História Meu Mafioso - Capítulo 28


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor, Drama, Escolhas, Hackers, Interpol, Investigação, Luta, Máfia, Máfia Russa, Policia, Reviravoltas, Romance, Rússia, São Petersburgo, Shonei Ai, Shoujo-ai, Yaoi, Yuri
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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Hentai, Lemon, Literatura Feminina, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Suspense, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Só digo uma coisa, não me matem

Capítulo 28 - Mentiras e segredos revelados. Parte I


Fanfic / Fanfiction Meu Mafioso - Capítulo 28 - Mentiras e segredos revelados. Parte I

Daniel estava nervoso, seria a primeira vez em que ele veria quem era o verdadeiro líder da Arcardia, e não um homem com nome de letra. As coordenadas que lhe foram entregues indicava que a mansão ficava entre a floresta que havia entre a cidade e o aeroporto, o carro balançava por causa das pequenas pedras e buracos. Depois de minutos que pareciam horas, o moreno finalmente chegou na mansão, onde havia um homem o esperando com um sorriso no rosto. Estacionou o carro em frente ao homem e saiu do carro com confiança, não poderia demonstrar nenhum sinal de fraqueza. Demonstrar fraqueza era pedir para ser morto. Caminhou de cabeça erguida na direção ao homem que a cada vez em que ele se aproximava aumentava, se tornando quase psicótico.

-Bem-vindo senhor Nightray! Estava ansioso para poder conhecê-lo pessoalmente.

-Lhe digo o mesmo, é bom alguém além de mim querer acabar com as cinco grandes famílias e principalmente com a família Nightray.

-Claro! Vamos, entre. Sinta-se em casa.

 

_&_

 

Quando a segunda-feira chegou as peças do tabuleiro começaram a se mover, tanto de tabuleiros pequenos, quanto pelo tabuleiro principal. Assim que a hora do almoço começou Helena saiu da empresa, desligou o seu celular para não ser rastreada e pegou um táxi, parou em um ponto aleatório da cidade, caminhou por cerca de vinte minutos ate parar de frente para uma casa antiga, com um aspecto de abandonada. A porta estava trancada com grossas correntes de ferro e um cadeado grande, nas janelas haviam grandes tábuas pregadas com pregos que impediam de ver o que tinha dentro da residência. Caminhou para a parte de trás da casa, onde encontrou Selena sentada na escadaria que dava para a porta que ficava nos fundos, a colombiana estava com os cabelos presos em um rabo de cavalo alto e vestia uma calça jeans preta, uma regata vermelha por debaixo de uma jaqueta que couro preta, calçava uma bota de cano baixo preta. Já Helena estava com uma blusa social rosa claro, uma saia social preta, nos pés um salto alto também preto e em suas costas, sua quase inseparável mochila. A colombiana se levantou e abriu a porta atrás de si, dando passagem para a brasileira passar.

-Essa casa é segura?

-Sim, pertence aos Barmas. Só que é tao antiga que quase ninguém se lembra dela. Estamos seguras aqui, vamos para o porão. Consegui as coisas que você me pediu, isso vai dar mesmo certo?

-Fica tranquila, já fiz isso várias vezes para a Interpol. E onde fica o porão?

-Por aqui, me siga.

Ela atravessaram a cozinha e dobraram no corredor, onde tinha uma porta que estava entreaberta que dava a visão de uma grande escada feita de metal. Selena acendeu a luz e ambas adentraram o cômodo, no centro havia uma grande mesa onde vários computadores e outros aparelhos eletrônicos estavam depostos. Selena fechou a porta e ligou o ar-condicionado, se aproximando de Helena e se sentando em uma cadeira que estava próxima da mesa.

-E então, qual é o seu plano? Nós duas concordamos em acabar com a Arcardia e compartilhar as informações, só que nunca colocamos realmente em pauta o nosso plano, que no caso é seu.

-É bem simples, vou usar isso para descobrir a localização e os podres da Arcardia e sobre os seus envolvidos. Depois eu vou entregar o dossiê para meu contato na Interpol, ele vai prender todo mundo e fim, todos felizes e contentes.

-Isso é muito simples!

-Pra dar certo não precisa ser uma coisa mirabolante.

-E como você vai descobrir essas informações e a localização?

-Bom, bancos, militares, universidades e outras instituições usam a Deep Web para armazenar dados e informações. Vocês também fazem isso, embora eu não tenha entendido quase nada daquilo.

-Espera, você achou o nosso banco de dados? Nos hackeou?

-Ah, sim? Eu precisava saber com o que eu estava lidando. Voltando ao assunto, eu vou colocar um dos meus programas para procurar esse banco de dados. Enquanto isso outro vai buscar a localização.

-E quanto tempo isso pode durar?

-Não sei, talvez dias ou semanas. Mas eu vou fazer o possível para diminuir esse tempo. Só que tem um porém.

-E qual é ele?

-Vincent. Desde que eu passei mau na universidade ele vive me ligando para saber se eu estou bem. Não duvido nada que ele colocou alguém atrás de mim!

-E ele colocou? Te seguiram?

-Não! Tomei cuidado ao chegar aqui. Também dei a desculpa de passar o resto do expediente fora por causa de um trabalho da faculdade, e eu tenho o Marcos como álibi. Já que o trabalho é em grupo e ele também pediu a liberação para poder fazê-lo. E bom, eu e minha dupla terminamos ele a muito tempo. O que significa que eu tenho a tarde toda livre pra resolver isso.

-Ótimo! No que você precisa de ajuda?

-Bem, você pode começar a me ajudando a desmontar esses computadores. Onde estão as ferramentas?

-Estão la encima, vou pegar.

 

_&_

 

Hugo estava nervoso, tinha levado cerda de quatro horas de avião ate chegar em Roma, para depois pegar um carro ate a comuna italiana – que se equivale a município – de Tropea, o que levou cerca de quase sete horas. Quando chegou na comuna foi logo para um hotel e caiu na cama morto de cansaço, nem conseguindo se levantar para tomar um banho! Acordou no outro dia com o sol batendo no seu rosto, o impossibilitando de dormir. Tomou um banho, colocou uma roupa formal e saiu do quarto para comer no restaurante do hotel, junto do seu braço direito Tobias. Assim que terminaram de almoçar, voltaram para os seus quartos para poder revisar o plano. Na teoria era bem fácil, iriam ate a mansão da máfia italiana, iriam se apresentar e dizer que estavam em missão de paz, pediria algumas informações sobre a Arcardia e depois iriam embora. Simples, agora fácil? Isso era outros quinhentos, já que as Cinco Grandes Famílias faziam parte da máfia italiana e fugiu para a Rússia exatamente por estarem sendo caçados pela máfia italiana. Era a mesma coisa que cutucar onça com vara curta. Estava tudo ocorrendo bem, ele e Tobias saíram do hotel as exatamente 19:15 em um palio preto, estavam indo ao encontro ate que foram surpreendidos por um outro carro que bateu na traseira, fazendo com que Tobias perdesse o controle do carro e eles batessem em um poste. A última coisa que o Vessalius se lembrava era de sentir alguém o tirando do carro e gritando alguma coisa com alguém, de resto só se lembrava de ser acolhido pela escuridão da inconsciência. Seus sentidos foram voltando aos poucos, primeiro foi o tato, setia o seu corpo todo doer, principalmente a sua cabeça. Estava deitado em um lugar macio e fofo, batia um vento fresco em seu corpo que refrescava. Depois veio a audição, o ofato e o paladar, sentia um gosto forte na boca, um pouco amargo e a garganta estava bastante seca, tanto que doía. Ouvia o barulho do vento e sentia o leve perfume doce, que o lembrava muito frutas tropicais. Gostava daquele cheiro, fazia-o sentir-se calmo e tranquilo. Como se nada pudesse o preocupar, como se tudo estivesse bem. E finalmente veio a visão, no inicio tudo estava embaçado, não via nada a não ser borrões de cores que aos poucos iam tomando forma. Estava em um quarto muito bonito, com as paredes cobertas por um papel de parede vermelho com pequenos pontos em dourado. Uma grande janela branca estava aberta e era por ela que o vento passava, era de noite e a hora não sabia. Quanto tempo tinha ficado desacordado? Que lugar era aquele? O que tinha acontecido? Olhando em direção a janela percebeu que tinha uma menina perto dela, ela era bem bonita, tinha os cabelos lisos na cor mel que batiam ate a sua cintura. Os olhos eram da mesma cor e a pele era um pouco bronzeada, vestia um vestido preto simples e estava descalça. Ao perceber que Hugo estava a olhando ela deu um pulo de susto.

-Ah! Que bom que você acordou, deve estar com muito sede, aqui. Beba. – ela tinha lhe oferecido um copo com água, ajudou o russo a se sentar na cama, ouvindo os baixos gemidos que ele soltava. Entregou o copo com água que foi prontamente aceito, depois de beber três copos o de cabelos marrom olhou para os seus braços. Haviam leves escoriações, e ele não estava com suas roupas e sim com uma blusa de mangas curtas sem estampa da cor cinza e um moletom na cor verde-musgo. Olhou para a garota que o olhava curiosa – Você é algum tipo de bandido? Sem querer lhe ofender e nem nada do tipo, mas noventa e nove por cento das pessoas que vem aqui não são pessoas “normais” e muito menos inocentes. Você é o que?

