História Meu Carma - Segunda Temporada - Capítulo 4


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Categorias Black Veil Brides (BVB)
Personagens Andrew "Andy" Biersack, Personagens Originais
Tags Andy Biersack, Anjos, Black Veil Brides, Bvb, Demonios, Drama, Reencarnação, Romance
Visualizações 33
Palavras 2.519
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção Adolescente, Literatura Feminina, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 4 - Desobediência


— Eu senti tantas saudades! — dizemos em uníssono.

— Eu vou subir. — anunciou Andrew já distanciando-se — Vou estar lá em cima tomando um café.

— À vontade, sr. Andrew... — uma pausa, enquanto Andy a fitava seriamente — Quer dizer, Andrew.

Andy apenas assentiu em silêncio, subiu os degraus em seguida sumindo de vista. Restava apenas nós duas e, de imediato lembrei-me das inúmeras vezes que ficamos sozinhas no castelo conversando. Eu realmente estava com saudades.

Charlotte era frenética, sempre estava fazendo algo. No momento, colocou uma pilha de livros sob o balcão e, na prateleira próxima dali, começou a organizá-los calmamente. Eu sabia que deveríamos continuar conversando e assim o fiz:

— Me conte tudo! Como você está? E, o mais importante, como conseguiu esse lugar maravilhoso?!

— Eu estou bem. — respondeu ao sorrir — Acredita que sou proprietária disso tudo? — balançou a mão esquerda no ar para dar ênfase — É uma história longa, na verdade.

— Pois quero ouvi-la. — aproximei-me um tanto, estando com a curiosidade à flor da pele.

Charlotte parou o que fazia, virou o corpo nos calcanhares e trouxe para perto duas cadeiras altas que até o momento não havia notado a presença. Nos sentamos de frente para outra, meus olhos atentos aos dela e pronta para ouvir tudo que ela estava prestes a contar. Estava com tantas saudades que não importaria-me se a ouvisse falar o dia inteiro. Suspeitava que nem desse modo minhas saudades diminuiriam ao ponto de sumirem completamente.

— Em um certo dia, sr. Andrew não retornou ao castelo. — começou ela — Fiquei sem notícias durante dois dias. Quando a preocupação tomava conta de mim, Noah apareceu explicando todo o ocorrido. Então entendi a situação e fiquei preocupada com o meu fim. Afinal, não sabia o que estava prestes a acontecer. Com sr. Andrew fora do submundo provavelmente eu teria que me juntar às almas desamparadas ou...

— Desculpe. — interrompi — Mas Andrew nunca me explicou o que seriam as "almas desamparadas."

— Elas são como as almas penadas que vocês mortais chamam. Quando algum empregado morre, por exemplo, sua alma é enviada imediatamente para um dos sete castelos dos sete demônios que comandam o submundo, para também trabalhar em morte. Quando algo fatal acontece, como por exemplo, ter a cabeça arrancada pelo cachorro de Lúcifer, sua alma então é enviada para a parte sombria do limbo, sendo obrigada a vagar pelo inferno, sem motivos, sem nunca parar. Algumas conseguem voltar à Terra, apenas para ficar vagando.

— Obrigada. Agora pode voltar à sua história.

— Ok. — assentiu ao enrijecer as costas — Onde eu estava...? — levou o dedo indicador ao queixo e, em segundos, suspirou ao lembrar-se — Bom, fiquei pensando no que seria de mim dali pra' frente. Então Noah me chamou para morar com ele aqui. Ele tem uma vida dupla, pelo o que parece. Algumas horas fica no submundo, mas na maior parte do tempo ele se mistura entre os mortais. Sua casa fixa é aqui, em Nova Iorque. Não pensei duas vezes, aceitei na hora, claro. Arrumei minhas coisas e aqui estou eu, proprietária de uma livraria! — suspirou como se estivesse em um sonho, seus olhos brilhavam ao olhar os livros à volta — Tive a ideia de abrir uma livraria após Noah me ensinar a ler. Ele me ajudou, óbvio. Comprou esse lugar e em seguida os livros foram chegando. E estou tão feliz com essa nova vida, Amy!

— Eu imagino. — sorri em sua direção. De repente, um sentimento de orgulho genuíno invadiu-me. Vê-la feliz daquele jeito transbordava-me.

