História Meu Namorado Se Chama "Lily" - Capítulo 42


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Palavras 2.407
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Festa, Ficção, Fluffy, LGBT, Lírica, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Cross-dresser, Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


*recadinho pra sister*
Hj temos combinações perfumadas, sister! Ai, eu quero!
*
(Para quem não souber, a música citada aqui hoje é "I am the Walrus", dos Beatles, que dá o tom da doidera reinando aqui. Quem não conhece, ouça, por favor, que é muito boa)
*
Cast: Imaginei a personagem que aparece aqui como a Amanda Seyfried no filme Lovelace e o rapaz é o Romain Duris loiro e de cabelo longo no Uma Nova Amiga. kkkkk. Eu não presto. Eu me sinto escrevendo uma poha de uma série pro Netflix... 😅
*

Capítulo 42 - I am he


Fanfic / Fanfiction Meu Namorado Se Chama "Lily" - Capítulo 42 - I am he

Dobrando a boca do pacote de papel pardo cuidadosamente e entregando-no ao cliente, eu sorri o melhor sorriso que pude enquanto dizia:
          - Muito obrigada, e tenha um bom dia!
          Assim que ele afastou-se em direção ao caixa, eu passei as mãos no cabelo das têmporas, alisando-os para cima, com um suspiro cansado. Estava com sono. Havia muitos dias que não conseguia dormir direito, primeiro preocupada com o que tanto Lily fazia na rua, depois, acordada como era sempre que ele chegava, e também não estava alimentando-me direito, porque andava sem apetite. Diane mesmo já havia cansado de dizer-me o quanto eu andava pálida, mas eu tentava dizer-lhe que era apenas falta de ir à praia e mais nada, embora eu bem soubesse que não era, e com  as mãos no cabelo baixei ligeiramente o rosto, olhando para o chão, quando a sineta tocando na porta da loja, que abria-se, fez-me erguer os olhos para ela rapidamente  e, vendo quem eu vi, eu quedei imóvel por um segundo:
          - Ei... olá.
          Levei um segundo para conseguir responder - O que você está fazendo aqui?
          Ele pareceu sem jeito por um instante - Hum, bem, Jo Anne me deu o endereço daqui, eu perguntei pra ela onde você trabalhava - respondeu Jean, metendo ambas as mãos nos bolsos antes de desviar de sobre mim seus olhos para o ambiente ao redor, e exclamar - Que bacana isso daqui. Eu, bem, não entendo nada, mas, eu acho fascinante.
          - Ok, Spock. Você acha fascinante - eu respondi, meio azeda - Agora me dê licença, que eu estou no meu trabalho.
          - Ei - rapidamente ele ergueu a mão direita e por sobre o balcão pegou-me levemente pelo braço - Desculpe. Sério. Desculpe por aquele dia na sua casa, mas é que... Eu não resisti.
          - Pode soltar agora?
          Ele abriu os dedos e deixou as mãos no ar, enquanto eu afastei-me dele ao longo do balcão, começando a arrumar as prateleiras que eu havia remexido para atender ao último cliente, mas Jean logo acercou-se novamente, vindo para perto por ao longo do balcão, insistindo uma vez mais:
           - Ei, será que podemos pelo menos ser amigos?
           Eu parei e voltei-me para ele, olhando-no no ar desconfiado, e ele, claramente percebendo isso, recomeçou a falar rapidamente:
           - Sério. Eu... Eu respeito que você está comprometida agora e, embora eu me arrependa de não ter ficado com você no colégio, eu entendi que agora é tarde pra voltar atrás, mas... Isso não muda o fato de que eu gosto de você, da sua companhia, manja? Então eu queria saber se podemos ser amigos - e nesse ponto ele falou meu nome, e fazia tanto tempo que não ouvia meu nome saindo dos lábios de um homem, que aquilo chegou até a soar estranho para mim, embora não pudesse negar que era agradável demais, e eu olhei-o bem no rosto por um instante - A que horas você sai?
          Sem que eu pensasse, peguei-me olhando o relógio de parede e respondendo - Daqui quarenta minutos.
          - Perfeito - ele disse - Eu volto daqui quarenta minutos. Vamos tomar uma coca-cola e conversar? Pode ser?
           - Uma coca-cola?
           - Ou o que você preferir - ele riu - Pode ser?
           Ainda sem conseguir sorrir eu balancei de leve a cabeça e vi Jean dizer contente - Bem, ótimo. Então até daqui a pouco - e afastou-se, tornando a sair da loja, a sineta da porta tocando ao que ele puxou a maçaneta.

