História Meu maior tesouro. - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adoção, Adultério, Amizade, Amor, Frendship, Romance
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Palavras 4.356
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Literatura Feminina, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá espero que gostem.

Capítulo 2 - 2 capitulo


2° Capitulo.

 

 

-Oi, sou eu a Milena, queria avisar que não vou passar na padaria hoje, preciso resolver problemas pessoais, você está responsável pela local hoje Eric então seja cuidadoso, qualquer coisa estou no celular. –Estou sentada no meu carro no estacionamento do escritório em que Marcos  um dos meus melhores amigos trabalha, ele fez direito na mesma faculdade que eu fazia o meu curso de gastronomia, ele e Gustavo estudavam juntos nos dias vagos, acabei me tornando amiga dele também. Ouço batidas no vidro e me assusto um pouco olho para o lado e vejo o lindo homem negro de olhos cor de mel e dentes brancos como em um comercial de pasta de dentes acenando pra eu sair.  –Te ligo depois.

Abro a porta e ele me abraça apertado, ele beija a minha cabeça e esfrega minhas costas. –Ohh fadinha doce, Joana me ligou ontem dizendo que eu não poderia escolher um  lado, mas que provavelmente você viria me procurar. –Aquela desgraçada pensou em tudo.

-Vadia desgraçada, ela rouba meu marido, engravida dele e ainda acha que pode bancar a amiga preocupada, depois que Gustavo me contou ontem, quando eu cheguei em casa ela estava lá, gritando pra quem quisesse ouvir que não foi planejado que simplesmente aconteceu.

-Querida, eu estou aqui pra o que você precisar, vamos entrar e conversar sobre as suas opções, mas estou surpreso, achei que ia aparecer aqui com sede de sangue, planejando a morte deles lentamente, mas você parece calma. –Ele como um homem alto laceia meu pescoço com seu braço direito, minha cabeça bate no seu peito.

-Acho que estou em negação, e passando para a raiva, ontem chorei muito e, até agora  eu não consigo respirar, me sinto náuseas o tempo todo, eu não consigo nem mesmo respirar em casa eu preciso de um lugar pra ficar, minha mãe e irmãos como você sabe não são uma opção ainda, eu estou com vergonha deles e de mim. –Ele para segura meu rosto.

-Mi, não existe razão pra sentir vergonha, não importa o que aconteça... nós sempre vamos apoiar você docinho.

Assim andamos até seu cubículo, não tão cubículo assim, mas quando sento em sua cadeira  confortável sua expressão é outra, o homem doce que me abraçou a minutos atrás se tornou o advogado. –Primeiro Milena, você quer se separar? Muitas mulheres vem aqui dizendo que querem até a alma do marido, mas quando o tempo passa elas perdoam eles, mas meses depois elas voltam mais feridas do que da última vez que vieram.

-Eu sinceramente preciso pensar, são sete anos e não sete dias, eu não sei o que fazer, eu só sei que estou perdida, eu não consigo chorar, por mais dor que eu sinta, ainda quero que seja apenas um pesadelo, mas o que eu tenho certeza é que quero saber minhas opções. –Digo apertando meus olhos que estão ardendo.

-Claro, vamos as suas opções... a primeira é que se optar pela separação eu vou comunicar ao Gustavo o seu desejo e seus termos, após entregar a intimação para comparecer à audiência de conciliação, depois conversaremos sobre a partilha bens em uma outra audiência.

Isso é definitivo né...

-Bem, quando eu chegar vou comunicar a Gustavo que estou saindo de casa, não sei pra onde eu vou mais lá eu não quero passar nem mais uma noite, aquela rua está cheia de lobas bisbilhoteiras querendo assistir minha desgraça...

-Em relação de onde não ter onde ficar pode ficar em um dos meus apartamentos, eu atualmente estou na casa da Jessica, então meu apartamento está fechado, eu ia colocar ele pra alugar, claro que se você quiser ficar em outro lugar ...

-Não! Eu quero, mas vou pagar o aluguel pra você... claro que lembre-se eu sou só uma cozinheira que está se divorciando;... –Digo com um sorriso sem graça e amarga.

-Oh querida, dinheiro é algo pra se discutir depois, você pode me pagar com seus doces e café sempre que eu for ao seu estabelecimento! –Ele sorri malicioso, como um bom advogado ele vê vantagem em tudo. –Agora voltando a assuntos sérios, quando pretende ir? Eu tenho que pedir a diarista pra dar uma geral lá e..