-….Bom, eu sou da máfia. E você….?

-Jura! E de qual? Japonesa? Chinesa? Não, você não me parece ser oriental, sem falar no seu sotaque que é um pouco engraçado. Seria da Colômbia? Ou da América?

Hugo estava espantado com a personalidade da jovem garota, ela parecia não ter medo de nada e também parecia bem-acostumada com pessoas como ele, ou pior. O russo forçou a memória e se lembrou dos últimos fatos, estava indo ao encontro da máfia italiana, estava em um carro alugado com Tobias, um carro tinha batido neles, o carro perdeu o controle e bate em um poste.

-Onde está o homem que estava comigo no carro? O que aconteceu depois?

-Bom, eu não sei. Só vi os homens carregando você ate esse quarto. Não sei lhe responder sobre o seu companheiro. Lamento.

-….Entendo. Onde estou? Quando tempo eu fiquei dormindo?

-Uma semana e dois dias. E você está na…

-Senhorita Dinozzito! O que eu já lhe falei em entrar nos quartos em que os convidados do senhor Dinozzito esta?!

-Mas Olivia…

-Sem mas, volte para o seu quarto agora mesmo! – a garota olhava com esperança para que a mulher a sua frente, para que a deixa-se ficar naquele quarto e continuar a conversar com aquele estranho. Fazia tanto tempo que não conversava com alguém que não fosse ela mesma, o seu pai era um homem bastante ocupado que mal dava atenção para a filha, Olivia sempre estava ocupada com a casa, os empregados pareciam ter medo dela e o seu guarda-costas….parecia uma estátua. E aquele desconhecido lhe parecia ser uma pessoa bastante interessante, cheio de mistérios e sem falar que era bem bonito – Se a senhorita não sair daqui imediatamente eu serei obrigada a informar essas suas atitudes para o senhor Dinozzito – A garota fez uma cara de quem estava assustada e com medo, se levantando da cama que havia se sentado para ver melhor os olhos do de cabelos moreno e saindo do quarto – O senhor Dinozzito vai encontrá-lo em seu escritório, virei chamá-lo daqui a vinte minutos. Com licença.

 

_&_

 

-Aconteceu alguma coisa. Eu tenho certeza!

-Calma Theo, eu tenho a certeza de que o Hugo está bem e vivo.

-Cala a boca Barma, se eu fosse você me concentraria em achar a Selena. Ah! Me lembrei, você não sabe onde ela está!

Rodrigo avançou contra Theo, mas foi seguro por Vincent e por Gilbert. Os quatro lideres estavam reunidos no escritório do Nightray, mais de uma semana tinha se passado desde a viagem de Hugo ate a Itália. E desde que ele desembarcou no aeroporto em Roma não tiveram mais notícias dele ou do seu braço direito Tobias. Theo estava quase por arrancar os seus cabelos ruivos. Todos ali estavam preocupados com a falta de informações por parte do Vessalius, eles sabiam que estavam dando um passo maior do que a própria perna, mas tinham que arriscar. Estavam desesperados.

-CHEGA! Eu sei que todos aqui estão com os nervos a flor da pele, todos estão com algum tipo de problema. Eu que tive que adiar o meu casamento para só Deus sabe, Vincent com a namorada de cama, Rodrigo que não tem noção de onde a Selena esta. E você Theo, que também não tem noção de onde o Hugo esta. Isso sem falar na Arcardia. Sei que vocês querem sair por ai atirando na cabeça desses desgraçados, só que não podemos fazer isso pelo fato de não sabermos quem são eles. Nossa melhor solução esta morta a sabe-se la quanto tempo no Brasil. Então parem de brigar entre si, as coisas não estão nada favoráveis para nós. Arcardia nos fez perder mercadoria, pessoas e nos desafiou em nossa cidade. Comprovando que pode fazer o que quiser e não ser pega, isso ficou bastante claro quando eles resolveram fazer aquele ataque a um mês atrás. Se o Hugo não der notícias pelos próximos sete dias, vamos ter que tomar outro tipo de solução. A cada briga nossa a Arcardia fica mais perto de nos derrubar, e eu não sei vocês, mas eu não quero morrer por agora. Vão parar de agir como criancinhas mimadas? Ou eu vou ter que dar uma surra em vocês como se eu fosse mãe de vocês?

-….Bianca esta certa. O tempo está passando rápido e nem conseguimos nenhuma informação sobre nenhum deles. Falei com o Marcos e ele não encontrou nada na internet, e a polícia não tem nenhuma pista.

-A polícia não tem nenhuma pista? Nenhuma? Isso não é possível, essas pessoas não surgiram do nada!

-Por mais que me doa eu tenho que concordar com o Theo. O seu protegido não encontrou nada Gil?

-Infelizmente não. E isso me preocupa.

-Ele só pode ser um grande incompetente, isso sim.

-Theo!

-Ta legal, vou calar a minha boca. Não, melhor. Vou sair daqui, considerem essa reunião como encerrada. Mais tarde nos reunimos novamente, vamos esfriar as nossas cabeças. Com licença.

O ruivo deu meia volta e caminhou ate a porta, a fechando com bastante força, demostrando o quão irritado estava com aquela situação. Vincent respirou fundo em busca de paciência, aqueles dias não tinham sido dos melhores para ele, para nenhum deles na verdade. As coisas estavam começando a sair do controle e ele odiava isso, gostava de ter o controle de tudo, aquela incerteza estava o matando por dentro aos poucos. Cansado daquilo resolveu sair um pouco para poder esvaziar um pouco a mente, caminhou ate o seu quarto e se preocupou quando não encontrou Helena deitada na cama. Uma das várias empregadas que trabalhavam ali passava no corredor e Vincent a chamou.

-Você viu a Helena?

-A senhorita Andrades está agora no jardim tomando sol. No jardim do fundo, perto da estufa.

-Obrigada.

-Por nada senhor.

O Nightray correu para os jardins, depois de percorrer uma grande distância encontrou o seu amor deitada em uma das espreguiçadeiras brancas que tinham ali. Ela lia um livro qualquer, vestia um conjunto de moletom cinza, as mangas estavam dobradas ate o cotovelo, revelando a pele cheia de hematomas que já estavam sumindo, se tornando uma mancha amarelada com algumas pequenas partes roxas. Vincent se aproximou da namorada, tirando os sapatos e se juntando a morena que lhe deu um pequeno sorriso. Fechou o livro e se encostrou mais nos braços do russo que a abraçava com cuidado para não provocar nenhum tipo de dor. Dentro da estufa estava Amelia cuidando das suas flores e observando aquela cena tao linda do casal, deu um sorriso triste ao olhar para Helena.

 

Uma semana atrás

 

Quatro dias tinham se passado desde que Helena colocou o seu programa para rodar nos computadores que Selena havia lhe oferecido. Sempre encontrava uma brecha para poder escapar de Vincent ou de Marcos e ir ate a casa conferir as informações e se tudo estava ocorrendo bem. Koba estava fazendo o seu trabalho, lhe mandando informações sobre o lugar e as pessoas que frequentavam a mansão. Já havia descoberto a localização, e agora só faltava encontrar as informações sobre os envolvidos e isso estava pela metade já. Não via a hora daquilo acabar, só não sabia o qual seria a reação de Vincent ao saber que ela iria deixá-lo.

-Você vai o que?

Helena caminhava pelo campus, estava tendo uma palestra e ela estava fora para poder conversar com Selena. Embora ela estivesse buscando as informações ela não queria o mérito para aquilo, se as pessoas tiverem o conhecimento de que ela tinha descoberto – em sessenta por cento – as informações sobre a Arcardia em quatro dias, enquanto que a máfia estava fazendo isso a meses, ela com toda a certeza seria desmascarada. Pessoas viriam atrás dela em busca de vingança ou a propondo fazer coisas que poderiam lhe garantir uma passagem só de ida para a prisão. Por isso ela estava passando a responsabilidade de entregar as informações para Selena, já que ela era da máfia, podia muito bem saber lidar com aquilo. Pessoas não iria atrás dela, já que ela teria a proteção dos Barma’s e principalmente agora que estava esperando um filho de Rodrigo. Não que ele saiba, e ela esperava que a colombiana se resolve-se logo com o russo de cavanhaque.

-Você é melhor do que eu nisso. Ninguém vai desconfiar de você, e eu poderei viver a minha vida tranquilamente. Longe dessa loucura toda.

-Vai abandonar o Vincent? Eu pensei que você o amava!

-E eu amo. Deus como eu o amo, chega ate doer. Mas eu não o mereço, ele está sendo tao verdadeiro comigo e eu estou aqui, mentindo para ele e sendo alguém que obviamente não sou eu! E também, o Vincent quer uma família e eu não posso dar isso a ele. É frustrante isso! Eu sou uma mulher que não pode gerar uma vida, e eu….eu não sei mais o que eu quero Selena. Eu não sei mais quem eu sou, nunca fiz essa pergunta desde que eu assumir a identidade de Helena Andrades. eu….eu estou tao perdida.

