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História Meu Deus grego - Capítulo 43


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Notas do Autor


Ai ai...
Nem falo nada


Pelo menos postei

Ah pandinhas, sei lá... Tá meio coisado né?
Desculpa estar sem ânimo

B
O
A

L
E
I
T
U
R
A

Capítulo 43 - Fita rosa para marcar a porta


Fanfic / Fanfiction Meu Deus grego - Capítulo 43 - Fita rosa para marcar a porta

   



O chão da ducha está repleto da gosma nojenta e fedida que está escorrendo do meu corpo, diferente do quarto aonde eu estava, o banheiro é muito claro - talvez eu só não tenha achado o interruptor do quarto e por isso tive que sobreviver com apenas a luz fraca do abajur- antes de ir me lavar vasculhei as gavetas e achei algumas roupas, todas elas eram de tecidos grossos e aveludados, me surpreendi com a quantidade de tons rosa e apesar de não ser a minha cor preferida eu reconheço que não estou em posição de exigir luxos bobos como esse.

Precisei de um bom tempo para me sentir segura para andar pelo quarto e redobrei o cuidado para não furar todo o meu pé nos diversos cacos de cerâmica que compunham o vaso que eu quebrei, mas quando juntei coragem finamente fui até o banheiro aonde me despi e entrei na ducha para arrancar sujeira nojenta que se impregnou na minha pele como uma crosta grossa e áspera mal cheirosa que está me causando muita náusea.

Por um momento cheguei a me amedrontar com a minha situação, eu estou no submundo, de acordo com todos os meus estudos foram poucos os mortais que conseguiram entrar e sair do submundo vivos e todos eles tinham seus dotes um pouco além da mortalidade, se bem que todos os meus estudos foram em base do que a humanidade achou ser a histórias deles então isso também pode ser um erro equivocado nosso. No entanto, submundo, esse não é um assunto muito discutido na sociedade moderna, mas acho que não preciso me preocupar com a degeneração do meu corpo até sobrar apenas minha alma para vagar até o barqueiro que fará minha travessia, foi Afrodite, quem me trouxe aqui então não preciso me apavorar ou desconfiar, ele não iria me trazer a um lugar aonde eu correria risco.

Bem, eu quero acreditar que posso confiar cegamente no ruivo tarado.

De corpo lavado fui até a simples e pequena banheira escorada na parede... escura? Estou mal, nem cor eu estou conseguindo ver direito. Entrei na água morna que me aguardava.

O frio está ficando cada vez maior, acho que preciso esquentar um pouco mais a água ou vou acabar morrendo de hipotermia. Isso soa até irônico, morrer no submundo, isso não é para muitos.

Sem me importar removi as ataduras molhadas que já estavam me incomodando.

Lágrimas quentes desceram pelo meu rosto corado pelo calor da água no momento em que eu vi minha pele toda maltratada de ferimentos, o motivo deles estarem ali me fez até perder o fôlego quando um sôfrego soluço dolorido rasgou minha garganta deixando um rastro de dor. Me encolhi abraçando meus joelhos e escondi minha cabeça nos mesmos e ali derramei minhas lágrimas.

Até que demorei para eu cair em crise.

Por que?

Por que eu escapei?

Eu não mereço isso, quantas vezes mais essa merda vai acontecer? Pra mim já deu, o idiota do deus que quer essa droga medalhão acabou de vez com todas as suas chances de o adquirir "pacificamente" ele atacou uma cidade inteira, matou diversas pessoas inocentes que não tinham nada a ver com a ganância desenfreada dele. Como eu estou o odiando.

Essa não.

Apertei meus cabelos úmidos com força e senti minhas unhas machucar o meu couro cabeludo, mas não o suficiente para o calor do sangue escorrendo por feridas aparecer, mas nem me importei, a dor que eu estava sentindo em meu íntimo superava qualquer coisa externa. Um calor insuportável seguido de frio intenso percorreu todo o meu interior e um arrepio dolorido se fez em minha pele no momento em que uma nova e forte crise começou em mim. O que eu fiz para merecer isso?

