, um carinho que fez o estômago de ambos embrulhar, como a sensação de estar tocando em alguém pela primeira vez. De ser tocado por um estranho que acabou de conhecer na balada.

Eram marido e mulher, então porque parecia tão adverso? O coração de ambos estava acelerado enquanto se aproximavam com o mesmo intuito, querendo descobrir se ainda funcionavam bem, se a sensação ainda seria quente. Ambos experienciando a culpa que secava a garganta, medo de encararem o fim, a esperança de que não fosse.

O tocar dos lábios foi tímido e sem encaixe, lento e com nuance amarga do álcool que ainda povoava o hálito, a doçura não se fazendo presente.

Namjoon cerrou com mais força os olhos, juntando as sobrancelhas, esperando sentir algo, qualquer coisa, que não fosse o peso em seu peito. A trouxe para mais perto, a mão grande apertando a cintura diminuta, a outra trêmula, acariciando a pele macia da coxa exposta, esquentando a pele pelo simples calor corporal, não pela paixão que deveriam sentir no ato.

Deixou-se ser puxado pelo pescoço, ambos ajustando-se ao que deveria ser reconhecível mas não era. O corpo grande e masculino cobriu o pequeno e delicado, deitando-a no sofá com hesitação, o ar se tornando rarefeito, fazendo os pulmões clamarem por ar. Mas Namjoon não desejava parar, não porque o desejo era presente mas porque seria admitir que sim, havia acabado.

Fazia tanto tempo que não experimentava aqueles beijos, tanto tempo que não manuseava aquele corpo em suas mãos firmes, então porque a saudade que sentira por todos aqueles meses sem traçar sua epiderme não o estava movendo? Mas sim a ideia de que deveria ser daquela maneira, de que deveria amar e desejar Moonbyul mais que tudo.

O gemido abafado da mulher o fez descer os selares para o pescoço esguio, sentindo na pele sensível de seus lábios o pulsar rápido do sangue nas veias. As mãos delicadas puxaram a camisa branca de botões para fora da calça social, fazendo com que Namjoon suspirasse em alívio pelo aperto do tecido devido a posição, que repuxava suas roupas sob os músculos fortes que ele ainda carregava em sua estrutura apesar de não mais se exercitar frequentemente.

Desceu a boca para o colo de Moonbyul, subindo ainda mais o vestido com as mãos, adentrando a roupa para tocá-la mais intimamente, provocando arrepios involuntários na mulher, que apesar de tudo o desejava e amava, apenas não mais da mesma maneira. O conflito das sensações sendo colocados no fundo da gaveta de seus pensamentos.
 

No lado menos abastado daquele mesmo bairro, Jungkook fitava com angústia os fones jogados no meio do apartamento juntamente com o celular, não querendo mais ouvir o Kim e a noite perfeita que ele estava tendo ao lado da esposa. Abraçou os joelhos dobrados em frente ao peito, sentia vontade de gritar, magoado sem ter direito de estar. O que ele esperava afinal? Aquela era como a vida do advogado deveria ser, e ele não fazia parte dela.

Jimin o fitou com receio, respirando profundamente antes de juntar o celular e colocá-lo sobre a mesa. Deixou o lámen próximo a si antes de sentar-se no colchão ao lado do moreno, tocando os cabelos alheios com cuidado.

— Kookie, vamos comer, sim? — Disse baixinho e o mais novo ergueu o rosto vermelho, o lábio inferior tremendo pelo choro que ele não conseguia segurar.

— Você estava certo, hyung. Eu não deveria ter me envolvido, ele não gosta de mim, porque ele gostaria de mim? — O tom quebrado na voz dele fez o coração do Park se quebrasse também.

Já havia sido uma semana difícil, a avó de Jungkook havia adoecido e eles tiveram que levá-la ao hospital, a conta alta da internação levou todas as economias que ele havia feito. Jung Hoseok parecia inalcançável, sem deixar rastros, sempre usando os outros para fazer seu trabalho sujo. A ideia de dever mais dinheiro a In Yeop quase colocara o moreno abaixo, fazia muito tempo que Jimin não o via chorar tanto quanto chorara naquela semana.

— Você ainda tem chance, ok? — O rosado não havia tocado no tópico que descobrira sobre a esposa do advogado e o Jung, pois não sabia o que Jungkook faria com aquela informação no estado sensível em que se encontrava, mas teve o impulso estúpido de contar de uma vez. Para fazê-lo sentir-se minimamente melhor, para fazê-lo esperar por alguma coisa, qualquer coisa que fosse dele.

