1. Spirit Fanfics >
  2. Meu militar favorito >
  3. Capítulo Único

História Meu militar favorito - Capítulo 1


Escrita por: SomebodyToLoove

Notas do Autor


Oi pessoas! Cheguei com uma One fresquinha pra vcs!
Sei que faz um tempo que não apareço por aqui, mas trouxe essa fic pra vcs, é minha primeira de GaaLee e também meu primeiro Yaoi, particularmente achei que ficou muito fofa, espero q eu gostem também.
Um agradecimento muito especial para a @kety_edm que me achou por acaso no facebook e se ofereceu para betar pra mim, vc é uma querida e com certeza deixou as coisas ainda melhores para os leitores, muito obrigada <3
Agradecimento de sempre pro meu namorado maravilhoso que fez a capa <3
Agora chega de enrolação e bora pra fic!
Boa leitura!

Capítulo 1 - Capítulo Único


Um surto de raiva do meu pai. 

Foi assim que começou o que eu inicialmente descreveria como meu inferno particular. Mas hoje sei que foi a melhor coisa que podia ter acontecido, porque me trouxe a pessoa mais importante para mim. 

Acho que nunca contei em detalhes, mas naquela noite pratos e copos voando foram nada perto das palavras direcionadas a mim. Eu me senti um lixo, um nada, o pior tipo de pessoa que poderia existir, e mesmo sabendo que nenhuma das coisas ruins que aconteceram com minha família eram minha culpa, eu me sentia o responsável e desejava jamais ter nascido. Se eu não existisse, provavelmente tudo seria melhor.

Não culpo meu irmão por ter me exposto, não foi culpa dele. Kankuro sempre teve a língua meio solta e não media muito bem as palavras, por várias vezes eu consegui evitar que ele jogasse a merda no ventilador, mas naquela noite não deu e ele simplesmente me tirou do armário sem querer. 

 

-Vai no futebol esse sábado? - ele perguntou a respeito dos jogos escolares.

-Não - respondi sem ânimo colocando mais uma porção de arroz na boca.

-Certeza? - ele indagou com a sobrancelha arqueada - O seu crush vai estar lá… - deu de ombros, mas no mesmo instante sua postura murchou, culpado, ele soube a merda que tinha feito. 

 

Nossos olhares desesperados se cruzaram enquanto eu tentava inutilmente pensar em algo para dizer mas não consegui. Então o surto veio.

Meu pai já tinha muitas desconfianças sobre minha sexualidade mas eu tentava contornar tudo do melhor jeito que podia, porém naquela noite ele só precisou somar 2 2 para saber do que Kankuro estava falando.

A comida voou pelas paredes e contra mim. As palavras que ouvi, jamais desejo que sejam direcionadas a qualquer um. Os copos quebrados não eram nada perto do que eu sentia por dentro, cada célula do meu corpo parecia ruir em desespero e culpa por simplesmente existir do jeito que eu era.

Gay.

Por muito tempo eu inventava desculpas para as desconfianças de meu pai, dava em cima de algumas amigas bem específicas de minha irmã Temari quando iam lá em casa, tudo previamente combinado claro, e até já tinha beijado uma menina na frente do meu pai. Mas tudo isso foi só uma fachada que serviu apenas para adiar aquele momento. 

“Que vergonha!” 

“Eu criei filho pra ser macho!”

“O que eu fiz pra merecer um castigo desses?!” 

"Desgraça da família!"

Meu pai estava completamente irado. Depois de quebrar tudo e me xingar de todas as maneiras possíveis, ele decidiu partir pra cima de mim. Naquela noite eu apanhei dele pela primeira vez na vida, um soco que continha todo o ódio reprimido e que foi depositado com toda força bem no meio da minha cara, e acho que só não levei outros pois meus irmãos partiram em minha defesa. Naquele momento eu percebi que eu era muito importante para Kankuro e Temari, pois eles pareciam realmente dispostos a fazer de tudo para me proteger, inclusive a ir para cima do nosso pai.

Chorei de raiva até dormir naquele dia, trancado no meu quarto e abraçado pelos meus irmãos, os únicos que me amavam apesar de tudo que eu era. E eu era muitas coisas, mas nenhuma delas boa.