Chorei mais uma vez...

Só que agora não é por mim que estou chorando, estou dolorida como se todo meu interior sentimental tivesse sido surrado sem dó, meus sentimentos foram bombardeados, eles resistiram mas isso só fez com que ficarem mais machucados e agora só me resta a lembrança deles em meu corpo. E sei que a razão de toda essa guerra interna que infelizmente levou a óbito todo o resto do meu autocontrole e emoções é o sangue inocente que está escorrendo em minhas mãos, não interessa quantas vezes eu esfregue a minha pele, não importa que eu estou cercada por água quente, ainda me sinto fria eu estou sentindo ele escorrer na minha pele, como se eu ainda estivesse naquela cidade pacífica que em segundos se tornou um campo de massacre. Estou me vendo manchada com o sangue inocente, com a sujeira dos ratos que se tornou uma gosma pastosa e escamosa em minha pele, meus ouvidos ardem por ainda terem lembrança os gritos e grunhidos altos, minha garganta está doendo por causa da maneira que foi usada. 

Deus....

Eu estou conseguindo visualizar aqui nesta banheira a água ficar vermelha como se os bons minutos que eu passei na ducha não tenham válido de nada. Eu sei que estou limpa, por que não consigo aceutar isso?

Estou me sentindo um nada, não consigo acreditar que estou desta maneira.

Droga...

Estou me sentindo péssima por estar com dó de mim mesma

Eu não sou um nada.

A culpa é toda minha.

Que eu sofra eternamente pelo oque causei.

As lágrimas quentes desceram com vontade pela minha face provavelmente rubra e agora sim senti que finalmente consegui machucar minha cabeça, acho que estou sangrando. O choque térmico causado pelo frio do meu corpo e o calor da água está me deixando louca e agoniada. Meus músculos estão pesados e doloridos, eu estou pesada e dolorida dolorida...

Por dentro e por fora.

O "nada" me embalou, acho que esse é um dos estágios da aceitação.

Como é mesmo?

Perceber oque fez...

Sentir culpa...

Não sentir nada...

Cair em desespero...

Fingir que está bem...

Se auto destruir em função da culpa...

Voltar ao nada...

Aceitar oque fez ou... 

Não sei, essa conversa com o psicólogo eu acho que faltei.

Involuntariamente toda essa agitação dentro de mim foi diminuindo até eu me pegar vazia,dormente, anestesiada. Embebida em meu próprio sofrimento causado pelo peso da culpa esmagadora que posso assegurar com toda certeza, que se ela tivesse uma forma física seria uma criatura horrenda de peso tão incrivelmente grande o simples fato de existir seria capas de rachar o mundo ao meio. Meus músculos perderam a força e quando percebi já estava deslizando pela lateral da banheira. Fui afundando.

Acho que já sei qual é o último estágio quando a culpa é tanta que você não consegue lidar com ela.

A morte.

Que irônico, vou morrer no submundo, talvez eu possa achar graça disso.

Que deprimente.

A água que não conseguia nem mesmo cobrir meus seios direito, começou a aproximar do meu pescoço e se fosse em outra situação eu teria parado por ali mesmo, mas é como se todo meu ânimo e força tivesse fugido de mim e meu corpo continuou descendo enquanto a água ia subindo.

Me vi submersa na banheira e posso dizer com toda certeza que nunca me senti tão relaxada. Até parece que não estou me afogando aos poucos. A ideia de permanecer viva nunca foi tão desesperadora.

Nunca me considerei uma suicida. O meu máximo era as crises de ansiedade, claro que em algumas vezes eu cheguei a me machucar dado em conta a intensidade em que a maldita ansiedade me atingia, frequentei psicólogos e terapeutas quase minha vida inteira, e a apenas uns três anos que deixei de os visitar e sempre os tranquilizei alegando que o desejo de tirar minha própria vida nunca me passou pela cabeça. Bem, agora essa ideia não só está em minha cabeça como também sendo colocada em ação, e eles que me perdoem, estou sentindo paz.

