História Meu Namorado Se Chama "Lily" - Capítulo 41


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Palavras 2.309
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Festa, Ficção, Fluffy, Lírica, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Cross-dresser, Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Cast: Escalei Goldie Hawn pra interpretar Jo Anne. Como assim? Vantagens da fantasia sobre a realidade... Da pra juntar passado e presente. Ué, kkkk.

Capítulo 41 - Jo Anne philosopher


Fanfic / Fanfiction Meu Namorado Se Chama "Lily" - Capítulo 41 - Jo Anne philosopher

Desse dia em diante Lily saía todas as noites, claramente para evitar-me a presença, saindo assim o sol se punha e voltando apenas tempo antes do amanhecer, e geralmente acordava-me quando jogava-se na cama ao meu lado, mas eu fingia continuar dormindo, até que chegasse a hora de eu levantar-me, o que fazia sempre tentando evitar a visão daquela pessoa desconhecida que dormia profundamente ao meu lado, sempre com o rosto sujo de maquiagem desfeita, nas primeiras manhãs sem roupa alguma, até que aparecesse com uma camisola que passou a usar. As roupas e outras coisas que deixava espalhadas pela sala e pelo quarto inteiro ao chegar iam aos poucos deixando de ser as de Edward para serem as coisas novas de Lily, que todas as manhãs apareciam como novidades, até que chegasse o dia em que ele já não usasse uma só peça de roupa ou acessório que fosse antigo seu, exceto os tênis. E mesmo a correntinha com seu pingente de E havia uma manhã aparecido jogada em minha mesinha, sobre a cartela de minha pílula, com o fecho quebrado como se ele a tivesse arrancado do pescoço com violência, para simplesmente deitá-la fora.
           Sabia Deus o que ele tanto fazia virando as madrugadas na rua, mas a única certeza era que Lily trocara a noite pelo dia. Perdi a conta de quantas vezes cheguei do trabalho no final da tarde para encontrá-lo a ainda tomar o "café da manhã" e ser ignorada por ele que simplesmente ia depois para o banho, vestindo-se no banheiro e saindo em seguida, a casa dia um novo item aparecendo, uma pulseira, um anel, uma blusa, uma cor de batom; mas eu senti a necessidade de falar com alguém apenas naquela manhã, quando, auxiliada pela luz do sol que clareava o quarto entrando pelas frestas da janela eu pude ver claramente ao virar-me para ele sobre a cama onde dormia de costas, em silêncio observando seus cílios tremelicando de leve ao que sonhava, agora recobertos de rímel preto e não mais da cor original, os lábios serenos com um resto de batom já desmaiado, sentindo o leve odor de vinho e cigarro que emanava deles, à finíssima correntinha de ouro que ele tinha agora no pescoço, com um delicado pingente com um L maiúsculo em letra cursiva, abandonado sobre os pêlos ruivos de seu peito que apareciam no decote da camisola rosa.
          Aos finais de semana quem evadia-se de casa era eu, para não ter que presenciá-lo dormir na cama o dia inteiro, as unhas pintadas das mãos que repousavam sobre o travesseiro ou sobre o peito, os itens de maquiagem que ele deixava espalhados sobre a pia do banheiro. E naquele dia eu evadi-me, ao contrário de todas as vezes, com um destino certo: Eu evadi-me para o Western Addiction, para a casa de Jo Anne.
          *
          - Calma, me dá um minuto, que não estou sacando - ela disse meio confusa, coçando os cabelos, com ambas as pernas para cima do sofá - O que está me dizendo? Que o Ed ficou pirado?
          Respirei fundo, apoiando o rosto nas mãos por um momento, antes de suspirar - É o que você acha, Jo Anne?
           - Ué, cara, você está me passando a letra de que ele agora deu pra sair e passar a madrugada fora, vestido de mulher... Pra mim, isso é estar doidaço - e deu de ombros.
          De repente ergui o rosto, preocupada, encarando minha amiga de anos, e implorei - Jo Anne, pelo amor de Deus, você não vai falar isso pra ninguém, não é?
             - Claro que não! - ela pareceu ofendida - Pensa que eu sou o quê? Uma alcagoete futriqueira? - e olhamo-nos em silêncio por alguns instantes, até que ela tornasse a falar - Cara... O abonado... Não acredito. Que barra pesada, amiga.
          - Pode crer - gemi - Eu... Eu não sei o que fazer, entende?
          - Eu também não saberia - e pensou um instante - Putz grila, eu sabia nem que isso existia... Quer dizer, ah, a gente vê os travestis quando sai de madrugada... - e de  repente ela parou de falar, olhando-me, e atrapalhou-se um pouco - Quer dizer, putz, esquece, eu não quis falar isso, mas...  Se ele segue com isso logo todo mundo vai ficar sabendo, não é?