*

          Da próxima vez que Jean voltou para convidar-me para beber algo e conversar ele trouxe consigo Cosette, e confesso que dessa vez as coisas correram mais naturais e agradáveis, porque eu comecei a acreditar que ele realmente queria apenas amizade, o que deixou-me mais confortável, e ao final da tarde peguei-me pedindo-lhes que fizéssemos aquilo mais vezes, o que ambos prometeram-me que sim. Era bom rever pessoas de uma época afastada, quando eu ainda não conhecia Edward, porque isso fazia-me simplesmente pensar em outras coisas que não na situação atual, sem mencionar que o meu atraso em voltar para casa fazia-me já não encontrar mais Lily, que então havia já saído, e isso na  verdade era-me bom. E as semanas iam-se passando, não sem que pelo menos uma vez durante elas eu saísse com os dois, ou com Jean sozinho nas vezes em que Cosette não podia vir, e a presença deles ajudava-me a passar o tempo de forma mais agradável. Os fins de semana eu passava com Jo Anne, às vezes com John-John, ao qual dizia que Edward havia ficado em casa pintando porque estava com encomendas, mas evitava minha avó porque sabia que tais desculpas não iriam enganá-la. E naquela sexta-feira de final de Junho Jean apareceu sozinho para buscar-me para nossa habitual saída.
          A sineta da porta tocou e, olhando para ela, eu e Diane, que no canto reempilhávamos algumas molduras, demos com a cabeça de Jean que infiltrou-se para dentro, seus cabelos castanho-escuros lavados e penteados de lado, e assim que viu-me, sorriu, gesticulando com as mãos que esperaria por mim na calçada, tornando a sair, fechando a porta, ao que Diane riu, e eu encarei-a por um instante.
          - Ele está muito a fim de você - ela disse, baixinho, ainda rindo.
          - Não viaja, Diane - eu disse, séria, arrumando as molduras, desviando para elas o meu olhar.
          - Ah, mas é sério. Você está saindo com ele direto, não é?
          - Somos somente amigos.
          - Sei - Diane riu, limpando as mãos no avental, mas de repente ficou séria - Mas, e o Edward, o seu namorado? Não estão mais juntos?
           - Estamos, sim - a voz saiu-me num fio - Jean é amigo, já disse.
          Afastando-se, Diane disse - Bem, ok - e começou a retirar o avental - Deu nosso horário. Bom passeio com seu "amigo" e bom fim de semana. Até segunda-feira.
          *
          Abrindo a porta passei para dentro e assim que fechei-a  encostei-me nela de costas e, fechando os olhos, apoiei a cabeça contra ela, erguendo o queixo, enquanto pensava, e novamente via diante de mim Jean pegando-me as mãos sobre a mesa do café, Jean sorrindo para mim, Jean beijando-me o rosto quando despediu-se de mim há segundos atrás aqui adiante na calçada, e de repente senti-me muito confusa. Mas abrindo os olhos e olhando ao redor, dei com a bagunça que Lily deixava para trás: umas blusas e uns sutiãs jogados por sobre as costas do sofá, uns colares largados sobre a mesa do telefone, os tênis jogados pelo chão. E com um suspiro fui até o sofá, recolhendo as peças que estavam alí, parando para observar quando peguei uma combinação de seda, que longamente acariciei entre os dedos antes de levá-la ao rosto, onde por um momento cheirei o perfume de Edward que estava impregnado nela, mas aquilo apenas serviu para fazer-me doer o peito. E rapidamente afastei-me com as peças de roupa, pondo-as dentro da mala aberta que Lily deixava no chão, aos pés do sofá, e que era o seu guarda-roupa, antes de apoiar-me com uma das mãos ao encosto dele e fechar os olhos um instante, suspirando. Olhei então vagamente na direção da cozinha, mas não tinha fome, e resolvi subir logo para o quarto para dormir mais cedo.
