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História Meu colega de classe um Tanuki - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Olá, como vocês estão? Espero que bem!
Tive essa ideia de fanfic, depois de ler um pouco mais sobre lendas japonesas. Pretendo fazer capítulos curtos e rápidos, mas ficaria feliz em saber o que vocês acham também sobre isso :)
Quero agradecer imensamente a @Suhomyeon que betou, maravilhosamente essa fanfic. Só Deus sabe quanto agradeço por te ter!
e a @Seokieeya que fez essa capa perfeita com todo carinho <3

Explicando um pouco, Tanuki é um ser mistico japonês retratado como um guaxinim, sua personalidade é de uma criatura brincalhona, astuta e, ao mesmo tempo, “atrapalhada.”
Por ser mistica ela consegue se transformar em qualquer coisa seja um ser humano ou um objeto.
Não se preocupem que irei explicar melhor durante os capítulos :)

Espero que gostem!

Capítulo 1 - Capítulo 1 - A voz que me salvou


Fanfic / Fanfiction Meu colega de classe um Tanuki - Capítulo 1 - Capítulo 1 - A voz que me salvou

Capítulo 1 - A voz que me salvou

 

A voz manhosa dele ecoava pelo beco que estava escuro e úmido, em meio a sua respiração rápida e seu toque quente sobre os ombros encolhidos do jovem rapaz, ele o olhava com um olhar gentil, um olhar caloroso, um olhar que o pequeno nunca mais se esqueceu 

 

Seul, Coréia do Sul, 2020

 

O sol acariciava cuidadosamente a pele macia e bronzeada do moço que resmungava embaixo das cobertas. Seu cabelo loiro bagunçado, estava grudado em seu rosto amassado que se recusava a se afastar do travesseiro macio, mesmo que já estivesse atrasado para a aula.

Kim Jongin não poderia ser considerado um dos melhores alunos que sua sala poderia ter, mas apesar de sempre arrumar briga, de alguma forma, ele sempre conseguia tirar notas altas e sair ileso de qualquer recuperação.

A voz cansada de sua mãe ecoou pela casa, o acordando:

 

— Jongin? Você já chegou atrasado na escola três vezes essa semana! Se hoje for a quarta, vou te colocar de castigo! — ameaçou.

 

O rosto jovem da mulher tinha uma expressão forte; olhos pequenos e amendoados, uma boca avermelhada e um cabelo curto de uma cor dourada. Feições essas que seu filho também tinha a sorte de possuir.

Sua voz era acolhedora e firme, mesmo que qualquer palavra dita por ela demonstrasse sua dupla jornada de trabalho, que sempre lhe tiravam o sono. Entretanto, nunca tinha sido fácil para uma mãe solteira criar um filho, e desde nova já havia se acostumado a cuidar de tudo.

 

— Senhor Kim Jongin, vou contar até três! Se eu chegar aí e você não estar pronto, você já sabe — ameaçou novamente.

 

O sapato da mulher fazia um barulho engraçado com a madeira da escada. Seus passos delicados iam pouco a pouco se aproximando do quarto do jovem, que já acordado e vestido, tentava se equilibrar em um só pé, enquanto colocava a meia e escovava o dente.

A maçaneta redonda de bronze agora deixava claro que nenhum atraso seria tolerado, e ele teria apenas um minuto para terminar de se arrumar. Um feito que  por conta de tanta prática tinha se tornado hábito do mais jovem. Porém, antes que sua mãe conseguisse terminar de abrir a porta, ele já pulava para fora do quarto e dando um beijo de despedida nela, fugiu em um só passo.

 

O céu azul abria caminho para o majestoso sol que brilhava forte no topo. Seus raios alaranjados se misturava com o cabelo loiro raspado do lado, do outro que balançava de acordo com os passos largos e apressados dele. Ele tinha apenas mais alguns minutos para chegar na escola sem que levasse uma advertência e por um golpe de sorte, algo que sempre o seguia, o portão ainda estava aberto o esperando. 

Suas inúmeras voltas no pátio da escola por conta das confusões que causava, finalmente tinha servido para alguma coisa, e ofegante com as mãos apoiadas no joelho, agradecia por estar lá dentro antes que o sinal tocasse.

 

(...)

 

As conversas e risadas da sala podiam ser escutada de longe. Todos se juntavam com seus amigos para discutir sobre alguma música ou filme novo que tinha saído nas redes. Quando o som da porta sendo aberta seguida de um resmungo cessou o barulho, o estudante alto passou os olhos pelo lugar procurando por alguém, todos em silêncio tentavam fugir do olhar furtivo do menino que fechava a cara e seguia para seu lugar. 

 

— Eai atrasado — cumprimentou um moço alto, com o cabelo arroxeado cortado no estilo mullet e um moletom cinza maior que seu tamanho. — Chegou na hora em.

— Cala a boca Chanyeol — respondeu Kim, passando a mão pelos fios dourados. — Fala ai, qual é a novidade? 