          Escondi o rosto entre as mãos - Jo Anne, nem me fale isso.
          - Vai por mim, você vai ter que aguentar firme... Ou cair fora, se achar que não é pra você - ergui o rosto e encaramo-nos - Mas e vocês dois... Eu quero dizer...
          - Não estamos nem nos falando, Jo Anne, muito menos isso.
          - Então o que é que você está fazendo lá ainda? - a pergunta dela chocou-me um pouco - Acabou, não é?
          - Não! - eu sobressaltei-me.
          - Cara, eu não estou sacando mais nada, é sério. Me explica isso. Teu marido virou travesti, vocês não têm mais nada e nem sequer se falam; o que ainda tem pra você lá?
           - Ele não é meu marido - respondi, sentindo-me muito cansada.
            - Cara, por favor - queixou-se ela - dane-se se é casamento ou não... Pára de focar sempre no detalhe inútil e foca no importante, que foi: O que tem pra você lá?
          Olhei Jo Anne por quase meio minuto, aturdida, sem conseguir sequer arranjar meus pensamentos, quem diria dizer alguma coisa, até que ela finalmente me perguntasse:
          - Você ama ele, não é?
          - Ele me disse que não.
          Ela impacientemente bateu as palmas de ambas as mãos sobre o rosto, puxando-as em seguida para baixo ao que fazia assim uma careta, até que gemesse:
            - Que barra, você ama. Você ama sim. Só amando pra estar lá ainda, e o Ed é um panaca por não ver isso.
             - Talvez... - eu suspirei, baixando o tom de voz - talvez eu só esteja lá por não querer voltar pra casa de meus pais, na verdade.
           - Pois vá morar com sua avó, ou com seu irmão.
           - Não, Jo Anne... Não posso falar nada disso para o John-John... Não consigo nem imaginar o  que ele poderia fazer... e não quero falar nada para minha avó, ao menos não agora. Eu... Eu não tenho opção, manja?
          - Ah, não? Pois eu te dou opção - ela disse, de forma exaltada - Vem pra cá. Agora. Pega tuas coisas e vem pra cá. Pronto!
          Olhei-a de olhos arregalados, sem conseguir falar um A que fosse, e ela de repente riu, baixando o rosto e coçando os cabelos louros.
           - Viu só? Como eu disse. Você ama. E não é só o Ed que é um panaca. Você também é. Dois panacas. Não à toa estão juntos.
          - Jo Anne...
          - Você veio ouvir verdades, não foi? Quer ficar iludida, vai pra casa.
          Calei-me e ambas ficaram em silêncio por um bom tempo, até que Jo Anne suspirasse e recomeçasse a falar:
           - Chapa, seguinte: Não vou nem tentar aqui fazer a sua cabeça, mesmo porque eu sou uma anta completa e não faço ideia do que você deve ou não fazer. Mas ainda assim eu vou te passar um papo firme agora; segura: Já ouviu falar da tal da crise dos sete anos? - ela aguardou pelo contato visual, mas eu olhei-a e permaneci calada - Então. Acho que pode ser isso - e suspirou, dizendo para si mesma - Por isso que não fico nem sete meses com ninguém, que papagaiada - e passou a mão no rosto antes de prosseguir - Meus pais mesmo, desquitaram-se na crise dos sete anos. Enfim. Seguinte: Você tem os quatro pneus arriados pelo abonado ruivo, e ele por você, e vocês por sete anos viveram fofinho... Mas agora parece que tudo entrou pelo cano porque a situação toda mudou... Ou, bem... De repente mudou nada, só ficou do jeito que sempre foi mas ninguém tinha ainda percebido. Ok. Dane-se. O que importa é: Ele parece que cedeu por muito tempo por você, até chegar ao ponto de não segurar mais. Seja o que for que deu nele, cara, parece que ele precisa disso para ser ele mesmo, mas vou nem querer sacar quem ele é ou não, ok, pula essa parte. O ponto é: O quanto você está disposta ou não a ceder por ele? - olhei Jo Anne muito séria enquanto ela dava-me um segundo para pensar - Você, que sempre odiou mudanças, foi atropelada pela mais louca de todas que podiam te atropelar, não foi? Agora, você acha que vale a pena levantar e seguir em frente ou vai ficar lá esmagada na estrada? - o jeito dela falar era estranho e engraçado, mas até que ela estava fazendo um certo sentido, e eu baixei os olhos para meus dedos sobre o colo, começando a inconscientemente rodar no dedo o meu anel de águas-marinhas - Ok, você sifu, a barra está dose, mas, desculpe mandar a real, mas só você vai decidir pra onde isso vai agora. Se você não amasse ele, você pegava suas coisas e vinha pra cá. Você tem seu trabalho, você não precisa dele pra nada, exceto, pra te dar amor. Ele tem algo pra te dar como está agora?
