História Meu Chefe ( Namjin ) - Capítulo 24


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Bts, Jhope, Jimin, Kook, Namjin, Taehyung, Yoongi
Visualizações 283
Palavras 3.881
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá voltei kkkkkk


Só duas palavras :

Está acabando

Capítulo 24 - Uma Visita


O frio é tão intenso que me sinto como se estivesse dentro de uma geladeira gigante. Nada contribui com o meu péssimo humor, exceto a mensagem que recebi de Yoongi a poucos minutos, dizendo que estava vindo aqui me visitar. Segundo ele, hoje será o meu ultimato para seguir em frente. Também pudera, já faz duas semanas desde que vi Namjoon pela última vez. O encontro só se deu pelo fato de eu estar me desligando da empresa. Fui até a sua casa, assinei um punhado de papéis e então, com um sorriso amarelo, rumei pelo caminho de volta, segurando as lágrimas até chegar no meu apartamento.

A pior parte de tudo, é que dentro de mim sempre existiu uma nesga de esperança em relação a nós dois. Quero dizer, mesmo que Namjoon estivesse furioso e provocativo, eu realmente acreditei que passado um momento de fúria ele acabaria tentando se reaproximar de mim.

No entanto, quanto mais os dias passavam, menos fazia sentido para mim do porquê eu acreditei nisso. Ele disse que me amava, mas que tipo de amor podia ser esse, já que estava conseguindo me esquecer com tanta facilidade?

No momento em que a ficha finalmente caiu e percebi que tudo tinha de fato terminado, foi um baque. Desde então, tudo o que tenho feito é andar de pijamas o dia todo, comendo brigadeiro e assistindo comédias românticas com finais felizes. É mais fácil acreditar que pelo menos para algumas pessoas as coisas dão certo.

Não vou dizer também que, vez ou outra, não derrame algumas lágrimas ao me lembrar dos nossos momentos juntos. Às vezes me pego revivendo alguma situação e, antes que perceba, estou encolhida no sofá, tentando entender como que em tão pouco tempo Namjoon conseguiu criar raízes tão profundas em mim.

Tão logo a campainha toca, levanto-me do sofá em um pulo, com o coração batucando violentamente contra o peito. Meus olhos estudam o apartamento e sinto uma onda de culpa ao me dar conta da grossa camada de pó que reveste os móveis. Tenho estado abandonado, isso é verdade. Talvez a visita de Yoongi seja uma boa ideia, sendo ele tão espontâneo e alegre como é.

— Céus, Jin, você está horrível! — é a primeira coisa que me diz assim que me afasto a porta.

Abro os braços, esperando que os seus me envolvam. O contato é acolhedor e, diferente de mim, Yoongi está estonteante como sempre. Seu perfume suave penetra as minhas narinas, lembrando-me de que preciso lavar o cabelo. Deve estar com um aspecto apavorante... Droga, estou mesmo uma bagunça. Isso é péssimo.

— Quem te vê nesse estado acha que você acabou de se divorciar depois de, sei lá, cinquenta anos casada — sua voz ressoa alegremente enquanto caminha para dentro do apartamento.

Não é como se eu tivesse em posição de negar, de toda forma. Não mesmo. Sei que estou deplorável, sei também que para alguém de fora pode parecer insano isso mexer tanto comigo. Entretanto, tudo o que Namjoon me provoca, ou a forma como consegue me deixar alucinado com tão pouco... sei que nosso relacionamento foi intenso o bastante para justificar o meu sofrimento. Mereço isso, ao menos. Já que estraguei tudo, nada é mais justo que apreciar a dor até que ela não exista mais.

— É assim que me sinto — admito, jogando-me contra o sofá.

— Eu sei amigo, mas não adianta nada ficar na fossa o resto da vida. Vamos lá, essa não é o Jin que eu conheço!