— Hoje vai estrear as novas cidades no Overwatch, e as skins novas da Symmetra. São esplêndidas. 

— Você tem noção que aquele lugar vai estar lotado certo? — questionou Jongin, se sentando. 

— Cara, já está tudo no esquema. — Se levantando e aproximando-se do amigo finalizou: — Hoje vai ser épico, vamos jogar até doer nossos dedos. 

— Ou até as nossas mães ligarem atrás de nós — sussurrou Kim, olhando para o amigo que já estava perdido em seus pensamentos. 

 

O sinal tocou e rapidamente cada um foi para seu devido lugar, aguardando pela professora, que sem muito atraso entrava na sala sorridente. Essa que tinha um longo cabelo castanho e rosto arredondado, se encaminha para a frente da sala pronta para dar um aviso.
 

— Certo pessoal, sentados. — Sua voz que era firme e alta, sempre chamava a atenção de quem estivesse passando pelos corredores. — Hoje temos um novo aluno na nossa escola. 

 

Ela deu um sinal para alguém o qual esperava ansiosamente lá fora. Os murmurinhos começaram dentro da sala e com passos rápidos e desajeitados um novo estudante se aproximava da professora. O jovem encolhido tinha um cabelo curto e castanho penteado todo para o lado esquerdo, seus olhos arredondados e brilhantes exclamava por atenção, não menos claro que sua boca em formato de coração, que agora mordida constantemente se tornava avermelhada.

 

— Se apresente, por favor — proferiu a jovem professora.

— Olá, eu me chamo Do Kyungsoo. — Sua voz era baixa e trêmula, deixando claro seu nervosismo. — Eu nunca estudei em uma escola assim antes, então por favor cuidem de mim. 

 

A mulher agora encantada com a fofura do menino, batia palmas fervorosamente. 

 

— Pessoal, cuidem do nosso novo estudante, ok?

— Sim, senhora Ha — concordaram todos. 

 

A moça colocou a mão na cintura e passou os olhos pelo cômodo, procurando um lugar vazio. Ela respirou fundo e procurou novamente uma carteira em um lugar que não fosse naquele mais temido pelos professores, mas o destino não a deu muita escolha e todos os lugares estavam ocupados. Então, a única coisa que a jovem professora poderia fazer era rezar para que o pequeno ficasse bem.

 

— Kyungsoo, você pode se sentar do lado do… — Houve uma pausa grande antes que ela terminasse a sentença. — Kim Jongin.

 

Ela deu um suspiro longo e encarou o mais jovem, que dando um sorriso malandro retribuía o olhar, antes que ela liberasse o pequeno advertiu-o:

— Tome cuidado com aqueles dois. Principalmente aquele loiro. 

— Que isso senhora Ha, eu sou uma pessoa tão boa — comentou o mais alto, soltando uma risada. 

 

Do assentiu com a cabeça e se direcionou para o fundo da sala. O olhar fixo dos alunos o acompanharam até seu lugar. O pequeno puxou a cadeira e sentou ainda encolhido. O outro ao seu lado tinha um cheiro gostoso de perfume e sabonete, seu corpo maior que do jovem se contrastava com o dele. Jongin tinha um corpo definido, um rosto com um maxilar afiado e belos lábios rosados, mas o motivo para seu coração bater tão rápido, não era apenas por conta de sua beleza indescritível, mas sim por conhecer aquela voz carinhosa, que havia o salvado alguns dias antes. 

 

As aulas passaram rápido e em um instante o intervalo tinha chegado. O horário passou e Kyungsoo não tinha conseguido conversar com seu parceiro de mesa, que agora rindo alto andava pelos corredores indo em direção a cantina.   

 

— Kai? — chamou o amigo que andava distraído. — Por que ele está seguindo a gente? 

 

O mais alto parou por um momento e olhou para trás. Lá estava o mais novo estudante da escola pública de Seul, parado, encarando os dois jovens. O pequeno mordeu os lábios e entrelaçou os dedos de nervoso, sem saber o que fazer ou falar. 

 

— Ei, pequeno? — Jongin chamou, se aproximando. — Acho que você se perdeu no meio do caminho para o banheiro.

 

Do sentia seu coração bater cada vez mais rápido com a aproximação do mais alto. Ele não entendia o motivo daquilo, pois nunca tinha sentido algo parecido. Se perguntava o motivo daquele menino loiro o fazer se sentir tão ansioso. O que ele precisava fazer para parar todo esse sentimento? Sem uma resposta e com sua respiração ficando mais rápida, simplesmente abaixou a cabeça e saiu correndo, voltando para a sala. 

Kim fez um bico e cruzou os braços, não tinha entendido nada do que havia acontecido. Park se aproximou do amigo, e batendo no ombro dele concluiu em um tom cômico:

— Você deve ter assustado ele com essa sua cara, por isso fugiu. Certeza.

 

Jongin encarou bem o amigo e deu uma risada irônica, enquanto o golpeava no braço. Ele podia não entender direito aquele pequeno moço, mas algo dentro de si, sentia uma grande necessidade de protegê-lo do mundo.

