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História Meu Professor Favorito - Capítulo 6


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Notas do Autor


Voltei Gente!
Boa Leitura

Capítulo 6 - Capítulo 6


YURIN: Woo, precisamos conversar.

EU: O que aconteceu?

YURIN: Prefiro conversar pessoalmente, vou mais cedo amanha ai, levo pizza para janta.

Eu: Ok

Não nego que passei praticamente o dia inteiro meio agoniado com a mensagem, conheço Yurin o suficiente para saber que ela não é de fazer esse tipo de coisa e que mesmo que eu pressionasse ela não iria ceder e me falar por mensagem.

- Appa, olha – gritou a criança animada.

Jae estava sentado no chão da sala em meio a um monte de papel e giz de cera colorido, enquanto eu estava largado no sofá com cadernos e o notebook no colo aproveitando o tempo para preparar as aulas da próxima semana, o pequeno mostrava orgulhoso o papel rabiscado cheio de bonequinhos e coisas irreconhecíveis.

- Que lindo filho, quem são ?

- Esses aqui – apontou para os três bonecos do meio, sendo três grandes e um menor – sou eu, o appa e o tio jun, e esses – dessa vez para uns pequenos mais afastados da folha – são o amigo do papai, a moça da loja e moço do sorvete.

- Então isso é o passeio de ontem? – Jae confirmou – você lembrou de tudo.

Eu parei de me preocupar com essa habilidade do garoto, ele simplesmente lembra de tudo, até mais que os adultos, não lembrando somente de pessoas mas sim de detalhes que passam despercebidos por nós. Chegamos a levar ele até a pediatra quando vimos que o garoto fazia isso, mas a mesma falou que o Jae pode ter alguma espécie de memória fotográfica, condição presente em apenas 1% da população e que por isso memoriza todos os detalhes mais facilmente e que seria interessante trabalharmos com ele atividades que desenvolvam essa habilidade.

- Appa, eu posso fica mais um dia aqui?

- Desculpa filho, mas você tem que voltar para casa da Omma – respondi

 

A campainha tocou me salvando de ter que lidar com os olhinhos brilhando me pedindo alguma coisa, era Yurin acompanhada de um enorme sorriso e uma caixa de pizza, agora Jae estava mais animado que o normal, se fosse outra criança obviamente seria pela presença da mãe, mas conhecendo bem o meu filho sei que é pela pizza.

Depois de comer, mesmo sendo um pouco cedo para jantar, não que sete da noite é cedo, mas também não era tarde, mas mesmo assim a pizza não podia esperar. Agora o pequeno voltou para os desenhos na sala me deixando conversar com Yurin.

- Olha Woo, eu vou direto ao ponto – falou ela – eu preciso de um favor seu.

Meu coração tremeu um pouco.

- Surgiu uma proposta muito boa de unificação com outra empresa, proposta que já tinha aceitado, como você já sabe – sim, ela já havia me contado sobre isso antes e ao que parecia tinha dado certo – acontece que deu muito certo, e vamos abrir uma filial na Austrália e querem que eu a comande.

- Isso é muito bom – e o coração doeu – você vai levar o Jae né?

Eu acho que dava para ver lagrimas nos cantos dos meus olhos só de pensar em me afastar dele, o tempo que eu tenho já é reduzido.

- Ai que está, eu pensei muito nisso e eu não posso – oi? – Ele já está habituado com tudo aqui, sei também que eu não vou ter muito tempo lá e além disso aqui ele tem você, o Jun, os avós maternos, e o Dino.

Dino é um amigo meu, costumamos sair as vezes e ele é bem próximo do Jae.

- Então você quer que eu fique com a guarda dele – eu entendi que era isso que ela queria, mas perguntei para ter certeza.

- Sim, hoje já dei entrada nos papeis só preciso da sua decisão para finalizar, o juiz já está de acordo.

- Claro que sim, mas e você, vai conseguir ficar longe dele?

- Não, mas sei que ele está em boas mãos, e você trate de fazer vídeo chamada sempre  e filmar as coisas que o Jae faz, eu quero tudo – ela brincou.

