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História Meu ébano - Capítulo 1


Escrita por: e Scherry_


Notas do Autor


AISNAJDNAIDNAIDNJAND eu amo AvPol demais PUTS AKSNANSNAN

Sério, deem atenção a esse shipp, ele é perfeito demais

Enfim, eu queria muito escrever uma história do Polnareff passando algum tipo de vergonha pra surpreender o Avdol, e aí surgiu essa história :)

Espero que gostem e boa leitura~

Capítulo 1 - Capítulo único - De tirar o chapéu


— Algum de vocês viu o Polnareff? — A voz grossa e sonolenta cruzou o quarto empoderada, cortando o silêncio noturno e atraindo o olhar curioso de outros três homens, que já estavam com seus pijamas postos e preparados para dormir. Avdol suspirou, massageando as têmporas enquanto olhava para o ruivo como em súplica. — Você é o melhor amigo dele, não é? Ele te contou alguma coisa?

— Absolutamente nada, eu também estou preocupado, agora que você citou. — O rapaz esticou os braços para cima enquanto bocejava e esfregava os olhos. — Mas acho que ele não está muito longe daqui, provavelmente foi procurar algum rabo de saia ou comprar bebida.

O moreno retorceu os lábios enquanto cruzava os braços. A ideia de estar com ciúmes não o agradava, afinal, geralmente era a pessoa racional do grupo e não deveria ser afetado com aquele tipo de coisa tão boba, mas não podia evitar sentir uma pontada de raiva toda vez que via o francês se engraçar com alguma mulher aleatória que encontrava na rua ou em algum corredor de hotel.

Apesar dos esforços do homem egípcio para disfarçar a reação negativa, Kakyoin acabou por reparar e segurou uma risada nasalada, tentando se focar melhor em acarinhar os cabelos escuros de Jotaro, o qual estava deitado ao seu lado e quase dormindo. Uma pigarreada mais rouca do outro lado do quarto chamou atenção dos dois, fazendo Joseph sorrir com a atenção que recebeu no momento.

— Vamos lá... Ele deve estar voltando daqui a alguns minutos. — O homem cruzou os braços e riu relativamente alto, olhando para Avdol — Não é como se ele estivesse planejando alguma coisa ridícula pra chamar atenção! Polnareff é besta, mas não nesse nível, eu acho.

Avdol arqueou as sobrancelhas enquanto observava o velho.

 — Como assim "eu ach— 

Um grito vindo do lado de fora fez o homem de pele negra se calar, assim como assustou os outros dentro do quarto – exceto Noriaki, que limitou-se a rir enquanto assistia Jotaro quase cair da cama devido ao súbito som alto. A voz não enganava ninguém: era  Polnareff, berrando em plenas duas da madrugada, na frente da varanda do cômodo, provavelmente meio alterado pelo álcool ou com muito sono, pois sua voz estava meio arrastada; Avdol, levado pela emoção e preocupação do momento, correu para fora e se agarrou com força na batente da sacada, fixando os olhos na figura pálida do francês lá embaixo, que era acompanhado por outros cinco homens com instrumentos musicais variados em mãos. Sentiu-se confuso por alguns segundos, até se dar conta do que estava acontecendo ali.

É, você um negão de tirar o chapéu

Não posso dar mole se não você créu!

Me ganha na manha e baubau,

Leva meu coração.

É, você é um ébano, lábios de mel

Um príncipe negro, feito a pincel,

É só melanina, cheirando à paixão.

Avdol quis enfiar a cara no chão quando o grupo começou a tocar tal música, cujo tom era, no mínimo, muito melosa, enquanto o platinado tirava de trás de si um arranjo, com um misto de flores brancas e alaranjadas, e o estendia para cima, em direção ao homem na varanda. O egípcio não havia reconhecido de primeira, mas ao escutar os primeiros trechos da canção, reparou que Jean estava cantando "Meu ébano" — em uma voz muito mais afinada do que esperava, o que não surpreendeu só o moreno, como também os outros três rapazes atrás de si, que estavam assistindo à cena toda. Talvez fosse resultado de um longo período de treino para aquele momento, apesar de reparar algumas falhas pequenas na pronúncia do português da música, que apenas trazia um certo charme ao momento de qualquer modo, dando uma certa graça à figura determinada e focada na canção embaixo da varanda.

