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História Meu Maior Presente - Capítulo 2


Escrita por: e Lady-Rin


Notas do Autor


Olá, amados!
Sejam bem vindos a mais uma das minhas aventuras no mundo da escrita!
Aventura, porque essa é a primeira história que escrevo no universo ABO e MPreg (ai que nervoso").
Espero que gostem tando de lê-la, quanto eu gostei de escrever!

Amem esse projeto lindo! Boa leitura!

Capítulo 2 - Meu Maior Presente, Final


[Dias atuais]

 

Depois de devanear com todo o seu passado, Jimin foi despertado de suas lembranças por leves batidas na porta, então a tranca foi aberta e ele pôde ver o rosto entristecido de seu irmão.

— Podemos conversar? — Ele perguntou, ensaiando um sorriso. — Por favor, Jiminie.

Jimin apenas assentiu levemente e se sentou, vendo Jin fechar novamente a porta e senta-se de frente para si na cama.

— Vai brigar comigo? — perguntou quando notou o mais velho não dizer nada.

— Eu deveria, mas não pela sua gravidez. — Ele comentou sério. — Por que não confiou em mim? Por que não me disse nada?

Não havia mais motivos para mentir, então Jimin apenas deixou seus sentimentos saírem em forma de palavras.

— Porque eu tive medo! Tive medo de você deixar escapar para os nossos pais e eles machucarem meu bebê ou me obrigarem a tirá-lo!

Horrorizado, Seokjin se defendeu.

— Eu jamais permitiria que eles te machucassem, Jimin! Eu teria tirado você daqui e resolveríamos isso juntos, ok?

— Você sabe que as coisas não funcionam assim! Eu sou menor e você não pode me tirar daqui sem autorização!  — E mais algumas lágrimas saíram. — Eu não podia arriscar.

Seokjin sabia que o que Jimin dizia era verdade. Ainda existiam tradições naquele lugar, embora os tempos fossem outros. Olhou para o abdômen de Jimin e viu o claro volume ali, compreendo o motivo de ele ter evitado qualquer contato físico como abraços naqueles meses, e se criticando internamente por não ter percebido que seu irmãozinho passava por aquilo sozinho.

— Mais alguém sabe? — perguntou, muito mais suave agora.

— Taehyung apenas, ele descobriu junto comigo.

Seokjin suspirou, aliviado até.

— Ao menos tinha alguém com você. — comentou e então apontou para a barriga do irmão. — Você pode me deixar tocar?

— É claro que pode. — Jimin riu baixinho, erguendo um pouco a camisa e mostrando a barriga redonda. — Você é o tio, afinal.

Seokjin levou uma mão ao local e tocou de leve a pele macia e esticada, sentindo uma estranha vontade de chorar de emoção. Seu irmãozinho carregava um filhote! Aquilo era demais para seu coração.

— É menino ou menina? — perguntou, agora acariciando com as duas mãos.

Jimin tentava segurar o riso, por sentir cócegas, e não estragar o primeiro momento “tio coruja” que seu irmão tinha.

— Eu acho que é menina. — confessou. — Mas não tenho certeza, porque nunca fiz uma consulta médica.

— Eu poderia brigar com você e dizer que isso foi ainda mais irresponsável que fazer sexo sem proteção, mas você é inteligente e tenho certeza que sabe disso. — O moreno estava sério. — Nós temos um problema maior para lidar agora.

— Papai te mandou aqui, não foi? — Jimin questionou, certeiro. — Porque eu confio em você...

— Eu não vou dizer nada para ele, você sabe, Jiminie. — Jin afirmou. — Mas você precisa acabar com essa minha agonia e dizer quem é o pai desse bebê.

Jimin sabia que precisava, mas não podia.

A sua vila era moderna, muito mais justa entre alfas e ômegas do que no passado, mas querendo ou não, ainda era muito apegada às tradições. O líder alfa deveria, por tradição, ter uma reputação irrepreensível, assim como ter um “bom casamento”, para ter uma “boa linhagem”.

Os casamentos arranjados não eram mais obrigatórios – ainda que algumas vezes realizado –; para alfas e ômegas comuns, mas o líder alfa tinha o dever e ter uma linhagem forte e, por isso, preestabelecida. Seria um escândalo se descobrissem que Jimin estava grávido do futuro líder da vila, e Jungkook poderia até mesmo perder o cargo para o qual se preparou uma vida toda.

— Eu não posso dizer, por favor, não me force a isso. — Jimin pediu, tocando as mãos de Jin sobre sua barriga. — Pelo meu bem e do filhote.

— Você dizer isso apenas me preocupa ainda mais, porquê me faz pensar que tipo de pessoa é o pai dessa criança. — Jin ergueu uma das sobrancelhas. — Você não se envolveu com alguém da máfia, não é, Jimin?

Jimin não pôde segurar o riso que veio por sua garganta e o deixou sair livremente.

— É claro que não! — negou, ainda rindo. — Eu só não posso dizer.

— Taehyung sabe quem é o pai? — Jin especulou.

— Ninguém além de mim sabe. Nem mesmo o pai do bebê sabe que fiquei grávido. — Jimin confessou, desejando partilhar ao menos um pouco da verdade com o irmão. — Foi durante uma festa, e era para ser só uma transa, não existe envolvimento entre nós, Jinnie.

A expressão no rosto do mais velho mostrou um certo desagrado, e Jimin entendia que o mais velho não se agradava muito dessas coisas “casuais”.

— Nosso pai não vai te deixar sair até dizer um nome, Jiminie. — Jin avisou, cauteloso. — Eu já entendi que você tem medo por alguma razão, e não pode dizer quem é. Mas, você precisa com urgência de um médico, para saber se está tudo bem com você e o filhote, precisa poder sair.

Jimin estava dividido, porque sabia que Jin tinha razão, mas também morria de medo de prejudicar Jungkook. O que faria se Jungkook descobrisse sobre a gravidez e o odiasse por estragar sua vida? Jimin não havia admitido aquilo nem para si mesmo, mas, em todos aqueles meses, o sentimento que tinha pelo alfa só havia aumentado. Jimin o amava e desejava mais do que tudo ser amado de volta.

— Conversa com o papai, Jinnie, ele sempre ouve você. — Jimin pediu, segurando firme as mãos dele. — Pede pra ele me deixar ir no médico e eu juro que não saio mais de casa. Por favor, é só me deixar ir ao médico.

Aquilo pegou Seokjin de surpresa.

— Está dizendo que prefere ficar recluso em casa do que dizer quem é o pai do seu filhote? — Jin estava boquiaberto. — Jimin, você não vai poder sair daqui pra nada! Não vai estudar, ver seus amigos, você está entendendo? Nosso pai é muito radical quanto a isso, você estava prometido em casamento!

— Eu só preciso saber se meu bebê está bem. — Jimin foi enfático. — Não me importo com o resto.

Seokjin, contrariado, levantou-se da cama e lançou um olhar piedoso para o irmão.

— Eu vou falar com nosso pai, mas você o conhece bem. — Jin caminhou até a porta e a abriu. — Eu espero que saiba o que está fazendo.