— Jimin-ssi ... Como? — Os olhos grandes e escuros piscavam lentamente, derramando mais lágrimas grossas pelo rosto juvenil.

— A esposa dele traiu ele com o Jung, ok? Então, quando tudo explodir eles ...

— O que? — Jungkook interrompeu, de repente alerta demais o que fez Jimin recuar um pouco, arrependendo-se automaticamente de ter dito aquilo. — Desde quando sabe disso?

— Desde ... que eu fui em Gangnam-gu seguir ele?

— E não pensou em me contar?!

— Eu realmente não pensei. Você quase me bateu quando eu tentei tirar a droga da escuta. — O mais velho falou rapidamente, vendo um bico se formar nos lábios do outro, uma expressão que poderia ser fofa se não fosse pelas sobrancelhas escuras franzidas sobre as íris irritadas.

— Pelo menos agora eu sei. — O moreno murmurou, limpando o rastro do choro com a palma das mãos e se levantando para apanhar o casaco.

— Ei! O que vai fazer? — Jimin o observou correr para a porta, se calçando aos tropeços. — Jungkook!
 

Haviam milhões de possibilidades para que alguém perdesse o interesse no universo a dois. Ao longo da história, na literatura, nas músicas, no dia-a-dia as relações ganham e perdem sentido. A energia investida aumentando ou diminuindo, adiando ou apressando seu caminho até o que poderia ser um felizes para sempre ou um felizes até que tudo não fosse mais furor.

Por mais que o homem estivesse se esforçando para não enxergar, para não aumentar a distância entre ele e a mulher que tinha em seus braços, a queda fora do amor romântico era palpável demais, perto demais, real demais, para ser ignorada.

Não era apenas uma fase, não iria melhorar.

— Eu não consigo, me desculpa. — O loiro sussurrou ao afastar a mão pequena de seu membro semi-rijo sob a boxer escura, sentou-se rapidamente, escondendo o rosto nas mãos, ainda tremia um pouco.

O silêncio incômodo durou alguns longos segundos, enquanto tentavam se situar sobre o visível fracasso que havia sido a tentativa de recomeçar.

— Tu-tudo bem. Eu acho que preciso de um banho ... — Moonbyul manteve o mesmo tom que o marido.

Poderia ter se sentindo mais insegura com a recusa dele e com o fato de que não o havia excitado, mas sentia alívio por, de certa forma, aquilo tornar tudo menos desastroso. Se direcionou para o quarto em passos apressados, sentindo-se sensível por diversas razões já reconhecíveis.

O advogado inspirou profundamente, levantando-se e arrumando suas roupas abertas e amassadas, sentia vergonha por simplesmente não ter conseguido fazer seu corpo corresponder o da mulher. Estava indo tudo tão bem até que sua mente o traiu e o trouxe a memória de estar no carro na sexta-feira após a exposição.

De maneira ansiosa ele percorreu os cabelos desarrumados com as mãos, tentando melhorar sua aparência antes de calçar seus sapatos e apanhar o sobretudo e pasta e correr para fora do apartamento. Avisando por mensagem que havia saído, precisaria de bem mais do que algumas taças de vinho para conseguir deitar a cabeça no travesseiro naquela noite.
 

O movimento razoável para o final de semana na Daegu House mantinha Seokjin mais ocupado do que gostaria, uma vez que ele servia as mesas enquanto o marido preparava petiscos e bebidas. Mas ambos os homens pararam suas tarefas quando viram Namjoon passar pela entrada, ombros baixos e expressão de desolação. Trocaram um breve olhar antes de Yoongi dispensar Jin com um abanar da destra.

— Ao que devemos a honra de sua ilustre presença? — Se aproximou com um sorriso simpático nos lábios rosados e cheios, acompanhando o movimento do irmão mais velho que sentou-se em uma mesa no canto próximo ao balcão.

— A minha estupidez. — O loiro murmurou antes de virar-se levemente para Yoongi. — Uma garrafa de Soju. Não, duas! — Sinalizou com os dedos.

— Dia ruim?

— Ano ruim, Jin. Merda de ano ruim.

— Deve ter algo a ver com seu horóscopo. — O mais novo comentou enquanto levantava para pegar a bebida, evitando que o marido se atrapalhasse mais com os pedidos.

— Ah, claro. Culpe os astros pelos erros humanos. — Resmungou antes de virar a dose a qual o seu irmão o havia servido, depositando o copo de volta na mesa para servir-se de outra.