-Não precisa disso, amanhã no final do dia eu me mudo, eu dou uma geral lá e arrumo tudo, descobri recentemente que estou com tempo de sobra. –Meu tom irônico e amargo o faz sorrir constrangido. –Não me olhe assim, não você, vou precisar de uma pessoa fria e calculista nesse momento, já basta o escândalo que estou prevendo quando minha família vai fazer, sem contar que as irmãs dele nunca gostaram muito de mim e eu espero muitas alfinetadas.

-Milena, eu sinceramente sinto muito por isso estar acontecendo logo com você, eu sempre acreditei que seu casamento era uma meta para todos os casais, se quiser encher a cara eu estou aqui. –Ele se levanta e me abraça forte com carinho.

-Eu ainda acho que vou chegar em casa em vão estar todos lá dizendo que foi uma brincadeira de mau gosto. –Eu rio sem vontade, dou de ombros e ele beija minha testa novamente.

-Quer saber Milena, ele não sabe o que perdeu minha querida, vou te dar uma dica Mi, concentre toda a sua atenção ao trabalho ou algo que você nunca pode fazer antes, gaste suas energias em coisas construtivas, vejo muitas mulheres caírem em depressão, se largaram e, perderem a saúde, então se cuide querida. –Dou um sorriso social para ele e abro a porta para sair.

 

Já dentro do meu carro vejo que deixei o aqui dentro, desbloqueio ele para ver as ligações e de Gustavo tem umas vinte e da minha irmã mais venha tem mais umas vinte também, espero que ela tenha ido lá em casa, ela provavelmente vai discutir com Gustavo.

Ligo para ela e de imediato ela atende. –Milena você está aonde? Passei um tempão tentando te ligar, liguei até para a padaria pra saber de você e soube que teve problemas pessoais, também  está rolado uma fofoca no grupo dizendo que Gustavo te botou um chifre e que a cadela ainda está gravida, é sério isso? –Ela é um pouco escandalosa, mas sinto seu nervosismo.

-Oi pra você também Andreia, eu estou bem também. –Aperto meus olhos com as pontas dos dedos, eu sei que ela vai pirar quando eu confirmar e ainda dizer que é a “cadela”. –E sim, ele me traiu e a mulher é a Juana.

-Mas que puta! –Berra com força no meu ouvido. –Como assim ela fez isso com você, logo com você? E ela está mesmo  gravida? Agora eu sei porque aquele banana do Gustavo não estava atendendo minhas ligações, mais que desgraçados! E você meu bem, quer que eu vá na sua casa e busque suas coisas?

-Ainda não caiu a ficha, eu não consigo nem mesmo gritar com ele, mas por favor não se envolva, não ligue para ele, eu estou no escritório de Marcos, ele vai me orientar sobre as minhas opções e, eu não vou pra sua casa querida ... já tenho onde ficar e..

-Como assim? Você vai sim morar comigo e o Lucas vai entender, se não quer vir porque acha que vai atrapalhar..  –Eu a interrompo antes que ela me enlouqueça.

-Meu amor, eu não quero ver nem conviver com ninguém agora, eu descobri tudo ontem e ainda não caiu a fixa, eu preciso de um lugar pra eu lamber minha feridas, você entende? –Um fato muito importante sobre mim e minha família, nós não choramos na frente dos outros, mas choramos quando estamos juntos, qualquer coisa que me acontecer e eu contar pra qualquer um dos meus irmãos eu vou chorar, chorar ao contar, chorar ao ouvir alguém contando... e é exatamente o que eu estou fazendo agora. –Por favor Andy, eu não quero escândalos.

Ela respira fundo, sei que ela está chorando também. –Ok, mas não hesite em me procurar.

-Não vou, obrigada, eu vou passar na padaria pra ver como o Eric está lidando com as coisas, depois nos falamos.  –E logo após terminar a ligação, o celular toca novamente quando estou dirigindo, no visor vejo nossa foto brilhando na tela, mas não vou atender.

