História Meu Chefe ( Namjin ) - Capítulo 26


Escrita por:

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Bts, Jhope, Jimin, Kook, Namjin, Taehyung, Yoongi
Visualizações 319
Palavras 1.916
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 26 - Cantando Pneu


A temperatura do carro sobe drasticamente ao passo em que o meu mundo gira depressa. Namjoon tem o dom de me levar sempre ao ápice dos sentimentos.

— O quê? — pergunto, mas não o dou tempo de responder. — Vindo aqui? Não faz sentido! Por que nunca subiu?

— Não é tão fácil quanto parece... — ele encolhe os ombros, ainda olhando para o outro lado.

Muito embora seus olhos sejam demasiadamente intensos, eu preferia que estivessem em mim. Assim, ao menos, eu poderia captar um pouco do que está pensando.

— Você me quebrou — suas palavras vêm aos sussurros. — Mas eu sinto a sua falta.

Por mais que o gesto dele seja incrível, uma onda de raiva me toma de supetão. Por que estou reagindo assim a aproximação dele? A verdade é que as minhas orelhas estão queimando quando o observo olhar janela afora. Sem que possa evitar, deixo a pergunta que está me incomodando escapar pelos lábios.

— Então, se eu não tivesse passado por aqui hoje, você teria continuado vindo aqui todas as noites sem nunca falar comigo?

O seu silêncio é desconcertante. Namjoon, o advogado intimidante e poderoso com quem convivi, raramente ficava tão vulnerável como agora. Qual o problema?

— Parece mentira. — Ouço-me dizer e, finalmente, ganho a sua atenção outra vez.

Seus olhos estão brilhantes e é quase impossível desviar deles. Namjoon une as sobrancelhas, parecendo bravo com as minhas últimas palavras.

— Por que acha que estou mentindo? — pergunta e no mesmo momento, noto que o seu tom já esfriou um pouco. “Muito bem... Lá vamos nós”.

— Não sei... — digo, perdendo um pouco da coragem.

Ouço-o respirar fundo, para logo em seguida cruzar as mãos sobre o volante.

— Vai continuar na defensiva? — sua voz indica o quanto está cansado. Tanto quanto no dia em que pedi a demissão.

Isso tudo é uma enorme bagunça e não sei realmente o que pensar.

— Você me parece muito bem — falo por fim. — Quero dizer, pra mim é quase como se depois de duas semanas você tivesse sentindo falta de alguém para passar um tempo e daí se lembrou que eu existo.

Caramba. O que está acontecendo comigo? Eu sinto tanto a falta dele, no entanto quanto mais segundos passam dentro deste carro, mais o clima fica tenso.  As palavras estão pulando para fora da minha boca e sinto que apesar de sua confissão, estou chateado porque estamos lutando contra os nossos sentimentos. Podia ser tudo mais fácil. Mas porque, não é?

— Se existe alguém que parece ter superado aqui, esse alguém é você.

Seus olhos passam de mim para as sacolas em um movimento ligeiro. Estreito os olhos, ao mesmo tempo comovido e desconcertado com o seu julgamento. Se ele tivesse me visto no shopping mais cedo saberia que eu estava longe de estar bem, ainda hoje. O fato de eu ter ficado na fossa era puramente por culpa dele.

Inferno, Namjoon está me tirando do sério. Toda hora me lembro dele conversando com aquela vadia e sinto o sangue ferver. Ele deve ter me visto sair da praça... Isso definitivamente é um joguinho idiota. Eu não posso com isso.

— Se você veio aqui para jogar qualquer coisa na minha cara, então acho melhor eu subir.

Percebo que Namjoon aumenta a força nas mãos entrelaçadas, uma vez que os nós dos seus dedos estão ficando esbranquiçados. O mais irritante é que por mais que eu sinta a tensão que emana dele, ele luta o máximo possível para que eu não saiba. É sempre muito complexo entender o que se passa pela mente deste homem enigmático ao meu lado e mesmo os raros momentos em que se abre para mim duram muito pouco.