Isso era normal entre a gente, filmar o que o Jae fazia e mandar para o outro.

- Pode deixar, vou fazer questão que tu saiba tudo – dei ênfase na última palavra.

- Então vou finalizar a papelada, Dino vai mandar – esqueci de falar, Dino é assistente social, foi assim que conhecemos ele – como a viagem está marcada para daqui uma semana ...

- Mas já ?– interrompi.

- Sim, por esse motivo, se você não conseguir vaga na creche ou com quem ele ficar, Jae pode ficar com meus pais até tudo se ajeitar.

- Essa semana já vou atrás de tudo, pode ficar tranquila, é uma cidade pequena então não creio que a fila da creche seja tão grande – respondi.

- Obrigado Woo – a mulher levantou e me abraçou.

Ficamos conversando por mais algum tempo dessa vez com Jaehyun junto que fez questão de contar cada detalhe do dia de ontem, no caso muitos detalhes, também comemos o resto do bolo que o Jun trouxe, e por fim os dois foram embora, Yurin alegre pelas novidades e o menor com um bico porque queria ficar mais.

Não tínhamos contado ainda para ele, já que Yurin falou que contaria aos poucos essa semana.

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Aquela segunda eu sai cedo, fui tentar achar um creche, infelizmente a fila de espera apesar de não ser grande, no caso 40 crianças, tinha uma burocracia enorme e a chance de ser chamado em um semana era zero, isso me desanimou um pouco, já que Jae estava acostumado ir para creche na outra cidade, Yurin levava ele três dias por semana para se acostumar com o local e a conviver com outras crianças, então eu não queria contratar uma babá para ele.

Cheguei na hora do intervalo aquela manhã, e fui direto para sala que ia dar aula, depois de organizar todas as minhas coisas pela mesa que reparei um pasta azul no canto, provavelmente algum professor havia esquecido, caso não viesse buscar no até o fim da aula eu deixaria na sala dos professores.

No fim nem precisei pensar muito naquilo, pois após duas batida na porta e um “licença” Kim Mingyu está na minha sala.

- Desculpe, eu dei aula nessa turma e acabei esquecendo uma pasta, você viu? – falou se aproximando.

Estendi o que ele procurava em sua direção e ganhei um sorriso fraco como resposta, parando para ver, Mingyu não parecia estar bem, o rosto cansado, olheiras e o cabelo meio desarrumado, chuto uma ressaca.

- Você está bem? – perguntei.

- Ressaca – respondeu rápido e certeiro, e no final eu estava certo.

- Você não deveria beber antes de vir para aula, se os alunos perceberem.

- Eu sei – e suspirou – você não também não está só sorrisos, parece mal, está batendo a caneta na mesa desde que entrei.

Só então percebi o que estava fazendo, mania minha de quando ficava ansioso ou angustiado.

- Só estou tendo problemas em achar uma creche para o Jae – falei a verdade, ele já havia conhecido o Jae mesmo, não tinha porque esconder.

- Tua esposa ou namorada não pode ficar com ele? Ou os dois precisam trabalhar?

Bom, realmente se eu tivesse uma esposa não teria necessidade que ela trabalhasse até o Jae poder frequentar o jardim de infância já que essa escola paga um salario até que bom para um professor, mas conhecendo Yurin, ela jamais deixaria de trabalhar.

- Então, na verdade eu não sou casado, nem namoro, sou só eu mesmo, e agora o Jae.

- A então ... divorciado? – ele parecia estar tomando cuidado com as palavras, para tentar não me machucar, talvez medo de um suposto passado horrível que eu perdi minha mulher em algum acidente.

- Na verdade não também, eu e a mãe do meu filho nunca tivemos nada juntos, apenas a falta das lembranças de uma noite de bebedeira e uma criança no colo nove meses depois  – eu ri da cara de confusão do outro.

- Ah sim – ele pareceu entender, eu acho – eu vou indo, até.

Depois da aula já ter começado e eu ter explicado duas vezes sobre como funciona o sistema capitalista e o que é luta de classes eu pude finalmente me sentar um pouco enquanto a turma fazia alguns exercícios que passei, abri o aplicativo de mensagens do celular no computador para não ter necessidade de mexer no aparelho na frente dos alunos, assim ao menos eu poderia ser discreto, e me surpreendi com a primeira mensagem.