Ele deixou o quarto e Jimin ouviu o barulho da tranca novamente ser colocada. Estava preso em sua própria casa, sob as ordens de seu rígido pai. Sentia medo, mais pelo seu filho que por si mesmo, e também por Jungkook.

— Vai ficar tudo bem, filhote. — Jimin colocou as mãos sobre a barriga e murmurou, sem saber se era realmente para o bebê ou para confortar a si mesmo.

E ele se forçou a acreditar naquilo pela semana seguinte inteira, quando passou todo o tempo trancado sozinho, exceto pela sua mãe que lhe trazia comida, mas nunca falava consigo e sempre olhava com certo espanto para a sua barriga saliente.

Jin também vinha vê-lo dia após dia, conversava consigo sobre coisas bobas, trazia notícias sobre seus amigos – especialmente sobre como Taehyung estava preocupado –; lhe trazia bobagens para comer, e batia na mesma tecla sobre o pai do filhote.

Jimin não contou nada em nenhum daqueles dias, nem mesmo quando Taehyung ligou, implorando para que o fizesse.

 

[...]

 

Depois de mais um daqueles dias, Seokjin saía do quarto de Jimin muito sério, e caminhava apressado em direção a sala de casa, encontrando seus pais ali, junto de Namjoon, que tentava acalmar os ânimos.

— Ele não vai dizer quem é o pai do filhote. — anunciou, tendo definitivamente aquela certeza. — Não pode trancá-lo no quarto para sempre.

Seu pai o olhou com alguma raiva.

— Eu posso. — disse, parecendo muito seguro de suas palavras. — Eu ainda sou a autoridade nessa casa, Seokjin, e enquanto Jimin for menor, ele me deve obediência.

— Me deixe levá-lo ao médico. — Jin moderou o tom, tentando ser razoável. — Eu venho pedindo isso há dias! Jimin precisa fazer exames para saber como está sua saúde e a do bebê.

— Jimin vai poder ir aonde quiser depois que disser quem é o pai dessa criança! — Dong-wook bateu uma mão no tampo da mesa próxima, fazendo um barulho alto. — Aí eu vou procurar o maldito, e vou fazer Jimin casar-se com ele.

Jin franziu as sobrancelhas, incomodado com o tom na voz do pai.

— Não pode fazer isso. — retrucou.

— Por que não? — Dong-wook parecia ainda mais nervoso. — Jimin soube sair dando por aí como uma vadia, agora ele vai ter que arcar com as consequências disso. — Ele se aproximou de Jin e abaixou o tom. — Eu tinha planos para ele, Jin, você sabe! Eu queria casá-lo com alguém bom e que o fizesse feliz, mas ele preferiu trair minha confiança.

Seokjin colocou as mãos sobre os ombros do pai, tentando chamá-lo à razão.

— Eu entendo que é duro para o senhor, pai, mas precisa entender que Jimin precisa de um médico. — falou, em tom manso. — Não pode pôr a vida dele ou do bebê em perigo por causa do seu orgulho.

— Que ele deixe o orgulho de lado e diga quem é o pai daquela criança então, porque enquanto isso não acontecer, ele fica lá. — Foi a palavra final.

Em um gesto de reprovação, Seokjin apenas deixou aquela casa, sendo seguido por Namjoon, que não sabia o que dizer para acalmar o marido diante daquela situação.

— O que vai fazer agora? — Namjoon perguntou, quando já estava dentro do carro. — Seu pai não vai dar o braço a torcer.

— Vou deixar você no escritório e falar com a única pessoa que sabe de alguma pista, o Taehyung.

Porque se alguém sabia de alguma coisa, era o melhor amigo de Jimin, e não que Jin ficasse satisfeito por seu irmão confiar mais nele que em si, mas ao menos teria uma pista.

Feita a viagem, Seokjin bateu na porta da casa dos Kim e esperou até que o filho mais velho deles veio atender.

— Seokjin? — Jongin parecia surpreso. — O que faz por aqui?

— Olá. — Jin até tentou sorrir para aliviar o clima, mas sabia que não parecia sincero. — Será que eu poderia falar com o Taehyung?

Jongin franziu o cenho, claramente notando a expressão dura do outro.

— O que aquele moleque aprontou agora?

— Nada, na verdade. — Jin o defendeu. — Eu só queria perguntar uma coisa.

— Eu vou chamá-lo. — Jongin disse, embora não parecesse muito convencido da resposta de Jin. — Você pode entrar, se quiser.

Jin não entrou, e também não esperou muito até ver Taehyung aparecer na porta, parecendo afobado.

— Jongin me disse que queria falar comigo.

— O que acha de caminharmos um pouco? — Jin propôs. — Acho que teremos mais privacidade.

Taehyung não demorou a perceber que a conversa iria ser séria e logo acompanhou Seokjin em uma caminhada rápida até o parque ali perto que, pelo horário, estava praticamente vazio.

— O que aconteceu com o Jimin? — Não era difícil para Tae saber que a conversa era sobre seu melhor amigo. — Ele está bem? O bebê está?

Jin sentou-se em um dos bancos e fez sinal para Taehyung se sentar também, o que este fez bem rápido.

— Eu vou ser direto, ok? Jimin e o bebê vão ficar bem quando você me disser quem é o pai. — Não hesitou em suas palavras. — Meu pai o trancou no quarto e não vai soltá-lo até ter a informação, você sabe, mas Jimin ainda se recusa a dizer quem é.

— Mas... eu não posso dizer quem é o pai do filhote, Seokjin — Os olhos de Taehyung estava levemente desesperados. — Porque também não sei quem é.

— Não mente, Tae, você sabe que o Jiminie é teimoso e não vai dizer. — Jin não acreditou. — Ele precisa sair daquele quarto e depende da gente pra isso.

— Eu juro que não sei! Juro, Seokjin! — Taehyung sentou-se de frente para o mais velho. — Se eu soubesse quem é, eu diria sim, independentemente de o Jiminie me considerar um traidor! Mas, ele não contou esse segredo nem para mim.

Aquilo quebrava um pouco as expectativas de Seokjin, porque ele conseguia ver a sinceridade nos olhos de Taehyung, mas não contava com aquilo. Sem a revelação que o mais novo o faria, ele voltava à estaca zero. Mas ele não desistiria assim tão fácil, seu irmãozinho e sobrinho precisavam de ajuda.

— Precisamos descobrir quem é o pai do bebê, você entende? — Segurou Taehyung pelos ombros. — Jimin está se arriscando para proteger esse segredo, o que me faz suspeitar sobre esse alfa ser alguém importante dentro da vila, ou... ou casado. — Ele não queria nem pensar naquela última possibilidade. — Então você precisa pensar. Você sabe quando foi a última vez que o Jimin esteve com alguém?

Aquela resposta era fácil, porque Jimin sempre lhe contava tudo sobre seus parceiros.

— Foi na festa de aniversário do Jeon Jungkook. — afirmou, sem qualquer dúvida. — Jimin sumiu da festa por um tempo e quando voltou estava todo corado e descabelado, não foi difícil fazê-lo contar o que tinha acontecido.

