História Meu doce é você - Imagine Seokjin - Yoongi - Capítulo 8


Escrita por:

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Bangtan Boys, Bts, Imagine, Jeon Jungkook, J-hope, Jimin, Jin, Jung Hoseok, Kim Seokjin, Kim Taehyung, Min Yoongi, Nanjoom, Park Jimin, Rap Monster, Romance, Suga, Tae
Visualizações 18
Palavras 4.437
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, genteeee.

Bom, já vou pedir desculpa antecipada pelo que estou escrevendo. Não que Jungkook faria isso. Lembrem-se de que é apenas uma Fanfic. No final tudo vai ficar bem.

"Deixe-me cuidar de você." Aaaah, vocês vão entender.

Boa leitura.

Capítulo 8 - Acidente


     Eu não sabia dizer como tive um reflexo tão bom. O garoto parou no meio da rua esperando para ser atropelado. Involuntariamente eu corri para pegá-lo, então ouvi o barulho de pneus cantando no asfalto e senti a pancada. Eu tomei a maior parte do golpe porque consegui abraçar Jungkook.

Apesar de ter batido com tudo no chão e eu ter caído sobre ele, ele parecia bem, com o rosto molhado de lágrimas e assustado. A sorte foi que o carro diminuíra boa parte da velocidade com a freada brusca.

O tempo parecia correr em câmera lenta. Mesmo dolorida consegui ficar de quatro para sair de cima do rapaz assustado e com um lado do rosto machucado. Eu tremia sem conseguir apoiar a perna direita igual um cavalo manco.

- Meu Deus, você está bem? – Perguntei com a voz trêmula.

Aos poucos eu conseguia perceber algumas vozes e gente chegando perto. O motorista do carro saiu e o trânsito parou. O motorista falava alto explicando que o garoto surgiu de repente na frente dele.

- Manuela? Manuela? – Eu ouvi, no meio do tumulto, a voz de Jin ao meu lado.

Ele tentou me ajudar a levantar, mas agora eu sentia o local da batida doer mais que antes. Meu amigo tentava chamar minha atenção com as mãos em meu rosto, mas minha preocupação maior era o garoto no chão. Em seguida ouvimos o barulho de sirenes. Como chegaram tão rápido?

Mesmo com toda a algazarra eu continuava grudada em Jungkook, com medo de que ele tentasse fazer outra besteira.

- Estou aqui com você, está bem? – Eu repetia baixo para ele, que me olhava como um coelhinho assustado ainda deitado no chão frio.

Eu toquei seu ferimento no rosto e ele fechou os olhos. Outras lágrimas lhe caíam do canto dos olhos.

- Não precisava ter se importado comigo. – O ouvi sussurrar baixinho.

- Eu me importo muito.

Estava quase abraçando ele, mas fui impedida pelos socorristas que vinham com duas macas. Indiquei para que fossem primeiro ver como Jungkook estava. Depois outro socorrista veio em minha direção e pediu que eu deitasse.

- Não, acho que consigo levantar se me ajudar. – Eu não queria parecer ridícula deitando no meio daquela gente toda observando.

- Não fique chateada só porque quero colocá-la na maca, é por segurança. – A voz suave do socorrista me chamou atenção, senti como se fosse um garoto muito jovem. E quando o encarei, seu rosto era tão angelical que parecia um bebê. Imediatamente relaxei. – Meu nome é Park Jimin, me deixe cuidar de você.

Ele sorriu fazendo seus olhos quase se fecharem completamente. Eu o olhava tão hipnotizada que mais um pouco eu ia babar. Só saí do meu transe quando Jin surgiu segurando meu outro braço para me ajudar a sentar na ambulância.

Eu fui num veículo separado de Jungkook e Jin foi seguindo de carro. Eu estava sentada por teimosia, mas minhas caretas de dor ficaram muito evidentes.

- Por que não se deita para que eu dê uma olhada. – Jimin sugeriu e eu obedeci.

Suas mãos deslizaram pelo cós da calça, quando senti seus dedos tocarem minha pele o arrepio foi inevitável.