Helena estava dentro do prédio, passando pelas salas de aula que estavam com a luz apagada e as portas trancadas. Vez ou outra um funcionário aparecia com materiais de limpeza e sumia nos longos corredores do prédio antigo.

-Helena calma, embora eu ache bom você ter essas perguntas agora não é a hora para isso. Eu não sei se os lideres vão concordar em compartilhar essas informações com a Interpol.

-Eu imaginava isso, por isso que eu avisei o meu contato na Interpol. Ele vai receber uma cópia desses arquivos e vai ajudá-los no que for preciso. Acredite, ele está louco para pôr as mãos nesses desgraçados, mais do que vocês eu acho.

-Certamente não. Eles mataram alguns dos nossos e para nos isso é inaceitável.

-Uma das suas regras, estou certa?

-Seus subordinados são sua família, protegemos uns aos outros. E família é muito importante para nos. Eu ate te considero da minha família, como se fosse uma prima beeeeeeem distante.

-Hahahaha, bom saber.

A conversa estava agradável, aos poucos elas se entendiam e se aproximavam, tinham várias coisas em comum e se viam uma na outra. Helena estava despreocupada, tanto que levou um susto quando sentiu uma mão em seu pulso esquerdo, que a puxou com força para dentro de uma sala de aula. A força foi tanta que ela acabou caindo no chão e o seu celular foi parar em algum canto, virado para o chão, impedindo de mostrar a luminosidade da tela. Helena tentou se levantar, mas foi surpreendida por um chute em seu estômago que a fez perder o ar e se encolher no chão de dor. A luz do fundo da sala foi acessa, clareando parcialmente a grande sala. Era um grupo de dez mulheres de diferentes idades, mas todas da fachetária de vinte ate os trinta. Duas delas a seguraram pelos braços e uma pelos cabelos, a impedindo de sair. Com certa dificuldade Helena olhou para todas elas e perguntou sem medo na voz, embora ele estivesse presente por dentro.

-O que está acontecendo aqui?! O que vocês querem?!

Mais um chute que a fez soltar um gurnido.

-Calada! Sabe o que eu queria saber? Como alguém como você conseguiu uma grande chance dessas. Isso não é justo sabia? Somos iguais a você, não! Melhores que você.

-Ela com toda a certeza deve ter transado com o diretor.

-Vadia!

-E bota vadia nisso. Além de roubar as nossas chances ela ainda está com o Vincent Nightray!

-O dono da Zenotec? Como alguém como você conseguiu ficar com um deus grego como ele?

-Deve ser porque eu não seu uma víbora como vocês. E se rebaixando a esse nível só para demostrar o quão insatisfeitas vocês estão? Isso é cômico sabiam? Eu não lhes roubei chance nenhuma e nem preciso transar com ninguém para conseguir as coisas. Eu corro atrás das oportunidades, coisa que vocês deveriam fazer em vez de ficar reclamando e colocando a culpa nos outros! Vocês me dão pena sabia?

Um tapa forte foi desferido contra a face branca de brasileira que ficou vermelha, com as marcas dos cinco dedos da mulher russa que estava com uma carranca furiosa. A Andrades sabia que não deveria ter dito aquelas coisas, e que se desculpa-se e desistisse da oferta de emprego elas talvez a soltaria e não faria nada com ela. Só que aquilo não era justo, ela tinha ralado muito para a conseguir. Perdeu noites de sono. Perdeu festas. Comprometeu a sua saúde e quase perdeu o seu emprego! Não desistiria disso por causa de garotas mimadas que não tem culhões para correr atrás das coisas. Ela não iria desistir, não agora que a formatura estava tao perto. Não tinha aturado aquele preconceito todo pra no final desistir. Não era fraca para desistir e abaixar a cabeça, como fazia quando morava no Brasil e tinha o nome de Mariana. Ela sabia que Helena Andrades não era somente um personagem. Helena Andrades era quem ela realmente era, seu verdadeiro eu. Que a muito tempo queria sair e mostrar para o mundo que ela não era mais uma garota fraca, e ela realmente não era. Tinha crescido e aprendido o seu real valor. Pessoas como aquelas mulheres não lhe assustavam mais como era antigamente. Elas não era melhores que si, não mesmo!

-Escuta aqui sua vadia, vamos te dar duas opções. Ou você desiste de tudo e some dessa faculdade, ou você vai receber uma grande punição. E então? O que você escolhe?

-Vá para o inferno sua vaca mal amada. – Foi a sua resposta depois de ter juntado um pouco de saliva e ter cuspido na cara da russa. Estava disposta a encarar as consequências dos seus atos de cabeça erguida, sem medo de nada. Não sabia quanto tempo se passou, sentia dor dos chutes e soco. Mordia os lábios para evitar soltar algum tipo de barulho, só que vez ou outra ela não conseguia e soltava pequenos gritos de dor. Sentia algo dentro dela sacolejando, um gosto amargo de ferro em sua boca. Era sangue, seu sangue. Ela tentou se acalmar, um ataque de pânico não seria uma boa opção naquele momento. Ela iria morrer de hemorragia interna? Ou pelos machucados? Ela iria sangrar ate a morte? Esses e vários pensamentos rodavam a sua cabeça. Sentia dor em quase todo o seu corpo, os tapas ardiam e soltava um barulho estralado, os socos e chutes faziam um barulho um pouco oco. As vezes dava uma falta de ar e ela acabava engasgando com o seu sangue, se obrigava a engolir aquele liquido viscoso ou simplesmente cuspi-lo em direção as suas agressoras que ficavam com raiva daquilo. Sentia que elas tinham quebrado alguma coisa nela, um osso talvez?

Ela nunca tinha quebrado nada, então não sabia se aquela dor agonizante que ela sentia era de um osso trincado ou quebrado. A visão estava turva, vias sombras e sorrisos ameaçadores, risadas e ate o barulho e a claridade de feches. Serio que estavam tirando fotos daquilo? Era inacreditável o quão infantil e desequilibradas aquelas mulheres eram, em alguns momentos ela pensou em desistir, mas se obrigava a continuar forte e não demostrar fraquezas. Não iria dar esse gostinho para aquela malucas, mesmo que isso implicasse dela estar quase morrendo de dor. As duas mulheres ainda seguravam os seus braços, a que estava na cabeça a soltou para poder participar da agressão. Palavras de baixo escalão e ofensas eram dirigidas para a brasileira que estava de joelhos, elas queriam a humilhar, elas queriam mostrar o quão superiores eram para a brasileira. Só que isso não parecia estar funcionando, o que fazia com que a ira daquelas russas aumentasse e junto desse sentimento a força das agressões. Helena então começou a rezar, para quem quer que estivesse a ouvir as suas suplicas, que intercede-se por ela e a ajudasse. Esperava que aquilo acabasse logo, se surpreendeu quando a porta da sala foi aberta com força e as luzes acessas, o diretor, a vice diretora e mais alguns professores e dois policias adentraram na sala e ficaram espantados com aquela cena. As mulheres trataram de largar Helena que caiu no chão resmungando de dor e cuspindo um pouco de sangue. As mulheres tentavam se explicar, só que não adiantou nada, foram algemadas e mandadas para a delegacia.

A vice diretora ligava para a emergência pedindo uma ambulância, enquanto o diretor e os professores socorriam a brasileira. O resto das lembranças daquela noite passou como fleches pelos olhos de Helena, se lembrava de poucas coisas. Se lembrava de estar em uma maca e varias pessoas ao seu redor, depois de estar em algum veículo – provavelmente a ambulância – e de ter uma mulher loira falando alguma coisa consigo que ela não conseguia ouvir direito, os sons estavam abafados e pareciam distantes, a visão também não estava das melhores. Depois se lembrava de varias luzes passando por si, olhou para o lado vendo pessoas de branco colocando uma mascara em si e aplicando algo em suas veias. Depois disso veio a escuridão, a livrando de toda aquela dor. Ela não sabia quanto tempo tinha ficado desacordada, quando começou a recobrar os sentidos não sentiu a dor, ouvia barulhos de Bips e sentia uma certa claridade que não era incomoda, abriu os olhos e encontrou Vincent com um grande sorriso e os olhos vermelhos. Ele tinha chorado? Se tivesse aquilo era muito estranho, afinal, Vincent era um mafioso, e mafiosos não choram ou demostram sentimentos, certo?

-Ei, como você tá?

-….Estava….chorando? – ela sentia que sua voz estava estranha, bem baixa e roca. Também estava com sono, muito sono.

-Não, eu só….estava preocupado com você. Me deu um baita susto sabia? Como se sente?

-Com sono.

-Deve ser efeito da morfina. É normal.

-Me desculpa.

-Ei, por que está se desculpando? Não fez nada de errado. As únicas culpadas são aquelas mulheres loucas, mas não se preocupe, ela não lhe faram mal algum. Eu prometo. – Vincent falava com a voz calma enquanto limpava as lágrimas que escorriam dos olhos da brasileira. Quando havia começado a chorar? Não sabia, tudo parecia bastante confuso e sem sentido nenhum. Mas ele está la, por ela com aquele grande sorriso que só ele sabia dar. Com aquele sorriso que ela aprendeu a amar e a buscar no meio da multidão quando esta sozinha.