Observo-a abrir as janelas, deixando uma corrente de ar congelante circular pelo meu lar. Estremeço por alguns momentos e contenho o impulso de fechá-las novamente. Sei que é exatamente um empurrãozinho que estou precisando. Ele tem razão, não posso chorar o leite derramado para sempre. Além de que já está ficando patético. Preciso mesmo seguir em frente.

Respiro o ar puro, abraçando os joelhos. Tenho sorte por ter Yoongi, no fim das contas. Sei que deve ter trocado sua folga só para estar aqui comigo nessa tarde. Ele é demais.

— Bem, em minha defesa, eu estava pensando em viajar para a casa dos meus pais por um tempo — digo, por fim. — Aproveitando que não tenho mais um emprego e também que a universidade está em greve... Seria bom para refrescar os pensamentos.

Ele me lança o seu melhor sorriso, de dentes muito brilhantes. Vejo em seus olhos castanhos que está honestamente feliz com as minhas palavras.

— É disso que estou falando! Bola para frente! — Sua companhia, aos poucos, vai trazendo a lucidez de volta para mim.

— E aí, quais os planos para hoje? — pergunto, decidindo que finalmente quero abandonar o meu esconderijo secreto e encarar o frio intenso lá de fora. Ao menos não está chovendo. E, para Seul, isso é uma coisa e tanto.

— Vamos para o Mueller, distrair um pouco a sua cabeça. Que tal um cinema? — ele me pergunta e nego categoricamente.

— Não aguento mais assistir filmes — disparo, levantando-me de supetão. — É sério, não aguento mesmo. Foi a cota para o ano inteiro.

— Podemos gastar um pouco de dinheiro, então... Sabe o que dizem né, o melhor remédio para curar a tristeza é um par de sapatos novos.

Suas palavras finalmente têm algum efeito sobre mim. Ouço a minha risada preencher o apartamento, como há muito não fazia. A sensação é reconfortante e, aos poucos, liberta-me da nuvem negra que me acorrentou nos últimos quinze dias. O bom é que Yoongi me conhece tanto depois desses três anos de cumplicidade... Só ele saberia o quanto isso me faz bem. Preciso mesmo comprar algumas calças. 

— Bem, vou tentar dar um jeito em mim mesmo — digo, indo em direção ao quarto.

— Ai hyung, não tem como fazer milagre, né? — ouço dizer da sala e solto uma gargalhada gostosa, grato por ele estar aqui comigo.

Depois de horas andando e de ter comprado mais roupas do que eu gostaria, paramos para comer algo na praça de alimentação. Yoongi é do tipo fitness, por isso escolhe um sanduíche natural e suco detox. Fico me perguntando qual a graça em comer no shopping se for para ser isso.

Eu peço um combo de hambúrguer com batata e refrigerante, do maior e mais gorduroso que consigo encontrar. É disso que preciso. Tento ignorar o olhar de desaprovação que ele me lança quando apareço com a minha bandeja na nossa mesa, mas não é culpa minha que comer porcaria é infinitamente melhor do que comida saudável.

Yoongi está com os  cabelos negros meio bagunçados enquanto se distraí com o seu sanduíche que não parece nem um pouco apetitoso. Fico me perguntando quanto tempo devia estar para vender, porque me recuso a acreditar que existam mais pessoas como o meu amigo geração saúde.

Dou uma abocanhada no sanduíche cheio de cheddar e bacon, dando-me conta de que consegui passar uma tarde inteira sem pensar em Namjoon. Ok, falhei miseravelmente agora, mas isso já é um avanço. Talvez o melhor seja mesmo viajar e passar um tempo com a minha família e os meus amigos de infância, assim, quando for a hora de voltar para Seul, isso que vem me derrubando já terá ido embora. Ao menos quero ser otimista por pensar dessa forma.

De repente, um pensamento invade a minha mente de supetão. Preciso me reerguer e nada é melhor para isso do que um tapa no visual. Eu já vinha mesmo pensando em fazer algo com o cabelo, de toda forma.