Era o caçula que levou a vida da mãe deles ao nascer. 

O desgosto que ia mal na escola simplesmente por não ligar. 

O delinquente que arrumava brigas o tempo todo. 

O psicologicamente perturbado que só dava despesas. 

E o pior tipo de gente que podia existir, segundo meu preconceituoso pai, o homossexual.

Depois daquilo, as primeiras palavras que meu pai me dirigiu, semanas depois, foram apenas para, indiretamente, me expulsar de casa. 

 

-Você vai para um colégio militar - ele disse frio, muito mais frio do que já era comigo antes - Talvez assim você aprenda a ser homem de verdade.

 

Mal sabia ele que estava me mandando de encontro ao homem da minha vida. 

Assim, semanas depois, eu fiz minhas malas e fui, sem discutir, sem brigar, sem nem argumentar, coisa que meu irmãos fizeram de monte. Eu simplesmente sabia que era melhor assim, então reprimi toda raiva que sentia dele e fui.

Caí de paraquedas numa turma no meio do último ano do colegial, com um professor que reconheci imediatamente, foi com quem vi meu pai conversando no dia da minha matrícula. Eu não sei o que meu pai fez para conseguir me enfiar no terceiro ano (já iniciado) de um colégio militar sem prova de admissão nem nada. Mas ele deu um jeito. E aquele cara em específico, eu sabia que foi encarregado de tornar minha vida ali um inferno,  e começou já no primeiro dia

 

-Você, novato - ele me chamou - Pro ringue!

 

Sim, logo de cara eu ia ter que brigar. 

 

-Rock Lee, também! - ele chamou assim que eu me posicionei.

 

O garoto em questão era mais alto do que eu, visivelmente mais forte e tinha um sorriso constante que me deixou irritado, parecia emanar energia positiva e era o completo oposto de mim. Acho que se colocassem uma flor ao meu lado naquele momento, ela murcharia, tamanha minha negatividade.

 

-Vai com tudo Lee, vamos ver se o novato é bom… - o superior mandou e ele se voltou para mim com um sorriso amigável que me fez fechar ainda mais a cara.

 

Quando ele atacou, apenas concentrei-me em não apanhar e fiz isso muito bem. Por mais que nunca tivesse treinado daquela maneira, eu era bom de briga, tinha experiência em esquivar e defender.

Mas sob ordens diretas o tal Lee teve que pegar mais pesado, intensificou as coisas e foi ficando cada vez mais difícil para mim, tanto que eu já mostrava sinais de fraqueza e comecei a levar alguns golpes.

 

-Senhor, acho que já é suficiente! - ele tentou argumentar, pois era nítido que não queria me bater.

-Eu decido isso, continue!

-Mas senhor…

-CONTINUE!

 

E assim Lee me bateu, foi rápido, me acertou no meio da cara como meu pai fez semanas antes e esse foi o meu estopim, toda a raiva que eu sentia por meu pai, e que reprimi ao longo das semanas, saiu de mim como um monstro há tempos trancado. Tempos pelos quais meu pai fingiu que eu não existia, raiva do fato de ter me mandado para aquele lugar e provavelmente subornado um profissional para fazer da minha vida um inferno, tudo isso saiu de mim na forma de golpes enquanto eu estava cego de raiva.

Só voltei a ter consciência da situação quando tiveram que interferir. 

Outros alunos me seguravam e o professor correu até meu oponente que estava caído com um braço quebrado e uma expressão de espanto no rosto.

Eu não sei como eu fiz aquilo. Eu fiquei possesso, sempre tive problemas para controlar a raiva e por muito tempo até tomei medicação e tive acompanhamento psicológico. Eu definitivamente era um garoto problemático.

Depois daquele dia minha relação com todos ficou estranha. Eu não era muito sociável antes, então depois de ter quebrado um braço no primeiro dia eu me fechei completamente, desejando simplesmente poder sumir do mundo, deixar de existir, seria melhor para todos.

Mas o que aconteceu foi justamente o contrário.

Curiosamente Lee foi o primeiro a interagir abertamente comigo.