-….Por que? Por que você sempre esta sorrindo para mim?

-Porque….Eu quero que se você pensar em mim algum dia, em algum momento, eu prefiro que você se lembre do meu sorriso. Da mesma forma que eu me lembro do seu. Porque é o seu sorriso que me motiva, é o seu sorriso que me faz levantar todos os dias. Nunca se esqueça disso.

Helena deu um pequeno sorriso, mesmo que por dentro a culpa estava a destruindo. Estava mentindo para o homem que a amava, que lhe era sincero e que estava tentando ser uma pessoa melhor por ela e exclusivamente por ela. Adormeceu novamente com aquele sentimento e não voltaria a acordar tao cedo por causa da medicação que era bastante forte. Vincent acariciava os curtos cabelos negros que começavam a passar dos ombros, olhou para a porta que se abria e mostrava um Gilbert sério. Deu um pequeno sorriso para o melhor amigo que se aproximava de onde ele estava – sentado em uma poltrona que ficava do lado da cama – e colocava a mão no ombro direito e apertava, tentando passar um pouco de confiança para o mafioso de olhos azuis.

-O que o médico disse?

-Vários hematomas na barriga, pernas e braços. Marcas de tapas e socos no rosto, os lábios dela estão machucados também, ele falou que grande parte foi dela por morder. Acho que ela não queria que a ouvissem gritando de dor. E duas costelas trincadas.

-Ela é bastante forte. Eu vi a gravação da câmera de segurança da sala, mesmo apanhando ela se mostrava superior a aquela mulher.

-Eu sei. Ela é incrível. O que o diretor falou?

-As alunas serão expulsas e passaram a noite na delegacia. Depois iram responder por agressão. O diretor me falou que ele havia recebido uma ligação de uma mulher, dizendo que ele e outros professores deveriam ir na sala onde a Helena estava.

-Uma ligação? E sabe quem foi?

-O número é de um celular descartável, não sabemos a sua localização ou quem o comprou. Só que tem um porém, esse número fez diversas ligações para a Helena.

-Diversas em qual sentido da palavra?

-Do tipo que se comunica quase que diariamente com a Helena. E tem mais, o tempo de comunicação bate com o tempo do “desaparecimento” da Selena.

-Espera, você acha que a Helena tem alguma ligação com a Selena? Isso é quase que impossível! Digo, as duas mal se falaram, e quando a Selena estava la em casa para cuidar da Lena ela estava desmaiada.

-Acredite em mim, mostrei uma gravação que eu tinha da Selena e o diretor confirmou ser aquela voz. Cent, a Rodrigues esta, de alguma maneira envolvida com a Helena.

-O que você está insinuando Gilbert?

-Talvez eu esteja errado, mas eu acho que a Andrades sabe mais do que realmente conta para nós. E tem mais, ela pode saber do paradeiro da Selena e não contou para nós. Talvez ela esteja ligada a Arcard…

-Não termine essa frase! Eu o proíbo!

-Vincent abra os seus olhos, não fique cego por esse seu amor!

-Chega! Saia daqui agora. Depois eu falo com você.

-Mas…

-Saia!

 

Dias atuais

 

Desde aquele dia Vincent quase não fala com Gilbert mais do que precisa, ele também estava começando a desconfiar de Helena e de tudo o que ela fazia. Então ele começou a se perguntar sobre tudo o que a brasileira já fez ou disse. Por que dela não ter aceitado namorar com ele quando ele a pediu pela primeira vez, mesmo já sendo correspondida? Por que ela se desculpava para ele em alguns momentos? Por que ela estava sumindo esses dias atrás? Ele sabia que era por causa da faculdade, mas ela estava falando a verdade? Se ela estivesse envolvida com Selena ou com a Arcaria, como isso aconteceu? Ela foi sequestrada para não terem suspeitas com ela? Selena estaria junto da Arcardia? Era tantas perguntas que o fazia quase enlouquecer, e se sentia mau por desconfiar do amor da sua vida e da mulher que era quase que por uma irmã. Se lembrava da sua adolescência, de quando Selena se juntava com Gilbert para por um pouco de juízo em sua cabeça e na de Rodrigo. Sentia falta dos velhos tempos, e ali, deitado com Helena dormindo sobre o seu peito se lembrou de um ocorrido que lhe aconteceu a quase dois dias atrás. Quando ele e Helena estavam no hospital em que ela esteve internada por causa do espancamento. Exames foram feitos e descobriram que a brasileira havia desenvolvido um cisto no útero – em um dos ovários. Ele se lembrava que naquele dia o hospital estava uma loucura, mesmo sendo particular, parecia que naquele dia as pessoas tinham acordado e decidido se acidentar ou quase morrer. Enfermeiras, médicos, e vários outros funcionários corriam de um lado para outro com pepeis nas mãos ou com macas com pessoas machucadas. Helena estava com os olhos fechados, não queria vomitar com aquelas “belas” imagens. O russo a guiou ate a sala do ginecologista e se sentou com ela nas cadeiras que estavam na sala de espera que era em frente a sala, ele brincava com a namorada para distraí-la e relaxá-la. A porta do consultório foi aberta e o médico pediu para que eles entrassem, os dois se sentaram nas cadeiras – muito confortáveis devo ressaltar – e ficaram olhando para o médico que olhava para duas fichas em suas mãos, seu olhar vagava do rosto de Helena para a pasta em sua mão direita e logo depois para a que estava em sua mão esquerda.

-Esta tudo bem doutor? – Vincent perguntou um pouco preocupado com a demora do médico.

-Ah? Sim! Esta! Ah, senhorita Helena….A….Andrades?

-Sim, sou eu.

-Ah, ótimo! Enato vamos começar a sua consulta. – disse guardando uma das pastas em sua gaveta e abrindo a que restou, deu uma leve lida em tudo e vez ou outra olhava para o casal que estavam com as mãos únicas e nervosos – Bem, acho que tudo vai ocorrer bem se a senhorita seguir restritamente as minhas orientações e tomar os remédios de maneira certa. Se tudo for feito de maneira correta em algumas semanas nos podemos ter resultados satisfatórios.

-Isso é ótimo! E quando podemos começar? – Vincent tinha um grande sorriso no rosto e Helena também tinha, não tao animado claro, mas estava feliz. Odiava ficar doente. O médico vendo a reação do casal ficou ainda mais feliz.

-Hoje mesmo, logo depois de alguns exames. Bom, o remédio que vou lhe dar é novo no mercado e não foi distribuído ainda nas farmácias. No entanto, você devera usar ele por cerca de algumas semanas e se ele não surtir efeitos eu quero que você volte aqui para fazermos outros exames e ver o que podemos fazer. Certo?

-Sim doutro.

-Formidável! Queira me acompanhar ate a sala de exames, mas antes vamos pegar os seus remédios. Vamos, me acompanhem por favor.

Os três então saíram da sala e foram ate uma sala que tinha uma grande janela de vidro onde se podia ver as várias estantes de remédios. O médico conversou com a enfermeira que estava ali e lhe entregou uma receita, a mulher afirmou com a cabeça e adentrou na sala para pegar os frascos do remédio. Vincent ficou ali na porta esperando a enfermeira, já que a sala onde Helena faria os exames era em frente a que ele estava encostado. Depois de um tempo a enfermeira saiu da sala e lhe entregou três frascos com comprimidos e lhe desejou boa sorte com um grande sorriso no rosto. O russo agradeceu, mesmo sem saber direito o porque daquela felicidade que a enfermeira emanava. Quando estava para adentrar a sala onde sua namorada estava fazendo os exames de deparou com uma pessoa que ele realmente não queria mais ver na sua frente. Ele não fazia ideia do que Emma estava fazendo ali e ele realmente não queria saber, não lhe interessava. A loira ficou animada e correu para os braços do de olhos azuis, lhe dando um beijo que não foi correspondido, em vez disso o Nightray a empurrou para longe. Isso pareceu ter feito algum tipo de efeito na loira que o encarrou com duvida e talvez um pouco de mágoa? Vincent limpou a boca com o antebraço direito, já que o outro estava perto do seu peito segurando as caixas de remédio. O mafioso encarava Emma com um olhar nada feliz, as lembranças do que ela fez com Helena lhe veio na mente como flashes. Emma pareceu se recompor um pouco, arrumando o seu cabelo que estava solto, ela vestia uma calça jeans vermelha e uma blusa regata preta, por cima da blusa tinha um casaquinho dourado meio transparente. Sua maquiagem estava impecável e usava um grande salto agulha beje.

-Vincent! Que prazer te ver aqui, o destino realmente nos quer junto, não acha? Bom, o que você está fazendo aqui? Não me diga que está machucado! Oh, meu Deus, você está bem? Onde dói? Sabe que eu posso ser a sua enfermeira, não sabe?

-Eu estou bem Zabravith, não se preocupe, esses remédios. Não são para mim?