— Na festa. Sim, Jimin me disse que tinha sido em uma festa mesmo. — O mais velho ponderou. — Ele disse que tinha sido só uma transa, sem qualquer envolvimento sério.

Taehyung concordou, e completou o raciocínio do outro:

— Até onde eu sei, Jimin não se encontrou mais com o tal alfa, ele teria contado.

— Pense bem, Taehyung, você deve conhecer esse alfa, porque Jimin não sairia por aí dormindo com pessoas desconhecidas, certo? — Jin esperava que não, mas àquela altura já não tinha muita certeza de qualquer coisa.

— É claro que Jimin não é assim! — Tae o defendeu, então parou para pensar um pouco, porque realmente deveria conhecer o alfa, se pensassem por aquele ponto de vista, e começou a ponderar em voz alta. — Tinha muita gente conhecida naquela festa, mas ninguém que Jimin demonstrasse interesse. Claro que tinha alguns alfas olhando para ele enquanto dançava, mas a única pessoa que Jimin queria e também estava na festa era...

Ele se interrompeu de repente, com os olhos arregalados e o coração batendo de forma descontrolada, apenas por imaginar que aquilo fosse possível.

Seokjin percebeu a hesitação no rosto do ômega mais jovem, e logo soube que algo interessante surgia ali.

— Quem Jimin queria, Taehyung? Quem que também estava na festa? — sondou.

Taehyung voltou a olhar para o atento Seokjin, achando que seria ainda mais louco falar aquilo em voz alta do que já soava em sua mente, mas era possível.

— O dono da festa, Jin. — anunciou. — Jimin sempre foi apaixonado por Jeon Jungkook.

Vendo a expressão meio perdida que Jin exibiu, Taehyung concluiu que aquilo era algo meio louco de se pensar mesmo. Isso, porque Jimin e Jungkook viviam na mesma vila, mas era como se habitassem mundos diferentes, visto as classes sociais que ocupavam.

— Você tem certeza do que está dizendo? — Jin perguntou. — Acha possível que o Jimin...

— É possível que o pai do bebê seja ele sim, e é óbvio que tenho certeza! — Tae enfatizou. — Jungkook não tirava os olhos dele enquanto dançávamos, ele pode ter se aproximado quando nos separamos.

Passado um pouco o susto provocado pela surpresa, Jin se ergueu do banco e começou a caminhar de volta para a casa dos Kim, onde havia deixado o carro, meio incerto sobre o que fazer, mas tendo certeza de que precisava encontrar aquele alfa.

— O que vai fazer? — Tae perguntou, também levantando e correndo para o lado de Jin.

— Vou encontrar o Jeon e perguntar diretamente se ele tem mesmo algo a ver com isso. — Seokjin respondeu, decidido. — Se tiver, ele vai ter que resolver essa situação.

Taehyung não tentou impedir, apenas viu Jin entrar no carro e sair dali assim que pararam em frente à sua casa, só esperava que ele conseguisse ajudar Jimin.

 

[...]

 

[Escritório sede da vila]

 

Jungkook caminhava de um lado para o outro na sala do pai, completamente impaciente com tudo o que ele repetia.

— Eu já entendi, pai, mas isso ainda não me agrada. — colocou as palavras de forma firme. — Eu quero poder fazer essa escolha.

Seu pai, tão parecido fisicamente consigo, apenas o encarava de forma séria. Tentava compreender o que se passava na mente do filho, para que tentasse romper com uma tradição bem às portas de assumir o cargo de alfa líder da vila.

— Eu só quero poder escolher com quem vou passar o resto da vida, pai. — Jungkook reforçou.

— Eu entendo, de verdade. — Seu pai voltou a falar, mais paciente. — Mas tem coisas que apenas podemos aceitar, Jungkook. Quando eu casei com sua mãe, por exemplo, não fui eu que a escolhi como esposa, mas hoje a amo acima tudo, abaixo apenas de você. — O olhou ternamente. — Vai ser o mesmo com você.

Jungkook apenas desviou os olhos para um lugar qualquer do chão, aceitando que era inútil discutir aquilo, porque além de ser seu pai, aquele homem era o chefe alfa da vila, a maior autoridade. Mas em seu íntimo, Jungkook jurou a si mesmo que seria o último a ser forçado a casar-se por interesse, porque assim que assumisse o lugar de seu pai, faria questão de tornar aquele tipo de acordo um crime. Ninguém mais seria obrigado a passar a vida com alguém que não amava.

— Alegre-se, Jungkook, é por um bem maior.

— Sim. — respondeu, conformado com seu destino. — Posso me retirar agora? Tenho assuntos com Namjoon para resolver.

— Pode ir.

Jungkook praticamente correu da sala assim que ouviu a permissão. Entendia que não era por mal que o seu pai fazia aquilo, eram as malditas tradições que o obrigavam a ser quem não queria ser. Queria muito ser o líder da vila, havia sido preparado para aquilo pela vida toda, mas também queria poder se casar por amor.

Amor...

Pensar naquela palavra fazia sua memória voltar para o rosto de uma pessoa que vira pela última vez há cinco meses. O tempo que passou com Park Jimin formou uma marca forte em seu interior, algo que sequer o tempo em que não se viam apagou.

Jungkook conheceu Jimin ainda muito jovem, mas soube, assim que tocou aquele menino de joelhos ralados, que este era seu companheiro destinado. E foi difícil vê-lo dia após dia no instituto de ensino, vendo nos olhos dele que era correspondido, e não poder estar com ele.

Se afastou do ômega bonito o quanto pôde, ainda que sempre o vigiasse de longe, mas Jimin acabava junto de si de uma forma ou de outra. O ponto alto daquela história se deu cinco meses atrás quando, em sua festa de aniversário, Jimin apareceu e o seduziu como não havia conseguido antes. Jungkook se deu pra ele com tudo, apagando no corpo o fogo que crescia em seu coração.

Havia jurado para si mesmo que aquela seria a primeira e última vez que o teria em seus braços, que se afastaria em definitivo para que ele não sofresse ainda mais, e o fez. Não procurou Jimin depois que voltou do treinamento, não foi ao instituto de ensino para resolver os negócios, evitou-o em todas as esferas, mas não conseguiu tirá-lo do único lugar que mais sofria, o seu coração.

Jimin era seu amor destinado, mas não poderia estar com ele.

— Por que está com essa cara? — Namjoon perguntou, após uma meia hora tentando resolver questões econômicas em seu escritório. — Não está prestando atenção em nada do que estou dizendo.

— Só não estou com muita paciência para essas coisas hoje, desculpe. — Jungkook bufou, bagunçando os negros cabelos.

Namjoon iria perguntar o motivo quando se ouviram batidas rápidas na porta, e então esta ser aberta sem que fosse realmente dada permissão.

— Seokjin? — Namjoon exclamou, surpreso pela presença do marido.

— Desculpe, senhor Jeon, é que ele foi entrando assim mesmo. — A secretária, que vinha atrás, dizia, meio nervosa.

Namjoon levantou-se do lugar e caminhou rapidamente até o marido, tentando descobrir o motivo daquela entrada intempestiva.

— O que aconteceu? — perguntou, parando de frente com Jin, preocupado. — Foi algo com o seu irmão?