Jin o observou em silêncio, cruzando os braços sobre o peito, sem saber como deveria reagir a aquele humor inusual do irmão que era sempre fácil de lidar, lançando sorrisos e palavras de conforto por aí.

A mudança, apesar de não ser tão recente, provocava estranheza, o fazia sem ação. O Kim mais velho era sempre o suporte, nunca a pessoa a precisar de algo, e por mais que se sentisse bobo por notar que não sabia como ajudá-lo, a força do hábito o havia tornado daquela forma.

— Jimin-ah! Apareceu! — A chegada foi anunciada pela voz grave e animada do Min, que sorriu gentilmente para o jovem que parecia atordoado.

— Hyung ... viu o Jungkook por aí? — Perguntou se encostando no balcão, olhando em volta e travando ao ver o olhar oblíquo e curioso sobre si.

Namjoon podia apostar que o conhecia de algum lugar, e o nome dito o fez ainda mais curioso e alarmado. A franja tingida de rosa que fugia do gorro preto parecia gritar no fundo de sua cabeça.

— Aquele moleque continua dando trabalho? — Yoongi perguntou enquanto balançava a cabeça e passava um pano seco no balcão molhado pelo suor gelado de bebidas.

— Ah, não. — Sorriu sem jeito. — Ele só esqueceu o celular em casa e eu não consigo encontrar ele em lugar nenhum ...

— Mora com Jeon Jungkook? É dele que estão falando? — O loiro se levantou sem disfarçar que estava atento ao curto diálogo. Aproximando-se e apoiando o cotovelo no balcão enquanto encarava o mais baixo que escondeu as mãos nos bolsos do casaco, em um gesto nervoso.

— Cara, eu não tinha me ligado. É ele o garoto do seu trabalho. — O proprietário do bar se dera conta tarde demais sobre aquilo, virando-se de costas para fitar as prateleiras.

Se soubesse que era dele que Namjoon falava não teria o motivado a manter a amizade com o jovem.

— Ele está melhor? — O Kim tinha toda atenção em Jimin.

— Melhor? — Ficou confuso por um breve momento, logo depois lembrando-se da desculpa que o amigo deu para faltar ao trabalho. —Ah! Sim! Muito melhor!

— Ele não estava doente, não é? — O mais baixo apenas o fitou mordendo o lábio cheio, aquele havia sido o dia em que não conseguira manter a maldita boca fechada. — Ele pelo menos tem um motivo justo para não aparecer no trabalho?

— Ah, a avó dele já saiu do hospital? — Yoongi perguntou e Jimin revirou os olhos, bom, pelo menos daquela vez não havia sido sua culpa.

— Sim, acho que ela vai ter alta logo. — Murmurou após um suspiro.

E o mais velho ali se deu conta de que não fazia a menor ideia de quem o Jeon era, já que aparentemente ele não morava sozinho como havia dito, e tinha uma avó doente. Ademais, pela fala do cunhado, era alguém que dava mais trabalho do que ele pensou que tivera com o rapaz, e julgando pela forma nervosa que o recém descoberto amigo se comportava, ele estava fazendo algo que não devia.

— Então ... Eu vou indo, senhor Min! — Jimin apressou-se em se despedir, talvez o amigo já tivesse voltado para casa já que não podia ir ao hospital, o horário de visitas já havia acabado e o advogado que ele achou que Jungkook tinha ido atrás estava logo a sua frente.

— Senhor Min o caralho, é hyung pra você. — O homem protestou enquanto deslizava sobre o balcão um refrigerante em lata para que o rapaz apanha-se. — Vê se não some de novo, tem jogos novos pra mim?

— Ah, sim! Eu trago amanhã ... — Disse segurando a latinha com as duas mãos e então se curvou sobre o balcão para falar baixinho. — E aquela coisa que queria usar com o Seokjin-ssi também.

Namjoon fingiu não ter ouvido e nem notado que as bochechas do cunhado se tornaram vermelhas com o que lhe foi dito, antes de ele bater no rosto do garoto com o pano que costumava usar sobre o ombro, fazendo o mais novo gargalhar antes de se afastar e despedir-se curvando-se levemente para os dois.

O Kim voltou a mesa e Jin o informou que precisaria subir, pois na babá eletrônica havia visto que Jisoo acordara, explicando que a menininha dormira cedo pois havia pego uma gripe, devido ao clima que havia se esfriado muito nos últimos dias.

O loiro observou seu irmão sair com certa pressa e voltou-se para Yoongi, que fechava alguma conta no caixa.