 

***

O dia foi penoso, doloroso, e eu amei cada segundo que eu passei concertando as besteiras que Eric fez, ele se atrapalhou todo com as encomendas, com os pães, com a entrega de leite e os outros fornecedores que vinham hoje, porque só assim tirei eles da minha cabeça, mas meus momentos de paz foram pra o inferno ao chegar em casa em ver eles mais uma vez no portão discutindo, desligo os faróis e eles olham para mim, eu saio do carro e ela está chorando, minha vontade é dar na cara dela.

-Mila eu.. –Antes que ela diga alguma coisa, eu passo reto por ela e fico de frente pra Gustavo.

-Quando eu me mudar daqui ela pode vir quando quiser, mas até lá, mantenha a mãe do seu filho longe. –Ele está sem reação, ainda está com a pasta e papeis nas mãos, pelo visto acabou de chegar, ela devi ter esperado aqui fora.

-Eu.. eu disse pra ela não vir, eu não quero te ofender mais... Mas ela é sua amiga e.... –Ele segura meu braço e cospe essa porra para mim, não somos amigas, suponho que nunca fomos.

Eu rio diante da sua frase brilhante, e ela segura meu braço e eu puxo de supetão. –Milena pelo amor de Deus me ouvi ok?! Eu não queria isso!

-Juana, eu só não esquartejo você com as facas que me deu de presente, porque você está gravida e essa criança não tem culpa do erro de vocês, eu estou tentando ser uma pessoa paciente, eu só quero que você pegue a sua insignificância e falsidade e sumam da minha vista, eu arrancaria os seus olhos... mas quero que você vejo o que escolheu para o seu futuro...  –Eu me viro pra entrar em casa e deixo eles lá.

Jogo a chave do carro e a da casa em cima da mesa do telefone que fica perto da porta, tiro meus sapatos deixando ao lado do sofá, vou para a cozinha pegar um copo com água pra ajudar a engolir o nó na minha garganta, como ela ousa vir até mim?! Eu estou tão nervosa e essa dor no peito me sufoca novamente, minha esperança que tudo fosse apenas um pesadelo se foi quando eu vi o desespero nos olhos dele ao me ver chegar e achar ela ali, ouço algo estourar e me dou conta que segurei com tanta força o copo que o quebrei.

-Oh .. humm, droga, merda! –Vou até a pia e coloco minha mão em baixo da torneira e ligo, arde um pouco a pele e sinto minha pressão cair por ver a quantidade de sangue que sai, acho que o caco grande foi fundo de mais, respiro curto e com a coragem que eu não tenho eu puxo o resto do copo do corte, então mais sangue sai. –Mas que merda!

-Meu Deus Milena, o que aconteceu? –Gustavo vem urgente ao meu lado com um pano de prato, ele aperta minha mão para estancar o sangue. – Fala logo  o que aconteceu, nossa acho que vai ter que levar ponto, pega sua bolsa e vai para o carro..

-Eu estou bem Tavinho... apenas ..-Ele me olha com aquela cara de quem está sem paciência, eu não quero discutir.. droga. –Ok, então vamos está doendo.

Ele solta o ar pelas narinas e larga as minhas mãos, então andamos juntos pela casa ele pega as chaves na mesa, seguimos  em direção ao carro, o caminho para a clínica particular Nova Aliança é silencioso, é raro esse momento entre nós, somos falante e escandalosos, era gostoso até quando falávamos merda ou amenidades do dia a dia, mas estamos em silencio e arde quando puxo o ar pelos pulmões.  –É estranho isso né? –Sua voz me tira dos meus devaneios, desvio minha atenção da mão ferida para olha-lo, seus olhos estão atentos a estrada, mas a uma tensão entre suas sobrancelhas  uma veia que salta ao lado da sua testa. –Onde você esteve o dia inteiro, eu te liguei umas mil vezes...

-Antes de ir trabalhar precisava conversar com algum amigo, não podia falar com minha família já que eu tenho que aparecer com a situação resolvida, então fui ver o Marcos. –Ele aperta o volante, eu sei que ele sabe o que isso significa.

-Então foi falar com o nosso único amigo advogado? –Gustavo bufa pelas narinas e, solta uma risada irônica. –Aposto que ele devi ter adorado ouvir que está querendo me deixar.

Olho incrédula para ele, ciúmes? Serio? –Não sei de onde você tirou que Marcos ficaria feliz por isso? Marcos foi nosso padrinho de casamento!

-E antes disso ele era afim de você, até parece que nunca percebeu? –Sua voz sai amarga e dura. –Mas, e o que mais fez no resto do dia que não deu pra você me atender?