— Yoon — chamo com a boca cheia, ganhando a sua atenção. — Você tem planos para essa noite?

— Não... O que quer fazer?

— Vamos passar no Lady&Lord e ver se eles têm um horário para mim? — pergunto, alcançando um punhado de batatas e tentando colocá-las todas de uma vez na boca.

— Jin, come isso direito! — Yoongi me repreende, apesar de estar rindo com a visão. “Qual é, preciso estar à vontade”, penso irritado. — Você quer fazer as unhas, ou algo assim?

— Não é uma ideia de todo ruim — admito, encarando minha mão abandonada. — Mas não, quero mudar o cabelo... Estou pensando em ficar loiro.

— Uau, sério? — seus olhos escuros estão redondos de surpresa. — Assim, do nada?

Dou nos ombros, limpando a boca com um guardanapo. Por um momento, tenho a sensação de que Yoongi viu algo diferente atrás de mim, uma vez que se arrumou desconfortavelmente na cadeira.

Tento olhar por cima do ombro, no entanto ele volta a falar comigo.

— Você ficaria lindo loiro... Bem, ficaria lindo de qualquer jeito. Mas por que assim tão de repente?

— Ah, olha pra mim! Estou um caco! — Gesticulo, tentando me fazer entender. — Nunca fui assim e não é agora que preciso ser... Desleixo não é muito a minha cara.

— Não mesmo — sua voz é distante e seus olhos continuam fixos no mesmo ponto.

— A próxima vez que eu cruzar com Namjoon, ele vai se arrepender de não ter vindo atrás de mim. Vai ver o que está perdendo! — digo, em meio a risadas debochadas. Estou brincando e ele sabe disso, mas eu bem gostaria que fosse verdade.

Diferente do que esperava, contudo, Yoongi não me acompanha no riso. Isso me incomoda um pouco porque, no geral, estamos sempre rindo além do necessário.

— Podemos ir, então? Já terminou? — ele indaga com cautela. Isso não soa bem... O que ele está vendo, afinal de contas?

Giro o corpo novamente, tentando buscar o que a está deixando desconfortável dessa forma. Sigo a direção que seus olhos estavam mirando e não demoro muito tempo, dessa vez, até encontrar o que a estava afligindo.

— Oh — limito-me a dizer, reconhecendo Namjoon sentado em uma mesa na outra extremidade da praça de alimentação.

Está realmente incrível com sua camisa de corte italiano e o colete por cima. Lindo como sempre é e intimidante também. Meu coração aperta violentamente, entretanto, assim que os meus olhos recaem para a mulher elegante com a qual está conversando tão entretido.

“Filho da mãe!”

Instantaneamente sinto o rosto queimar e o coração acelera com uma força preocupante. Maldito! Enquanto eu passo os meus dias lamentando o nosso fim, ele está com outra? Já?

A cor de Yoongi é drenada para fora do seu rosto, sei que ele está preocupado com qual será a minha reação. As minhas mãos encontram os cabelos e muitos pensamentos começam a me bombardear. Eu poderia ir até lá e gritar um punhado de palavras grosseiras sobre como me sinto agora. Ou ao menos poderia só passar lá e cumprimentá-lo, para que a minha presença fosse conhecida... Droga, isso machuca! Estou me sentindo enganado e a sensação é terrível.

— Jin... — a voz do meu melhor amigo me puxa das sombras para a realidade. — Deixa isso pra lá. Vamos lá no Lady&Lord... é o que você precisa.

— Mas Yoon... — suplico, lutando para não chorar em público. É humilhante para caramba descobrir que a pessoa que não sai dos meus pensamentos foi rápida em me tirar dos dela. — Ele não pode fazer isso comigo!

— Eu acho que não vai ajudar em nada você estar lá agora. Só vai piorar tudo, vai por mim — sua voz é cuidadosa e entendo que ele está sendo honesto com sua preocupação. — Sei que você está querendo gritar um pouco, eu te conheço. Mas você precisa me ouvir.