          *
          Mas o som da campainha e as batidas na porta acordaram-me com susto, e assim que mexi-me na cama Júpiter saltou do meu lado, correndo para fora, seu vulto amarelo parecendo um fantasma à meia-luz, e acendendo o abajur, pus os cabelos para trás das orelhas, pegando meu reloginho de pulso de sobre a mesinha e verificando as horas: Três e meia passadas da madrugada. Outra vez a campainha soou e eu, de coração alarmado, peguei meu robe de seda e vesti-o sobre a camisola rapidamente enquanto saía do quarto, apertando todos os interruptores e acendendo todas as luzes em meu caminho até chegar à porta da sala, onde, colando-me nela, com o coração disparado no peito, falei alto:
          - Quem é?
          - Oi, olá - respondeu uma voz de mulher - Nós estamos aqui com o Edward... Ele não está muito bem. Ele mora aqui, não é?
          *
          Rapidamente, sem pensar no perigo, destranquei a porta e abria-a, deparando com duas pessoas que a custo amparavam Lily nos braços, e brevemente discorrendo meu olhar por elas, pelas roupas e por todo o resto, era claro que a jovem era uma prostituta e que o outro era um travesti, ambos da rua, e por um segundo o choque deixou-me sem reação alguma e estaquei alí, a olhar aquela cena, ao que a moça apressou-se a dizer:
          - Bem, ele está com as chaves na bolsa, mas nós não achamos correto entrar sem pedir permissão, manja? E nós pegamos o endereço e o nome nos documentos dele aí dentro também...
          Nesse instante Lily meio que abriu os olhos, e riu molemente, antes de balbuciar, cantarolando: "Semolina pilchard, climbing up the Eiffel Tower..." e desatou a rir, e piscando meus olhos, eu balbuciei:
           - O que... O que houve?
           - Bebeu demais, e parece que usou alguma coisa - disse o travesti de forma tímida, do alto de seus 1,85 de altura, os longos cabelos louros tingidos e muito cheios caindo em cascatas sobre os ombros, mas a voz grossa e a barba-azul no rosto denunciavam o que ele realmente era.
           - Mas não fomos nós quem demos a ele - disse a moça, apressadamente - Nós só o vimos e quisemos ajudar. E mexemos na bolsa só pra ver se descobríamos algo, mas não pegamos nada, pode conferir, está tudo aí.
           - E por que eu ia achar que vocês tinham pego? - eu perguntei, completamente aturdida, olhando de um para outro.
           - Bom - a moça deu de ombros, mascando o chiclete - É o que todo mundo pensa da gente - e fez uma pausa - Vai, Shirley, dá a bolsa pra ela.
            Timidamente o travesti retirou do próprio ombro, como pôde, a bolsinha de Lily e esticou-a a mim, mas ignorando o gesto eu movi-me rapidamente, pegando o rosto de Lily entre as mãos, e senti os olhos marejarem.
             - Meu Deus, o que aconteceu?
            - Nosso ponto é no Castro - disse a moça - Encontramos ele saindo de um bar... E se estatelando na calçada do lado de fora.
          - Vamos, entrem, por favor - eu disse apressadamente, gesticulando para o sofá - Muito... Muito obrigada por trazerem ele para casa... Vocês... Vocês não tinham obrigação nenhuma.
           Pondo Lily sobre o sofá, no que eu ajudei-os, a moça, ajeitando os cabelos e a roupa, falou baixinho - Imagina, moça. Não custa nada ajudar os outros. Espero que teu irmão fique bem.