— Quando vai contratar alguém para trabalhar aqui? — Puxou conversa, com intenção de obter mais informações sobre a novidade.

— Logo, Jin vai começar com as aulas e não vai mais poder ajudar, e acho que vou precisar de uma babá também.

— Se quiser posso te dar o número da babá que chamo para Ian.

— Sim, por favor, seria uma puta ajuda.

— Te mando por mensagem.

Ele seguia o outro no percurso do balcão, parecendo ansioso e óbvio demais. O Min soltou um profundo suspiro antes de se certificar que não havia ninguém precisando de sua atenção nas mesas, então virou-se para o advogado.

— Pergunta logo o que quer saber. — Disse sem paciência, conhecia o amigo o bastante para saber que nada passava despercebido a sua curiosidade.

— De onde conhece eles? — Não deu voltas, estava mesmo interessado na situação e sempre que se via pego por esse aspecto de sua personalidade, não se dava por satisfeito até saber de tudo.

— São os garotos que minha mãe costumava levar para o almoço, os garotos de Busan. — Deu de ombros, tentando não demonstrar sua tensão, esperando que não precisasse dizer mais do que aquilo. Mas iria precisar.

— Garotos de Busan? — Algo naquela definição o incomodou.

— Sim.

— O que ele vende?

— De tudo, sabe como é. — Namjoon não precisou de grandes esclarecimentos, o cunhado tinha a péssima mania de comprar aquele tipo de artigo, alegando que se recusava a pagar taxas a mais por um produto que deveria ser mais barato. Uma desculpa esfarrapada.

— Onde ele mora?

— Porque o interrogatório?

— É só curiosidade. — O maior desviou o olhar e contornou o balcão, apanhando mais uma bebida para si.

— Nada que venha de você é só curiosidade. Não é uma boa ideia se envolver com o garoto, eu sei que é irresistível pra você Madre Teresa, mas melhor manter distância.

— Existe alguma razão plausível para me dizer isso? — Continuou questionando, vendo como o homem respirava fundo cada vez que ele insistia em manter a conversa. O viu coçar o rosto em um gesto frustrado e virar-se para si com um olhar escuro e desproporcionalmente decidido.

— Não é como se não tivesse passado no jornal local do meio dia, eles só cresceram, talvez por isso não tenha reconhecido. E sinceramente, você é um advogado, sua melhor amiga é uma delegada, eu não vou entregar eles assim. — Despejou apoiando-se no balcão, arrumando o boné preto com aba para trás que cobria os cabelos descoloridos.

— Que merda, Yoongi do que tá falando? — O homem estava começando a sentir-se mais estressado, o coração acelerando-se pelo o que poderia explodir bem na sua frente. Bebeu alguns goles da cerveja engarrafada.

— Só não marca o Jimin por isso, ok? Ele fugiu. — Murmurou, a voz se tornando mais grave devido ao volume.

Namjoon prendeu o ar e umedeceu com a língua os lábios secos enquanto a informação afundava em seus ouvidos.

— O Jungkook também? — Perguntar sobre isso foi o instinto que teve.

— Não, ele foi inocentado, vítima. Jimin o defendeu, é o que disseram.

O maior sentou-se em um dos bancos que se dispunham em frente ao balcão, a cabeça pesando e as lembranças vagas de ter lido algo sobre em um jornal. A palavra assassinato pareceu brilhar neon quando apanhou seu celular para pesquisar sobre o caso, tudo isso sob o olhar atento do amigo que parecia ansioso.

— Como eu disse, má ideia. Esquece qualquer incentivo meu. — Yoongi falou depois de um certo tempo, após voltar com garrafas vazias que recolhera em uma das mesas.

— Mas você disse que ele foi inocentado. — Retrucou batendo a garrafa de sua bebida com força demais na superfície do balcão.

— Não significa que ele não fez nada, só que decidiram que ele não fez, o doutor advogado entende bem o que quero dizer? Eu sei que eu falo com eles, ajudo até comprando coisas do garoto. Mas Jungkook? Ele sempre me deu arrepios. — Balançou a cabeça negativamente ao lembrar-se de como o rapaz sempre era taciturno e escorregadio, dando respostas mal humoradas, oscilando facilmente e encarando por tempo demais.

Namjoon riu desacreditado, apertando os olhos enquanto as bochechas se erguiam afundando as covinhas na lateral dos lábios.

— O garoto é inofensivo, um doce. — Foi o que disse e o amigo se limitou a erguer uma sobrancelha, um tanto curioso sobre o grau de afeto que o advogado demonstrava cada vez que citava o menino.