Já ouvi muitas pessoas dizendo que quando tomaram a iniciativa é viram que iriam de fato morrer, desistiram e nunca maks tentaram. Mas eu...

Bem, eu não quero parar.

Confusa essa minha nova crise.

Geralmente a crise comum me deixa com adrenalina a flor da pele. Essa parece ter consumido toda ela, eu que sempre fico louca de tanta euforia com riscos de estourar meu coração por força-lo a bater como se não houvesse amanhã, estou tão calma que me sinto como se tivesse dado folga ao músculo que está bombeando meu sangue.

Meus olhos permaneceram abertos enquanto eu apreciava o reflexo da água sobre a borda da banheira, pequenas bolinhas de ar dançam sobre a água e a cada segundo eu me sinto mais fraca pela falta de ar.

Até que eu quero fechar os olhos mas não consigo, fui forçada por mim mesma a olhar a água calma afundando meu corpo, meu cabelo flutuando tomou conta da minha visão. Minhas feridas estão doendo, mas não ligo para isso.

A única coisa que consigo imaginar em um momento como este em que aos poucos sinto me perder o ar é que esta é a crise mais estranha que senti. Não gosto dela.

Mas no momento também não gosto de mim.

Então está tudo certo.

Tudo seria diferente se eu não gostasse de mitologia grega.

Como seria?

Eu poderia gostar da mitologia Inca, Maia, Asteca, Nórdica, Celta ou qualquer outra. Eu poderia ter estudado em outro lugar, provavelmente não seria uma das escolhidas para estudar o meu "grande nada" e Afrodite, quando viesse o buscar não colocaria ninguém em seus planos, a essa altura já teria pego o Deus causador de tanta discórdia e ninguém teria morrido por conta da droga de um receptáculo de poder divino que nem deveria ter sido criado. Oque me faz pensar, e se Afrodite não tivesse se apaixonado por Cecília?

Deus.

Como tudo seria mais do que diferente.

Ele não estaria brigado com seus irmãos e semelhantes, tudo ainda estaria em domínio deles, o medalhão não teria sido criado, uma grande desordem e guerras não teria existido, provavelmente eu nem teria nascido, mas isso não importa. Oque importa é que milhares de inocentes estaria vivos e que momento minhas mãos não estariam imundas de sangue inocente e a droga da minha mente fodida me deixa em paz.

A água também resolveu detonar meu cérebro - ainda mais - talvez seja a falta de ar em meu corpo e os indícios que minha alma já desprende do meu corpo, mas tudo a minha volta - água e paredes de um caixão de cerâmica branca - escorrem sangue vermelho e quente, o mesmo que escapou dos corpos que o exército de aberrações deixou para trás quando dilacerou vidas inocentes por conta do ego doentio de um deus sem escrúpulos e sedento de poder.

Chorei.

Mesmo submersa.

Mesmo na crise mais louca que meu corpo já viu.

Mesmo anestesiada pelos acontecimentos.

Chorei.

A água vermelha está levando minhas largimas e por favor, que Ela leve minha vida também. Já não suporto mais a ideia de viver um outro dia nesse tormento.

Se eu tivesse negado o que me foi dado.

Se eu tivesse entrado nisso com cautela.

Se eu tivesse ido no lugar de todos.

Se eu não tivesse me envolvido.

Se eu não tivesse me...

... Apaixonado

Ah Afrodite! Se eu não tivesse me entregado ao seus braços, viciado em seus beijos, amado seu sorriso, me deliciado com suas palavras, me envolvido em suas histórias, te colocado em meu mundo, permitido que tomasse conta do meu coração, criado dependência do seu amor e nem fantasiado toda uma história de romance entre nós dois. Ah! Se eu não tivesse feito tudo isso, não teria que pensar em nunca ter existido, porque agora todas as formas de partida doem por eu querer ficar por sua causa.

