História Meu Chefe ( Namjin ) - Capítulo 22


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Bts, Jhope, Jimin, Kook, Namjin, Taehyung, Yoongi
Visualizações 273
Palavras 3.643
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Preparem seu psicológico e suas armas

Capítulo 22 - No Expediente


A chuva cai torrencialmente lá fora ao mesmo tempo em que tremo dentro do casaco de lã. Pensar na noite em que Namjoon os fez deixa o meu coração apertado. Ele disse que me amava e eu estava no céu com isso.

Agora, contudo, estou mais que frustrado. Desde que Namjoon saiu de casa na noite passada, tudo o que fiz foi chorar por horas a fio. Eu jamais tinha chorado por um homem antes, mas obviamente ele não é como os outros. Ainda que estejamos juntos a pouco tempo, tudo é muito intenso e incomparável com qualquer outro sentimento que já experimentei. A perspectiva de ter perdido a pessoa que mais me fez sentir vivo é desesperadora.

Por mais que me sinta culpado por ter mentido, acho que ele foi severamente injusto comigo. Ele não me deu uma chance verdadeira e preferiu acreditar no Jackson . Essa é a parte que mais machuca. O pior disso tudo é que vou ter que ficar a tarde inteira com ele, já até posso imaginar o quão divertido será o dia. “Céus, espero que as coisas não sejam tão difíceis!”

Entro no banheiro para conferir se o meu rosto não está inchado . Precisei dar uma atenção maior hoje, já que meus olhos praticamente gritavam para o restante do mundo que andei chorando feito uma criança. Quando estou me preparando para voltar para a minha mesa, ouço os passos decididos de Namjoon e vibro em antecipação.

É cedo para estar aqui. Quero dizer, ainda faltam alguns minutos para o escritório abrir e ele raramente vem antes deste horário. O seu perfume chega primeiro, fazendo-me estremecer. Droga, isso vai ser bem pior do que previ. Seria mais fácil se Namjoon fosse fácil de odiar, mas é bem o contrário, ele é muito... impactante.

Tão logo vejo os seus olhos escuros do outro lado da sala, engulo em seco. A forma indiferente como me olha, nunca o vi assim antes. Isso é terrível. Não é esse homem que conheço. Longe disso, Namjoon sempre foi educado e cuidadoso, mesmo antes de nos envolvermos. O que está acontecendo?

— Bom dia — ele diz de maneira áspera, enfiando as mãos no bolso da calça em seguida.

Está surpreendentemente lindo hoje. Isso é realmente injusto. Estou péssimo e ele está de tirar o fôlego. É a primeira vez que o vejo vestir um terno cáqui e, incrivelmente, cai muito bem. A gravata azul-petróleo destaca suas íris que hoje estão enegrecidas.

— Não ouviu? — sua voz me arranca dos meus pensamentos. — Eu disse bom dia.

Nossa. Se essa é uma prévia de como será o dia, pressinto que está longe de ser bom. Com os olhos arregalados de surpresa, encaro-o antes de responder:

— Bom dia, precisa de alguma coisa?

— Na verdade sim — sua voz sai quase como um sussurro. — Lembro de ter pedido para arrumar os arquivos ontem.

— Mas eu arrumei! — digo mais alto do que gostaria, sentindo-me indignado.

Ele estaria falando assim comigo caso não tivéssemos brigado ontem? Sei que não. Isso é ridículo e infantil. Não combina muito com ele.

Respiro fundo, passando a mão pelos cabeços ao ver a expressão desafiadora que me lança. Claro, ele está me testando. Aqui sou uma profissional, e se ele diz que não arrumei os arquivos, eu me desculpo e faço de novo.

— De toda forma, vou dar uma olhada assim que puder.

— É o que eu esperava — seus lábios se retorcem em um sorriso de canto que teria me derretido em outra ocasião, mas hoje soa apenas cruel.

Estou sensível e nem um pouco disposto a tornar as coisas piores, por isso só espero que ele colabore. Quero dizer, ainda que seja o chefe, não é como se precisasse agir como um idiota. Por que, neste momento, é o que me parece que vai fazer.

Observo-o virar as costas e entrar em sua sala, deixando-me com um desânimo enorme. Isso é doloroso para mim. Tão doloroso que me deixa até mesmo irritado.

Namjoon está diferente e eu não consigo entender como pode ter mudado tanto. Ainda que tenhamos brigado... era preciso tanto? Quero dizer, eu esperava que estivesse triste, mas não bravo. Ele parece bravo, parece irritado além da conta.