— Eu só estou dizendo isso porque sei que você é o tipo de pessoa que sai às três horas da manhã para ajudar um amigo do outro lado da cidade. — Yoongi balançou a cabeça, preocupado com a verdade que havia em suas próprias palavras, se o amigo encuca-se com a ideia de se envolver na vida do rapaz, Jeon poderia se tornar um grande problema.

— Está julgando ele da mesma forma que te julgavam na escola, falavam mal de você por ser quieto também. E sabe, crianças que foram feridas crescem rápido demais, não tem pena?

— Tenho. Mas também tenho desconfianças. Depois não diz que não avisei. — O mais baixo revirou os olhos felinos e deixou-o sozinho para se ocupar novamente.

Namjoon apenas deu de ombros, demorando um tempo ali enquanto observava o tempo passar e os clientes se tornarem menos numerosos, mesas com cadeiras sendo remexidas à medida que eram reocupadas. Repassou a noite em sua mente, não evitando as expressões em seu rosto que traduziam seus pensamentos e chamavam a atenção do amigo que, de vez em quando, voltava ao balcão para preparar mais pedidos.

Mais uma vez leu sobre a notícia no celular, onde em uma foto, o menino que julgou ser Jimin aparecia com o rosto borrado e logo atrás, no escuro e sentando no pé da porta, uma figura escondida no moletom, os olhinhos borrados pela falta de foco e iluminação sendo a única coisa do rosto que podia ser vista, mas o homem já havia sido pego por aquelas íris incontáveis vezes, poderia reconhecer em qualquer lugar, em qualquer qualidade de pixels.

Levantou-se repentinamente juntando suas coisas e ele mesmo foi até o caixa deixar a quantia que havia consumido antes de caminhar para fora.

— Vou indo, te amo! — Gritou ao passar por Yoongi, que apenas lhe mostrou o dedo do meio o fazendo sorrir grande.

Não estava de bom humor, de forma alguma, mas aquela era sempre a resposta que daria ao amigo que lhe dava atenção mesmo estando atarefado.

Caminhou sem pressa, apreciando a corrente de ar fria que deixava a ponta de seu nariz gelado, já passava das onze da noite, e ele pensou que deveria ter colocado um cachecol.

O silêncio da boca da madrugada não era incômodo para alguém que era internamente tão barulhento, parou próximo a encruzilhada, aguardando a sinaleira que tinha a luz vermelha ligada, indicando que o trem passaria por ali e não era seguro atravessar.

Encarou os próprios sapatos sociais lustrosos e sentiu um arrepio forte ao mais uma vez a brisa irromper os tecidos de suas roupas, fazendo-o sentir frio que só se agravou quando o transporte passou longamente e com rapidez a sua frente, praguejou baixinho, sentindo-se um tanto alto pela quantidade de álcool que ingeriu naquele dia, suas pálpebras pesando.

A sinaleira fez um som agudo e repetitivo, ele correspondeu com um grunhido e uma careta enquanto a cancela subia lhe dando passagem, mas seu corpo retesou antes que ele pudesse dar algum um passo.

Jungkook o encarava do outro lado, respirando condensado, a fumaça mínima e esbranquiçada nublando sua boca rachada, ele sorriu grande, como se tivesse acabado de encontrar algo valioso, antes de correr até parar logo a frente do advogado, os mirantes percorrendo toda a face do mais velho.

— Seu amigo estava te procurando. — Foi o que o Kim disse, o tom acusatório, o mais novo apenas balançou a cabeça afirmativamente e colocou as mãos dentro do casaco de couro que o acolhia muito bem.

— Eu já me encontrei com ele. Eu só tinha ido dar uma volta, ele é dramático.

— Sua avó está bem? — Ele não fingiria que não sabia sobre muito mais agora do que o outro o havia permitido em suas conversas.

— Eu ... — Se interrompeu torcendo a boca. — Sim, ela vai ficar bem logo. Eu venho do hospital, na verdade.

— Sei que não tem obrigação nenhuma de compartilhar comigo esse tipo de coisa, mas eu gostaria de saber se precisa de algo. — Namjoon gostaria de pedir que Jeon confiasse nele, e confiasse a ele suas angústias, mas aquilo era demais, mais uma vez, queria o que não deveria.

— Não quero ser um peso.

— Você não é. — Se apressou em deixar claro, recebendo um pequeno sorriso como resposta.

