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História Meu coração está com você - Capítulo 1


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Notas do Autor


Primeira vez postando aqui.
Nesse universo todos tem um animal que é a representação da sua alma gêmea, com a personalidade dessa pessoa. O capítulo é na visão do Cristiano.

Capítulo 1 - Cristiano


Fanfic / Fanfiction Meu coração está com você - Capítulo 1 - Cristiano

Suas cadeiras foram colocadas juntas, é claro - como era comum acontecer com os finalistas do Ballon d'Or. Ele, Kaká e o jogador do barcelona estavam lado a lado, com algum espaço sobrando entre seu lugar e o de Kaká, assim como entre o de Kaká e do argentino, de forma que os animais de alma gêmea dos dois outros jogadores também pudessem ficar confortáveis com seus pares. Ele sabe que muitos irão se perguntar onde o seu próprio animal está, especialmente quando em contraste com a pavoa branca de Kaká, ou o jovem leão dourado ao lado de Messi. A sensação de penas eriçadas ao longo de seu pescoço é calmante, assim como o bico que penteia seu cabelo rebelde, enquanto sua mão acaricia de cima a baixo a plumagem vermelho-marrom. 

O pássaro que representa sua alma gêmea não é impressionante, belo ou incrível cantor. Suas cores não são brilhantes, chamativas ou especiais. Mas o que ele é, o que o pequeno, tímido passarinho aconchegado ao seu pescoço representa é tão mais precioso do que qualquer um desses atributos: o conforto de saber que nunca estaria sozinho, que tem alguém no mundo que é seu par perfeito, que não riria dele por seu sotaque, origem ou necessidade de ter sua família por perto, alguém que seria uma companhia, confidente, que tentaria alegrá-lo quando triste, que o ajudaria a ser a melhor pessoa possível, que não se importaria com seu dinheiro, fama  nem mesmo sua habilidade ocm a bola, mas apenas com quem ele era, tal qual seu João de Barro fazia.

Todas as viagens e mudanças pelas quais havia se submetido, ele sempre tivera  o animal de sua alma gêmea consigo, como seu ombro amigo (mesmo que ele não tivesse ombros) e de auxílio. Foi com o pequeno pássaro consolando-o quando estava triste ou chorando após uma derrota, fazendo-lhe companhia toda vez que se sentia sozinho, alisando e penteando seu cabelo antes de irem dormir. Além disso, apesar de seu tamanho, mais de uma vez o passarinho havia ido em sua defesa, mergulhando em cima de humanos e animais e pregando pequenas peças nos garotos da escola e do clube que haviam rido dele. 

O que o seu Jóia não tinha de tamanho, certamente tinha de personalidade e gênio quando alguém lhe dava motivos para esquecer-se de sua timidez, para o desgosto de seus treinadores e professores: eles não podiam culpá-lo (Cristiano) pelas travessuras do pássaro - o animal era um reflexo da personalidade de sua alma gêmea, não dele mesmo, e era difícil impedir Jóia de agir por conta. 

Foi preciso mais de uma conversa, além de mimos e súplicas antes que Jóia parasse de aprontar, mas seus colegas de time e classe do Sporting (e mais tarde do Manchester) tinham ficado gratos por não terem mais que procurar prédios inteiros atrás de chaves e pertences, ou ter que lavar, de novo e de novo, camisas e roupas sujas de lama.

Uma leve bicada em sua orelha o trouxe de volta ao presente e ao show. O mestre de cerimônias estava apresentando cada um dos finalistas antes de anunciar o vencedor. Foi bom ver os destaques da sua temporada - lembrar quão longe havia ido da sua origem, quebrando expectativas repetidamente, só para estar ali. 

Ele sabia que não tinha muitas  chances, nem ele nem o outro jogador, Messi, então não deveria ter esperanças de levar o prêmio para casa. Mas era difícil, seu coração acelerou quando viu o Pelé entrar com o troféu, e Jóia chilreou para acalmá-lo, um pouco mais alto do que o normal, atraindo a atenção de quem estava ao seu redor, mas nada que fosse perturbar a cerimônia. 

Ou assim achava.