-São para quem então? – A loira tentou não demostrar o quão incomodada ficou ao ouvir o mafioso falar o seu sobrenome ao invés do seu nome, principalmente com aquele tom de voz tao rude e totalmente diferente da que ele costumava usar com ela. Aquilo era um mal sinal, se Daniel soubesse daquilo ela estaria bastante encrencada.

-São para a minha namorada.

-Namorada? Você? Que ótima piada Cent.

-Não é piada. E não me chame de Cent, somente pessoas bastante próximas a mim podem usar esse apelido. E você está longe de ser uma dessas pessoas Zabravith.

-Vincent? O que houve? Por que você está me tratando assim? – Emma tentou se aproximar do russo que se afastou do toque feminino. Ele sentia certo nojo quando era tocado pela loira – É por causa daquela estrangeira, não é? É por causa dela que você está agindo desse jeito comigo?

-Não a coloque no meio, eu simplesmente abrir os meus olhos.

-Eu sabia! É por causa daquela vagabunda que você me deixou? Não vê que ela quer nos separar? Você não vê isso meu amor?

-Eu não sou seu amor, e a única vagabunda aqui é você. E mais respeito ao falar dela na minha frente.

-E o que você vai fazer? Ah? Me matar? Não é porque você é um mafioso que pode simplesmente me matar!

-Como…? Como você sabe disso?

-Não importa! Você está mesmo me trocando por ela? ESTA TROCANDO O MEU AMOR POR CAUSA DE UMA ESTRANGEIRA MENTIROSA?

-O que está acontecendo aqui?

O médico saiu da sala acompanhado de Helena que parecia bastante assustada, algumas pessoas que passavam ali pararam para ver a discussão quando a loira começou a gritar. Quando a loira viu a brasileira avançou na direção da morena que estava em estado de choque com aquilo. Vincent entrou na frente da namorada para a proteger, enquanto que o médico agarrava Emma pela cintura e tentava afastá-la de perto do casal, a loira gritava e esperneava nos braços do médico que chamava pela segurança.

-ME SOLTA SEU DESGRAÇADO. TIRE AS MÃOS DE MIM! MANDA ELE ME LARGAR VINCENT! VOCÊ SABE QUEM É O MEU PAI? ELE VAI TE EXPULSAR DA CIDADE! E VOCÊ SUA DESGRAÇADA, SE AFASTE DO MEU HOMEM! VOCÊ ME AMA VINCENT, EU SEI! Só eu posso te fazer feliz, só me deixe provar isso.

-Não Emma, você não pode me fazer feliz. E sabe o por que? Porque eu não te amo, Helena é a única mulher que eu realmente amo e não a trocaria por ninguém. Nem mesmo por uma mulher como você.

Aquilo parecia ter sido o estopim para Emma simplesmente enlouquecer. Nunca, ninguém, nenhum homem a tinha rejeitado. Nunca ninguém havia lhe dito um não. Nunca ninguém tinha lhe nagado nada. E ali foi a primeira vez. O homem que ela amava – ou achava que ela amava – estava lhe negando, estava lhe dizendo um belo e grande não. Ela havia o perdido, e o pior de tudo, havia perdido para uma simples imigrante que não tinha onde cair morta. Raiva e ira a dominava naquele momento, não estava ligando se estava parecendo uma louca, se o cabelo estava todo bagunçado, se as grosas lágrimas estavam manchando a sua tao bem-feita maquiagem, moldando o seu belo rosto em uma carranca assustadora. Não estava ligando se mais tarde ela teria voz, ou se o sapato que custava o olho da cara de qualquer pessoa tinha saído do seu pé por causa das suas esperneações. Só queria dar um jeito de sair dali e poder matar aquela garota com as suas próprias mãos.

-EU VOU TE MATAR SUA DESGRAÇADA! EU VOU TE MATAR! ESTA ME OUVINDO? EU VOU TE MATAR! APROVEITE ENQUANTO PODE, POIS QUANDO VOCÊ MENOS ESPERAR EU VOU PUXAR O SEU TAPETE! APROVEITE ENQUANTO ESTA VIVA SUA DESGRAÇADA! VAGABUNDA! VADIA! MISERÁVEL! ME SOLTA PORRA! EU VOU TE MATAR!

Foram preciso dois seguranças para poder tirar a loira dali, para colocar ela em uma sala e lhe dar um sedativo. Não seria aconselhável deixá-la solta, então ligaria para algum parente ou responsável pela loira. Já a brasileira estava bastante assustada com aquilo, ela não sabia se deveria levar ou não a sério aquelas ameaças da loira. Vincent tentava tranquilizar ela, mas ele mesmo estava muito estressado.

-Me desculpe por isso pequena.

-Tudo bem. só….vamos embora, por favor.

-Tudo bem. Doutor, é de quantas em quantas horas ela deve tomar o remédio?

-De oito em oito horas. Sem falta.

-Cero. Muito obrigado novamente e desculpa por isso.

-Não tem do que se desculpar rapaz. Eu estou torcendo para vocês dois, eu espero vi-los aqui daqui a alguns meses, para fazer outros tipos de exames.

O casal não entendeu muito bem o que o médico queria insinuar com aquilo, na verdade não entenderam nada! Saíram do hospital e foram direto para o apartamento da brasileira, já que la eles teriam um pouco de paz e privacidade. Não fizeram nada caliente, já que o corpo de Helena ainda estava machucada. Ambos passaram a tarde toda deitados no sofá assentindo televisão, enquanto a brasileira tentava ensinar português para o russo que falhava em quase todas as pronuncias.

-Não, não, não. Vamos de novo. Eu.

-Eo…

-Não! Olha, faz bem devagar, tudo bem? EEEEUUUU.

-Eu.

-ISSO! FINALMENTE!

-Isso é complicado.

-Não seja dramático Nightray. Eu que tive que me virar para poder aprender esse idioma doido de vocês.

-Ei!

-Tudo bem, vamos continuar.

-Fala uma frase mais fácil.

-Fácil? Hum….qual tal, Eu….

-Eu

-Te

-Ti

-Não, te, te.

-Te

-Amo.

-Amo.

-Isso, agora tudo junto. Eu te amo.

-Eu te amo. O que isso significa?

-Significa eu te amo.

Vincent deu um grande sorriso e beijou a brasileira com carinho, delicadeza e muito amor. Ficaram ali ate anoitecer e ter que voltar para a mansão dos Nightray, onde Helena tomou um banho morno com algumas ervas para ajudar na cicatrização dos hematomas e no desaparecimento dos roxos. As palavras ditas por Emma ecoavam na cabeça do russo que tentou esquecê-las, só que em vão, já que quando ele se distraia elas voltavam com força total. Fazendo ele desconfiar da veracidade das palavras e atitudes de Helena. Ele estava sendo enganado?

 

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Hugo encarava o homem velho e um pouco robusto sentado atrás da mesa em sua frente. O escritório era bastante grande e espaçoso, tinha vários livros e grande janelas onde se podia ver o mar. Ele sabia que estava bastante próximo ao litoral, já era um bom começo. A sala estava com sete homens fortemente armados e vestiam calças de tecido que eram da mesma cor que suas blusas de manga, preta. Ele estava um pouco desconfortável, sentia falta da sua arma e principalmente de Tobias que se encontrava desaparecido. Tudo parecia estar fora do lugar e confuso.

-Vocês tem muita coragem em vir ate aqui pedir ajuda. Tendo em conta o histórico de nossas famílias, todas as cinco estão bem?

-Sim, pensei que a máfia italiana tinha acabado. Obviamente eu estava enganado.

-Minha família foi tudo que sobrou. E olha onde vim parar, nesse fim de mundo! Não que ele seja ruim, só que eu sinto falta da cidade grande, dos casinos, dos carros luxuosos e das mulheres que viam em fartura. Já aqui eu tenho que manter em total segredo. E isso é frustrante! Lamento pelo seu carro, não era para aquilo acontecer.

-Certo, e onde está o homem que estava comigo.

-Eu o matei.

-Como?! Está mentindo.

-Como você pode saber disso? Esteve dormindo por dias, não sabe das coisas que ocorreram ao seu redor desde a batida.

-Posso realmente não saber o que houve depois que eu apaguei. Posso não saber onde eu estou e quantos homens armados têm atrás dessa porta ou espalhados por essa casa. Mas sei identificar uma mentira quando eu vejo uma. E você, obviamente esta mentindo.

-….Esta certo, eu estou mentindo. Eu gostei de você sabia? Determinado, sem medo de me encarrar nos olhos, mesmo estando em clara desvantagem. Pena que somos inimigos.

-Isso foi a décadas, não pode reconsiderar essa rixa?

-E por que eu faria isso?

-Por causa da Arcardia. A – Hugo percebeu que o homem a sua frente tinha ficado tenso, ele sabia de algo. O Vessalius tinha esse dom de perceber pequenos sinais nos corpos das pessoas que as entregavam, não era atoa que a sua família era a primeira, seguida pela Nightray, Barma, Rainsworth e Baskerville – Vim ate aqui exclusivamente para isso, obter informações sobre eles para poder destruí-los.