Queria dizer que fiz uma orgia, mas acho que não tenho saco para humor negro agora. –Apenas trabalhei como se não houvesse um amanhã, Eric fez besteira e eu tive que concertar.

-Não custava me atender? –Ele realmente quer e ver explodir, mas não vou dar o prazer de me ver cair em tentação

-E o que você andava fazendo que ignorava minhas mensagens e ligações nesses últimos meses? –ele desvia a sua atenção da rua por breves momentos surpreso, depois se cala, acho que ele entendeu o meu ponto.

-Eu fiquei preocupado apenas isso.. –Depois dessas cinco palavras o silencio volta a reinar no restante do trajeto.

A clínica estava com apenas algumas pessoas esperando na emergência, ele fez sinal para eu me sentar enquanto ele ia na recepção fazer minha fixa, espero que seja rápido dessa vez já estou me sentindo um pouco tonta, engraçado como está silencioso aqui? E um pouco escuro, fecho meus olhos pra poder escutar melhor e ..

-Mi? Milena? –Abro meus olhos e a luz forte me faz fechar os olhos de imediato. –Oh! Doutor! Ela acordou.

-O que aconteceu? Que luz é essa? –Coloco a mão no rosto e sinto a textura da gaze na pele, olho direito pra minha mão e ela está enfaixada.

-Sua preção estava muito baixa, você comeu alguma coisa hoje senhora Gomes? –Olho para o médico que tinha quase uns trinta e poucos anos, ele estava um tanto desorganizado com o jaleco sujo de sangue o que e assustou um pouco, ele parecia um açougueiro. –Não ligue para isso, eu acabei de atender um casal que sofreu acidente de carro, sua mão foi suturada o corte foi profundo e, ainda havia um resquícios de vidro do copo.

-Obrigada, eu segurei aquele copo com muita força. –Sorrio sem graça, ele fica meio surpreso pela minha confissão, mas Gustavo fecha a cara.

-Não me respondeu se comeu senhora Gamos. –Ele coloca uma luz nos meus olhos, eu sigo com os olhos e depois anota umas coisas em uma prancheta, eu não me alimentei, passei tanto estresse hoje que não sentei apara comer.

-Se um suco e uma coxinha contar como almoço... –Ele volta a anotar com um sorriso ladino no rosto. –O senhor pode para de me chamar de senhora? Temos a mesma idade e estou me sentindo ridícula de ter desmaiado.

Ele sorri ainda mais e não diz nada, Gustavo apenas observa e não diz nada, mas ainda e olha com  a mesma cara de insatisfação quando ele acha que estou flertando, o que  possivelmente estou fazendo. –Cozinheira é você mesmo?

Aquela voz era inconfundível, era o meu médico favorito, Dr. Jorge, ele vinha com a sua barba densa e careca lustrosa, estava mais magro que da última vez que o vimos, ele e meu ginecologistas que e deram a notícia sobre minha esterilidade. –Leôncio !

-Oras sua menina traquina, se cortou novamente na cozinha criança? –Ele analisa minha mão e ri achando que voltei ao velhos costumes de errar com a faca, mas agora eu tenho pratica.

-Não, eu só não medi minha força que estava usando para segurar o copo, mas porque não me atendeu? Sei que pega os plantões noturnos na emergência. –Ele coça a cabeça e franze a testa.

-Desculpa querida, estou clinicando ultimamente não estou mais na emergência, estou focado em pesquisa e outras coisas, mas o Douglas aqui é um ótimo interno. –Ele bate com a palma da mão nas costas do jovem medico,  que  o deixa um pouco encabulado, Dr. Jorge olha para o lado e finalmente se dá conta de Gustavo. –Oh rapaz!

Ele oferece a mão para que a aperte. –Como vai Doutor?

-Bem meu rapaz, olhe ai Douglas, o casal mais engraçado do mundo, ela vinha quase todos os dias com cortes e queimaduras, quase chamei a polícia achando que era violência doméstica, quando toquei nesse assunto com ela, a menina se acabou de rir da minha cara, depois me explicou que estava trabalhando e um restaurante e que estava se acostumando com as facas da cozinha, no dia seguinte ela me trouce uma lasanha para provar que era uma Chef. –Ele conta empolgado, sinto vontade de chorar por ter que esclarecer que estamos nos separando. –O que foi querida? Sua mão está doendo?

