1. Spirit Fanfics >
  2. Meu Mecânico Indecente - Sprousehart >
  3. Chapter 14

História Meu Mecânico Indecente - Sprousehart - Capítulo 14


Escrita por:


Notas do Autor


Boa leitura <3

Capítulo 14 - Chapter 14



                                LILI REINHART


Se tequila fizesse bem para a saúde, ela seria vendida na farmácia. Só que, se tem uma coisa que sei, é que tequila emagrece. Acho que de tanto vomitar depois do porre. Infelizmente, não sou como algumas pessoas que sofrem de APT — amnésia pós-tequila. Eu me lembro de tudo que fiz, como fiz e o porquê de ter feito. Ou seja, estou envergonhada até a alma.

Que diabos estava pensando quando resolvi me esfregar no mecânico? Sério! Sim, ele é lindo. Sim, ele é um tesão. Sim, ele tem um pinto que promete me fazer esquecer meu nome. Só que, apesar desses excelentes argumentos, não posso, nem devo, me envolver com ele. Ponto. Preciso me lembrar de ser difícil quando ele está perto.

Quando eu estou sozinha, meu plano é perfeito. Eu sou uma mulher forte e determinada, por isso, resistir às ferramentas do mecânico é fácil, e me fazer de difícil é mais fácil ainda. Afinal, eu sou difícil. Não tenho o hábito de sair por aí ficando com qualquer um. Só quando eu vejo alguém que realmente me interessa. Aí eu vou sem medo. Mas não sou daquelas que se deixa ser usada por qualquer babaca que acha que tem um pau de ouro.

Mas tem alguma coisa nesse mecânico que faz com que meu cérebro pare de funcionar da maneira certa. Merda!

Recosto-me na cama e tento pensar no que fazer a seguir. Uma coisa é certa: eu não vou transar com o mecânico. Chega de ser fraca. Chegar de ser dominada pela libido. Não importa quantas doses de tequila eu tome, sexo com Cole está fora de cogitação.

Decido tomar um banho e me deixar apresentável antes que o veja novamente. Afinal, ele ainda vai pagar caro por ter tentado (e não conseguiu, não mesmo) me deixar com ciúmes com a tal “namorada”.

Quando me levanto, noto que estou nua e outra imagem vem à mente: eu e Cole, dentro do box minúsculo, ele me lavando e eu tentando me esfregar nele. Muito bem, Sissi, mais um motivo para se sentir espetacularmente estúpida nesta bela manhã de segunda-feira.

Mas, se você está no inferno, então abraça o capeta. Segundas-feiras podem ser conhecidas como dias horrendos por ser o primeiro depois do fim de semana, mas hoje ela representa um recomeço. Isso aí.

Tomo um banho demorado, faço todo meu ritual de beleza e me visto com um shorts bem curto e uma camiseta vermelha, que combina com meu All Star. Deixo meus cabelos soltos e aplico um pouquinho de maquiagem, só para tirar o ar de zumbi. Porém, quando desço as escadas, não encontro o mecânico em lugar nenhum.

— Cole — chamo, esperando que a resposta venha de algum canto, mas apenas o silêncio preenche a sala.

Vou até a cozinha e, para meu espanto, vejo um bilhete em cima da bancada. Ao lado dele, um copo de suco de laranja e um sanduíche de queijo e presunto.

Balanço a cabeça em negativa, mas um sorriso toma meus lábios. Para um babaca egocêntrico, ele consegue ser bem atencioso.


Loirinha, 

Fui para a oficina. Se precisar de alguma coisa, estarei lá até o fim da tarde.

  Por favor, tente não beber todos os destilados da casa. Não estou com vontade de te ver inconsciente mais uma vez. Prefiro você sóbria. 


Até mais tarde, Mecânico Indecente.


P.s.: pelo visto, já estamos na fase de dar apelidos carinhosos. Daqui pra frente, vou te chamar de loirinha safada.


Não posso deixar de rir com a mensagem dele. Que babaca… Dou um gole no suco e uma mordida no sanduíche. Apesar da ressaca, estou morrendo de fome.