— Está tudo bem, Mina, pode voltar para o seu posto, por favor. — Jungkook disse para a secretária, reconhecendo o marido de Namjoon.

Assim que a secretária saiu, Namjoon tocou os braços de Seokjin, tentando chamar sua atenção para si, que estranhamente estava presa em Jungkook.

— Jin, o que está acontecendo? — perguntou novamente.

— Minha conversa não é com você, Namjoon, é com aquele ali atrás. — Jin desfez o contato com as mão de seu alfa e voltou a encarar Jungkook. — Minha conversa é com você, Jeon Jungkook.

O clima na sala variava entre surpresa e estranhamento, e todos se calaram por um momento.

— Comigo? — Jungkook, com o cenho franzido, quis ter certeza.

— Não vejo outro Jungkook aqui. — Jin foi categórico.

— Seokjin! — Namjoon já conseguia ver seu emprego saindo pela janela.

— Pode falar, Seokjin. — Jungkook, ainda sentado em sua poltrona, deu de ombros. — Embora eu não tenha ideia do motivo de você estar usando esse tom, confesso que estou curioso.

Seokjin caminhou até estar na frente de sua mesa, sorrindo de lado, embora não mostrasse sinceridade.

— Me parece que você estava curioso sobre Park Jimin também, não é? — provocou.

A menção daquele nome, a sala novamente se converteu em silêncio. Jungkook estava surpreso demais por Jin conhecer sobre o ômega loiro. Namjoon com os olhos arregalados parecendo compreender a dimensão do problema, e Jin sorrindo confiante.

— Vou esperar lá fora. — Namjoon avisou, não hesitando em sair da sala e trancar a porta.

Jungkook e Jin se olharam por algum tempo até:

— Você conhece Park Jimin? — Jungkook quis ter certeza.

— Desde que ele nasceu, na verdade. — Jin fechou o sorriso, tornando-se muito sério. — E foi exatamente durante esse momento que jurei proteger meu irmãozinho de tudo de ruim.

Aquilo não deveria ter pego Jungkook de surpresa, mas pegou. De alguma forma, ele esteve tão imersão em Park Jimin, que sequer se importou em saber mais sobre a família dele. Sabia apenas que viviam nas partes menos favorecidas da vila.

— Você transou com meu irmão na sua festa de aniversário e depois desapareceu. — Jin comentou, mantendo-se calmo. — E não estou aqui para criticar isso ou o que quer que seja, afinal o próprio Jimin me disse que vocês não tinham nada, estou aqui para perguntar umas coisas.

Seokjin via o choque nos olhos do alfa, mas não o viu negar em momento algum aquela história, o que apenas confirmou em sua mente o que Taehyung lhe dissera.

— Você sabia que Jimin estava apaixonado por você? — Jin perguntou, certeiro.

Tentando manter a mente no lugar e sem saber em qual ponto aquele ômega queria chegar, Jungkook decidiu que não havia porquê mentir.

— Eu sabia. — afirmou. — Sempre foi muito claro pela forma que ele me olhava.

— E mesmo assim você transou com ele e depois o largou sozinho.

— Não. — Jungkook franziu o cenho, indignado com aquela insinuação. — Eu não sou um cafajeste, Seokjin. Em momento algum eu enganei Jimin com promessas de um futuro juntos, ao contrário, sempre deixei claro que não podíamos, mas ele ainda assim quis ficar comigo.

— Você não sente nada por ele? — Jin insistiu.— Não quer saber sobre ele?

Jungkook levantou, agoniado demais para estar sentado ali, e começou a caminhar pela sala.

— Eu quero, muito mais do que você pode imaginar, Seokjin. — confessou, sem reservas, aliviado por poder contar seu desejo mais íntimo para alguém. — Você não tem noção de como dói não poder estar ao lado da pessoa que você ama, do seu companheiro destinado.

Os olhos de Jin dobraram de tamanho e ele balbuciou, espantado:

— Companheiro destinado?

Jungkook assentiu.

— Sim. Descobri há bastante tempo, mas nunca contei a ninguém. — Ele bagunçou os cabelos de novo. — Mesmo sendo destinados, não podemos ficar juntos, Jin, as tradições não permitiriam.

— Pois se você ama o Jimin de verdade, eu acho bom você arranjar um jeito de passar por cima dessas tradições, Jeon Jungkook, porque agora tem mais alguém que depende disso.

— Como? — Jungkook estava confuso. — Mais alguém?

Jin assentiu.

— Eu vou ser direto com você, ok? — disse, com uma expressão pouco mais leve. — Aquela noite em que você e o Jimin dormiram juntos resultou em um bebê, Jungkook. Jimin engravidou de um filhote seu.

O mundo parecia ter parado por um momento.

— O quê? — Foi tudo o que Jungkook conseguiu dizer, surpreso demais para pensar.

— Isso mesmo que você ouviu. Jimin está com cinco meses agora. — Jin se sentou, pela primeira vez. — Por que também não senta e eu conto tudo?

Novamente sentado, Jungkook ouviu Seokjin contar sobre como Jimin descobriu a gravidez, escondeu de todos, e agora estava encarcerado na própria casa para proteger o nome do pai do bebê.

— Então faz todo o sentido do mundo a relutância dele em falar o nome do pai, porque isso poderia ser um escândalo sobre você. — Jin arrematou. — Ele tem medo de te prejudicar.

Jungkook se sentiu uma pessoa horrível por ter se afastado de Jimin enquanto ele, com só dezessete anos, passava pela barra de ter descoberto uma gravidez e ainda protegido seu nome. Não! Se ele soubesse... Jamais teria permitido que Jimin passasse por coisas tão ruins sozinho.

— Precisa tirá-lo de lá, Jungkook. — Seokjin pediu. — Meu pai está cego pelo orgulho ferido, não vai deixar que Jimin saia até dizer quem é o pai do bebê, e ele não vai dizer.

Sem poder mais esperar, Jungkook levantou-se da poltrona, decidido.

— Vou buscar meu ômega agora. — Anunciou, já caminhando para a porta.


 

[...]


 

Casa da família Park

 

O silêncio que perdurava há dias naquele ambiente foi quebrado pelo som estridente da campainha, que tocava de forma descontrolada.

— Mas quem está fazendo essa brincadeira idiota? — O senhor Park perguntava a si mesmo, enquanto abria a porta, se surpreendendo por ver quem estava ali.  — Senhor Jeon?

— Olá, senhor Park. — Respondeu, muito sério. — Nós precisamos conversar.

Os olhos de Park Dong-wook viajaram entre as feições duras de Jungkook e as estranhamente expressões nervosas de seu filho Seokjin logo atrás dele.

— Entre, por favor. — Pediu, cortês, sem entender bem o que acontecia.

Jungkook entrou e ficou de pé, parado no meio da sala pequena, perdido de mais nas próprias ideias para observar o ambiente a sua volta.

Seokjin estava ao seu lado, roendo as unhas de nervosismo.

— É um honra recebê-lo na minha casa, senhor Jeon. — Dong-wook olhava os outros ocupantes do ambiente. — Não quer se sentar para conversar mais confortável? Estou curioso sobre a sua visita.