“Gente, fala sério? Isso é alguma prova para saber se eu amo Jin de verdade? Eu não sabia que tinha tudo isso de homem bonito na Coreia. Estou perdida.”

Tentei pensar em coisas feias para não denunciar minha excitação.

- Você fala bem coreano para uma estrangeira. – Ele comentou enquanto abaixava um pouco minha roupa de baixo.

- Estudei bastante.

- Está na Coreia há muito tempo? – Ele parecia querer me distrair na dor, mas não estava funcionando.

- Não... Aaai, isso dói! – Exclamei quando ele apertou meu quadril. Ok, minha alegria foi embora depois de sentir mais dor.

- Não parece ter fraturado, mas é melhor fazer uns exames complementares. – Ele falava calmamente. – Dói em algum outro lugar?

- Não tanto quanto aí onde apertou. O coitado do Jungkook deve estar pior porque eu caí em cima dele. Ele amorteceu minha queda completa.

- Ele é seu namorado?

- Ah, não. Ele é um colega de classe que conheci há alguns dias.

Jimin me ajeitou com um cobertor e voltou a falar.

- Você foi corajosa se colocando na frente do acidente por alguém que conhece há pouco tempo. – Ele acariciou meus cabelos quando prendi a respiração para abafar outra exclamação de dor. – Não faça mais isso, ok? Reconheço que foi um ato de coragem, mas foi também tolo e perigoso. Podia ter sido pior.

Pois é, eu estava levando uma bronca do bonitão. Me senti diminuída.

Cheguei ao hospital mais próximo junto com Jungkook. Fizemos alguns exames, mas estávamos bem. Eu ganhei, no máximo, um hematoma de um palmo nas costas, altura do quadril e o outro a escoriação no rosto que precisou somente de um curativo básico, fora o brinde de ter aguentado todo meu peso em alta velocidade por cima dele. Mesmo assim, ficamos os dois em observação até a noite. Jin me fez companhia, mais preocupado do que deveria.

- Já estou ótima, pronta para outra. – Eu ri.

- Não brinca com isso. Não sabe o desespero que me deu quando vi você correndo daquele jeito no meio da rua e sendo atropelada. Você é idiota, por acaso?

Mesmo ele me dando bronca eu sorria.

- Você viu o acidente?

- Sim, estava saindo do restaurante.

- Gosto da sua preocupação comigo. – Confessei envergonhada pegando na mão dele.

- Como eu não ficaria? – Ele levantou e me abraçou.

Encostei a cabeça em seu peito e ganhei carinho e um beijo no topo da cabeça.

- Desculpe dar trabalho a você. – Pedi sinceramente.

- Você não me dá trabalho algum. A gente faz tudo por quem ama.

Me separei dele de olhos arregalados. Ele confessou que me ama. Esse era o momento perfeito para ganhar um beijo de cinema, eu não cabia em mim de felicidade. Quando eu ia perguntar do seu amor por mim uma enfermeira entrou fazendo perguntas sobre meus dados.

“Não, não, não...” Eu saía frustrada mais uma vez.

Não pude voltar ao assunto do amor porque me telefone tocou em algum lugar, eu nem me dei conta de que deixei minhas coisas para trás e Jin teve a bondade de trazer. Era meu pai ligando. E não era costume ligar nesse horário.

- Você falou do acidente para meu pai, não é? – Perguntei a Jin enquanto encarava a tela do celular.

- Eu tive que dizer o que aconteceu.

- Mas eu estou bem, Jin...

- Atenda logo, antes que seu pai venha aqui me matar. – Ele me cortou com humor.

- Oi, pai? – Disse entredentes depois de respirar fundo.

- O QUE ACONTECEU? POR QUE DEMOROU A ATENDER? VOCÊ ESTÁ BEM?

Eu só conseguia ouvir os gritos dele e da mamãe atrás.

- Pai, dá para se acalmar? Eu estou ótima. Não aconteceu nada. Provavelmente Jin exagerou.

- Como exagerou? Ele disse que você foi atropelada. Eu disse para esse infeliz cuidar de você e é isso que ele faz?