Suas palavras me fazem rir, apesar de tudo. Ele tem razão, no fundo eu só quero fazer um barraco para aliviar a raiva que estou sentindo. Sinto-me um idiota por ter acreditado que ele gostava verdadeiramente de mim. Seja lá o que tivemos, estou certo de que acabou. A única coisa que preciso é superar isso.

Assinto a contragosto, terminando o refrigerante em um só gole. Junto as sacolas, assim como a bolsa e sigo em direção à escada rolante, sem me importar em olhar para trás. É isso. Isso era o que eu precisava para seguir em frente. Acho que no fundo ainda tinha uma pequena esperança de que Namjoon pudesse aparecer a qualquer momento no meu apartamento, com o seu melhor sorriso no rosto que derreteria as minhas pernas.

Agora, no entanto, a única coisa que sinto é raiva. Raiva de mim, raiva dele, raiva do que vivemos. Sei que não há maneiras de mudar o que já foi e mesmo que houvesse, eu não faria. E isso é o que me deixa mais irado. Eu devo ser algum tipo de masoquista.

Com Yoongi na minha cola, percorro o caminho todo em silêncio. Por sorte, ao chegamos finalmente no salão, descubro que eles têm alguns horários disponíveis. Estremeço momentaneamente, mas é ao me lembrar de Namjoon com aquela mulher que junto todas as forças para decidir fazer a mudança. Preciso disso. Preciso mostrar para mim mesmo que sempre existe um recomeço. Afinal de contas, sou o novo solteiro do pedaço. Se eu continuar esse caco, vou continuar sendo solteiro por muito tempo.

Num ímpeto de coragem, sinto que estou preparado. Tenho sorte por Yoongi esperar comigo, porque sei que vai levar horas até que esteja livre.

Aproveito a minha falta de cautela com o dinheiro hoje e decido que preciso cuidar de mim. Eu mereço. Já que estou no inferno, por que não abraçar o diabo? Faço as unhas, tiro a sobrancelha e, quando depois de quase quatro horas o meu cabelo fica pronto, não me arrependo da fortuna que estou gastando. Porque não vejo dessa forma. Estou investindo em mim! Nada é mais justo que isso depois de uma quinzena de sofrimento.

— Uaaaau, Jin! — A voz de Yoongi ressoa, externando o meu sentimento. Eu não sei se é porque eu estava realmente ruim antes da transformação, mas o fato é que ficou incrível.

Percebo que estou sem respirar ao estudar pelo reflexo as madeixas quase platinadas, que caem sobre meus olhos  . Meus dedos instintivamente vão de encontro ao cabelo, movimentando-o enquanto tento me acostumar com a minha nova imagem. Estou me sentindo o homem  mais lindo de Seul inteiro. Isso é bom!

— Minha nossa, eu nunca mais quero ter outra cor de cabelo! — sorrio e o cabelereiro parece relaxar. Dou-me conta de que o meu silêncio o tinha deixado preocupado.

— Não é o primeiro que diz isso! — ele sorri para mim, passando silicone nos fios, para finalizar seu demorado e satisfatório trabalho.

— Você ficou lindo!! — Yoongi diz, com um sorriso no rosto. Vejo nos seus olhos que está exausto, contudo. Devo admitir que também estou, o dia foi longo. — Fiquei com um pouco de inveja!

Tão logo suas palavras pariam pelo ar, nós rimos feito duas crianças alegres. Meus pensamentos vagam para o caco que eu estava ainda hoje e constato que foi realmente bom esse tempo que tivemos juntos. Ao menos já estou com a autoestima recuperada.

A pior parte de comprar muitas coisas quando não temos um carro, é que é um inferno carregar as sacolas em um ônibus apinhado de pessoas. Eu podia, pelo menos, ter chamado um táxi, mas achei que já tinha gastado muito. E, já que agora estou desempregado, tenho que fazer o dinheiro da viagem render até que arrume um bom emprego.

