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História Meu colega de quarto - Capítulo 40


Escrita por: Nmotivos e FTU

Notas do Autor


Ukkeeeeee
Sim, agora adeus kkkkk
Vou me trancar de volta no porão
Lc da rainha: @Blancchan

Capítulo 40 - Capítulo 40


É como um soco no meu estômago, que me deixa sem ar. É isso, acabou. Desabei na cadeira debaixo de mim, sentindo o suor descer pela testa. Meu corpo tremeu mais forte e tenho a impressão que meus olhos ardem, com a sensação de impotência. Senti alívio por finalmente ter uma resposta, mas, principalmente, vazio, por estar certo de que esta porta estava fechada para sempre. Quero chorar de frustração, bater em uma parede até rachar e gritar para que reconsidere, só que não consigo dizer nenhuma palavra. Demorou quase nada para que a coordenadora continuasse a falar:  

— Sinto muito. — Quinny arrumou os papéis na sua mesa, me entregando a folha do processo seletivo. 

Até esse momento, penso que estou sonhando, porque tive esse pesadelo algumas vezes, mas é muito real. Ergui o rosto para o papel estendido. Demorei muito para conquistar todos os pré-requisitos da pós-graduação — todos os estágios, todos os artigos que precisei publicar e todas as monitorias que precisei fazer para conseguir as cartas de recomendação. Meu trabalho durante esses cinco anos parecia insuficiente agora. 

Queria que Lucy estivesse comigo. Logo ela vai estar, e vamos poder ir embora daqui. Vou ouvi-la xingar, irritada pelo resultado, mas acho que nada do que ela diga seja tão convincente quanto o circo que Erik, o seu colega de sala, montou. 

Penso no que devo fazer em seguida. Será que eu deveria enviar novas propostas para pós-graduação em outras universidades enquanto as vagas estão abertas, inventando alguma desculpa sobre estar enjoado desta instituição? Eles poderiam me aceitar.

Talvez eu meio que esteja agora. Neste momento, odeio esta instituição. Não estarei mais nela, depois que me formar.

Me sinto rejeitado e incapaz. É difícil engolir. Me sinto desolado.

— Ainda quero dar minha opinião sobre isso tudo — disse minha professora de pós-graduação, Padma. — E quem dá a palavra final sou eu, já que este é o meu programa de pós-graduação.

— A instituição não admite…

— Sei o que a instituição aprova ou não, Marian, eu vi o vídeo, mas também conheço este aluno. Ele é o melhor, dentre todas as turmas, e pode até participar de um esporte agressivo, mas se porta com louvor em sala. Então, preciso ouvir mais, porque essas histórias não batem e temos duas docentes reconhecendo que seus alunos não mentem. — Ela suspirou, interrompendo Quinny. — Não gosto de como isso parece inacabado.

Não sei bem o que fazer. Minha visão estava turva e preciso de água para me acalmar. Não sei o que mais posso falar. Gajeel está lá fora e talvez eu possa finalmente chamá-lo para me ajudar ou pedir para que ele procure Lucy, porque faz tempo que ela disse estar chegando, e minhas paranóias começam a encher minha cabeça de que ela se acidentou por aí. 

Não me permito me encher de esperanças, a adrenalina subiu e desceu tão rápido que minha visão escurece pela terceira vez.

Só que todos os pensamentos se dissolvem no instante seguinte, quando minha garota abre a porta da sala com uma determinação de ferro.

Erik resfolegou de surpresa. Os olhos dela estreitaram para ele, como uma águia irritada, e depois pousaram nos meus, como quem quer dizer "deixa comigo". 

— E quem é você? — perguntou Quinny, interessada.

— Lucy, sou a namorada dele. — Apontou para mim. — Desculpe a demora, a segurança não me deixou entrar no prédio. 

— Quê segurança? — disse Padma, curiosa. 

— Os que estão lá embaixo. Imobilizados pela equipe de lacrosse. — Ela limpou a garganta e tenho vontade de rir.  

É claro que eles estavam lá embaixo, instalando o caos no salão.

— Estranho, nunca tivemos esse tipo de restrição. Esse prédio não tem nada de especial. 

Então, as mãos de Erik se fecharam em punhos. Oh, ele tem haver com isso. E está puto, muito puto. Saber disso, me dá vontade de rir.

— Por que não voltamos ao ponto principal? Já vai dar o horário do almoço, o pudim acaba rápido — sinalizou Quinny. 

— Por que não conta o que aconteceu, Lucy? — disse Padma. E olhou para Quinny. — Não precisamos de você aqui, se acha que o seu pudim é mais importante, coordenadora. 

— Só acho que essa discussão não tem mais sentido — rebateu, cruzando os braços.