— Por que está tornando tudo mais difícil? — a forma como pergunta esconde um vestígio de tristeza.

Meu coração batuca ferozmente enquanto o observo decidir até que ponto vai expor o que está passando.

— Eu estou aqui, não estou? — ele continua e reconheço a irritação por trás de sua voz. — Por mais que eu não quisesse, não tenho a merda de uma escolha. Toda hora que fecho os olhos, a única coisa que consigo imaginar é que você me enganou, mesmo depois de te avisar que não divido nada que é meu.

— Eu não queria nada com ele!

— É mesmo? — Namjoon indaga, com a voz ficando mais alta a cada segundo. — Se a situação fosse o contrário, como estaríamos? Eu devo ser um idiota!

O ar ficou completamente rarefeito. Mal posso respirar aqui dentro. A tensão entre nós é quase palpável. Minha cabeça começou a martelar e já começo a acreditar que foi um erro ter entrado aqui.

— Eu te vi no Mueller hoje — digo simplesmente.

Ao contrário do que previ, no entanto, Namjoon não demonstra ter ficado abalado. Dado o nosso silêncio constrangedor, ele balança a cabeça, como se perguntasse silenciosamente “e daí?”.

Esse gesto é o suficiente para me afundar em uma nuvem negra novamente. É doloroso saber que ele acha que não tem importância o fato de ter passado a tarde na companhia de outra pessoa e que agora pode apenas chegar aqui e me contar uma historinha idiota de que tem vindo todas as noites me procurar.

Quero bater no seu rosto perfeito até ele deixar de ser assim!

— Eu te vi na droga no shopping e você estava com outra! — explodo, gesticulando loucamente para me fazer entender. — Como você acha que eu me sinto sabendo que enquanto sofro diariamente pelo nosso término, você está seguindo em frente assim tão fácil? Achei que me amava!

— Hey, calma! — ele suspira, segurando os meus pulsos com as suas mãos grandes. Percebo o quão inabalado está. — Não é isso. Por que não me perguntou sobre ela, se isso estava te incomodando?

— Porque eu não sou idiota! Eu penso o suficiente para ligar os pontos! — Cuspo as palavras, sentindo-me cada vez mais infantil e humilhado.

Meu único desejo neste momento é disparar para fora deste carro. Chega, ele já mexeu demais comigo. Preciso vestir os meus pijamas e assistir mais um punhado de comédias românticas no Netflix.

— Bem, eu fiquei sabendo de tudo pelo próprio Jackson  e ainda assim te dei uma chance de se explicar. Mesmo depois de você mentir pra mim, eu ainda estive disposto a te ouvir. Não acha que mereço o mesmo? Depois você pode tirar as suas próprias conclusões, assim como tirei as minhas.

Estremeço sob o seu olhar penetrante e aquiesço.

— Aquela era a minha psicóloga.

— No shopping? — Incredulidade passa pela minha voz.

— Odeio estar no consultório... por isso sempre nos encontramos por fora — ele me presenteia com um sorriso sincero. — Desde os quinze anos frequentando tantos lugares parecidos... Acabei pegando aversão.

Suas palavras penetram os meus tímpanos, deixando-me subitamente envergonhado. É tudo tão confuso, Namjoon é tão complicado. Nossa relação é complicada. Ou ao menos, passou a ser.

Esfrego o rosto com as palmas das mãos, mentalizando que queria estar em qualquer outro lugar do mundo. Estou magoado com a situação toda. Jackson  criou tudo isso e a única coisa que desejo é gritar com ele até que a raiva que estou sentindo passe.

No entanto, a culpa é minha. Eu escondi isso de Namjoon e sei que se a situação fosse inversa eu provavelmente não teria mais olhado na cara dele.

