História Meu (não) Chefe - Capítulo 29


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Categorias As Crônicas de Bane, Os Instrumentos Mortais, Shadowhunters
Personagens Alexander "Alec" Lightwood, Magnus Bane
Tags Alexander Lightwood, Clace, Magnus Bane, Malec, Romance Gay, Sizzy, Yaoi
Visualizações 474
Palavras 2.149
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Lemon, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu de novo 😊😊😊

Capítulo 29 - Pode perguntar o que quiser saber (Part. 2)


- Meu pai? O que tem meu pai? - Alec perguntou confuso.

- Não quero manchar qualquer que seja a memória que você tem dele...

- Não tenho memória nenhuma. Ele morreu quando eu já tinha dez anos, mas não era próximo de nós. Quase não me lembro dele.

Magnus suspirou. Não estava confortável em dizer aquelas coisas.

- Okay. Eu vou chegar lá então. - Respirou fundo. - Até meus...  - Magnus parou para pensar e Alec imaginou que ele fazia contas na mente. - Doze anos as coisas eram assim. Eu tinha a Catarina e uma moça da limpeza no orfanato que não me odiavam, mas o resto das pessoas decidiu que podia me tratar como quisessem. Meu problema com a sua mãe estava distante, no máximo eu jogava ovo e papel higiênico na sua casa no Halloween.

- E o que mudou depois dos seus doze anos?

- Eu. Eu odiava a minha vida, doía sentir as coisas que eu sentia: confusão, ódio, rejeição... Nessa época eu me dei conta de que usar meus problemas como desculpa era estupidez. Minha professora não estava nem ai se eu havia mudado de escola e depois voltado no meio do ano por que alguém decidiu me adotar e levou seis meses para descobrir que eu não era bom o bastante e me devolveu. Fui reprovado e repeti de ano do mesmo jeito. As pessoas não iam facilitar as coisas para mim, então eu tinha que parar de sentir pena de mim mesmo. Entende?

"Eu estava com raiva de tudo e todos. As pessoas achavam que podiam me usar e eu deixava. Uma família idiota decidiu me usar para descobrir se estava ou não pronta para ter filhos e depois me largou; - Magnus tinha lágrimas nos olhos. - uns garotos mais velhos da minha escola decidiram que podiam me usar de aviãozinho e de piada por ser órfã e não ter ninguém por mim; o estúpido do diretor do orfanato era outro que se via no direito de me usar para o que quisesse. - Enxugou uma lágrima teimosa que molhou sua bochecha.

- Magnus... Eu não sei o que dizer... - Se aproximou e tocou com a ponta dos dedos carinhosamente a bochecha úmida do Magnus. Afagou delicadamente, mas teve seu toque rejeitado. Magnus afastou sua mão não de forma rude. - Magn...

- Tá tudo bem, meu amor. - Disse simplista, pois  não queria começar a chorar, então não podia permitir ser consolado agora.

- Sinto muito.

- Enfim. - Prosseguiu tentando não deixar a voz trêmula. - Catarina foi adotada e foi só o que eu precisava para me sentir um lixo. Eu sempre dizia que não queria uma família, mas era só o que eu queria... Eu havia me conformado por saber que nunca teria, eu sabia que ninguém adotava adolescentes, mas ela foi adotada com dezesseis anos. Eu senti tanta inveja que mal consegui ficar feliz por ela. Não é como se eu não quisesse que ela tivesse o que sempre sonhou, juro que não, eu só queria ter também. Para piorar eles moravam em outro país e a levaram de mim. Eu me recusava a atender as ligações que ela fazia ao telefone do orfanato, responder os cartões postais e até cartas que ela mandava porque eu a culpava e ao mesmo tempo achava que ela não precisava ter que lidar com meus problemas quando sua vida estava melhorando.

"Eu simplesmente mudei. Eu passei a fazer voluntária e remuneradamente parte do esqueminha de tráfico na escola. Eu parei de sofrer bullying e comecei a praticar. Eu queria ser tratado como igual, mas se ninguém queria me tratar assim eu decidi que queria ser superior. Era minha única opção já que ser inferior não era mais uma possibilidade.

