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História Meu Melhor Amigo - Capítulo 1


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Notas do Autor


Ola eu sou o ******** mas podem me chamar de Maskeed, escrevo histórias e as posto aqui por diversão, espero que gostem. Todos os personagens, universo e etc. São originais meus.

Capítulo 1 - Capitulo: Separados injustamente


Fanfic / Fanfiction Meu Melhor Amigo - Capítulo 1 - Capitulo: Separados injustamente

Não faz muito tempo que meu mundo deixou de ser colorido, chega até ser engraçado (para não dizer trágico) o fato de uma briga besta de adultos conseguir destruir o mundo de uma criança. Sim, eu fui vítima de uma dessas brigas.

Não que meus pais tenham sido ruins para mim, muito pelo contrário, foram excelentes pais e muito bons para mim, estavam apenas tentando me proteger de algo que para ser sincera, não era perigoso, apenas um preconceito que foi formado de forma errada em suas mentes.

Meu nome é Miatriz Escudo Vermelho, sou uma jovem humana, assim como os outros de minha raça não enfrento muitas dificuldades, pois contrário dos “condenados”, que são as raças julgadas pela igreja como pecadoras e hereges eu não preciso me esconder ou me envergonhar de minha existência. Ter que se esconder dos olhares alheios é a realidade de outros povos principalmente da raça mais caçada, os Astrora. Podem muitas vezes por sua aparência bela serem confundidos com anjos, mas são criaturas tão distantes deles quanto os próprios demônios, suas características são pele muito clara, como se fosse porcelana, olhos e cabelos claros que podem variar de cor, desde o castanho claro até o loiro absoluto, até ai estou descrevendo um anjo certo? Sim, inclusive o formato das asas, o que os diferencia são os olhos, pois suas pupilas possuem o formato das de uma besta demoníaca, o que faz contraste com sua aparência “angelical”, por ser a primeira raça a surgir e dominar o planeta ninguém sabe ao certo de onde vieram.

São atualmente uma raça minoritária, por serem caçados e queimados é muito raro encontrar um hoje em dia, porque grande parte deles se escondem para preservar suas próprias vidas. Dorian Drackmar é um deles, meu querido amigo de infância pode até ser considerado um Astrora muito sortudo, pois apesar do preconceito sua família conseguiu prestigio, defendendo nosso reino da guerra que se levantou nos últimos anos, contra os reinos do norte, seu pai ganhou posição de destaque no exército como feiticeiro da corte e de ser um excelente combatente, sua bravura colocou um fim aos ataques que eram feitos ao nosso país, salvando a vida de nosso povo e rei, nos tornando vitoriosos.

Com o fim da guerra se mudaram para minha cidade natal, um pequeno vilarejo no interior com poucos habitantes, pois apesar de tamanho poder e fama ainda eram alvo de discriminação, por isso preferiram um lugar tranquilo, onde isso poderia ser minimizado o máximo possível, adquiriram o casarão ao lado de onde eu vivia.

Mesmo com a recente mudança deles para a vizinhança uma rivalidade entre nossas famílias se desenvolveu de forma rápida, conforme os anos a rixa entre nossas famílias era conhecida e declarada, apesar de meus pais tentarem manter a política da boa vizinhança os embates verbais entre nossas famílias eram recorrentes, por eles, poderiam ficar a vida inteira sem olhar no rosto dos Drackmar.

 Neste contexto caótico eu me encontrava todas as tardes, indo até o muro que separava nossas casas para trocar cartas dobradas em aviõezinhos de papel por cima do muro, era o único meio que encontrei para brincar com Dorian, não hesito em dizer que ele foi meu primeiro amor, mesmo sem ver seu rosto suas cartas me encantavam, éramos muito pequenos mas Dorian sempre soube como usar as palavras, já seus desenhos eram verdadeiras obras de arte, usava e abusava das cores e formas para expressar como via a realidade.