 

-Oi Gaara, tudo bem?  - ele disse sentando à minha frente na hora do almoço, o gesso já sujo e cheio de assinaturas repousava sobre a  mesa entre nós. 

 

Eu quebrei o braço dele no primeiro dia e ainda assim ele foi o primeiro a demonstrar interesse em se aproximar de mim. Esse garoto era louco, completamente varrido. Ele deixou sua mesa cheia de amigos para vir aqui sentar com o esquisitão revoltado e o brinquedo preferido do professor. Em suma, o cara que ninguém gostaria de ser amigo.

 

-Gaara? - ele até tentou insistir e eu ignorei inutilmente achando que seria o suficiente para se afastar de mim. Doce ilusão.

 

Comemos em um silêncio estranho e isso se repetiu ao longo da semana toda, Lee sentava comigo, tentava socializar, eu ignorava e ele cedia, permanecendo ali quieto.

 

-O que você quer comigo? - questionei no último dia da semana, antes mesmo que ele pudesse sequer se sentar, mas isso não abalou o sorriso no seu rosto, pelo contrário, aumentou. 

-Quero ser seu amigo. 

 

Hoje, conhecendo como eu conheço Rock Lee, sei que é incapaz de debochar e ser maldoso com alguém, mas naquele dia isso não parecia uma opção, e eu simplesmente levantei e sumi dali achando que não passava de uma piada de mau gosto.

Na outra semana ele sentou ao meu lado novamente e dessa vez trouxe Naruto junto consigo, o que me irritou um pouco mais. Porém, quando eu ia me levantar para sair, o loiro passou o braço pelos meus ombros e começou a tagarelar assuntos que eu não estava nem um pouco interessado, mas que estranhamente me fizeram permanecer ali em vez de fugir.

Rock Lee começou a se fazer presente perto de mim o tempo todo, nas aulas teóricas ele se mudou para a carteira ao meu lado. Nas aulas práticas e físicas estava sempre perto de mim, ou então observando de longe. 

Seus sorrisos constantes e palavras gentis direcionadas para mim deixavam-me intrigado. Não fazia sentido alguém como ele querer estar perto de mim, era popular e o melhor aluno da turma, meu completo oposto. Mas, por algum motivo, ele parecia querer ficar perto e acabou me cercando com sua positividade e, inconscientemente, começou a dissipar a nuvem escura na qual eu tinha me enfiado.

O tempo foi passando e mais amigos seus migraram para minha mesa do almoço. Quando eu percebi, a “mesa de amigos do Lee” tinha virado minha pequena e isolada mesa no canto. Os rapazes eram barulhentos e extrovertidos, mas isso não me incomodava, pelo menos não mais. Pelo contrário, ficar sozinho com Lee agora era muita pressão para mim, então a presença deles me tranquilizava.

Lembro do dia em que deixei um sorriso escapar pela primeira vez, foi por conta de alguma idiotice que Naruto fazia. Rock Lee virou para mim e disse: 

“Você tem um sorriso bonito, devia sorrir mais.”

Naquele momento meu coração parou, fechei a cara na hora, e isso o fez gargalhar, aquela gargalhada gostosa que só ele sabe dar. Devo ter ficado vermelho na hora, e sei que não falei com ele por dois dias depois disso. 

Ficar perto dele era uma pressão enorme, mas parecia cada vez mais inevitável.

Um tempo depois, ele fez uma bagunça nas duplas da sala só para poder fazer um trabalho comigo. 

 

-Qual o seu problemas Rock Lee?! - questionei irritado, mas isso não abalou sua feição gentil ao se sentar ao meu lado.

-Você ia ficar sem dupla outra vez - me respondeu o óbvio.

-Eu sei, e por que você se importa com isso? - eu fui intencionalmente grosso.

-Porque eu gosto de você. 

 

Suas palavras mexeram comigo de uma maneira muito intensa, tão verdadeiro e sincero. Era a primeira pessoa a me dizer algo assim depois dos meus irmãos. Mas eu tinha certeza que era verdade e isso me assustava muito.