Lucy segurou a alça da bolsa e respirou fundo. 

— Vou fazer melhor do que isso. Eu tenho provas de que Natsu merece a bolsa. — A loira me olhou e, porra, não sei se quero gritar com ela, mortificado, ou beijá-la até a manhã seguinte. — Eu as reuni com Laxus.

O jogador de lacrosse, meu antigo amigo, entrou na sala, imponente dentro de uma roupa social. Tem uma maleta marrom nas suas mãos, o cabelo loiro está penteado para trás e por causa do seu tamanho e expressão. Está prestes a mastigar alguém com os dentes.

Mas é a expressão de Lucy que me traz tranquilidade. Acho que ela tem um plano que pode funcionar.

— Santo Deus — sussurrou Quinny. — O que esses meninos andam tomando?

— Quem garante que o que Laxus vai falar, seja real? Ele é um jogador, é amigo de Natsu — ralhou Erik, tocando nesse ponto outra vez.

 — Você esqueceu uma informação importante, Erik — disse Lucy.

— Minha família é dona do clube em Hargeon, onde tudo isso aconteceu. — Ele jogou a maleta na cadeira e a abriu, os olhos azuis martelaram o rosto do colega de Lucy. — E onde tudo foi filmado. 

Ele tirou um tablet e transmitiu o vídeo na tela, com todos os pedaços que Erik havia cortado. O momento em que me distanciei para o bar, ele apertando o braço da minha namorada e a jogando no chão, o sangue na sua coxa. Seu braço se erguendo contra ela, eu intercedendo o golpe. Rever essas cenas me deixa enjoado. 

Ao menos, posso ver o fingimento de Erik cair por terra. Ele se enterrou na cadeira enquanto as examinadoras erguiam as sobrancelhas. 

— Como podem ver, eu precisei ir ao hospital depois disso — falou Lucy. — Fui ao hospital de Hargeon no domingo para conseguir um laudo. Na época não achei que fosse necessário, então precisei entrar em contato com a equipe que me atendeu.

Laxus tirou o papel da maleta com a assinatura médica. 

— Nós temos alguns testemunhos por escrito e vídeo das pessoas do clube, o segurança, um dos garçons — Laxus foi depositando os papéis assinados na mesa. Os olhos azuis sóbrios encararam as examinadoras. — Se ameaçam com tanta facilidade a posição de Natsu na academia, deveriam questionar a de Erik também — disse ele. 

— Esse caos começou por minha causa — explicou Lucy. — Nós éramos colegas de um grupo do componente da senhora Marian neste último semestre. Ele se mostrou indiferente com o trabalho e descobri que o motivo é que ele está envolvido com a professora. 

— Envolvido? — indagou Quinny.

— Estão transando — traduziu Laxus.

— Mas que inferno está acontecendo aqui para que esta acusação esteja se repetindo? — A coordenadora encarou Marian, que arregalou os olhos. 

— Baseado em que vocês dizem isso? — Padma encarou Lucy.

— Ele nos seguiu para Hargeon, mas ele já deve ter contado essa história. O que não contou, e tenho sorte por ter um amigo da família que conhece o gerente do hotel onde nos hospedamos, é que Erik dormiu no quarto da professora naquele fim de semana. 

— Isso é mentira! — alegou Marian. — Não sei que brincadeirinha é essa que estão fazendo, mas agora chega! 

— Nós também temos a gravação do corredor do hotel — Laxus limpou a garganta e arqueou a sobrancelha. — Quer que eu mostre? Aviso que não é muito agradável aos olhos. 

Marian ficou branca como papel. Erik engasgou. A filmagem rodou antes que pudessem dar uma resposta. Não ouso ver, já é repulsivo demais ouvi-los no vídeo. No entanto, é satisfatório ver Erik empalidecer, até a tentativa falha de tentar pegar o aparelho, apesar da montanha loira que os separava impedi-lo.

— Acho que já é suficiente — Padma pediu para pausar o vídeo, sem graça.

— Erik ameaçou a posição de Natsu, porque eu sabia sobre o caso dele — Lucy contou e encarou ele. — Nós tivemos uma conversa há um tempo atrás, eu deixei meu celular gravando, escondido na mochila pra usar de prova. 

Então, ela mostra a conversa.

— Incrível como as coisas mudam, não é? Até pouco tempo atrás, estava feliz em me rejeitar e agora está colhendo os frutos disso. 

Ouvimos a voz de Erik, levemente abafada pelo tecido da mochila.

— Como é, cretino? É por isso que criou esse inferno? Inveja — disse Lucy. 

— Inveja de quem? 

— Fez isso de propósito. Admita, pediu para que a professora interferisse e pedisse a retirada de Natsu, apesar de que você é o agressor. 

