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História Meu Novato - Kiribaku (Kirishima e Bakugou) - Capítulo 31


Escrita por: cupcake_es

Notas do Autor


AVISO: Esse capítulo contém cenas delicadas de discussão que podem ser interpretadas como violência ou mesmo homofobia.

NOTA: Só lembrando que essa autora aqui não compactua com nenhum discurso de ódio proferido. É tudo pela trama.

Capítulo 31 - Não era isso que eu esperava


Fanfic / Fanfiction Meu Novato - Kiribaku (Kirishima e Bakugou) - Capítulo 31 - Não era isso que eu esperava

POV Bakugou

O tempo passava e nada de eu receber qualquer notícia da minha mãe. O silêncio naquele apartamento era pior que qualquer dor que eu começara a sentir pelo meu corpo. Odeio admitir que minha mãe estava certa de novo. Talvez eu esteja me esforçando demais. Minha perna tinha começado a latejar embaixo do gesso e os músculos de meu braço direito não tinham mais a firmeza que sempre tiveram. Olhei para a hora e lembrei que eu não tinha tomado meus remédios. Era isso. Eu tinha que voltar para casa, por mais que essa fosse uma ideia péssima. Tranquei o apartamento como minha mãe me pediu e não tive outra escolha senão retornar para aquela guerra com as muletas.

***

Assim que cheguei em casa, tomei meus remédios e fui tomar uma ducha. Eri já havia chegado. Como já era de se esperar, ela reparou no novo desenho em meu gesso. Outrora já disse que minha maninha é fofa na maior parte do tempo, mas ela sabe muito bem como ser insuportável quando quer. Para a minha infelicidade, essa era uma das malditas ocasiões. Ela não parava nunca de elogiar a pimenta desenhada em meu gesso e perguntar quem tinha desenhado. Na minha cabeça não fazia sentido explicar para a minha irmãzinha o significado daquela pimenta ou mesmo dizer que ela foi pintada por um “amigo”. Acho essa palavra simples demais para denominar o que eu e Eijirou temos juntos. Não sei qual a palavra certa, mas certamente não gosto que seja apenas amizade.

Uma hora Eri se cansou e eu tive um pouco de paz. Aproveitei os minutos de silêncio para terminar os exercícios que abandonei pela manhã. Conforme eu finalizava atividade após atividade, em meu Ipad, e o tempo passava, algo no ar me incomodava. Era estranho que, depois de tantas chamadas e mensagens, Uraraka não tivesse aparecido para me encher com cuidados ou com mais comédias românticas péssimas. Estava concentrado em minha folha terminando alguns cálculos quando notei meu Iphone iluminar o quarto escuro com um lampejo de luz que logo se apagou. Larguei minha lapiseira e fui checar quem era com esperança de ser notícias da minha mãe.

Não era. A mensagem tinha vindo de um ser que tinha me bloqueado semanas atrás. Eijirou tinha me enviado uma foto dele ainda de farda e olhando para o teto com uma carinha de cansado. Mais abaixo ele enviou: “finalmente livre”. E em seguida: “sabia que graças a você, mais uns seis clientes pediram achocolatado depois que você saiu??”; // “é isso, Bakuguou, você lançou uma tendência na Orgulho Queer”. Sorri enquanto lia as mensagens. Enviei vários “kkk” e respondi dizendo que eu não tenho culpa que ele faz o melhor achocolatado do mundo. Enquanto esperava por alguma resposta de volta, abri a foto de meu ruivinho e dei um zoom em seu rosto. Analisei cada detalhe. Passeei o dedo devagar pela tela vislumbrando seu penteado espetado mais caidinho perto da testa, onde estava claramente suado, e desci passando por suas bochechas até perceber que uma barba por fazer ralinha começava a aparecer. Despertei-me de meu transe apenas quando vi que ele já havia me respondido.

Ele perguntou o que eu estava fazendo, então liguei as lâmpadas de meu quarto e tirei uma selfie com a cara afundada em várias folhas de cálculo. Ter esses momentos fúteis com Eijirou era tudo o que eu sempre quis. Cansado de esperar, deixei o ruivo um pouco de lado e finalizei minha lista. Olhei para a hora e notei que era 17h30. Fiquei tão animado que coloquei minha playlist de música gringa para tocar no aleatório. Pareei com minha caixinha de som. O mais engraçado foi notar qual música começou a tocar. Era “parents” do YUNGBLUD. A letra fala de um garoto que é ameaçado pelo pai por ser gay, então o garoto lindamente caga para a ameaça e fode com o melhor amigo no jardim. Eu amo essa música.

Comecei a chacoalhar a cabeça e tudo acompanhando o ritmo do toque quando comecei a ouvir batidas na porta. Que saco! Abaixei o som e me empurrei da cadeira com rodinhas até a porta.

— Quem é? – Mais batidas. Batidas fortes demais para que fosse apenas Eri querendo me importunar.

— Abre essa porta, Bakugou. – A voz grave em forma de ultimato... Era meu pai. Eu vestia somente um samba-canção azul. Até pensei em levantar e colocar alguma camiseta lembrando que meu pai odeia quando estou sem camisa, mas daí pensei na batalha que teria que travar com as muletas, aí desisti. E depois eu estou em meu quarto, ele que lute. Confesso que ainda assim fiquei preocupado. Até o momento, minha mãe não tinha me enviando uma mensagem sequer. Abri a porta e me afastei.

— O que é, Masaru?

Ele entrou em meu quarto como uma bala. Meu velho estava de terno, o que quer dizer que ele provavelmente tinha vindo de alguma reunião importante. Ele olhou para cada canto do meu quarto como se procurasse por algo “incriminador”. Algo que pudesse usar como ponto de partida para me criticar. Felizmente meus pôsteres da Nirvana e da Banda Kiss ou dos Beatles não tinham nada demais. Eram “hétero” o suficiente para ele me deixar em paz.