- Pai, ele não tem culpa. Jin estava na aula. Eu que vi que um garoto seria atropelado e corri para ajudar ele, mas felizmente o carro conseguiu frear. Ele só encostou em mim, nada demais.

- Eu não acredito, eu sei que você tenta amenizar as coisas. Onde você está? Manda uma foto de como você está.

- Pai, isso não é necessário. Tem que aprender a confiar em mim. Se eu estivesse tão ruim assim eu não estaria discutindo com você por telefone desse jeito. – Eu comecei a ficar brava. – Eu sei que está preocupado, mas asseguro que estou bem, fiz até exames e não tenho nada. Quando chegar em casa eu te mando um vídeo correndo.

Meu pai falava tanto que eu não conseguia mais entender. No final ele quis falar com Jin, que se afastou para ouvir o sermão e dizer que ficaria mais perto de mim.

Enquanto Jin estava afastado, vi meu casaco e a ponta do ingresso saindo do bolso. Eu sabia que Jungkook estava na mesma ala que eu, na sala ao lado. Peguei o ingresso e mesmo com um pouco de dificuldade, procurei por ele. Quando o encontrei, vi que um casal estava ao lado de sua cama, provavelmente seus pais. Bati na porta aberta gentilmente, me desculpei e me curvei.

O casal estava com a expressão de confusão, com certeza sem entender porque uma estrangeira estava ali.

- Oi, vim ver como Jungkook está. – Expliquei.

- Estou bem, obrigada por vir. E você? Se machucou muito? Me perdoa. Não sabia que você ia correr daquele jeito.

- Oh, essa menina que o salvou? – Ouvi o homem perguntar.

O casal se curvou a minha frente agradecendo e a mulher desatou a chorar.

- Não precisa fazer isso, por favor. Está tudo bem.

- Eu não sei o que seria de nossas vidas sem meu filho, obrigada, obrigada, obrigada. – Eles agradeciam tanto que fiquei sem jeito.

- Pai, mãe, posso falar com ela um pouco a sós? – Jungkook pediu e os dois relutantes saíram. – Desculpe, não queria que você sofresse um acidente. Por favor, não conte aos meus pais o motivo, senão eles ficarão preocupados. Se perguntarem diga que foi só um acidente.

- Um jeito estranho de não querer preocupar. Você só nao queria ver eles sofrendo, nao é? Por que quis fazer aquilo? É por causa do bullying?

Jungkook ficou calado um momento, talvez decidindo se me contaria a verdade ou não.

- Não é necessário que tenha pena de mim. – Ele falou muito baixo sentindo vergonha.

- Não estou com pena.

Ele me olhou e reconsiderava. Visivelmente travando uma batalha interna.

- Eu não sou bom na cozinha. Além disso e do bullying, meus pais são donos de restaurante e querem passar o negócio para mim. Eu não tenho coragem de dizer que não é isso o que eu quero.

- E por causa disso tentou fazer aquilo? Mas é tão fácil dizer. – Ele ficou de cabeça baixa e não me respondeu. – Olha, eu sei que nesse momento não parece fácil, mas não é só você quem passa por isso. Sabe, Jin se separou da família porque a paixão dele é a cozinha, mas a família não aceita. E pelo jeito, acontece o mesmo com Yoongi, ele não disse exatamente isso, mas preferiu fazer de tudo para ir atrás do sonho de ser confeiteiro. Lute pelo seu sonho, só você pode fazer isso. Seus pais parecem tão legais, tenho certeza que apoiarão você. Qualquer coisa pode me chamar, me ligar, mandar mensagem...

- Por que se importa tanto se nem me conhece? – Dessa vez ele me encarou.

- Porque eu sofri bullying dos meus colegas também, mas por ser estrangeira. Tomei um castigo no meu primeiro dia e também enfrento dificuldades comigo mesma todos os dias. – Ele continuava a me observar refletindo. Tirei o ingresso do bolso e dei a ele.

- O que é isso? – Perguntou.

- Yoongi deu um para cada. É nosso prêmio por ter ganhado no boliche. Vamos juntos?