Nossas brincadeiras de fim de tarde no jardim duraram até nossos dez anos, infelizmente esses momentos de felicidade não voltarão mais, no dia do meu aniversário meu pai encontrou as cartas e descobriu de nossas brincadeiras, queimou tudo que ele havia me dado e enfrentou os Drackmar pessoalmente, os acusou de bruxaria, de me mandar maldições pelas cartas que seriam a possível causa de minhas doenças, essa última parte, deles serem os culpados por minhas enfermidades quero até hoje acreditar cegamente que eram mentiras de ódio proferidas da boca de meu querido pai.

 Com a honra arruinada eles se viram obrigados a se mudar, abandonando completamente a cidade e a vida que haviam construído aqui, me deixando sem nenhuma lembrança de Dorian a não ser a velha casa onde viviam, que já está ocupada por outra família cujo os filhos também fiz amizade.

Neste sentimento de tristeza passarei meu aniversário de dezesseis anos, não só por causa das lembranças que tenho de Dorian, mas também porque estou na carruagem a caminho de outra cidade, outra escola, outros amigos, outra vida. Nunca fui para longe de casa, isso me apavora, sou tímida, nunca tive facilidade para fazer amizade, tenho medo de que por causa da fragilidade do meu corpo eu sofra lá como sofri na infância... Bem, pelo menos sou bonitinha... Quer dizer, ao menos não me acho feia.

Nesse momento de distração uma das rodas da carruagem passa por cima de uma pedra, o movimento brusco faz eu me assustar, me afastando de meus pensamentos.

-- Tome mais cuidado! – grita minha irmã ao condutor da carruagem, que promete ser mais cauteloso.

Minha irmã Milena está me acompanhando, ela está noiva do filho do dono do internato, ela jamais iria perder a oportunidade de ver seu amado.

 -- Tem estado quieta demais não acha? Não disse uma palavra a viagem toda.

-- Estou nervosa...

-- Consigo ver isso claramente, ao te olhar consigo ver sua alma fora do corpo – diz isso rindo de forma carinhosa de mim, o que me deixa sem jeito.    -- Olha... vai ficar tudo bem, você é linda, meiga, dedicada... Tudo pra quem sabe arranjar seu primeiro namorado!

-- Namorado? Milena, você sabe que namoro é a última das minhas preocupações, você lembra bem de como eu era zoada na escola e fui obrigada a estudar em casa.

-- Crianças podem ser maldosas... você já está quase uma adulta tudo vai ser diferente agora.

-- Você promete?

-- Sim Miatriz, eu prometo.

Minha irmã aponta para a janela com a cabeça na tentativa de me distrair, nos campos podíamos ver agricultores trabalhando arduamente na coleta dos grãos, então ela finalmente quebra o silêncio e diz:

-- Olhe pelo lado bom, está tendo a oportunidade de estudar, sabe que não é todo mundo que tem a mesma chance né?

-- Eu sei, não sei se isso me deixa feliz ou triste, acho injusto termos tanto a nossa mesa enquanto outros, principalmente os “condenados”, mal tem o que comer...

-- Por que as aspas ao se referir aos condenados?

-- Não acho que nascer um deles ou ser você mesmo é uma maldição, nenhum deles escolheu ser assim.

-- São criminosos...

-- Que crime eles cometeram? O crime de existir?! – interrompo minha irmã de forma exaltada.

Ela suspira fundo ao olhar pra mim, não consigo decifrar se era um olhar de orgulho ou pena de minha possível ingenuidade, segundo papai tenho uma tola misericórdia. Eu não consigo ver maldade nas pessoas, sinceramente, prefiro ser assim, sei que é importante não ser alienada, mas se eu passar a ver maldade em tudo acaba sendo impossível continuar vivendo.

-- Mia, as vezes tenho que quero concordar com papai... você é tão ingênua, sinto que foi culpa nossa, após os Drackmar te deixarem doente acho que passamos a protege-la demais.

-- Não foram eles!

-- Quem garante? Minha querida, acha mesmo que se fosse inocentes fugiriam da cidade?