Ao pular para fora do ônibus, no meu ponto, a rua está deserta. Odeio estar na rua neste horário, por isso apresso o passo e quase corro em direção ao meu apartamento.

Com os fones de ouvido presos na orelha desde que saí do shopping, ouço o locutor fazer a chamada da próxima música: Fireside da banda Arctic Monkeys. Resolvi deixar na rádio do celular, para evitar as músicas de fossa que eventualmente acabaria escolhendo. Realmente não conheço nada dessa banda, mas assim que começa a tocar, é quase como se fosse uma grande piada com a minha cara.

  

“Eu não consigo explicar, mas eu quero tentar

Existe essa imagem de você e eu

E ela vai dançando pela manhã

E pelo período noturno

  

Existem todos esses segredos que não consigo guardar

Como em meu coração existe aquela suíte de hotel

E você viveu lá muito tempo

É meio estranho agora que você se foi”

  

A voz rouca e sexy do vocalista me embala junto dos arranjos de baixo, guitarra e bateria. Sinto como se as batidas do meu coração acompanhassem o ritmo da música e estou enlouquecendo com o fato de que parece ser para mim.

  

“E eu pensei que era seu para sempre

Talvez eu estivesse enganado

Mas eu simplesmente não consigo passar o dia

Sem pensar em você, ultimamente”

  

Algumas gotas de chuva começam a irromper do céu, por isso aperto o passo ainda mais, desejando chegar antes que a chuva engrosse. O dia foi tão bom, não preciso que ele encerre sendo um desastre. Essa música é incrivelmente desconcertante. Eu poderia ouvi-la em qualquer outra época da vida e não teria me acertado tão em cheio como neste momento.

Ao virar a esquina que dá para a minha rua, sinto o coração parar por alguns segundos. Na frente do prédio em que moro, está estacionada uma Mercedes branca que já conheço bem demais. Isso definitivamente é uma piada do universo!

“O que ele está fazendo aqui? Por que agora?”

Respiro fundo e automaticamente diminuo a velocidade, tentando me preparar para isso. Arranco os fones de ouvido, guardando-os dentro da mochila . Então perco a força nas pernas em uma fração de segundo, e sinto como se pudesse tombar a qualquer momento. Isso não estava nos planos, não sei o que fazer!

Quanto mais me aproximo do carro de Namjoon , menos coragem tenho. Decido que vou fingir que não o vi. Tudo bem, a ideia parece estúpida, mas não sei se consigo fingir que está tudo ok e que a vida está uma maravilha, quando na verdade não está.

Sigo pela calçada e, quando finalmente alcanço o seu carro, noto que a janela está aberta. Namjoon está segurando o volante com as duas mãos e sua testa repousa sobre ele. 

Comovido pela visão, permito-me parar ao lado do veículo, deixando que meus olhos captem o máximo de detalhes possíveis. Seus cabelos dourados brilhando com a luz dos postes, suas mãos bem cuidadas apertando com tanta força o volante. A forma como fica incrível vestindo coletes...

Então me lembro do quanto ele parecia absorto na conversa com a mulher que o acompanhava hoje e isso me deixa destruído. “Ele acha que sou o quê?”

Respiro fundo e começo a girar os calcanhares em direção à entrada. No entanto, mais uma vez por ironia do destino, Namjoon  ergue o rosto, quase como se tivesse sentido a minha presença.

Nossos olhos se encontram e sou capaz de afirmar que nosso contato visual é tão intenso quanto uma corrente elétrica. De repente, os músculos de todo o meu corpo começam a formigar e a minha cabeça flutua para longe.

Sua expressão é indecifrável e isso me irrita um pouco. Por que ele tem que ser tão complicado? Sem perceber o que estou fazendo, arrisco um passo para mais perto do carro. Consigo sentir o seu perfume aqui de fora e é tão delicioso... Como sinto falta de estar envolta por seus braços protetores, de sentir o seu beijo, ou do contato de suas mãos grandes contra a minha pele. Santo Deus, não estou preparado para isso.