Um dia depois disso, Lee apareceu no meu quarto, sem ter sido convidado, vale ressaltar, para fazer o tal trabalho. Por ter entrado na metade do ano, eu estava em um quarto sozinho, ou talvez meu pai tenha pedido para que nenhum garoto dividisse o quarto comigo. Eu acreditava mais na segunda possibilidade, mas por um lado eu preferia ficar sozinho mesmo.

Quando abri a porta, a vontade de batê-la na sua cara foi grande, eu não queria ficar sozinho com ele ali, sinceramente falando, eu não queria ficar sozinho com ele em lugar nenhum. Mas algo me impediu de fazer isso, sabia que ele jamais faria isso com alguém, então afastei a porta e ele entrou no meu espaço particular. 

 

-Por que você está aqui, Gaara? - Lee perguntou depois de algum tempo que fazíamos o trabalho.

-O que? - de início eu não entendi.

-Na escola, você entrou na metade do ano, o que te trouxe para cá? 

 

Até hoje eu não sei o que aconteceu comigo naquele momento, sua presença lá, ao contrário do que eu acreditava, me trouxe conforto, me sentia bem e por algum motivo eu sabia que podia confiar nele, então as palavras simplesmente saíram da minha boca sem nenhum filtro ou máscara.

 

-Eu sou gay. Meu pai quer que eu vire homem.

-Que idiota - não sei o que eu esperava ouvir, mas com certeza não era aquilo, acho que a minha cara deve ter entregado o quão perdido eu fiquei pois ele continuou a falar - Digo, não é possível mudar quem você é, e se fosse possível, não seria em um lugar lotado de adolescentes fardados e cheios de testosterona.

 

Sua reação foi a melhor que eu podia querer. Rimos juntos. Pela primeira vez naquele lugar eu me permiti rir, me senti bem em compartilhar aquilo com alguém que eu sabia que era 100% verdadeiro e seria incapaz de esconder se tivesse algum problema com a minha sexualidade. 

Depois da revelação ele não se afastou de mim, pelo contrário, pareceu ficar ainda mais próximo. Ninguém mais na escola sabia e quando pedi pra ele manter segredo, Lee me garantiu que o faria, mesmo ressaltando que não era algo do que eu devia me envergonhar.

Sentávamos com a galera na nossa mesa do almoço, mas Lee se fechava em um mundinho só comigo, ficávamos conversando sobre assuntos mais aleatórios de forma natural. Por conta disso, meus sorrisos já não eram mais raridade, pelo menos não para ele. 

Mais trabalhos em dupla vieram e a presença dele no meu quarto se tornou frequente, ficar sozinhos já não era mais desconfortável, pelo contrário, eu me sentia bem com a proximidade, de alguma forma parecia que ele me entendia de uma maneira que mais ninguém era capaz, nem mesmo meus irmãos. 

Da escrivaninha passamos a estudar no chão, deitados lado a lado, próximos um ao outro fazendo anotações na mesma página de caderno, pouco nos importando com o toque de nossas mãos.

De uma hora para a outra, Rock Lee se tornou uma constante na minha vida e quando ele não estava lá eu me sentia vazio e sozinho. Mesmo quando estava rodeado pelos novos amigos, não era a mesma coisa, eles eram bons amigos, mas não eram Rock Lee.

Uns tempos depois suas visitas ao meu quarto já não eram apenas movidas pelos trabalhos, ele aparecia simplesmente porque queria me ver, jogar conversa fora e passar o tempo comigo. Às vezes passávamos horas a fio juntos sem nem perceber.

Eu não sei quando aconteceu exatamente, mas eu me apaixonei por Rock Lee. 

Não sei se foi naquela sexta livre que tivemos, e os meninos inventaram de sairmos escondidos para tomar banho de rio, e ele me empurrou na água de brincadeira. Mas depois foi lá me salvar dizendo que teve medo da água me levar pois eu era muito leve. 

Ou então pode ter sido também naquele “Esconde-esconde” de camuflagem que praticávamos às vezes, quando ele me puxou para o chão e me escondeu sob o seu corpo forte.