— Não vou me demorar e prometo ser direto. — Jungkook anunciou, olhando fixamente para o homem. — Onde está Park Jimin?

Park Dong-wook parecia ter sido atingido por um raio de repente, seu corpo inteiro se empertigou e ele olhou duramente para Seokjin.

— Não acredito que você foi incomodar o alfa líder com nosso problemas familiares, Seokjin! — Ele ralhou, parecendo realmente irritado. — Olha, senhor Jeon...

— Onde ele está? — Jungkook insistiu, tentando manter a paciência.

— No quarto. — Dong-wook não se incomodou em responder. — Meu filho fez algo muito errado, senhor Jeon, e eu precisei corrigi-lo.

Jungkook sentia algo quente se espalhar no seu interior, como uma vontade avassaladora de partir o rosto daquele homem ao meio com um soco.

— Você está me dizendo que encarcerou uma pessoa contra a vontade dela porque, segundo os seus preceitos, ela cometeu um erro? — Tentava compreender aquela loucura. — Ele é seu filho! Um ômega grávido!

No momento, Dong-wook pareceu perceber que algo no tom de Jungkook era levemente perigoso, como se o alfa fosse atacar a qualquer momento.

— Não é como parece, senhor Jeon. — Tentou se explicar. — Não sei o que Seokjin lhe disse ou como fez isso parece, mas...

— Eu só falei a verdade, pai. — Seokjin se meteu. — Eu falei pra soltar o Jiminie, ele precisa de um médico.

— Solte-o, senhor Park. — Jungkook ordenou.

Dong-wook passou a mão pelos cabelos, dividido entre obedecer ser, praticamente, líder, ou manter sua “honra”.

— Jimin engravidou de um alfa e se nega a dizer o nome dele, senhor Jeon. — Ele tentou justificar. — O senhor como conhecedor das tradições sabe que...

“Tradições” eram um assunto sensível para Jungkook, que deu um passo para perto do Park mais velho, perdendo a paciência.

— Tradições devem ser desconsideradas quando tratam da vida de alguém. — Ele falou, muito sério. — Solte o Jimin, o bebê é meu.

— Eu sei que segundo as leis da vila todos os habitantes são seus para proteger, senhor Jeon — Dong-wook tentou ser racional. —, mas Jimin é meu filho e eu sei o que é melhor.

— Você não está entendo, senhor Park. — Jungkook deu outro passo e parou cara a cara com o mais velho. — Estou dizendo que o filhote do Jimin é meu. Eu engravidei o seu filho.

O silêncio que se estabeleceu na sala foi violentamente quebrado pelo som de vidro se estilhaçando, quando a senhora Park derrubou um copo no chão. Ninguém sabia que ela estava ali até então, mas era óbvio que tinha ouvido toda a conversa.

— Eu não sabia da existência do filhote, mas independente disso, deveria ter tido coragem de fazer isso há muito tempo. — Jungkook voltou a se pronunciar, ainda muito sério. — Vai me mostrar onde o prendeu, ou vou precisar procurar por conta própria?

— Vem comigo, Jungkook! — Jin o chamou já correndo para subir a escada.

Jungkook ainda encarou Dong-wook por um segundo antes de subir atrás de Seokjin. Ali, no andar de cima, pararam em frente a uma das portas e Jin a abriu, forçando a tranca pelo lado de fora.

Assim que a porta se abriu, Jungkook foi atingido pelo cheiro tão conhecido de Jimin, e não esperou para entrar no quarto e se dirigir para perto da cama onde ômega parecia dormir. Abaixou-se ao lado dele e observou seu rostinho amassado contra o travesseiro, jurando nunca ter visto nada mais bonito.

Parecendo sentir sua presença, Jimin remexeu-se na cama e preguiçosamente abriu os olhos. Ficou parado por um momento, olhou o rosto bonito de Jungkook e imaginando que era mais um de seus sonhos impossíveis.

— Parece que nos encontramos de novo, Park Jimin. — Jungkook sorriu de leve, verdadeiramente.

Jimin sentou-se tão rápido na cama que teve um vertigem, surpreso por ter um sonho tão real.

— Estou sonhando de novo? — Balbuciou, atrapalhado.

E Jungkook achou que não era merecedor de ver algo tão lindo quanto Jimin descabelado e de bochechas rubras.

— Eu estou aqui, Jimin, de verdade. — Jungkook sentou-se na frente dele e segurou uma de suas mãos. — Está me sentindo? Estou aqui.

Os olhos de Jimin se encheram de água imediatamente e, impulsivamente, se jogou sobre os braços de Jungkook, abraçando-o com toda a sua força. Jungkook não fez nada que não fosse segurá-lo como se sua vida fosse estivesse em seus braços, e talvez estivesse.

O contato, no entanto, não durou muito, porque Jimin logo se afastou, como se tivesse levado um choque, com os braços envolvendo o abdome. Jungkook não levou muito tempo para compreender.

— Está tudo bem, Jimin, eu já sei de tudo. — Falou, tentando fazê-lo voltar para perto. — Me desculpe por ter sumido por tanto tempo, eu realmente achei que seria o melhor para nós dois.

— Sabe? Como? — Jimin se assustou. — Você precisa ir! Se as pessoas descobrirem...

— Elas vão descobrir, Jimin, porque eu vou contar. — Jungkook garantiu, se aproximando um pouco e tocando o rosto do ômega. — Eu vou contar que serei pai, que terei um filho com meu companheiro destinado.

— Companheiro destinado?

Jungkook assentiu, sorridente.

— Você era muito novo pra ter percebido, mas tenho certeza que também sentiu. — Contou. — Quando nos tocamos pela primeira vez, eu soube que era você, Jimin, a pessoa que me completaria, o amor da minha vida.

As lágrimas agora desciam livres pelo rosto de Jimin, que mal podia acreditar no que estava acontecendo.

— E a sua família? — Quis saber, ainda inseguro.

— Eles tem que aceitar, Jimin, ou eu desisto do cargo de líder alfa. — Jungkook garantiu, então abriu um sorriso brilhante. — E nem pense em se sentir culpado por isso, porque eu juro pra você que nunca estive mais feliz. Eu vou ser pai!

Jimin voltou a abraçá-lo.

— Me desculpe por não ter contado, é que eu tive tanto medo. — ainda chorava, emocionado. — Pensei que me diária por estragar sua vida, mas eu desejei tanto que você soubesse e que ficasse feliz.

Jungkook o abraçou de volta, apertado, e também sentiu alguma lágrima lhe turvar a visão ao sentir a barriga volumosa de Jimin pressionar-se contra a sua.

— Me deixe ver. — Pediu, certo de que Jimin entenderia.

E ele entendeu, pois afastou-se um pouco de Jungkook e, com alguma timidez, ergueu a blusa larga, mostrando a barriga.

— Oh! — Foi tudo que Jungkook conseguiu exclamar ao ver a forma redonda e delicada. — Eu... será que posso tocar?