-- Se ficassem o povo os matariam! Tu sabes muito bem que Astroras não são bem vistos... Dorian jamais faria isso com migo... Éramos apenas crianças... O que tinha de Mau nisso?

-- O que tinha de mau é que são de uma raça maligna, os Astrora já dominaram todo o continente sabia? Seu grande império dominava todo o mundo, governava com punhos de ferro sobre as outras criaturas, inclusive sobre outros não humanos, se eram duros os próprios semelhantes nem queira imaginar o que faziam com a humanidade, a Era do Ferro foram tempos sombrios para nós, essas criaturas horrorosas com suas de aço e diamante não mostrava e nunca mostrou misericórdia.

-- Isso é apenas lenda para assustar crianças, sim, de fato eles dominavam o mundo, seu vasto império cobria todos os continentes, mas não existe prova alguma de essa fantasia de que eram criaturas diabólicas, com aura maligna, cruéis, detentores de magia negra seja verdade... Bem, ao menos eu nunca vi, até mesmo porque se fossem tão poderosos, acho que já teriam exterminado os outros povos.

-- Espero que nunca veja, essa raça pode ser minoria, porém ainda caminham entre nós. Espero do fundo de meu coração que nunca veja nada disso.

Ao som do andar da carruagem ficamos ambas em silêncio, eu observava os lavradores colherem os trigos nos campos até eu escutar o relincho dos cavalos ao parar brusco da carruagem.

O condutor da carruagem desce, vem até a porta da carruagem, a abre e diz:

-- Minhas damas, temo que trago más notícias, encontramos animais mortos de forma estranha na estrada, moradores locais ao ver a carruagem parar resolveram nos alertar, há um terrível besta a solta que está matando toda e qualquer criatura viva durante esses dias, sinceramente acho que tivemos sorte de estarmos vivos.

Pelo menos ainda tem tempo para o começo das aulas no internato, porém uma besta á solta que pode me matar a qualquer momento não é um presente de aniversário agradável.

-- O que faremos então? Não temos para onde ir.

-- Não se preocupe senhorita Milena, um dos servos de um barão poderoso dessa região disse que seu senhor ofereceu sua moradia para que possamos passar quanto tempo for preciso.

Minha irmã suspira impaciente pelo desvio nos planos, mas aceita o convite de bom grado, nós não tínhamos nenhuma opção disponível, prefiro demorar a chegar na escola do que arriscar e sair sem vida.

Então o condutor volta para tomar as rédeas dos cavalos para nos levar a casa desse barão, conforme íamos avançando na estrada pro interior da cidade, vi que se tratava de um pequeno vilarejo assim como o meu, mas meu vilarejo sempre foi bastante movimentado, meu vilarejo é uma pequena vila em expansão a beira do grande rio que desagua no oceano, fazendo com que seja um local propicio para um prospero comercio, meu pai foi um dos que começou a empreender da região trazendo belos tecidos e especiarias do extremo oriente, consequentemente isso o tonou um homem rico, um dos mais ricos e importantes de todo o reino e próximo da realeza.

Como esse vilarejo é voltado para plantio parece ser bem pobre, papai vai surtar se souber que eu e Milena estamos nesse fim de mundo, não que eu não venha de outro fim de mundo, mas o meu fim do mundo é um fim do mundo chique. Eu dou risada ao pensar nisso, minha irmã sorri ao ver que pelo menos não estou mais brava por causa da breve discussão que tivemos.

Em poucos minutos já estávamos a frente de um casarão tradicional, bem arborizado e decorado, mais ou menos quatro andares, um pouco maior que minha casa, considerando que é um vilarejo extremamente humilde é de se estranhar algo nesse padrão.