Ele apenas acenou positivamente com a cabeça enquanto esquadrinhava o ingresso nas mãos.

- Ah, você está aí. – Jin apareceu. – Você desaparece muito rápido, dei as costas só por um minuto.

Meu amigo cumprimentou Jungkook, parecia triste vendo o menino naquele estado. Com certeza pensaria mais vezes antes de fazer brincadeiras de mal gosto com alguém.

- O que era aquilo? – Jin perguntou quando saíamos do hospital depois que recebi alta.

- Aquilo o quê?

- O ingresso que Jungkook tinha nas mãos.

- Ah, Yoongi deu ingressos para irmos a um show de rap com tudo pago.

Jin levantou as sobrancelhas.

- Você vai?

- Acho que sim, seria bom acompanhar Jungkook. Ele não se sente muito bem.

- Se você diz. – Ele me acompanhou vagarosamente até o carro.

Embora não estivesse doendo tão intensamente, o hematoma incomodava e me impedia de andar rápido. Antes de chegar até o veículo estacionado na rua vi o primeiro floco de neve da minha vida. Olhei para o céu e alguns flocos desciam tímidos. Estendi a mão para que um deles pousassem na palma. Sorridente, mostrei a Jin, que também me sorriu der volta.

Enquanto o carro avançava, alguns flocos fustigavam no vidro se transformando em água.

- É a primeira vez que vê neve?

- Sim.

- Já está bem frio, mas essa noite vai ficar pior. A previsão do tempo não está muito animadora para as próximas semanas, então se cuide, se agasalhe bem para não adoecer.

- Sim senhor. – Respondi animada.

Eu sabia que não estava acostumada ao frio extremo e corria grande risco de ficar doente, mas ao mesmo tempo uma animação tomava conta de mim. Eu esperava seriamente poder brincar na neve e fazer aqueles bonecos com cachecol, nariz, olhinhos e braços de gravetos.

Na rua estava frio, mas em casa parecia estar alguns graus abaixo.

- Ligue o aquecedor do seu quarto para não congelar a noite. Vou cozinhar para ver se esquenta um pouco. – Jin falou.

Acabei indo ajudar ele para me aquecer também. Quanto mais a noite avançava, mais frio ficava e por conta disso meu local acidentado latejava dolorido.

- Será que se eu comprar alguma coisa na farmácia alivia sua dor? – Jin perguntou ao me ver fazendo careta.

- Não, tudo bem. Acho que não vai ajudar muito. O frio que está fazendo doer.

- Quer uma bolsa de água quente?

Ele sugeriu e eu aceitei. Fui dormir com a bolsa nas costas, mas ela esfriou rápido. Tive que levantar duas vezes, meia noite e depois as duas da manhã para esquentar água e colocar dentro da bolsa. Eu estava derrotada de cansaço. Na segunda vez Jin apareceu.

- Está tudo bem?

- Sim, eu só levantei para esquentar mais água. Esse negócio esfria rápido. – Eu não escondi minha expressão de cansada a esfreguei os braços arrepiada de frio.

Ele me abraçou de surpresa, eu realmente não esperava. Na verdade, nem estava pensando direito de tanto sono que eu sentia.

- Esquece isso. – Ele disse desligando a água que eu esquentava. – Venha.

Jin me guiou até meu quarto, pegou meus cobertores e meu travesseiro e depois me levou até o dele. Jogou minhas coisa em cima de sua cama juntando tudo. Meu coração acelerou imediatamente e eu já estava aquecendo instantaneamente.

- Deita aí. – Ele pediu.

Eu obedeci e ele veio atrás. Estava tão surpresa que não consegui falar nada. Por causa do machucado eu só conseguia ficar de lado, então inevitavelmente eu tinha que ficar de frente para ele, ou se ele deitasse atrás de mim ficaríamos de conchinha.

Sem aviso, ele me abraçou, fazendo com que eu escondesse o rosto em seu pescoço. Já que era assim, eu o abracei também, e de quebra coloquei minha perna entre as suas.