É, será que eu caí na sua rede

Ainda não sei! Sei não!

Mas tô achando que já dancei!

Na tentação da sua cor.

Pois é!

Me pego toda hora querendo te ver,

Olhando pras estrelas pensando em você,

Negão, eu tô com medo que isso seja amor.

Ouviu uma gargalhada baixa, e, girando levemente o rosto, reparou que Noriaki se virava e entrava no quarto novamente, enquanto puxava o namorado confuso e sonolento consigo, seguido de Joseph, que simplesmente fez um joinha com a mão esquerda e voltou para dentro do recinto, fechando a porta que dava acesso à sacada e deixando o homem de pele de coloração negra a sós com Polnareff e o grupo de músicos. O egípcio desistiu de lutar contra sua própria vergonha, suspirando e apoiando-se contra a madeira do cercado da varanda enquanto observava o seu interesse amoroso em sua tentativa de fazer uma serenata decente.

Moleque levado, sabor de pecado, menino danado.

Fiquei balançada, confesso, quase perco a fala,

Com seu jeito de me cortejar,

Que nem mestre-sala.

Meu preto retinto, malandro distinto, será que é instinto.

Mas quando te vejo, enfeito meu beijo, retoco o batom.

A sensualidade da raça é um dom,

É você, meu ébano, é tudo de bom!

O último acorde da canção teve seu fim e, logo em seguida, pôde-se ouvir um pigarreio baixo vindo de Jean, enquanto este punha uma das mãos sobre o lado esquerdo do peito, ainda segurando o buquê: 

— Eu sei que isso é muito ridículo, eu tô me sentindo um idiota por estar aqui, com esse grupo de músicos que concordaram em fazer uma serenata porque eu insisti muito! — O homem esfregou o rosto, como se tentasse tirar o rubor da sua face esfregando-o para fora, o que obviamente não deu certo. Avdol sentiu o próprio coração palpitar com a cena, apesar de todo o embaraço que estava sentindo, e não conseguiu evitar um sorrisinho com aquilo tudo de qualquer modo. — Mas isso tudo é porque eu realmente queria fazer algo pra você, entende?

— Agradeço por saber que está passando vergonha com isso, assim não preciso te avisar. — O egípcio tentou parecer sério com a situação, até mesmo fingindo uma careta irritada, mas não conseguiu segurar a carranca por muito tempo, então simplesmente desistiu, enquanto pulava o cercado da varanda e se jogava ao chão com certa facilidade — tanto por ter um bom físico para tal atividade, quanto pelo quarto em que estavam hospedados se localizar no segundo andar de um prédio pequeno —, sorrindo fraco conforme se aproximava do francês, que parecia ficar mais ansioso a cada passo que o outro dava.

O moreno parou bem perto dele, bem pertinho mesmo, sendo possível constatar a sensação do hálito quente de ambos se misturando contra a brisa noturna que cercava-os.

— Apesar disso, a atitude foi muito bonita, agradeço pela serenata.

Apesar de parecer estar prestando atenção, o cérebro já afetado pelo cansaço diário de Jean só conseguia focar no quão bonito Avdol estava com os cabelos negros, longos e cheios de curvas soltos do penteado costumeiro, e em como a luz da Lua realçava a pele escura e os olhos cor de mel do egípcio. Em poucos segundos, o coração do francês começou a bater mais rápido e forte contra seu peito, junto com a sensação de um calor muito forte em todo seu corpo; observou que as bochechas do outro homem também estavam pintadas por um tom carmesim suave, quase irreparável, e que por muito pouco ele não estava desviando o olhar para o chão.