 

MINGYU: Oi, qual a idade do teu filho?

EU: Oi ,3 anos, porque?

MINGYU: Que sorte, tenho um amigo que é pai de um pedagogo que por coincidência da aulas para crianças de 3 anos, eu comentei com ele e ele falou que abriu vagas para essa idade e que está complicado com a fila porque poucos tem 3 anos.

Minha vida anda cheia de coincidências nessa cidade, primeiro precisarem justamente de um professor de sociologia e magicamente eu ser indicado, segundo essa creche ter vaga justo para idade do meu filho.

EU: Mas só para entrar na fila a papelada demoraria uns dias.

MINGYU: Então, ele falou para tu ir fala com o filho dele que ele adianta os papeis, e eu tenho que ir hoje lá.

EU: Mas tipo não é contra lei, eu furar a fila e esse processo?

MINGYU: É, mas a gente finge kkkkkkkkk tu não tem muita escolha.

EU: Tem razão, então vamos lá.

MINGYU: mais uma coisa, eu não vim de carro hoje, pode me dar uma carona ?

EU:  Claro kkkkkkkk

 

Não consegui evitar sorrir pela cara de pau do meu colega de trabalho, mas arrumei a postura ao lembrar que estou em uma sala de aula.

E assim que terminamos a aula encontrei com Mingyu na saída, ele comentou que por estar meio mal decidiu vir de ônibus e que ia cancelar com o amigo se eu não tivesse indo também. O caminho foi de boa, mas poucas palavras trocadas, ele apenas me indicou o caminho e ficou no celular o tempo inteiro.

Chegamos em uma casa grande, meio escondida na cidade mas que Mingyu parecia conhecer bem e um velhinho fofo que nos atendeu.

- Oh Mingyu, que bom que veio – falou ele sorrindo – você deve ser o Wonwoo certo – acenei positivamente e apertei a mão do velho – vocês entrem logo que eu fiz café.

Logo um cara apareceu na sala, ele era realmente bonito, tinhas as feições delicadas e sorria de forma meiga, Mingyu nos apresentou devidamente e eu descobri que ele se chamava Jeonghan e era professor da creche. Seria engraçado se tudo não passasse de uma fanfic que no final o pai e o professor do filho acabam em uma cama juntos, poxa, eu já sou adulto e convicto da minha sexualidade então é obvio que tenho desejos.

Mingyu me deixou tomando café com o cara bonito e sumiu entre os corredores com o velhinho, acabamos conversando sobre a vaga na creche e tudo mais, no final descobri que não seria tão ilegal assim, já que de todas as crianças na fila poucas tinhas 3 anos e como a creche fica muito longe a maior parte preferiu esperar as do centro abrirem, assim seria meu filho e mais duas crianças que iniciariam agora. Então a única coisa ilegal mesmo era a papelada que eu ia fazer por fora.

- E você pode fazer algo assim? – perguntei

- Não, mas dou um jeito – respondeu ele.

Eu espero que o que eu tenha visto naquela fração de segundo não tenha sido um sorriso diabólico, porque me tremi todo aqui de medo.

- Mas porque abriu tantas vagas assim? – perguntei para mudar de assunto.

- A mãe de trigêmeos decidiu se mudar para o interior – ele falou aquilo numa normalidade.

-Trigêmeos? Eu com um só e já tenho trabalho suficiente.

Trigêmeos parece tão surreal.

- Ela era rica, tinha seis babas para cuidar deles.

Tá, isso foi mais surreal ainda.

- Tudo certo? – Falou Mingyu chegando na sala e segurando um grande livro.

- Sim, já terminou? – recebi um sim como resposta – podemos ir então?

Nos despedimos de Jeonghan e do velhinho depois fomos para o carro.

- Pode me deixar na escola, meu ônibus passa logo – falou ele, enquanto colocava o cinto.

- Claro que não, te levo para casa, já está tarde.

Tinhamos passado muito tempo naquela casa.

- Não precisa Wonwoo, sério.