— Andrew conseguiu o contato de Noah por Daniel. Imagino que não o conheça. — assenti e ela continuou — Daniel é legal, mas não confio muito nele. Sr. Andrew deveria fazer o mesmo. Enfim, sr. Andrew soube que eu estava aqui e veio me visitar. Ele me contou sobre... seus amigos.

Então meu sorriso se desfez. Tentei acalmar os nervos que agitavam-se por minha pele e passei a encarar minhas mãos que estava pousadas em minhas coxas. De repente, a cor dos meus jeans passou a ser a coisa mais interessante do lugar.

— Me desculpe, Amy. — disse Charlie com a voz baixa — Eu  entendo caso não queira falar sobre isso.

— Não. — esbocei um sorriso e tornei a fitá-la. — Está tudo bem. Acho que me fará bem lhe contar...

***


Voltei para os dormitórios com Andrew por volta das 19h00. Caminhamos pelos corredores rindo das frases aleatórias que soltávamos vez ou outra. Seu braço estava sob meu ombro e o meu envolvia sua cintura, nos mantendo unidos, da forma que eu tanto adorava. Tê-lo por perto sempre me acalmava.

Enquanto avançávamos mais e mais o corredor, indo em direção ao meu quarto, desejei internamente que Maya não estivesse presente. Eu precisava ter um tempo com Andrew, mesmo que fosse por algumas horas.

Enquanto vasculhava minha bolsa a procura da chave, lembrei do dia que tive... ou o restante dele: Charlie e eu conversamos até o sol se pôr. A ajudei a fechar a livraria e prometemos que nos veríamos logo. Charlotte disse com segurança que iria visitar-me no campus juntamente com Noah e, apenas ao imaginar a cena, um sorriso impertinente ocupava meus lábios.

Finalmente abri a porta e adentramos o quarto relativamente abafado. Estava vazio e sorri intimamente graças a esse fato. Então lembrei-me da festa que Maya convidou-me e imaginei que ela estivesse lá. Sendo assim, o quarto ficaria inteiramente para mim até o outro dia.

— Está entregue. — Andrew disse próximo da porta — Eu ligo para você quando chegar em casa.

— Não! — exclamei, puxando-o pelo braço em seguida — Fica essa noite.

— E a sua colega de quarto?

— Ela foi para uma festa e volta apenas segunda-feira após as aulas. — olhei em volta — Inclusive, seus livros nem estão aqui.

— Tudo bem. — cedeu fechando a porta em seguida. — Eu fico. — retirou as chaves do bolso, juntamente com a carteira e colocou tudo na minha mesa de cabeceira, próximos o bastante do abajur que estava ligado, a única iluminação do cômodo — Por falar em festas, sugiro que não vá nessas festas do campus.

Cruzei os braços e franzi as sobrancelhas em sua direção. Odiava a forma como dizia o que eu devia fazer. Era sempre com a voz grossa, mandona, como se soubesse de tudo. Superior, até.

— E haveria motivo para isso? — indaguei mudando o peso de uma perna para outra.

— Sempre há brigas nessas festas. — respondeu — É inevitável. Humanos e seu complexo de superioridade entre os demais. Acham que conseguem resolver tudo com a violência. Patético.

— Humanos. — imitei seu tom de voz — Lembre-se que é um de nós agora.

— E como eu poderia esquecer? —  resmungou, claramente aborrecido.

Sentei-me na cama, sem reação perante sua alteração de humor repentina. Seu tom de voz assustava-me de certa forma. Às vezes eu tinha impressão que ele se arrependera da troca que fizera. Mas eu não tinha ideia de como iniciar um diálogo sobre o assunto. E ele também não dava-me brecha, dificultando mais ainda nossa comunicação.

Retirei as botas, jogando-as para o canto do quarto com os pés. Respirei fundo e tentei dissipar o momento tenso que havia estabelecido-se sob nossas cabeças:

— Não se preocupe. Vou apenas focar nos estudos. De qualquer forma, se surgir a vontade de ir em uma dessas festas, vamos juntos. Certo?

Foi sua vez de sentar. Também retirou os sapatos.

— Certo. — respondeu — Mas não prometo.

Andrew então sorriu e não pude deixar sorrir de volta. Sua companhia trazia-me calma, mesmo com nossas indiferenças e seus possíveis conflitos internos. Iríamos passar por essa juntos, mesmo que significasse ir em uma terapia de casal. Eu o amava, ambos sabíamos que esse sentimento transpassava gerações. Fosse o que fosse, eu estava disposta a enfrentar com ele qualquer crise e problema.

