História Meu Carma - Segunda Temporada - Capítulo 3


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Categorias Black Veil Brides (BVB)
Personagens Andrew "Andy" Biersack, Personagens Originais
Tags Andy Biersack, Anjos, Black Veil Brides, Bvb, Demonios, Drama, Reencarnação, Romance
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Palavras 2.645
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção Adolescente, Literatura Feminina, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 3 - Conforto


Eu olhava meus sapatos exageradamente brancos enquanto caminhava rapidamente. Os saltos faziam um barulho irritante ao tocarem o chão. Virei à direita e entrei em uma sala enorme, com macas sendo ocupadas por toda parte. Trouxe a prancheta para perto e ajeitei os óculos — óculos? — e li o primeiro nome da lista: Andrew Biersack.

Não foi difícil achá-lo. Estava em uma das primeiras macas próxima à porta. Talvez fosse um dos mais altos dali. E um dos mais magros também. Aproximei-me checando de imediato o soro. Em seguida, conferi seu braço, o qual estava machucado. Não estava em situação crítica, diferentemente dos outros, então voltei os olhos à prancheta para ler o nome do próximo paciente.

— Jaqueline. — disse o paciente com a voz sonolenta. Olhei para seu rosto e notei seus olhos presos no pequeno crachá preso em minha roupa.

— Sim? — indaguei tornando a olhar os olhos à prancheta.

— Nome bonito. — murmurou. — Como estou?

— Ótimo! — exclamei — Está sentindo alguma coisa?

— Nada. — deu de ombros. — De qualquer forma, me sinto péssimo.

— Logo lhe dou alguns remédios.

Ele sentou-se na maca e, mesmo com o soro em seu braço, colocou ambos para trás da cabeça. Apressei-me em sua direção para ter certeza que a agulha não saíra do lugar devido ao seu movimento brusco.

— Não pode ficar assim em um hospital, sr. Biersack. — alertei.

— Senhor?! Apenas pare. Sente-se um pouco. — moveu os quadris para o lado, deixando um pequeno espaço para mim. — Descanse. Eu preciso de companhia.

Olhei em volta e ao olhá-lo novamente, ergui uma das sobrancelhas. Ele estava mesmo falando sério?

— Estou em horário de trabalho, sr. Biersack. — repliquei.

— Você quer mesmo trabalhar? — indagou franzindo a testa. — Imagino que seja cansativo. Seja minha companhia nem que seja por cinco minutos. Qualquer coisa, diga a alguém que estou em uma situação gravíssima.

— Bom, eu não posso mentir aos meus colegas de trabalho para lhe servir de companhia. E creio que sua situação não seja tão grave assim.

— Claro que é. Vim diretamente da guerra.

Dei uma olhadela mais uma vez em sua ficha para lê-la em voz alta em seguida:

— Está internado por uma contusão e desidratação. Nossa, a guerra não deve estar sendo fácil para você.

— Uma contusão é muito.

Revirei os olhos. Em seguida, olhei em volta mais uma vez e notei que mais de minhas colegas estavam por perto, cuidando dos outros pacientes. Por algum motivo, eu aceitei seu convite. Eu apenas precisava sentar-me por alguns instantes.

A guerra já trazia soldados em situações graves. Alguns chegavam mortos. O hospital estava um caos. E a cada dia que passava, o cansaço me consumia de uma forma assustadora. Porém, eu precisava ficar ali. Ser enfermeira era meu sonho desde criança. Abandoná-los sem ajuda sequer — visto que algumas enfermeiras e médicos simplesmente iam embora — seria ir contra todos os meus princípios.

— Tudo bem, sr. Biersack. — cedi ao sentar ao seu lado.

Estávamos próximos e aquilo assustava-me. Estar perto de homens geralmente deixava-me com uma sensação estranha, como se algo estivesse errado. Como se não fosse certo.

— Me chame de Andrew. — ele disse sorrindo. — Posso chamá-la de Jackie?

— Jackie?! Isso é tão estranho. Mas sim, pode.

— Enfermeira?

Assenti.

— E você? O que fazia antes de ser um soldado muito importante para a guerra?

Ele sorriu, mesmo não achando graça em meu comentário, era evidente.

— Eu era um caipira sem futuro. — respondeu indiferente.

Aproximei-me, mesmo sabendo que eu não deveria. Ele cheirava-me à confusão.

— Idade?

— Vinte e quatro. E você?

— Vinte e seis. — notei certa hesitação em sua resposta. — Tão nova. — continuou ele — Porque está aqui?