“O que está acontecendo? Acho que estou sonhando ainda de pé na cozinha.”

Isso era um avanço e tanto.

- Vocês parecem se dar muito bem. – Jin falou baixo, quase sussurrando.

Demorei a entender sua observação, até lembrar de sua expressão vazia de mais cedo quando soube que Yoongi me deu ingressos para um show. Então era isso, meu amigo me chamou para deitar em sua cama porque sentia ciúmes. Fiquei em êxtase. Abri a boca para responder, mas eu não estava a fim de acabar com o que acontecia agora por falar demais, então me calei. Apenas me resumi a levantar a cabeça e tentar olhar para ele no escuro. Eu estava tão próxima de sua boca que conseguia ouvi-lo engolindo. Ele se aproximou mais um pouquinho e me deu um beijo na testa. Que frustrante.

- Suas mãos estão geladas. Seus pés também. – Comentou.

Jin tirou minhas mãos de suas costas e esfregou entre as suas que estavam quentes, depois beijou. Enquanto isso, tentava esquentar meus pés gelados, mesmo com meias, entre suas pernas.

“Tire minha roupa, faça o que quiser. Não quero saber de intimidade com mais ninguém.” Eu pensava quase desesperada..

Ele me aproximou novamente de seu peito. Estávamos tão grudadinhos que eu conseguia sentir seus batimentos acelerados. Era reconfortante saber que eu o desequilibrava também. Fechei meus olhos satisfeita. Mais um pouco e finalmente poderia acontecer algo de verdade entre nós.

- Esqueci de avisar que não precisa ir para a confeitaria. O chefe lhe deu um dia de folga e a Jungkook também. – Ele sussurrou por cima de minha cabeça. – Ele não ligou para não incomodá-la, então mandou o recado por mim.

- Ele sabe que moramos juntos?

- Não, ele acha que somos namorados por causa do jantar no restaurante.

- E você não explicou a ele?

Eu também sussurrava no meio da madrugada, embora não necessitasse, parecia mais gostoso falar baixinho. Jin demorou a responder a última pergunta. De repente começou a cantar. (Awake)

- Não é que eu não acredite em você

Eu só estou tentando suportar

Porque isso é tudo

Que eu posso fazer

Eu quero ficar

Eu quero sonhar mais

Mas, mesmo assim

Parece que chegou a hora de partir...

Eu ouvia em silêncio, envolvida na letra e admirada com sua voz suave. Parecia um anjo cantando. Ele nunca revelou que escondia esse segredo tão bonito e agora eu era privilegiada no meio da madrugada. Eu ouvi sua voz no karaokê mais cedo na confraternização, mas agora era diferente. Meu sono foi adiado por causa da atenção que eu dirigia a cantoria. A letra era bem significativa e combinava com ele, com a vida dele. Quando terminou eu ia dizer alguma coisa, mas fui impedida.

- Durma, meu amor.

Suas últimas palavras fizeram eu ficar nas nuvens, e então adormeci.

Eu estava muito sonolenta e cansada, mas ainda assim senti um leve beijo do lado da cabeça, acima da orelha. Eu estava tão quentinha e enrolada nos cobertores que não me preocupei em levantar. Porém, quando abri os olhos e vi que a claridade já entrava em casa, meu coração deu um salto.

- Ah, esqueci que tenho o dia de folga hoje.

Segurei minha cabeça nas mãos e tentei identificar melhor o ambiente. Meu coração deu outro pulo ao lembrar da noite anterior. Eu ainda estava deitada na cama de Jin. Abracei seu travesseiro e respirei fundo para deixar seu perfume invadir meus pulmões. Passei uns bons minutos abraçada ao travesseiro e enrolada nas cobertas antes de levantar.

- Ai, que saco! Esqueci dessa dor.

Andei curvada igual a uma velhinha, só faltou a bengala. Aos poucos eu ia consertando a postura até chegar em meu quarto. Chegava próximo as às onze da manhã e estranhei não ouvir o celular tocar no horário de sempre, quando meu pai ligava.