Pela primeira vez em anos, tenho um dia sem absolutamente nada para fazer. A sensação é estranha. Termino o café da manhã com calma e vou atrás do meu celular, que deve estar perdido em algum lugar da casa. Quando eu o encontro misteriosamente embaixo da cama, vejo que tenho inúmeras mensagens, tanto nas redes sociais quanto no aplicativo de mensagens.


Be: Cadê você, gracinha? Tá tudo bem?


Cams: Já chegamos em casa e a viagem foi tranquila. Conseguiu um quarto?


Cams: Sissi, responde!


Cams: Sissi, se você não me responder, vou ter que largar meu namorado gostoso e ir aí te buscar. Pense no meu mau humor.


Nessa: Manda um sinal de fumaça. Preciso saber se está tudo bem com você.


Mads: Já achou alguém interessante na cidade? Como são os homens locais? Quero detalhes!


Fico emocionada com a preocupação das meninas. E rio das perguntas da Mads. Não sei o que faria sem elas na minha vida. Não as vejo há vinte e quatro horas e já estou com saudade.

Respondo cada uma delas, avisando que está tudo bem e que estou na casa do Cole. Mando meu endereço para Nessa, só por precaução. Além das mensagens dela, tem mais uma que preciso ver.


Número Desconhecido: O encontro de ontem foi maravilhoso. Mal posso esperar para te ver novamente.

Esta última deve ser do Roberto. Só pode. Sinto vontade de rir ao ver que ele quer sair de novo. Imagina só… Nem se ele fosse o último cara do planeta e a perpetuação da espécie dependesse de nós. Sério. Melhor entrar em extinção do que aturar aquele zé mané por mais uma noite.

Depois do aplicativo, checo as redes sociais. Uma foto minha de ontem à noite já teve mais de quinhentas curtidas. Claro que é a foto de quando estou em cima do banco, perguntando se alguém queria me dar orgasmos. É óbvio que tiraram uma foto. Não sei como, mas descobriram meu nome e me marcaram. Excelente.

No direct, tenho uma mensagem de Kj.


"Adorei te conhecer. Apesar de o fim da noite ter sido, no mínimo, interessante, acredito que podemos nos tornar bons amigos. Que tal almoçarmos juntos algum dia dessa semana?"

Realmente, Kj é um cara bem legal. Ter conhecido a ele e seus amigos foi, sem dúvida, um dos melhores momentos da noite. Eles são engraçados e têm um papo legal. Não sei se estou pronta para novas amizades, e nem quero que Kj confunda as coisas. Por isso, em vez de aceitar de cara, respondo a mensagem, dizendo que, assim que der, aviso e combinamos alguma coisa. Bem vago. Não é um sim e nem um não. Ele manda um coraçãozinho, que, no Instagram, quer dizer várias coisas: ok, obrigada, tudo bem, beijos…

Ligo a televisão da sala, à procura de alguma coisa para ver. Passo por todos os quinhentos canais e não encontro nada remotamente interessante.


Meu olhar se volta para o bilhete que Cole me deixou mais cedo. Ele disse que, se eu precisasse de alguma coisa, poderia ir para lá. Eu estou, de fato, precisando de alguma coisa — e essa coisa se chama “entretenimento”. Para mim, é um mistério quando as pessoas conseguem simplesmente fazer nada. Estou há meia hora aqui e já não aguento mais. Estou a ponto de explodir de tanto tédio. Se isso não é uma emergência, então não sei o que é.

Subo correndo para o quarto, enfio algumas notas dentro da carteira plástica que protege minha identidade, coloco no bolso, junto do meu celular, e saio porta afora. Não faço a mínima ideia de onde seja a oficina dele, mas Vale da Esperança é menor que um ovo de codorna. Com certeza, alguém vai me ajudar. Pergunto para a primeira senhorinha que vejo que, com um sorriso no rosto, me aponta na direção certa. Ela diz que fica a menos de dez minutos a pé. Ótimo. Bom que eu conheço um pouco da cidadezinha.

Como é segunda-feira, o comércio está aberto. Pessoas entram e saem das lojas, pessoas caminham com sacolas nas mãos, homens e mulheres conversam e cumprimentam uns aos outros. É a típica vida na cidade pequena. O que mais me encanta aqui é o fato de não ter sinais de trânsito e, para o meu total e completo espanto, os carros param para as pessoas atravessarem a rua na faixa de pedestres. Paro em todas as faixas que vejo pelo caminho, só para poder atravessar a rua e ter certeza de que ninguém irá me atropelar. É o milagre da vida no interior.