Não faria das palavras e desconfianças de Yoongi as suas, não era grande coisa, ele decidiu que nunca seria grande coisa. Seja lá o que tivesse acontecido com a pessoa à sua frente, era passado. E continuaria sendo se dependesse dele. As coisas iriam melhorar, ele tentaria se certificar disso.

Observou a face alheia, certificando-se de que não havia mais nada errado, de que não haveriam hematomas novos por ali, e como o cabelo que agora chegava à altura das bochechas bem marcadas, evidenciava ainda mais as feições tão lindamente equilibradas de Jungkook, seus dígitos formigaram para tocá-lo, fechou a mão em punho fortemente ao lado do corpo.

Jungkook tinha essa mesma urgência, gostaria de poder abraçar o advogado, circundar o corpo grande com seus braços, deitar o rosto do peito largo e inspirar o aroma tão particular que povoava seus desejos.

Mas não podia, não deveria. A raiva esquecida há pouco pelo que Jimin o contara quase despontou novamente. Lembrando-se de que alguém tinha tal privilégio de tocá-lo, e que não valorizava tal sorte almejada por si.

Nunca admitiria ter ido até a frente do prédio do advogado e ter observado a mulher receber os filhos na entrada, a avaliando como um verdadeiro juiz no tribunal, declarando-a culpada. Nem a vontade que teve de ir até a porta do apartamento, apertar a campainha e contar toda a verdade ao homem.

Ao invés disso, deu meia volta e correu até o hospital, se esgueirou para a ala onde sua avó ressonava, apesar dos protestos da enfermeira que insistia que faltavam alguns poucos minutos para o horário de visitas ter fim.

A irritação e frustração que começava a inflamar-lhe mais uma vez se apagou com o toque frio e molhado em sua testa. E, aos poucos, sua visão foi tomada pelos flocos da primeira neve do ano. A primeira que receberia bem, a primeira que testemunharia ao lado de Namjoon, que tinha a face voltada para si, fascinado com o quão bem a paisagem invernal caia ao redor do rapaz, o cinza e preto da concreta da vista urbana sendo esmaecido.

Tremeu quando os cristais de gelo se acumularam em seus cabelos e ombros e se aproximou de Jungkook, circundando seu braço com a mão livre e o puxando delicadamente e sem receber resistência, para que pudessem sair do meio da precipitação de neve.

Seguiram com passos apressados e justos no espaço que dividiam pela proximidade dos corpos, o mais alto ainda mantendo a palma no moreno, que apreciava o toque apesar de sentir apenas a pressão e não a pele, como gostaria que fosse.
 

— É porque preciso cuidar dela que não posso me ocupar demais, Jimin já faz muito por mim quando tenho que ir a HOPE. — Explicou enquanto recebia a bebida fumegante que Namjoon havia apanhado para os dois.

A aconchegante cafeteria tinha alguns poucos clientes, casais em sua maioria, que se sentavam abraçados, observando a chuva branca que ainda caia, cada vez mais espessa, através dos janelões de vidro.

Namjoon teria que esperar o tempo melhorar um pouco antes de ter coragem de encarar o frio novamente, mas não seria um sacrifício fazê-lo ao degustar seu chocolate quente, ao mesmo tempo que tinha Jungkook a sua frente, as bochechas coradas enquanto soprava o conteúdo de sua caneca com um biquinho fofo e o expiava sob os cílios.

— Pode colocá-la em uma casa de repouso, alguém da idade dela precisa de conforto.

— Eu sei, mas não tenho mais dinheiro pra isso. — Disse antes de dar um grande gole em seu achocolatado, apreciando como o líquido deixava sua barriga morna.

— Mas você não precisa pagar. — Disse franzindo o cenho em confusão.

Em seguida, sorriu ternamente para o bigode que a bebida deixou sob os lábios avermelhados do rapaz. Puxou um lenço de papel e esticou-se sobre a mesa estreita e retangular, alcançando o rosto dele e limpando a bagunça com carinho, atento a boca pequena e entreaberta, ignorando os olhos de jabuticaba arregalados para si e o como o rosto do outro e o seu mesmo, se tornaram mais vermelhos.

— C-como assim? — Gaguejou quando o homem se afastou, tentando não parecer afetado com o ato. — Como não preciso? — Perguntou baixinho, sem precisar da secretividade que sentiu que deveriam ter naquela conversa.

— Se sua avó é doente crônica e tem mais de 60 anos, como diz, ela tem direito a uma vaga em uma casa de repouso do governo, com profissionais de saúde treinados. Minha mãe costumava trabalhar em uma dessas casas, não é um lugar ruim, de verdade.