Posso até ter me apaixonado nas lutas que eramos obrigados a fazer, pelo maldito professor que gostava de me ver apanhando dele. Por mais estranho que possa parecer, eu adorava quando ele acabava comigo.   

Mas eu tinha certeza de que eu iria ter que guardar todo aquele sentimento para mim sem nunca compartilhar, já que não me parecia possível ele retribuir, pelo menos não do mesmo jeito. 

Ledo engano.

Sei exatamente quando eu percebi que estava apaixonado.

Foi no feriado. Aquele que tivemos o dia todo livre e fomos ao cinema com os rapazes. Era um filme de terror qualquer que eu não me lembro o nome, mas em um dos jumpscares eu quase infartei e num impulso repentino segurei seu braço sobre o apoio da poltrona, soltei rápido e tenho certeza que corei na mesma hora, agradeci infinitamente pelo breu que nos rodeava tornando impossível nos vermos com clareza. Mas a chama se acendeu em meu peito quando Lee delicadamente procurou minha mão entre as poltronas e entrelaçou nossos dedos em um toque suave. 

Ali tive certeza que algo realmente podia acontecer entre nós. 

Nossas mãos ficaram unidas durante o restante do filme mas quando nos levantamos para sair soltamos, nenhum de nós tocou nesse assunto novamente porém não foi desconfortável. Ao meu ver, era quase como um segredo só nosso. 

Depois daquele dia, eu peguei ele me olhando várias vezes. Mas não era um olhar normal, Lee corava, ficava vermelho de um jeito que eu comecei a achar muito fofo. No começo eu fingia não ver, mas depois comecei a sorrir quando isso acontecia, e ele ficava ainda mais vermelho. Era lindo!

Foi algum tempo naquele jogo de olhares até que alguma coisa mudou.

 

-Sabe Gaara tem uma coisa que eu to querendo te dizer tem um tempo… - estávamos sentados na cama jogando conversa fora como sempre fazíamos quando ele desviou o assunto.

Imediatamente meus batimentos aumentaram mas disfarcei o melhor que pude. 

 

-Claro.

-Bom, eu… eu… - ele estava todo vermelho e travado, e por mais ansioso que eu estivesse tentei incentivar.

-Você...? 

-Bom, eu acho que… eu gosto de você… 

 

Aquela informação foi um baque, mas eu tinha que ter certeza de que o que ele estava me dizendo era o mesmo que eu estava entendendo.

 

-Eu também gosto de você, Lee, somos amigos! - se eu estivesse entendendo errado pelo menos não ficaria tão feio assim para minha parte.

-Não Gaara, acho que eu gosto de você de outro jeito sabe… Gosto mesmo de você, do jeito romântico.

-Lee… 

 

Eu não sabia o que dizer, não sabia o que fazer, então tomei a única atitude que me parecia aceitável naquele momento. Eu o beijei.

Assim nosso primeiro beijo aconteceu, um toque tímido e um tanto quanto desajeitado entre dois garotos que não tinham muita certeza de nada, escondidos num dormitório, cercados de dúvidas mas cheios de sentimentos.

Foi um bom beijo e acho que ele deixou claro que o que sentíamos era totalmente recíproco.

Tudo ficou ainda mais surreal quando eu tomei coragem para perguntar, algum tempo depois, se ele já tinha ficado com algum menino e Lee me disse, um pouco envergonhado, que aquele foi seu primeiro beijo na vida. 

Foi o momento mais fofo da minha vida, o antes negativo e obscuro Gaara estava completamente derretido de amores por Rock Lee, o garoto do qual ele quebrou o braço antes mesmo de dizer oi. 

Depois daquele dia eu lembro com clareza de todos as vezes em que a gente ficou escondido no meu quarto, se agarrando. As semanas de pegação se tornaram meses e o que eram apenas ficadas se tornaram algo além.

As coisas simplesmente fluíram muito facilmente entre nós e cada vez mais nos apegamos mais um ao outro. No mesmo ritmo que a intensidade da pegação aumentava nossa cumplicidade também. Fomos nos tornando algo mais sem nem perceber.