Do seu lado esquerdo, ouviu um rugido, e então um vulto marrom e amarelo vindo em sua direção, junto de um grito de "No! ¡Para, Dorado!" antes de ver a porra de um leão à sua frente. Sua mão automaticamente cobriu Jóia quando ele pulou para ficar de pé, não querendo estar sentado diante de um predador.

Para o assombro de Cristiano, ao invés de ficar pousado em seu ombro, Jóia rapidamente voou, indo para cima do leão. Uma patada do felino e o pequeno João de Barro morreria. No entanto, antes que Cristiano pudesse reagir, Jóia havia pousado na cabeça do leão. 

Surpreso, trocou olhares com Messi - o leão (Dorado?) relaxou onde estava, aconchegando-se no solo e ronronando feito um gato mimado enquanto Jóia andava animadamente de lá para cá e penteava a juba do felino, evitando enroscar-se no pesado colar de corrente  que estava no pescoço do leão.

Animais de almas gêmeas só aceitavam toques de outros animais quando seus humanos eram família ou próximos o suficiente para serem considerados como tal, nunca de estranhos ou deste jeito. A única exceção possível é se fossem um par; ou seja, haviam encontrado a sua outra metade (às vezes, em situações específicas, o seu trio). O que quer dizer que ele e Messi eram um par também.

Observando Messi (será que ele deveria começar a chamá-lo de Lionel?) de novo, ele notou quão enrubescido estava, tentando se esquivar da atenção que estavam atraindo escondendo-se tanto quanto podia com seu cabelo comprido. Parecia tanto com Jóia  quando ele se escondia atrás de suas asas, ou usava as roupas ou o pescoço de Cristiano de esconderijo que de repente, Cristiano teve a certeza de que tudo ficaria bem. Eles não se conheciam, mas também não eram completos estranhos. Mesmo assim, ele ainda não sabia o que falar. Como você começa uma conversa com a sua alma gêmea recém descoberta??

O silêncio foi quebrado pela voz gentil de Kaká:

"Acho que seria melhor nós trocarmos de lugar, não?" o jogador brasileiro estava sorrindo, movendo-se de lugar junto com sua pavoa de forma que pudessem sentar lado a lado, com seus animais entre eles. Ou pelo menos esta era a ideia, o leão de Lionel (dele? de sua alma?) se recusava a se  mexer, contente demais com a presença do passarinho e  a atenção de Lionel (era estranho sentir ciúmes de sua própria alma? Ele queria que o jogador argentino falasse com ele naquela voz baixa e com sotaque....).

¡Vamos, levántate, Dorado!- ao mesmo tempo em que falava,Messi corria suas mãos pelo pêlo do leão, às vezes puxando um pouco para incentivar o gato teimoso a levantar. 

Vendo como Messi havia encolhido os ombros e seu constrangimento diante dos olhares de todos, ele franziu a testa, chamando Jóia: "Venha aqui Jóia, vamos parar de interromper o prêmio"que prontamente atendeu seu pedido, voando para o seu contumaz lugar em seu ombro.

Com isso, ele podia jurar que o leão soltou um muxoxo de reclamação, antes de se deixar guiar até o espaço entre as cadeiras, com o show finalmente recomeçando, mesmo que não conseguisse tirar os olhos de sua alma gêmea. Ele era tão fofo e pequeno! Se se abraçassem, provavelmente poderia cobrir o corpo todo do argentino em seus braços. Sabia que estava sorrindo feito um idiota, mas estava feliz que haviam se encontrado, e  tão cedo! Seu destino não seria o mesmo de alguns pares, que apenas se conheciam quando já estavam velhos e com vidas já construídas, sem mais espaço um para o outro. Além disso, tinham a mesma paixão, e eram bons o suficiente para serem finalistas do Ballon d'Or! Estava animado para falar com ele, mas não sabia como começar a conversar (e estava com medo de assustar o outro com seu entusiasmo). Estava tão focado no outro, que não perdeu o momento em que Messi se aprumou e olhou nos olhos, antes de estender a mão e falar:

"Hola soy Lionel Messi, encantado de conocerte"

Sorrindo radiante, Cris envolveu a mão de Lionel entre as suas, respondendo:

"Cristiano Ronaldo. Eu que estou encantado!"