— Porque eu preciso. — respondi simplesmente — Sempre almejei ajudar as pessoas de alguma forma. Quando eu os ajudo, eu me encontro. E eu sei que a guerra está apenas no começo. Enquanto precisarem de alguém, eu estarei aqui.

Andrew ficou em silêncio de repente. Seus olhos azuis eram indecifráveis e eu ousei fitá-los de volta. E, eu não sei como, mas eles pareciam tão... conhecidos. Um arrepio percorreu minha espinha, como se fosse um cubo de gelo descendo pelas minhas costas. Por algum motivo, eu necessitava estar mais próxima dele. Eu tinha certeza que conhecia-o. Tentei buscar em minhas memórias exatamente de onde, mas nada vinha como resposta. Minha cabeça tornou-se como um borrão difícil de decifrar. Se eu não lembrasse, enlouqueceria.

— Eu acho... que conheço você. — murmurei.

Não sabia mais o que estava acontecendo. Começamos uma conversa distraída que de repente foi substituída por uma sensação estranha, quase sufocante.

Aproximei-me mais uma vez. Os olhos deles pareciam querer engolir-me e eu não pestanejaria se isso viesse a ocorrer. Eu cederia facilmente porque eu estava concentrada demais em seu rosto; na sua boca e até mesmo no seu nariz; no canto dos olhos... eu estava hipnotizada e eu não queria sair daquele transe.

— Você me conhece. — afirmou sussurrando.

Senti a ponta de seus dedos em minha bochecha e em seguida o choque de seu toque percorreu meu rosto por inteiro. Andrew. Esse nome. Esse maldito nome.

— Você me conhece. — tornou a sussurrar. — Katherine.

Mais um choque veio, dessa vez percorrendo todo o meu corpo. Tentei dizer algo, qualquer coisa, mas nada parecia ser inteligente de ser dito. Até porque, ainda estava digerindo o nome proferido. De alguma forma, eu sabia o propósito daquele nome. Eu precisava dizer isso a ele.

Ouvi vidros sendo estilhaçados do outro lado da sala. Pelo barulho e a proximidade, poderiam ser as janelas. Sabia que tínhamos pouco tempo. Segurei em sua mão e busquei mais uma vez seus olhos. Precisava gravar na memória a cor deles, porque parecia que seria a última vez que os veria.

Então, não havia mais nada.

***


Acordei assustada, com um grito preso na garganta que ali permaneceu. Sentei-me rapidamente na cama e levei as mãos ao pescoço. Passei os dedos freneticamente sob a pinta relativamente pequena que havia ali. O motivo de minha segunda morte: asfixiamento.

Respirei fundo uma, duas vezes. Eu já estava cansada daquelas memórias que invadiam-me em forma de sonhos durante a noite. Já era a segunda vez que aquelas imagens assombravam-me.

Coloquei as pernas para fora da cama pois estava decidida a ligar para Andrew, precisava contar-lhe o que estava acontecendo. Ao levantar-me, a porta abriu-se e notei o dia ensolarado que fazia do lado de fora. Maya adentrou o quarto com as mãos ocupadas. Na mão esquerda segurava dois pacotes aparentemente cheios e, na mão direita segurava uma pequena bandeja contendo dois copos do que poderia ser café.

— Bom dia, caloura. — Maya disse — Trouxe seu café, já que acordou tarde.

— Tarde? — indaguei semicerrando os olhos, pois não estava acostumada totalmente com a claridade do quarto.

— Sim. — respondeu Maya calmamente — São 10h00.

Entregou-me um dos pacotes e um dos copos. Murmurei um "obrigada" ao abrir o pacote, revelando exatos dois croissants. Lembrei-me imediatamente do Belleville Café, a cafeteria a qual estava acostumada a ir com meus amigos, em Londres. Meus amigos... precisava ligar para Margot.

— Não sabia como preferia seu café. — disse Maya apontando para o copo em minha mão — Então pedi um chá.

Provei o líquido quente no mesmo instante. Chá doce. Não continha o mesmo gosto do chá que minha mãe fazia todas as manhãs, mas de qualquer forma era reconfortante. Fora a primeira coisa que me fez sentir em casa.

— Obrigada, Maya. — agradeci mais uma vez, entornando um gole considerável em seguida.

— Disponha. — ela disse mostrando um sorrisinho — Vai fazer alguma coisa? Conhecer a cidade ou algo assim?