Arrisco dizer que ninguém na escola desconfiou, além é claro, de nossos amigos, então tivemos que abrir o jogo. Foi Lee quem contou tudo, eu apenas assentia quando era conveniente. Foi um choque para eles, óbvio, como não seria? Descobrir que dois de seus amigos estavam ficando, nas palavras de Lee, às escondidas há meses? 

Levaram algum tempo para digerir, mas era bem compreensível. Depois disso, em geral, eles apoiaram e ficaram felizes por nós. Me senti bem ao poder compartilhar a verdade com eles e saber que nenhum me desprezava pelo simples fato de ser como eu era.

Por várias vezes eu havia questionado ao Lee sua sexualidade, eu sabia que era gay, acho que sempre soube, mas... e ele? Porém sempre que eu o questionava recebia a mesma resposta, ele sempre dizia “Eu gosto de você Gaara, e é isso que importa!” então me beijava apaixonadamente e ficavam bem claros os sentimentos dele, mas a dúvida sempre retornava quando eu ficava sozinho. E se…?

As coisas foram progredindo lentamente entre nós, teve até vezes que pegamos no sono juntos mas Lee sempre voltava para seu quarto no toque de recolher a fim de evitar qualquer tipo de suspeita.

Aos poucos nosso relacionamento esquentou e surgiu uma mão boba aqui e outra ali, beijos mais ousados, mordidas e chupões, leves para evitar marcas, porém, às vezes, era difícil nos controlarmos.

Quando eu percebia, estava preso entre o corpo forte de Lee e a parede do quarto, com a mão dentro de suas calças e me deliciando com os gemidos abafados que escapavam dos lábios que beijavam os meus com voracidade. 

Então um dia, num ímpeto de coragem decidi tomar uma atitude, diferente de Lee eu já tinha certa experiência em "romance" mas nunca tinha ido tão longe com ninguém. Aquelas vontades eram novidade para mim também, mas eu não conseguia me controlar. Eu queria que ele se sentisse bem, que sentisse prazer comigo, então juntei toda a coragem que tinha e fiz o primeiro boquete da minha vida. Eu não tinha certeza do que estava fazendo, mas o jeito que Lee reagia me dava certeza de que ele estava gostando, e pra mim só isso importava, só ele importava. 

Depois disso, ele me abraçou forte, e por um momento achei que ele ia chorar, mas não aconteceu. Deitei sobre seu peito percebendo a respiração descompassada voltar ao normal lentamente.

 

-É muito louco pensar nisso tudo - ele quebrou o silêncio.

-No que? - apoiei meu queixo em seu peito para poder encará-lo. 

-Na situação em que a gente está, com você aqui, agora.

-Você se refere ao fato de meu pai ter me mandado para cá para virar homem e eu ter acabado de te chupar? - falei irônico. 

-Não, na verdade me refiro ao fato de você ter chegado aqui do nada e me feito amar você. 

 

Aquela pequena palavra de quatro letras ecoou na minha cabeça pelo que pareceram horas e horas, mas não passaram de meros segundos nos quais encarei os olhos de Lee incapaz de pronunciar qualquer coisa. 

 

-Você está bem, Gaara? - ele questionou parecendo preocupado.

-Você acabou de me dizer que me ama? - perguntei incrédulo e ele acenou positivamente com a cabeça. 

-Tem problema? - ele parecia realmente preocupado.

 

E eu o beijei apaixonadamente antes de responder.

 

-Não - garanti - Apenas é bom saber que meus sentimentos são retribuídos igualmente - e Lee entendeu o que eu quis dizer.

 

Depois daquele dia eu tinha tudo para ser o cara mais feliz do mundo, mas a verdade é que tudo estava com os dias contados, até a formatura e só, esse era o tempo que a gente tinha. 

Eu tentava ignorar esse fato, focar nos bons momentos, nos beijos, nos amassos e nas piadas internas, mas a verdade era que depois das risadas e da alegria, depois que Lee deixava meu quarto, o que sobrava era o choro entalado na minha garganta. 

Quando a escola acabasse, Lee iria entrar paras as forças armadas, ele queria seguir a carreira militar e tinha todo o talento para isso, ele era perfeito, o melhor aluno de todos e era seu desejo desde pequeno. Já eu, não tinha ideia do que faria, voltar para casa do meu pai estava fora de cogitação, arrumaria um emprego qualquer só para me sustentar até tomar um rumo na vida.