-Se veio ate aqui, quer dizer que não tem nenhuma informação sobre o líder dessa família. Estou correto?

-Infelizmente. E então, vai nos ajudar?

-E o que eu ganharia com isso?

-Poder. Tenho minhas ligações com a polícia, você poderia muito bem reconstruir esse império sem a interferência da polícia. Somente uma ligação e você pode ter tudo novamente.

-E como eu posso confiar em você?

-E como eu posso confiar em você?

-Volto a falar garoto, gosto de você. Tragam o homem que estava com ele aqui, e quero quase todos os homens prontos, vamos para São Petersburgo.

-O que?! Espera…

-Garoto. O líder da Arcardia se chama Pablo Muniz, filho não legítimo de Rhufus Muniz, meu antigo braço direito e pai daquela menina que provavelmente você a conhece, já que ela vai todo o dia para o seu quarto ver se você já estava acordado. Pablo com toda a certeza é o sociopata em potencial, já que ele matou o pai sem nenhum remorso e quase matou a irmã. O que eu quero que você entenda é que a essa altura do campeonato ele deve estar planejando atacar vocês, e quando eu digo atacar, quer dizer deixar um grande rastro de destruição e morte. Não podemos perder mais tempo do que já perdemos. Se antes eu estava interessado em fazer acordos com você, agora eu estou completamente de acordo.

-E quando nos vamos?

-Antes do amanhecer. Se demorarmos mais um pouco podemos não encontrar seus amigos e parentes vivos.

Os homens que estavam no escritório saíram correndo, o homem saiu de trás da sua mesa e caminhou em direção a Hugo o guiando ate uma parte da casa onde tinha um grande avião de carga. Vários homens entravam e saiam com armas, o russo se perguntava se isso era realmente necessário e de onde aquelas pessoas tinham tirado aquelas coisas. E quando o avião alcançou voo, Hugo rezou, pela primeira vez em anos rezou para que todos estivessem bem e que chegassem a tempo de poder impedirem uma grande chacina.

 

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Selena estava encarando a grosa pasta em suas mãos, finalmente está pronto. Finalmente o dossiê estava pronto. Decidiu ler ele antes de entregar para os chefes das cinco grandes casas. A cada ficha que ela lia ela se surpreendia e as vezes ficava enjoada com as coisas que aqueles homens fizeram. Quando viu a do seu pai não aguentou e começou a vomitar em um balde que tinha ali, lembranças dos tempos em que sofreu nas mãos daquele homem lhe veio a mente, a deixando nauseada e quase a fazendo desmaiar. Depois de um tempo conseguiu se acalmar, passando a ficha de Diogo e continuando a ver as fotos e informações. Ela estava surpresa com o quão eficiente aquele programa era, agora sabia o porque da Arcardia querer que a Helena se justasse a eles. Se usada direito ela poderia ser tanto uma arma quando um grande obstáculo. Mas ao chegar a uma ficha es especial os seus olhos se arregalaram, um arrepio subiu pela sua coluna ate parar em sua nuca. Não era um arrepio bom, era de medo. Pegou o seu celular e digitou o número de Rodrigo enquanto que reunia as informações e as colocava novamente na pasta. Foi atendida no primeiro toque.

-Selena? Graças a Deus! Onde você…

-Daniel é um membro da Arcardia! Estamos correndo perigo! Avise ao…

Já era tarde de mais, a última coisa que Selena ouviu antes da ligação cair, foi um estronde de explosão e tiros. Para logo depois a linha ficar muda. O que tinha acontecido? Será que eles estavam atacando? E se sim, o que aconteceu com Rodrigo? Ele não poderia estar morto, não podia! Ela não podia perder o pai do seu filho, não podia perder o homem que ela amavam daquele jeito! Saiu da casa como um furação, conferindo se sua arma estava carregada. Colocou os papéis em segurança e dirigiu rumo a mansão dos Barma. Não podia ficar ali parada enquanto que a sua família estava sendo atacada. Não podia!

 

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Daniel sabia que aquilo poderia vir a ocorrer, era uma coisa natural quando se tratava por disputa de poder. Pessoas eram sacrificadas por um bem maior, seja ele egoísta ou não. Então, quando foi chamado por Pablo sabia que o momento finalmente havia chegado, ficou sentado e ouvia com atenção o plano do líder da Arcardia. Ele não sabia o que ele queria quando o chamou para conversarem pessoalmente, mas o seu pedido lhe atiçou a curiosidade. “Traga as plantas das cinco mansões que eu lhe darei um lugar especial na hierarquia no novo mundo”. Foram aquelas palavras que lhe seduziram e o fez roubar aquelas – obviamente cópias, já que alguém poderia dar falta delas – plantas e entrega-las de bom grado. O plano era simples: dividir, matar e conquistar. Eles se dividiriam em cinco grupos e atacariam ao mesmo tempo. Daniel se surpreendeu com a quantidade de pessoas naquela sala, algumas ele já conhecia, outras não. Haviam policiais que afirmariam que da central, nenhuma viatura ou reforço iria sair em direção as cinco grandes famílias. Lhe surpreendeu que Emma estivesse ali, ao lado de Cassia.

-Hoje, chegou o dia em que todos nos ansiamos. Hoje, chegou o dia da nossa gloriosa vitória. Hoje irmãos, é o dia em que pegamos o que nos é por direito! Hoje acaba o reinado dessa cinco grandes famílias! Então, meus caros colegas alegrense! Eu que poderá haver baixas entre nos, só que a deles vai ser maior. Se um companheiro tombar, matem o dobro do que ele matou. Não matem os lideres, só os deixem inconscientes ou amarrados. Quero que estejam vivos para saber quem é que os derrotou. Quero que vejam a pessoa que os utrapasou e que vai reinar sobre tudo o que eles construíram. É hoje o nosso grande dia! Alegrense! Pois essa tirania, acaba, HOJE!

Gritos de comemoração eram ouvidos por toda a sala, depois de se dividirem eles entraram nos ônibus blindados e foram em direção as mansões. Entraram com tudo, derrubando os portões e se protegendo dentro do ônibus – que era a prova de bala. Jogaram várias bombas de fumaça e começaram a atacar, atirando em qualquer homem que não estava vestido a padrão deles. A surpresa era nítida nos rostos dos subordinados que atiravam e tentavam se proteger. Corpos caiam no chão, sangue escorria e respingava, o barulho dos tiros e das bombas dominavam junto com os gritos. O cheiro do ar era podre, uma mistura de sangue com pólvora queimada, homens entravam pela mansão pela porta da frente e alguns pelas passagens secretas que tinham no primeiro andar das casas. Na casa dos Baskerville Bianca atirava com duas pistolas do alto da escada, enquanto que o seu pai usava uma metralhadora, Martina estava entre o sogro e a noiva e também atirava com uma arma. Na casa dos Barmas era um verdadeiro inferno, eles não tinham piedade contra os invasores, estavam conseguindo matar quase todos, mesmo tendo dois ônibus lotados de homens bem armados eles não desistiam, iam ganhando espaço a cada minuto. Selena chegou atirando por trás e matou os que restavam. O hall era uma bagunça de corpos e sangue, e isso fez a colombiana que teve uma ventringe e quase foi ao chão, só que foi aparada por Rodrigo que a pegou no colo.

-O que está fazendo aqui?! Poderia ter morrido!

-Você também poderia ter morrido!

-Isso não importa! Você é o que importa.

-Eu realmente queria poder ficar, mas temos que dar reforços as outras famílias. Não podemos usar as estradas, tem gente da polícia envolvida. Não tem outra forma de ir ate eles sem levar nenhum tiro?

-Tem uma sim, pelos esgotos. Não colocamos isso em nenhuma planta e só os antigos lideres sabem disso.

-Então o que estamos esperando aqui parados pai? Vamos ajudar os outros!

 

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Já tinha se passado uma hora desde o início do ataque e Pablo estava na mansão dos Nightray. Pelo rádio pode ouvir que suas tropas foram eliminadas das mansões Barma e Vessalius, mas não tinha como eles saírem para dar reforços as outras famílias. Eles estavam sozinhos. Já na mansão todos se mobilizaram para pegar as suas armas e defender a mansão, exceto Helena e Marcos que estavam no quarto de Vincent, o russo tinha confiado a segurança da brasileira a Marcos que prometeu dar a vida para poder manter a morena em paz. Helena caminhava de um lado para outro no quarto, a ansiedade estava a matando, ate que parou de andar quando ouviu um corpo bater contra a porta do quarto varias e varias vezes. Marcos ficou em sinal de alerta e estava proto para atirar, enquanto que Helena procurava no criado-mudo de Vincent por uma arma. A porta foi finalmente arrombada e um homem chegou atirando, a brasileira gritou e se abaixou, enquanto que Marcos atirou na cabeça do invasor. Quando o silêncio invadiu o quarto a Andrades levantou a cabeça viu que o invasor estava morto, estirado no chão e Marcos do mesmo jeito. Pela primeira vez desde que adquiriu o trauma por sangue a de cabelos curtos não se importou com o líquido de cor rubi, colocou a cabeça do melhor amigo no seu colo.