— Não vejo como você pode provar isso — disse Erik.

— Eu ainda tenho os pontos na minha perna daquela noite, Erik. De quando você me jogou no chão com estilhaços de vidro.

— Ninguém vai acreditar. Natsu pode ter feito isso também. Acho que isso resultaria em um belo afastamento da universidade. Devo relatar isso à professora também. 

— O quê? — A voz dela soou incrédula

— Imagine a cena, depois de ter socado meu rosto, Natsu,um jogador com sérios problemas de controle, violenta a namorada. Provas? Um corte na coxa. Isso alimentaria os jornais da cidade por semanas.

— Eu vou desmentir. 

— Sua palavra não tem tanta relevância, querida. A não ser que comece a foder o coordenador do curso, como eu. — Ele estalou a língua. — Agora, por que não se senta? Pede um café. 

A gravação foi cortada. 

— Acho que temos provas o suficiente agora, não é? — Fitei Marian. 

Não consigo parar de pensar no quanto ela é esperta e forte. No que armou para conseguir chegar a essa conversa. Porra, ela foi para Hargeon no domingo e eu havia surtado por nada, só para que pudesse me surpreender com essa grande reviravolta. Eu não conseguia tirar os olhos dela. 

A sala continuou em silêncio, as informações sendo processadas pelo corpo docente. 

— Eu posso explicar… — gaguejou Marian. — Isso é completamente forjado. 

— Preciso ligar para o Reitor — Padma levantou da cadeira. — Este novo problema está além do que posso resolver. E você… — Então me encarou. — poderia me fazer o favor de devolver o papel na sua mão? 

Olhei a ficha da pós graduação e engoli em seco. Entreguei à ela, o som da respiração de alívio de Laxus e Lucy ao meu lado. Eu ainda estava em órbita, sem saber ao certo em que pé estávamos outra vez, mas a sensação de ser puxado para cima, para a superfície, onde havia ar, fez meus pulmões pararem de queimar. Lucy me abraçou, me levantando. 

— Está dispensado — Sorriu para mim. Fitou Erik. — Mas você não. 

Belisquei meu braço assim que sai da sala, esperando o impacto. Pisquei, com o coração engolido por milhares de sentimentos. 

— Conseguimos — Lucy gargalhou, batendo a mão na de Laxus, que riu alto. — Por um momento, achei que não íamos conseguir chegar a tempo. Ainda bem que o time estava lá embaixo. 

Virei-me para ela, apertando o seu corpo com os meus braços. Encarei seu rosto, com puro encantamento.

— Sua mentirosinha brilhante! — Apertei-a mais forte, ela me abraçou de volta, rindo. — Como…Quando… — Estava sem fala. Sem qualquer fôlego.

— Eu disse que ia resolver isso. — Mordeu o lábio inferior, o rosto corado. — Você não é o único gênio aqui, não é? 

Gargalhei. Minhas mãos pousaram nas suas bochechas. 

— Você é um gênio, eu nunca duvidei. 

Tomei a sua boca, explodindo com o misto de sentimentos que corriam dentro de mim. Ela havia feito tudo aquilo por mim, juntado todas aquelas provas e viajado em segredo para Hargeon para garantir que eu não perdesse a vaga na pós. Todo esse tempo estava preocupado com ela por nada. 

Porra, a garota era forte pra caralho. Posso ter negligenciado essa força, porque a necessidade de protegê-la era maior, mas que inferno, ela podia lidar com o que quisesse. E eu estava orgulhoso por sua dissimulação e por como apresentou todas as provas, sem piscar, com uma confiança de ferro. Nunca a tinha visto fazendo algo assim, tão séria e articulada no seu show para as examinadoras. 

Ela afastou os lábios dos meus, corada. 

— Laxus ajudou. E o time está lá embaixo, imobilizando os seguranças. Então, estão todos aqui. 

Encarei o homem parado e sem jeito à nossa frente. 

Ele deu de ombros, pondo as mãos dentro dos bolsos. 

— Você não merecia perder a bolsa. E Lucy pediu uma carona pra Hargeon — Limpou a garganta, desviando os olhos. — Achei que era uma boa ideia para me desculpar como vocês dois. Por tudo. 

Encarei Lucy, que assentiu com a cabeça, respirando fundo, e me limitei a sorrir. 

— Vamos comemorar. 

— Sabe, Laxus, só vou aceitar verdadeiramente suas desculpas se comprar uma torta de aniversário para mim — Lucy disse por fim, fazendo um biquinho. 

Ergui as sobrancelhas.

— Porra, é seu aniversário? 

— Não, eu só gosto de tortas. 

Laxus disse muito sério então:

— Escolha o sabor. 

Lucy deu um grito, comemorando. 




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