Sei que para deixar transparecer isso no trabalho, deve estar o consumindo. Por que ele não me dá uma chance de endireitar as coisas? Sei que cometi um erro, contudo não foi inteiramente culpa minha.

Tento afastar o pensamento da cabeça, decidindo que preciso manter o nosso relacionamento no trabalho da melhor forma possível. Se ele está perdendo o controle, eu não preciso necessariamente seguir a mesma linha. Ainda posso apaziguar a situação ao menos aqui. 

Alcanço na primeira gaveta as pastas dos clientes de hoje e dou uma última conferida antes de me levantar em direção à sua sala. Diferente dos demais dias, a porta está fechada.

Sem pensar direito, abro a porta de supetão e me deparo com a imagem de um Namjoon com o rosto escondido entre as grandes mãos. Está apoiando os cotovelos sobre a mesa e parece tão absorto no que quer que esteja fazendo que nem ao menos percebe a minha chegada.

Pigarreio desconfortavelmente, indicando-o que estou ali e caminho em passos hesitantes em direção à mesa. Suas mãos descem pelo rosto, parando em frente da boca. Sinto seus olhos em mim e instantaneamente as minhas bochechas pegam fogo. Está olhando para as minhas pernas cobertas. Será que está recordando a noite em que marcou a minha pele com os seus lábios?

— Você pode, por favor, bater à porta antes de entrar? — pergunta com impaciência e constato com amargura que ele estava longe de pensar na gente.

— Sinto muito, vim trazer as pastas... — minha voz sai tímida, causando estranhamento em nós dois.

Eu não costumo ser assim. Desde ontem estou muito mais acuado do que jamais fui à vida inteira. A verdade é que a minha cabeça está uma confusão e a minha situação com o Namjoon tem que ser cautelosa. Estou pisando em ovos e bem sei disso.

— Eu não perguntei o que veio fazer, eu disse para bater à porta a próxima vez que invadir a minha privacidade!

Recebo as suas palavras atordoado. Jesus, ele está mesmo agindo dessa maneira? Não vou aguentar muito tempo desse jeito. Coloco as pastas sobre a sua mesa e uso todas as forças para sair da sala sem falar nada. De alguma maneira, sei que é o que ele quer. Está querendo me tirar do sério.

Isso me lembra um pouco do dia em que estava chorando. Em um primeiro momento tentou me afastar sendo grosseiro. Contudo, fui tolerante o quanto pude, porque sabia que estava sofrendo. Com isso, consegui alcançar o Namjoon que conhecia e a noite ele já estava bem.

“Será que ele está tendo uma crise agora?”, o pensamento vaga pela cabeça no momento em que me viro para sair de sua sala. É cabível, ele parou de tomar os remédios e acho que recordo de ter lido algo sobre irritabilidade nos sintomas da doença, mas é difícil saber, de toda forma.

Antes que possa pensar a respeito, giro os calcanhares mais uma vez e o encontro ainda olhando para mim. As mãos estão cruzadas sob o queixo. Está intimidante em sua poltrona Charles Eames, tanto quanto na foto da matéria que me mostrou enquanto estávamos viajando.

— Namjoon... — murmuro, perdendo um pouco da coragem. — Está sem tomar remédio ainda?

Noto sua sobrancelha arquear em uma fração de segundo e meu estômago revira.

“Por favor, não seja grosso”.

“Por favor, não seja grosso”.

“Por favor, não se...”

— Minha vida pessoal não te diz respeito — ele se levanta, caminhando até o frigobar. — Agora, pelo amor de Deus, pode trabalhar? É para isso que está aqui, até onde sei.

— Você vai continuar me tratando assim? — disparo, sem conseguir me conter.

Namjoon se inclina para alcançar uma água, no entanto para no meio do caminho. Suas sobrancelhas se unem ao que ele me encara.

— Como estou te tratando? — pergunta com o seu tom cuidadoso que estou habituada e, por um momento, fico desnorteado.

Ignoro a sua pergunta, andando para mais perto de onde se encontra. A minha cabeça está uma loucura, a minha vontade é de chorar como fiz a madrugada inteira. Uso toda a força que me resta para me segurar. Não vou fazer isso aqui, seria humilhante e não posso dar esse gostinho para ele. Está me chateando de propósito.

— Você não é assim... — suspiro e de repente um cansaço enorme toma conta de mim. — Está misturando as coisas, isso não está certo.