-É.. É isso mesmo, estou meio esgotada também sabe?! Eu vou abri uma padaria recentemente e, tem sido uma loucura. –Esfrego meus olhos me recompondo, Gustavo se aproxima para me abraçar e congelo, eu estou cada vez mais distante dele como nunca estive. –Hum.. quando vou poder ir Dr. Douglas?   

-Milena como você teve uma  queda de preção e não se alimentou vou passar duas bolsa de soro e, um antibiótico para caso você sinta dor, quando acabar está liberada para ir, uma enfermeira vai informar a vocês, agora se me dão licença eu tenho que trocar de roupa e ver os outros pacientes. –Ele me dá um sorriso e apertar a mão de Dr. Jorge, mas para na porta e se vira para nós com uma cara de interrogação. –Hum... É o motivo pelo qual você chamou o Dr. Jorge de Leôncio mais cedo é por causo do desenho do Pica-Pau né? Ou estou errado? 

Todos rimos, menos Jorge que achou que isso ia passar batido, mas não poderia deixar de fazer esse apelido colar, e é a primeira vez eu rio desde ontem. –E diga se ele não parece com uma Morsa?

O meu médico sai deixando nos três sozinhos, mas o clima morreu e o silencio se instaurou, Jorge olha para nos dois medindo nosso entrosamento, só cego para não ver como estamos distantes. –É... Mi, eu vou ver um café e ir ao banheiro... Doutor é sempre bom revê-lo. –Meu quase ex-marido nos deixa e, finalmente posso ver os curiosos de Jorge sobre mim.

-Essa situação não é natural de vocês e, esquecer de comer não é um costume seu também, o que aconteceu entre vocês minha querida? –Ele segura minha mão de forma carinhosa, ele é um amigo que encontrei em um momento difícil, mas nossos problemas não merece mais plateia do que já tem. –Milena se é algo tão sério assim é melhor manter pra si até que as coisas estejam definidas, mas tem meu ombro querida, só te digo que existe sempre um lado com para algumas tragédias que acontecem em nossas vida, você vai superar, vocês vão! 

-Eu ... é um assunto que até agora espero que seja mentira, a única coisa que eu posso falar é que ele partiu meu coração e não vejo meios ou modos de se  colar o que sobrou.

Ele aperta a minha mão de forma reconfortante e suspira forte delas suas narinas redondas. –Sem é mais escuro antes do amanhecer minha querida, espero que vocês se resolvam, agora tenho que ir, minha senhora já devi estar me xingando até a última geração, qualquer dia passo pra comer um bolo na sua padaria. –Ele se levanta e me beija as bochechas. –Fica bem querida, tudo vai dar certo.

Eu apenas seguro minha vontade de chorar e dou um sorriso social, ele vai embora e me deixa ali com meus fatos, eu sinceramente não vejo como posso perdoar isso, eu o coloquei em um pedestal como um santo, fecho meus olhos que ardem, mas o que o tenho represado em mim desde ontem enfim me atinge, a solidão, a vergonha que vou ter que enfrentar ao ter que contar a todas  tudo começa por lagrimas que escorrem incessantemente, esfrego as mãos nos olhos para parar, porém não adianta elas apenas caem e eu desisto de resistir e choro mais.

Sinto dor de cabeça ao abrir meus olhos, acho que acabei dormindo de tanto chorar, mas a dor que eu tinha no meu peito finalmente diminuiu, meus olhos esquadrinham os outros leitos na emergência e estão vazios,  olho para o meu braço e vejo que o fio do soro já está puxando o meu sangue, pondero se seria muito ruim eu puxar eu mesma a agulha do meu braço, mas ouço passas e levanto  o meu rosto e vejo uma moça novinha vestida de branco acompanhada de Gustavo, ele está abatido, trabalhou o dia inteiro e uma hora dessas ele estaria no sofá dormindo enquanto eu vejo novela, a mocinha sorri de leve para mim e entrega o papel para Gustavo e, se vira para mim. –Olá vou tirar a intravenosa e você já pode ir.  –Ela tem olhos juntos e escuros, pintas no nariz pequeno e lábios finos, devi ter apenas vinte anos.

