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História Meu bem - Capítulo 4


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Notas do Autor


E vamos de quarentena, galere.
Obrigada de verdade vcs que estão lendo, sei que sofremos muito por galthania né :(
Esse capítulo vamos ter uma mudança de narrador, nos outros vimos muito o ponto de vista de G*l (rs), nesse aqui e, talvez, no próximo, o ponto de vista é de Beth*nia (rsrs) Então se preparem pra muita melancolia e contemplação.
Vamo que vamo
Ah, mais uma coisa. Eu comecei com um "poema" que escrevi há um tempo pq a musicalidade de certa forma encaixou bem (tem conceito ta), então leiam esse começo prestando atenção nisso, pq ele vai conduzir o resto do capítulo, fiquem atentos com algumas rimas colocadas por aí com o mero objetivo de manter essa sonoridade tão legal.
Obrigada simbolismo por me fazer ser quem sou hoje.

Capítulo 4 - Fera Ferida



Cotovelos contusos
Cabelos sujos
Corais clareiam o cais 


Caras de calma
Cálida cama
Caminho de curvas centrais


Sino do sono
Silfo suave
Soando e sonhando em paz


Saindo seguro
Sentido subindo
Saudades de seres reais

 

Por quem tu te consomes, coração?
Quem, senão eu, toca esse som enclausurado nessa pele Índia? De uma forma única, marcada a fogo com meu grande Eu. Como é estarrecedor observar que uma compleição modulada na leveza carrega a força de toda Bahia no prumo. Não havia competição justa; minha Graça voava mais leve e mais longe, tão mais bonito que qualquer outra. Era lindo ver seu voo livre, dono do céu do Brasil, distante de todos e sempre ao meu alcance. Antes de tudo e acima de todos, minha.

Pássaro da manhã, da tarde e, principalmente, da noite. Dona de olhos astutos e brilhantes, carregados de malícia que sempre rasgavam o tecido do céu noturno. Rasgavam meus tecidos também, mas isso eu jamais admitiria. A fuga do tema, ou melhor, do título era algo que eu prezava, talvez por medo ou pela influência do zodíaco, quem sabe. Não havia precisão de quebrar a cabeça.
Ela me saudava pela manhã e só então renascíamos em nosso acanhado ritual; a pequena morte da noite, por consumo ou cansaço, com carinhos e abraços, no toque e no cantar, na dança que faz suar. Todos os momentos de criações secretas estão ali, talhados em sentimentos que não acham a luz do dia, bravos sobreviventes da noite e dela somente. Lua cheia que nunca mingua. E logo eu estava pronta para enfrentar o dia, seja qual fosse a desventura que permeasse nosso caminho.

E que lindo caminho fazíamos.

Viva a Bahia, criadora de tantos mundos, dona de mim e de você em igual intensidade. Não sei, ouso dizer que sim. Não temos ambas a força de Oyá em nosso sangue? Não somos ambas filhas do mel de Oxum? Talvez isso carregue mais importância para mim do que para você.
Nessa tarde, caminhávamos juntas na musicalidade que banha a melancolia, os pés bronzeados arrastando-se sobre a pedra. Sua imagem me fazia carinho, me criava em pensamentos e poesias, nas assonâncias dos versos certeiros na ponta do lábio. Eu poderia ser poeta. Poderia escrever sobre amores e flores e rimas belíssimas, sobre cantos e prantos em versos manjados.

Mas esse dom não é meu.

O que posso dizer é que todas as lembranças de tempos que foram nossos serão minhas e, de tão minhas, eu as possuirei por completo. Elas serão uma roupa de artista, costuradas por cada momento; sim eu as vestiria sobre a pele que me veste no palco. O que pode ser mais belo do que isso? Que linda imagem faríamos juntas no palco, escondendo um segredo só nosso, que seria visto por quem lesse atentamente a forma que nossos corpos se atraíam, o modo que nossos olhos se encontravam, como nossos pés descalços nos levavam uma a outra, como nossos braços partilhavam uma dança.... Somos a tinta dessa pintura, somos a obra de arte que nos figura.  
Amantes furtivos de todos os cantos sorriem para nós. Que grande feito! Era verdadeiro, de fato. E que esse momento de contemplação durasse a eternidade, agindo como a força que nos sustenta, a paixão que nos alimenta, o grito que não calamos e tudo que somos e criamos. Há coragem na nossa nudez.

Venha comigo viver no mais alto pico, nadar no mais profundo oceano, voar no mais forte vento. Aparentemente, o meio termo de nada vale. Se afogue comigo ou não entre no mar. É a minha verdade, a minha canção e toda minha voz. O que digo e o que sinto estão entregues a ti, da maneira mais crua e íntima que um ser pode exibir, uma fragilidade que atordoa mas seduz, que me enche de medo e me banha de luz. Use-me com apreço, com cuidado e, primordialmente, com amor. 

E quando eu cantava tudo isso para minha Graça ela sorria com lábios fartos, ela dançava com pernas longas, ela rebolava com quadris largos, ela pisava com pés firmes.

Tudo isso para olhar-me com olhos que morreram antes de chegarem aos meus.


Notas Finais


Esse final quebrou um pouco né? Mas fazer o que né, Gal é libriana amores, é uma oscilação que faz desconfiar mesmo.
Logo mais tem mais. Obrigada <3


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