"Eu ia para o último ano escolar e ainda almejava ser normal. Ter amigos normais e não babacas drogados. Eu adorava estudar e sabia que aquilo tudo que eu fazia era um tempo perdido, então... Dei meu jeito. - Pareceu constrangido ao admitir, Alec notou. - Eu trocava... Bem... Favores com o diretor do orfanato por coisas que me fariam mais normal. Ele me mudou para uma escola num bairro melhor e ele me pagava coisas como roupas melhores e me dava dinheiro para sair com amigos. Lá naquela escola ninguém sabia que eu era órfã, lá ninguém me olhava torto ou ria de mim. Lá eu podia mentir o quanto eu queria sobre a minha vida e família.

"Lá eu conheci a Camille. Resumindo ao máximo: me apaixonei por ela porque ela era diferente dos outros. Eu a admirava e estava carente. Acho que foi o mesmo que ela sentiu por mim. Tinhamos um relacionamento aberto, apenas supriamos carência e necessidades um do outro e isso era o suficiente. Ela sabia que eu era órfã e não contou para ninguém surpreendentemente. Foi ela quem pagou minha faculdade quando terminamos a escola. Terminamos e voltamos muitas vezes. A gente nunca falava "acabou" ou "vamos reatar". Paravamos de nos ver depois de uma briga séria e meses depois agiamos normalmente. Na última, a que eu já te conhecia, havíamos combinado fidelidade e ser um casal normal. E, bom, ela deu para o Scott.

- E a Catarina?

- Voltou para cá antes de eu terminar a escola. Senti vergonha de mim mesmo pelas coisas que estava fazendo. Não me importo com nada que faço, mas quando ela me olha a culpa vem. Com você não é diferente. Vocês me fazem querer ser melhor.

"Mas... - Voltou a se sentar na cama. - seu pai. Comecei como vendedor na Duch, mas fiquei amigo do seu pai para, bem, ao menos subir de andar. Isso ainda quando eu fazia faculdade. Me aproximei do seu pai e consegui um estágio. Saíamos bastante juntos. Ele traía... Traía frequentemente sua mãe. - Contou hesitante. - Ela sabia, mas fingia ignorância. Eu não sabia que ela sabia e contei para ela. Não vou mentir, parte foi por maldade e vingança pelas coisas que ela já me disse, e uma pequeníssima parte por ser o certo. Mas ela não queria ouvir algo assim. Ficou louca e me xingou bastante. Aquela foi nossa pior briga. Conhecíamos as mais profundas feridas um do outro... - A depressão pós-parto que Maryse nunca tratou realmente, a forma como Maryse se sentira diminuída após as traições, as dificuldades que passou na vida e Magnus se lembrava muito vagamente de ouvir em conversas entre Maryse e Lilith. E Magnus tinha suas inseguranças sobre si mesmo após tanta rejeição, dúvidas sérias sobre a qualidade do próprio caráter e se queria que tivesse alguma qualidade, desgosto por si mesmo e as atitudes que começava a tomar. As palavras ainda ecoavam em sua mente, principalmente a última frase que Maryse cuspira: "Alguém como você nem merece ser amado". - e não hesitamos em cutucá-las da pior forma possível. Maryse deixou de ser o muro que é, eu abandonei qualquer sombra da minha frieza para chorar como uma criança que nunca pude ser. Ela sabia das traições, mas ela não acha que existe seriedade ou realidade nos fatos até...

- Alguém dizer em voz alta. - Alec completou se lembrando das palavras da mãe para si na última conversa.

- Exatamente. - Magnus ainda não o olhava. - Não foi por um motivo só. Foram essas várias pequenas e grandes coisinhas que a fizeram me odiar. Ela sempre desprezou minhas atitudes e me julgou por absolutamente tudo. Me meter no casamento dela, que já era péssimo, foi o fim. Seu pai faleceu pouco tempo depois e independentemente de tudo ela o amava. Ela ficou cada vez pior e, por falta de quem culpar, me culpou por tudo. Descontava em mim. Ela queria viver um luto com saudades e memórias boas para chorar por nostalgia. Não podia dar espaço a raiva então descontou na pessoa que ela considerava mais odiavel. Ela passou um tempo afastada da Duch, e foi nessa época que comecei a crescer lá dentro, você sabe como. Eu sempre fui bastante determinado e capaz,digo sem nenhuma modéstia. Mas eu não tive oportunidade alguma na vida e encontrei meus meios de alcançar coisas que eu sabia que merecia. - Ele não estava se gabando, Alec notou, estava se explicando/desculpando pelas coisas que fez. - Mas sobre a sua mãe, acho que da mesma forma que ela me lembra e compõe os piores momentos que já tive na vida, faço isso com ela.