-Obrigada, estava quase entrando em pânico, ia tirar eu mesmo. –Digo com alguma graça, ela me acompanha no sorriso, ela tira a agulha e coloco um curativo redondo.

-Daqui a quinze dias volte para olhar a cicatrização e ver se podemos retirar os pontos, na sua receita foi incluído uma pomada pra ajudar na cicatrização.

Ela diz sem olhar nos meus olhos e assinando uns papais e saindo logo em seguida, acho que ela não é muito de interação. –Milena vamos, você tem que comer e descansar. –Gustavo diz de forma baixa e calma, mas não menos triste.

-Ok, vamos porque estou mesmo cansada desse cheiro de éter, me lembra sua tia Valdira, ela sempre vinha com esse cheiro do turno dela no hospital.

Ele sorri lembrando da tia que era um pé no saco, falava sempre dos plantões que pegava na época antes de se aposentar como enfermeira, sempre falando sobre feridas e mortes, e isso sempre quando estávamos comendo, perdi muito peso quando namorava Gustavo. –Sim, lembra mesmo ela.

Já nos estacionamento da clínica ele abri a porta para mim e, depois ele senta ao meu lado e puxa meu sinto, depois liga o som e uma música suave toca baixo tirando um pouco do clima desconcertante, a música era sobre um homem que diz que talvez ser mortal seja um presente, que se vivêssemos para sempre talvez não daríamos valor ao amor, que não teríamos a necessidade de conservar o relacionamento e que o amor ia acabar, Gustavo solta uma risada sem qualquer graça, quase amarga. –Acho que talvez esse seja o motivo eu ter errado tanto com você, nunca cogitei a possibilidade que um dia sairia da minha vida, tratei nosso casamento como algo que sempre estaria acima das coisas ruins e que nunca elas chegariam a nossa porta.

-Eu sei que você me ama, posso ver isso ... –Mas ele me interrompe, dizendo o obvio.

-Mas você quer o divórcio e, que vai sair de casa amanhã... É, eu sei, quando eu voltei para o quarto você estava dormindo, seu celular estava tocado e era o Marcos, ele acabou falando comigo. –Ele esfrega a barba rala, impaciente depois os olhos.

-Eu ia falar com você quando eu cheguei, mas acabei e deparando com ela lá... mas sim, já não podemos tratar isso como uma simples briga, foram dois anos de traição, se coloque no meu lugar Gustavo, você seria capaz de me perdoar? Aceitar que um filho que não é seu sendo que você não poderia realizar o meu sonho de ser mãe? Você aguentaria saber que eu me entreguei a outro? –Ele esfrega a mão na barba rala, depois os olhos e para o carro no encostamento, ele encosta a cabeça no volante, aposto que ele só pensou no meu lado agora. –Você nunca pensou em como eu poderia me sentir, mas sair de casa é o melhor que eu poderia fazer por nós dois..

-Como isso pode ser bom? –Ele vira para incrédulo.

-Porque eu não quero te odiar mais do que eu odeio nesse momento, se eu ficar possivelmente vou perdoar tentar seguir em frente, mas nunca mais vou confiar na sua palavra, vou te que engolir a presença de Juana em nossas vidas, eu  estou ferida, cansada, esgotada de ser forte, apenas me deixe ir ... –Seguro sua mão em suplica.

-Eu não quero que vá ... –Ele beija minha mão, junta as sobrancelhas e aperta os olhos.

-Mas eu não quero mais ficar com você. –Solto a sua mão e olho para frente.

Ele não diz mais nada, apenas arranca com o carro, voltamos no mais completo silencio, quando chegamos em casa tudo está diferente entre nós, não  existem mais dúvidas em mim, existe mais o que falar, o que torna tudo mais desconfortável, quando tomo o rumo do quarto sinto sua mão forte puxar meu braço para ele, essa atitude me assusta.

–Eu não posso aceitar... – Seus olhos estão cheios significado, entretanto intensos, eu ia falar alguma coisa, mas seu lábios cobrem os meus de forma intensa, mas não sinto nada, a magia que existia se foi, movimento os lábios o acompanhando sem vontade, ele para e olha para mim. – Diga que me ama! Não precisa dizer que me perdoa, apenas diga que me ama, podemos fazer terapia, vou passar o resto de nossas vidas me redimindo.. mas não vá...

-Eu amo você, mas não confio no seu amor e lealdade a mim..,


Notas Finais


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