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História Meu Querido Anjo Proibido - Capítulo 1


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Capítulo 1 - 1- She Will be Free


Sinto o frio de Julho atravessando a janela  que ficava acima da minha cama em contato com meus cabelos desgrenhados. Ouço o som distante de um galo cantando, - Isso não era comum de se ouvir na cidade. - o que me faz querer abrir os olhos e me certificar se já amanheceu.

Abro lentamente os olhos lutando contra todos os impulsos do meu corpo que me pediam para voltar a dormir. Sem ao menos ter que mover meu corpo apenas estico minha mão esquerda até a altura da cabeça e afasto ligeiramente a cortina que tinha ali.

As janelas estava fechadas. Sempre estavam, afinal eu mesma cuidei para que isso acontecera, a alguns meses atrás, quando resolvi pinta-las de verde menta com restos de tinta de parede que mamãe guardou no sótão. - As janelas se colaram e agora ninguém consegue abri-las. - Olhando para fora contemplo o tom cobalto do céu, deviam ser um pouco mais que cinco da manhã, não haviam nuvens, o que significava que talvez o dia fosse agradável.

Relutante olho para o lado na cama, para onde eu ainda estava de costas, estava vazio. É claro que estava. Ele nunca ficava. De certa forma isso era um ponto positivo, apesar de todos os outros negativos que se escondiam por trás desse. Passo meus dedos pelo rosto me lembrando da fatídica noite anterior. Minhas mãos estavam geladas,  mas podia sentir que meus pés estavam quentinhos, graças ao par de meias grossas e coloridas, que decidi vestir antes de saber oque me esperava para tal madrugada. No entanto não devia ser uma surpresa. Aquilo estava começando a se repetir cada vez com mais frequência. Eu odiava! E é por isso que decidi fazer, o que vou fazer.

Tomo coragem e finalmente me levanto da cama. Olho ao redor reparando em cada detalhe do meu quarto, eu amava cada cantinho. Vou sentir saudades. Penso comigo mesma. Ando até o banheiro e começo a me despir, através do grande espelho podia ver as novas marcas que cobriam  parte da pele em minha barriga, coxas e seios. Engulo a seco forçando para que não deixasse escapar nenhuma lágrima. Ligo o chuveiro e pego uma bucha esfregando todo o meu corpo numa tentativa de tirar o cheiro impregnado ali.

Termino de me lavar, me seco e ponho meu uniforme da escola. Sigo para o primeiro andar para assim iniciar mais um dia. Heloísa, minha mãe, já estava sentada em uma das cadeiras da grande mesa de madeira, a cadeira ao seu lado ainda estava vazia e agradeci mentalmente por isso. Me sento a sua frente e murmuro um "bom dia" fraco.

- Que bom que acordou sozinha dessa vez. - Disse a mulher de longos cabelos castanhos sem desviar seus olhos do celular em sua mão. - Está finalmente aprendendo suas obrigações.

- Sim mamãe. - Apenas concordo.

- Não seja tão dura com ela querida. - Era ele! Ouvir sua voz já fazia meu corpo estremecer. - Bom dia para as duas mulheres da minha vida.

Se sentou ao lado da minha mãe após depositar um beijo ao topo de nossas cabeças. Me mexo desconfortavelmente em meu assento com esse ato dele.

- Ela precisa aprender a ser mais responsável, Carlos. Essa menina já tem doze anos. - Diz minha mãe grossa como sempre.

- Ela vai aprender querida. Apenas dê um tempo a nossa filhinha. - Carlos diz me defendendo, ele costumava fazer isso depois de cometer seus pecados.

- Eu não sou sua filha. - Sussurro mas de forma firme me certificando de que ele ouviria.

- Está vendo? Essa menina é uma petulante! - Mamãe esbraveja me fazendo encolher meu corpo na cadeira. - Não sei como ainda a defende se só te trata com desprezo.

Era sempre assim, já estava mais do que acostumada. Porém bem longe de estar conformada. Carlos se casou com minha mãe tem pouco mais de quatorze meses. Já meu pai morreu quando eu tinha nove anos, sinto demais sua falta, minha vida se transformou por completo desde que ele nos deixou. Mamãe me desprezava cada dia mais, ela dizia que eu a lembrava ele e por isso preferia manter distância. Até que se casou com Carlos, ele parecia bom, quando ele chegou sempre tentava me incluir em passeios e conversas, achei que as coisas mudariam com sua chegada. E de fato mudaram.

- Não vou poder leva-la a escola hoje. - A morena de trinta e poucos anos se manifesta me arrancando de meus pensamentos. - Se importa querido?

- Sem problemas. - Logo ele diz. - Eu levo nossa princesa.

Solto um leve suspiro. Terminamos nosso café da manhã em silêncio. Me levanto e pego minha mochila no sofá da sala, ele dá um rápido beijo em minha mãe e seguimos para a garagem. Entro no banco do passageiro e coloco o sinto. Não demorou para ele fazer o mesmo e abrir o grande portão de ferro. Minha casa era enorme, tínhamos uma ótima condição financeira, mas nem de longe éramos felizes, pelo menos eu não era.

Não demorou para Carlos estacionar seu carro em frente a entrada da minha escola. Eu estava pronta para sair do carro quando sinto sua mão repousar em minha coxa. Seu ato me fez parar e olhar para frente sem encara-lo. Sua mão ficou parada ali por alguns segundos até que ele começou a alisar minha pele. Fecho meus olhos sentindo repulsa.