Preciso de um tempo. Isso é o que eu sinto. Preciso viajar para a minha cidade e colocar a cabeça no lugar. Não posso simplesmente ceder, porque me lembro da forma como ele foi grosseiro comigo no seu escritório e isso ainda machuca. Ainda que eu tenha errado, não sou o únic4a nesse jogo que foi contra as regras. Ele também errou.

— Preciso subir — digo por fim e vejo a surpresa em seus olhos .

Desapontamento toma os seus traços, conferindo-lhe anos a mais. Droga, sinto muito por isso. Realmente sinto. Venho desejado estar nos braços de Namjoon desde que nos separamos, mas agora que estamos perto da reconciliação, não parece tão simples na prática como é na teoria.

— Jin... — ele geme e vejo que está ultrapassando os limites de seu orgulho. Está relutando contra o desejo de se esconder em sua camada de “não me toque”.

Sua mão direita vem de encontro à minha coxa e eu deixo-a permanecer ali. O contato leva uma corrente elétrica para todo o corpo, deixando-me cheio de saudades. Minha nossa, por que estou fazendo isso? Porque não consigo simplesmente ceder?

— Seria mais fácil se você se abrisse mais comigo... — minhas palavras surpreendem a nós dois. Acho que no fundo estou farto de não saber nada sobre sua vida além daquilo que ele me deixa saber. — Nunca sei o que está sentindo ou pensando...

— Por um acaso você é exatamente assim, também — Namjoon suspira, virando novamente o seu rosto em direção à janela, para cortar o nosso contato visual. — Acho que você não tem ideia do quanto não me mostra nada. Estar aqui é contra tudo o que eu sou, mas eu estou. E mesmo assim você não colabora!

Suas palavras atropelam umas as outras, tamanha é a velocidade com a qual ele as cospe. Percebo que o estou deixando triste e isso também machuca em mim.

— Isso não tem como dar certo — murmuro, contra a vontade. — Somos muito diferentes, nós dois sabemos disso.

— Você só pode estar brincando comigo... — ele sussurra, ainda sem me encarar.

Meu corpo todo estremece e tenho a sensação de que ele foi para o quarto escuro de sua mente. Desejando não piorar as coisas um pouco mais, abro a porta do carro, provocando um estalido doloroso. Isso é o fim.

Eu sou um idiota por estar fazendo isso. Eu o amo demais, mas a minha vida ficou tão intensa. Foi tão complicado passar esse tempo longe dele para que simplesmente chegue aqui achando que tudo vai ficar ok tão facilmente.

Muitas coisas passam pelos meus pensamentos... Ele preferiu acreditar em Jackson. Não em mim. Ainda que tenha me dado o benefício da dúvida, preferiu seguir em frente. Não me deu um voto de confiança. Eu sei que não merecia, no entanto isso não torna menos doloroso.

Se eu tivesse permanecido trabalhando para ele, o quão ruim estaria a nossa convivência? Talvez estivéssemos nos xingando nesta altura do campeonato.

Dou a volta no carro e pego as sacolas, notando toda a tensão no corpo de Namjoon. Meus olhos captam o leve tremor em seus dedos e a forma como a sua respiração parece aumentar a velocidade a cada segundo. Ele não está bem. E se isso é o que eu causo nele, então realmente devemos nos separar. Ao menos por ora, tudo o que preciso é refletir.

Tão logo fecho a porta de trás e me preparo para entrar no prédio, sua voz vem fria e sem emoção de encontro aos meus tímpanos:

— Eu não vou mais persistir. Não além disso. Saiba que se você virar as costas agora, isso não tem mais volta.

— Talvez seja isso que a gente precisa — devolvo, fazendo-o revirar os olhos.

— Tudo bem, Seokjin. Espero que não se arrependa.

Suas palavras pairam ao meu redor por segundos a fio, ao passo em que o observo arrancar com o carro, cantando os pneus.

“Droga, o que foi que eu fiz?”



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...