Sentiam-se como se suas adolescências subitamente voltassem naquele momento, e as preocupações daqueles quase dois meses de viagem passaram a se esvair de suas mentes, tão ocupadas com um e outro naquele instante. Sequer se lembravam que os outros três Crusaders podiam estar assistindo-os naquele momento — ou melhor, não se incomodavam com aquilo. Tudo o que importava era eles e apenas eles. Não haviam reparado, mas o grupo musical tinha ido embora havia um bom tempo, deixando com que os dois pombinhos se resolvessem e, talvez, aproveitassem a noite na companhia um do outro.

— Creio que essa seja a hora que você me puxa para um beijo. — Os olhos azuis do platinado se arregalaram ao ouvir aquilo, e seu rosto tornou-se tão escarlate quanto a mais vermelha das rosas.

— Você está falando sério mesmo?! — Polnareff coçou a própria nuca, não sabendo muito bem como continuar com a conversa. — Tipo, não está bravo nem nada? Eu provavelmente te fiz passar muita vergonha.

Jean. — A voz aveludada tornou-se séria de repente, quase assustando o outro. Avdol então suavizou sua expressão ao notar que Polnareff estava escutando-o de vez agora. — Só cala a boca e me beija logo.

O francês decidiu não refutar dessa vez, apenas deixou com que suas mãos se dirigissem por conta própria em direção à cintura do moreno, escorregando pelo tecido do pijama e subindo aos poucos, enroscando os dedos nas mechas escuras do cabelo do outro, enquanto este abraçava-lhe o pescoço com carinho, traçando os dígitos contra a nuca pálida do parceiro e fazendo com que o corpo de Polnareff se arrepiasse com a sensação. Logo ambas as mãos do platinado seguravam o rosto do outro, o polegar de uma tateando com calma os lábios grossos e convidativos do egípcio; a visão incentivou Jean a avançar de vez contra o seu corpo, roubando um beijo ansioso.

O platinado quase sentiu-se derreter com a sensação quente contra a própria boca, e, sem muita demora, aproximou mais o corpo do outro contra si, encaixando-se com este conforme o beijo tomava proporções mais intensas. Apesar de saber que não deveriam estar quase se comendo ali no meio da rua, onde qualquer um podia ver o casal aos amassos, o francês não conseguiu evitar sentir prazer com a adrenalina que sentia no momento. Um tanto contra a própria vontade, Jean se desfez do beijo tão delicioso e se despediu dos lábios apetitosos do amante para encarar-lhe nos olhos, enquanto sua mente viajava entre as memórias recentes do ato.

Respirando fundo, o platinado cortou o silêncio breve que dominou o ambiente por alguns segundos:

— Ei, o que acha de nós dois pegarmos um quarto separado?

— Você realmente não tem limites, não? — Ambos riram baixo. Avdol apreciou os braços do outro enroscados firmemente contra sua cintura. — Me parece uma ideia horrível, se quer saber minha opinião, amanhã a gente terá que continuar viajando e eu não quero que você fique de corpo mole por causa de uma transa.

Polnareff balançou uma das mãos brevemente, dando um sorriso safado enquanto puxava o outro para ainda mais perto de si, se é que era possível.

— Isso são detalhes, não se preocupa com isso.

Um selo breve na bochecha, uma agarrada sem vergonha na bunda do egípcio, e o francês logo estava puxando o parceiro por uma das mãos para dentro do sobrado novamente, deixando com que o som da risada baixa e da voz grossa e bonita enchessem-lhe os ouvidos, tanto ali e agora, quanto pelo resto da noite, enquanto a Lua ainda os acompanhava na noite quente e na serenata entre quatro paredes.

FIM


Notas Finais


E FOI ISSO MEUS AMORES AJSJAJSJ, quero agradecer ao @Mitx pela capa lindíssima e a @Nekolua pela betagem, tudo sempre feito com muito esmero e carinho 😔❤️❤️❤️❤️❤️

Espero que tenham gostado e até a próxima~


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