Descemos da carruagem, servos desse tal barão vieram prontamente a levar nossos pertences ao quarto de hospede, do portão da residência já era possível ver um homem de estatura mediana, careca tendo cabelos apenas na lateral da cabeça, barrigudo vestindo roupas nobres com uma garrafa de Jim Rum em sua mão esquerda, Jim Rum é um tipo de bebida alcoólica muito popular entre os anões das minas do norte que também pode ser utilizada para fazer uma espécie de anestesia derivada da morfina, em festas na nobreza local do meu principado já vi muitos homens apagarem com menos de uma garrafa dessa bebida, quando conscientes, se a pessoa não for forte entra em um estado de descontrole de suas ações, curiosamente não faz efeito nas criaturas aladas como Anjos, Fadas, Demônios Safira e etc. Qualquer criatura que possua asas e consiga voar não é afetada.

Ao ver essa garrafa senti um leve desconforto em aceitar tamanha hospitalidade desse homem, pois estava sozinha com minha irmã, se ele decidir abusar ou fazer algum mal a mim ou minha irmã? Somos só nos duas nas terras deste desconhecido, ele tem pleno controle de tudo que acontece e pode acontecer por aqui, isso me apavora. Com esses sombrios pensamentos assombrando minha mente eu abraço o braço de minha irmã, que ao ver a garrafa ela entende o porque de eu estar acanhada, porém não temos outra escolha, será passar a noite na casa desse estranho ou sermos devoradas vivas, por criaturas misteriosas, durante a ascensão da lua cheia na estrada abandonada.

Ao lado deste homem estava uma belíssima mulher, cabelos castanho mel e olhos verdes, vestindo um belo vestido longo branco que em contraste com sua morena cria uma ilusão de delicadeza expendida, espero que essa mulher sorridente para nós seja esposa desse moço, capaz de ter sido ela quem ofereceu a casa, pois este cidadão mal deve estar pleno de suas faculdades mentais, com o rosto completamente enrubescido entregava que estava completamente embriagado. Ao chegarmos à porta a moça nos cumprimenta sendo extremamente gentil nos conduzindo a uma sala de estar daquele casarão.

Tudo era muito bem decorado, paredes altas com grandes pilastras e corredores bem decorados com quadros pintados a óleo, o carpete da sala de estar parecia ser macio, algum animal grande o qual desconheço, olhando para a lareira vejo que na parede a qual ela está possui cabeças de diversos animais empalhados, uma decoração digna de um orgulhoso caçador, os sofás também eram de pele de animal, mas não de um jeito que desse a aparência de pobreza, modelado sobre medida para ser um artigo de extremo luxo, a mesa de centro que outrora vazia se encontrava estava coberta de bolos, biscoitos, tortas e chá com uma aparência divina.

A moça de cabelos castanhos entra na sala desacompanhada, se senta e diz:

-- Fico feliz em recebe-las, meu nome é Jaqueline, eu e meu marido Roger ficamos felizes em saber que estão bem, nós jamais deixaríamos duas meninas sozinhas enquanto há uma terrível criatura na floresta.

-- Obrigada por nos receber, eu e minha irmã Miatriz ficamos extremamente agradecidas, em vilas pequenas como essas é raro alguém abrir suas portas para forasteiros.

-- Disponha, assim fico até sem graça, sou mulher assim como vocês, sei bem as dificuldades que passamos vagando sozinhas entre as cidades, felizmente tudo isso mudou quando conheci Roger, minha vida passou a ser bem mais tranquila, não precisei me arriscar tanto quanto no passado. Agora me digam, o que duas damas fazem vagando sozinhas na floresta?

-- Na verdade estamos em uma viagem pra capital, eu e Mia somos filhas do Conde Escudo Vermelho...

-- Um dos melhores amigos do rei, estou lisonjeada de estar perante a realeza! – exclama interrompendo minha irmã.

Quando a vi pensei que fosse mais delicada e que seu marido que ia falar conosco, até que isso é uma grande vantagem, quanto menos contato com aquele bêbado melhor, ele não me pareceu confiável. Haviam muitos livros sobre criaturas magicas na estante da sala, meus olhos focaram neles e Jaqueline percebe.

-- Gosta deles?

-- Eu sempre tive bastante curiosidade sobre as outras raças, pra ser sincera, leitura é algo que me fascina.