***


Acordei cedo no domingo, devido a luz da manhã que atravessava a janela. Despertei, contudo permaneci com os olhos fechados. Passei a mão ao meu lado na cama, procurando por Andrew, mas ele não estava ali. Abri os olhos e busquei-o ao olhar o quarto, mas ele já tinha ido embora.

Sentei-me, frustrada.

Quando ainda estávamos em Londres, Andrew costumava estar em meu quarto durante as madrugadas; escalava o muro e entrava pela varanda. Isso acontecia apenas algumas vezes, quando saía do trabalho. Sempre ia embora antes que eu acordasse, e depositava um bilhete na minha mesinha de cabeceira.

Mas dessa vez, se não fosse pela ausência das cortinas e a janela aberta, seria como se ele nunca tivesse passado a noite ali.

Sentia que estava o perdendo e não fazia ideia de como tê-lo de volta.

***


A insônia se fez presente durante a noite de domingo. Levantei-me na segunda-feira de manhã sentindo-me alerta e precisava manter-me dessa maneira o resto do dia, caso eu quisesse realmente prestar atenção nas aulas.

Peguei minhas roupas que ainda estavam na mala — eu não queria ter que digerir a ideia que aquele quarto seria o meu lar por alguns dias... ou meses. Talvez longos meses. Por isso minhas roupas ainda estavam nas malas, recusava guardá-las no armário. Sei que teria de fazer isso uma hora ou outra, mas não queria apressar as coisas.

Tirei a toalha de lá também. Lembrei-me da noite em que minha mãe insistiu para que eu levasse ao menos três toalhas e um roupão. Trouxe a toalha para perto do rosto e senti o cheiro suave do amaciante que mamãe costumava usar. Então a saudade de casa bateu mais uma vez. Olhei em volta e notei que eu estava exatamente igual àquele quarto: vazia. Sobrara apenas a carcaça da verdadeira Amy, a qual fora deixada para trás em Londres.

Segurei as lágrimas e guardei-as para mim. Nada adiantaria chorar agora, isso apenas faria-me atrasar para a primeira aula.

Saí do quarto caminhando em direção aos banheiros. Por ser bastante cedo, eu era a única dali. Com essa oportunidade maravilhosa, aproveitei o quanto pude a água quente, porém não dei-me o luxo de demorar mais que cinco minutos naquele cubículo. Vesti-me em seguida, com certa dificuldade. Ao sair, deparei-me com uma fila já se formando perante a porta.

Apressei os passos antes que algum aluno veterano resolvesse encher a paciência da caloura logo em seu primeiro dia de aula.

Estando no quarto, arrumei-me o mais rápido que consegui. Verifiquei minha mochila algumas vezes, apenas para ter a certeza que não estava esquecendo algo. Aproveitei a oportunidade para colocar alguns outros objetos, como maquiagem, apenas o básico para cobrir as olheiras, que com toda a certeza apareciam nas próximas horas.

Antes de sair, vi as mensagens no meu celular: algumas da minha mãe e Margot, que optei por responder mais tarde. E, havia várias de Andrew. Não li todas, apenas as últimas que foram enviadas:

"Me desculpe por esse fim de semana.", dizia uma delas "Desculpe não ter ligado e por ter ido embora sem avisar. Vou encontrá-la nos dormitórios mais tarde. -A"

Sorri intimamente com a última parte, pois Andrew com certeza ainda não entendia como as mensagens funcionavam, já que ele não precisava deixar um "-A" no fim de cada mensagem, pois seu contato estava salvo em meu celular.

Tornei a ficar séria, indiferente e irritada com a situação. Ignorei suas mensagens e não respondi nenhuma delas. O fim de semana não fora fácil. Enfrentar as mudanças não estava sendo fáceis e, com Charlotte do outro lado da cidade — e sem saber mexer nas redes sociais e em celular — tornava meus dramas internos ainda mais árduos.

Precisava de amigos. E logo.

Praticamente saí dos dormitórios correndo. Ainda estava cedo, mas eu precisava chegar a tempo para a breve excursão que teria pela faculdade. Dessa forma, seria mais fácil encontrar o prédio que eu teria de frequentar todos os dias, conhecer minha mais nova classe e saber minhas aulas.

Encontrei o grupo a tempo logo na entrada da faculdade. Era um grupo pequeno. A instrutora continha uma prancheta e, com uma caneta em uma das mãos, lia em voz alta o nome dos alunos. Os que eram chamados, respondiam com um "presente" extremamente tímido. Respondi da mesma forma ao ouvir meu nome e esperamos em silêncio mais algum pronunciamento da instrutora.