— Não sei. — respondi com sinceridade. Afinal, Andrew seria meu guia por Nova Iorque. Ainda não sabia se ele estaria disposto a levar-me aos seus lugares preferidos ou ao menos mostrar-me os pontos turísticos ou o que fosse. Ele estava estranho e eu não sabia como agir.

— Pelo seu sotaque, imagino que seja da Inglaterra, certo?

Assenti.

— E porque está aqui? Quer dizer, está aqui sozinha em um país totalmente desconhecido, certo? — indagou ela, recostando-se na cadeira.

— Tive vontade de sair de casa, conhecer outros lugares. E isso basta. Essa vontade está comigo desde... — uma pausa, enquanto mais memórias de uma vida passada surgiam em turbilhão. A vida de Katherine, mais precisamente — desde sempre.

— Já noto uma diferença entre nós duas. — disse Maya de repente — Eu odeio mudanças. Odeio sair da minha zona de conforto. Bem, já vi que precisarei aprender algo com você.

Sorri sem jeito. Mordisquei meu croissant e trouxe meu celular para perto do rosto com a mão direita. Maya já estava com a atenção noutra coisa: em mais um livro de sua escrivaninha. Mandei uma mensagem tranquilizando minha mãe e em seguida, mandei várias para Margot contando como tinha sido a viagem, como era meu quarto e como eu e Andrew estávamos. Nessa parte da mensagem, em específico, tive de mentir. Não queria enchê-la com meus dramas tão cedo.

Então senti saudade de algo a mais. Estava com saudades dele. Mas acho que ele não sentia o mesmo, visto que não havia mensagens ou ligações. O pior de tudo é que não fazia ideia do que estava acontecendo.

— Maya, alguém veio me procurar enquanto eu estava dormindo? — ousei indagar, mesmo com medo da resposta.

— Não. — respondeu ela rapidamente.

Então, em segundos, também passei a odiar as mudanças.

***


Meu celular tocou exatamente às 13h00. No momento, eu estava dando uma olhada rápida na minha lista de livros que ainda faltavam comprar para iniciar de forma correta o ano, já que o início fora perturbador e bagunçado ao extremo. Precisava de um livro novo, mesmo sabendo que provavelmente as aulas da faculdade tomariam o restante do meu tempo por completo.

Atendi a ligação sem olhar o contato. Me surpreendi ao ouvir aquela voz grossa, porém conhecida do outro lado ao falar um "alô" arrastado. Era Andy. Sentei-me na cama de imediato e agradeci mentalmente o fato de Maya não estar presente.

— Oi. — eu disse, tentando soar indiferente.

— Estou à caminho. — ele disse freneticamente — Desculpe mesmo ter sumido durante a manhã. Acordei uma hora atrás. Chego em cinco minutos.

— Tudo bem. — levantei-me — Nós vamos sair?

— Provavelmente. Eu tenho uma surpresa.

***


Ao chegar, não demoramos mais que quatro minutos no quarto. Andrew deixou as duas caixas contendo minhas coisas sob minha escrivaninha e saímos logo em seguida. Entramos no carro de Liam, um Rover, que segundo Andy, seu amigo havia emprestado para ele durante o dia inteiro. De qualquer forma, perguntei-lhe se ele não havia simplesmente roubado — ou melhor, pego as chaves sem avisar — o que lhe fez negar veemente, mas eu sabia que estava mentindo.

Durante todo o caminho ouvimos suas músicas favoritas da banda Kiss. Pousei minha mão em sua coxa e ficamos em silêncio durante o trajeto, exceto as vezes em que Andrew dizia onde nós estávamos, como o nome da avenida etc. Passamos pelo o que parecia ser o Central Park e não imaginei o quão grande seria, até Andrew dizer que aquilo que eu estava vendo era apenas uma parte do parque. Indaguei boquiaberta se podíamos parar um pouco e ir até lá, mas Andy apenas respondeu com um "hoje não" e continuou seu trajeto.

Logo estávamos na Madison Avenue, como anunciara Andy. Em mais ou menos 1km à frente, paramos em uma oficina. Minha expressão de dúvida talvez fosse evidente, pois Andrew sorriu pondo-se a falar em seguida:

— Eu consegui um emprego graças a um dos meus irmãos. — explicou — Trouxe para conhecer meu novo emprego.

Sempre soube o quanto o esforço significava para Andrew. Esse significado intensificou-se quando tornou-se humano. Desde seus dois trabalhos em Londres, notava o quanto seus olhos brilhavam ao receber o salário, o qual era sempre acompanhado pela frase "sem esforço eu não estaria aqui agora. Sem meu esforço, mesmo que mínimo, eu não teria você."