— Eu não sabia. — Jungkook confessou, baixando o olhar para os biscoitos de canela dispostos em um pratinho de porcelana à sua frente, brincou um pouco com eles, divagando sobre a ideia nova. Tinha medo de que não cuidassem bem de sua avó, o governo nunca foi um ótimo provedor.

— Posso ajudar você a conseguir uma vaga em uma unidade confiável, uma que algum colega meu da vigilância fiscalize, pode visitar o local se quiser ter certeza de que tudo vai ficar bem. — Distribuía as informações lentamente, com a voz gentil e a vontade de ajudar o outro a ter mais conforto.

De primeira, se surpreendeu pelo garoto não ter ideia dos direitos que tinha, mas lembrou-se que provavelmente nunca teve quem o ensinasse sobre isso, o que o fez mais consciente do quão esquecido pela sociedade o jovem estava e aquilo o fez querer ser útil.

Ajudaria Jungkook a conseguir o melhor para sua avó, ele mesmo checaria e ligaria para saber de todas as informações possíveis, também tinha suspeitas de que a senhora tinha direito a um auxílio monetário, mas decidiu que pesquisaria mais sobre aquilo antes de dizer a ele.

— Isso seria muito bom, ahjussi. Mas eu posso procurar sozinho, não quero dar mais trabalho. — Falou se encolhendo mais no banco acolchoado, praticamente deitando-se contra a superfície vítrea a sua direita.

— Não é trabalho nenhum, Jungkook. Mesmo. — Respondeu de maneira incisiva, mantendo os olhos draconianos presos nos surpreendentemente tímidos do outro, querendo que ele entendesse por meio daquela conexão toda a intenção de carinho e cuidado que o mais velho queria lhe passar.

— O senhor é muito bom pra mim, doutor Kim. Mais do que mereço. — Murmurou baixando o olhar para as próprias mãos, repuxando as pelinhas ao redor das unhas roídas, a mania que tinha sempre que se sentia agitado.

— Eu duvido muito disso. — Mesmo se eu desse tudo, não seria nem um terço do que merece, completou mentalmente.

Percorreu os arredores com sua visão, batendo impacientemente o pé no chão branco e que refletia as luzes grandes amarelas penduradas por fios longos e decorativos. Ninguém prestava atenção na mesa em que estavam, em um canto no fundo, separados da mesa a frente pelo verde das folhas largas e grandes de ciclanto em jarros altos e brancos.

Namjoon se levantou subitamente e sentou-se ao lado de Jungkook que parou de mastigar seus biscoitos, seu coração saltou no peito e ele sentiu que estava cometendo um crime. O menor se endireitou automaticamente, surpreendendo-se positivamente, tentando não sorrir enquanto prendia o lábio inferior entre os dentes e o superior.

Ambos encararam o papel de parede à frente, tentando distrair-se com os padrões geométricos rosegold que se estendiam destacados sob a cor off-white.

O advogado estava sentindo-se contentado apenas em sentir o calor que emanava denunciando a presença do garoto ao seu lado. Mas Jungkook sempre queria mais, e lentamente aproximou-se, deixando com seu braço colasse no do outro.

E então, vendo que não teve reação negativa, ou qualquer negação, ousadamente encostou-se nele, deslizando o quadril sob o assento para o lado oposto, para que pudesse deitar a bochecha no ombro de Namjoon.

— Obrigado. — Disse alto o suficiente para que o loiro o escutasse.

Ele apenas se remexeu, encostando mais as costas no banco e afastando Jungkook levemente, sentindo-o ficar tenso antes de relaxar ao ser envolvido pelos ombros, o mais velho o mantendo em um abraço lateral antes de afundar o nariz nos cabelos pretos, apreciando o cheiro característico do rapaz, depositando um selar afável em sua cabeça.

O Jeon apenas aconchegou-se mais ao corpo grande, agarrando o tecido das roupas alheias em suas mãos. Sentindo-se protegido pela forma que era apertado levemente pelo outro. Gostaria de estar embalado naquele abraço pelo resto de sua vida, queria que nunca pudessem sair dali, de estender a carícia e multiplicá-la ao infinito.

E o Kim compartilhava do mesmo apetite, se entregando capricho atendido por si mesmo, apreciando como o corpo do outro encaixava-se perfeitamente no seu. Fechou os olhos, tentando não comparar com os toques que trocara com sua esposa, como o que deveria ser certo soava errado e o que soava errado parecia tão certo.