O sol está forte, mas a caminhada é agradável. O ar aqui é mais puro. Mesmo sendo um perímetro urbano, não há aquela barulheira de carros e buzinas. Eu poderia me acostumar a viver em um lugar assim.

Minha mente conjura a ideia. Eu, caminhando com meus dois filhos em direção à escola, cumprimentando a dona Fulaninha, esposa do seu Não-sei-o-que-das-quantas. O filho número um pede um picolé, enquanto o filho número dois prefere um pirulito. Como sou uma mãe exemplar, digo não aos dois e prometo que terão berinjela recheada no jantar. Eles vibram de felicidade. Quando eu penso no pai das crianças, que prometeu me encontrar para uma rapidinha no meio da tarde, a imagem do mecânico me vem à mente. Bruscamente, eu paro de andar e acabo esbarrando em alguém.

— Ei, olhe por onde anda! — a mulher diz, ralhando comigo.

Eu murmuro um “desculpa”, mas permaneço parada no mesmo lugar. Tenho que parar de pensar no mecânico como qualquer coisa que não um doador de orgasmos. Ou um nada. Acho que nada é melhor. Por mais que orgasmos sejam deliciosos, me sentir humilhada depois não compensa.

Eu sou difícil. Eu sou a mulher mais difícil do mundo. Eu sou completamente inacessível. Repetirei isso para mim mesma quantas vezes forem necessárias.

Determinada a ser difícil, passo na sorveteria e compro duas casquinhas. Uma para mim e outra para Cole, que está na oficina do outro lado da rua. Para minha felicidade, há uma faixa de pedestre bem perto de onde estou. Não me canso de atravessar a rua. É algo libertador não ter que esperar a luz vermelha acender, e mesmo assim correr risco de ser atropelada por alguém que gosta de avançar o sinal.

A oficina é… Bem, uma oficina. Cheia de ferramentas, carros, sujeira e muitas coisas que não faço a mínima ideia para que servem.

— Cole — chamo o nome dele. À minha esquerda, escuto um bang de alguma coisa batendo na lataria.

— Puta que pariu! — ele grita e não consigo segurar o riso.

Para o meu total desespero, eu me viro e vejo Cole saindo de baixo de um carro. Ele está deitado sob um skate, ou algo do tipo. Quando se levanta, vejo que está sem camisa, suado, sujo de graxa e completamente irresistível.


Todos aqueles músculos definidos estão à mostra, ainda mais evidentes por estarem brilhando. Diferente de muitos caras com quem eu fiquei, Cole é homem. Homem mesmo. Ele tem pelo no peito — não muito, mas o suficiente para arranhar enquanto estiver em cima de mim. Ele limpa o suor da testa e eu juro que vejo tudo em câmera lenta. Minha garganta está seca, minhas mãos tremem e minha amiguinha lá embaixo está desesperada para saber como é ter um homem como ele me dando prazer.

— O que você está fazendo aqui? — ele pergunta, me olhando de cima a baixo.

Eu demoro um pouco a responder. Meu cérebro parece ter entrado em curto circuito com a visão à minha frente.

— Loirinha?

— Oi? — Sacudo a cabeça, tentando afastar pensamentos pecaminosos.

— O que você veio fazer aqui? — Não posso deixar de notar o sorriso safado que ele tem nos lábios

— Eu estava entediada, então resolvi passear pela cidade. Daí vi sua oficina e pensei que podia te trazer um sorvete — eu digo e estendo uma casquinha para ele.

Claro que omito o fato de que eu saí de casa com a intenção de vir aqui e, inclusive, perguntei sobre onde era.

Cole caminha na minha direção, todo aquele corpo feito para o pecado parece uma sirene que berra Siiiiissi, Siiiiiissi, Siiiiiiissi. Quando ele está quase pegando o sorvete, puxo minha mão para trás. 


— Se você pudesse ser um super-herói por um dia, quem você escolheria: Batman ou Thor?



Notas Finais


"Eu sou difícil", palavras da Sissi/Lili.
Até quando ....


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...