-- Uma menina inteligente, adoro quando encontro pessoas sabiás que não se deixam levar por preconceitos, isso me deixa extremamente contente, essa guerra entre as raças não acabou até hoje pois as pessoas são ignorantes e carentes de conhecimento. Julgam uns aos outros, mas raramente olham para si próprio...

-- Realmente, profundo – minha irmã a interrompe demonstrando que ela estava cansada.

Não vou mentir, eu sou uma menina educada, mas prefiro a minha cama ao escutar longos monólogos dessas pessoas com esse tipo “intelectual”, sempre quando encontro algum humano que se diz antirracista vem com esse longo e belo discurso sobre a guerra no continente, mas no final das contas a solução é matar todos aqueles que não se encaixam entre a raça humana. Já escutei isso tantas vezes que chega a me dar sono, nenhum deles olhou para a situação do outro de fato.

-- Que indelicadeza a minha, obviamente devem estar muito cansadas, me acompanhem, lhes mostrarei um quarto.

Ela sobe para o segundo andar, eu e minha irmã a acompanhamos, ao final de um longo corredor ela nos mostrou um quarto bem grande, o qual podíamos ficar. Tinha uma cama de casal bem grande, com colchas grossas, muitas almofadas, cobertas quentes e macias. Também tinha um outro tapete de pele bem grande, ao lado da bela penteadeira próxima ao guarda roupa estava as nossas malas, as cortinas tinham um acabamento de seda dando um toque de elegância e charme no quarto, perto da porta rustica com detalhamento em vidro, porta essa que dava passagem para uma enorme varanda com vista para os estábulos, tinha um sofá branco com poltronas junto de uma enorme prateleira com livros de diversos gêneros, principalmente romances e ficção.

Minha irmã foi olhar nossas malas para ver se estava tudo bem com nossos pertences, enquanto eu fui bisbilhotar a longa prateleira para ver se havia algum titulo que fosse de meu agrado, olhei livro por livro, muitos deles eu já tinha lido, até que um me chama atenção, “Paraíso de Luz e Trevas”, pelo nome curioso pensei que fosse algum romance envolvendo anjos e criaturas demoníacas, são uma jornada de romance e suspense que os escritores tem gostado de utilizar atualmente, porém não, era nada disso. Quando me sentei no sofá para começar a folhear o livro percebi que se tratava de um assunto que jamais imaginaria, era um almanaque sobre vampiros, lobisomens e centauros, um almanaque supercompleto detalhando os detalhes dos comportamentos de cada criatura.

Este autor, porém, teve um posicionamento controverso a maioria em relação aos centauros, descrevia como criaturas de bom caráter e bravura, a qual as tradições lhe são importantes, como guardiões da humanidade, afinal, essas criaturas foram primordiais para a queda do Império Astrora durante o final da Era de Ferro. Os centauros são criaturas misteriosas, muitos até questiono se tal demônio foi capaz de existir, pois nos tempos atuais não existem vestígios de seu comportamento, acreditam que os centauros foram confundidos com cavaleiros comuns, pois cavalos eram raros naquela época, era um animal que estava passando a existir e que talvez por causa disso, a silhueta dos cavaleiros montados neles devem ter assustado os cavaleiros de platina do alto da cúpula da cidade de Amester, cidade capital do grande império. Já outros compraram a versão do povo atacado, pois querendo ou não era a civilização mais desenvolvida, com conhecimento pleno nas filosofias e matemáticas básicas, com uma escrita altamente desenvolvida, até hoje não é possível decifrar todos os detalhes de sua língua. Astroras os definiam como demônios impiedosos que corriam sobre o fogo, massacrando qualquer alma viva sem piedade, não importando de que lado fosse.

Considerando essas três teses, o censo comum é de que eles não existiram, os teóricos da conspiração usam a de que eram seres malignos, esse autor foi o primeiro o qual vi os relatar como bons, já sobre os vampiros é mais do mesmo do que conhecia sobre os outros livros e os lobisomens também. As criaturas não humanas são geralmente catalogadas em 3 categorias pelos Bestiários, Celestiais, brancas e Demoníacas, o curioso é que nenhum autor concorda com a classificação um dos outros, esse aqui mesmo, ele classifica uma criatura considerada demoníaca como um ser divino enquanto outros bestiários classificam os próprios anjos como demônios.