- Magnus... - Alec só notou quando a voz saiu tremula que tinha lágrimas nos olhos. - Isso é horrível.

- Eu sei. Não me orgulho das coisas que já fiz, mas não me envergonho. Eu fiz o que era necessário. Cometi erros, mas eu só estava cuidando de mim quando não tinha ninguém para fazer isso.

- Magnus! - Praticamente gritou o interrompendo e Magnus o olhos pela primeira vez. Continuou baixinho: - Horrível foram as coisas que você passou. Não estou te julgando, nunca vou fazer isso.

Alec se aproximou dele na cama. Repousou o copo em sua mão no chão antes de envolver seu corpo num abraço desajeitado - já que não foi exatamente correspondido.

Magnus se manteve imóvel entre seus braços.

Alec o apertava contra si com toda força que tinha.

Afroxou lentamente o aperto em volta do mais velho, mas não quebrou o contato e rapidamente se sentou em seu colo. Sobre suas coxas ficando de frente para ele.

Secou as lágrimas do namorado com um toque carinhoso dos lábios nas bochechas molhadas.

Notou que havia repousado uma das mãos no sobre o lado esquerdo do peito do Magnus e acariciava a pele devagar. Se lembrou da analogia ruim de um Magnus bêbado sobre seu coração destroçado. Alec afagava a região como se isso pudesse realmente tocar e até curar as feridas.

Magnus não acreditava que alguém fosse querer seu coração, mas para Alec, além da certeza de que o tinha, o mais importante era saber que cuidava bem dele.

Alec se curvou depositando o mais suava dos beijos nos lábios do namorado, o consolando como fora consolado pelo mesmo mais cedo. Rezou mentalmente para que pudesse aliviar a dor e o desespero do outro como ele fizera com a sua.

Quando se separam se encararam. Os olhares totalmente significativos e úmidos.

- Magnus. - Sussurrou. - Eu sinto muito por tudo que você passou, por te incomodar com meus problemas insignificantes e ainda ser incapaz de ao menos te ajudar com os seus quando você simplesmente desaparece com os meus. Eu queria poder tirar toda essa dor de você. Eu queria fazer tudo de ruim que você sente desaparecer e eu queria poder fazer você ser tão feliz quanto merece.

- Você faz isso, meu anjo. - Esboçou um sorriso entre as lágrimas. - Quando você sorri para mim, quando você me abraça, me me beija... Você faz tudo de ruim que existe desaparecer. Não me doí nenhuma falta de amor quando o que eu sinto por você preenche qualquer vestígio de vazio.

Magnus quem o abraçou dessa vez.

- Eu te amo muito. - Alec disse com o rosto enterrado na curva do pescoço Magnus.

- Eu também te amo.

Magnus se deitou de lado na cama sem se desvencilhassem dos braços e pernas entrelaçados.

- Magnus. - Alec sussurrou. - Eu que vou cuidar de você.

Magnus deu uma risada com pouco humor porém a mais leve e natural daquela noite.

- Deus. Agora você vai ficar insuportável.

- Vou sim. - Alec riu secando as últimas lágrimas. - Não vou te deixar em paz... Aliás, não vou te deixar não ter paz. Vou ficar do seu lado, vou te apoiar sempre que for o melhor para você e te contrariar na maior parte do tempo... Ah, e fazer drama sempre que você começar a beber. Até você cansar de mim, é claro.

- Não acho que isso vá acontecer. - Apertou Alec com mais força contra si, como de fosse possível que seus corpos se aproximassem mais. Depositou um beijo no maxilar do Alec e saiu do abraço para olhá-lo em seus olhos azuis. - Mas se for para ser irritante, Alexander, seja mesmo. Tá? Nada de me tratar diferente ou com cuidado...

- Você ainda é a pessoa mais forte que eu conheço, Magnus Bane. Só tenho mais certeza disso agora. - Se sentou na cama. - Mas hoje você simplesmente lembrou de todas as piores coisas que já te aconteceram. Então pelo menos hoje, deixa eu te dar colo?  - Pediu.

Magnus hesitou, mas apoiou a cabeça nas coxas do namorado e ele sorriu satisfeito por ele se permitir receber carinho. Alec sabia que aquilo não se repetiria sempre.

Alec começou a acariciar com os dedos por entre os fios escuros do Magnus e assim se manteve até ele adormecer.





 


Notas Finais


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