Deus, agora nem tenho mais forças pata sair daqui.

Finalmente meus olhos se fecharam e eu vi...

Papai e mamãe, eu nunca mais vou vê-los, e nem irei aos sábados os visitar. Não vou mais beijar a pele queimada do rosto enrugado do meu pai e nem apreciarei as diversas tatuagens da minha mãe enquanto ela dirige despreocupada para a praia. Não vou conseguir juntar dinheiro suficiente para ajudar o meu pai pagar o tratamento da perna manca e muito menos ver o dia em que minha mas vai parar de trabalhar e finalmente realizar o sonho de comprar o seu barco e passar dias com meu pai no mar apreciando com gosto o sol se pôr atrás do tapete azulado deixando o brilho salpicado das estrelas enfeitar o céu.

Mari, tia mãe da Mari e José. Não vou ver meu menino crescer e se tornar o belíssimo homem que seu que ele vai ser, não vou mais jantar com minha tia de consideração e tomar alegres sermões dela como se fosse sua filha, e infelizmente não vou apalpar os cabelos crespos da minha linda amiga que irá ter um lindo futuro a qual já não vou mais fazer parte.

Josef. Desculpa chefe, você me deu todas as oportunidades que eu poderia sonhar e me confiou todo o museu e sei que o decepcionei, e me dói saber que não vou conseguir me desculpar com ele e nem que vou voltar a desfrutar da maravilhosa gama de conhecido que ele tem a ms oferecer.

Ethan. Ah Deus! Ethan, como sentirei saudade de tudo que vivemos, da história que construímos, dos altos e baixos que vivemos, da maneira que você lutou para que tivéssemos um relacionamento. Oque teria sido de mim se tivesse realmente me entregado de corpo e alma a você? Sei que estaríamos felizes, porque tenho certeza que ele se dedicaria de corpo e alma para que jamais ficássemos distantes, provavelmente iríamos nos noivar, casar, ter filhos e viver uma encantadora história de amor 

E a todos vocês que vou deixar para trás eu peço milhões de desculpas e agradeço por sempre ter cuidado de mim. Fui abençoada em minha vida com pessoas incrivelmente maravilhosas que só abrilhantavam cada vez mais o meu dia. E eu? Acho que fui aquela pessoa que sempre sobrou, que tinha importância mas não era prioridade, que não incomoda mas também não faz falta, que...

Engraçado, eu não me senti dessa maneira com Afrodite.

De certa forma, com ele eu sinto que sou prioridade, ou quero acreditar que sou.

Também vou sentir falta do meu ruivo tarado.

Obrigada por todos os momentos e aventuras que vivemos, nem em meus sonhos mais loucos eu conseguiria imaginar situação como as que eu vivenciei.

Eu vou, mas sentirei eterna saudade.

E Afrodite...

De todos os amores, porque o seu?

Meu corpo dolorido foi segurado com força, o ar que entrou em meu corpo fez todo meu pulmão arder, tapas fortes foram dados em minhas costas e cuspi a água que nem sabia ter engolido, meu peito foi fortemente pressionado, meus lábios foram abertos e meu nariz tampado, senti algo macio sobre minha boca e logo ar foi soprado para dentro de mim me enchendo de vida novamente.

Esse processo se repetiu...

Uma vez.

Duas vezes.

Três vezes.

Quatro vezes.

Cinco vezes.

...

Até eu perder a conta. 

Meus olhos se abriram enquanto eu senti meu rosto ser espalmando com uma certa força. Minha atenção se voltou ao homem moreno vestido de couro que estava dentro da banheira não me deixando morrer.

Sem delicadeza alguma ele me soltou e bati com meu corpo sobre a borda oque me fez despertar de vez.

Aí!

Minha cabeça está doendo. Será que eu a bati?