          - Não é meu irmão... É meu namorado - falei, num fio de voz, curvando-me para Lily que, abrindo os olhos um breve instante, riu pra mim antes de tombar a cabeça de lado, e ao erguer-me, ambos olhavam-me sem saber o que dizer, até que Shirley esticasse-me de novo a bolsa, que eu então peguei - Como posso agradecê-los?
            - Está tudo bem! - a moça riu, pegando o travesti pelo braço - Vamos indo agora. Precisamos voltar ao batente.
            - Posso pelo menos dar-lhes o valor da passagem?
           - Não, sério. Está tudo bem. Cuide dele agora - e foram saindo, ao que tornei a trancar a porta atrás deles, não conseguindo ainda crer no que tinha acabado de acontecer, cobrindo a boca com uma das mãos e tentando organizar os pensamentos antes de tornar para o sofá, debruçando-me sobre Lily de novo, pegando-lhe a cabeça, ao que ele abriu os olhos um instante, encarando-me, e de repente sorriu:
          - Quem é você?
          Senti os olhos arderem e soltei um soluço, não sabendo com qual nome responder-lhe, e consegui apenas falar baixinho:
           - E você, quem é?
           Tornando a cantarolar, Lily ria-se: "I am the walrus, goo goo goo joob" e desatou a rir, engasgando-se e tossindo, ao que eu, meio apavorada, segurei-lhe a cabeça, sussurrando:
          - Não, você não é - e então dei-me conta, e gemi - Deus, estou entrando na loucura dele, estou fazendo a Nicola... me ajude... - e respirei fundo - Meu Deus, o que eu faço? Tento dar-lhe café? Tento levá-lo para o banheiro para dar-lhe um banho frio? - gemi - Eu preciso de ajuda, eu... - mas parei e pensei e logo sacudi a cabeça - Não, eu não posso chamar ninguém, eu... eu estou sozinha nessa - e olhando-no com os olhos cheios de lágrimas, murmurei em seguida - Só posso fazer por ele o que eu conseguir fazer sozinha.
          E tendo passado o acesso de tosse, Lily tentou erguer-se, e a custo pôs-se sentado, ao que continuava a cantarolar: "Boy, you've been a naughty girl, you let your knickers down", e desatou a rir novamente, como se houvesse muita graça na letra da música, e eu então observei-o: Usava um vestido anos 20 muito parecido com os meus e um longo colar de pérolas no pescoço. As mãos repletas de anéis e de unhas feitas gesticulavam perdidamente em frente ao rosto sujo, a maquiagem meio borrada, os cabelos da franja suados e sobre os olhos. E com o coração partido, eu repeti minha pergunta:
           - Quem é você na minha frente, que eu não reconheço mais?
           Lily olhou-me com os olhos estreitados e as sobrancelhas franzidas por um segundo antes de apontar-me um dedo e recitar a primeira linha da canção: "I am he, as you are he, as you are me and we are all together", e assim tendo dito tombou a cabeça sobre o meu peito, largando todo o peso sobre mim, que quase tombei para trás, e eu, quase chorando, disse, sem esperança alguma de resposta:
            - O que você tomou?
            E nesse instante senti-o contrair o corpo e sem mais Lily vomitou praticamente em cima de mim, pesando sobre meu peito quase como se tivesse desmaiado, e com um suspiro de susto amparei-o, em seguida com toda a minha força erguendo-o e deitando-o sobre o sofá e, enquanto alisava-lhe o cabelo da franja para trás, olhando seus olhos fechados, eu murmurei:
            - Acho que agora ele vai ficar bem - e ergui-me, indo buscar um pano para limpar o chão, enquanto retirava o robe sujo indo jogá-lo dentro da pia do lavabo.


Notas Finais


No próximo capítulo... Armadilhas armadas vão tentar funcionar, e nossa heroína vai dar um "passeio" no bairro do Castro, mas não encontra o que foi procurar, e sim, outra coisa.


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