Peguei o aparelho em cima do meu criado mudo e vi que havia uma ligação atendida de mais cedo. Jin com certeza atendeu meu pai. Retornei a ligação.

- Manuela! – Papai atendeu no primeiro toque.

- Oi, pai. Desculpe, acho que dormi demais.

- Sim, foi seu amigo quem me atendeu e disse que estava dormindo. Ganhou o dia de folga hoje. Como se sente?

- Estou ótima. Só deve ficar um pouco roxo no local da batida, fora isso estou novinha.

- Mocinha, você deixa a porta do seu quarto aberta? Já imaginou se esse rapaz entra para ficar olhando você? E se ele fizer alguma coisa...

- Ai, pai. Você nem imagina...

- O quê, Manuela? – Papai perguntou abalado sem entender muito bem.

- Nada, pai. – Eu ri intimamente. – Não se preocupe, Seokjin é inocente demais para fazer essas coisas.

- Mas não confie, mesmo assim. – Ele pareceu convencido, mesmo desconfiado. - Agora me explique melhor o que deu em você para fazer isso? Jin me explicou por alto o que aconteceu.

- Eu não sei, foi um reflexo muito rápido. Quando vi o carro já estava batendo em mim.

- E o garoto?

- Ele está bem, o coitado amorteceu toda minha queda, porque eu o abracei na hora do impacto. Ele sim, deve estar com as costas mais doloridas que eu. Fora o arranhão no rosto que não sei se foi por minha culpa ou se foi na hora da queda.

Passei algum tempo conversando com meu pai sobre o acidente e depois desliguei. Em seguida recebi uma mensagem de meu amigo avisando que a turma ia fazer uma visita à casa de Jungkook após o expediente para pedir desculpas e levar algumas lembranças, pois receberam uma bronca bem dada do Chefe Giulliano e estavam se sentindo envergonhados.

Passei o dia entediada. Como sabia que Jin ia demorar , fui ao mercado sozinha. Meu hematoma não doía tanto enquanto eu ficava em movimento, então comprei algumas coisas, voltei e comecei a preparar o jantar. Eu seguia uma receita de Kimchi que peguei na internet. Quando terminava a campainha tocou. Achei estranho e não sabia se atendia ou ignorava, pois eu não esperava entregas e nem Jin avisou se esperava alguma coisa.

- Será que ele perdeu a chave?

Desci às escadas vagarosamente por causa da fina camada de gelo que se formou a noite, não queria levar outro tombo. Ao abrir o portão me deparei com alguém segurando um buquê de rosas de cores vermelha, rosa e branca.

- Como você conseguiu o meu endereço? – Perguntei ao rapaz que segurava as flores na altura do rosto para se esconder.

Ele tirou as flores da frente e me olhou afiado.

- O que foi? Reconheço suas mãos e deixar a moto estacionada na frente do portão não foi muito inteligente.

Yoongi estendeu as flores quase na minha cara para que eu pegasse. Ele ainda estava com o capacete na cabeça.

- Conseguir seu endereço é fácil. Eu pedi na administração do curso com a desculpa de lhe enviar flores pelo acidente. Eu só preferi entregar pessoalmente do que pagar pela entrega. – Ele falava olhando para os lados com as mãos na cintura e passando as língua nos lábios do jeito sexy que ele sempre fazia.

- Mas gastou combustível. – Eu sorri. Sabia que ele tentava se esquivar da gentileza, mas eu era esperta o bastante para notar suas desculpas.

- Não importa. Essas flores foram presente do pessoal do curso.

- De qualquer jeito, obrigada. – Olhei as flores com mais atenção e me voltei a ele. - Por que não foi com os outros visitar Jungkook?

- Porque foi o pessoal do restaurante que insultou ele, não eu.

“Mas veio me ver não é?” Pensei satisfeita, mas preferi não dizer nada.

- Eu já disse que você é muito sensível? – Fiz careta.

Yoongi não respondeu, acenou com dois dedos, tocando a testa em continência e se virou para voltar a sua moto.

- Espere. – “O que estou fazendo? Santo Deus.”

Ele levantou o queixo perguntando o que eu queria.