 

(...)

 

Anoiteceu na grande capital do país. Algumas pessoas já cansadas voltavam para a casa, enquanto outras terminavam de se arrumar para aproveitar a noite com os amigos. Um forte vento percorria pelas avenidas, que movimentadas e decoradas com o piscar das lanternas dos carros, reproduzia a sinfonia de um engarrafamento. As copas das árvores balançavam de acordo com os movimentos da brisa refrescante do final do dia. No relógio marcava meia-noite e os dois amigos riam discutindo sobre as partidas vencidas no jogo. Mesmo com a cafeteria lotada, a amizade entre Chanyeol e o funcionário do lugar tinha permitido que ambos aproveitassem o dia em mais uma jogatina. 

 

— Ainda bem que o Baek trabalha naquele café senão estaríamos ferrados — comentou Park, se encolhendo por conta do frio.

— Sim, por isso agradeça de forma apropriada o menino — respondeu o outro, fazendo uma cara de malandro.

— O que é essa cara, senhor Kim Jongin? Não estou te entendendo. 

— Ah Channie, não está entendendo o cacete, se acha que eu não sei que…

 

Entretanto, antes que Jongin continuasse a frase, uma voz familiar interrompeu sua linha de raciocínio. Um pouco mais a frente em um beco meio escondido, o mesmo estudante que havia se apresentado como Do Kyungsoo se encontrava encurralado por três homens que o puxaram pelo braço, enquanto o garoto pedia para parar. Kim fechou a cara e cerrou os punhos se aproximando deles. 

 

— Ei! Seu idiota, solta ele. — Sua voz alta ecoou pelo lugar, chamando a atenção do grupo. — Não estão escutando ele falar para o soltaram? 

— Quem é você moleque? — perguntou um dos homens. 

 

Jongin se aproximou deles e encheu o peito, agarrando rapidamente a gola da camiseta do jovem que tentava segurar Kyungsoo. Sem muito esforço, o levantou com uma só mão e proferiu mostrando os dentes:

— Será que eu vou ter que desenhar para vocês entenderam? 

 

Os outros dois amigos soltaram o menor, que caiu de joelhos no chão gelado e úmido. Kim encarou-os com todo ódio que poderia ter dentro do seu peito e jogou o moleque em cima dos colegas, que o ajudando a se levantar fugiram.

 

— Isso mesmo seus babacas! É melhor correrem! Se eu vir a cara de vocês de novo eu não vou ser bonzinho, seus merdinhas! — gritou Jongin, apontando o dedo.

— Você está bem Kyungsoo? — perguntou Park, o ajudando a se levantar. 

— Eles fizeram algo com você pequeno? — interrogou Kim, que se aproximou procurando algum lugar machucado. — Pode falar, que eu acabo com a raça deles.

 

O menor balançou a cabeça, negando qualquer ferimento. Arrumou sua roupa e respirou aliviado. Sem perceber, um toque quente se aproximou de seu rosto; a mão macia de Jongin arrumava seu cabelo castanho. 

Era um sentimento reconfortante. O coração de Kyungsoo começava a bater rápido de novo, seus olhos de jabuticaba se encontraram com o olhar castanho do maior, que se afastou coçando a nuca e dando uma risada tímida.

 

— Obrigado por me ajudar. — A voz saiu baixa e seu rosto queimava por conta da vergonha. 

— Você devia tomar cuidado. — Chanyeol comentou, se espreguiçando. 

— Sim, tem que tomar cuidado com lugares assim. 

 

Do deu um sorriso de lado e concordou. Com os cantos dos olhos, Jongin o olhou por um momento, seu rosto ruborizado e delicado fazia seu coração palpitar, como ele podia ser tão belo?

 

— Você mora por aqui? — perguntou, engolindo em seco. 

— Eu moro no final da rua — respondeu Kyungsoo, olhando para o relógio. — Eu preciso voltar.

— Tome cuidado ao voltar — falou Chanyeol, dando um sorriso. 

— Preste atenção pelo caminho. 

 

O menor agradeceu novamente e começou a andar indo em direção a um prédio mais a frente. Os dois amigos acompanhavam ele com os olhos para ter a certeza que chegaria em segurança em casa, e antes de entrar em um enorme edifício, Kyungsoo se virou para eles e deu um sorriso em agradecimento. A brisa soprou forte naquele momento, balançando os fios castanhos de Do; seus olhos se formaram uma linha e sua boca avermelhada se tornava um coração. Ele acenou e entrou.

 

Kim repousou a mão no peito e sorrindo, disse:

— Droga.

 

Chanyeol olhou para o amigo com uma expressão confusa e perguntou se aproximando:

— O que foi Kai?

— Acho que não vou conseguir lidar com esse nosso novo colega de classe. — Jongin colocou a mão na cintura e olhou para o céu estrelado. — Do Kyungsoo, que belo nome.


Notas Finais


Muito obrigada por ler!


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