Quando ainda estávamos no carro e ele disse que me trouxe à oficina para mostrar seu mais novo emprego, vi mais uma vez o brilho em seus olhos. Então tive que colocar um dos meus mais sinceros sorrisos no rosto porque eu estava feliz por ele. E acima de tudo, orgulhosa.

— Hoje é a minha folga. — disse ele ao sairmos do carro — Minha única folga da semana, aliás. Todos os sábados . Em compensação, trabalho apenas três horas por dia, sempre durante as tardes. E ganho bem com isso.

Entramos na oficina e deparei-me com homens, maioria de meia idade, cada qual em um lugar da oficina fazendo algo importante. Tão importante que não levantaram os olhos nenhuma vez para nos observar adentrando mais e mais o local. Ao fundo, encontrava-se uma Harley solitária, afastada de tudo e de todos.

— Mais alguns meses e poderei comprá-la. — Andrew disse com um enorme sorriso estampando os lábios — E logo não vamos mais precisar do carro de Liam.

Olhei em volta e os homens vestidos em macacões sujos ainda não tinham nos notado ali.

— Achei que não soubesse nada sobre carros. — eu disse voltando o rosto para Andy.

— Estou aprendendo aos poucos. Meu irmão Daniel é dono da oficina. Ele me ensina o que sabe.

— Mais alguém aqui é um... você sabe. — sussurrei a última parte ao inclinar o corpo em sua direção.

— Não. — respondeu prontamente — E ninguém sabe sobre Daniel. Enfim, o que achou? — olhou mais uma vez para a Harley.

— É perfeita, Andrew. Mas não é muito cara?

— Não tanto. Já tenho minhas economias. Mais um pouco e logo ela será minha. É de Daniel, sei que ele não irá fazer a oferta para outras pessoas. Está em um preço ótimo e, esse é o nosso recomeço. — aproximou-se pousando as mãos em meus ombros, apertando-os levemente — Precisamos de pelo menos um mínimo conforto, certo?

— Você é que está dizendo. De qualquer maneira, sei o quanto você gosta da sensação de estar em cima de uma moto. Então vá em frente!

— Eu te amo. — ele disse com o rosto mais próximo do meu.

— Eu também te amo.

Afastou-se rapidamente quase no mesmo segundo. Segurou fortemente minha mão na dele e arrastou-me para fora dizendo que minha surpresa estava ainda mais  próxima.

***


Não muito distante dali, paramos na E 84th st, e estacionamos logo em frente a uma livraria de nome "Parole D'oro." Tinha uma pequena vitrine com as tais palavras escritas em uma fonte delicada de cor branca. A porta ficava logo ao lado da vitrine, sendo de madeira e vidro. Mesmo do lado de fora, era possível ver as prateleiras cheias.

Fiquei em pé na calçada observando cada detalhe do lado fora: desde a forma que o nome do estabelecimento fora escrito até nos desenhos de flores entalhados na madeira da porta. Notei finalmente que não se tratava apenas de uma livraria, o andar de cima era uma cafeteria. Era perfeito.

— O nome é em italiano. Significa "palavras douradas." — disse Andrew próximo ao lóbulo da minha orelha direita, fazendo-me arrepiar com a proximidade. — Está pronta?

Assenti. Entrelacei meus dedos nos dele e empurramos a porta, a qual fez soar o barulho de um pequeno sino pelo local que estava vazio, exceto pela presença dos livros. A iluminação era perfeita. Apenas algumas lâmpadas clareavam algumas das estantes. Ainda em algumas mesas, abajures ocupavam seus respectivos lugares, dando mais um ar de tranquilidade ao local.

Ao fundo da livraria havia um balcão alto de carvalho. Podia ouvir que alguém estava do outro lado do balcão mexendo em algo.

— Esperem um minuto, já vou atender. — disse a pessoa do outro lado.

Entretanto, ao ouvir aquela voz soube de imediato de quem se tratava. Meu coração acelerou e minha boca ficou seca. De repente, pareceu que todo o ar dali tivesse sido retirado. As memórias corriam bem diante dos meus olhos e o sentimento de felicidade invadiu-me. Afinal, ela levantou-se, revelando quem eu realmente estava esperando encontrar. Seus olhos arregalaram-se um instante, mas logo estreitaram-se devido ao seu sorriso.

Charlotte veio em minha direção e nos abraçamos em meios a gritinhos finos e desnecessários até.

E mais uma vez me senti em casa.



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