— O que está fazendo aqui? — indago, com a voz me traindo. Ela entrega o quanto estou atordoada com a sua visita.

Namjoon  dá nos ombros, com aquela merda de expressão pedindo colo que me deixa sem fôlego.

— Podemos conversar? — ele responde a pergunta com outra.

— Não temos nada para falar! — explodo, fazendo-o arregalar os olhos em surpresa.

Não era exatamente essa a resposta que tinha imaginado nos meus devaneios. Nas diversas vezes em que fantasiei o nosso reencontro, eu sempre era mais gentil. A verdade, entretanto, é que estou com o orgulho ferido. Vê-lo com outra mulher depois de quinze dias sem me procurar foi doloroso o suficiente. Não vou facilitar para ele, ainda que isso signifique que vou sofrer igualmente.

Namjoon rola os olhos em suas órbitas e noto que seus dedos estão batucando de maneira impaciente contra o volante.

— Por favor, pode deixar de ser teimoso e entrar nesse carro?

Oi? Como ele pode ser assim? Ele acha que pode simplesmente chegar e me falar o que fazer? Não, as coisas não serão do jeito dele!

— Não — digo simplesmente, como uma criança mimada.

Sinto as bochechas queimarem sob o seu olhar intenso. Suas íris escuras  parecem travar uma batalha no mais íntimo do seu ser. Observo-o cobrir o rosto com as mãos, respirando fundo. Percebo sua impaciência.

Penso por um milésimo de segundo no quanto desejei esse encontro. A forma como ansiei que ele me procurasse, tendo em vista que eu me recusava a fazê-lo. Mesmo que fosse apenas para colocarmos um ponto final, definitivamente. Por esses dias, foi tudo o que eu mais quis.

Ele está aqui, indo contra o seu ímpeto de se esconder sob sua camada impenetrável, onde não me mostra o que sente ou pensa. Está aqui por um motivo e decido que quero descobrir esse motivo.

Sem falar palavra alguma, abro a porta de trás, onde deixo as sacolas. O alivio é imediato, afinal elas estavam pesadas. Contorno o carro em passos decididos e entro na sua Mercedes, sentando-me no banco de passageiro.

Contenho um sorriso amargo ao me lembrar de quando ele veio aqui me buscar e me levou no meio do nada... Minha nossa, para o bem da nossa conversa, preciso afastar esses pensamentos. O problema é que sua presença me afeta demasiadamente. Isso é perigoso.

Ao contrário do que pensava, no entanto, Namjoon não arranca com o carro. Apenas inclina o banco para trás, cruzando os braços sobre o peito. Ao virar o seu rosto em minha direção, sinto cada músculo do corpo vacilar.

— Você está lindo... — ele sussurra e leva a mão direita até o meu cabelo, sem a minha permissão. Seus dedos se enroscam brevemente em uma mecha loira que pende sobre o meu olho, torcendo-a com leveza. — Ficou muito bem em você!

Fecho os olhos, lutando para me manter firme. O fato é que estou a ponto de surtar. As sensações que ele me provoca conseguem se sobressair em relação a minha mágoa.

— O que você está fazendo aqui? — Ouço a minha voz pairar entre nós dois, e estou feliz por me impor. Se ele achava que eu iria desistir de descobrir isso, estava enganado.

— O que você acha? — Sua voz é um pouco mais áspera do que eu gostaria. Acho que ele também notou, uma vez que se corrige. — Vim te ver!

— E por que só agora? Já passou um tempo considerável — ergo as pálpebras, encontrando os seus olhos me encarando de volta.

Percebo pela sua expressão que ele está lutando para conseguir falar e isso me desarma completamente. Namjoon gira o seu rosto para o outro lado, evitando me encarar e então ouço a sua voz sair num sussurro:

— Não é só agora... Tenho vindo todas as noites desde que você foi assinar sua rescisão.

“Ah. Meu. Deus”. 



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