- oque você estava fazendo? Era para tomar um banho e não brincar de se matar afogada - se não fosse a situação eu acharia graça o fato dele estar falando isso com as mãos na cintura parecendo uma mãe brava - Eu não sou babá de mortal idiota e sentimenta que arruma soluções ridículas para problemas que não quer enfrentar por estar com raiva de si próprio, eu sou um soldado e não salva vidas, trate de se manter pelo menos respirando antes que eu seja obrigado te amarrar em um canto para parar de ser tão impulsiva.

O que eu falo depois de uma dessas? 

Espera, eu consigo falar?

Vou tentar.

- eu só...

- só estava cheia de tudo? - John me cortou. É, eu consigo falar, só ele que não quer me escutar no momento- Eu sei, não tem nada que o submundo não sabia, e você sabe porque? - balançei a cabeça em negação a sua pergunta, ele não se altera e isso é o mais assustador - Porque cada pessoa que morre tem uma história, e nos vemos tudo isso como se fosse um filme, sua vidinha de merda passa pela nossa mente e todos os anos miseráveis são resumidos em segundos para podermos julgar e punir vocês como merecem. E hoje recebemos uma enxurrada imensa de almas atlantianas, sereianas, maredianas e de todas as criaturas que estão refugiadas na cúpula, todos nós vimos com todos os detalhes oque aconteceu com eles e nos assinamos quando a multidão de seres místicos atravessaram o portão do submundo...

- Tudo isso é minha culpa - murmurei sentindo as lágrimas escorregar pela minha face.

- Foi sua culpa? - balançei a cabeça em confirmação a sua pergunta e ele se agachou dentro da banheira - tem certeza que é sua culpa? Foi você quem passou a faca no pescoço deles?Foi você quem esmagou seus corpos? Foi você que mandou matar todos eles? Foi você quem arrancou sangue daqueles corpos?

- Não, mas...

- Então a culpa não foi sua, ficar aí se lamentando não vai adiantar de nada e muito menos tentar tirar sua vida, de que valeram aquelas que se foram se a pessoa que elas tentaram proteger vai desistir depois de tanto esforço?

As palavras me acertarem em cheio e foi como se a realidade me desse um choque, o choque que eu estava precisando.

John se levantou da banheira fazendo a água de sua roupa de couro respingar para os lado fazendo barulho.

Banho.

Deus, eu estou sem roupa.

Droga.

Abracei os joelhos e tentei esconder o máximo de pele possível.

- Sério? Sua tentativa de esconder seu corpo de mim já não é mais tão necessária - uma poça grande de água se formou sobre seus pés quando ele saiu da banheira e me estendeu a mão para que fizesse o mesmo, coisa que recusei. Porra, eu estou nua na frente de um estranho, outra vez, lara variar- Não tem porque ter vergonha, não tenho capacidade de sentir qualquer atração pro você.

- Eu vou sair daqui sozinha - disse decidida.

- E eu vou te pegar no colo, escolhe. Você sai daí sozinha ou eu te tiro a força?

Não o respondi, apenas continuei encolhida abraçando meu corpo.

Gritei quando senti as mãos do grande homem a minha frente passando por debaixo das minhas coxas e apoiando minhas costas para tomar impulso e me tirar da banheira. E ele fez isso sem um pingo de esforço.

Deixamos um rastro de água é gritos por onde passamos, tentei me esquivar das imensas mãos do John que não pareceu nem se importar com meus inúmeros tapas, chutes e insultos, na verdade até parece que ele está gostando de me ver se debatendo em seu colo suplicando para colocar os pés no chão.

Ele, sem pompa alguma me jogou sobre o colchão e sobre as roupas que eu havia separado ainda mais cedo me fazendo as molhar com a água que está escorrendo de meu corpo e cabelo encharcados. Uma toalha macia foi jogada sobre meu corpo nu e a agarrei em uma tentativa de me esconder do moreno, oque não é mais necessário, já que ele viu tudo, mais um pouco e oque não devia.