O clima ficou tenso. Assim que ele se virou e me olhou sem camisa eu me arrependi de não ter travado aquela batalha. Cruzei os braços e mordi o espaço entre os meus dentes. Não consegui olhar para o seu rosto por mais de três segundos, como de costume. Desviei seus olhos várias vezes, mas em um desses segundos notei que havia um corte cicatrizado no canto de sua sobrancelha direita. Minha mãe. Aquilo devia ter sido obra da Mitsuki furiosa que eu conheço. Isso significava muitas coisas. Então, os dois tinham conversado? Tinham brigado? Se eles discutiram, o que ele veio fazer aqui?

— Bom, como anda meu piloto em fuga machucado? – Eu sabia que por trás daquele tom atencioso, ele escondia algo. Masaru enterrou as mãos nos bolsos de sua calça social cinza claro e começou a perambular pelo quarto.

— Tem certeza que só veio aqui pra perguntar como estou?

— Por que não? Não posso mais me preocupar com meu filhinho só porque ele agora é um homem? – Notei uma ênfase muito grande na palavra “homem” como se ele quisesse me passar alguma mensagem.

— Eu tô bem. – Ele deu um risinho debochado quando disse isso. — O que é engraçado?

— O que é engraçado? – Ele tirou o foco das folhas de meus exercícios e se virou. — Digamos que eu fiquei sabendo dos seus passeios de uber de hoje. Pelo visto, você parece muito bem. Anda de muletas como se tivesse nascido pra isso. – Meu sangue ferveu com o tom cantante em sua voz.

— Para de enrolar e fala logo o que tem pra me dizer de uma vez. – Ele gargalhou debochado.

— Sua mãe foi me fazer uma visita hoje no escritório. – Engoli em seco. — E digamos que ela estava um tanto quando fora de si. – Ele apontou para o seu corte na socrancelha. — Típico da Mitsuki.

— Não ouse falar mal dela. – Grunhi e apertei os braços da cadeira com força o bastante para sentir cada centímetro de meu braço vibrar.

— E sabe o que é mais engraçado? Ela misteriosamente descobriu QUE ESTAMOS FALINDO! – O tom de voz elevado fez eu estremecer um pouco. — Está satisfeito, Bakugou? Eu lhe dei tempo pra que você escolhesse o momento certo de pedir a mão da Uraraka. – Ver aquele dedo apontado na minha cara fazia meu corpo todo vibrar de ódio. — Agora a moleza acabou, Katsuki.

Ele deu dois passos na minha direção e puxou justo meu braço ruim, com força, abrindo minha mão. Quando ela estava espalmada e eu já tinha sentido várias fisgadas, ele enterrou a mão em seu bolso direito e tirou uma caixinha de aliança. Arregalei meus olhos para o preto aveludado da caixa agora relando a pele de minha mão direita.

— Você é louco! – Ah! Solta meu braço, Masaru! – Depois de muito apertar, ele soltou. Assim que olhei para o meu braço direito, vi a marca de seus dedos. Elas ficariam ali para me lembrar de que ele não estava brincando.

— Isso é pra provar a sua mãe que ela está errada. Essa história de que você nunca gostou da Uraraka é a mentira mais deslavada que eu já ouvi. Não quero saber se está de casinho com outra. Já tive sua idade e sei bem como pode ser insuportável ficar preso a um único rabo de saia. – O maldito se afastou na direção da porta.

— O que quer que eu faça com isso? – Eu estava a um passo de rosnar bem na frente dele. Alisei meu braço, pois ele agora doía. Além disso, a vontade de chorar veio, mas eu afastei-a com todas as minhas forças. A última coisa que eu queria era demonstrar fraqueza na frente dele.

— Essa noite teremos visita no jantar. Hoje você vai apertar a mão do seu futuro sogro e fazer o que já devia ter feito há muito tempo.

— Você só pode tá brincando... – Sorri em meio ao desespero.

— POR ACASO ESTOU COM CARA DE QUEM ESTÁ BRINCANDO?! – Masaru devia estar desesperado, pois as veias em seu pescoço pulsavam trazendo movimento ao seu maxilar. — Não me decepcione. – Ouvi o som da porta fechar.

Quando ele se foi, não consegui mais afastar aquela vontade. Como uma barragem no limite, que não suporta mais o excesso de água, deixei algumas lágrimas cair. Elas não eram reconfortantes como as que deixei cair na Orgulho Queer. Eram quentes e pesadas e carregas de ódio.

— PORRA! – Por alguns segundos esqueci da dor em meu braço machucado e arremessei a caixinha aveludada na parede. A caixinha abriu sobre a minha cama e revelou duas belas alianças de prata.

O esquecimento acabou e a dor veio me acertando em cheio. Arrastei-me pela cadeira até meu criado-mudo e abri o frasco de meus comprimidos para dor. Tomei duas pílulas com ódio mesmo sabendo que com certeza estava fazendo alguma besteira. Engoli em seco odiando com todas as forças meu pai. Soquei o colchão com meu braço bom e voltei a chorar. Queria poder abraçar minhas próprias pernas, mas nem isso eu podia. Não com aquele maldito gesso me impedindo. Limpei meu rosto com o dorso de minha mão boa.

— Isso não vai acontecer, Masaru. Mas não vai mesmo.


Notas Finais


Às vezes eu me sinto péssima por fazer meu loirinho sofrer tanto, mas acho tudo isso mais do que necessário. E esse final dele reagindo é a maior prova de que ele não suporta mais nada disso. Dias melhores virão, biribinha... Talvez venha até antes do que imagina...


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