Mas, por mais que eu achasse que não tínhamos como ficar juntos de verdade, cada momento que eu passava ao lado dele me fazia querê-lo mais, a cada toque eu tinha mais certeza de que ninguém mais poderia me fazer sentir como ele. Eu sabia que não amaria ninguém como amava ele. 

Tive plena certeza no dia em que definitivamente nos entregamos 100% um ao outro, não apenas beijos, mãos bobas e sexo oral, no dia em que transamos pra valer, a primeira vez dos dois. 

Nós queríamos daquele jeito há muito tempo, mas sempre faltava coragem para prosseguir. Naquele dia eu tomei a decisão, eu queria Lee e sabia que ele me queria tanto quanto, então eu subi em seu colo e não parei até sentí-lo dentro de mim, me preenchendo de uma maneira nunca antes experimentada.  Definitivamente foi complicado, desajeitado e muito tenso, mas a gente não ligava, afinal era verdadeiro e genuíno, nos amávamos e não tinha como negar. Doeu um pouco mas o prazer foi maior, ele foi tão cuidadoso comigo, tão apaixonado que eu quis que aquilo durasse para sempre. Queria Lee comigo para sempre.

Isso aconteceu exatamente duas semanas antes da formatura. Duas semanas antes do que eu pensava ser o fim do nosso sonho. Mas, mais uma vez, Lee me surpreendeu. 

Depois da cerimônia eu estava do lado de fora do ginásio com meus irmãos, obviamente que apenas eles foram me prestigiar. Eu tinha perdido Lee de vista mas precisava falar com ele, queria deixar claro o fim do que quer que a gente tenha tido. Sabia que eu partiria o coração dele, e o meu também, mas eu mentia para mim mesmo dizendo que era o melhor a ser feito. Hoje eu agradeço infinitamente por ele não ter me deixado falar, por não ter me deixado estragar tudo. 

 

-Gaara! - ouvi meu nome ser chamado por aquela voz que eu reconheceria em qualquer lugar.

-Lee? - a minha não passou de um sussurro enquanto o observava correr até mim, lindamente fardado em um uniforme como o meu, mas que nele ficava infinitamente melhor.

 

Encarei meus irmãos e eles assentiram me dando permissão para me afastar e falar com ele. 

Lee correu em minha direção e ao me alcançar me abraçou tão apertado que foi difícil respirar, mas eu realmente não prestei atenção nisso, eu só queria aproveitar o último momento antes de lhe dizer adeus. Mas a respiração dele próxima ao meu ouvido tomando fôlego para falar me impediu e eu apenas afundei o rosto em seu ombro e prestei atenção no que ele tinha para me dizer. 

 

-Gaara, eu to tão feliz pela gente! - pude perceber ele sorrindo mesmo sem ser capaz de ver seu rosto - Estou feliz por você ter vindo para cá, e independente de tudo que seu pai tenha feito eu sou grato a ele pois por causa disso você chegou até mim!

-Eu também! - consegui concordar. 

-Eu sei que as coisas não ficaram claras entre a gente, nenhum de nós pediu o outro em namoro, mas estava tudo tão perfeito que parecia que nunca iria mudar, mas claro que a partir de hoje tudo vai ser diferente. Eu vou me alistar e você vai voltar para sua vida normal, mas quero que você saiba que eu nunca vou te deixar, ok? - a voz dele estava firme, porém eu podia sentir a emoção, nessa hora meus olhos já estavam cheios de lágrimas - Eu vou te ligar todos os dias que puder, vou mandar mensagem e fotos sempre e vou ir te ver em todos os feriados. Eu sei que as coisas não vão ser fáceis e que vamos ter que lidar com muitos problemas e muitas pessoas, mas eu tenho certeza que o que eu mais quero é ter você do meu lado pro resto da minha vida. Eu amo você e não quero te perder Gaara.

 

Quando ele terminou de falar, lágrimas já desciam pelo meu rosto, e ao nos separarmos para nos encarar, percebi que ele também chorava.