— Bom dia alunos! — exclamou ela, mas logo seu sorriso sumiu ao olhar para o rapaz alto ao meu lado — E sr. Smith. O que está fazendo aqui? Esse é o grupo dos calouros.

— Não quero ir para aula de imediato. — respondeu o garoto. — Me deixe ficar, instrutora Young.

A sra. Young semicerrou os olhos em sua direção, em sinal de aviso subentendido.

— Nada de gracinhas, sr. Smith. — disse ela antes de nos dar as costas — Me sigam!

Obedecemos e em silêncio começamos a segui-la pelos corredores largos. O garoto alto ainda permanecia ao meu lado. Ao olhar mais atentamente ao seu rosto, notei no mesmo instante de quem se tratava. Eu conhecia-o da cafeteria. Fora ele que escrevera os pedidos meu e de Andrew. Era ele o dono do sorriso que eu tanto encarei.

— Oi. — ousei falar. Minha voz saíra patética: trêmula, esganiçada. Arrependi-me no mesmo segundo do meu atrevimento, afinal, não seria com essa voz que eu conseguiria amigos.

— Oi? — ele disse, com um quê de indagação em sua voz.

— Nos conhecemos? Quer dizer, você trabalha na cafeteria do campus, certo?

— Sim. — ele respondeu ao sorrir, um canto dos lábios relativamente levantado.

— Você anotou meu pedido no sábado. Talvez não se lembre.

— Ah. Sei. — respirou fundo — Você estava com um cara alto, tatuado e tudo mais. Você pediu um cappuccino e ele um café com gelo, acompanhado de rocambole e brownies.

— Isso! — ergui as sobrancelhas perante a surpresa. — Boa memória, aliás.

— É o que todos dizem. Obrigado. — sorriu mais uma vez. — Deveria ir mais vezes lá. O donut é ótimo. É sério, eu como alguns escondido durante o horário de almoço.

— Com certeza vou estar lá mais vezes. — guardei o celular em um dos bolsos da minha calça, estendi uma de minhas mãos espalmada em sua direção — Me chamo Amy Mayhew.

— Ethan Smith. — ele disse ao apertar minha mão — Curso?

— Inglês. E você?

— Arquitetura. Segundo período.

Silêncio.

— Estou com tanta fome. — murmurei mais para mim mesma, não esperava que Ethan pudesse escutar.

— Quer ir ao café? Minha única vantagem é o desconto nos brownies. — ele disse ao estampar mais um sorriso encantador no rosto.

Olhei para a instrutora logo a frente que no momento dizia a todos onde ficava a biblioteca.

— Ok. — Ethan disse ao abaixar-se um tanto, apenas para sussurrar próximo ao meu rosto — Você só receberá seus horários e a chave do seu armário assim que entrar na sala para a primeira aula. — uma pausa, enquanto olhava para o relógio em seu pulso — Que começa em 20 minutos. Temos tempo o suficiente para ir e voltar. Sra. Young nem notará nossa ausência se formos rápidos.

— E o restante da excursão?

Ethan voltou à sua postura normal, deixou um sorriso torto pairar seus lábios e em seguida apontou para si mesmo com o dedo indicador:

— Eu sou veterano, baby. Serei seu guia mais tarde.

Olhei para sra. Young mais uma vez, apenas para ter certeza que ela sequer olhava para os alunos. Alguns, inclusive, mexiam nos seus celulares sem nem ao menos hesitar.

— Tudo bem. — cedi, não pensando direito em minhas ações — Me convenceu.


Notas Finais


Oi vocês! Tem personagem novo e, o Ethan. Só queria dizer que imagino ele como o ator Ezra Miller, mas estão livre para imaginá-lo como quiserem. Vou deixar aqui uma foto dele:
https://radikal.ru/lfp/i068.radikal.ru/1206/3d/12fc1ffe349c.jpg/htm
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https://lh4.googleusercontent.com/proxy/ZK6EhRzSWGdqWoYttIC0sBGLVnHUwcKTscicAxPVhQN4IyE6dUgw5b2tRnt4joDp-jFqNXACSINzle91EW8QtauDHHrLH2EmywVuNAYdoUjav6Qn3SyvaNCXZVqCQ50HD3A=w268-h270-nc


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