- Já que veio até aqui, não quer entrar um pouco e jantar? – “Mas o que eu estou fazendo? Droga. Colocando outro cara na casa que eu moro com Jin. Acho que não tem nada a ver, só estou fazendo uma gentileza.”

- Não, obrigada. – Ele respondeu montando na moto, mas segurei seu punho e ele me olhou entediado.

- Anda, vai. Deixa de ser chato, ao menos uma vez. Pelo menos me sirva de cobaia para meu primeiro Kimchi.

- Você fez Kimchi? – Ele riu negando com a cabeça. – Essa eu não perco por nada.

- Você nem experimentou ainda. Fala de um jeito como se eu tivesse feito uma coisa muito errada.

- Então vamos ver se é tão boa fazendo comida tradicional coreana como é na confeitaria.

O guiei pelas escadas até chegar ao apartamento. Ele me seguia de perto até chegar na cozinha. Coloquei as flores numa jarra com água enquanto ele cheirava o que eu havia feito.

- Pelo cheiro parece bom. – Ele comentou e seus olhos encontraram os meus.

- Então senta lá que eu levo para você. – Indiquei a mesa de jantar.

Não sei porquê meu coração estava acelerado e eu me sentia bem com isso. Levei a comida até a mesa e ele experimentava curioso.

- Não é o prato mais perfeito do mundo, mas está bom. Bem parecido.

- Hum... – Admito que seu comentário me desanimou.

- Para sua primeira vez está realmente ótimo, as vezes nem coreano consegue acertar de primeira.

- Está tentando me animar? Não conseguiu. – Eu terminei de jantar junto com ele. Eu achei que estava bom, mas ele sabe mais que eu, é um prato típico de seu país, então eu não tinha o que discutir, só aceitar.

- Não fica triste, vai. Sorrindo é muito melhor. – Ele falou rouco.

Nós nos encaramos novamente e não desviamos o olhar, quase travando uma batalha para ver quem piscaria primeiro.

Bom, eu perdi. Fiquei constrangida demais e abaixei a cabeça. Eu estava sentada sobre as pernas em cima da cadeira e apoiando os braços na mesa.

- Como você se sente?

- Estou ótima. – Dei um sorriso quase triste.

- Eu soube por alto do acidente. Jamais imaginaria que deixando você sozinha aconteceria isso tudo.

- Acredite, foi o melhor. Se eu não tivesse visto e corrido até ele, a tragédia seria um pouco pior. O motorista conseguiu frear em cima, mas meu impulso evitou que ele tomasse uma pancada mais forte. Apesar que eu caí em cima dele e não foi tão leve.

- Então ele tentou se matar.

- Sim, mas é melhor evitar falar sobre isso. Ele não está se sentindo bem e não quer preocupar os pais. Jungkook já me prometeu se cuidar.

Yoongi confirmou e olhou em volta.

- Você mora com outra pessoa aqui, não é.

- Você é bem observador. – Foi inevitável voltar a encará-lo.

- Aquele seu amigo? – Ele perguntou ainda me observando e eu confirmei com um aceno triste. Eu não sei porquê saiu tão depressiva a confirmação.

- Então ele é seu namorado?

Eu não soube responder a pergunta. Demorei um bocado porque eu não tinha certeza do meu relacionamento com Jin depois da noite anterior.

- Enfim, é melhor eu ajudar a lavar a louça e vazar. Tenho mais o que fazer.

- Ah, pode deixar. Não quero te atrapalhar. Eu lavo tudo.

Ele não me deu ouvidos levou tudo até a cozinha e começou a lavar. Eu não tive opção senão ajudá-lo. Quando terminou, pegou o capacete que deixou na bancada e foi até à saída enquanto eu o seguia.

- Obrigada pelo jantar. – Ele falou através do capacete enquanto dava a partida na moto.

     Ele parecia muito sexy assim. Respirei fundo com meus pensamentos e voltei para casa.


Notas Finais


Obrigada por terem acompanhado até aqui. Acho que o proximo capitulo vai ser melhor.

Beijos ❤❤


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...