Me virei para gritar com ele sobre as coisas que fez, mas arregalei os olhos quando presenciei o imenso homem se sentado tranquilo na poltrona e crusando as pernas colocando o calcanhar sobre o joelho e depositando a face sobre as costas das mãos apoiadas no braço do móvel estofado. Não é possível que ele está confortável com essa situação.

- Você vai ficar aqui? Eu preciso me trocar- Disse ainda enrolada na toalha e olhando incrédula pra ele. 

- Qual parte do "eu não tenho capacidade de sentir atração" você não entendeu?

- Sai.

- Não.

- Pelo amor de deus, saia.

- Pra que? Para você tentar se matar outra vez? Não obrigada.

- Sai logo.

- Já que insiste, eu saio.

- sério? - Finalmente.

- Sim- um sorriso de dentes pontiagudos apareceu o deixando com uma aparência sádica- Só quando o relógio andar para trás.

- Deus eu preciso me vestir - choraminguei.

- Eu sou incapaz de sentir atração sexual por você.- Sle voltou a reforçar suas palavras e revirou os olhos avermelhados já completando- Só saio desse quarto quando você estiver pronta.

- Então temos um grande problema, eu não vou fazer isso na sua frente.

- Qual o motivo da vergonha? Eu sou incapaz de...

- VIRA PARA O LADO PELO MENOS - Que homem complicado.

John, soltou o ar pela boca de maneira ruidosa e se levantou já agarrando a cadeira com agrecividade a girando para a parede e assim deixando seu peso cair sobre o móvel que protestou com ruídos o impacto que sofreu.

Ele me obedeceu, isso já é um avanço.

- Veste logo a porra das roupas. Eu te dou dez minutos e já me viro outra vez. A contagem começa agora.

Mesmo desconfortável me levantei da cama as pressas passando a toalha sobre meu corpo em uma tentativa de economizar tempo, não conheço direito o homem a minha frente mas sei que quando esses benditos "dez minutos" acabar ele vai se virar. O homem de olhos vermelhos parece ter palavra.

Me incomodei com o fato de não ter achado roupas íntimas, mas são luxos que não estou disposta a cobrar. Uma certa curiosidade me assombra, achei uma imensa quantidade de tecido rosa - vestido, blusas, saias, laços, cintos, shorts e outras peças que não sei oque é- todos eles fofos, aveludados ou de costura elegante. Mas todo grossos.

Previamente já havia separado um longo vestido de um rosa pastel apertado sobre os seios até a cintura e solto até chegar abaixo dos joelhos, não achei sapatos. O processo de se vestir foi rápido, escondi minha nudes com agilidade, pela falta de calçados achei meias - também de tecido rosa, aveludados e grosso - não achei nada para prender meus cabelos e nem para os pentear, isso também me incomodou, mas improvisei um coque preso com as próprias mechas molhadas e solucionei esse problema.

Preciso de roupa íntima.

- Já terminei - disse baixinho quando estava toda vestida.

- Sério? - John, se levantou da cadeira a girando outra vez para a posição original - E ainda lhe sobrou minutos. Vamos, Hades deve estar a nossa espera.

Deus.

Eu estou no submundo.

Parece que ainda não me acostumei com a ideia.

Na verdade até agora a ideia de estar envolvida com toda essa loucura parece ser um delírio constante que assombra minha mente.

Não .

Nao!

Esse delírio é real de mais para ser apenas fruto da minha mente.

Mas...

Afrodite, Dionísio, Hefesto, Poseidon, minotauro, plantas com efeito curativo quase instantâneo, cristais de luz, sátiros, sereias, " ratos ", e um medalhao da discórdia.

Acho que atingi minha cota de loucura por essa vida.

E agora submundo e Hades.

Meu psicólogo ficaria orgulhoso pelo tanto que estou aguentando- ou não, talvez se eu contar tudo isso posso acabar sendo material de estudo em uma universidade de psicologia aonde os alunos me chamaria de " a ruína de um cérebro corrompido " sem falar que quase me matei e isso é curioso. Eu tive coragem de me afogar e agora estou me arrumando para ver um Deus, acho que meu cérebro bloqueou esse último acontecimento com medo de eu me fragilizar outra vez. Talvez assim seja melhor, depois eu caio em desespero pelo oque quase fiz.