— Ah, você quer falar sobre o que não está certo? — Sua voz tem um tom irônico doloroso. Ele não vai colaborar, posso sentir que não. Está possesso. — A única coisa que não está certa aqui é o fato de você não estar na maldita mesa que trabalha, parando de me encher o saco! — Ele cospe as palavras para mim.

— Você está descontrolado! — suspiro, desejando que ele me dê ouvidos.

O meu coração está dando nós por vê-lo dessa forma. Não entendo exatamente o que está acontecendo, mas juro que esse não é ele. Não o homem por quem me apaixonei.

— É sério, não está pensando com clareza — concluo, ao constatar que ele não vai me dar uma resposta.

— Eu quero que saia — ele diz simplesmente, voltando até a sua mesa com a água em uma das mãos.

Desapontamento me domina de uma vez só. Ainda que não queira chorar, sinto as lágrimas começarem a escorrer mornas pelas bochechas. Droga, sinto-me patético por isso. Esse é o menor dos problemas, porém.

— Agora — Namjoon diz, com os olhos vidrados.

— Não — devolvo, perdendo o juízo. Sei que não estou em posição para confrontá-lo, mas realmente não me importo. Tomei uma decisão e não costumo voltar atrás nas coisas que decido. — Não até você conversar comigo sem ser um idiota.

— Sempre teimoso — ele murmura, aparentando estar tão cansado como eu. Acho que também não dormiu esta noite, agora que noto as olheiras arroxeadas que contornam seus olhos.

— Você não está bem! Parou de tomar os remédios e agora está surtando! Precisa me ouvir!

— Temos um cliente marcado para daqui vinte minutos e você está mesmo insistindo nisso agora?

Meus pés me levam ainda mais perto da mesa grandiosa de Namjoon. Se ele soubesse o quanto estou irritado, iria pensar duas vezes antes de continuar me destratando. Meu coração está acelerado e as mãos estão suando frio, porém o resto do mundo parece ter parado de existir. Somos só nós dois nessa sala que, de repente, ficou pequena demais.

— Estou preocupado com você! Diz para mim o que está acontecendo?

Observo seus olhos fecharem ao passo em que suspira pesadamente. Suas mãos se cruzam sobre a mesa enquanto ele volta a me encarar, com a mesma postura impenetrável que usa com os clientes. Ótimo. Então vai ser mesmo assim.

— O que está acontecendo é que além de mimado você é inconveniente e está me tirando do sério. Não estou aqui por brincadeira, não foi assim que conquistei o que tenho hoje e não terei problemas em te mandar embora se continuar sendo incoerente com o ambiente de trabalho.

— Oh, não se preocupe com isso — grasno, sentindo as lágrimas aumentarem a intensidade. — Eu saio por conta própria. Quero a minha demissão!

Os olhos escuros de frente para mim se estreitam, ao passo que os meus captam o movimento que ele faz com a boca ao fisgar os lábios e me controlo para não continuar falando e falando desenfreadamente, como gostaria de fazer. O clima que permeia na sala é pesado, tornando o ar rarefeito.

— Você quer sua demissão? — Namjoon repete, com um tom que beira o divertimento. “Ele não está acreditando em mim”, constato amargurada. É incrível o como eu levo a fama de ser teimoso quando, na verdade, ele é igualmente, se não mais.

— Foi isso que eu disse, não é? — devolvo, pagando na mesma moeda.

Com as mangas da blusa de lã, limpo as lágrimas que insistem em rolar pelas bochechas. Que droga de dia! Está chovendo, estamos brigados, estou deliberadamente pedindo demissão... Não acho que tenha como piorar, na verdade.

Capto uma nesga de dúvida em suas feições, fazendo-me ponderar se essa informação o deixa, de alguma forma, amedrontado com a situação. Será que ele vê, assim como eu, que uma vez que eu tenha saído daqui, nada mais nos mantém unidos? Quero dizer, pertencemos a realidades bem diferentes. Não é como se fôssemos nos esbarrar por aí o tempo todo.

Suspiro ao perceber que o deixei sem palavras. Aproveito o momento para externar a decisão que acabei de tomar.

— Não vou cumprir o aviso, também. Hoje é o meu último dia!

Minhas palavras o acertam com violência. Sei disso pela surpresa que vejo em seus traços perfeitos. “Oh, parece que finalmente consegui te desarmar, não é?”