           - Diz ele que sim, que nada mudou - falei, com voz sumida.
          - E você quer o que ele tem pra te dar agora?
          Ergui o olhar para ela, mas não consegui responder.
          - Bom  - Jo Anne falou de modo triste - Na pior das hipóteses você zarpa fora e vai arranjar outro... Está assim de homem em Frisco, amiga. Eu te garanto. O que você precisa é dar uma craneada pesada sobre isso tudo e decidir. Mas a impressão que eu tenho é que você não quer fazer isso.
           - E se fosse com você, o que você faria, Jo Anne?
           - Não - ela riu - Isso não aconteceria comigo.
           - Como não? Também não  achava que aconteceria comigo, e aconteceu.
           - Não, você não sacou o que eu quis dizer - e ergueu-se de onde estava, vindo sentar-se ao meu lado, abraçando-me - Isso não acontece comigo porque eu não dou tempo, não dou chance de acontecer, manja? Mas como diz minha mãe, e a coroa tá certa, a gente sempre paga por nossas escolhas. Eu não me apego a ninguém, então nunca vou passar por essas coisas, mas, por outro lado... Eu jamais vou ter o que você tem.
           - E o que é que eu tenho?
           - Amor de verdade, sua anta. E amor é bonito pacas, mas dizem também que machuca como o garfo do capeta... Tô fora. Mas, pensar que vou morrer sem saber como isso é, dá umas luzes baixas na gente.
          De repente agarrei-me a ela com ambos os braços, e abraçamo-nos, e enfiando o rosto na curva de seu pescoço sobre a blusa amarela que ela vestia, eu sussurrei com os olhos cheios de lágrimas:
            - Por que nos afastamos, Jo? Nós éramos tão próximas...
            Afagando meu cabelo, ela respondeu-me com voz doce - Não sei... Foi a vida. Nós crescemos, e as coisas mudaram, só isso. Mas eu te amo a fuzil, sua toupeira alternativa. Isso não muda nunca.
           Ouvindo isso eu consegui sorrir, e ergui o rosto para ela, que sorrindo beijou-me o rosto, alisando sem parar o meu cabelo - Já sabe o que vai fazer?
           Balancei que não à cabeça, e ela disse - Você precisa cranear. Vai pra casa e faz isso - e falando assim ergueu-se, indo para a cozinha e voltando de lá com um guardanapo na mão, que ofereceu-me, e com ele sequei as lágrimas.
           - Sabe do que que Edward lembrou-me outro dia? De que você cantava Baby you're a rich man dos Beatles para ele, pra torrar a paciência dele no começo do namoro.
          - Hum? Eu fazia isso?
          - Você não se lembra?
          - Eu não lembro o que eu comi ontem. Ainda mais uma coisa de sete anos atrás. Ah, que musiquinha velha, também - e riu - Mas se você está dizendo que eu fazia, eu acredito. Minha cara fazer isso - e sentou-se de novo no sofá onde estava antes, cruzando as pernas - Eu achava tão engraçado você namorando um grã-fino filho de dondoca... Porque teus dois primeiros casinhos tinham sido com uns perseguidos pela justa, que olha...
           - Jo Anne, não exagera. Nenhum era bandido, coisa nenhuma.
           - Hum - fez ela - Podia até não ser, mas que tinham cara, tinham. Até eu tinha medo deles... Tipo o teu irmão... Morro de medo, credo. Tô fora. Mas, falando nisso: O que você viu no Ed? Eu nunca achei ele teu número, desculpa falar. Mas já que estamos aqui vomitando a verdade toda...
           Parei um instante pra pensar - Não sei. Talvez... Que ele, diferente do Wallace ou do Trevor, era delicado comigo. Ele... sempre me tratou com doçura.
          - Que era uma coisa à qual você não estava acostumada, não é? - olhei para ela em silêncio - A real é que você só tomou sarrafo na vida. E ele veio pra te trazer aquele mel todo que ele tem. Mais uma coisinha pra você botar na cuca: Você ama mesmo ele ou o que ele te oferece? Se ele não tivesse mais nada disso pra te dar, você ainda continuaria gostando dele?
            - Jo, eu acho... - fiz uma breve pausa - que você devia parar de dizer que é uma anta, porque você na verdade é genial - e sorri para ela pela primeira vez, que olhou-me sem compreender por um segundo, antes de desatar a rir.
           - Sim, mas, justamente: O que prova que sou uma anta é justamente achar que eu sou uma, sendo que na verdade não sou nada!


Notas Finais


No próximo capítulo, iremos ter uma pequena amostra do que nossa Lilizinha anda fazendo por aí.


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