Na minha opinião essa divisão é ridícula, nunca foi provado a existência de um céu ou inferno, são achismos baseados em preconceito puro, não é à toa que os Bestieis, que são os alquimistas especializados em Quimeras e catalogação de não humanos, não concordam entre si. Eu passo um bom tempo lendo esse Bestiário, nunca encontrei um que descrevessem centauros tão bem, um dos motivos de nesse bestiário deles serem tratados como celestes é que são caçadores de vampiros, essas duas raças vivem em conflito, pois como mencionei anteriormente, os centauros são amigos da humanidade.

Enquanto eu lia, minha irmã tira o livro da minha mão me dando um grande sermão, afinal, ajudei ela em nada com as malas.

-- O que você vai querer estudar no futuro? Vai querer se tornar uma Bestiel? – Milena me questiona analisando o livro que eu estava lendo – sempre que tu tens a oportunidade de ler um livro, não importa o quão grande seja o acervo da bendita biblioteca, você sempre vai para as criaturas mágicas.

-- Seria meu sonho, porém mulheres não são bem-vindas como alquimistas.

-- São sim, a única coisa que impede alguém de se tornar Bestiel é ser um condenado.

-- Mentira! – falo incrédula.

Minha irmã ri da minha reação e responde logo em seguida:

-- Elas não são muito famosas pois nas ruas vemos os homens fazendo o trabalho braçal da profissão, as Bestieis ficam mais na área de pesquisas.

-- São elas que mandam neles então?

-- Basicamente –- diz rindo – você tem futuro, desde pequena passa horas e horas lendo esses livros, tenho plena certeza que vai ser difícil encontrar alguém com tamanho conhecimento em bestas quanto tu, você sabe até a diferença da catalogação de cada região do mundo.

-- Sim, esse almanaque aqui inclusive...

-- Não começa!

-- Eu estou falando sério -- digo isso rindo – esse Bestiário é diferente, ele possui uma catalogação que eu nunca tinha visto antes, na verdade, uma descrição inteira de uma criatura que eu jamais havia encontrado. Centauros, as descrições que eu encontro são tão poucas que ao ler esse livro fiquei impressionada....

Minha irmã faz um gesto me mandando calar a boca para que possamos dormir, realmente, se deixar posso ficar falando eternamente desse assunto. Eu não ponho o livro de volta na estante, mas sim em minha mala, perguntarei a Jaqueline se posso ficar com ele, estou até disposta a pagar se necessário, eu sei que é incomodo pedir como um agrado, pois afinal, estamos na casa dela, é indelicado pedir as coisas assim.

Após deixar o livro em minha mala eu dou uma última olhada nos estábulos antes de me deitar, o tratador de cavalos estava escovando animal por animal antes de colocar os garanhões em seus devidos lugares, nossos cavalos estavam sendo cuidados também, o condutor de nossa carruagem parece estar sendo bem acolhido, ele serve minha família faz pouco tempo, porém sempre fui ensinada a tratar meus empregados como se fossem da família, todos são muito queridos para mim, mal sei como agradecer Jaqueline e Roger por tamanha hospitalidade.

Minha irmã se deita ao meu lado na cama de casal e da um beijo na minha testa me desejando “feliz aniversário”, não foi o melhor aniversário que já tive, queria ter ficado em casa e comemorado com minha família igual todos os anos, mas pelo menos estou com ela ao meu lado, se estivesse sozinha nessa viagem, com tantos imprevistos, eu estaria completamente apavorada, me alegra muito ela ter vindo e estar aqui, eu a abraço bem forte e com o tempo, pego no sono.


Notas Finais


Obrigado por ter lido, espero que tenham gostado, peço desculpas por qualquer erro de gramatica, duvidas e feedbacks construtivos são bem vindos.


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