Namjoon dá uma rápida espiada no relógio preso em seu pulso, provavelmente conferindo quanto tempo ainda temos antes de o próximo cliente estar aqui. Ao que volta a me encarar, noto que seus olhos estão novamente obscurecidos.

Por um segundo, acreditei que a sua raiva tinha passado, mas agora percebo que as palavras reacenderam toda a sua ira em relação a mim.

Ao contrário do que imagino, no entanto, ele não me lança palavras grosseiras como veio fazendo desde que esta chuvosa manhã começou. Limita-se a dar nos ombros, com uma expressão de quem não dá a mínima.

— Como quiser — seu tom é suave, apesar de tudo.

Neste exato momento, Namjoon aparenta ser anos mais velho. Está cansado e vejo isso. É engraçado pensar que passou a noite inteira acordado, tal como eu. É estranho que esteja sofrendo quando eu também estou. No fim das contas, seguimos sofrendo e piorando a situação.

Eu bem poderia pedir desculpas. Isso era antes de hoje. Ainda que eu tenha errado e ele tenha motivos para estar bravo comigo, estou com o orgulho ferido. Achei que pudéssemos resolver isso o quanto antes, mas vejo que Namjoon está levando a sério o seu desapontamento.

Para ser honesto, realmente entendo o seu lado. Fico me perguntando se a situação fosse inversa. Eu gostaria que ele estivesse ganhando presentes de outra pessoa? Gostaria de saber que ele a beijou? Ficaria feliz se descobrisse isso de fora e não por ele? Minha nossa, é claro que não! Eu possivelmente nem teria dado chance para ele confirmar nada. Quanto mais se tivesse mentido como eu fiz!

Assim que ouço passos do lado de fora de sua sala, percebo que a nossa conversa chegou ao fim. Namjoon balança a cabeça em negativa, demonstrando estar perplexo com a situação como um todo. Levanta-se de supetão e, ao passar por mim, sussurra perto da minha orelha:

— Não pode sair com esse rosto. Vá lá para cima e lave-o, depois você pode voltar.

Assinto com a cabeça e uso a saída de sua sala que leva ao restante da casa. Ele tem razão, não posso atender alguém chorando sem parar. Entro pelos aposentos que agora me parecem tão familiares, sentindo uma pontada no coração. Essa é mesmo a última vez que percorro esse caminho?

Torço para não encontrar Jimin pelos cômodos, ao menos nisso tenho sorte. Sem pensar exatamente no que estou fazendo, decido que quero usar o banheiro da suíte de Namjoon, muito embora sua casa tenha pelo menos meia dúzia deles.

Tão logo entro na imensidão que é o seu esconderijo secreto, a minha vontade de chorar se torna ainda maior. As lembranças do final de semana incrível que tivemos ainda continuavam vívidas na mente... Não estou preparado para isso. Realmente não.

Deixo os dedos passarem pelo edredom macio de sua cama e antes que perceba, estou chorando como um louco. Odeio a forma como estou sensível, mas odeio ainda mais ter que lidar com esse término. Logo agora que as coisas estavam bem. Eu só queria voltar atrás e fazer diferente. Ele não me dá a oportunidade que preciso e eu nem ao menos sei o que devo fazer.

Sento-me da beirada da cama, refletindo sobre os acontecimentos recentes. Além de tudo, ficarei desempregado. Esse emprego representava muito para mim. Tudo bem que estava longe de ser a minha área, contudo oferecia conforto e condizia com a minha rotina, assim como o que eu precisava.

O nó na garganta não vai embora nunca, enquanto reflito que estou realmente ferrada. Irei encontrar outra oportunidade como essa? Talvez não até me formar. A parte boa é que graças ao dinheiro da viagem, terei tempo de procurar alguma coisa com calma.

Pensar no dinheiro da viagem embrulha o meu estômago. Ainda acho que não é certo, mas conheço Namjoon bem o suficiente para saber que não vai voltar atrás em relação a isso. Por mais irritado que esteja comigo.

Tombo o corpo para o lado, deitando encolhido em sua cama confortável. Abraço os joelhos e deixo as lágrimas escorrerem pelos meus olhos sem culpa. A melhor forma de fazer a dor passar é colocando para fora. Sei que tenho um tempo considerável até o cliente de Namjoon ir embora. Até lá, imagino que não vá sentir a minha falta. Hoje é mesmo o último dia, por isso não é como se importasse eu estar lá em baixo ou em qualquer outro lugar.