Lee levou a mão até o bolso do uniforme e puxou dali duas correntes, uma com um pingente em forma de L e outra com um G. Um ponto de dúvida surgiu em minha mente e eu fiquei sem entender até ele se pronunciar.

 

-Aceita ser meu namorado, Gaara? - ele perguntou com o sorriso que eu tanto amava e a única coisa que eu pude fazer foi assentir freneticamente com a cabeça e o abraçar apertado mais uma vez. 

 

As palavras de Lee conseguiram me fazer ter esperança, me fizeram ver que nada além de nós mesmos poderia nos separar, nos amávamos e era impossível mudar isso. 

Nos separamos sorrindo feito dois idiotas, ele colocou no meu pescoço a peça com o L e eu fiz o mesmo com ele com a que continha um G. Naquele momento todo mundo à nossa volta pareceu sumir por alguns instantes e nos concentramos apenas em nós mesmos, perdidos em puro amor.

Mas a voz estridente de Temari soou e nos trouxe de volta a realidade. 

 

-Então, Gaara, quem é seu amigo? - ela e Kankuro pararam um de cada lado meu e isso fez eu e Lee nos afastarmos um pouco. 

 

Comecei a ficar nervoso imediatamente, não sabia ao certo como responder, eu já tinha saído do armário, meus irmãos sabiam da minha sexualidade, mas eu não tinha certeza de como Lee lidaria com isso.

 

-Ah, sim, esse é Rock Lee. Rock Lee, esses são meus irmãos Temari e Kankuro. 

-Muito prazer! - Lee estendeu a mão - Sou o namorado do Gaara. 

 

Choque!

 

Eu simplesmente entrei em choque. 

Tudo aquilo era tão simples para ele, tão fácil, ele sempre lidou com tudo com facilidade, mas ainda assim me surpreendo até hoje como o título de namorado saiu tão naturalmente de seus lábios. Parei de respirar por sei lá quanto tempo, e só voltei a mim com Temari me chacoalhando.

 

-Você está bem, Gaara?

 

Só consegui assentir encarando o sorriso de Lee, tão natural quanto era possível enquanto meus irmãos riam da minha reação. 

Depois de alguns instantes o olhar dele se desviou para um ponto atrás de mim e quando retornou aos meus olhos, tinha um certo pesar.

 

-Eu tenho que ir - informou. 

-Claro - concordei o abraçando forte, dessa vez sabendo que levaria algum tempo até nos vermos novamente. 

-Eu ligo pra você hoje à noite - ele sussurrou no meu ouvido e eu assenti.

-Até mais Lee - me despedi.

-Até mais Gaara - ele se afastou e deu um rápido selinho nos meus lábios. 

 

Me apavorei, olhei em volta imediatamente, mas ninguém além dos meus irmãos parecia prestar atenção na gente.

 

-Amo você - Lee disse antes de se afastar. 

 

Eu fiquei em choque demais para responder de imediato, então acabei apenas sussurrando um “Eu também” quando ele já não podia mais me ouvir. 

Segurei o pingente entre meus dedos e me virei a tempo de vê-lo fazendo o mesmo. 

Acenei tímido e ele correspondeu sorrindo e naquele sorriso eu tive certeza de que independente do que acontecesse tudo ficaria bem, porque eu amava Rock Lee e ele também me amava.

 


Notas Finais


Então xuxus foi isso, eu realmente espero que tenham gostado da fic, foi uma delícia escrever ela e eu gostei muito, futuramente talvez saiam mais coisas desse shipp, em especial se ele continuar aparecendo na minha foryou do tiktok com a frequência que ta kkkkkkkkkkkkk
Sei que andei sumida e que uma one é relativamente pouco, mas estou trabalhando em outras 3 fics longas pra postar aqui mas como preso pela qualidade elas ainda vão demorar um pouco para sair, agradeço a paciência e carinho de vcs!
Muito obrigada pela leitura e mais uma vez espero que tenham gostado, por favor deixem um comentário dizendo o que achou da história, eu amo muito eles e sempre leio e respondo todo mundo <3
Beijos e até a próxima!!!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...