Não sabia se Lionel podia entender português bem, e duvidava que seu espanhol desse para mais do que apresentações, mas não queria deixar escapar a chance que Lionel havia lhe dado, ou a mão dele, deixando-a pousada em sua mão esquerda, de forma que Lionel poderia retirá-la de lá se quisesse, enquanto movia sua mão direita para onde Jóia estava, acariciando-o.

Antes que conseguisse pensar em um assunto para manter o diálogo e o contato, a audiência irrompeu em aplausos, com o anúncio de Kaká como vencedor do prêmio. Eles também aplaudiram por educação, e Cris imediatamente sentiu falta do calor da mão de Lionel na sua - ele preferiria ficar sentado, mas tinham que ir ao palco buscar seus troféus. Jóia escolheu se aninhar junto à juba do leão de Lionel, sendo quase impossível de se ver, já que a cor de sua plumagem se misturava à do felino.

E porque ter seu primeiro encontro como par de almas gêmeas durante a maior premiação futebolística do ano e na frente de todo o mundo não era ruim o bastante, o mestre de cerimônias e o apresentador não concordavam em quem iria receber qual troféu - não que a essa altura do campeonato isso fosse importante para eles. Pela primeira vez em sua vida, ele só queria sair debaixo dos holofotes, encontrar um lugar calmo e conseguir conversar com Lionel. Isso era o mais importante. Haveriam outros troféus. Ele seria o melhor do mundo em breve. Mas o seu par era mais importante que tudo, e ele não queria perder a oportunidade de conversarem antes de terem que voltar a Manchester e Barcelona.

Assim que saíram do palco, eles se encontraram com Jorge Mendes e quem Cristiano achava ser o agente de Lionel. O homem abraçou Lionel, depois virando-se para ele e se apresentando:

"Soy Jorge Messi, el padre de Lionel. Es un placer conocerle"

Ele corou um pouco enquanto balbuciava uma resposta: 

"Cristiano Ronaldo. É um prazer conhecê-lo senhor"

Assim que parou de falar, Lionel disse algo a seu pai, que acenou com a cabeça e se dirigiu a Jorge, deixando-os sozinhos. Achava que não teriam muito tempo - seu voo para Portugal era logo cedo de manhã, então daqui a pouco teriam que ir para o hotel. Seria melhor terem alguma formma de se comunicarem antes disso...

"Lionel, posso te pedir teu telefone? Para nos conhecermos melhor?"

Lionel franziu o cenho e respondeu:

"Llamame Lio. ¿Tenés papel y birome? O tu celular?

"Então me chame de Cris. Tenho meu telemóvel - pode adicionar seu número?"

Tirou o celular do bolso e deu para Lionel - Lio, ele podia chamá-lo de Lio agora.

"Si, Cris. Voy a enviar un mensaje a mí mismo para tener su número..."

A voz baixa, calma e a forma como as palavras pareciam se embaralhar umas nas outras no sotaque de Lio deixava difícil entendê-lo (mas queria ouvir sua voz de novo...). Tendo seu número, poderia telefonar-lhe ou mandar mensagens...

Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, Mendes e o pai de Lio os chamaram. Sabia que tinham que se  separar. Pelo menos momentaneamente.

Dessa vez, ele tomou a iniciativa, aproximando-se de Lio, abrindo os braços e dando-lhe tempo para perceber o que iria fazer e recuar se quisesse. Ao invés disso, Lio abriu  os próprios braços e lhe deu um abraço de urso. Não sabia quanto tempo ficaram assim juntos, por quanto tempo ele só apreciou o calor de Lio nos seus braços, a sua respiração perto da orelha, a solidez de seu corpo junto ao seu. Tempo o suficiente para ambos os Jorges chamarem a sua atenção.

Se desenroscou de Lio sem tristeza. Não era um abraço de adeus - apenas um ‘te vejo mais tarde’.

Ele também sentia que isso seria apenas o começo de uma nova era para eles.

 



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