O homem de passo firme andava a minha frente e o segui até fora do quarto, a sensação de sair é desconcertante, não nego que estou louca para saber como é o "cativeiro de almas" vulgo, submundo.

Mas estando apenas no que acredito ser o castelo do Deus dos mortos, e não vou ter muito oque ver.

Ao ser aberta percebi algo que mais cedo me passou despercebida, a porta deve ter no mínimo um palmo de grossura e as paredes são do mesmo estado, tudo rústico, exageradamente grosso e com pouquíssima iluminação. Parece que estou em um castelo de blocos de pedras como era os da era medieval, e até mesmo tochas iluminam o grande corredor que some a minha vista.

- OQUE ESTÁ FAZENDO?

Segurei com força a barra do meu vestido quando a senti ser rasgado pelo imenso homem de olhos vermelhos e dentes afiados que não se importou com meus gritos e tirou um pedaço se uns cinco centímetros de largura de toda a barra do meu vestido aveludado 

- Da para não gritar, tem almas querendo descansar. - Sem me dar muita moral ele fez um laço sobre o trinco da minha porta com o tecido rasgado- E Cerberus está passeando pelo castelo, quer chamar a atenção dele. O cachorrinho do chefe é dócil mas não sabe brincar com quem não consegue se regenerar.

Me calei no mesmo instante.  

Cerberus.

Seria um sonho ou pesadelo o encontrar? 

De qualquer maneira não quero saber qual dos dois pode ser, bem, não agora.

- Seu quarto esta marcado com uma fita, assim você não vai se perder.

Quer saber?

Nem vou me dignar a falar nada, estou esgotada. Tanto física como mentalmente.

Mas como sou humana e sou curiosa...

- Por que você precisa marcar a porta?

- Hades, acha a vida aqui muito motona e por esse motivo os cômodos estão em constante movimeto.

- As paredes se movem? - a cada segundo que passa eu me encanto e me espanto

- Sim, tudo se move em um momento está e no outro já passou, nós que estamos a muito tempo aqui nem percebemos, mas talvez você fiquei confusa e é só procurar a fita rosa que você acha seu quarto.

Mais essa agora, além de eu estar no submundo eu também estou em um castelo móvel, quando eu acho que já fui surpreendida o suficiente...

- Hey? Você sabe aonde Hades está?- John parou no meio do corredor e perguntou a um homem gorducho de cabelos loiros passou por nós e percebi que este também usava o " uniforme" de couro e possui imensos olhos vermelhos, ele é outro saudado? 

Bem provável que sim.

E ele é a primeira pessoa além do meu mais novo " guarda costas, salva vidas, e senhor do sermão" que eu vejo nesse lugar.

Preciso ficar calam.

- Claro chefe, ele está na biblioteca. Você está indo para lá?- disse o loiro com voz firme. Ninguém aqui tem pompa para falar.

- Estou, alguma reclamação?

- O resto de nos está precisando de ordens no calabouço, se não for exigir de mais, você poder dar uma passada lá e... Sei lá, faz oque você quiser.

É, sem pompa alguma.

- No momento eu estou fazendo um serviço a parte- explicou o moreno mas logo em seguida se virou para mim com um enorme sorriso sádico nos lábios-Então, você topa conhecer de pertinho o inferno?

Eu?


Notas Finais


Já começo com desculpas e desta vez não é nem pela demora

Perdão se ultimamente eu pareço estar um pouco mais melancólica, mas é que sinto que minha escrita e que minhas histórias estão um lixo tão horrível que nem lixão quer

Eu não perdi o ânimo de escrever, mas ....
Ah sei lá...

Deixa quieto kkkkkkk

Mas é isso... muito amor ao nosso novo guarda costas e no próximo, nos vemos no inferno


Obrigada por ler
Beijos da panda


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