Jimin só fez um movimento, positivo e suave, com a cabeça, um tanto tímido. E Jungkook ergueu as duas mãos e as depositou lentamente sobre a barriga dele, sentindo a pele esticada e macia se arrepiar um pouco.

Os olhos de ambos se arregalaram um pouco, quando o pequenos ser dentro de Jimin se remexeu e chuto a mão de Jungkook. O alfa, espantado, olhou Jimin e disse:

— Eu vou ser pai, Jimin! — A ficha havia caído só ali.

— Vai. — Jimin riu de leve. — Vamos ter um filhote.

Jungkook o abraçou novamente, firmemente tentando segurar uma lágrima fujona. Nada daquilo havia sido planejado, mas estava feliz como nunca achou que pudesse sentir. Seu companheiro, seu ômega, seu amor, lhe daria um filhote!

Jimin o abraçou de volta, acariciando os cabelos macios do alfa, então olhou pra trás e notou, pela primeira vez, Seokjin meio escondido ali na porta.

— Foi você, não foi? — Jimin o questionou. — Mas, como soube que era o Jungkook?

— Tive a ajuda de uma mente brilhante como a de Kim Taehyung. — Seokjin riu, entrando no quarto. — Ele contou tudo o que sabia, e acabou juntamos os fatos. Eu fui até Jungkook e ele não negou nada.

— Jin me deu a notícia tão delicadamente que quase enfartei. — Jungkook brincou, rindo também. — Então eu corri pra cá, pra te salvar mais uma vez, Park Jimin.

— Você tem realmente sido o meu herói. — Jimin confessou, olhando os olhos escuros dele.

— Ok, vou deixar vocês a sós. — Jin deu de ombros. — Vou ver como estão as coisas lá em baixo.

Seokjin os deixou sozinhos e a primeira coisa que Jungkook fez foi puxar o rosto de Jimin até o seu e beijá-lo com ardor. Era um beijo de saudade, um beijo de reencontro.

— Meus pais estão muito bravos? — Jimin perguntou, quando separaram os lábios.

— Eu diria surpresos. — Jungkook deu de ombros. — Mas preciso dizer que não gostei muito do meu sogro.

Jimin riu alto.

— Ele não é mal, Jungkook, só orgulhoso demais. — O loirinho defendeu. — Ele tinha me arranjado um casamento, e quando descobriu a gravidez ficou decepcionado.

— Não há desculpas para o que ele fez, Jimin. Mas também não quero que pense nisso agora. — Jungkook voltou a acariciar sua barriga. — Quero que junte suas coisas, porque eu vou te levar comigo agora.

— Me levar com você? Mas, Jungkook...

— Não discuta, ok? — O alfa o sorriu, terno. — Perdemos muito tempo, e eu não vou deixar ninguém mais afastar a gente. Deixe minha família discutir, a tradição se meter, o povo falar! Eu só quero você, Jimin, e vou lutar por nós.

Jimin passou estar incerto sobre aquilo ser um sonho novamente.

— Você está falando sério?

— Estou, meu bem. — Jungkook riu, achando graça da expressão do ômega loirinho. — Pegue apenas o que for essencial para você, o resto eu peço para alguém vir buscar depois. Você não vai ficar aqui por mais tempo, eu quero que venha comigo.

O ômega levantou da cama em um salto, fazendo Jungkook arregalar os olhos, e arrastou uma mochila do lado do guarda roupa, começando a jogar alguns pertences dentro. Parecia apressado e atrapalhado, e Jungkook achou adorável.

— Quer ajuda? — Ofereceu.

— Você pode só ficar sentado aí enquanto eu olho pra você e surto internamente?

Jungkook riu um pouco mais, mas sem sair do lugar.

— É tudo real, Jimin, acredite em mim. — Reafirmou. — Nós somos um par, somos companheiros, e eu sinto muito que tenhamos precisado chegar até aqui para ficarmos juntos, mas eu estou decidido agora. Se você me quiser como eu quero você, virá comigo, para ficarmos juntos e cuidarmos do filhote.

Jimin apenas virou-se de volta para o guarda roupa e continuou a jogar coisas na mochila, agora decidido. Era uma loucura sem tamanho o que faziam, mas eles precisavam daquilo.

Se era preciso cometer um pouco de loucura para viver o amor que tanto almejou, Jimin o faria.

Não levou muito tempo para Jimin terminar de arrumar tudo e olhar em expectativa para Jungkook, que ainda estava sentado sobre a sua cama.

— Estou pronto. — Anunciou, não tão seguro.

Jungkook se ergueu da cama e foi até ele, gentilmente pegando a mochila de sua mão, e então o abraçando de leve.

— Vai ficar tudo bem, meu bem. — Acalmou-o. — Vou fazer de você o ômega mais feliz desse mundo.

Jimin o olhou e sorriu. Confiava nele, tanto que segurou sua mão grande e se deixou ser conduzido em direção a sala. Seus pais estavam de pé, junto a Seokjin, que acalmava a mãe chorosa.

— Jimin está indo comigo. — Jungkook anunciou, sem transparecer emoções na voz. — Não vou permitir que seja machucado por quem quer que seja, muito menos por quem deveria protegê-lo.

— Senhor Jeon, eu não sabia que o filhote era seu. — Park Dong-wook tentou se justificar, em um vergonhoso gaguejo. — Se eu soubesse...

— Se soubesse, o que? Você não o teria encarcerado? Teria apoiado Jimin e o levado ao médico? — Jungkook deu um passo para a frente, furioso. — Porque é classe social do alfa que importa pra você, não é? Não dá a mínima se seu filho está bem ou não! Eu deveria castigar você, Park Dong-wook! Segundo as leis da vila, esse tipo de tratamento não é permitido com ninguém, muito menos com ômegas!

Jimin segurou o braço de Jungkook com força, temendo que ele perdesse o controle e agredisse seu pai. Porque apesar de tudo, aquele homem ainda era seu pai.

— Jungkook... — Implorou, sem sequer ter certeza pelo quê.

— Você tem um filho maravilhoso, Dong-wook, e é só por ele que não vou fazer nada com você. — Jungkook olhou o homem mais velho com algum desprezo. — Seu castigo vai ser não ver o seu neto, porque eu não quero gente como você perto do meu filho. Nosso filho vai ser ensinado a respeitar as pessoas.

Jimin viu os olhos chorosos de Seokjin vidrados em si, e se soltou de Jungkook para ir abraçá-lo.

— Jinie... — Murmurou, sendo abraçado de volta pelo irmão.

— Você vai embora mesmo.

— Vou, mas você pode ir me visitar sempre. — Jimin sorriu para ele. — Meu filhote vai precisar do tio babão.

— Você será sempre bem vindo em nossa casa, Seokjin. — Jungkook afirmou, vendo os irmãos se despedirem. — Obrigado por me ajudar a consertar alguns de meus erros.

Seokjin se separou do irmão, limpando algumas lágrimas fujonas, e sorriu para Jungkook, em um agradecimento mudo. Jimin, por sua vez, olhou a mãe, encolhida ali num canto.

— Não foi sua culpa, mamãe. — Consolou-a. 