Não ousaria mais tentar afastar-se de Jeon Jungkook. Era inútil. Mas precisaria resolver aquele impasse antes de qualquer coisa. Era primordial que ele arrumasse sua vida e todos os problemas que a enfeitavam. No entanto, a sensação que tinha era de urgência. Tinha a veleidade de provar tudo o que estava experimentando sentir quando se tratava da figura que agora tinha colada a si.

Angustiante era uma ótima definição para seu estado atual. Tudo acontecia de maneira intensa e desordenada, o deixando aos tropeços em suas decisões.

— Ahjussi? — Ergueu o rosto para olhá-lo, o mais velho apenas respondeu-o com um "hm" baixo abaixando o rosto para fitá-lo, a proximidade da posição não era incômoda, não parecia demais, apenas a medida certa.

Jungkook abriu e fechou a boca duas vezes, como um peixinho, o cenho se franzindo enquanto a insatisfação crescia devido às palavras que ele não conseguia dizer, os sentimentos que ele não conseguia vociferar.

— Você é uma boa pessoa. Eu também quero ser uma boa pessoa. — Foi o que conseguiu dizer antes de ver os olhos do homem serem escondidos pelas pálpebras quando ele sorriu gracioso.

— Você já é.

— Não. Eu não sou. — Tentou se afastar, mas Namjoon gentilmente segurou-lhe no lugar, acolhendo seu rosto com a mão livre.

— Não importa o que tenha tido que fazer para se proteger. Você é uma boa pessoa, Jungkook. E boas pessoas as vezes passam por muitas dificuldades, não se veja como alguém ruim porque não consegue provar aos outros que não é.

— Não sabe o que eu fiz.

— Não me importo com o que faz. Está tudo bem. — Disse enquanto deslizava o polegar pela bochecha quente do outro, sentindo a pele macia sensibilizar a sua.

O mais novo apenas baixou o olhar, apreciando o tipo de carinho que era bem recebido por si, o tipo de carinho que nunca procurou em outros, mas estimava receber do advogado.

Se o homem soubesse tudo o que ele fez ainda o abraçaria daquela forma? Ainda sorriria para si? Se não, que ele nunca descobrisse. Jungkook não suportaria a ideia de ser visto por Kim Namjoon da mesma forma que era visto pelas pessoas que sabiam sua história.

Que o homem se mantivesse protegido de si, contudo ele sabia que poderia se tornar o pior inimigo ali. Como poderia querer que o outro confiasse nele quando nem mesmo ele confiava em si e em seus impulsos? Quando ele sabia de todos os nomes que compactuam fazê-lo miserável? Namjoon acreditava que ele era uma boa pessoa, mas ele sabia que nunca seria, estava sujo demais, estigmatizado demais para ser absolvido.

Ficaram daquela maneira, tão íntima e substancial que o funcionário do café precisou olhar para o chão ao se aproximar avisando-os que o local fecharia logo. Ambos se separaram com lentidão, letárgicos pela atmosfera afetuosa e envergonhados pela demonstração pública, piscando repetidamente antes de compreender a informação e constatarem que era hora de partir e se repartir.

Do lado de fora da cafeteria, na sombra fornecida por uma cabine telefônica, a pessoa que nunca o perdoaria observava a interação. Odiando a proximidade dos dois homens, em um flagrante oculto da relação que crescia ali, alimentada por sentimentos puros e, dependendo dele, as flores daqueles brotos nunca iriam desabrochar.




 

 


Notas Finais


1. No próximo capítulo ficaremos a par dos planos do Hoseok e dos Jikook em relação todas as tramoias.

2. Queria saber quais personagens vocês gostaria de ver mais cenas sobre, além dos namkook?

3. Também queria perguntar se gostam desse ritmo, são capítulos longos mas acredito que sejam muitos acontecimentos, sei que tem gente ansiosa para o relacionamento dos dois fluir logo mas lembrem que o JK é muito jovem e o Namjoon ainda é casado, é normal que haja uma resistência e estou achando ele solto até demais!

4. Quem é essa pessoa que estava olhando os dois hein, apostas?

5. Tenho pesquisado sobre leis e recursos governamentais da Coreia, então me perdoem se tiver algum erro no decorrer dos fatos, pois minha fonte é o google kkk

6. Estão gostando? Fiz um gatinho curioso, vou deixar o link no perfil aqui para o caso de alguém ter perguntinhas sobre qualquer coisa, e me acompanhem no twitter(izziebtsz), estou postando aos pouquinhos os asthetics dos personagens para imaginarem melhor tudo, vou deixar o link aqui também! E chega de notas, até breve <3


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