-Marcos! Ei! Não morre, não me deixa aqui sozinha.

-Eu te amo….eu te amo….eu te amor….eu te…

-Marcos? Marcos? Oe, não brinca comigo desse jeito. Marcos? Marcos!

Ele não respondia, tinha os olhos vidrados para o nada, estava morto. Helena tinha matado mais uma pessoa. Por sua culpa mais uma pessoa tinha morrido por ela, não queria acreditar naquilo, não podia ser verdade! Queria tanto poder acordar e descobrir que aquilo tudo não passou de um simples pesadelo, que quando ela acordasse estaria abraçada a Vincent, que o de olhos azuis diria que estava tudo bem, se beijariam e se amariam pelo resto da noite. Mas não, tudo aquilo era real. A Arcardia estava invadindo a mansão, e talvez ate as outras. Eles estariam ali por causa dela? Não pode divagar muito, já que outro homem entrou no quarto com uma pistola nas mãos. Helena agiu por impulso, pegou a arma que estava nas mãos de Marcos e começou a atirar na direção do homem. Como ela queria que isso fosse um filme e ela tivesse acertado um mísero tiro. Mas não, suas mãos tremiam tanto e as lagrimas a atrapalhavam a visão. As balas acabaram e o homem chegou próximo a ela e lhe bateu no rosto com a pistola, fazendo um corte profundo na bochecha esquerda . Seu corpo foi direto para o chão duro, o invasor pegou Helena pelos cabelos e começou a arrastá-la pelos corredores com corpos e sangue. A brasileira esperneava tentando se soltar daquelas mãos, fios do seu cabelo se soltavam e se perdiam no chão, alguns estavam grudados em seu rosto e o sangue descia pela bochecha, manchando sua roupa ainda mais. Quando chegou próximo as escadas, o homem a puxou para cima e colou suas costas contra o seu peito, apontando o cano da pistola para o seu pescoço e dando um grito bem alto.

-OLHA SÓ O QUE EU TENHO AQUI VINCENT!

Helena arregalou os olhos e olhou para baixo, onde podia ver Amelia, Victor, Miranda, Gilbert e Vincent de joelhos. Estavam com alguns machucados e suados, sangue cobria suas roupas e armas eram apontadas paras as suas cabeças. Ao ver a mulher que ama sobre a mira de uma arma, sendo que a pessoa que apontava a arma era o seu tao odioso primo fez o seu sangue ferver. Se levantou na pretensão de salvar a morena e acabar com a raça do primo, mas foi impedido por um tiro de raspão no seu braço esquerdo. Daniel tinha uma cara doentia, um sorriso macabro e estava bastante feliz. Deuses como estava feliz, finalmente tinha aquela família do jeito que sempre sonhou. Ajoelhada ao seus pés e com o seu primo o olhando de baixo. Queria provocá-lo, aquilo era pouco, lambeu o sangue do rosto da Andrades que se encolhei e se debateu. Vincent rosnou, se um olhar pudesse matar esse seria o olhar que o de olhos azuis dava para Daniel. Victor encarava o sobrinho com vergonha e decepção. Onde foi que ele havia errado? Não era para as coisas estarem acontecendo daquela maneira, tudo estava saindo do controle e parecia pior a cada segundo que passava. Duvidava que algum subordinado da Nightray pudesse estar vivo, eles tinham todas as informações sobre o terreno, haviam cortado os meios de comunicação de toda a propriedade. Eles tinham pensado em tudo, e isso graças a Daniel. Pablo estava adorando aquilo, era simplesmente magnífico o poder que ele tinha nas mãos. Olhou para cima vendo a mulher que ele tanto queria para si, não sexualmente ou amorosamente, e sim para ser usada como uma ferramenta. Aqueles idiotas tinham um diamante nas mãos e não se davam conta disso, mas agora esse diamante seria tratado do jeito que merecia. Helena olhava horrorizada para quela cena, não queria ver Vincent machucado. Não queria ver aqueles corpos mortos, sentia uma grande parcela de culpa naquilo tudo. Se ela não tivesse sido confundida naquele dia, se ela tivesse morta, isso tudo estaria acontecendo? Não sabia, talvez sim, talvez não. O destino era uma coisa que não podia ser entendida e nem controlada. Seu olhar se cruzou com o de Vincent, ela via dor nos seus olhos, assim como raiva, desespero, medo, ódio. Ela tinham medo daquele olhar, nunca tinha o visto antes e sentia um medo ainda maior por talvez, ele lhe dirigisse esse olhar com esses sentimentos quando soubesse da verdade. Vincent não queria ver aquela expressão no rosto da mulher que ele amava, não mesmo! Daria tudo para mantê-la longe daquilo tudo e agora, agora ela sabia exatamente como Gilbert se sentiu quando Ian foi sequestrado.

-Pequena, vai ficar tudo bem. Eu prometo.

-Sera que pode mesmo cumprir com essa sua promessa Vincent? Veja bem, eu dominei o seu território. Você e sua família são meus reféns e sua amada mulher ata la em cima, com uma arma apontada para o pescoço pelo seu primo. Pode mesmo prometer que tudo ficara bem? Hum? Acho que não?

-Você é o líder, não é seu desgraçado?

-Acertou! Palmas para ele! Quer um doce meu bem? Bom, receio que não, já que você não vai viver muito saber. Bom, você não vai morrer agora, temos que esperar seus outros amiguinhos chegar para a festa realmente poder começar. E Daniel, não assuste a garota. Precisamos dela bem, tanto psicologicamente quanto fisicamente.

-O que querem com ela?

-Ora, Vincent, calma. Não vamos fazer nenhum mal para a mulher que amas, prometo. Tem a minha palavra de honra.

-Sua honra não vale mais do que uma mísera barata.

-Ora, Gilbert, isso me ofende sabia? Cá estou eu, aqui, tentando ser um homem gentil e você me vem com toda essa rudez? Não, não, não mocinho, sua mãe não lhe ensinou bons modos? – disse apontando a arma para a cabeça de Miranda – Ou não teve um bom exemplo masculino de ordem e respeito? – A arma agora estava apontada para Victor, que não demostrava nenhum sentimento diante daquele homem – É, com toda a certeza você teve o grande Victor Nightray como referência. Você se lembra de mim Victor? Porque eu me lembro muito bem de você.

-Não faço a mínima ideia de quem você seja.

-Ora, deveria. Então que tal uma dica? Rhufus Muniz. Você conhece o meu pai, não é? Eram grande amigos, cresceram juntos e ele era o seu braço direito. Ate ele se apaixonar por uma vadia e ir embora daqui. Agora se lembra de mim? – O olhar de Victor ficou maior, não podia acreditar que aquele garotinho que andava pelos corredores daquela mansão, sempre com um sorriso alegre era aquele mesmo homem que lhe apontava uma arma e mandara matar aquelas pessoas. Pablo começou a rir, uma risada doentia, que fazia os presentes refréns sentirem nojo arsgo. – Hahahahaha….vejo que agora você se lembra de mim. Surpreso?

-Seu pai deve sentir vergonha de você.

-Talvez, nunca vamos realmente saber, não é verdade? Já que bem, eu o matei. Mas veja o lado positivo das coisas, logo você poderá se juntar a ele e de preferência no inferno. Daniel, traga a nossa queria convidada ate aqui.

-O que pretende fazer com ela?

-Calma jovem Vincent, fique calmo. Eu vou matar ela e nem quero, sabe, ela é muito importante para mim. Mantê-la viva e não aliada a mim é uma coisa bastante perigosa. Agora, olha pra ela, olha bem pra ela e me diz o que ver?

-….Vejo o rosto de uma garota assustada.

-Oh, bela observação. Mas vamos ver, essa pele branca, esses grandes olhos marrons, esse cabelo curto preto. Ela com toda a certeza é bonita. Passa a imagem de uma menina tímida e calma. Quase como uma santa, mas eu acho que você não a vê assim, certo? Tenho a certeza de que o corpo dela pode dar prazer a qualquer tipo de pessoa.

-Seu desgraçado!

Pablo deu um chute na cara de Vincent, Helena se desesperou e conseguiu dar uma joelhada nas partes baixas de Daniel que acabou soltando a arma e ela pegou. Apontou para Pablo que já apontava a sua doze para Vincent que respirava ofegante no chão. Helena segurava firme a arma com as duas mãos, na tentativa de não tremer e errar o alvo.

-Ora Daniel, que ridículo. Ter a arma tirada desse jeito é muito vergonhoso. Não vamos nos precipitar aqui, está bem jovenzinha? Abaixa essa arma e tudo ficara bem.

-Bem? Como pode dizer isso, você matou essas pessoas! Todas elas!

-Ora, do que você eta falando? Você também já fez algo assim na sua vida.

-Cala a boca.

-Uma simples garotinha de quinze anos.

-Cala a boca!

-Que morava em uma simples casa com a sua avó e que foi abandonada pela sua mãe.

-EU DISSE PARA VOCÊ CALAR A BOCA!

-TUDO BEM HELENA, EU VOU CALAR A MINHA BOCA. Mas! Eu não acho que seja justo, essas pessoas morrerem pensando que você é uma santa. Isso seria antiético da minha parte e eu tenho que fazer o que é certo.