De alguma forma, essas cobertas estão infestadas com o perfume intenso de Namjoon. Inspiro profundamente, revirando os olhos ao sentir a fragrância. Tento memorizá-la, com saudades precoces. Embalada no cheiro que tanto gosto, acabo adormecendo depois de uma noite inteira em branco.

A primeira coisa que percebo ao abrir os olhos é que anoiteceu. Pisco algumas vezes, tentando me situar e lembrar como vim parar aqui. Santo Deus, quantas horas estive apagada?

Com um impulso, levanto-me da cama e me espreguiço, reparando que a chuva finalmente cessou. Ainda era de manhã quando subi ao quarto de Namjoon. Por que ele não me acordou, no fim das contas?

Caminho até o banheiro e lavo o rosto, varrendo a sonolência para longe. Encontro-me imerso em uma sensação estranha, um vazio enorme... Meu último dia de trabalho passou e eu nem ao menos vi. Isso é injusto! Se esse é mesmo o último dia que vou vê-lo, então eu nem aproveitei. Mesmo que ele estivesse sendo um idiota.

Por algum motivo, imagino que Namjoon deva estar em sua academia particular e, por isso, decido que esse será o meu destino. Meu sexto-sentido nunca costuma falhar e isso me poupa tempo procurando nesta casa gigante.

Assim como previ, ele está lá. Encontro-o deitado em um banco, fazendo supino. O movimento que faz com a barra e a forma como os seus músculos estão inchados é de tirar o fôlego. Nunca o tinha visto praticando exercícios antes e a visão é de encher os olhos.

Entro em passos silenciosos, não permitindo que ele perceba a minha chegada. Meus olhos demoram-se nos seus braços fortes, cuja manga da camisa fica justa a ponto de quase romper.

Recosto a cabeça contra a parede, meu único desejo é poder resolver as coisas. Já sinto a sua falta. Quero o seu toque protetor, quero seus lábios nos meus... Quero-o comigo, desesperadamente.

Como que lendo os meus pensamentos, Namjoon abre os olhos, flagrando-me pelo imenso espelho em sua frente. Encaixa, então, a barra no suporte e se senta, com a respiração agitada.

— Não sabia que estava aqui — ele murmura, sem jeito. Uma de suas mãos vai até a nuca, coçando-a desajeitadamente.

— Acabei de chegar... — sussurro, tentando avaliar o estado de seu humor. — Por que me deixou dormir todas essas horas?

— Parecia cansado — ele inclina ligeiramente a cabeça para o lado. A expressão em seu rosto é de carência, que eu tanto amo. Como se pedisse silenciosamente por colo. Droga, isso torna tudo mais difícil.

— Eu estava — admito, sentando em um dos equipamentos. — Mas hoje era o meu último dia, eu podia ter organizado sua agenda, ou algo assim.

Namjoon abaixa os olhos, mirando em direção aos sapatos. Ouço-o respirar fundo, ao passo em que esfrega o rosto algumas vezes.

— Você tem certeza que quer isso? — pergunta e sua voz é triste.

Não tive muito tempo para pensar, desde que dormi a tarde inteira quando deveria estar trabalhando. A verdade é que talvez seja realmente melhor. Não é saudável misturar as coisas. Sei que mesmo que ele não volte a me tratar com grosseria, cedo ou tarde vou acabar enlouquecendo tendo que trabalhar com ele e sabendo que não teremos mais nada. Imagine só marcar algum compromisso em sua agenda com outra pessoa... Caramba, não! Não consigo nem imaginar.

— Acho que é o melhor a se fazer...

— Tudo bem — sua voz é séria, ainda que o tom seja ameno. — Vou passar para o escritório amanhã cedo.

— Ok — sussurro, o nó na garganta é tão grande que quase me sufoca.

— Se não se importar em me esperar tomar banho, eu te levo até a sua casa. Já está tarde para ir sozinho — Namjoon diz, erguendo-se do banco.

Adoro vê-lo usando calças de moletom. Contrastam com a visão séria que já tenho dele, e o deixam igualmente sexy.

— Não precisa se incomodar! — digo, distraído em meus pensamentos.

— Não é incomodo — ele dá nos ombros, seguindo para dentro de sua casa.

Sem pensar duas vezes, sigo os seus passos, mas, ao invés de acompanha-lo até o quarto, contento-me em esperar na sala. Tenho que me acostumar a não tê-lo mais por perto, de toda forma.



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