— Sua presença também será agradável em nossa casa, senhora Park. — Jungkook falou, surpreendendo até Jimin.  — Eu sei como funciona o patriarcado nesse lugar, as malditas tradições, e a senhora não teve culpa.

Jimin sorriu, seu coração se enchendo de um calor agradável pela gentileza de Jungkook. Ele seria um líder visionário, o melhor e mais justo deles.

Eles não se demoraram mais naquela casa, e Jungkook conduziu Jimin até o carro com todo o cuidado, porque era inverno e estava muito frio. Já no interior aquecido do carro, a ficha de Jimin começava a cair. Ele estava indo morar com Jungkook, o seu grande amor!

— Obrigado por me salvar mais uma vez. — Sorriu para o alfa, que dirigia.

— Não vou mais precisar salvar você, Jimin, porque agora farei de tudo para evitar que você seja machucado. — Jungkook também sorriu, mas prestando atenção a estrada. — E esse serzinho que agora cresce na sua barriga será a prova de que o destino tinha nos unido muito antes de conseguirmos entender isso.

Jimin colocou as mãos sobre o próprio ventre, sentindo uma imensa fartura de amor e alegria, algo que jamais imaginou ser possível sentir. Embora isso não tenha durado muito, porque logo Jungkook anunciou:

— Não vamos direto para a minha casa, certo? Vamos primeiro na casa dos meus pais, porque eles precisam saber sobre você antes dos outros.

— Eles vão surtar, Jungkook, vão me odiar. — Estava seguro daquilo.

— Eles não podem fazer nada contra nós, meu bem, o máximo é tentarem me tirar o cargo de líder alfa. — Jungkook deu de ombros. — Isso não me afetaria em nada, porque eu só me importo com você e o bebê agora.

Apesar das palavras de Jungkook confortarem um tanto, Jimin não conseguia deixar de sentir uma ansiedade violenta. Só esperava que tudo ficasse bem, e que Jungkook não precisasse abdicar da própria vida para estar junto a si.

A casa da família Jeon logo estava a vista e Jimin sentia as pernas tremendo ao sair do carro, segurando a mão de Jungkook.

— Vai ficar tudo bem, amor, acalme-se. — Jungkook deixou um beijinho sobre seus lábios.

Jimin queria acreditar naquilo, mas ao entrar na casa e ver a expressão severa de Jeon Jongsuk, pai de Jungkook, direcionada ao filho, suas convicções caíram completamente por terra. Jimin ficou parado às costas de Jungkook, tentando se manter escondido.

— É mentira, não é? — A voz do alfa mais velho era forte, mas tentava se manter controlada. — Não me diga que fez uma loucura dessas, Jungkook.

— Não me surpreende que você já tenha sido avisado de tudo, os seguranças que paga para me seguir são bons. — Jungkook alfinetou. — Eu tenho que dizer algo ainda?

— Não inverta a situação! — Jongsuk rosnou, fazendo Jimin dar um pulinho de susto e se colar mais nas costas de Jungkook. — Você é um irresponsável, Jeon Jungkook! Tem ideia do que fez?

Ao contrário do que Jimin imaginou, Jungkook não gritou com o pai ou teve qualquer ação violenta, ele simplesmente soltou um riso espontâneo.

— Eu fiz uma coisa linda, pai. — Jungkook disse, e levou a mão para trás do corpo, puxando Jimin pelo pulso para sair dali. — Veja.

Jimin postou-se ao lado de Jungkook, agarrado ao braço dele, e o Jeon mais velho arregalou os olhos. Parecia tê-lo visto ali pela primeira vez, o que facilmente poderia ter acontecido, já que antes parecia cego demais pelas circunstâncias.

— Pelos deuses... — Jeon Jongsuk murmurou, e deu um passo para perto do ômega, os olhos fixos em sua barriga volumosa.

— Não o assuste. — Jungkook chamou atenção do pai, sentindo o tremor leve das mãos de Jimin.

Jongsuk deu-se conta de que o ômega loiro realmente parecia assustado, o que não era de se estranhar, mas não era sua intenção. Estava frustrado com tudo o que havia feito por Jungkook e agora ele lhe aparecia com...

— Um neto. — Sussurrou.

— Inesperado, eu sei. — Jungkook, observava as feições do pai. — Mas vou amá-lo, pai, como o senhor e mamãe fizeram por mim.

— Eu posso... posso tocar? — Seu pai pediu, olhando para Jimin.

Jimin, por sua vez, olhou para Jungkook, questionando silenciosamente se deveria permitir ou não. Estava confuso, porque toda a situação dos últimos dias era absurda demais para a sua cabeça.

— Está tudo bem, Jiminie. — Jungkook sorriu um pouco para si.

Não tão confiante, Jimin assentiu e observou o pai de Jungkook tocar cuidadosamente seu ventre. O homem tinha os olhos cheios de lágrimas de repente, e sorriu um tanto.

— É meu neto, Jungkook. — Ele comentou, com um misto confuso de emoções no rosto. — Sua mãe vai surtar quando voltar para a vila.

— Ela vai. — Jungkook sorriu. — Mas vai adorar saber que será avó, assim como conhecer o meu companheiro destinado.

O pai de Jungkook afastou as mãos da barriga de Jimin e ensaiou um sorriso simpático para ele.

— Me desculpe se pareço insensível, Jimin, mas preciso lidar com tudo o que acontece nesse lugar. — Jongsuk falou. — Eu fico feliz por saber sobre o filhote, mas também preocupado.

— Eu não quis causar problemas, senhor Jeon. — Jimin se pronunciou pela primeira vez. — Eu só não soube como evitar.

— Jimin, você não tem que se desculpar por nada. — Jungkook o puxou mais para perto. — Não fizemos nada de errado, o nosso filhote não é errado!

Jimin só não sabia o que pensar. Estava certo de que causaram um grande problema, embora não se arrependesse de carregar seu bebê.

— Você é impetuoso, Jungkook, e isso é uma qualidade admirável, mas precisa saber que as consequências virão. — O Jeon mais velho alertou. — As pessoas podem colocar impedimentos sobre você assumir a vila.

— Estou disposto a enfrentar tudo, pai, mas não vou desistir da minha família.

Jeon Jongsuk bagunçou os cabelos já meio grisalhos e soltou um suspiro pesado.

— Preciso confessar que eu esperava outra coisa de você, Jungkook, mas independentemente de qualquer coisa, você sempre terá o meu apoio. — Afirmou, olhando para o filho e depois para Jimin. — Você será muito bem vindo em nossa família, Park Jimin, assim como o seu filhote.

Jimin sorriu, um tanto acanhado, mas agradecido por Jongsuk ser mais pai de Jungkook que líder da vila. Ele os apoiaria, independente das consequências.

— Nós ficaremos na minha casa, você e a mamãe podem nos visitar sempre que quiserem. — Jungkook deu de ombros. — E não me espere no escritório amanhã, vou levar Jimin para ver o médico.

Jongsuk bateu com a palma da mão na própria testa, tentando manter um pouco de paciência com aquele “moleque”. O que podia fazer, afinal? Parece que era um mal dos Jeon prezar primeiramente pela família.