-Acha que matar essas pessoas é o certo?

-E você não? Eu sei o que você fazia, ajudava a polícia a prender pessoas como eles. Ajudava a prender pessoas que matavam, estupravam, vendiam armas, drogas, pessoas, órgãos. Ajudava a fazer o bem e se ajudava. Agora me diga, pequena Helena, o que mudou? O que a fez mudar? O que a fez dar um salto maior do que a própria perna?

-Isso….Isso é diferente.

-Sera mesmo Helena? Será que eles são diferentes dos outros? Eles matam, igual a mim. Eles usam as pessoas para chegarem aonde eles querem, igual a mim. Me diga, qual a diferença deles para mim?

-Eles não são um maluco psicopata, sociopata que matam por prazer!

-Essa é a sua ideia sobre mim? Queira me desculpar, não era essa a minha intenção. Eu somente sou um bem feitor que quer o bem para essa cidade. Essas pessoas são como parasitas e eu, tenho que eliminar esses parasitas. Primeiro eu fiz com a máfia italiana, e agora, eu estou fazendo com a russa. Nada mais justo, já que eles são descendentes dos italianos. Então, que tal você abaixar essa arma e vir comigo.

-Sem chance.

-Vamos Helena, pense comigo. Essas pessoas vão te querer por perto quando souberem a verdade sobre você? Vão querer você por perto quando souberem que você mentiu e matou? Me diga, esse homem que eu aposto que você afirma amar, vai te querer quando souber o que você realmente é?

-Eu….eu…

-Esta com medo?

-Não!

-Mentira, mais uma mentira que você conta para consigo mesma e para os outros. Me diga, foi difícil você matar a sua melhor amiga?

-EU NÃO A MATEI!

-MAS DEIXOU QUE A MATASSEM NO SEU LUGAR! O que foi? Na hora te deu medo? Saber que o que você fez acabou com a vida promissora de uma jovem inocente? O que te faz diferente deles Helena? Você ajudava a sua avó desviando verba de políticos corruptos, não só da sua avo, mas para outras pessoas. Você forjou a sua própria morte, tudo isso para poder fugir e curtir a sua vida em liberdade?

-Não é verdade!

-Não? Sebe o que eu acho hipócrita em você? É o fato de dizer que odeia pessoas que se aproveitam das outras para ganharem poder, sendo que você dorme e transa com um homem que faz isso! As mãos deles estão sujas de sangue! A diferença? É que o sangue deles, o sangue que pinga nas mãos deles, são de pessoas iguais ou pior que eles. Enquanto que você, tem sangue de pessoas inocentes. Primeiro daquela sua amiga, e agora, do seu melhor amigo, que deu a sua vida para lhe proteger. A que custo a sua vida está sendo protegida, não?

-Ele não teria morrido se você não tivesse….

-Eu? A culpa é minha? Se você não tivesse se metido onde não era chamada poderia estar vivendo uma vida tranquila. Mas se lhe serve de consolo, essas pessoas teriam morrido de um jeito ou de outro. Com, ou sem a sua presença.

Helena estava tremendo, em pânico! Pablo tinha conseguido desestruturá-la. Ele tinha tocado na feria que ainda estava aberta. Feria que doía, como doía! Em um momento de loucura ela apontou a arma para a própria cabeça, o que fez Pablo e Vincent se desesperarem. Nessa hora as lágrimas que ela tanto lutou para não cariem, finalmente saiam com uma rapidez assustadora.

-Tem razão, a culpa é minha, então, eu mesma vou concertar esse erro.

-Helena, abaixa essa arma.

-Pequena, não faz isso, por favor! Não sei o que você fez, mas isso não importa. Não haja por impulso, não faça nada do que você se arrependa!

-Ouve o seu namorado, não faz isso. Fica calma.

-Fica quieto! Eu só quero um pouco de paz! Eu só quero ter uma noite de sono, em que eu não acorde, gritando ou não, por causa de um erro meu! Eu sei que aquilo foi culpa minha, não preciso de um sociopata pra me dizer isso! Sei muito bem o que eu fiz de errado e sei que não mereço o que eu tenho hoje, mesmo lutando pra poder provar pra mim mesma de que foi por puro esforço, eu não consigo!

-Helena….pequena….por favor…

-Helena, querida….ouve meu filho. Abaixa essa arma.

-Me perdoem, eu não deveria tê-los conhecido. Mesmo fazendo o que vocês fazem, vocês são pessoas maravilhosas. Fico muito feliz de tê-los os conhecido, obrigada pela hospitalidade, mesmo que não tendo a merecido. Vincent, eu te amo tanto que ate dói. Você é uma pessoa muito especial e não merece alguém como eu. eu...eu sinto muito! Por tudo. Os momentos que tivemos, foram maravilhosos, não sabe o quão feliz eu fiquei os notar que você estava na minha vida. Mas ao mesmo tempo eu fiquei assustada com tudo aquilo. Foi rápido demais a maneira como eu me apaixonei por você, não foi amor a primeira vista e sim a primeira desculpa. Eu me apaixonei por você naquele dia em que você foi ate o meu apartamento me pedir desculpas. Eu percebi que você não era nada daquilo que eu pensava, era para aquele ser o nosso primeiro e último encontro. eu...eu não planejei nada disso, não planejei que voltaríamos a nos encontrar. Não planejei que você se apaixonasse por mim. Não planejei nada disso. Foi simplesmente acontecendo.

-Helena, do que você está falando?

-Deixa eu terminar, por favor. Me deixa desabafar o que esta preso na minha garganta a cinco anos. Eu adorei essa cidade e a cultura, mesmo sendo julgada e humilhada. Desde brincadeiras como esconder o material a ser saco de pancadas humano, eu tive bons momentos. Conheci pessoas boas que agora são importantes para mim, eu...eu não acho que eu vou conseguir sair viva dessa casa. E nem quero. Já aguentei isso por tempo demais. Então por favor me perdoa, me perdoa por tê-lo amado tanto. Me perdoa por querer a sua atenção para mim. Me perdoa por eu ser essa pessoa defeituosa. E me perdoa por eu não poder te dar o que você sempre quis. E antes de eu apertar esse gatilho, eu quero dizer que a pessoa, da qual você odiou por ter lhe dado tanta dor de cabeça era eu. Sempre fui eu. Meu verdadeiro nome é Mariana. Eu sou aquela menina que se matou no rio. Eu sou aquela que deveria ter sido morta ha cinco anos atrás. Eu sou a bendita hacker que vocês querem tento encontrar. Eu sou a Nike365. Então, pela última vez, eu vou falar as palavras que eu sei que eu não tenho sequer o direito de dizê-las para você. Eu te amo.

Tudo parecia em câmera lenta para Vincent que estava de joelhos no chão, tinha se levantado para tentar se aproximar de Helena antes que ela fizesse alguma bobagem. Mas foi barrado por Pablo que tinha a arma apontada para a sua cabeça. Aquela declaração de Helena o fez ficar surpreendido e com raiva. Raiva por ter sido enganado, raiva por não conseguir odiá-la, raiva por ela fazer com que ele a amasse ainda mais. Ele não se importava com o que ela tinha feito no passado. Ele não se importava se ela tinha mentido, ele também fez isso. Ele não se importava se ela tivesse matado alguém, ele também fez isso, mais do que gostaria. Ele estava disposta a perdoá-la de tudo. Ele estava disposto a conhecer essa parte que ele não sabia que Helena – ou Mariana – tinha a lhe mostrar. Ele estava disposto a começar tudo outra vez, de uma maneira certa, sem mentiras ou dor. Estava disposto a ter o coração partido e a razão tirada se fosse para tê-la ao seu lado. Não se importava com filhos legítimos, ou para aquela burocracia e tradição idiota da sua família. “Que se foda elas, eu só quero você!”, era o que ele pensava quando ela se desculpava por não conseguir lhe dar filhos. “Podemos recomeçar, podemos tentar de novo. É só você abaixar essa arma e me prometer que não vai mais tentar me abandonar. Que não vai me deixar sozinho nesse mundo”. Era o que Vincent queria ter dito, era o que ele deveria ter tido, só que o seu orgulho era maior e ele preferiu ficar calado, olhando com raiva para a basileia, mas esse sentimento não era direcionado para ela e sim para ele mesmo. Por não conseguir proteger ela de seus medos. Ele nem conseguia proteger ela de ser espancada, se sentia um completo inútil! Aquele olhar matou o fio de esperança que Helena tinha. Mas ela merecia aquilo, merecia o desprezo de Vincent. Já tinha aguentado aquilo por muito tempo, decidiu fechar os olhos e acabar com aquilo tudo. Foi nesse instante que o tempo parecia ter voltado ao normal para Vincent, que viu os acontecimentos de maneira rápida, mas de um jeito estranho devagar. Um clique. Um simples apetar de gatilho. O barulho do tiro ecoando no ar. O corpo caindo no chão. O sangue se espalhando pelo chão branco de porcelana. E tudo ficou em silêncio.


Notas Finais


Teorias? Comentem e favoritem. Bjs!


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