- Você foi ótima essa noite querida. - Ele diz aproximando seu rosto do meu. - Como sempre. Tenha uma boa aula.

Deposita um beijo singelo em meu rosto e volta ao seu lugar retirando sua mão do meu corpo. Sem dizer nada saio do carro e entro mais que depressa na escola. Sigo direto lara minha sala de aula e sento em uma das cadeiras no fundo, como o habitual. As aulas se passaram despercebidas, eu não prestei atenção em uma só palavra. Meus pensamentos estavam em meu plano.

Aquela noite nunca mais voltaria a acontecer. Já pensei em falar com minha mãe, mas suspeito que ela já saiba o que acontece dentro do meu quarto enquanto ela está presa em um sono profundo provocado por seus calmantes. A policia também era uma opção, não, na verdade não era. Tudo o que  fariam era me tirar deles e me deixar presa em um orfanato até outra família resolver ficar comigo, o que poderia nem sequer acontecer. Ou eu acabar em um lugar pior. 

- Podem ir crianças. - Minha professora anuncia se referindo ao intervalo. Eu nem sequer ouvi o sinal.

Me levanto e sigo para o pátio. Me sento em um banco, pego meu celular no bolso da calça e escolho alguma música colocando meus fones. Fico ali observando as outras crianças brincando, eu costumava brincar com elas. Eu era amiga de quase todas, até que um dia decidi que seria mais fácil me afastar. Todos já sabiam que eu não era a mesma de antes, isso só facilitou as coisas, assim não teria que me explicar para ninguém. Fico ali pelos vinte minutos de intervalo e logo o sinal soa avisando que devemos voltar as nossas salas.

*****


O dia seguiu como o planejado, nada fugiu da minha rotina. Eu estava vendo televisão na sala esperando a hora de todos irem dormir. Por Carlos ter ido noite passada ao meu quarto sabia que não voltaria essa noite. Se manteria ao menos uma semana longe de mim. As horas se passaram lentamente. Olho as horas na televisão e vejo que já passam das onze, não demoraria para mamãe vir me dar uma bronca e me mandar ir dormir. E dito e feito...


- O que ainda faz aí menina? Suba já para o seu quarto. - Diz sobre seus saltos finos e com sua roupa elegante no corpo.


- Tudo bem mamãe. - Rapidamente desligo a televisão, visto minhas pantufas e me direciono ao meu quarto.


Me sento na cama e fico pensando nos meus próximos passos, ainda precisaria esperar mais algumas horas antes de agir, não podia correr o risco deles acordarem. Me perco dessas ideias quando vejo a maçaneta da porta girando e Carlos passando pela mesma. Ele não devia estar aqui. Ele nunca vem dois dias seguidos. Minha respiração logo fica descompassada e o desespero me toma.


- O que está fazendo aqui? - Pergunto com a voz um tanto trêmula.


- Ah princesa, pensei que tivesse me ouvido quando disse que foi ótima na noite passada. - Sorri de forma maliciosa se sentando ao meu lado na cama. - Não me contive, preciso te sentir de novo meu docinho.


Ele toca suavemente meu rosto. Sinto meus olhos arderem. De novo não, ontem era para ter sido a última vez. Fecho os olhos com força. Ele se inclina sobre meu corpo fazendo com que eu me deite e beija meus lábios. Sem pensar viro meu rosto recebendo um olhar reprovador.


- Não seja uma menina má querida. Sabe que sou carinhoso. - Diz e volta a me beijar, segurando meu rosto com força para que eu não voltasse a vira-lo.


Ainda me beijando ele tira sua camisa social, que já estava desabotoada desde que entrou em meu quarto, e a joga no chão. Aperta meu corpo contra o seu me obrigando a sentir sua excitação em minha barriga. Tira a minha camiseta com agilidade e brutalidade. Seus olhos estavam negros, causando um grande contraste com sua pele branca como papel. Lentamente desce seus beijos para meu pescoço e o morde me fazendo soltar um grito de dor que fora abafado com sua mão. Desceu sua boca para os meus seios os mordendo e chupando. E eu apenas consegui chorar.


Não demorou muito para ele se livrar do resto de nossas roupas e sem cerimonia me penetrar com força me fazendo gritar em meio ao choro a cada movimento descuidado seu. Ele foi rápido dessa vez. Não demorou para sair de cima do meu corpo e vestir sua roupa que estava jogada no chão. Eu permaneci quieta ainda nua deitada em minha cama. Ele se aproximou uma última vez e cobriu meu corpo com a manta que estava perfeitamente dobrada no pé da cama.


- Tenha bons sonho. - Falou beijando minha testa e saindo do quarto por fim me deixando sozinha.


Me encolhi na cama e abracei meu corpo desabando em choro. Eu já não aguentava mais. Deixo que a tristeza me atinja por cinco minutos, mas apenas cinco minutos. Então me levanto, seco minhas lágrimas e tomo um banho, rápido dessa vez. Não tinha tempo a perder. Volto para o quarto e me visto com uma roupa confortável e quentinha. Me ajoelho de frente para a lateral da cama e me inclino puxando uma mochila que deixei ali. Me sento com ela na cama e abro conferindo se tudo estava em ordem. Meus documentos, algumas roupas, minha mesada dos últimos meses. Eu estava pronta. Era agora ou nunca! Eu seria livre.




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