— Eu vou comunicar o acontecido para o conselho, Jungkook, mas você vai precisar lutar sozinho em sua própria defesa. Eles são muito apegados às tradições e... Bem, não poderei intervir no que eles decidirem.

— Não se preocupe com isso, pai. Eu acredito no meu povo — Jungkook comentou seu ideais. —, eles vão entender que o amor deve ser mais apreciado que as tradições.

Jimin e Jungkook deixaram a casa de Jongsuk e seguiram para a, agora, casa dos dois. Estavam sentindo um misto de alívio e apreensão, mas mais alívio sim.

Jungkook estacionou o carro e novamente ajudou Jimin a descer, apesar deste insistir que não era necessário, pegou a mochila e guiou-os para dentro.

— Essa será sua casa agora, Jimin. — Jungkook apresentou, quando já parados na sala. — Vamos ser felizes aqui com nossos filhotes.

— Nosso primeiro filhote ainda nem nasceu e você já está falando no plural? — Jimin sorriu, curiosamente olhando o ambiente.

Jungkook o envolveu em um abraço apertado.

— Quero uma família grande, e você? — Perguntou o alfa, selando de leve os lábios cheios do loiro.

Jimin passou os braços pelo pescoço dele e o olhou, perdendo-se um pouco em sua beleza. Nunca iria se acostumar com o quão lindo era aquele alfa, ainda mais agora que ele era seu.

— Quero muitos filhotes com você. — Confessou, sorrindo bobo. — Uma família grande feliz, Jungkook.

— Você realmente foi meu maior presente naquele dia, Jiminie.

Um sorriso enorme cruzou os lábios de Jungkook e ele arrastou Jimin para um novo beijo, aquele mais denso e quente, como uma promessa de que seriam sim felizes juntos. Os corpos se tocaram, as roupas foram despidas, as bocas se amassaram, e eles se amaram mais uma vez, compartilhando nos corpos o que traziam no coração.

 

[...]

 

Meses depois

Jimin ria das piadas bobas que Taehyung fazia, enquanto colocava mais uma travessa com comida na grande mesa. Estavam todos em sua casa naquele dia, almoçando em “família”.

Seokjin e Namjoon tomavam cerveja e jogavam conversa fora com Jungkook, que ria sem parar; Taehyung contava, animado sobre como o namoro com o barman Hoseok estava sério, apesar de ambos fazerem festinhas a três com um tal de Yoongi; e Jimin, bem, ele apenas ria e agradecia internamente pelas coisas estarem indo tão bem.

Lembrava dos primeiros dias que passou com Jungkook ali, de como foi difícil receber a aceitação das pessoas, de como Jungkook precisou se mostrar forte para proteger sua família, mas também da alegria que foi ir ao médico pela primeira vez e descobrir que seu bebê estava saudável, de ouvir seu pequeno coração batendo pela primeira vez.

Jimin se sentia plenamente feliz, apesar da pequena rusga com o pai ainda existir, apesar de sua mãe não estar tão próxima. Sabia que seus amigos o queriam feliz, que as pessoas da vila também desejavam sua felicidade, ao menos a maioria delas, e isso bastava.

Olhou para Jungkook, que tinha aquele sorriso de dentes saltados, e se abençoou mentalmente por ter escolhido estar com ele. Jungkook era um alfa maravilhoso, um marido maravilhoso, seria um pai maravilhoso, e era um líder maravilhoso.

No mês seguinte a revelação sobre Jimin, Jungkook se apresentou ao conselho da vila e expôs tudo o que tinha acontecido. Muitos relutaram sobre sua permanência no cargo de líder, mas como o próprio Jungkook previa, o amor venceu a tradição e, outro mês depois, Jungkook assumia oficialmente o cargo no lugar do seu pai.

— Você não pode pegar peso, amor. — Jungkook se levantou do lugar e tomou a outra travessa de suas mãos. — Por que é tão teimoso?

— Não estou doente. — Jimin revirou os olhos.

— Claro, só com nove meses de gestação. — Jungkook imitou o gesto dele. — O bebê pode nascer a qualquer momento, não faça isso.

Sim, nove meses, Jimin pensou, deslizando as mão sobre a barriga grande. Queria tanto ver logo o rostinho de seu bebê! Faltava pouco agora.

— Estou bem, não se preocupe. — Tentou acalmar o alfa, que agora tinha ainda mais cuidados consigo.

— Não estou preocupado, só ansioso. — Jungkook abaixou deixou um beijo sobre seu ventre.

— Arg! Que grude de vocês! — Tae reclamou, e puxou Jimin pela mão. — Vamos tomar um pouco de sol perto da piscina, Jiminie, faz bem para a pele e pro bebê.

Jimin e riu e se deixou levar, divertido com a expressão desgostosa de Jungkook ao ser afastado de si. Retirou a camisa larga e deitou ao lado de Taehyung em uma espreguiçadeira.

— E a escola? — Seu amigo perguntou.

— Vou voltar quando o bebê nascer, por enquanto estou fazendo as atividades a distância, você sabe. — Jimin sorriu, sentindo ele mexer de leve em sua barriga. — O bebê está agitado hoje.

— Acho que aí já está um pouco apertado. — Tae riu, acariciando a barriga do outro

Eles conversaram mais um pouco, enquanto Jimin sentia um crescente desconforto pelos movimentos do bebê. Resolveu levantar um pouco imaginando que fosse a posição em que estava, mas se surpreendeu quando sentiu um líquido escorrer por suas pernas.

— Tae, vai chamar o Jungkook! — Pediu, olhando para o chão molhado abaixo de seus pés. — Está na hora do bebê nascer!

Taehyung correu desesperado para chamar Jungkook, que levou Jimin para o hospital, já com fortes contrações.

Jeon Park Heejin veio ao mundo como uma pequena ômega saudável, gordinha e linda, fazendo a alegria de seus pais bobões e de seus parentes que estavam ansiosos para sua chegada.

No quarto, com a filha nos braços, Jimin cantava baixinho, embalando-a com amor. Esperava que a entrada de Jungkook fosse logo aprovada, porque queria muito compartilhar aquela alegria com o homem da sua vida, o que não demorou a acontecer.

— Ela é linda, não é? — Perguntou ao marido, que segurava o bebê nos braços pela primeira vez. — Parece um anjo, Jungkook.

— Sim. — Jungkook disse, sorrindo entre algumas lágrimas emocionadas. — A Hee é o bebê mais lindo desse mundo.

Eles ficaram por um bom tempo ali, acarinhando a ômega pequenina e trocando carinhos. Depois que Heejin pegou no sono, Jungkook a entregou para a enfermeira, que a pôs no berço ali pertinho, e voltou para junto do esposo.

— Estou tão feliz que mal posso acreditar. — Disse, beijando o rosto cansado de Jimin.

— Pois acredite. — Jimin lhe sorriu. — Porque seremos felizes por muito tempo ainda.

Jungkook o aconchegou em seus braços e selou seus lábios.

— Eu já disse, e nunca vou cansar de repetir: Você e Heejin são as melhores coisas que me aconteceram. — Deu outro beijinho. — O meu maior presente.

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado ^-^ <3
Betagem: @Naverland_ e @Dominatrix_021


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