- Você me ajudou muito hoje, então deixa eu no mínimo te dar um carona.

- Tudo bem – ele cedeu.

Seria uma cena legal se minha  barriga não tivesse roncado, o que gerou uma serie de risadas dentro do carro.

- Que tal um jantar antes – propus.

- Eu topo, estou morto da fome e tem um restaurante bom perto da minha casa.

- Perfeito, coloca o endereço no GPS.

Após ver o  caminho colocado pude notar não ser distante da minha casa.

- Eu moro apenas duas quadras daí – comentei.

- Serio? – falou enquanto apertava o livro nos braços.

- Não querendo ser curioso mas o que é isso ?

- Um livro – ah não diga – aquele homem é o historiador responsável pelo acervo histórico da cidade, esse livro tem todas as casa tombadas* da cidade, como estou trabalhando a historia da cidade com algumas turmas, achei que seria interessante fazer um trabalho em cima disso.

- Que incrível, na nossa época história não era assim.

- Sim – ele riu – tu lembra ainda do professor Minho?

- Mas claro, ele dormia de olhos abertos durante a aula, um dia o Jun tacou uma bolinha de papel nele, ele se assustou e derrubou todos os livros da mesa.

- Ficamos de suspensão.

Conversamos sobre a época da escola, sem tocar em assuntos delicados, até o restaurante.

No final Mingyu estava certo, o lugar era realmente gostoso, tinhas comido muito e eu estava realmente feliz, o dia tinha sido muito bom, resolvi meu problema com a creche e ainda comi bem.

- Posso te fazer uma pergunta? – falou ele e eu acenei positivamente.

Estávamos sentados ainda na mesa, esperando a comida “descer”.

- Porque ciências sociais?

- Ódio ao capitalismo talvez, pensei em fazer serviço social, mas não sei se me daria bem com a prática, no final são duas coisas bem diferentes mas me apaixonei por sociologia, quero que meus alunos entendam quão forte é uma nação unida – respondi – e você, porque história?

- Começou quando eu descobri sobre um velha igreja abandonada que ficava dentro do terreno do meu antigo vizinho, comecei a pesquisar sobre a historia da cidade e no final descobri que era isso que eu gostava – ele sorria enquanto falava, mostrando os caninos afiados que tinha – amo dar aulas, mas meu sonho ainda é ser responsável pelo patrimônio histórico da cidade.

- Eu jamais imaginaria que esse Kim Mingyu que está na minha frente é o mesmo de dez anos atrás – ele interrompeu o sorriso e agora tinha um olhar intenso mas não a ponto de assustar ou intimidar, apenas um olha ... Mingyu? – eu jurava que você fosse fazer algo como educação física, ou comercio exterior, até mesmo virar empresário ou modelo, mas nunca pensei em história.

- Eu sou o mesmo Mingyu de dez anos atrás, obvio que com a vida adulta nós crescemos e começamos e temos ideias mais formadas e objetivos mais fixos, mas ainda sim eu sou o mesmo, acontece que nós nunca nos conhecemos de verdade.

Ele tinha razão, convivi com ele por muitos anos, diariamente, mesmo assim agora vejo que Kim Mingyu é um completo desconhecido para mim.

- Tem razão, não nunca tivemos a chance de nos conhecer, tínhamos ideias fixas sem contexto um sobre o outro – respondi.

- Então vamos nos conhecer, depois de dez anos – ele estendeu a mão em minha direção – amigos?

- Amigos – foi um aperto de mão que marcou a promessa.

Deixamos a mesa, e terminamos de pagar tudo antes de deixar o local.

- Tu mora muito longe? Precisa de carona? – perguntei.

- Não, moro ali - apontou para um prédio branco e chique,  no final da rua.

Nos despedimos e eu sai logo dali, precisava preparar os papeis e enviar por e-mail para o Jeonghan.


Notas Finais


*O tombamento é o ato de reconhecimento do valor histórico, artístico ou cultural de um bem, transformando-o em patrimônio oficial público e instituindo um regime jurídico especial de propriedade, levando em conta sua função social e preservando a cédula de identidade de uma comunidade.
Fonte: Wikipédia.


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